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Bala na Cesta

Brasil supera nervosismo do começo e vence a Austrália na estreia olímpica

Fábio Balassiano

29/07/2012 09h03

Foi um começo nervoso, nervoso pacas. E realmente era esperado. Dezesseis anos depois, o basquete masculino brasileiro voltava às Olimpíadas, e a ansiedade bateu forte. Mas ao contrário dos Jogos de Los Angeles (1984), quando perdeu na estreia para a Austrália por 76-72, a seleção de Rubén Magnano venceu os australianos com muito sofrimento por 75-71 e começou bem nas Olimpíadas de Londres. Vamos a alguns pontos (primeiro coletiva e depois individualmente).

1) É óbvio que vencer é o mais importante sempre. Vencer jogos apertados ainda mais (trauma antigo, vocês devem se lembrar disso). Vencer jogos apertados em estreia olímpica, excelente. Mas o Brasil fez uma partida muito ruim. Na verdade, a Austrália também. Foram 34 erros somados e 6/37 dos três pontos, o que fala por si só sobre a qualidade do espetáculo. A grande diferença é: a seleção de Rubén Magnano briga por medalha. Os australianos, não. E se quiser brigar por medalha, vai ter que evoluir muito. Foi a estreia, tem muita coisa pelo caminho, mas abriu a caminhada olímpica com um jogo ruim. Venceu um jogo ruim. Ponto.

2) Confesso não entender algumas alterações de Rubén Magnano. Hoje, Marcelinho Machado (falarei sobre ele posteriormente) teve 15 minutos. Marquinhos, 11 (o ala, ex-Pinheiros, sem confiança alguma, não TENTOU nenhum chute). Quando a vantagem brasileira atingiu 13 pontos no meio do terceiro período, Magnano trocou Nenê por Caio Torres (!!!!), Leandrinho (em seu melhor momento) por Marquinhos, Huertas por Larry Taylor (!!!!) e mudou a defesa (de individual pra zona). A vantagem caiu de 13 para cinco (levou oito pontos seguidos) em dois minutos, os australianos cresceram e os que saíram tiveram que voltar rapidinho. No final da partida, a formação brasileira contava com Huertas, Alex, Machado, Giovannoni e Splitter. Marquinhos, Nenê, um dos melhores em quadra, e Varejão, ficaram no banco. O cara é campeão olímpico, entende mais de basquete do que nós aqui, mas neste domingo ele teve uma jornada pra esquecer. Dá pra explicar?

3) Apesar de ter levado apenas 71 pontos, a defesa do Brasil não foi ótima como vinha sendo. Marcelinho Huertas foi batido por Patrick Mills e Matthew Dellavedova, a cobertura demorou demais a chegar e a marcação do perímetro não foi boa (principalmente no final). O aproveitamento australiano foi terrível (18% de fora), mas contra uma seleção mais qualificada isso pode ser preocupante.

4) Não gosto de falar de arbitragem, mas deixo um pito aqui para o trio formado Guerrino Cerebuch (ITA), William Gene Kennedy (EUA), Christos Christodoulou (GRE). O que eles fizeram hoje foi tenebroso, de verdade. Cinquenta faltas apitadas, anti-desportivas ridículas, compensações sem sentido. Terrível.

5) Sobre a parte individual, vamos lá. Leandrinho começou o jogo terrivelmente, levou uma bronca de Magnano e melhorou. Continuou com seu jogo de risco (não curto), mas as bolas começaram a cair (prefiro sempre analisar a 'causa' da ação ofensiva e não o resultado dela). Terminou com 16 pontos, mas cometeu erros cruciais no final que poderiam ter custado a vitória. Um quando chamou para o mano-a-mano o australiano (sendo que seu jogo flui melhor quando alguém arma a jogada pra ele). Outro, quando cometeu uma falta de ataque na saída de bola (isso tudo quando faltavam 60 segundos). Está claro: Leandrinho toma decisões equivocadas quase sempre quando tem a bola em suas mãos, não é jogador de decisão, e deixar a bola em suas mãos quando o cronômetro estiver apertado é um erro. Deixá-lo em quadra, na verdade, pode ser um grande erro. Que sirva de lição.

6) Quem seguiu jogando muita bola foi Marcelinho Huertas. Elogiado por Marc Stein (analista da ESPN) e Anthony Parker (ala da NBA), o armador teve 15 pontos, dez assistências e quatro rebotes em sua estreia olímpica (números de gente grande!). Teve problemas, é verdade, quando foi marcado por Dellavedova no começo, mas voltou bem do intervalo e passou a comandar as ações. Ele está em um nível de basquete sensacional!

7) E o que falar de Nenê Hilário? Jogou pouco tempo (21 minutos), mas teve oito pontos, sete rebotes e dois tocos sensacionais, além de uma defesa monstruosa no garrafão. Ganhando ritmo de jogo, será uma arma ainda mais poderosa para a seleção brasileira. Também nos pivôs: Anderson Varejão foi um monstro nos rebotes ofensivos (quatro), pontuou bem (12) e mostrou muita luta. Já Tiago Splitter não arremessou bem (2/10) e falhou demais nas rotações defensivas.

8) Pra fechar: o que falar de Marcelinho Machado? O cidadão tem 37 anos e ainda não consegue entender o jogo de basquete. Chutou dez bolas, errou oito e continuou com sua tara (deve ser alguma patologia…) nos três pontos (errou sete de suas oito tentativas). Seu jogo não encanta, não dá resultado em alto nível internacional e sua falta de capacidade de leitura de jogo para decidir o que fazer com a bola assusta, assusta muito. Pelo bem da seleção, que Magnano corte seus minutos nos jogos importantes. Há jogadores mais capacitados para ganhar minutos no elenco.

Na terça-feira, às 12h45, é a vez da Grã-Bretanha, a dona da casa, e nova vitória é fundamental para chegar ao duelo contra a Rússia, um dos mais difíceis nesta Olimpíada, sem derrota. Viu o jogo? Gostou? Comente!

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