Bala na Cesta

Presidente da CBB cumpre promessa de campanha e muda estatuto - o que influenciou alteração rápida?

Fábio Balassiano

18/08/2017 06h20

Era uma promessa de campanha sem dúvida alguma. Guy Peixoto havia dito durante toda caminhada rumo à presidência da Confederação Brasileira que alteraria o estatuto da CBB caso fosse eleito. E no dia 17 de agosto, cinco meses depois de vencer o confronto contra Amarildo Rosa, a alteração, rápida para os lentos padrões esportivos brasileiros, acabou se consumando. A confirmação veio ontem à noite através de nota distribuída à imprensa (o site oficial da entidade está fora do ar há mais de uma semana…).

A partir de agora, em todas as eleições e assembleias gerais serão 43 votando: as 27 federações (todos os Estados + Distrito Federal), dez jogadores (cinco homens e cinco mulheres), quatro clubes (dois do masculino e dois do feminino) e dois treinadores (um homem e uma mulher). No caso dos atletas, seis obrigatoriamente devem ter sido medalhistas olímpicos ou de mundiais (três homens e três mulheres) e os outros quatro precisam ter jogado pela seleção adulta em alguma competição oficial.

Em primeiro lugar, é uma notícia para ser comemorada. É uma alteração, e atletas, ex-atletas e técnicos passarão a ter voz (ou voto). Antes de seguir vale dizer que fico tentando entender como serão indicados estas pessoas (16) que farão parte do núcleo de votantes da CBB, mas obviamente é um caminho e precisamos, todos, entender melhor isso. É salutar recordar que MUITOS ex-atletas apoiaram Guy Peixoto durante sua campanha. Serão eles os indicados? Wlamir, Amaury, Cadum, Marquinhos Abdalla, Maria Helena etc. . Ou haverá pessoas, digamos, mais independentes entre os votantes?

Mas, bem, voltando. Quando a gente lê que foi uma aprovação UNÂNIME entre os Presidentes de Federação já dá pra entender que não é algo normal. E o motivo é simples, bem simples: por mais que Guy Peixoto deva comemorar, e deve mesmo, já que ele é o protagonista da mudança, por mais que alguns atletas estejam achando que foi uma grande cesta de três pontos no último segundo (e alguns que aprovaram as contas de Carlos Nunes, antigo mandatário da CBB, agora cantam de galo, vejam só vocês…), o que vimos nesta quinta-feira se deve fortemente a uma demanda da Federação Internacional, que retirou a suspensão do Brasil há dois meses mediante a uma série de exigências que devem ser cumpridas pela Confederação. Em português mega claro, até porque aqui sempre foi assim: os atletas devem comemorar, sim, porque é algo que eles sempre desejaram / sonharam, mas dizer que este foi um jogo vencido por eles é de uma ingenuidade (ou outra palavra que se queira utilizar) assombrosa.

Quem acompanha este blog leu em 26 de junho que a Federação Internacional EXIGIU (a palavra fala por si só) mudanças estruturais FORTÍSSIMAS na Confederação Brasileira. Entre elas estava lá para quem quisesse ler: “A FIBA deseja uma participação maior dos atletas, ex-atletas, técnicos, clubes e árbitros, em um modelo que já existe, por exemplo, na Federação Espanhola“.

Ou seja: por mais que tenha sido uma mudança necessária e prevista na campanha de Guy Peixoto, para a FIBA manter o Brasil ativo entre os países aptos a disputar competições internacionais mexer no Estatuto era uma condição obrigatória (a palavra tem um significado claro, certo?). Guy e as Federações não tinham escolha, não tinham escapatória neste caso.

Federações Estaduais, estas, que continuam tendo maioria absoluta na hora da votação, não custa lançar luz nisso aqui também. Em uma matemática bem simples, vinte e duas delas alinhadas e a presença de atletas e técnicos fica totalmente em segundo plano. Guy foi eleito por 17 delas. Outras que não votaram nele já se mexeram e mudaram de lado rapidamente de março para cá.

Como disse a mim uma fonte próxima do caso, e que esteve presente na situação ontem: “Nem mesmo se (os presidentes de Federação) tivessem que afirmar que Michael Jordan foi craque haveria tanto consenso assim quanto houve nesta quinta-feira na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (onde ocorreu a mudança). A mudança é bacana, mas todos ali foram avisados claramente que ou alterava o estatuto ou a suspensão da FIBA poderia voltar. Pode-se comemorar a alteração, mas a motivação atende pelo nome da Federação Internacional. Todos ali sabiam no que estavam votando, mas sobretudo no MOTIVO pelo qual estavam votando”.

É necessário, obviamente, lembrar que a suspensão poderia voltar a vigorar no final deste mês de agosto, e a tacada de Guy também é uma resposta clara à FIBA de que as demandas da entidade máxima do planeta estão sendo cumpridas. Vamos ver agora se as demais solicitações (Plano financeiro da liquidação da dívida, Plano de reestruturação aprovado por Ministério do Esporte e Comitê Olímpico Brasileiro, Alinhamento entre CBB e Liga Nacional de Basquete, Trabalho contínuo com as Federações e Campeonatos de Base e Basquete Feminino forte) também serão cumpridas pela CBB. O tempo dirá.

Reforço, por fim, que as mudanças merecem, sim, ser comemoradas. Mas sobretudo relativizadas. Não foi, simplesmente, uma vontade de senhores de Federações Estaduais que não largam o osso do poder há séculos a motivadora da mudança de ontem, mas uma condição básica imposta (está aí a palavra) pela FIBA para que o Brasil não volte a ser suspenso.

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