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Bala na Cesta

Análise do Balanço Financeiro da CBB: dívida aumenta para R$ 13mi em 2014

Fábio Balassiano

23/06/2015 01h28

nunes2Você viu aqui ontem um breve histórico das terríveis contas da CBB. A entidade máxima, aliás, recebeu um ultimato da FIBA (Federação Internacional) para pagar até 31 de julho o convite do Mundial Masculino de 2014 caso queira mesmo ter a vaga olímpica no Rio-2016 garantida (matéria do UOL aqui).

E como fechou o ano de 2014? Ficamos, o Professor Jorge Eduardo Scarpin e eu, debruçados nos números pelas últimas semanas para chegar à análise que você verá abaixo. Quem quiser fazer sua própria é possível entrar no site oficial (página 155 em diante) através do link que coloco aqui.

O resultado, porém, não é nada que deva ser comemorado. A dívida cresceu de novo (mais R$ 3,6 mi), apesar de uma receita mensal superior a R$ 2mi, e chegou a surreais R$ 13,1 milhões. As contas da entidade fecharam assim:

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O cenário é pra lá de assustador, não é mesmo? Vamos a alguns fatos interessantes:
cbb11) Ao contrário dos últimos anos, desta vez as contas da Confederação Brasileira não foram aprovadas por unanimidade na Assembleia Geral que aconteceu no Rio de Janeiro. Houve quem levantasse a mão para reclamar da loucura que tem sido feita com o dinheiro na entidade máxima do basquete brasileiro, sim. As Federações de Mato Grosso (presidente Karine Gomes Ribeiro) e a de Goiânia (Eli Toscano Pascoal), corajosas, não aprovaram as contas. As demais, sim. A Associação de Atletas (AAPB) desta vez parece ter aprendido com o erro de 2014. Preferiu se abster de aprovar ou recusar e, devido ao pouco tempo hábil para análise (menos de 12h), preferiu ficar apenas acompanhando a Assembleia ao invés de chancelar a o governor Nunes (no que fez bem).

balanco12) A própria empresa que realizou a Auditoria (Unity) fez uma análise bem dura sobre a situação financeira da entidade (página 160): "A entidade vem apresentando déficits sucessivos e, consequentemente, seu patrimônio líquido está negativo, passivo a descoberto. A administração da entidade deve planejar e/ou buscar alternativas de curto prazo para reverter esta situação".

nunes13) Presidente da entidade, Carlos Nunes vive a reclamar que a CBB não tem dinheiro para nada desde que a Eletrobras tirou a grana da entidade. Há, inclusive, conversas avançadas para que outra empresa estatal patrocine a Confederação, mas até agora nada concreto. O que há de verdade mesmo é o seguinte: é uma balela deslavada dizer que a CBB não tem receita para investir na modalidade. Em 2014 foram R$ 24,5 milhões que entraram, pouco a menos que os R$ 27,4 mi de 2013 mas muito a mais que os R$ 17,7 mi de 2010 e praticamente o mesmo de 2012 (R$ 25,7 mi) e 2011 (R$ 25,2 mi). Qual o motivo para tanta grita do mandatário maior?

3.1) Desde que Nunes entrou na Confederação (em 2009) são mais de R$ 136 milhões recebidos para o basquete (média de R$ 22,7 mi/ano). Muita coisa, não? Qual o motivo para não haver um único investimento relevante no esporte em tanto tempo desde o começo de sua gestão? Qual a grande dificuldade em administrar o basquete de forma profissional e austera?

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nunes24) O que chama a atenção mesmo é o crescimento das despesas da Confederação Brasileira de Basketball. Entre 2011 e 2014 a entidade máxima praticamente manteve os seus números (de R$ 27,8 mi para R$ 27,7 mi ). Querem um número mágico? A estrutura da CBB custa, por ano, R$ 12,5 mi (pior número de sua história e R$ 3,3 mi a mais que em 2013), ou seja, mais de R$ 1 milhão por mês (despesas com pessoal + administrativas). Muita coisa sem dúvida alguma. E para quem está nas cordas financeiramente não me parece ser o melhor cenário, né?

5) Se fosse uma casa, a CBB teria um balanço mensal mais ou menos assim. Entrando mais de R$ 2 mi no caixa todos os meses, a entidade máxima, vejam que sensacional, consegue a proeza de gastar R$ 2,3 mi a cada 30 dias. Claro que dá problema, né? Dívida que se acumula loucamente mês a mês. Em uma conta básica, dividindo tudo por 12, ficaríamos assim:

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numeros6) Ou seja: não precisa ser nenhum gênio das finanças para perceber que mensalmente a CBB tem uma dívida da ordem de R$ 270 mil batendo na conta. Ou seja do ou seja: toda vez que o calendário bate no dia 30 a entidade máxima termina o período com um vermelho de quase R$ 300 mil. No final de 2014, a dívida dos 12 meses foi de surreais R$ 3,2 mi. Maravilha, não? Não…

nunes37) Choca absurdamente ver que entre 2009 e 2014 o presidente Carlos Nunes tenha conseguido elevar a dívida da CBB de R$ 800 mil para mais de R$ 13 mi. Antes "tolerável", hoje ela está em um cenário difícil de ser digerido e administrado – principalmente por quem tem demonstrado há tempos que não sabe o que fazer neste sentido. Será que não caberia uma investigação mais apurada do Tribunal de Contas da União (que já se manifestou aqui em 2014), Ministério do Esporte ou de outra esfera nestas contas? De cara há uma administração péssima do esporte. Esporte este que tem 57 % de sua verba de patrocínio estatal (R$ 13 dos 24 mi recebidos).

7.1) Não custa lembrar que nas dívidas do Balanço Financeiro não constam a falta de pagamento a FIBA do convite do Mundial e nem falta de salários a altetas e técnicos, por exemplo. Ou seja: o rombo é ainda maior, não tenhamos dúvida disso.

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8) Novamente houve aumento no valor de dívidas tributárias, principalmente com o INSS e IRRF. Enquanto em 2012 elas eram de R$ 1,2mi, em 2013 saltaram para R$ 1,9mi e em 2014 chegaram a R$ 2,5mi (aumento de 31%). Para uma entidade que vive a receber ou pedir dinheiro do governo está longe de ser um bom sinal, não é mesmo?

lbf19) No ano de 2014 aparece no Balanço Financeiro um custo de R$ 690 mil da entidade para com o Campeonato Nacional Feminino (algo que já vinha acontecendo nos outros anos também). Ora bolas, a Liga de Basquete Feminino (LBF) é ou não independente? Não consigo compreender bem isso.

Está chocado? Ou já se habitou a ver as contas da CBB sangrando tanto assim? Nos próximos dias tem mais, fique ligado!

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