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Bala na Cesta

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Ele esnobou a NBA para tentar fazer o Barcelona voltar a vencer o Real Madrid

Fábio Balassiano

09/07/2019 05h01

Divulgação: Barcelona

Não são muitos os jogadores que podem bater no peito e dizer que, por livre e espontânea vontade, deram de ombros pra NBA. Oscar Schmidt é um caso conhecido, porque havia a questão de não poder atuar pela seleção nacional na década de 80, quando foi escolhido pelo então New Jersey Nets no Draft de 1984. Dejan Bodiroga, craque do Barcelona do começo do século, outro. Nikola Mirotić é o mais recente caso de alguém que esnobou a melhor liga de basquete do planeta.

Aos 28 anos e desde 2014 na NBA com passagens por Bulls, Pelicans e Bucks (12,3 pontos e 5,9 rebotes de média em sua carreira), o montenegrino naturalizado espanhol, dono de ótima técnica e brilhante mecânica para os arremessos, tinha a opção de permanecer nos EUA ou rever boa parte de seu planejamento como atleta.

Ao final do seu contrato com o Milwaukee, Mirotic, que atuou no Real Madrid entre 2008 e 2014, sabia que receberia inúmeras propostas como agente-livre, mas tomou outro rumo antes mesmo de começar a receber ligações de seus agentes norte-americanos: ao invés de ser um coadjuvante de luxo em uma liga cada vez mais rápida (totalmente diferente do que seu físico lhe permite jogar), ele optou por ser estrela.

E a estrela de um Barcelona que precisa urgentemente voltar a vencer o Real Madrid, seu maior rival e dono de cinco dos últimos sete títulos espanhóis (o último catalão foi em 2012/2013). Não dá pra dizer que Nikola, conhecido por suas bolas de três certeiras (35,9% em sua passagem pela NBA) e bronze com a seleção espanhola no Rio-2016, foi para a Catalunha abrindo mão de muitos milhões de dólares e simplesmente para ser o ator principal de uma equipe que também contará com outro ex-NBA, o ala-armador Alex Abrines, ex-Oklahoma e formado nas divisões de base da equipe blaugrana. Não é bem isso, mas quase.

Divulgação: Barcelona

Os vencimentos são gigantescos (€ 70 milhões por seis temporadas, algo como R$ 320 milhões pelo período ou R$ 53,3/ano) e fazem parte do plano catalão de voltar a colocar a modalidade em evidência. Campeão da Euroliga em apenas duas oportunidades (2002/2003 com Bodiroga comandando as ações e Anderson Varejão no elenco, e 2009/2010), o Barcelona espera que com Mirotic as vitórias em um dos maiores clássicos do basquete mundial sejam mais divididas. Suas chances de se tornar ídolo de um time de massa, carente de grandes nomes e conquistas, morar em uma cidade linda e não ser sempre uma moeda de troca na NBA pesaram.

"O projeto do Barcelona me encantou muito. É ousado, é de longo prazo, é organizado e temos muito o que fazer aqui. A chance de eu ter uma estabilidade de saber onde estarei pelos próximos dois, três anos também pesou muito, além do fato de, em jogando menos vezes na temporada, minha carreira se prolongar mais. Isso pesou muito", afirmou Mirotic ontem em entrevista coletiva.

O que Nikola fala tem total sentido. Na NBA ele foi trocado de Chicago para Nova Orleans e de lá para o Bucks. Isso em um período de dois anos. O fato de atuar em menos partidas também tem muito de verdade. Em uma NBA onde times que vão às finais chegam a atuar em mais de 100 ocasiões, sendo que na temporada regular são semanas com três / quatro partidas, estar em uma Liga Espanhola e Euroliga cujas exigências física e técnica são menores (menos de 50 partidas/ano) aumentam a chance de prolongar a carreira e também de trazer mais qualidade para alguém que sempre teve problema com o jogo físico da liga norte-americana.

"Estou ciente da responsabilidade. Quero marcar uma época aqui. Não volto à Europa pensando em me aposentar, mas sim em deixar um legado incrível neste clube. Quero ganhar títulos e ser importante em uma equipe vencedora. Tivemos uma reunião e depois de algum tempo pensando na decisão com a minha família, decidi que vir para o Barça era a melhor opção. No Barça sempre há pressão para conquistar títulos, mas é uma das razões pelas quais estou aqui. Queria um time onde pudesse competir por tudo. A pressão é algo positivo. Eu amadureci muito como pessoa nos últimos anos, mas tenho a mentalidade de vencer para sempre. Quero conquistar o respeito dos torcedores com meu comprometimento tanto dentro quanto fora da quadra", finalizou o ala de 2,08m.

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