Bala na Cesta

Pan-1987: há 30 anos, a última grande vitória do basquete masculino brasileiro

Fábio Balassiano

23/08/2017 12h20

Parece que foi ontem. Mas não foi. Foi há exatos 30 anos que o Brasil venceu os Estados Unidos por 120-115 para conquistar o Pan-Americano de 1987. Primeira derrota dos EUA em casa, revés em uma cidade icônica para o basquete local (a tradicional Indianápolis) e com um time com 9 jogadores que viriam a jogar (e bem) na NBA na década seguinte.

Vitória marcante para uma geração brasileira que quase uma década antes havia conquistado uma medalha de bronze no Mundial (1978 nas Filipinas) e que precisava de um título arrasa-quarteirão para chamar de “seu”.

Parece que foi ontem porque muito já se falou, continua a ser dito e continuará a ser comentado acerca de uma vitória histórica, absurda e que teve Oscar Schmidt com 46 pontos e Marcel de Souza com 31. Uma noite que teve a dupla anotando surreais 55 dos 66 pontos de um Brasil que havia perdido a etapa inicial por 68-54, que entrou nos vestiários para o intervalo vendo a champanhe sendo levada para o lado norte-americano e que, no final do dia, não conseguiu nem cantar o hino nacional direitinho porque a organização havia se esquecido de providenciar o “Ouviram do Ipiranga”,  pois, na cabeça deles, a vitória americana era certa, certeza absoluta.

Uma noite que eternizou Ary Vidal, um dos maiores líderes da história do basquete brasileiro (um dos maiores líderes e sem dúvida um dos melhores personagens já vistos por aqui). Uma noite que viu Israel, Gerson e Pipoka incomodando a David Robinson, astro que depois se tornaria Hall da Fama e campeão da NBA com o San Antonio Spurs. Uma noite que os americanos não gostam de lembrar. Uma noite que Oscar e Marcel mostraram que a obsessão deles por treinamento renderia ótimos dividendos no momento mais importante.

Uma noite que, infelizmente e sem a menor culpa daquela geração (onde já se viu culpar alguém por ter sucesso?!), acabou por ser o prenúncio de tudo de ruim que viria dali pra frente para o basquete brasileiro. Brigas internas, dirigentes terríveis, resultados internacionais pífios, descrédito da seleção e tensão no cotidiano da modalidade.

O dia 23 de agosto de 1987 fez o Brasil mudar de patamar no basquete masculino mundial. Internamente, ao invés de ter sido aproveitado ele foi visto como uma espécie de injeção que paralisa as funções do corpo. Dali em diante o país saiu do protagonismo em que se encontrava no cenário esportivo mundial para ser apenas mais um. O inconformismo de Oscar, Marcel e Ary deu lugar a uma passividade que até os dias de hoje é vista.

Parabéns aos campeões Pan-Americanos de 1987. O dia 23 de agosto é histórico e merece ser muito comemorado por eles. Por mais inacreditável que pareça, nem a Confederação Brasileira de Basketball (a culpa maior está com ela, obviamente), nem o Ministério do Esporte e nem o Comitê Olímpico Brasileiro prepararam homenagens do tamanho que aquele time merecia. A letargia da CBB assusta, mas não surpreende. Desde sempre a entidade não cuida do seu passado – e quem não reverencia o passado não tem referência no presente e não planta pro futuro.

Abaixo o minuto final do último grande momento de de conquista do basquete masculino brasileiro.

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