Bala na Cesta

Arquivo : janeiro 2014

Reservas do All-Star serão divulgados hoje – quem eu selecionaria…
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Fábio Balassiano

dragic1Os titulares do All-Star Game já foram divulgados na semana passada. Hoje é a vez dos reservas. Não tenho ideia do que sairá da cabeça dos treinadores, mas fiquei pensando aqui em quem eu escolheria. Como os titulares já estão decididos, vamos aos 7 reservas

TITULARES DO LESTE:  Kyrie Irving, Dwyane Wade, LeBron James, Paul George e Carmelo Anthony
MEUS RESERVAS: Chris Bosh, Roy Hibbert, Joe Johnson, DeMar DeRozan, John Wall, Paul Millsap e David West.

TITULARES DO OESTE: Stephen Curry, Kobe Bryant, Kevin Durant, Kevin Love e Blake Griffin
MEUS RESERVAS: LaMarcus Aldridge, Damian Lillard, James Harden, Chris Paul, Goran Dragic (foto), Dirk Nowitzki e DeMarcus Cousins.

Concorda comigo? Quem você selecionaria? Comente aí!


Convite pro Mundial sai na próxima semana – é suficiente?
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Fábio Balassiano

cbb1Nos próximos dias 1 e 2 de fevereiro o Comitê da Federação Internacional de Basquete (FIBA) se reúne em Barcelona para, entre outras coisas, decidir quais serão as quatro seleções agraciadas com o convite para disputar o Mundial de 2014 na Espanha (no dia 3 haverá o sorteio das chaves).

Pelo que pude apurar, além da informação do Corriere dello Sport de que Brasil, China e Turquia são os favoritos ao convite, o desembolso do país que quiser mesmo jogar o Mundial da Espanha chegará perto de US$ 1 milhão (sim, um milhão de dólares) em um jogo não muito ortodoxo comandado pela FIBA (Itália e Alemanha, inclusive, já se colocaram fora do páreo alegando diferenças ‘éticas’ com a Federação Internacional). A necessidade de conseguir dinheiro talvez explique o encontro do Secretário de Alto Rendimento do Ministério dos Esportes, Ricardo Leyser, na Confederação Brasileira essa semana (veja mais aqui) na sede da CBB aqui no Rio de Janeiro (será que contaram ao Secretário que os alugueis andavam atrasados?). Leyser (na foto à direita com a trupe toda) é homem-chave para ajudar uma entidade completamente falida, sem patrocínio, sem rumo financeiro, sem planejamento a bancar o passaporte de entrada na competição que irá acontecer na Espanha.

convite1O encontro no Rio de Janeiro, na verdade, não foi o primeiro para tratar do tema. Em Barueri, no Mundial de clubes de 2013, o presidente Carlos Nunes se reuniu com Leyser para pensar na estratégia para conseguir os convites. A ideia de Nunes, como dita a mim e ao repórter Daniel Neves, era que o aporte financeiro para o convite saísse mesmo da iniciativa privada e quem sabe até da Globo. Mas a verdade é que a endividada CBB segue sem patrocínio (não era algo pontual, presidente?), a Globo não injetará essa grana toda e eu sinceramente não duvido que o Ministério coloque mais uma verbinha para tentar salvar o basquete (mais uma vez, né…).

Sinceramente sigo achando que o convite para o Mundial virá (e virá sem tanto sofrimento assim), mas espero que a ida para a competição não coloque uma cortina de fumaça em tudo de ruim que a Confederação Brasileira tem feito nos últimos 20 anos (e aí a gente se pergunta, mesmo, se o critério da FIBA não é só o financeiro mesmo, mas tudo bem). E quando falo ‘ruim’ não abordo apenas o lado financeiro da coisa, mas sim o conjunto todo que merece ser avaliado quando falamos da entidade máxima do basquete nacional. Em termos técnicos, de organização, comunicação, marketing a CBB é trágica, que isso fique sempre muito claro.

nunes1Haverá os puxa-sacos de sempre, dizendo que o Brasil está evoluindo (mentira), que o presidente Carlos Nunes faz uma grande gestão (óculos ou lente, qual a preferência?) e que a Federação Internacional olha o país com grande carinho (balela pura). Se eu pudesse pedir, falaria para o debate ser um pouco mais sincero.

Que ninguém seja ingênuo: a disputa dos convites é uma competição meramente FINANCEIRA (quem paga mais chora menos). Jogar o Mundial não dignifica absolutamente quase ninguém (a não ser para os atletas, que merecem) no péssimo trabalho que é feito pela entidade máxima do basquete brasileiro. Se o provável convite servir para anestesiar ainda mais os dirigentes da CBB, ao invés de abrir seus olhos de uma vez por todas, o tiro sairá totalmente pela culatra.

A situação do basquete brasileiro é muito, muito, muito ruim. Fechar os olhos para isso, com uma ida para o Mundial como se fosse a maior glória do planeta, seria (será?) um grande engano. Manter o olhar atento aos próximos passos de Nunes e seus funcionários na entidade máxima é o que melhor pode ser feito por quem acompanha basquete neste país.

Tags : CBB FIBA


Depois do turno, a constatação: LBF melhorou muito
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Fábio Balassiano

lbf1Quando acabou a edição passada da Liga de Basquete Feminino fiz um levantamento extenso (relembre aqui) a respeito dos números da modalidade das meninas nos últimos 15 anos (deu um trabalho monstruoso, vocês devem imaginar). A constatação foi clara: o nível apresentado na temporada passada não foi “só” ruim. Em números, foi simplesmente o pior campeonato nacional já realizado no país (em termos técnicos), com estatísticas alarmantes e futuro sombrio para os anos seguintes.

O bom é constatar, quase um ano depois, que houve, no principal campeonato feminino, uma saudável correção de rota. A LBF tem dois patrocinadores (a comparação com o NBB, mais maduro como produto porém sem nenhum há quase duas temporadas, é inevitável), seu primeiro Jogo das Estrelas já confirmado (8 de março, em São José), três times fortes (Sport-PE, Americana e Maranhão), dois razoáveis (São José e Santo André) e dois que investem bastante em jovens atletas (Rio Claro e Ourinhos), além, claro, de Brasília, cujos comentários já foram todos feitos aqui neste espaço (relembre aqui). Está longe de ser um primor de campeonato, mas que melhorou, melhorou.

hayesEm quadra o cenário também é mais apresentável. Com caixa para investir, Maranhão (Briann January, titular do Indiana Fever), Americana (Paola Ferrari) e Sport-PE (Tiffany Hayes, titular e peça fundamental do Atlanta Dream, que fez a final da WNBA passada – foto à esquerda) trouxeram estrangeiras bem valiosas, concorridas no mercado internacional, aumentando o nível técnico interno. Não é coincidência que os 3 sejam os líderes da competição até o momento, seguidos de perto por São José, cujo trabalho é consistente e sério há anos.

Na média geral (e faço questão de tirar Brasília disso, pois é um time quase amador), são quase 70 pontos/jogo, crescimento de 5% em relação ao campeonato passado e melhor índice desde o Nacional da CBB de 2006 (tentei fazer o percentual de bolas de 3 e de 2, mas o site encontra-se fora do ar nesta seção). A média de assistências subiu, a de erros caiu e os jogos ficam menos feios, menos focados nos desperdícios de bola e mais nos acertos das meninas.

Não deixa de ser um alento, uma alegria, um fio de esperança para que o basquete feminino saia do buraco. Que os dirigentes da LBF e as meninas da modalidade não encarem a (pequena mas já sentida) evolução como um fim, mas sim como um ponto de partida para quem sabe um novo momento do esporte no país.

Este pode ser um texto otimista demais, mas o nível dos jogos está mesmo bem melhor que os da temporada passada. Que as meninas e os treinadores mantenham o pé no acelerados do desenvolvimento até o final do campeonato. É o que todos esperamos, certo?

Tags : LBF


Com contrato no Suns, o que esperar de Leandrinho?
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Fábio Balassiano

barbosa5A essa altura do campeonato você, leitor atento, já deve estar sabendo que Leandrinho conseguiu o seu sonhado contrato com o Phoenix Suns após dois temporários (de 10 dias). Se não sabe, clique aqui e leia a matéria do UOL a respeito.

É, sem dúvida, algo que deve ser comemorado – e muito. Leandrinho teve uma lesão grave na temporada passada, passou por uma cirurgia, se recuperou no Brasil, jogou o NBB pelo Pinheiros para ganhar ritmo de jogo, teve que provar ao Phoenix e a si mesmo através de dois contratos de 10 dias que estava, sim, apto a voltar ao melhor basquete do mundo e recebeu a recompensa que tanto queria. A questão, agora, é tentar projetar os próximos passos do brasileiro por lá.

O objetivo dele, obviamente, tem que ser conseguir, o quanto antes, um contrato para a próxima temporada. Mas isso está longe de ser fácil. De todo modo, seu desempenho é bem bom, bem acima do que muita gente esperava. Para quem estava há quase 1 ano longe da NBA, é ainda mais impressionante.

barbosa1O ala-armador, já entre os 15 melhores em infiltrações da liga (5,3 dos 8,7 pontos dele sabem nos famosos drives em direção a cesta, com aproveitamento de mais de 60% nas bandejas), tem aproveitamento bem ruim nas bolas de 3 pontos (16,7% ou 2/12), mas seu jogo mudou bastante em relação ao rapaz que aproveitava as investidas de Steve Nash anos atrás se posicionando no córner para matar de fora e que dependia quase que exclusivamente dos arremessos para brilhar.

Agora Leandrinho, 21,5 minutos/jogo desde que chegou ao Arizona, parece mais completo, mais maduro, mais preparado para encarar o jogo aliando sua absurda velocidade de pernas a um raciocínio também rápido. Nesta temporada ele fica mais tempo com a bola nas mãos (9 de suas assistências foram para atiradores na linha dos três pontos), chuta quase três vezes menos de fora (3,5/jogo na carreira x 1,3 neste campeonato), pensa mais o jogo (o que é ótimo), erra menos (apenas 0,9, sua melhor marca da carreira) e consegue trazer bons resultados para seu time (com ele em quadra, o Suns tem um +/- de +13,5, segunda melhor marca do time).

Está mais do que claro que Leandrinho pode pertencer à elite do basquete mundial. Tem bola e ainda bastante físico pra isso. Tornou-se útil a uma rotação frenética, como é a do Phoenix, e será bastante importante para o time, bem jovem e por vezes se perdendo durante as partidas (tipo a contra o Cleveland, com primeiro tempo desastroso e segunda etapa magnífica), conseguir uma improvável-porém-viável (26-18) classificação para os playoffs. Caso mantenha o bom nível, ganhará os minutos de Ish Smith quando Eric Bledsoe voltar e terá ótimas chances de também ficar perto de um novo contrato para a temporada 2014/2015.

O momento é de se comemorar, sem dúvida, mas mantendo o pé no chão (como ele tem mantido) e olhando lá na frente. Ser um agente-livre a cada final de temporada está longe de ser confortável. E Leandrinho (insisto nisso) ainda tem potencial para ficar na NBA sem sofrer tanto. Nas duas últimas temporadas ele não fez pré-temporada com uma franquia da liga. Que na próxima ele treine com seu time desde o começo.


Embalado, Grizzlies miram playoff na NBA
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Fábio Balassiano

gasol1A temporada começou enrolada para o Memphis. Apertando os cintos para não estourar ainda mais a folha salarial (de US$ 71mi), os Grizzlies não se reforçaram muito (buscaram, de relevante, apenas Mike Miller, demitido do Miami depois do bicampeonato) e confiavam que a base da temporada passada lhes fosse suficiente para reeditar a ótima campanha da temporada passada, quando foi às finais do Oeste.

O problema foi que o número de lesões foi absurdo, altíssimo. Os dois responsáveis pela defesa do time tiveram problemas físicos. Chave-mestra do garrafão, Marc Gasol (foto à direita) tombou, quase arrebentou o joelho e perdeu 23 dos 42 jogos do time. Tony Allen, a do perímetro, se ausentou em 15. Se somarmos Zach Randolph (fora em 2), Tayshuan Prince (em 3) e Mike Conley (em 2) vemos o tamanho do drama da turma de Memphis em novembro e dezembro (os únicos que atuaram em todas as pelejas do campeonato são Kosta Koufos e Mike Miller).

Por isso o hesitante começo do time, que chegou a ter 10-15 no meio de dezembro. Ninguém sabia, porém, como o time reagiria quando todas as peças estivessem de volta, estivessem bem. A resposta é vista em quadra: completo, o Memphis é um timaço de basquete. Em janeiro, já com Courtney Lee no elenco (média de 15,6 pontos desde que chegou), o time venceu 9 dos 12 jogos que fez (sete triunfos nos últimos oito), já tem 22-20 e está na nona colocação do Oeste repetindo a velha e conhecida fórmula que conhecemos.

conleyNo ataque, as ações ficam Mike Conley, cada vez mais um armador de elite da NBA. Dono de 18 pontos (1/3 deles vem através de infiltrações) e 14,8 arremessos/jogo, maiores médias de sua carreira, ele dá 67,2 passes/partida e fica 7,4 minutos com a bola em suas mãos (segunda maior minutagem da liga). Conley sabe a quem servir, e destina grande parte de seus passes a Zach Randolph (o gordito, de técnica refinada, tem 17 pontos e 10,7 rebotes por partida).

A grandeza do time, porém, não está no setor ofensivo (o time faz 95,7 pontos/jogo, quinto pior índice). É no outro extremo que o Memphis torna-se um grande, perigoso mesmo. O time leva, na temporada, 96 pontos/jogo (terceira melhor da liga), faz com que os adversários desperdicem 14 posses de bola por noite. Em janeiro deste ano, 10% a menos de pontos sofridos, 13% a mais de erros dos rivais e aquela pressão conhecida desde a temporada passada (quem está com a bola nas mãos têm dificuldade imensa para agir – seja passando, driblando ou arremessando).

Com o espanhol Marc Gasol em quadra, as coisas mudam ainda mais – e para o melhor do Memphis. Marcando, o pivô permite apenas que a metade dos 3,3 arremessos de seus oponentes tenham endereço certo (ótima marca!) e faz com que os armadores/alas não tenham muito espaço para infiltrações e/ou cortes para pertinho do aro. O espaço, como se vê, fica muito pequeno com Marc, de 2,16m, em quadra.

zboÉ assim que o Memphis vai tentar uma vaga no playoff do Oeste. O time segue com problemas para converter bolas de fora (35% de conversão, índice baixo para quem tem um especialista como Mike Miller e um armador rompedor que proporciona bons chutes para seus alas), mas a defesa pode fazer com que o time vá longe.

É bom ficar de olho nos Grizzlies.


Sobre as revelações, recomendo: devagar com o andor
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Fábio Balassiano

O dia de ontem foi especialmente agitado para quem acompanha o basquete brasileiro devido a um nome: Bruno Caboclo. Revelação do Pinheiros que ainda nem completou 19 anos de idade, o ala deu, no domingo contra o colombiano Bambuqueros pela Liga das Américas, uma demonstração daquilo que poderá ser em um futuro próximo. Bolas de três, infiltrações, enterradas, defesa forte, o pacote completo. Como diriam os mais jovens, o jovem “trendou” nas redes devido ao vídeo que você pode ver abaixo.

caboclo1Quem esteve na etapa final da Liga de Desenvolvimento (escrevi sobre e entrevistei o rapaz) já tinha visto o tamanho do potencial de Bruno (2,04m, mais de 2,30m de envergadura), mas ontem eu confesso que me assustei um pouco com as reações que li e ouvi. Foi um tal de “esse cara é NBA”, “titular da seleção em 2016”, “Magnano tem que levá-lo pro Mundial de qualquer maneira” e “a solução da ala brasileira pelos próximos dez anos” que eu fiquei refletindo um pouco a respeito do tema, dos prognósticos, dos pitacos, da ansiedade mesmo (e quem escreve é um cara ansioso – pra vocês verem como eu fiquei bolado…).

Isso acontece também no feminino, onde o universo de meninas praticando a modalidade é bem menor devido a anos de má gestão. Quando surge uma jovem razoavelmente talentosa os quatro que ainda teimam em acompanhar a modalidade (Bert, Nando e Gabi) trocamos mensagens com ávida torcida por uma evolução rápida, consistente e forte por parte da atleta para que o rumo de um barco que está à deriva mude (e mude para melhor, claro).

ramona1Além de ser injusto colocar pressões imensas em jovens que sequer têm fundamentos de basquete formados (o que é natural), há (entre tantos) três grandes problemas nisso tudo aí: a) A maioria das pessoas que acaba falando sobre os rapazes viu muito poucos jogos das figuras em questão, deixando a “análise” muito superficial, emotiva e no calor do momento (ao contrário da NCAA, que tem jogos correndo nas TV’s e vídeos brotando na internet com velocidade imensa, partidas das divisões de base no Brasil são de dificílimo acesso). Pergunte-se assim: quantas partidas COMPLETAS você viu de Bruno Caboclo, Ramona, Joice etc.? Poucas, certamente poucas. Do Caboclo eu vi, inteiras, oito pelejas, não mais do que isso, motivo pelo qual não me considero apto a fazer uma análise absurdamente profunda sobre ele; b) Há uma carência (de ídolos, de bons resultados internacionais, de querer ver o basquete de novo por cima das carnes secas) muito grande nisso tudo também. Projetar os 10 próximos anos de um esporte por causa de uma cesta, ou de duas ou três atuações esfuziantes destas revelações, não me parece um bom caminho. |Mudando de esporte mas fazendo um paralelo pertinente: Quantos craques de ocasião, daqueles que fazem três gols em um domingo, surgiram e não deram em nada? Pois é. c) Em tempos de redes sociais cada vez mais fortes (e com usuários atuantes), elogios e críticas superlativos (beeeeem exagerados) são cada vez mais frequentes – e nem um (elogio) ou outro (crítica) deve ser levado tão a ferro e fogo assim. Como diria o Tite, o melhor ainda é ter equilíbrio e paciência antes de emitir qualquer veredicto.

joice1Bruno Caboclo, assim como outras dezenas de meninos que estão por aí no Brasil, é muito talentoso e tem um potencial absurdo. Seu futuro pode ser brilhante (apostaria que sim, até). Mas também pode não o ser por uma série de questões (física, mental, técnica, o diabo). Fazer suposições sobre como serão os próximos 10 anos de meninos que não completaram nem duas décadas de vida é muito delicado, cruel, pouco inteligente e é algo que tenho tentado correr cada vez mais de fazer justamente para não criar expectativas exacerbadas em cima de (insisto) jogadores que ainda nem formados estão em suas categorias de base.

Sei que a maioria faz com boas intenções, com vontade que surjam novos ídolos (Oscar, Paula, Marcel, Amaury, Hortência, Janeth, Wlamir etc.) para que os tempos de vacas magras de medalhas e conquistas termine logo, mas o melhor ainda é ter calma, esperar mais um pouco, segurar a emoção, aguardar não por atuações fora da curva, mas sim por uma série de exibições ótimas que colocariam, aí sim, essa molecada em um outro patamar.

lucas1Por enquanto, Caboclos, Sangallis, Humbertos, Joices, Lucas e Ramonas são apenas ótimos meninos em busca de espaço, em busca de um lugar ao sol, em busca de seus 20 minutos por jogo, algo que eles ainda NÃO têm em NBB ou LBF (eles ainda sequer titulares de seus times são, e é bom refletir sobre isso também). A tentação em chamá-los de “craques”, “(W)NBA” ou adjetivos carinhosos é grande, legítima, mas se eu pudesse eu recomendaria: devagar com o andor.


Pinheiros sofre, mas avança na Liga das Américas
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Fábio Balassiano

shamellFoi no sufoco, mas foi. O Pinheiros, atual campeão da Liga das Américas, foi a Neiva, na Colômbia, perdeu o primeiro jogo na sexta-feira para o Cocodrilos (Venezuela, por 99-96), venceu o segundo no sábado (Toros, do México, por 77-71) e sacramentou a vaga para a segunda fase da competição ao bater o Bambuqueros, dono da casa, por 94-76 neste domingo sem tanta dificuldade. O destaque do time da capital paulista ficou por conta de Shamell (mais uma vez – foto à direita), autor de 26 pontos de média, e da presença do pivô Baby no garrafão (impressionante o impacto que ele traz ao jogo quando está em quadra).

A se lamentar, apenas, que quase ninguém viu as partidas pela televisão, pois a FoxSports, detentora dos direitos de transmissão, optou por colocar as partidas no recém-lançado FoxSports2, que atualmente só está na GVT TV e Neo TV, operadoras com baixíssimo market-share no país. Não entendo, sinceramente, como uma nova entrante no mercado brasileiro tem um evento exclusivo, e de boa qualidade, e o esconde tanto assim. Deve ser parte da estratégia para promover o novo canal, mas ao menos pra mim não faz muito sentido (embora respeite a decisão, obviamente).

paulinhoO saldo pinheirense, porém, não foi totalmente positivo. Apesar da vaga, o time volta a São Paulo com uma série de baixas. Além de Joe Smith, que nem viajou devido a dores no pé, Paulinho (foto à esquerda) saiu no final do primeiro jogo com uma suspeita de lesão no ligamento cruzado anterior do joelho (em um lance que poderia dar a virada a seu time nos segundos finais – para vocês verem o tamanho da falta de sorte do armador) e Jonathan Tavernari sentiu dores no músculo da perna direita na partida de sábado (nem atuou no domingo devido a isso) e também pode ficar no estaleiro.

Com a série de lesões dos veteranos, os jovens Bruno Caboblo, Humberto (foto à direita) e Lucas Dias ganharam tempo de quadra (aleluia!) e mostraram porque fazem parte da elite dos jovens do país. Sentiram um pouco o jogo internacional no começo (o que é totalmente compreensível), mas colocaram algumas pulgas atrás da orelha do técnico Cláudio Mortari, que teima (teimava?) em não lhes confiar sequer dez minutos (SOMADOS) em partidas do NBB. Tomara que, de agora em diante, o talentoso trio ganhe espaço na rotação do treinador. Humberto, armador, teve 60 minutos nos dois jogos finais. Lucas, 8 ao todo. Caboclo saiu-se com 24 pontos e 5 rebotes diante do Bambuqueros em 30 minutos em mais uma atuação de tirar o fôlego de todos.

humbertoNas próximas semanas entram em quadra os outros times brasileiros na competição que coloca o ganhador para disputar o Mundial contra o vencedor da Euroliga. Neste fim de semana o Uberlândia vai a Montevideo em um grupo com Aguarda (Uruguai), Lanús (Argentina) e Leones de Ponce (Porto Rico). Entre 7 e 9 de fevereiro, no México, o Brasília enfrentará Halcones de Xalapa (México), Regatas de Corrientes (Argentina) e Marinos (Venezuela). Por fim, o Flamengo, campeão do NBB, medirá forças em Quito entre 14 e 16 de fevereiro contra o Mavort (Equador), Capitanes de Arecibo (Porto Rico) e Leones de Quilpue (Chile).

Será que um time brasileiro vence a Liga das Américas novamente? Quem? Comente!


O renascimento de Paulão em Franca
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Fábio Balassiano

paulaojovemQuando surgiu naquele Mundial Sub-19 da Sérvia em 2007 (Brasil foi quarto colocado), Paulão Prestes assombrou a todos com os 23 pontos e 14,7 rebotes de média (líder do campeonato nos dois quesitos, tendo feito, inclusive, duplo-duplo em seus nove jogos). Era um pivô novinho, forte, alto (2,08m), já jogando na Europa (nas divisões de base do Málaga depois de ter saído do Ribeirão Preto) e com futuro promissor. Os olhos se voltaram para o seu desenvolvimento, uma escolha no Draft de 2010 veio (na segunda rodada pelo Minnesota Timberwolves), mas ele (o desenvolvimento) acabou não vindo como todos esperavam.

Paulão tentou uma Liga de Verão pelo Minnesota (em 2012), mas não passou pelo crivo da NBA (descrições de ‘lento’, ‘físico ruim’ e ‘deslocamento lateral abaixo da crítica’ estão por aí na internet). Enquanto isso, permanecia com contrato no Málaga, sendo emprestado algumas vezes, e passou também na Espanha por Murcia, Granada e Gran Canaria. Na temporada passada pelo Canaria teve 10 minutos/jogo antes de ser dispensado. A dúvida ficava na cabeça de todos (os mesmos ‘todos’ que esperavam que ele virasse um pivô dominante em nível mundial): o que diabos aconteceria com a carreira dele?

paulao2O mercado brasileiro não quis nem saber. Se alvoroçou, coçou os dedos, propostas choveram. O pivô (na minha opinião em um erro crasso de avaliação de cenário) escolheu Brasília, time conhecido (até a temporada passada, pelo menos) por ser dono de uma correria absurda e pelo hesitante (ou ausente) jogo com os homens de garrafão. A correria fez os joelhos de Paulão gritarem de dor. O sistema tático, por sua vez, colocou um gigante de 2,08m e com potencial para ser dominante em um terreno árido de gigantes com razoável técnica como um mero “bloqueador” de infiltrações. Seus números (23 minutos, 12 pontos e 8 rebotes) não foram ruins, mas o desempenho poderia ser melhor.

Em uma correção de rota (das melhores que ele poderia ter feito), Paulão assinou com Franca para o NBB6. Era o reencontro dele com o técnico Lula Ferreira (que o havia lançado em Ribeirão Preto anos antes), a chance de liderar um elenco em formação (ao seu lado, no garrafão, está o promissor Lucas Mariano, dono de média de 13,3 pontos na competição) e ser um dos ídolos de uma cidade que ama e entende de basquete.

O resultado de sua escolha acertada para a temporada 2013/2014 pode ser visto nos números. Paulão, que joga 30,8 minutos por jogo, tem 19,8 pontos (quarto melhor índice do campeonato), 8,4 rebotes (o terceiro), 63,7% nos tiros de dois pontos, 1,4 assistência (é o quarto melhor pivô na categoria) e ótimos 22,4 de eficiência, liderando o NBB no quesito. Seu desempenho é tão regular, mas tão regular, que ele fez 16 ou mais pontos em TODAS as partidas do certame até aqui (no sábado, na vitória contra o Basquete Cearense, sua última partida, ele saiu-se com 20 pontos e 6 rebotes (26 de eficiência). Dominante é pouco para descrever seu começo em solo francano.

paulao1O nível do NBB é não mais do que regular, seus problemas com o físico, diagnosticados pelo Minnesota quando ele foi Draftado em 2010 (a recomendação para perda de peso e ganho de massa muscular e agilidade eram bem claras), continuam ali (o cara pode ficar bem mais magrinho), mas é bem bacana ver a volta por cima de Paulão. Sete anos se passaram, o contato com o técnico Lula Ferreira parece lhe fazer bem e o camisa 15 é o principal responsável por manter Franca entre os dez primeiros do NBB (8-9).

O que será de seus próximos anos é bem difícil de saber, mas Paulão tem apenas 25 anos (faz 26 em fevereiro) e pode ter bastante sucesso no basquete interno. Caso se cuide um pouco mais, pode alçar vôos maiores (Europa). De todo modo, é uma baita história de renascimento, de reencontro com os melhores números e momentos. Que ele siga em sua recuperação, que ele siga mostrando que aquele garoto de Monte Aprazível que surgiu para o mundo lá em 2007 pode, sim, jogar em alto nível. Técnica ninguém duvida que ele tenha.


A volta de Pierce e Garnett a Boston
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Fábio Balassiano

dupla1Noite pra lá de emocionante a de hoje em Boston. A partir das 21h30 (de Brasília) os Celtics recebem os Nets para o jogo que marca a volta de Kevin Garnett e Paul Pierce ao local onde foram campeões cinco temporadas atrás. Espera-se uma verdadeira comoção dos verdes e uma série de homenagens aos dois craques.

Para o bem da imagem deles, o Brooklyn chega a Boston com 9 vitórias nos 10 jogos de janeiro (ano novo, vida nova pros caras, sem dúvida alguma). O retrospecto ainda não é positivo (19-22), mas se encaminha para isso com um desempenho bem bom do time neste início de 2014.

Em quadra, Kevin Garnett registra 6,9 pontos e 6,8 rebotes nos 21 minutos em que fica em quadra (piores médias de sua carreira – de longe) e Paul Pierce tem 12,9 pontos em 29 minutos por noite (também os índices mais baixos de sua vida na NBA). Ambos são homens de confiança do técnico Jason Kidd, mas estão bem longe de jogar o que jogaram, por exemplo, na temporada passada (ainda parecem pouco adaptados ao novo uniforme0.

De todo modo, importa muito pouco o que acontecerá com eles na quadra. Valerá pelos aplausos, pelo vídeo do Boston que certamente virá. Emoção pura logo mais, não? Vai acompanhar? Ah, e o melhor: o site da NBA Brasil exibe a peleja DE GRAÇA neste domingo (veja mais aqui).


Flamengo vence Brasília com recital de Laprovittola
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Fábio Balassiano

laprofinal1Foi um ótimo jogo de basquete na capital federal (com exceção dos dois minutos finais – já falo sobre isso) entre os dois times mais tradicionais da história do NBB. Brasília e Flamengo fizeram uma partida bem disputada na tarde deste sábado, e no final o rubro-negro, mais líder do que nunca (15-3 e nove vitórias seguidas), venceu o forte rival por 81-79. Os candangos, que vinham de 7 triunfos consecutivos, agora têm 11-7 (quinta colocação).

Sei que basquete é coletivo, coisa e tal, mas a vitória rubro-negra saiu por causa de uma atuação soberba do armador Nicolas Laprovittola (foto à direita). O argentino começou com tudo, comandou o Flamengo desde o início, causou estragos na defesa de Brasília com suas infiltrações e jogadas de pick com Olivinha e Meyinsse e no final ainda teve sangue frio para roubar, SEM FALTA, a bola de Guilherme Giovannoni para sacramentar a importante vitória carioca.

Nos números, o camisa 7, fortíssimo candidato a MVP da temporada regular (alguém melhor que ele por enquanto?) teve assombrosos 33 pontos (5/6 de três pontos), 12 rebotes, 5 assistências e 40 de eficiência. Laprovittola é dono de basquete refinado, clássico, organizador de jogo. É muito bom vê-lo em quadra dominando os jogos não só com pontos, mas principalmente com sua estupenda leitura de quadra (fica a lição que nem sempre a conclusão das cestas é que definem as partidas, mas também a forma como elas surgem, são pensadas).

Laprofinal2Pelo lado de Brasília, é torcer para que o problema no nariz de Alex (ele saiu com o local sangrando depois de um choque involuntário de Meyinsse) não seja nada grave. O time foi bem no segundo tempo, teve sangue frio para tirar a vantagem do rival no último período, quando fez 20-13, mas não conseguiu concluir a virada. De todo modo, um elogio aqui se faz necessário: em termos táticos, o trabalho de Sergio Hernandez já é bem melhor que aquele do começo do NBB. Seu time roda mais a bola no ataque, precipita menos os arremessos e defende muito melhor (principalmente quando tem Osimani e Isaac, juntos, em quadra). O saldo é positivo e o futuro é bem promissor.

Dois pontos aqui para fechar: 1) A arbitragem mais uma vez foi muito, muito ruim (nada surpreendente, né…). Apitou faltas anti-desportivas sem o menor critério e quis se impor diante de atletas e técnicos de maneira não muito bacana. Até quando?; 2) Clubes brasileiros têm problemas gravíssimos em finais de jogos, isso não é de hoje (e, extrapolando um pouco, causa danos também para a seleção brasileira em competições internacionais, quando os famosos “detalhes” são explorados ao máximo). Nos dois minutos finais houve uma série de erros (violações, passes errados, jogador escorregando etc.), demonstrando um nervosismo absurdo para a tomada de decisões em momentos críticos. É algo que os times daqui precisam ficar bem atentos, pois as pelejas, mesmo as ótimas (como as deste sábado), terminam com impressões ruins.

Viu o jogo? Gostou? Comenta aí!