Bala na Cesta

Os méritos de Bauru, campeão do NBB e dono de um dos melhores projetos de basquete do país

Fábio Balassiano

18/06/2017 06h15

Você leu aqui ontem que Bauru é o novo campeão do NBB. O título coroa não só o trabalho do brilhante técnico Demétrius nessa temporada pra lá de atribulada, mas sobretudo um projeto de basquete que vem crescendo ano após ano e é um dos melhores do país.

Para entender o troféu levantado ontem por Alex Garcia, Jefferson, Gui Deodato, Shilton, Gegê e companhia vale voltar um pouco na história de uma equipe que jogou todas as edições do NBB até agora.

No dia 5 de maio de 2014 os bauruenses perderiam do Flamengo no Panela de Pressão e seriam eliminados nas quartas-de-final. Foi um duro golpe para um time que já queria dar o próximo passo, ou seja, de chegar no mínimo às semifinais.

Próximo passo que veio na temporada seguinte, com um aporte financeiro do Grupo Paschoalotto. Chegaram Jefferson, Hettsheimeir, Alex e Robert Day para dar outra cara a um time que foi campeão da Liga Sul-Americana, Paulista e Liga das Américas. A cidade que amava basquete passava passava a ser, também, a cidade de um time vitorioso. De um time vitorioso e que crescia também fora do olhar mais visível.

Surgiram, por exemplo, iniciativas de comunicação bem legais. Podemos falar da Bauru Basket TV, das redes sociais atuantes, dos traços muito legais nas fotos do ótimo Caio Casagrande, um dos melhores assessores de imprensa do Brasil, e do programa de sócio-torcedor funcionando. Vale sempre lembrar do ginásio quase em todas as ocasiões lotado e das divisões de base que passaram também a revelar e a reter talentos (Michael está vindo aí, Gui Deodato já saiu dessa fornada e Gabriel Jau está sendo lapidado depois de ser formado pelo Palmeiras).

Dentro de quadra o time seguiu crescendo, chegando a final do NBB pela primeira vez em 2015 e de novo em 2016. Duras derrotas contra o Flamengo. Do primeiro para o segundo ano, uma mudança importante. Saiu o símbolo do projeto, Guerrinha, e chegou o técnico Demétrius. Outra mentalidade, outra maneira de ver o jogo, a mesma exigência – vitória, vitória, vitória. O duro era convencer o exigente torcedor que se acostumou a vencer que o novo comandante precisava de tempo.

Demétrius até teria isso no começo a temporada 2016/2017, mas logo de cara sua vida deu uma chacoalhada. Ele perdeu dois titulares (Ricardo Fischer e Robert Day), tentou compensar com a chegada de um norte-americano (Roy Booker), mas não estava dando certo. O fechamento das portas de Rio Claro acabou por ajudar os bauruenses, que preferiram rescindir com Booker para ganhar, digamos, mais corpos com as contratações do atlético Gui Deodato e de Gegê, que seria o titular da armação, dividindo espaço com Valtinho. Mesmo assim era um time inferior em relação ao ano anterior em termos técnicos.

Só que Demétrius e seu time decidiram encarar e abraçar o desafio. Mudaram o esquema, mudaram o sistema, mudaram a mente. Com a saída de Rafael Hettsheimeir em janeiro deste ano, Bauru perderia o seu terceiro titular em menos de 6 meses, mas encontraria uma maneira de jogar. Mais defensiva, mais cadenciada, menos arriscada. Mais a cara de Demétrius, um cara estudioso, meticuloso e (quase sempre) muito ponderado. Escrevi sobre isso em fevereiro de 2017 e a mudança já estava em curso. Ninguém, ali, sabia onde aquilo tudo ia dar, né?

O tempo passou, o playoff veio e em todas as séries a partir das quartas-de-final Bauru saiu perdendo. Em todas elas ganhou três seguidas. Contra Brasília o 0-1 virou 3-1. Contra Pinheiros na semifinal e Paulistano na final o agônico e preocupante 0-2 tornou-se 3-2. Nas duas ocasiões a gente pode ver um time com alma, intenso, mas não desesperado. Por maior que fosse a dificuldade, e era difícil mesmo, o Dragão sabia onde estava se metendo – e principalmente o que fazer para sair do buraco.

Por isso o título foi muito especial. Alex é um monstro do basquete brasileiro. Intenso, explosivo e brabo na medida certa aos 37 anos. Jefferson é um gatilho cada vez mais certeiro. Valtinho, Gegê, Shilton (salve, Shilton!), Leo Meindl, Gabriel Jaú e Michael formam um elenco de apoio de primeiríssima linha.

Nada disso seria suficiente se a retaguarda de Bauru não fosse forte. O projeto sofreu um abalo no começo da temporada quando o antigo patrocinador forte (Paschoalotto) decidiu reduzir o investimento. Quando o alicerce é forte, a estrutura final segura, porém. Vieram outros (Gocil, MRV etc.) e os bauruenses se mantiveram firmes. Com dificuldades, mas muito firmes e prontos para o desafio.

No lugar do talento de outros anos, uma entrega descomunal, uma defesa forte e um senso coletivo raríssimo por aqui. Tudo junto e misturado resultou no tão sonhado título do NBB que a cidade queria. Em esporte coletivo não é o mais talentoso que vence. É, no final das contas, sempre aquele que melhor joga como um time.

De nada adiantam os talentos individuais se eles não atuam como uma única peça. Muito funciona quando toda engrenagem (as de dentro e também as de fora da quadra) vai para a mesma direção. Bauru mostrou isso neste NBB.

Fica a lição para as demais equipes e próximos campeonatos.

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