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Como LeBron James se transformou no melhor, e mais perigoso, armador da NBA

Fábio Balassiano

19/11/2019 06h00

KATHARINE LOTZE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

Antes da temporada começar o novo técnico do Los Angeles Lakers, Frank Vogel, não escondeu de ninguém quem iria "pilotar" o seu time no campeonato: "A bola será do LeBron James. Ele será o nosso armador e confiamos muito na forma como ele vai organizar o nosso sistema ofensivo".

No começo foi um choque, mas a real, a real mesmo, é que em vários momentos no Miami Heat bicampeão (2012 e 2013) e do próprio Cleveland Cavs campeão (2016) o ala é quem armava o jogo. Normalmente com bons arremessadores à sua volta, o que o tornava as coisas ainda mais devastadoras para os adversários, era LeBron quem conduzia seus sistemas ofensivos. A diferença é que no Lakers não há, com exceção de Danny Green e Kyle Kuzma, nenhuma arma fortíssima de três. A dúvida ficou no ar sobre como os Lakers performariam, mas o resultado está sendo claro.

Com 13 partidas, os Lakers lideram o Oeste com 11 vitórias e têm jogado muitíssimo bem na maioria das partidas. Por incrível que pareça, a situação está ainda melhor para todos com essa configuração ofensiva – para LeBron, Vogel e os Lakers. Aos 34 anos e em sua décima-sétima temporada, o camisa 23 angelino abraçou de vez a causa de armador e registra incríveis 11,2 assistências por partida (já são cinco jogos seguidos com 10+ passes), melhor índice de toda NBA com 2,1 de vantagem sobre Luka Doncic, o segundo colocado.

De quebra, o agora armador de ofício conta com apenas 3 desperdícios de bola por noite, ótimo índice para quem fica tanto com a bola na mão. No domingo, na vitória contra o Atlanta Hawks em casa por 122-101, 33 pontos, 12 assistências e 7 rebotes em 33 minutos de atuação:

Jogando ao lado de Anthony Davis, a outra estrela do Lakers, LeBron não diminuiu tanto sua pontuação em relação às últimas temporadas (seus 27,4 pontos caíram para 25 com o mesmo número de arremessos), mas seus passes certeiros atingem um patamar 50% maior do que a média de sua carreira (7,3) justamente porque com a fusão de sua visão de jogo descomunal e altruísmo James tem conseguido colocar seus companheiros em ótimas condições de arremesso. Para alguém com seu potencial físico, com quase 50% nas conversões dos tiros de quadra e com a capacidade de ainda infiltrar para destruir os garrafões adversários, trata-se se uma combinação bem explosiva para a sua equipe.

Se o time não segue muito bem o "mantra" do basquete atual, que praticamente ordena bolas de três em profusão (o Lakers tenta apenas 29,5 vezes por noite, o sexto menor índice do campeonato), em termos de conversão a franquia vai indo muito bem, sendo a segunda com 47,9%, um mísero décimo atrás do Miami Heat, que também joga com um sistema de quadra espaçada e com apenas um pivô fixo perto da cesta. No Heat, Bam Adebayo; em Los Angeles, Anthony Davis, Dwight Howard e JaVale McGee se revezam na proteção ao aro.

KATHARINE LOTZE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

Ciente de sua responsabilidade, LeBron disse que tem gostado de ter o controle em suas mãos, mas admite que o sucesso do Lakers lá na frente, ou seja, em playoff passa muito mais pela forma como Anthony Davis será acionado do que qualquer outra coisa. Ele não deixa de ter razão, mas que por enquanto está sendo maravilhoso ver como James se transformou no melhor, e mais perigoso, armador da NBA, isso está.

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