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Bala na Cesta

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Técnico Lula Ferreira conta segredos do renovado Franca, clube mais tradicional do país

Fábio Balassiano

08/01/2013 10h49

Aos 62 anos, Lula Ferreira é um dos técnicos com melhor currículo no basquete brasileiro. Bicampeão nacional (pelo COC/Ribeirão Preto e Brasília), campeão paulista inúmeras vezes e ganhador da Liga das Américas em 2009, ele agora tem um novo desafio – o de renovar o time de Franca desde o começo dessa temporada com um elenco que conta com jovens talentosos como Lucas Mariano, Leonardo Meindl, Cauê Borges e Jonathan. Apesar da derrota de ontem para o Pinheiros por 97-82, os francanos têm, agora, 8-4 e ótimas possibilidades de seguir evoluindo com a batuta de Lula, ex-comandante de um dos maiores rivais dos francanos, o Ribeirão Preto, vejam só. Conversei com ele na última semana. O papo ficou bem longo, mas vale a pena ler até o final.

BALA NA CESTA: Qual a sua avaliação destes primeiros meses no time de Franca e qual a sua projeção para o restante da temporada 2012/2013 no NBB?
LULA FERREIRA: Quando recebi o convite da diretoria do Franca Basquete para realizar uma renovação na equipe principal, alguns fatores pesaram para aceitar este enorme desafio: qualquer técnico gostaria de dirigir uma equipe de enorme tradição, o desafio de revelar novos jogadores e torná-los ídolos da fanática torcida francana, e integrar as categorias de base que são geridas por entidades diferentes (ASPA de 12 a 15 anos/ SESI de 16 e 17 anos/ Franca Basquete no Sub 19 e adulto). Outro fator fundamental foi a confiança que a diretoria depositou no meu trabalho e a visão de que esta missão demanda tempo e muito trabalho. As diretrizes básicas traçadas junto com a diretoria, além de envolver uma confiança mútua, também preveem um trabalho a longo prazo. Colocamos que o Campeonato Paulista seria a competição para formamos uma equipe, e dar a este time o número de jogos necessários para o entrosamento e amadurecimento. É muito difícil quantificar o tempo que a equipe vai precisar para chegar no ponto ideal para atender o objetivo de todos, que é ter uma equipe que dispute os títulos de todos os campeonatos que jogar. O importante é ter uma evolução diária para atingir o ponto ideal, e creio que isto está ocorrendo, pois os jovens talentos estão cada dia mais seguros e produtivos, e os jogadores mais experientes dando total cobertura para esta evolução. O objetivo da equipe no NBB 5 é chegar no G-4. Sabemos que para atingir esta meta é preciso uma campanha com cerca de 70% de vitórias, uma marca dificílima de ser atingida, mas compatível com a tradição da cidade, e isto o time tem que absorver. Por enquanto estamos dentro da meta, mas ainda temos um longo caminho pela frente.

BNC: Pelo que leio, a recepção que você teve na cidade foi muito boa, não havendo resquícios da grande rivalidade entre Franca e Ribeirão Preto, seu ex-clube. Esperava que fosse ser assim?
LF: Em toda minha carreira de técnico sempre fui tratado com respeito pela torcida e pela imprensa de Franca. É claro que devemos separar as atitudes do torcedor durante os jogos. A torcida sempre tenta tirar o controle emocional de jogadores e técnicos adversários através de manifestações diversas, mas isto é compreensível e não é pessoal. Tenho recebido um tratamento excelente de torcida e imprensa local. Mas sei respeitar qualquer manifestação contrária destes dois segmentos importantes da cidade, se isto vier a acontecer. Em relação a rivalidade com Ribeirão Preto, ainda é um sentimento muito forte, que ficou pelos longos anos de disputa ferrenha, e que sempre resultou no Pedrocão lotado e fervendo.

BNC: Voltando um pouco: vocês fizeram um Paulista muito bom, mas caíram para São José no quinto jogo (depois de estarem perdendo por 0-2) na última bola (chute do Jefferson Willian que você tão bem conhece) após um erro do seu time no minuto final. Aquele revés ainda dói em vocês? E até que ponto ter perdido aquele jogo foi salutar para que a equipe amadurecesse, ganhasse força para começar tão bem o NBB (7-3)
LF: A dor de uma derrota, nas circunstâncias que ocorreu, sempre ficará na memória, mas o importante é tirar as lições que ela traz. Diz o ditado que quem apanha nunca esquece. Toda equipe só amadurece sangrando, e neste caso não foi diferente. Acredito que na curta história do atual elenco esta derrota foi um divisor de águas, pois mostrou por um lado que a equipe tem força e capacidade, e por outro que o caminho até o objetivo final ainda está muito distante. Já revi o final do jogo muitas vezes e em todas elas vêm a ilusão de que a bola do Jefferson não vai entrar. Mas é apenas um desejo que nunca se concretizará.

BNC: Você está trabalhando no mais tradicional clube de basquete do país em um projeto de renovação. Como tem sido este trabalho, e até que ponto o título do juvenil contra o Paulistano representa que as coisas estão sendo bem feitas por aí?
LF: Uma das tarefas fundamentais do projeto é o alinhamento das categorias de base. Temos em Franca três entidades distintas que cuidam do basquete: a ASPA (uma associação de pais) cuida das categorias de 12 a 15 anos, o SESI cuida das categorias Sub-16 e Sub-17 e o Franca Basquete cuida do Sub-19, Sub-22 e adulto. Embora sejam entidades diferentes estamos fazendo um alinhamento do trabalho de formação. Criamos um Grupo Especial, que é composto pelos melhores jogadores, a partir do Sub-15, que treinam com a comissão técnica do adulto duas vezes por semana e são indicados pelos seus respectivos técnicos. Eles têm que cumprir todas suas obrigações dentro de suas categorias, inclusive as escolares, para terem o direito de participar deste grupo. Quando o time adulto joga em Franca, dois jogadores deste grupo são escolhidos para acompanharem a preparação do jogo do adulto: aquecem junto com a equipe, ouvem a preleção no vestiário e depois vão assistir o jogo. É uma forma de conviver com os jogadores mais experientes e despertar o gosto pela continuidade da carreira. Temos também a participação dos técnicos da base nestes treinos, para que todos nós tenhamos a mesma filosofia de jogo, respeitando as características de desenvolvimento de cada idade. Outro fator que cuidamos com atenção é a carga de treino de cada atleta, procurando respeitar que a soma total de todos os treinos semanais seja compatível com a capacidade de cada atleta. Procuramos seguir um critério como os créditos de um estudante universitário, que tenha uma carga horária mínima e uma máxima a ser cumprida na semana, independente em qual categoria ele ira realizar os treinamentos. Este projeto tem sido muito proveitoso na formação de novos talentos e o título de campeão da Sub-19 (com28 vitórias em 29 jogos) só veio confirmar o bom trabalho realizado na base, que tem o Paulão Berger como técnico (um dos assistentes do adulto) e a utilização de oito desta categoria no adulto. Outro fator que considero de suma importância para o bom andamento do projeto é a integração dos técnicos: os dois assistentes do adulto são técnicos das categorias coladas ao adulto (Paulão no Sub-19 e Sub-22 e o Pablo Costa na Sub-17). Além disso, o preparador físico Fulvio Ventura coordena todo o trabalho no desenvolvimento físico destes atletas selecionados. Este fator, além de dar unidade ao trabalho, facilita o "trânsito"dos jogadores de uma categoria para a outra. Parti da teoria que o trabalho de base em Franca é de ótima qualidade, e fazendo uma boa integração entre as partes em pouco tempo poderemos ter 80% da equipe adulta constituída por jogadores formados em Franca. No atual elenco do adulto já temos oito de 16 formados pelas categorias de base.

BNC: Sei que o projeto aí é de longo prazo, mas pra torcida exigente como a de Franca só participar não vai funcionar muito, creio que concorda comigo. Como fazer para transformar um time jovem e talentoso em uma equipe vencedora em pouco tempo? É possível com este elenco, ou reforços de peso precisarão vir?
LF: Eu tenho plena consciência de que a partir da próxima temporada o torcedor vai querer ver a equipe disputando títulos. Esta também é a aspiração dos jogadores e comissão técnica. Portanto antes da cobrança da torcida, nós mesmos, jogadores e comissão técnica, iremos cobrar esta performance. Sabemos que não é uma tarefa fácil, mas acreditamos demais no elenco que constituímos, com um tripé de sustentação com Figueroa, Theichman e Jhonathan, que ajudam no crescimento dos jovens. Estes atletas jogam para o time e pelo time, e isto é um grande passo na formação de uma equipe forte. Temos plena certeza que a filosofia de jogo é coletiva, e não ter a necessidade de jogadores que polarizam o jogo. É uma forma de pensar que talvez demore um pouco mais para dar certo, mas que com certeza deixa raízes mais profundas. A frase que está escrita no vestiário da equipe, para lermos todos os dias é "nenhum de nós é melhor que todos nós". Nada melhor do que isto para retratar o espírito que Franca sempre teve: defesa forte, contra-ataque fulminante e ataque armado na base do talento coletivo. É dentro desta filosofia que estamos trabalhando. Claro que estamos no início do NBB 5, mas nos orgulhamos de ter a melhor defesa, a melhor recuperação de bola e o melhor toco do campeonato. Estes indicadores mostram que a base do nosso jogo é uma boa defesa, que por sua vez viabiliza bons contra-ataques, e ter um ataque de 5×5 organizado. Temos uma boa distribuição nos arremessos e sabemos que nossa força vem da defesa e não do ataque. Acreditamos muito no elenco que constituímos e vamos trabalhar duro para a evolução e melhoria destes jogadores escolhidos. Não usaremos o formato convencional de contratar jogadores já consagrados.

BNC: Queria que você falasse sobre dois jovens atletas de modo específico. Técnico não gosta muito de analisar individualmente atleta, mas queria que você analisasse Lucas Mariano (foto à esquerda) e Leonardo Meindl, duas das grandes revelações que já atuam no time adulto.
LF: Uma das coisas que pedi à diretoria do Franca Basquete, na reunião de planejamento, é que estes dois atletas fossem considerados jogadores da categoria adulta, com boas perspectivas de serem titulares, embora fossem Sub-19 em 2012. São dois jovens talentos do basquete brasileiro, com condições de aspirarem uma seleção brasileira nas Olimpíadas de 2016. Estão trabalhando duro com este objetivo e terão que ter um bom desempenho na equipe adulta, pois para chegar lá é preciso atuar de forma eficiente em clube. O Lucas é um pivô alto, forte, muito rápido e com boa coordenação de movimentos. Possui um bom arremesso de dois pontos, nas proximidades do garrafão e melhorou muito seu rebote, que no campeonato paulista não foi satisfatório. Ainda necessita evoluir muito nos conceitos de defesa. O Léo é um lateral inteligente e habilidoso, tem um bom arremesso de dois e três pontos e sabe penetrar muito bem. Precisa de um amadurecimento físico pra aguentar os contatos do basquete atual, mas tem uma grande qualidade: é um líder nato. É o capitão das equipes Sub-19 e Sub-22, e mostrou muita personalidade na equipe adulta. Claro que ambos precisam percorrer um longo caminho até serem jogadores de primeira linha, mas possuem qualidades para lutar por isto. Hoje são peças importantíssimas na elenco da equipe adulta.

BNC: Falando sobre o basquete brasileiro de um modo geral, e até por você ter sido Gerente Técnico da Liga Nacional, concorda comigo que o nível dos jogos aqui ainda está um pouco abaixo do que vemos, por exemplo, na Liga Argentina? Como fazer para que a parte técnica e tática evoluam mais rapidamente? É possível isso ou é um processo demorado mesmo?
LF: Que o processo é demorado eu não tenho dúvidas, mas a curta história do NBB mostra que há uma evolução satisfatória. Reconheço que ainda temos um caminho longo e difícil caminho a ser percorrido, mas quando a credibilidade da modalidade foi restabelecida, o cenário para o desenvolvimento melhorou muito. Cada entidade fazendo bem sua parte, e havendo uma sintonia nas ações, os resultados irão aparecer. Hoje quem quiser ser campeão do NBB5 certamente terá que evoluir técnica e taticamente em relação ao NBB4. As mesmas estratégias que deram certo na temporada anterior com certeza não serão suficientes para o sucesso nesta. Hoje temos mais postulantes ao título, mais equipes em condições de ficarem no G4, no G8, e uma briga ferrenha para não ocupar a 17ª e 18ª posição, que obrigará as equipes a disputarem uma vaga com os vencedores da Super Copa Brasil. Este é um cenário de evolução que será muito benéfico para o desenvolvimento técnico e tático. Outra medida importante que a LNB adotou no NBB5, e que abre portas enormes para as análises técnicas e táticas, é que todos os jogos realizados são lançados num arquivo virtual com acesso para todos os técnicos. Isto viabiliza, para todos os treinadores, a oportunidade de estudar seu adversário acessando os jogos da última rodada. Outro fator de evolução é a melhoria de praticamente todas as equipes, desde as que disputam as primeiras colocações até as estreantes no NBB. Vários jogadores de peso sendo contratados, muitos talentos sendo repatriados, estrangeiros de bom nível sendo contratados e, o mais importante, jovens brasileiros assumindo o papel de protagonistas em equipes importantes. Acredito que é uma questão de tempo e teremos uma boa evolução técnica e tática no NBB. Claro que precisamos de outras ações, pois o NBB trabalha com a elite da modalidade, e o trabalho de base é fundamental. Vamos precisar muito que ENTB continue no seu projeto de formação dos técnicos, e que cada entidade do esporte, ministério, COB, Confederação, federações, secretarias estaduais e municipais façam sua parte e se integrem para um trabalho harmonioso. E todos nós, militantes da modalidade, temos obrigações a cumprir, e a primeira delas é fazer o que está ao seu alcance e não ficar esperando que alguém faça por nós.

BNC: Outro ponto interessante: concorda comigo que as defesas aqui no Brasil estão em um nível de combatividade muito ruim? Os ataques aqui jogam muito soltos, tranquilos.
LF: Não é muito fácil mudar um estilo de jogo, e hoje o basquete internacional exige uma defesa forte para qualquer clube ou seleção ter alguma chance de êxito. Esta é uma responsabilidade de todos: técnicos, jogadores e árbitros, podendo incluir também os dirigentes e imprensa. Mudar uma cultura requer um esforço conjunto de todas as partes envolvidas. Precisamos dimensionar que entre pensar de uma forma, e fazer isto acontecer vai uma distância muito grande. Acredito que boa parte dos técnicos brasileiros pensam assim, mas para que isto resulte em resultados práticos leva um certo tempo. A boa defesa envolve um contato físico que fica no limite da falta, e conviver com isto é uma obrigação de todos, inclusive dos árbitros, para que passamos marcar no limite da falta. Claro que técnicos e jogadores também devem atuar sem reclamar deste cenário, sabendo lidar técnica e taticamente com isso. Vamos valorizar também os bons marcadores, para que eles recebam o mesmo tratamento dos bons atacantes, para que os dirigentes (salário) e que a imprensa (com matérias e entrevistas) os valorizem assim. Todos os envolvidos têm sua parcela a realizar, pois como diz um ditado espanhol "falar de touros é uma coisa, entrar na arena é outra". É só lembrar quem entra na arena…

BNC: Sobre seleção brasileira, pra fechar: você saiu do cargo de técnico da equipe nacional e logo depois vieram dois estrangeiros (Moncho e agora o Rubén Magnano). Como você tem avaliado o trabalho do Magnano e como você acha que os técnicos brasileiros estão atualmente? Aquela crítica antiga, de que são atrasados, ainda é uma verdade, ou virou clichê?
LF: Quando saí da seleção em 2007 o então presidente Grego comentou comigo que estava pensando em contratar um técnico estrangeiro para comandar o trabalho seleção. Disse que era uma ideia diferente pois nunca tinha sido executada, mas que precisaria ser um nome que não deixasse margem de discussão. Falei para o presidente, como mera sugestão, que o nome ideal seria o de Ruben Magnano, que havia formado uma grande seleção na Argentina. Como na época ele estava no basquete italiano, a opção passou a ser o Moncho Monsalve. Todo trabalho em seleção fica norteado pelas circunstâncias específicas que compõem o cenário na época da convocação, treinamento e competição. O Moncho veio com a função de mudar um estilo de jogar, e trazer para o Brasil um pouco do conceito europeu de praticar o basquete. O tempo em seleção é algo determinante para poder se alcançar os resultados esperados e penso que o Moncho se apoiou em alguns atletas que ele conhecia melhor, tentando conter um pouco o ímpeto ofensivo brasileiro. Conquistou em 2008 a Copa América, como havia sido conquistada na gestão anterior, e não conseguiu classificar o Brasil para as Olimpíadas no Pré-Olímpico mundial de 2009, como havia acontecido na gestão anterior. Na continuidade do trabalho, foi mudado o comando da CBB, que optou pela continuidade de um técnico estrangeiro, no caso o Magnano. O cenário do trabalho colocava a geração em cheque, já que após alguns anos o time já havia atingido uma maturidade importante para as competições internacionais. Houve uma grande evolução de alguns jogadores, especialmente na posição de armador com o protagonismo do Marcelinho Huertas. Não havia mais a "nuvem negra" que até então pairava na cabeça da CBB, que era responsabilizada por tudo de ruim que acontecia, tendo ela culpa ou não. Subia o dólar, era culpa da CBB. Havia enchente em uma região, era culpa da CBB. Neste clima qualquer trabalho era dilacerado por um ambiente altamente desfavorável para a entidade e para todos que dela participavam. Outro fator que na minha opinião ajudou a melhorar demais as condições de trabalho foi a criação do cargo de diretor de seleções do masculino, ocupado pelo competente Vanderlei, que facilitou demais as funções da comissão técnica. Outro fator absolutamente determinante foi a não participação dos Estados Unidos no Pré-Olímpico das Américas. A participação de todos os atletas convocados, o bom planejamento de preparação, o comprometimento de todos os envolvidos aliados à inquestionável capacidade de comando do Magnano foram determinantes para a conquista da vaga olímpica e a boa participação em Londres. Em relação aos técnicos brasileiros acredito que temos o mesmo quadro que em qualquer outra profissão: ótimos profissionais com enorme capacidade de produção e outros que não possuem tantas condições. Por ser uma profissão exposta à opinião pública, o trabalho é julgado por pessoas que sequer possuem capacidade e embasamento para realizar este procedimento, julgando obviamente pelo resultado alcançado, exclusivamente pelo resultado. É inegável que há uma forte tendência de se qualificar como muito melhor qualquer profissional que fale espanhol ou inglês, pelo simples fato de ser estrangeiro, o que me parece algo equivocado. Os técnicos estrangeiros que militaram em clubes brasileiros não conquistaram nenhum título, o trabalho não resultou em continuidade, nem no mesmo clube ou outro, e estes fatores não são nem cogitados nas análises realizadas. Em contrapartida, técnicos brasileiros que formam pólos de desenvolvimento do basquete, ou mudam o perfil de equipes de ponta do basquete brasileiro, como vemos claramente em equipes do NBB, não recebem o mesmo destaque por parte de quem julga. Nós, técnicos brasileiros, temos enormes defeitos e vícios que devemos correr atrás para melhorarmos, mas há um enorme problema na forma que somos analisados. A tecnologia atual melhorou enormemente muita coisa, mas também viabilizou a possibilidade de qualquer interessado fazer análises profundas apenas sentado a frente do computador, sem ao menos sentir as condições reais do campo de trabalho e dos jogos.

BNC: Pra fechar mesmo, então, vou repetir a pergunta que fiz ao Giovannoni: como você tem sentido o basquete brasileiro atualmente? Melhorou com o NBB, mas ainda falta muita coisa para popularizar o esporte no país?
LF: É evidente que ainda falta muita coisa, mas o importante é por o pé na estrada e caminhar, tomando o cuidado para sempre estar ajustando o rumo para seguir no caminho certo. Penso que a LNB veio com uma proposta diferente do que havia até então, e esta é uma conquista que jamais deverá ser abandonada pelos que militam no basquete. A popularização do basquete é um compromisso de todos, que não pode, e não deve, ser individualizado, nem no trabalho a ser realizado e muito menos nas eventuais conquistas alcançadas.

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