A minha análise sobre o jogo 7 entre Miami e Boston neste sábado
A esta altura, você, apaixonado por basquete que é, sabe que o Miami Heat venceu o Boston Celtics na noite de ontem por 101-88, faturou o Leste pela segunda vez seguida e enfrentará o Oklahoma City Thunder a partir de terça-feira na final da NBA (promete ser um ótimo duelo, e vale lembrar o formato, diferente de todo playoff – 2-3-2, com mando de quadra do OKC). Mas vale a pena falar taticamente sobre o duelo de sábado. Vamos lá.
O Boston Celtics tinha um plano de jogo: tirar os touches (oportunidades de pontuação) de LeBron James de qualquer maneira. Pudera. Depois do magnífico jogo 6, deixar que LBJ começasse quebrando tudo seria abrir a guarda para a vitória fácil do Miami Heat.
Na defesa, linhas de passe fechadas, Brandon Bass no camisa seis, caminho para a cesta recheado de homens verdes, todas as rotações convergindo para LeBron sem o menor pudor e faltas para queimar. Por isso o espaço para Shane Battier (brilhante no posicionamento pós-rotação do Boston) desferir os quatro chutes sem marcação que mantiveram os Heat na partida enquanto Wade e LeBron estavam "calmos".
Foi assim que o Boston comandou as ações até o terceiro período. Foi uma baita estratégia, de verdade. LeBron tinha 1/9 nos arremessos de quadra (sem contar as infiltrações), não conseguia envolver seus companheiros como no jogo 6 (estava sem assistência até o relógio marcar nove minutos para o fim) e o domínio do jogo não estava em suas mãos. Doc Rivers merecia um prêmio pela estratégia. Mas isso não suficiente para os verdes.
E não foi suficiente porque no esporte pernas, juventude e talento ainda fazem a diferença. Mais jovens, os Heat tiveram fôlego para correr, cobrir e defender muito no último período (28-15), contaram com uma atuação exuberante de seu trio (Dwyane Wade teve nove pontos, Chris Bosh, recuperado de contusão, marcou oito de seus 19 e foi decisivo demais com duas bolas de três pontos e LeBron, confortável com o andamento das coisas e com a participação de seus companheiros – foi maduro para esperar as melhores oportunidades portanto – saiu-se com 11). Ou seja, dos 28 pontos do Miami no quarto derradeiro da série, a santíssima trindade da Flórida anotou TODOS, mostrou força e levou o time ao bicampeonato do Leste.
Faltou perna ao Boston, que, sem banco de reservas, não conseguiu descansar Kevin Garnett para metade final do quarto período, e viu Paul Pierce e Ray Allen, também cansadíssimos, errarem demais (os verdes chutaram 3/12 nos oito minutos derradeiros). Rajon Rondo bem que tentou, mas não conseguiu guiar o time à decisão (tomou decisões erradas demais) e foi deselegante ao extremo ao sair de quadra antes do estouro do cronômetro sem dar um abraço em seus rivais. Mas, obviamente, o Miami não tem nada a ver com a falta de elenco e idade do adversário e fez o seu papel.
Ainda não vou analisar aqui a decisão da NBA (virá em outro post), mas está muito claro que o Miami Heat é um time bem diferente daquele que perdeu para o Dallas na final de 2011. Não em termos táticos (o sistema ofensivo ainda é muito individualizado e previsível), mas na maturidade de seus principais atletas.
Sobre LeBron James, só uma coisa a dizer: foi a melhor série de playoff de sua vida. Dá só uma olhada nos números: média de 33,6 pontos, 11 rebotes, 53% nos chutes, seis jogos com 30 ou mais pontos (no outro ele teve 29), o jogo da eliminação em Boston com 45-15-5 e 11 pontos no último período do jogo 7. Tá de ótimo tamanho, não? Acho que o cara realmente chegou lá, cresceu, está pronto para o que vier.
O Miami bateu um grande adversário, mostrou força, cabeça e muita confiança para sair de um 2-3 e virar a série, e as lições do duelo contra os Celtics sem dúvida serão usadas contra o Oklahoma.
E aí, concorda com a análise? Caixinha aberta para o debate!
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