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Bala na Cesta

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Gênio do mal, por Brunno Feola

Fábio Balassiano

17/02/2018 14h00

* Por Brunno Feola

Há cerca de uma semana, todo fã da NBA ficou estarrecido com a loucura que os Cavaliers fizeram, a qual com menos de 30 jogos para o fim da temporada regular praticamente mudaram meio time. Mais do que qualquer outra análise sobre as trocas feitas pelo Cleveland, em qualquer site especializado nos Estados Unidos que você buscasse informação, ou mesmo aqui no blog do Bala, o que mais se viu é que independentemente se o saldo fosse positivo ou negativo, o trade deadline tinham 2 grandes vencedores: Danny Ainge e Kyrie Irving – gerente-geral do Boston Celtics e a estrela do Celtics trazida pra essa temporada. O Bala mesmo escreveu sobre isso no blog.

A queda evidente de um time como o Cleveland que tem como grande “virtude” a individualidade de seus principais jogadores e que não explora jogadas mais desenhadas deixa claro que Kyrie faz uma falta enorme, sobretudo quando alguém tinha volume de jogo e capacidade de criar seu próprio chute para marcar seus 25 pontos por jogo mesmo estando ao lado do LeBron James todas as noites como Uncle Drew fazia. Resumindo: o time do Cleveland ruindo, Isaiah Thomas foi escorraçado da franquia com apenas 15 jogos e uma reconstrução no meio de uma temporada é sempre turbulenta. Aí temos uma eminente saída de King James ao fim da temporada e isso tudo mostra que o cenário para Boston não poderia ser melhor, certo? Eu teria um pouco mais de cautela…

Durante o carnaval pela primeira vez nessa temporada o Boston perdeu a liderança no Leste, mas aí você pode me dizer que isso tem mais a ver com a maturidade do excelente time de Toronto do que com uma piora de Boston, o que não deixa de ser verdade. Mas vamos olhar um pouco mais para os Celtics e fazer uma breve comparação em relação a temporada passada para tentar ver se de fato há uma melhora clara com a entrada de Kyrie.

Particularmente começaria pelo ponto de que o quinteto do ano passado Al Horford, Jae Crowder, Jaylen Brown (rookie), Avery Bradley e Isaiah Thomas é indiscutivelmente pior do que Marcus Morris, Al Horford, Jaylen Brown (muito melhor este ano), Jayson Tatum e Kyrie Irving. O potencial ofensivo deste novo quinteto mais a genialidade de Brad Stevens deveriam fazer com que esse time movimentasse mais a bola, não é verdade? Mas se olharmos os números entre os dois vamos ver que enquanto o time do ano passado era o 4º em assistências, este grupo é apenas o 18º, assistindo 14% a menos por jogo.

Se observarmos os outros números em relação ao ano passado notamos que a diferença é muito pequena: melhora de 5% no total de rebotes, aproveitamento de arremesso e 3 pontos basicamente os mesmos, um ligeiro aumento de 4% no número de desperdícios de bola, e a única diferença significativa é o crescimento de 15% no número de tocos por jogo, onde certamente não foram os 0,3 do Kyrie Irving que fizeram a diferença (apenas para comparação a média do IT o ano passado era de 0,2).

Se compararmos os dois jogadores chave desta troca, vamos notar mais uma vez que os números são muito semelhantes, com vantagem para IT em pontos e assistências, e Kyrie levando a melhor em aproveitamento de quadra, rebotes e errando menos. Neste momento talvez você esteja pensando que até aí tudo meio obvio, até porque é o potencial de defesa do Irving que irá trazer uma melhor significativa nas chances dos Celtics nos playoffs. Não é bem por aí.

Embora tenha potencial para marcar, Kyrie Irving não marca bem, na minha modesta e amadora opinião, assim como tem James Harden. Caso não quiser acreditar em mim ou comprar a ideia tudo bem, mas devo ressaltar que enquanto o ano passado Isaiah Thomas tinha um Defensive Rating de 108, Kyrie tem apenas 103, e o ponto mais importante disso tudo é que Boston caminha para ter uma temporada com apenas 1 vitória a mais que o ano passado. Será que isso é realmente é o tipo de vitória que o manager dos Celtics estava esperando?

Se a troca do início do ano se revelou genial, ela pode indicar também que talvez Ainge seja um “Gênio do Mal”, já que ela contribuiu muito mais para a desconfiguração de um time, o Cleveland, e prejudicou muito a carreira de um jogador que talvez não merecesse um contrato máximo, mas certamente merece muito mais do que ser banco de Lonzo Ball no Los Angeles Lakers.

As trocas de Ainge trouxeram muito menos melhoras ao time da Nova Inglaterra (bem verdade que a lesão do Hayward poderia dar um cenário completamente diferente a esse time). Com essa sequência do Raptors que não têm nada de acaso, e esse surpreendente início do novo Cavs, onde aparentemente indica que essa formação tem química, vontade e potencial defensivo individual, pode ser que toda essa genialidade não traga melhora significativa este ano, só destruição e caos.

O que vocês pensam disso?

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