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Bala na Cesta

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Acabou a brincadeira? Com suas 5 estrelas, Warriors liga o modo "turbo" e assusta a NBA

Fábio Balassiano

25/01/2019 05h50

O Golden State Warriors, bicampeão da NBA, começou a temporada de forma errática. Perdeu 4X seguidas em novembro, viu o vestiário desmoronar com a briga entre Kevin Durant e Draymond Green, perdeu Steph Curry por lesão, Klay Thompson aparentemente "perdeu" seu arremesso de fora, no Natal uma surra foi aplicada pelo Lakers (revés de 127-101) diante de sua própria torcida e no final do ano a campanha era de 23-13, nem de longe a melhor do Oeste.

Naquela altura dos acontecimentos, a única coisa certa era a volta, no começo de 2019, de DeMarcus Cousins, estrela contratada pelo time ganhando uma mixaria (US$ 5 milhões, o que pros padrões da NBA é pouquíssimo, sobretudo pra alguém de seu talento). Menos de um mês do ano se passou, e o recado que o Warriors passa pra NBA é o seguinte: saiam da frente que a brincadeira acabou.

No primeiro mês do ano são 10 vitórias, sendo a última ontem à noite contra o Wizards em Washington por 126-118 com 38 pontos de Steph Curry, e 1 derrota (pro Rockets e na prorrogação), a liderança do Oeste ao lado do Denver Nuggets com 34-14, as cinco estrelas jogando juntas pela primeira vez na temporada passada (Cousins estreou na sexta-feira passada), Draymond Green voltando a jogar como a gente conhece, Steph Curry pegando fogo e Klay Thompson também. Querem alguns dados? Vamos lá:

1) Klay Thompson, que chutara 31% de 3 em outubro, tornou-se o primeiro jogador da história da NBA a conseguir acertar seus primeiros 10 chutes de 3 pontos em uma partida. Foi contra o Lakers na segunda-feira. Dez acertos em dez tentativas de fora, um absurdo. Veja só o que o rapaz que tem 50% de acerto nas bolas longas em janeiro aprontou em Los Angeles:

2) Em janeiro, a MENOR pontuação do Warriors foi de 112 pontos na vitória de sexta-feira contra o Los Angeles Clippers. No mês a média é de incríveis 131,1 pontos, quase 13 a mais que os 118,7 da média da equipe no campeonato). Em três oportunidades a equipe passou dos 140 (147 foi o máximo, atingido na semana passada contra o New Orleans Pelicans).

3) O ala-pivô Draymond Green, que vem fazendo uma temporada bem abaixo da crítica (piores médias em pontos, rebotes, assistências e % de arremesso convertido desde que se tornou titular cinco anos atrás), começou a jogar basquete – o seu basquete. O verdadeiro armador do Warriors foi o líder do time em assistências nas 7 das 11 partidas da equipe no mês. Se sua pontuação não voltou ao normal ainda (6,9 pontos em janeiro), seus passes estão saindo (9,1 assistências no mês), sua conversão nos arremessos de quadra melhorou (46%) e seus desperdícios de bola diminuíram (1,7 contra os 2,5 de dezembro).

Steve Kerr ainda tentou colocar Kevin Durant para fazer as suas funções defensivas, mas não deu certo. Neste Warriors, do jeito que se joga e que se pensa basquete, só Draymond Green consegue comandar a defesa, fazer as coberturas e marcar jogadores mais altos e mais baixos que ele. Mais que isso. Seu impacto pode ser medido na defesa e também no famoso +/- (mais aqui): na vitória contra o Denver ele teve surreais 41 positivos, em uma prova de que quando ele está bem tudo flui bem melhor pro seu time também.

4) E o que falar de Steph Curry? Em janeiro ele tem 31,6 pontos de média e arremessando incríveis 43% nas bolas de três pontos (no mês, em 4 das 11 partidas do Warriors ele acertou 8+ vezes de fora). Foi cestinha do time em 8 das 11 partidas e contra o Dallas chegou a 48 pontos cravando abissais 11 acertos do perímetro:

A diferença do Warriors para os outros times é tão absurda, mas tão absurda, que nem precisei citar Kevin Durant, outro cracaço, tanto assim, né? Neste mês de janeiro o MVP das últimas duas finais não foi o cestinha da equipe nenhuma vez. Neste mesmo janeiro Curry chutou 4 vezes para menos de 30% dos 3 pontos – e o Warriors venceu as partidas por 19, 18, 17 e 8 pontos.

DeMarcus Cousins debutou na última sexta-feira, fez ontem contra o Wizards apenas a sua terceira partida pelo time (17 pontos e 6 rebotes em 21 minutos) e o técnico Steve Kerr está zero preocupado em como envolvê-lo no ataque. Por um motivo bem simples: os outros quatro titulares estão envolvendo Cousins, que teve 14 pontos e 6 rebotes em 15 minutos na estreia, de uma maneira bem tranquila.

No primeiro duelo dos cinco craques juntos já foram 85 pontos e todos com +/- positivos. No segundo, contra o Lakers, todos com +/- de no mínimo +24 e 88 pontos. No terceiro, ontem, 92 dos 126 pontos. Dá pra parar uma equipe com os titulares beirando os 90 quase que todas as noites? Ou alguém duvida que é daí pra cima?

Foto: AFP

Muito se fala sobre esquemas, números, táticas etc., mas na NBA se vence principalmente devido a soma das grandes individualidades que cada time possui pra jogar. E essa questão das estrelas é gigantesca no Golden State Warriors. Suas cinco agora jogam juntas, todos estão chegando à melhor forma e é bem possível que até o mando de quadra geral visando os playoffs seja obtido.

Pra quem achava que o reinado da franquia de Oakland havia terminado é bom esperar um pouco. Aparentemente os Warriors ligaram o modo "turbo" e só devem desativá-lo ali em junho, depois das finais. Que os adversários apertem os cintos.

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