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Pouco tempo de quadra dos brasileiros na NBA assusta e impacta seleção nacional

Fábio Balassiano

30/10/2019 06h15

A temporada 2019/2020 da NBA começou há exatamente uma semana (22/10) e com ela quatro brasileiros estão representando o país no melhor basquete do mundo. Com 14 jogos disputados pelos times que possuem em seus elencos Bruno Caboclo (Memphis Grizzlies), Raulzinho (Philadelphia 76ers), Nenê (Houston Rockets) e Cristiano Felício (Chicago Bulls), o baixo tempo de quadra dos quatro assusta – e muito. Ao todo, os atletas nascidos no Brasil estiveram em quadra por apenas 20 minutos (somados!). Pode não parecer, mas isso impacta absurdamente suas carreiras e também a seleção brasileira.

A situação mais preocupante é a de Cristiano Felício, que tem sido visto no banco de reservas do Chicago Bulls de terno, ou seja, nem fazendo parte da rotação do fraquíssimo Bulls ele está. Ele perdeu tempo de quadra para o novo Wendell Carter Jr. e parece não fazer parte dos planos do técnico Jim Boylen. A franquia de Illinois atuou por quatro vezes e até o momento Felício não pisou um minuto sequer na quadra. Ele tem o quinto salário mais alto do time (US$ 8,1 milhões na temporada) e está sendo bastante cobrado pelos torcedores do Bulls nas redes sociais.

Nenê, por sua vez, está se recuperando de lesão (estiramento muscular) e ainda não tem previsão de estrear por um Houston Rockets que tem dado tempo de quadra na posição dele, a de pivô, para o jovem Clint Capela e para o veterano Tyson Chandler. Quando estiver bem preparado fisicamente é por este espaço na rotação que ele lutará.

Os brasileiros que entraram em quadra atendem pelos nomes de Raulzinho e Bruno Caboclo. O armador do Sixers, um dos favoritos ao título da NBA, atuou por um minuto no jogo contra o Boston e por seis contra o Detroit. Na partida diante do Hawks, em Atlanta, nada de Raulzinho, que disputa a posição de reserva na armação com Trey Burke, em quadra.

A situação de Caboclo, que só tem contrato para essa temporada, preocupa muito também. Ao contrário do que se esperava, já que no campeonato passado participou muito bem dos jogos do Grizzlies, ele está atolado no banco de reservas e parece não conseguir espaço na rotação do Memphis que ontem à noite perdeu do Lakers, em Los Angeles, por 120-91. O técnico Taylor Jenkins tem investido pesado no ótimo Jaren Jackson Jr., em Jonas Valanciunas, Solomon Hill, Jae Crawder e Brandon Clarke para a rotação de homens grandes do time. Com isso, Bruno teve apenas cinco minutos de atuação quando a partida contra o Heat, em derrota por 120-101, já estava decidida e outros 8 ontem quando Lakers e Grizzlies também colocaram os reservas em um quarto período de jogo já liquidado. Caboclo tentou e errou seus três arremessos.

Torçamos para que a situação melhore nas próximas semanas, porque até agora o começo dos brasileiros é pra lá de preocupante na NBA. Um lesionado, o outro que nem troca uniforme e dois deles com baixíssimo tempo de quadra. Estar na melhor liga de basquete do planeta nem sempre é tudo. Além deles, a seleção brasileira perde muito com isso (e a gente vê isso nos resultados recentes da equipe hoje comandada por Aleksandar Petrovic). Teoricamente os quatro melhores jogadores do país no exterior, já que a liga americana é a mais gabaritada do planeta, os atletas do Brasil simplesmente não jogam, não evoluem, não melhoram no embate diante de rivais fortíssimo. Fica a pergunta: vale realmente a pena?

Rodagem e conseguir estar jogando com frequência, mesmo em um basquete de nível não tão alto quanto a NBA (leia-se Europa), talvez sejam a chave para um desenvolvimento profissional melhor, mas essa, sem dúvida, é uma outra discussão.

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