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Bala na Cesta

Antes tarde do que nunca: um parabéns a Paulo Chupeta, do Flamengo

Fábio Balassiano

03/01/2012 11h38

No dia 29 de dezembro, Flamengo e Bauru (Campinas?) fizeram a final da Liga de Desenvolvimento Olímpico no Rio de Janeiro. Foi um jogo bem agradável, bem agradável mesmo, e houve um momento emblemático: no começo do último período, os paulistas venciam o rubro-negro, que contava com boa torcida no Tijuca, por dez, 11 pontos. O técnico dos cariocas pediu tempo, viu metade de seu time com a cabeça baixa (entre eles Fred, o Varejinho, Duarte, a estrela da companhia) e soltou um singelo: "O jogo não acabou, pô. Podem levantar a cabeça e ir lá jogar. Confiem em vocês que vai dar tudo certo".

O técnico em questão é Paulo Chupeta (foto), o cidadão que levou o Flamengo aos maiores títulos no basquete nos últimos anos (bicampeão nacional e campeão da Liga Sul-Americana). Destituído do cargo de treinador do time principal por conta de problemas de relacionamento com os cardeais do elenco (inacreditável que isso ainda aconteça, hein!), não se opôs quando lhe propuseram ficar com as divisões de base do clube e, depois, dirigir os meninos na Liga de Desenvolvimento Olímpico.

Chupeta foi o que sempre foi – com meninos ou estrelas. Calmo, simples (não é simplório), paciente, supersticioso, religioso (devoto de São Jorge) e bom no que faz. Foi Chupeta que colocou Ricardo Bampa, autor de oito pontos nos últimos três minutos e responsável pela cesta da vitória. Foi Chupeta que colocou Felipe Ranieri, apagado no quadrangular até o dia 29 para matar uma bola de três pra lá de decisiva no fim. Foi Chupeta que pediu calma para seu armador, Gegê, que chutou cinco vezes sem passar nenhuma vez no ataque (quando ouviu seu comandante, deu oito de suas 11 assistências no segundo tempo). Como se vê, deu certo para o Flamengo (vitória por 70-68 e troféu para a Gávea), deu certo para Chupeta, que saiu festejado e como sempre tranquilo do ginásio.

Chupeta tem estilo próprio, tem personalidade e está longe de tentar parecer o que não é (como a gente cansa de ver no basquete, no futebol e na sociedade). Faz o dele, faz bem feito e merece os elogios por mais uma conquista. O técnico tem a cara do Flamengo, e acho, sinceramente, que o clube deveria valorizá-lo pelo que fez, faz e continuará fazendo pelo clube.

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