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Bala na Cesta

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De All-Star a chances reduzidas de ficar na NBA - o que explica a queda de Isaiah Thomas?

Fábio Balassiano

28/06/2019 05h49

Ao final da temporada 2016/2017 na NBA circulava uma grande pergunta: de quanto seria o próximo contrato de Isaiah Thomas (mais detalhes sobre sua história de vida aqui)?

Com contrato até o final do campeonato seguinte (2017/2018), o armador baixinho à época guiava o Boston Celtics à final de conferência Leste mesmo vivendo um drama pessoal absurdo (a morte da irmã) e atuando longe do melhor de sua forma física (quadril). Pra coroar a sua brilhante jornada, Isaiah, All-Star no ano anterior e em 2017 também, entrou no segundo time ideal da liga, ou seja, foi eleito entre os 10 melhores da elite do basquete mundial.

O tempo passou e muita coisa mudou. Pra azar de Isaiah, armador de 1,75m e agora com 30 anos, pra pior. Bem pior. Nas férias de 2017 o Boston decidiu despachar Thomas para Cleveland por Kyrie Irving. Foi um choque, já que Isaiah era o maior ídolo da torcida Celta. Em Ohio ele iria jogar com LeBron, mas antes deveria se recuperar da lesão no quadril. Era voltar, mostrar que estava em forma, conseguir seus números, ir longe com o Cavs e depois assinar o polpudo contrato de sua vida.

A história dele em Ohio, porém, não durou 20 jogos. Alucinado para tentar manter LeBron ao final do campeonato (algo que acabou não acontecendo), o gerente-geral do Cleveland despachou Isaiah Thomas para o Los Angeles Lakers, onde de cara ele foi avisado que não ficaria ao final da temporada 2017/2018. E em LA o camisa 7 jogou razoavelmente bem. Foram 15,6 pontos e 5 assistências nos 26 minutos por jogo em que atuou (17 partidas, sendo 16 delas vindo do banco). Era um alento, mas não gigante.

Divulgação NBA

As notícias circulam, os gerentes-gerais se falam e seu nome acabou ficando longe dos holofotes. O que se dizia sobre seu lado técnico era incontestável, mas sua saúde despertava dúvida. Ninguém queria arriscar pagar US$ 30 milhões/ano que fosse para um cara que não estava 100% recuperado de uma lesão gravíssima no quadril – quadril tirou o nosso Tiago Splitter das quadras, não custa lembrar.

Isaiah, então, acabou em Denver, ganhando US$ 2 milhões na temporada 2018/2019 para ser reserva do canadense Jamal Murray. Que mudança, não? Ficaria pior. No Nuggets o baixinho teve tempo para se recuperar, mas jogou apenas 12 partidas, 15 minutos por jogo (8,1 pontos) e logo foi avisado pelo seu técnico, Michael Malone, que sua condição física o afastaria da rotação depois do All-Star. E isso incluía os playoffs. O Denver foi até a semifinal da conferência Oeste e Thomas não entrou em quadra um minuto sequer.

"O Denver me deu o tempo que precisava pra me recuperar, pra estar bem fisicamente. Obviamente queria jogar e pensei que poderia ter contribuído na temporada regular e nos playoffs, mas entendi a decisão do treinador e acho que ajudei de outras maneiras. Como líder, como alguém que estava lá para responder às perguntas dos caras mais jovens. Quando olho de fora, entendo melhor agora. Perdi 50 jogos, o time estava tendo uma temporada excepcional e não foi fácil me espremer lá quando tantos caras estavam jogando tão bem. Eles não queriam estragar o que estavam fazendo. Eu entendi e concordei com isso", disse recentemente à ESPN americana.

À espera de uma proposta no mercado de agentes-livres a partir de domingo, Isaiah sabe que suas chances de ficar na NBA são pra lá de reduzidas. Aos 30 anos, com 1,75m e com um quadril longe de estar 100%, é difícil crer que algum time colocará grana, tempo e esforço no armador. Mesmo assim ele não desiste:

"Ninguém sabia o que esperar da cirurgia de quadril no ano passado e depois de dois verões de reabilitação. Agora posso voltar a ser um rato de academia, treinar como um maluco, trabalhar no meu jogo novamente e construir meu corpo de volta. Minha massa muscular, minha força nas pernas, enfim, tudo, como se eu tivesse entrando na temporada de 2017", disse Thomas à ESPN americana, antes de finalizar: "Vou voltar ao nível que estava jogando em 2017. Estou animado para mostrar o que posso fazer novamente".

Resta saber se algum time irá dar mais uma chance a Isaiah Thomas, um dos jogadores mais carismáticos e elétricos que a NBA viu nos últimos tempos.

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