Bala na Cesta

Wlamir, 80

Fábio Balassiano

15/07/2017 00h02

Amanhã Wlamir Marques faz 80 anos. Amanhã um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos faz 80 anos. Amanhã o cara que conduziu junto com Amaury Pasos e seus companheiros o país a duas décadas de glórias (vice, título, título, terceiro e quarto em mundiais entre 1959 e 1970 e bronze, bronze e quarto em Olimpíadas entre 1960 e 1968) faz 80 anos.

Wlamir nunca foi uma pessoa “normal”. Chamado de disco-voador após deixar todos em Piracicaba, onde começou a carreira, de queixo caído, ele realmente veio de outro planeta. Não só pelo que fazia dentro da quadra, quando destruía os adversários com suas jogadas plásticas e pontuações absurdas para um jogo (à época) ainda travado e com placares baixos (cestinha com 19,3 e 18 pontos de média nos Mundiais de 1959 e 1963 – Brasil campeão em ambos), mas sobretudo fora dela.

Wlamir é de outra época, de outra geração, de outra forma de lidar com as pessoas e com o mundo. Não gosta de holofotes. Não liga pras câmeras. Sabe o que fez e quem sabe um pouco de esporte tem noção do que esse cara representa. É que infelizmente o Brasil é um país com cultura esportiva beirando a zero e as pessoas daqui, via de regra, não têm a mínima visibilidade do que esse cara conseguiu em sua carreira e da importância dele para o esporte. Em uma época de ouro tanto de futebol quanto de basquete, era um título mundial do esporte bretão (1958 e 1962) e no ano seguinte vinha o da galera da bola laranja (1959 e 1963). Havia Pelé e Garrinha. E havia Wlamir e Amaury.

Por isso digo sem medo de errar. Há os grandes jogadores. Há os ótimos. Há os craques. Há os gênios. E há os surreais de gênios, categoria na qual o Diabo Loiro, outro de seus apelidos, se enquadra. Se ainda não foi, será um Hall da Fama mais dia, menos dia. Se não entrar, azar do Hall de Springifield, nos Estados Unidos.

Noves fora o seu currículo invejável dentro de quadra, o que diferencia Wlamir, como disse acima, é a sua forma leve e carinhosa de lidar com o mundo – e com as pessoas de um mundo cada vez mais rude, mais louco, mais torpe. Minha convivência com ele é próxima, menos próxima que eu gostaria, mas há um carinho, um respeito, uma cumplicidade surreal para uma relação de fã (eu) e mestre (ele). O cara domina o esporte que eu sou apenas um amante (e ele o professor) e não são poucas as vezes que eu ouço ele me perguntar “o que você acha, Fabinho?”. São aqueles três segundos de “caceta, o mito está me perguntando uma coisa e eu preciso parecer inteligente” que não são fáceis de administrar.

Wlamir sempre foi muito afável comigo e com todos os que o cercam. Poderia contar várias histórias, mas uma delas representa muito bem o que ele é como pessoa. Como um ser humano diferenciado. Lembro de uma vez que fui junto com meu pai, que o viu jogar e também o tem como ídolo, a uma cerimônia / homenagem em um ginásio no Rio de Janeiro. Sentado em uma cadeira na ponta da mesa, Wlamir me viu chegando, se levantou, meu deu um baita abraço, eu o apresentei a meu pai e os dois também se abraçaram. No final, ele disse: “Tenha orgulho do seu filho. O Fabinho é incrível”. Eu não sabia se ria, se chorava – e meu pai certamente ficou sem reação igual a mim. Este é Wlamir Marques. Genial, humano, humilde e carinhoso. Bicampeão mundial, 2 vezes medalhista olímpico, craque acima de qualquer suspeita.

Fosse em qualquer país que respeita seus ídolos, Wlamir Marques estaria recebendo homenagens nesta semana inteira por todos os cantos. Neste momento, no melhor jeito Wlamir de ser, ele está em seu cantinho (Massaguaçu) quietinho, recluso, com família e amigos para comemorar seus 80 anos.

A palavra gênio é sempre bem aplicada quando está na mesma frase que o nome Wlamir Marques. Parabéns, Mestre!

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