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Pelas mãos de Steve Kerr, a transformação do Warriors em um timaço

Fábio Balassiano

28/05/2015 14h00

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kerr2"Disse ao meu time para se divertir. Simples assim. Somos todos muito jovens, estávamos a um jogo da final da NBA e atuando em frente aos nossos torcedores. Se a gente não se divertir e achar graça em um momento desses, vamos curtir quando?". Foi assim que Steve Kerr respondeu quando perguntado sobre o que havia falado com seus atletas na preleção antes do jogo 5 em Oakland contra o Houston Rockets. Na quadra os Warriors suaram um bocado, mas venceram os texanos por 104-90 e se classificaram para a primeira final da franquia em 40 anos fechando a final do Oeste em tranquilos 4-1.

kerr1A decisão será contra o Cleveland Cavs, time que o então armador Kerr defendeu entre 1989 e 1992 (antes do período dourado com Chicago Bulls e San Antonio Spurs que o consagrou como um dos grandes arremessadores de sua geração) e que também passou por uma grande revolução para chegar a final da NBA. Sobre a turma de Ohio falarei bastante amanhã. Agora vale dar uma olhadinha no que Kerr, técnico calouro, fez para que os Warriors se transformassem em uma verdadeira máquina de jogar basquete nesta temporada (quem conseguir ler em inglês vale conferir esta estupenda e extensa reportagem da Sports Illustrated sobre o treinador, aliás).

kerr5Em primeiro lugar, vamos ao básico: não é que Steve Kerr pegou uma casa totalmente abandonada e em menos de 12 meses construiu uma mansão. Não é bem isso. Nos três anos em que comandou a equipe Mark Jackson tirou o Golden State da lama (36 vitórias no ano anterior a sua chegada e 51 no ano passado), colocou Stephen Curry e Klay Thompson de titulares e começou a lapidar Draymond Green. Era, já, um bom time. O que Kerr, que antes de fechar com o GSW recusou uma proposta do New York Knicks, do seu mentor Phil Jackson, fez foi simplesmente potencializar as habilidades de um elenco já muito bom no ataque e (principalmente) cuidar um pouco mais do setor defensivo (deixado por pouco de lado por Mark). Outro grande mérito dele (e uma das grandes críticas do antigo comandante) é que sua comissão técnica é formada por dois antigos auxiliares da liga (Alvin Gentry e Ron Adams), algo que os novos proprietários da equipe sentiam falta na gestão anterior.

kerr4Para começar os trabalhos, Steve Kerr foi conversar individualmente com cada um dos jogadores da franquia quando foi contratado (os que tinham contrato, obviamente). Pegou um avião para trocar ideia com Andrew Bogut na Austrália e voltou, algo que chamou a atenção do pivô australiano, ficou dois dias seguidos com Andre Iguodala e David Lee, e mostrou aos jovens Steph Curry e Klay Thompson como eles poderiam ser estrelas vencedoras da liga em pouco tempo. Aquilo, de cara, foi impactante para um grupo que vivia às turras com o antigo técnico. Mas não foi só isso, obviamente.

kerr3Kerr verificou as deficiências do time e conseguiu contratar Shaun Livingston e Leandrinho (com quem havia trabalhado em Phoenix) para dar um pouco de descanso a Klay Thomson e Steph Curry. Convenceu Andre Iguodala a comandar o banco de reservas, abrindo espaço para Harrison Barnes voltar a ser o titular e dando mais liberdade para Iggy arremessar liderando a segunda unidade e um pouco mais de mobilidade para um quinteto inicial que precisava de ajuda para defender no perímetro. Mas não foi tudo.

O técnico notou que precisaria de mais força no garrafão para não deixar Bogut tão exposto e optou por testar Draymond Green de titular ainda na pré-temporada. O camisa 23 foi tão bem, mas tão bem que mesmo quando David Lee, o antigo dono da posição, voltou de lesão seus minutos não diminuíram – e a relação de Lee com o técnico não parece ter ficado abalada mesmo com os módicos 18 minutos por noite na temporada e com a baixíssima utilização no playoff (no mata-mata a primeira opção do garrafão tem sido o nigeriano Festus Ezeli).  Isso, atenção, com o maior salário do elenco, não custa lembrar (US$ 15 milhões).

kerr5Na quadra, o desempenho chama a atenção. Jogando um basquete alegre, solto, altruísta (27,1 assistências/jogo, melhor índice da liga) e bem acelerado (ao contrário do que alguns analistas pediam, ele fez questão de aumentar ainda mais a velocidade), foram incríveis 67 vitórias na temporada regular, apenas três derrotas no playoff até o momento, o melhor ataque (109,1 pontos/jogo e 54% nos arremessos) e a melhor defesa da NBA (rivais converteram apenas 47% dos chutes). Isso tudo com suas três principais peças jogando menos de 32 minutos por jogo, é bom citar. Curry, Thompson e Green descansaram horrores em últimos períodos simplesmente porque as partidas já chegavam decididas a favor dos Warriors nos 12 minutos finais (a margem entre pontos feitos e sofridos ficou em +9,8, a maior da NBA).

kerr6O Golden State Warriors é, disparado, o melhor time da temporada e um dos mais encantadores dos últimos tempos (mesmo quem não torce pelo time se empolga com as atuações da turma de Steph Curry). Isso não garante que a equipe será a campeã da NBA porque do outro lado há LeBron James e um ótimo Cleveland Cavs também faminto por uma conquista, mas é muito legal notar a revolução que Steve Kerr conseguiu fazer.

Aquela equipe forte no ataque e frágil na defesa se transformou em um grupo completo, ainda jovem (Curry tem 27 anos e Thompson e Green, 25), físico quando precisa (vide o duelo contra o fortíssimo Memphis) e que pode brilhar junta ainda por muito tempo. Se esta foi a primeira mensagem que o técnico Steve Kerr deu ao mundo do basquete, dá pra dizer sem o menor medo de errar que o recado tem sido o melhor possível.

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