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Bala na Cesta

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Quem é a única mulher que fecha contratos milionários na NBA

Fábio Balassiano

10/07/2019 05h01

Divulgação: Indiana Pacers

Na apresentação de Malcolm Brogdon, maior reforço do Indiana Pacers para a temporada 2019/2020 da NBA, um rosto chamava atenção. Era o de Danielle Cantor, que sentada na primeira na primeira fila comemorava o fato do agora ex-ala do Milwaukee Bucks ter assinado um contrato de 4 anos e US$ 85 milhões.

Em um ambiente praticamente dominado por homens, Danielle se destaca ao ser a única mulher empresária de jogador da principal liga de basquete do mundo. Funcionária maior da F.A.M.E., uma das maiores agências de atletas do planeta que já teve ao mesmo tempo Michael Jordan e Patrick Ewing em sua carteira, ela tem em sua carteira além de Brogon o ala Otto Porter, do Chicago Bulls, que receberá mais de US$ 55 milhões nos próximos dois campeonatos.

"Sabia que poderia ter assinado com David Falk, um mito do esporte quando o assunto é empresariar atletas, mas a Danielle me passou confiança desde o primeiro dia e não via motivo algum para deixar de lidar com ela. Logo que assinei meu primeiro contrato com o Bucks, há quase quatro anos, não houve uma semana em que não nos falamos. E sobre todos os assuntos. A maneira como ela entende a carreira do atleta é única. Sua dureza também", contou Brogdon na entrevista coletiva do Pacers nesta semana, arrancando um raro sorriso de sua empresária.

Dos 30 agentes credenciados oficialmente pela NBA, Cantor é a única do sexo feminino a trabalhar na NBA. E ela sabe o peso disso:

"Meu objetivo é me provar para proprietários e gerentes-gerais, para que eles saibam quem eu sou e que eles me respeitem. O que acho que já aconteceu. Mas sendo bem sincera, eu tive que trabalhar mais do que o dobro para que isso acontecesse. Existia muita desconfiança e desde que passei a trabalhar na F.A.M.E., em 2007, muita gente achava que eu era esposa do David Falk. Típico preconceito em uma profissão difícil de ter mulher trabalhando. Mas estou aqui pra provar que, sim, é possível e que merecemos crédito", disse em recente entrevista ao Washington Post.

Divulgação F.A.M.E.

Mãe de duas meninas, Cantor foi eleita pela SportsBusiness Journal como uma das 35 mulheres mais influentes e com poder de mudar os destinos do esporte na atualidade. Nascida na cidade de Bethesda (no Estado de Maryland), ela cresceu uma família que amava esportes. Sua primeira experiência foi como goleira no ensino médio. Se tornou All-American, ou seja, figurou entre as melhores do país, mas lesões impediram que ela seguisse como atleta. Se não seria dentro de campo, fora dele sua vida profissional continuaria ligada aos esportes. No ano 2000 a SFX Sports Management, uma agência de marketing esportivo, a contratou. Dali em diante sua fama no mercado cresceu.

Conhecida como durona e ao mesmo tempo muito analítica, via seus pares empresários de jogadores fechando contratos em bares e restaurantes e achava que poderia atrair atletas de maneira mais profissional e formal. Um dia, na agência às 22h lendo relatórios, recebeu uma ligação de Mike Bibby, jogador então no Sacramento Kings e cliente da antiga agência de David Falk. Ele queria falar com seu agente, não conseguiu, mas Cantor solucionou a questão em 10 minutos. Falk soube, ligou pra ela na hora, a promoveu e passou a olhá-la com atenção diferente.

Anos depois, em 2011, ele fundou a F.A.M.E. e contratou uma única agente – Danielle Cantor.

"Ela intencionalmente tenta manter um perfil recluso – essa é a escolha dela. Ela é a mais inteligente, mais capaz empresária de atleta que eu já vi. Não ficaria preso se ela destruísse o mercado com uma agência só dela. Que bom que ela está ao meu lado. Eu diria que ela é a mulher mais inteligente, capaz e bem relacionada do ramo atualmente", afirmou Falk em 2017.

De lá pra cá a agência cresceu, hoje representa 25 atletas, movimentará mais de US$ 170 milhões em salários na temporada 2019/2020 da NBA e tem em Danielle a sua principal força. Falk praticamente deixou de fazer o meio-campo entre jogadores e franquias, tamanha a qualidade de cantor no dia a dia de operações complexas.

"Conheço a Cantor desde 2007 e sei bem de sua índole. Normalmente quando nos falamos o papo dura três minutos. Ela é objetiva, certeira, ética e é um prazer lidar com gente assim. Uma vez ela queria assinar um contrato com um jogador da F.A.M.E., o Falk já tinha aceitado a nossa oferta e ela me ligou se desculpando. Havia conseguido uma nova proposta e disse que, como já tinham dado a palavra, era justo que eu, como gerente-geral, desse o veredicto sobre o que deveria ser feito. Foi incrível a honestidade dela e acabei liberando o jogador", conta Sam Presti, o manda-chuva do Oklahoma City Thunder.

Em um ambiente quase todo dominado por homens, é incrível ver o que Danielle Cantor tem conseguido na NBA.

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