Bala na Cesta

'Não foi sorte, sempre treino esse tipo de jogada', conta Paulinho sobre lance memorável no NBB

Fábio Balassiano

23/03/2018 04h00

A verdade é que parece que foi sorte, que foi milagre, que foi o acaso. Se eu te disser que treino isso igual eu treino arremesso de dois, de três e lance-livre é mentira. Mas eu brinco com a bola e quando estou sozinho na quadra ou com meu filho eu treino esse tipo de arremesso livre batendo na ‘quina’ do aro, na lateral ali e saio correndo pra esquerda, o meu melhor arremesso sem equilíbrio. Contra o Vasco tentei isso e não deu certo. Contra Bauru, graças a Deus deu certo e hoje sou o cara mais feliz do mundo. Então posso te dizer que tem muito mais treino, repetição do que simplesmente sorte. Foi tudo milimetricamente calculado e acabou caindo“.

Foto: Divulgação Basquete Cearense

Foi assim que Paulinho descreveu a mim ontem ao telefone o lance mais memorável desta temporada do NBB. Pra quem não viu, o armador do Basquete Cearense salvou seu time na noite de quarta-feira em Fortaleza. O camisa 9 foi pro lance-livre a 2 segundos do final quando Bauru vencia por 80-77. Eram 2. Acertou o primeiro (78-80), errou o segundo de propósito, pegou o próprio rebote do lance-livre, matou de 3 lá do cantinho (triunfo por 81-80). BANG! O milagre (treinado) tem inspiração, primeiro ato e capítulo final, aliás.

“A inspiração veio do Huertas, o Marcelinho, no Mundial de 2010 no jogo contra os Estados Unidos. Foi um pouco diferente, mas tem relação. Ele foi pro lance-livre, errou de propósito, pegou o rebote, mas não arremessou. Passou pro Leandrinho, que infelizmente errou o chute. Ali eu vi que poderia tentar algo parecido também”, disse Paulinho.

“Em um jogo deste NBB contra o Vasco eu tive a chance de fazer isso. Sempre que treino eu tento este tipo de “efeito” na bola, ou seja, dela bater na ponta do aro e eu correr pra extremidade esquerda. Contra o Vasco, em São Januário, eu comentei com meus companheiros: ‘Vou jogar no aro, e vocês vão pro lado direito pra despistar a defesa dos caras que eu vou imediatamente pro outro’. Deu certo a parte da marcação, mas eu não consegui acertar direito o aro (mais aqui)”. Assista ao lance abaixo:

A chance apareceu de novo contra Bauru e aí Paulinho conseguiu tudo – acertar o aro, despistar a defesa através de seus companheiros, alcançar a bola na lateral, calibrar o chute e ganhar o jogo pra seu time. Algo raro e que rendeu repercussão internacional.

“Pô, Bala, eu nem dormi até agora (Nota do Editor: eram 14h quando nos falamos pelo telefone). Já me ligaram da Itália, onde joguei, dos Estados Unidos, da Espanha. Não sabia que teria essa repercussão toda e fico muito feliz de ver o nome do basquete brasileiro em alta de novo. Se você viu o lance umas 100 vezes, eu vi umas 500 mil. Já vi, revi, sorri, chorei, brilhou o olho, tudo. O mais lindo de tudo é que o garoto que mais pula ali nas cadeiras perto da quadra (de camisa laranja) é o meu filho mais velho. É ele que treina comigo, é ele que vai pra quadra e me vê tentando essas loucuras todas aí. Todo filho meio que idolatra o pai, e na quarta-feira eu pude ver a alegria estampada no rosto do meu filho quando nos encontramos depois de eu acertar a jogada e o arremesso da vitória. Foi muito emocionante eu voltar pra casa com ele, com minha esposa e com meu filho mais novo sendo o herói da noite pra eles. Vivemos, como família, um momento mágico, sublime e inesquecível”, sintetizou Paulinho.

Armador de enorme talento, Paulinho, de 33 anos, passou poucas e boas desde o começo da sua carreira. Com passagens por Paulistano, Pinheiros, Joinville, Minas, Itália e Bauru, sempre foi visto como um cara de grande técnica, mas também que tentava coisas que ninguém imaginava. Talvez Paulinho estivesse vendo, na sua cabeça, coisas que ninguém mais, digamos, racional consegue enxergar. Exatamente como foi na quarta-feira contra Bauru.

“Pode parecer irreal, mas esse lance meio que resume um pouco a minha carreira. Eu sempre fui um cara que foi taxado de maluco, de inconsequente, de meio atirado. Outro dia li que o que separa um louco de um gênio é um segundo, um ato, uma atitude, um lance e passei a refletir sobre isso. Mas a real é que em relação a minha vida profissional sempre confiei muito em mim, sempre treinei muito e quando alguns achavam loucura eu sempre pensava que seria possível. Óbvio que em alguns momentos eu passei do ponto, mas sempre foi na intenção de acertar e de fazer algo diferente. Acabou que na quarta-feira eu fui o maluco de tentar, o insano de ter arriscado algo tão diferente e logo no segundo seguinte o gênio que conseguiu uma jogada de quatro pontos totalmente improvável pra ganhar o jogo pro nosso time. Acho que a grande lição que fica é aquela que o Michael Jordan sempre fala: é preciso tentar. Se não tentar, aí que não acerta mesmo. Treinei, planejei, errei, treinei mais, tentei de novo e antes de me chamarem de maluco mais uma vez eu consegui (risos)”, finalizou Paulinho.

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