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Os efeitos da Copa do Mundo na Euroliga, por Rodrigo Salomão

Fábio Balassiano

02/11/2019 04h29

* Por Rodrigo Salomão, direto de Tel-Aviv

Semana movimentada na competição mais importante do basquete europeu. E o que não falta é surpresa. Mas não sem uma certa dose de debate. Afinal de contas, dois assuntos das últimas curtinhas do nosso texto mais recente sobre Euroliga se misturaram: calendário e Fenerbahce.

A queixa mais firme sobre o acúmulo de compromissos e o pouco tempo de preparação veio de Svetislav Pesic, treinador do líder Barcelona. No entanto, pudemos ver e ouvir de perto a situação do Fener, que vem numa campanha para lá de surpreendente. Os turcos vieram para Israel e, embora tenham esboçado uma reação no final, saíram derrotados da Menorah Mivtachim Arena. O Maccabi Tel Aviv se aproveitou de seu ótimo jogo defensivo, como foi muito destacado por todos após o duelo. Para se ter uma ideia, os amarelos concederam apenas 21 pontos no primeiro tempo inteiro, o segundo pior primeiro tempo da história do Fenerbahce na temporada regular. Placar final de 67-55 e terceiro triunfo consecutivo. Ótima vitória, fundamental para a tabela e muito merecida. Mas, por outro lado, o que está acontecendo com o time de Obradovic?! A resposta talvez tenha uma pitada de polêmica…

"Não serve de desculpas, de modo algum, mas é fato que nosso grupo ainda sente os efeitos de ter muitos jogadores que estiveram na Copa do Mundo", falou Luigi Datome, em concordância ao que falou seu colega de time, o sérvio Nikola Kalinic.

Será que faz sentido? Se a gente for pensar que talvez seja o início com mais surpresas em quadra dos últimos tempos, com certeza. Além do próprio Fenerbahce, o Real Madrid – base da seleção campeã do mundo – também está abaixo da crítica e por enquanto acumulou apenas duas vitórias em 5 jogos. Campanha negativa (e estarrecedora). Muitos dos nomes dos dois times (Campazzo, Laprovittola, De Colo, Lull, Rudy, Datome, Sloukas) se fizeram presentes na China. No total, onze nomes de ambas as equipes participaram do torneio e agora correm contra o tempo com a temporada em andamento para alcançarem o ápice da forma física.

O contraponto, por assim dizer, é o CSKA. Os russos foram representados por seis jogadores na Ásia, mas até agora vêm bem. O que não impede de também dar suas escorregadas. Depois de vencer quatro jogos consecutivos, foi surpreendido pelo irregular Olympiakos em Moscou. Gangorra de emoções.

Voltando ao assunto "estafa física", aqui cabe fazer um esclarecimento. O público brasileiro está cada dia mais acostumado com o estilo de jogo da NBA, ataques rápidos e muitas (muitas!) tentativas de arremessos de longa distância. Na Europa, o molde é outro. É muito físico, jogo de garrafão, infiltrações e marcações implacáveis enquanto corre o relógio. Omri Casspi, conhecido por ser um ótimo chutador em seus anos de Estados Unidos, pouco se arrisca da linha de 3 até o momento. Contra o Fener, apenas dois arremessos (50% de aproveitamento). Dedo do técnico? É possível.

"Na NBA, Casspi tinha a fama de ser um grande chutador e ele de fato é um grande chutador. Ele vai encontrar o caminho para ter um bom percentual de fora. Eu acho que a grande diferença é a intensidade do jogo. Aqui a intensidade é maior, na Euroliga. Na NBA, a intensidade dos jogos te permite ter mais tempo para arremessar. Aqui, temos que movimentar a bola mais rápido. Decisões mais rápidas, execuções mais rápidas. Então eu acredito que, depois de 10 anos na NBA, este é o grande desafio que temos para ajustar, o seu percentual nos tiros de 3", resumiu o treinador Ioannis Sfairopoulos.

Não é segredo, portanto, que a força é fundamental para a disputa em alto nível na liga. Só que às vezes o corpo pede a conta. Quem vai pagá-la? Por enquanto, Fenerbahce e Real Madrid estão na cabeceira da mesa. Voltar à parte de cima da classificação, porém, deve ser questão de tempo. Os dois times têm craques demais para ficar de fora da festa.

Curtinhas da Euroliga:

–> Depois de cinco rodadas completas, a campanha do Barcelona segue avassaladora. O time de Nikola Mirotic é o único 100% na tabela de classificação e, com um basquetebol envolvente, vai dominando os adversários até o momento. A última vítima foi o lanterna Valencia (83-77);

–> Como tem sido rotineiro, o comparecimento às arenas por enquanto é muito satisfatório na Euroliga. A média é de 8.676 torcedores por jogo neste início de temporada regular;

–> E não dá mesmo para respirar. A quinta rodada mal acabou e, no dia seguinte, já tivemos dois jogos da sexta rodada. Com dois resultados até certo ponto surpreendentes. Em casa, o Estrela Vermelha passou pelo Khimki (90 a 78). Já o Panathinaikos freou o ímpeto do Anadolu e, também em casa, venceu por 86 a 70. O resto dos jogos acontece na sexta-feira, 1º de novembro;

–> Cada vez mais querido em Tel Aviv, o técnico do Maccabi, Ioannis Sfairopoulos, retorna ao Piraeus pela primeira vez para enfrentar seu antigo time, o Olympiakos. O treinador trabalhou no time vermelho e branco por quatro temporadas, de 2014 a 2018, por onde, dentre outros feitos, disputou duas decisões de Euroliga. O coração do grego certamente baterá mais forte.

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