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Donovan Mitchell: A melhor história de sucesso da temporada 2017-2018, por Alexandre Setani

Fábio Balassiano

25/02/2018 06h00

Reprodução / Instagram Donovan Mitchell

* Por Alexandre Setani

Se você acompanha a NBA com certeza já ouviu bastante sobre Donovan Mitchell, especialmente agora que ele venceu o campeonato de enterradas do All-Star Weekend. Mas o que nem todos sabem é de sua incrível história e uma sequência de eventos fazem dele um dos fortes candidatos para o prêmio de melhor novato (rookie) da temporada 2017-2018.

O Draft de 2017 foi considerado por muitos especialistas um dos mais promissores considerando a quantidade de atletas com grande potencial de sucesso na NBA. As primeiras 5 escolhas eram dadas como certas, com a expectativa que esses jogadores poderiam se tornar futuras estrelas da NBA. Esses 5 jogadores foram:

1) Markelle Fultz (armador) – Selecionado pelos Sixers em uma troca de pick com o Boston Celtics;

2) Lonzo Ball (armador) – Selecionado pelos Lakers e bancado por seu pai falastrão LaVar e Magic Johnson

3) Jayson Tatum (ala) – Selecionado pelos Celtics em uma troca de pick com os Sixers (agora vista como genial);

4) Josh Jackson (ala pivô) – Selecionado pelo Phoenix Suns;

5) De’Aaron Fox (armador) – Selecionado pelo Sacramento Kings.

Com exceção de Markelle Fultz, que praticamente não jogou (e que é uma das histórias mais bizarras da NBA dessa temporada), todos os demais rookies desempenham bons papéis em seus times (considerando uma temporada de novato). Mas foi a escolha número 13 do Draft que está causando o maior impacto na NBA.

Donovan Mitchell foi o 13º escolhido do Draft pelo Denver Nuggets, que logo em seguida mandou Donovan para o Utah Jazz, recebendo em troca Trey Lyles e a 24ª escolha do Draft, que se tornou Tyler Lydon. E é exatamente aí que a incrível história de Donovan Mitchell começa. Praticamente ninguém, nem mesmo o próprio jogador naquele momento, acreditava que ele faria tanto sucesso em sua primeira temporada. Antes do Draft, dois eventos foram determinantes para impulsionar o sucesso de Donovan Mitchell.

Reprodução / Instagram Donovan Mitchell

Ainda em dúvida se ele estaria no nível certo para entrar no Draft de 2017, Donovan pagou do próprio bolso uma viagem para Los Angeles para participar de uma clínica de basquete que tinha como “mentores” figuras da NBA como Chris Paul, Paul George e Magic Johnson. Durante o período de uma semana, Donovan pode jogar e treinar contra diversos outros promissores talentos do basquete americano e recebeu o incentivo de CP3 e PG para se inscrever no Draft de 2017. Ambos viram que Mitchell possuía habilidades excepcionais para um novato.

Já inscrito para o Draft, Donovan participou de sessões de treino (workouts) com diversos times da NBA. Dentre esses times, ele se destacou muito em seu treino pelo Utah Jazz, sendo que Dennis Lindsey, o executivo responsável pelo basquete em Utah, revelou que ficou tão impressionado com o físico, maturidade e habilidade do novato que disse para toda comissão técnica: “Se alguém daqui comentar para qualquer pessoa de fora o que vimos de Donovan Mitchell será demitido!”. Fontes que trabalham próximas dos Jazz afirmam que Dennis Lindsey estava muito ansioso para que Mitchell não fosse escolhido entre o Top-10 do Draft para viabilizar uma troca “barata”, o que acabou ocorrendo.

Com isso o Jazz definitivamente fez a melhor troca de todo o Draft e assegurou um jogador que tem tudo para ser uma das futuras estrelas da liga. Especialmente em um momento em que precisava de um jogador para substituir a dolorosa saída de Gordon Hayward (ex-queridinho dos Jazz).

Reprodução / Instagram Donovan Mitchell

Outro aspecto que faz de Donovan Mitchell uma grande surpresa é seu assombroso desenvolvimento como jogador de basquete. Inicialmente, Donovan desejava fazer carreira como jogador de beisebol, seguindo os passos de seu pai, que chegou a jogar na Minor League de beisebol (uma liga secundária, mas de respeito). Donovan praticou beisebol e basquete simultaneamente, até que em uma partida de beisebol ele sofreu uma lesão no pulso. Essa lesão fez com que ele reavaliasse suas opções e durante o período de recuperação (no qual teve que ficar afastado tanto do beisebol quanto do basquete) ele decidiu que teria maiores chances como jogador de basquete, transferindo-se para Brewster Academy na qual foi bi-campeão nacional de basquete em 2014 e 2015, antes de ingressar na universidade de Louisville sob a tutela do lendário treinador Rick Pitino.

Pitino logo viu grande potencial em Mitchell e disse ao jogador que se ele desenvolvesse um arremesso (jump shot) confiável ele se tornaria um grande jogador. Donovan já demonstrava uma determinação absurda em melhorar (hoje alguns comparam essa determinação com o famoso Mamba Mentality de Kobe Bryant) e em um ano saltou de míseros 25% de aproveitamento de 3 pontos para respeitáveis 35%.

Ainda assim, mesmo aprimorando muito seu jogo, Donovan não recebeu o mesmo reconhecimento de outros atletas de seu ano e por isso treinou muito durante na pré-temporada da NBA. Companheiros de equipe do Jazz afirmam que Donovan é um dos mais esforçados jogadores e que ele busca aprender constantemente, conversando sempre com os veteranos do time sobre preparação física, mental, defesa e como pode melhorar seu potencial ofensivo.

Em uma entrevista recente, Donovan comentou que tenta absorver um pouco do melhor de cada jogador e que por exemplo pratica diferentes passes com Ricky Rubio (um dos melhores da liga) e arremessos posicionados (catch and shoot) com Joe Ingles (também top da liga). A humildade de reconhecer que precisa melhorar e sua determinação fazem o técnico do Jazz, Quin Snyder afirmar que o limite para Donovan Mitchell se desenvolver é apenas determinado pelo seu esforço (hard work) em se tornar o melhor.

E pelo que vimos até o momento nós, e especialmente os fãs do Jazz, podemos ficar bem entusiasmados com esse novato. A cada nova partida, algum adversário reforça a sensação de que Donovan Mitchell será uma estrela da NBA (Demarcus Cousins e Damian Lillard já se manifestaram publicamente sobre o novato). Ainda assim, Donovan Mitchell, que tem as médias de 19,3 pontos, 3,4 rebotes e 3,5 assistências, demonstra em suas entrevistas uma humildade incrível, quase sempre falando de sua família (especialmente mãe e irmã) e que sabe que precisa continuar melhorando a cada dia.

Como fã dos Jazz, acompanharei o crescimento de Donovan Mitchell atentamente. Mas algo me diz que uma inesperada estrela da NBA está nascendo para alegria de todos em especial torcedores do Utah.

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