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Jogador e ao mesmo tempo quase agente - a face não tão recomendada de LeBron James

Fábio Balassiano

10/09/2018 06h00

Em uma das atitudes mais belas de atletas fora das quadras nos últimos tempos, LeBron James inaugurou recentemente em Akron, sua cidade-natal em Ohio (EUA), uma escola pública com um investimento surreal de quase US$ 100 milhões. Mostra bem como não só na quadra pensa um dos melhores jogadores da atualidade, mas sobretudo em como pode deixar um legado fora dela.

O que pouca gente conhece de LeBron, porém, é um lado dele que mistura ser ao mesmo tempo jogador e "quase" agente de atletas da própria NBA. A história começa lá atrás e vale a pena contá-la.

Escolhido no Draft de 2003 pelo Cleveland Cavs, LeBron James entrou na liga agenciado por Leon Rose, da Creative Arts Agency (CAA), uma das maiores empresas de agenciamento de atletas do mundo (hoje tem na carteira, entre outros, Chris Paul, Victor Oladipo, Carmelo Anthony e Joel Embiid). O mundo ficou bem chocado quando, em 2012 na época de sua polêmica ida para Miami, LeBron James anunciou a sua saída da CAA para se juntar a Klutch Sports Group, cujo time de atletas no cardápio incluiria… apenas LeBron James.

E aí o motivo é meio óbvio. Sabendo que quando se tem um empresário se deixa dinheiro na mesa (ou no bolso do cara), LeBron James colocou Rich Paul, seu amigo de longa data e que à época estava desempregado em Ohio, para ser o dono / sócio da empresa. Para fins regulatórios, já que a NBA não permite que um atleta seja dono de empresa de agenciamento de atletas, Paul é o dono da Klutch, e LeBron um dos clientes. Precisa ser muito lunático, no entanto, para acreditar nisso, que LBJ é um cliente como outro qualquer.

O lance todo não é que a empresa existe por causa de LeBron e exclusivamente para atender às demandas de LeBron. Isso seria até, digamos, ok se parasse por aí. A questão é que a Klutch explodiu nos últimos anos à medida que o nome / vulto de James cresceu ao redor da liga com títulos, recordes, dinheiro entrando e tudo mais. E a gente sabe como nomes icônicos como LeBron exercem verdadeira dominância sobretudo nos mais jovens.

Entre os atletas que hoje fazem parte do time da empresa estão nomes como Ben Simmons (do Sixers e melhor calouro da temporada passada e chamado por King James de Prince, príncipe…), John Wall (Wizards), Tristan Thompson (Cavs) e mais recentemente Anthony Davis (Pelicans). De acordo com o Hoopshype, a empresa possui 17 atletas e movimentará mais de US$ 160 milhões em salários em 2018/2019 na NBA.

Mas fica a dúvida: que tipo de tomada de decisão a Klutch orienta seus atletas a tomarem? A melhor pra eles, e pra agência, ou algo que tenha relação com LeBron James? Quando LeBron fala, é o amigo de Rich Paul que está dizendo algo, ou o ala de mais sucesso na liga na última década? Um bom exemplo é Tristan Thompson, que jogava com LeBron James em Cleveland e vivia segundo elogiado pelo King como sendo o futuro da franquia Cavs. O que o time fez? Renovou com Tristan por 5 anos e US$ 82 milhões. O quanto a palavras de LeBron influenciaram? Palavras do companheiro de elenco ou do "amigo" de Rich Paul?

Para vocês verem como o assunto é sério, Anthony Davis, o famoso Monocelha, disse na semana passada que estaria trocando de agente pela primeira vez em sua carreira. E afirmou que um dos motivos é que provavelmente isso pode indicar uma mudança de filosofia em sua vida profissional, querendo ele ficar mais próximo de "mentes vencedoras" (palavras dele). Adivinhem quem Davis nomeou como agente? Rich Paul, sim. E quando vence o contrato de Davis com o New Orleans Pelicans? Em 2020/2021, quando LeBron James ainda estará em um Lakers que certamente sonha em ter Davis no elenco desde já.

É óbvio que, para todos os efeitos jurídicos, fiscais e regulatórios LeBron James está coberto e vai alegar que é apenas mais um cliente da Klutch. Na prática e no mundo real não é bem assim que acontece e me espanta que a imprensa norte-americana, quase sempre tão combativa quando o assunto ético deveria vir à mesa, tenha se calado nestes anos todos.

O melhor jogador do mundo também é quase agente de 16 atletas da NBA. Algo bem sério, não?

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