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Bala na Cesta

Como parceria com a NBA ajudou a trazer reforços americanos para o NBB

Fábio Balassiano

06/11/2017 14h00

* Em parceria com Lucas Pastore (UOL)

A temporada 2017/2018 deu sua largada nesse fim de semana com a vitória de Bauru em cima do Paulistano por 72-71 em São Paulo. O campeonato disputado por 15 equipes começou com um total de quatro reforços oriundos do basquete universitário norte-americano que tiveram sua importação facilitada pela parceria entre a Liga Nacional de Basquete (LNB) e a NBA, que começou em 2014.

Neste ano, representantes de clubes do NBB receberam credenciais para as Ligas de Verão da NBA, campeonatos que acontecem logo após às finais e cujos elencos são formados basicamente por atletas que acabaram de ser escolhidos no Draft e também por aqueles em busca de contrato ou na liga norte-americana ou ao redor do mundo.

O principal objetivo da viagem dos brasileiros aos Estados Unidos era a experiência que as competições podem oferecer, tanto para diretorias, com promoção, marketing e venda de ingressos, como para comissões técnicas, com acesso a treinos e acompanhamento de jogadores. Se a primeira parte foi aproveitada para o lado de fora das quadras, o segundo campo aberto pela parceria com a NBA foi usufruído para reforçar equipes já para esta temporada. Executivos da LNB detectaram no convite uma oportunidade de prospectar talentos para o NBB.

Enquanto havia a ciência de que era bem difícil, financeiramente falando, disputar jogadores com centros mais atrativos, como a própria NBA, a Europa e a China, existia a esperança de que jogadores como, por exemplo, Larry Taylor não precisassem rodar o mundo antes de chegar no Brasil. O agora armador do Mogi das Cruzes jogou nos Estados Unidos, no México e na Venezuela antes de sua primeira experiência no país em 2008.

Como era de se esperar, os protagonistas da Liga de Verão que não foram contratados ao menos para a pré-temporada da NBA aceitaram propostas economicamente mais vantajosas de outras ligas pelo mundo (como Europa e China). Mesmo assim, os clubes do NBB tiveram a oportunidade de acompanhar competições que aconteciam simultaneamente nos Estados Unidos para garimpar talentos com o objetivo de reforçar seus elencos visando o NBB10. E a presença física no país ajudou nas negociações com jogadores americanos. Não seria mais necessário olhar milhões de DVD's para contratar, algumas vezes "no escuro", atletas vindos das universidades americanas.

Nesses moldes do "estou vendo, posso contratar" quatro jogadores foram "importados" de universidades americanas diretamente para o Brasil: o armador Anton Cook, da Liga Sorocabana, o ala-armador Que Johnson, do Joinville, o ala Joe Jackson, do Caxias, e o pivô Nate Molony-Benjamin, do Basquete Cearense (na foto abaixo).

"O Benjamin é um americano que analisei em uma das Ligas de Verão que participei neste ano. Ele não estava especificamente nas Ligas, mas sim nos camps que estavam acontecendo simultaneamente. Ele tem um potencial físico assustador, incrível mesmo, é muito jovem, ambicioso e o último ano da faculdade ele nem pode jogar porque o ginásio da Universidade estava em obra. O Nate é extremamente forte, físico e muito altruísta. Muito educado esportivamente falando e dono de uma formação familiar muito interessante. Por isso, conhecendo ele lá, decidimos contratá-lo e estou desenvolvendo o jogo dele por aqui para que ele tenha uma carreira profissional de alto nível. Conversei com ele bastante em Las Vegas e o Nate está sendo de uma evolução tremenda. Na Copa Avianca já foi um sucesso e no NBB terá números bem expressivos", afirma Alberto Bial, técnico do Basquete Cearense.

Cook acaba de fechar seu quarto e último ano no basquete universitário americano por Oklahoma State Savage Storm com as médias de 19,6 pontos e 4,1 rebotes em 33,6 minutos por jogo. Johnson, por sua vez, concluiu sua carreira universitária por Western Kentucky Hilltoppers obtendo 13,2 pontos e 4,7 rebotes em 32,2 minutos por partida.

Molony-Benjamin fez o mesmo pelo Sonoma State Seawolves, com 5,3 pontos e 4,8 rebotes em 16,7 minutos por jogo. Jackson, por sua vez, fez duas temporadas no basquete universitário americano. Na última, defendeu o Lake University Saints, apresentando médias de 20,2 pontos e 6,7 rebotes em 28,7 minutos por exibição.

Este é um dos lados do benefício que a parceria da NBA com a Liga Nacional traz para o NBB. As portas abertas no melhor basquete do mundo fazem com que o nível interno melhore com a chegada mais rápida de atletas ainda mais qualificados.

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