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Bala na Cesta

Bala na Cesta

Feliz ano novo, por Pedro Rodrigues

Fábio Balassiano

17/12/2018 04h00

* Por Pedro Rodrigues

Uma falha em uma represa começa com uma simples rachadura. Pequena. Mas com tempo, erosão e aplicação de força constante o que era pequeno se torna um problema incontornável. Infelizmente esta metáfora parece se aplicar no basquete brasileiro neste fim de 2018. Não quero ser o cavaleiro do apocalipse, mas vamos analisar as rachaduras:

Em um movimento no mínimo destrambelhado, a CBB anuncia a volta do Campeonato Masculino de Basquete no dia seguinte que a Liga Nacional de Basquete lança o NBB11 com seu conceito multiplataforma. Mas o campeonato Masculino do Brasil não é o NBB? De fato é. O campeonato da CBB é na verdade a Liga Ouro, a liga de acesso a primeira divisão, que, de novo, é o NBB.

Até mesmo para os mais aficcionados no basquete nacional coçaram a cabeça para entender o que era o Campeonato da CBB e o que foi anunciado. Minimamente os dois lados, CBB e LNB, deveriam conversar e passar uma mensagem simples e direta para não criar confusão no público. Notem que o a frase "sentar para conversar" se repetirá diversas vezes neste post.

Falando um pouco de quadra, o técnico da Seleção Brasileira vai na primeira entrevista coletiva durante os jogos do Brasil pela Eliminatória da Copa do Mundo da China e solta que os jogadores não "devem jogar como no NBB". Senhores, vamos lá de novo. Se a relação entre as duas entidades, CBB e LNB, é frágil seria altamente recomendável avisar ou, no popular "dar um toque", aos membros da Comissão técnica ou toda e qualquer pessoa envolvida na CBB que ao usar o nome do NBB é preciso de extremo cuidado. A relação, de novo, não é boa.

Trazer uma polêmica com a entidade que levou e elevou a bandeira do basquete Nacional sozinha por 10 anos no momento de uma entrevista coletiva não foi uma boa ideia. E convenhamos, senhores, a CBB podia usar as diversas plataformas do NBB para anunciar os jogos da seleção de modo mais profissional com chamadas, sorteios de ingressos, sei lá. De novo, é questão de sentar e conversar.

Tem mais. O Jogo das Estrelas do NBB é hoje a maior festa do Marketing esportivo no mercado nacional. Não existe discussão sobre isso. Fato! Durante dois anos tivemos dois históricos eventos no maior mercado do país, São Paulo, com casa cheia de famílias fãs de longa data ou casuais do Basquete. Para 2019 já temos a definição do local: Franca. Com todo o respeito a cidade mais apaixonada por basquete no País acho errado o momento para o evento retornar a cidade. No momento que você retira de São Paulo a sede do evento a Liga precisava mostrar que pensa mesmo "fora da caixa" e de repente trazer para um novo e gigantesco mercado.

Poderiam usar uma cidade Turística com viés basqueteiro como Florianópolis, ou então alguma Arena da Copa do Mundo. Seriam ideias "fora da caixa"? Sim. Mas o "fora da caixa" foi durante um tempo a ideia na Liga, não? Lembram do Flamengo e Vasco em Manaus? Franca é um tremendo mercado para o basquete mas já está consolidado. Marcar presença em um novo local poderia trazer recompensas inéditas para o basquete Nacional no curto e no longo prazos.

Outro ponto importante é o famoso "que diabo estou assistindo?!?!". Este ano teremos no basquete Nacional: Estaduais, NBB11, Super 8, Liga Sul-Americana, Liga das Américas e agora temos a chance do sensacional novo torneio Interncontinental da FIBA com San Lorenzo (campeão da Liga das Américas), Mogi (vice-campeão das Américas), o grego AEK (campeão da Champions League da Fiba), o Petrochimi (campeão asiático), o Austin Spurs (campeão da G-League da NBA) e o Flamengo, que está na lista porque… não sei. Bom, o campeonato está marcado uma semana depois do jogo das estrelas do NBB e nas portas dos playoffs. Poderia ser mais fora de hora? Não poderia. Este torneio tem toda cara de torneio de pré-temporada – aonde ele deveria estar.

Chegamos aonde chegamos no Basquete Nacional às duras penas. Os mais jovens não vão se lembrar mas já tivemos loucuras como dois campeonatos e mesmo assim eles não acabavam, incertezas de calendário e dúvidas fortes se teríamos basquete na temporada seguinte. Por 10 anos foi construída uma fundação que hoje começa a mostrar seus frutos. Jogadores como Lucas Dias, Georginho e Yago são crias do NBB. Só isso, porém, não basta para seguir adiante.

Senhores, pela última vez, sentem, conversem e cheguem a óbvia conclusão que a relação tem que ser simbiótica para bem do Basquete Nacional. Ouço muito que o sonho é ser o segundo esporte no país.

Que tal o basquete ser o exemplo para o país mais uma vez?

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