Bala na Cesta

Há um ano, Argentina venceu o Brasil na Olimpíada em um dos dias mais doídos do basquete nacional

Fábio Balassiano

13/08/2017 06h20

A imagem que ilustra a abertura deste texto todo mundo sabe qual é, né? Pois é. E foi há exatamente um ano que Facundo Campazzo, do alto dos seus 1,79m, conseguiu apanhar um rebote ofensivo e passou para Andres Nocioni arremessar e acertar uma bola de três pontos para levar o duelo entre Brasil e Argentina pra prorrogação na Olimpíada do Rio de Janeiro.

No primeiro tempo extra a igualdade permaneceu no placar, e na oportunidade seguinte os hermanos bateram os brasileiros por 111-107 na segunda prorrogação em uma das partidas mais emocionantes da história dos Jogos Olímpicos.

Partida emocionante e, pro nosso lado, um dos dias mais doídos da história do basquete brasileiro. Naquele 13 de agosto de 2016 Rubén Magnano errou tudo (tudo é tudo mesmo e você pode relembrar aqui no texto publicado no ano passado), Facundo Campazzo teve absurda liberdade e fez a partida da vida dele (33 pontos), Andres Nocioni se beneficiou de uma marcação brasileira frouxa para marcar 37 e, mesmo sem conseguir ser parado, Nenê foi pouco acionado (24 pontos em 11/17 nos arremessos).

Foi realmente o caos aquele dia na Arena Carioca I. Os torcedores brasileiros que lá estiveram se olhavam quando a sirene final tocou e meio que se diziam “é isso aí, acabou?” – mesmo sem dar uma palavra. Era uma mistura de incredulidade, revolta, tristeza, choque e vontade de afundar a cabeça para não voltar a um ginásio tão cedo.

Naquele dia a tristeza foi grande não “só” pela eliminação que acabaria vindo uma rodada mais tarde, mas sim pela forma que ela veio e sobretudo pelo que ela acabou representando. Uma das gerações mais talentosas do basquete brasileiro tinha, em sua derradeira chance, a oportunidade de entrar para a história conseguindo uma medalha olímpica. E em casa. E com a chance de, em se classificando, poder evoluir um esporte que, nos últimos anos, estava procurando um rumo, buscando uma medalha em Mundial ou Olimpíada para potencializar tudo o que se faz por aqui.

Coloque toda essa frustração no liquidificador, adicione a crueldade que foi a bola final de Nocioni, coloque uma pitada gigantesca de rivalidade entre os dois países e dá pra ter a dimensão da frustração após a derrota contra os platenses.

Não foi uma eliminação direta, claro, porque o Brasil acabou pagando o preço de também ter perdido de Lituânia e Croácia na fase de grupos, mas acabou que no final das contas a Argentina eliminou direta (em 2012) e indiretamente (em 2016) o nosso país em duas Olimpíadas seguidas. Em duas Olimpíadas seguidas com o time de Rubén Magnano tendo chances claras de vencer – e não conseguindo.

Talvez tenha havido algum dia mais triste na história do basquete brasileiro. Possivelmente a Olimpíada de 1988 machuque bastante a geração de Oscar e Marcel, quando, no auge técnico e embalados pelo título do Pan-Americano do ano anterior contra os Estados Unidos, eles perderam a chance de medalha na derrota contra a União Soviética.

Mas com os requintes de crueldade que eu citei acima, e sobretudo com o tamanho que uma Olimpíada no século XXI proporciona (imagens, vídeos, redes sociais bombando, lances eternizados etc.), aquele dia 13 de agosto de 2016 muito provavelmente será inesquecível para o basquete brasileiro.

Infelizmente não por um motivo agradável. A derrota para os argentinos no Rio de Janeiro ainda causa e seguirá causando reflexos enormes em quem ama, vive e acompanha basquete por aqui.

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