Bala na Cesta

Arquivo : Raulzinho

Armador Raulzinho também estará no Draft da NBA deste ano – será uma boa pra ele?
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Fábio Balassiano

Foi confirmada ontem a informação que o armador brasileiro Raul Togni Neto, o Raulzinho, estará no Draft da NBA nesta temporada (além dele, Lucas Bebê, pivô do Estudiantes, também vai tentar ser escolhido). Atualmente no Gipuzkoa BC, na Espanha, ele terá concorrência grande para chegar a seu sonho, mas está confiante:

“Participar do Draft vai ser uma experiência muito boa, sei que não é fácil ser escolhido, pela qualidade e pela quantidade de atletas que estarão lá, mas quero aproveitar ao máximo os treinos antes para melhorar, para evoluir”, afirmou através de sua assessoria.

Assim como há a dúvida se Lucas Bebê será, ou não, escolhido por algum time da NBA e se é o melhor momento para tentar ser “pescado” por alguma franquia da melhor liga de basquete do mundo, a pergunta permanece para Raulzinho, armador revelado pelo Minas (ele é filho do bom técnico do time principal de lá, diga-se de passagem) e que está há dois anos jogando, com constância, em um time de primeira divisão na Espanha. Antes de responder às perguntas, vamos a todos os números de sua carreira:

Acho que está clara a evolução de Raulzinho, não? Os números estão aí, e a experiência também pesa a seu favor (são dois anos jogando na Espanha, uma Olimpíada, um Mundial Adulto em 2010, na Turquia, três anos no NBB e um Mundial Sub19 nas costas). Não parece, mas é coisa pra caramba para alguém que ainda vai completar 21 anos. É óbvio, também, que seu jogo precisa de ajustes na defesa e nos passes e que seu físico precisa ser lapidado, mas seu talento é muito, muito grande – e já vem sendo olhado pelos norte-americanos desde que, junto com Lucas Bebê, ele brilhou na Copa América de 2011, quando o Brasil ficou com o vice-campeonato (perdeu a final contra os norte-americanos).

A concorrência no Draft deste ano é imensa, fortíssima, para as posições “de baixo” (armadores, ala-armadores e ala), dando um pouco de preocupação no que acontecerá com Raulzinho. Mas vale dar uma olhadinha para o que está acontecendo com seu time na Espanha também. O Gipuzkoa está em penúltimo e praticamente rebaixado à segunda divisão do basquete local. Só um milagre impede o time basco de ser rebaixado. Ou seja: caso opte/optasse por permanecer por lá, o brasileiro acabaria jogando em uma divisão menos forte, com menos chance de evolução.

Por isso acho salutar que, assim que acabar sua temporada na Espanha, ele pegue um avião, passe em Belo Horizonte, coma um pão de queijo para recuperar as forças e se mande rapidamente para os Estados Unidos, a fim de treinar forte e ser visto/analisado/monitorado pelas franquias da NBA.

Pelo que conversei rapidamente, ele tem chances razoáveis de ser escolhido no final da primeira rodada. Lá estão, atualmente, o alemão Dennis Schroeder (12 pontos, 3,2 assistências e 2,5 rebotes na liga alemã) e o norte-americano Erick Green, que teve 25 pontos de média em Virginia Tech. Caso “escorregue”, acho que na segunda rodada ele possui ótimas chances de ser escolhido por uma franquia grande e, quem sabe, passar um ano na Europa ou na D-League aprendendo. Conhecendo o rapaz, maduro e focado pra caramba, está claro que ele vai lutar para que isso aconteça com todas as forças – e eu não duvido que ele consiga.

E aí, concorda comigo? Raulzinho faz bem em tentar o Draft desse ano? Será que ele consegue uma vaga na NBA? O que você acha? Comente!


Ótimas notícias do fim de semana: os brilhos dos armadores Raulzinho e de Scott Machado
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Fábio Balassiano

Foi, sem dúvida, um ótimo fim de semana para os brasileiros. Ainda sem o NBB, o olhar fica focado na Espanha, cuja temporada já termina a sua terceira rodada, e na NBA, cujos jogos de pré-temporada animam os mais fanáticos. Na Liga ACB, Paulão foi bem com 12 pontos e quatro rebotes, Vitor Faverani esteve discreto com oito pontos e sete rebotes e Lucas Bebê ganhou e aproveitou seus 16 minutos (sete pontos, cinco rebotes e dois tocos). Na liga norte-americana, Tiago Splitter e Anderson Varejão ganham ritmo a cada dia em Spurs e Cleveland.

Mas ninguém chamou mais a atenção do que os armadores Raulzinho e Scott Machado. Cada um a seu modo, os dois foram muito bem pelo Gipuzkoa Basket Club e pelo Houston Rockets. Embora com derrota de seus times no final, ambos foram muito, muito bem.

Com 19 pontos (sua maior pontuação desde que chegou a Espanha ano passado), nove rebotes e quatro assistências em quase 35 minutos de quadra, o agora titular Raulzinho teve o terceiro melhor índice de eficiência da rodada espanhola com 29. Na liga, após três rodadas, ele tem 13,7 pontos, 3,7 assistências, 4,4 rebotes e 16,7 de eficiência (está entre os 20 melhores neste quesito).

No Texas, Jeremy Lin amassou o aro do San Antonio Spurs (1/10) e viu seu reserva roubar a cena. Scott Machado foi muito elogiado pela imprensa local, saiu-se com nove pontos e incríveis 11 assistências em menos de 23 minutos de atuação e prova, a cada dia, que tem potencial para ficar no time do Houston Rockets por toda a temporada 2012-2013. Tal qual aconteceu na Liga de Verão, Scott começou devagar, ainda tímido, mas aos poucos tem ganho confiança para arriscar mais e tentar seus passes. O resultado é que seu basquete tem fluído e seu desempenho, muito elogiado.

Como se vê, os pivôs e agora os armadores brasileiros têm ido muitíssimo bem neste começo de temporada (esqueci de listar lá em cima, mas Marcelinho Huertas, o melhor em atividade há algum tempo, saiu-se com 14 pontos e sete assistências ontem). Daquela lista imensa de pivôs que publiquei aqui semana passada, coloquemos os três armadores que estão acima da média (Huertas, Scott e Raulzinho).

Faltam os alas e Rubén Magnano já tem praticamente um seleto grupo de convocáveis para o próximo ciclo olímpico sem tanto trabalho assim.


Com muita concorrência, Marcelinho Huertas terá temporada importante e difícil no Barcelona
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Fábio Balassiano

Começou ontem a Liga Espanhola, e hoje alguns jogos já rolaram. Titular, Raulzinho teve 12 pontos e três assistências na derrota para o Joventut Badalona (números aqui), Lucas Bebê teve nove minutos, cinco pontos e dois rebotes na ótima estreia do Estudiantes (aqui estatísticas), Paulão jogou seis minutos na vitória do Gran Canarias e Vitor Faverani teve oito pontos e 12 rebotes (20 de eficiência) no triunfo do Valencia. Mas o nome que mais chama a atenção entre os brasileiros na Espanha é o de Marcelinho Huertas.

Melhor jogador brasileiro atuando na Europa na atualidade, ele jogou foi o jogador mais aplaudido pelos 3.700 torcedores que foram ao Palau Blaugrana. Sua cesta milagrosa (reveja aqui) contra o Real Madrid na final da temporada passada ainda tem eco, mas em quadra o que se viu foi um Barça ainda hesitante. O time perdeu para o mediano Valladolid, ex-time de Oscar Schmidt, por 78-71, e Huertas teve seis pontos, três assistências e -4 de eficiência jogando 28 minutos.

Num primeiro momento, nada a se preocupar, mas eu confesso estar ansioso para saber como será a divisão de minutos de Xavi Pascual para a armação, posição que tem, além do brasileiro, o queridinho da torcida Victor Sada e o ídolo Sarunas Jasikevicius (que hoje não jogou). Pragmático ao extremo, Pascual certamente terá uma média para cada um de seus três bons armadores, mas obviamente só saberemos ao longo da temporada.

Meu único temor é que Huertas, que terminou a temporada de clubes e de seleções tão em alta (todos lembram dos rumores sobre uma possível ida para a NBA), perca um pouco de espaço justamente por causa desta concorrência absurda que há no Barcelona. Ele tem muito mais talento que Sada e obviamente mais pernas que o veterano Sarunas, mas não será fácil convencer Pascual que seu tempo de quadra precisará ser o mesmo do campeonato passado. Para quem vinha evoluindo sem parar, minha preocupação é que a armação inchada do clube catalão freie um pouco o desenvolvimento do camisa 9.

O que será que acontece com Huertas no Barça? Comente!


Em sua segunda temporada, armador brasileiro Raulzinho busca afirmação na Espanha
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Fábio Balassiano

Será uma temporada importantíssima para o jovem armador Raulzinho (20 anos). Depois de um primeiro ano bem razoável no basco Gipuzkoa Basket Club (5,7 pontos, 19 minutos e 1,9 assistências), cujos elogios do técnico Sito Alonso ecoaram por toda a Espanha (seu começo superou todas as expectativas, tendo, inclusive, feito com que o brasileiro chegasse a barrar o experiente Javier Salgado, titular da posição, em algumas partidas), chegou a hora do grande teste.

Com mais de 600 minutos jogados na Liga Espanhola e com uma Olimpíada no currículo pela seleção brasileira, a exigência em cima de Raulzinho irá aumentar. Acho que as cobranças feitas em cima dele durante as Olimpíadas foram exageradas e até certo ponto injustas. Se a pressão pesou até em cima de Leandrinho e Tiago Splitter, jogadores rodados e experientes, não seria com um rapaz de 20 anos que a situação seria diferente, mas em seu clube a situação será diferente.

Para os próximos meses os fatores ‘surpresa’ ou o ‘ele está apenas chegando’ devem ser esquecidos, e se se erros de principiantes ainda eram tolerados, agora a questão é bem diferente. O projeto da agremiação basca é audacioso, grande, e Rauzlinho faz parte dele inclusive.

O armador será, obviamente, mais cobrado e a maneira como ele reagirá a isso tudo certamente determinará não só a quantidade e a qualidade de seus minutos na atual temporada, mas principalmente que tipo de jogador ele será no futuro. Se conseguir elevar seu nível, produzir mais e apresentar uma marcação mais agressiva e consistente seu desenvolvimento será certamente brilhante (lembremos que ele já esteve cotado para a NBA).

A coisa boa disso tudo é que sempre que foi testado Rauzlinho reagiu bem, superou as expectativas (Mundial Sub-19 por exemplo). A temporada 2012-2013 pode, sim, ser um divisor de águas na carreira dele. Passando com louvor, seus próximos passos estarão bem encaminhados.


Rafael Hettsheimeir brilha de novo e coloca seu time na zona dos playoffs na Espanha
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Fábio Balassiano

E Rafael Hettsheimeir foi novamente o melhor em quadra pelo Zaragoza neste domingo. Com uma atuação magistral (24 pontos, a maior da rodada, oito rebotes e 24 de eficiência), o brasileiro guiou o seu time a uma importante vitória contra o Manresa por 72-71 na rodada 26 da Liga ACB Espanhola. Foi a oitava vitória consecutiva do Zaragoza em casa (os 6.500 torcedores que foram ao Pabellon Principe Felipe foram ao delírio neste domingo), e a décima-quarta na competição.

Com o resultado, o time alcançou a sétima colocação e se colocou na zona dos playoffs. Com 15,9 de eficiência (o décimo da ACB no quesito) e 14,3 pontos por jogo (o sétimo), Rafael, que tem a média de 30 minutos por partida, só precisa de mais dois para ultrapassar, em 25 partidas, os 343 que atingiu em 34 da temporada passada (ou seja, a sua média cresceu quase 50% de um campeonato para o outro).

Outros números interessantes do camisa 10: já foram 22 enterradas, sua média de rebotes está em 6,5 (a nona do torneio) e seu aproveitamento de dois pontos é de 54,3% (o oitavo). Por conta deste volume todo, Rafael é o décimo-segundo da Liga que mais recebe faltas (3,7 por jogo), acertando 74,7% dos lances-livres (em 2010-2011 seu índice fora de 61%).

Como disse um amigo espanhol, está cada vez mais valorizado o “passe” de Rafael Hettsheimeir na Europa. Com sondagens da NBA e de gigantes do basquete do velho continente, cada partida como a de hoje pelo Zaragoza faz com que os olhos do mercado cresçam. Melhor para ele, que poderá decidir com calma o que fazer depois que a Liga ACB acabar e para a seleção brasileira, que terá um jogador atuando em altíssimo nível nas Olimpíadas de Londres.


Com quatro brasileiros, começa hoje a Copa do Rei na Espanha
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Fábio Balassiano

Começa hoje, em Barcelona, um dos eventos mais bem organizados do basquete mundial com transmissão da Bandsports. É a Copa do Rei, que será disputada no Palau Sant Jordi, provavelmente o ginásio mais bonito que este humilde blogueiro já conheceu. E haverá brasileiros em quadra (o fato foi destaque no site oficial, inclusive). São quatro: três armadores (Huertas, Luz – ambos na foto – e Raulzinho), além do ala-pivô Augusto Lima.

Para quem não conhece, a Copa não é “só” um evento esportivo que reúne os oito primeiros da Liga ACB em uma competição de mata-mata em três dias consecutivos (os duelos são: Barcelona, de Huertas, x Alicante, de Luz, Baskonia x Lagun Aro, de Raulzinho, Málaga, de Augusto, x Sevilla e Real Madrid x Fuelabrada), mas principalmente um espaço em que se debate, estuda-se, conversa-se basquete.

Não é surpresa, portanto, que do lado de fora dos ginásios existam uma série de lojas onde os torcedores compram, clínicas com técnicos renomados e ações de comunicação voltadas para o público que vive, gosta e consome basquete regularmente (e aí, obviamente, há uma série de pessoas que vão para aprender como os espanhóis estão tão avançados, em termos de gestão, no basquete – e aqui vai o parabéns a Claudio Mortari Junior, profissional brasileiro que segundo o site da Liga ACB está lá para conhecer melhor como funcionam as engrenagens do segundo mais evoluído do mundo.

Para quem já teve a oportunidade de participar de um momento como este (eu fui em 2006, em Madrid, quando o Baskonia, de Prigioni e Tiago Splitter, venceu o Valencia por 85-80 na final), é uma aula de como planejar grandes eventos, de como captar, reter e fidelizar clientes e principalmente de como transformar um “simples” jogo de basquete em um programa familiar, divertido e, principalmente, rentável.

E jogar em casa, para o Barcelona, traz ótimas lembranças. Para quem não sabe, o Palau Saint Jordi foi projetado para ser a sede do basquete nas Olimpíadas de 1992 pelo japonês Arata Isozaki. Para se ter uma ideia do que o ginásio representa para os catalães, foi lá que os blaugranas conquistaram a sua primeira Euroliga, em 2003, depois de cinco derrotas seguidas em decisões (o time tinha Anderson Varejão, lembram?). Se isso não bastasse, foi lá que o Barça bateu os Lakers por 92-88 em outubro de 2010, na segunda vitória do time contra um da NBA (a primeira foi em 2006 contra os Sixers).

Por isso, se pudesse apostar, diria que o atual bicampeão Barcelona sai com o caneco (seria o décimo-primeiro na “Era Moderna”, ou seja, as competições disputadas neste formato de três dias seguidos que acontece desde 1987). E para você, quem será que leva o título? Comente na caixinha!


Com estreia, classificação inédita e retornos, brasileiros têm ótima rodada na Espanha
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Fábio Balassiano

Que rodada a deste fim de semana para os brasileiros na Espanha, hein. Como você leu por aqui ontem, Marcelinho Huertas completou 250 jogos na Liga ACB jogando pelo seu Barcelona contra o Zaragoza, de Rafael Hettsheimeir. O armador foi tímido com dois pontos e assistências em 20 minutos, mas viu seu time bater os rivais por 71-68 (Rafael teve oito pontos e três rebotes).

Na capital espanhola, uma estreia e um retorno. O pivô Lucas Bebê (na foto) debutou, enfim, na Liga Espanhola. Jogando pelo Estudiantes, ele jogou por 11 minutos e apanhou cinco rebotes (errou seus dois arremessos e desperdiçou duas bolas). No fim, através de sua conta no Twitter, mostrou-se feliz, emocionado e agradecido ao técnico Pepu Hernandéz, que o lançou).

Do outro lado, porém, estava a sensação da temporada, o Alicante, que fez 76-68, venceu a sua décima-segunda partida em 17 rodadas e fechou o turno na quinta colocação (que agradável surpresa, gente!). E quem joga por lá é Rafael Luz, que após quase um mês lesionado voltou a atuar. E voltou muitíssimo bem com oito pontos, cinco rebotes, duas assistências e 11 de eficiência em 15 minutos. Além dele, o ótimo Augusto Lima, do Unicaja, também recuperado de hérnia de disco, teve dez pontos e nove rebotes na derrota de seu time para o Manresa por 86-68.

Agora, a melhor notícia, melhor mesmo, veio de Murcia. Perdendo por 15 pontos a nove minutos do fim (57-72), o Lagun Aro precisava virar a partida contra os donos da casa para conseguir a inédita classificação para a Copa do Rei (àquela altura, o Barcelona já vencia o Zaragoza e o Bilbao e o Valencia já haviam perdido). E conseguiu. Com a incrível sequência de 32-13, virou a partida, fez 89-85 e alcançou o feito. Raulzinho, do Lagun, teve quatro pontos e dois rebotes em 11 minutos.

A Copa do Rei acontece entre os dias 16 e 19 de fevereiro (carnaval aqui no Brasil portanto) em Barcelona (no Palau Saint Jordi), e será bem legal vermos três dos principais armadores do país (é bem provável até que Luz, Huertas e Raulzinho estejam em Londres, nas Olimpíadas), além de Augusto Lima, na competição. Foi um fim de semana pra lá de positivo.


Da boca de Raulzinho, um pouco sobre os técnicos brasileiros
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Fábio Balassiano

Ontem publiquei aqui um post com a declaração de Raulzinho, bem adaptado na Espanha. O que me chamou muito a atenção, porém, além do seu espanhol seguro, é o que ele fala sobre sua carga de treinamentos: “Nunca fui tão exigido por um técnico como sou pelo Sito”. Sintomático, não?

E aí é importante voltar um pouco no tempo, parar e pensar: Sito Alonso é o mesmo técnico que foi o responsável pela transformação de Marcelinho Huertas de promessa em realidade na Europa. O mesmo ele está tentando fazer com outra revelação brasileira na armação. Raulzinho e Huertas saíram muito novos no Brasil, e é só olhar para o crescimento técnico, tático e de leitura de jogo do agora jogador do Barcelona para ver em que pé estamos em termos de carga de treinamento – até mesmo com Raulzinho, que chegou há menos de seis meses na Espanha, é possível ver uma cadência e um entendimento muito bons do jogo.

Dá para entender do que falo quando vemos jogos do NBB, a elite do basquete nacional. As defesas são lentas, quase sempre sem cobertura e muito “moles”. Os ataques, confusos e precipitados em sua maioria. Mas o principal vem do que falei aqui também – a falta de fundamentos básicos para o alto nível do basquete mundial. E aí, é óbvio, não é um problema só do time adulto, mas principalmente da formação que o jogador de basquete no Brasil tem nos últimos anos.

O pior, na verdade, é verificar o que (não) tem sido feito para melhorar o nível dos treinamentos no Brasil. A Confederação criou a Escola Nacional de Treinadores de Basquete (ENTB), cuja carga horária está bem longe de ser a ideal, e os clubes, quase sempre sufocados em termos financeiros, não conseguem (ou tentam) mudar o quadro sozinhos. Convenhamos: é muito, muito pouco. Enquanto a mentalidade não mudar, enquanto os padrões não forem elevados, o abismo entre os basquetes brasileiro e espanhol continuará imenso.


Alto-falante: Raulzinho fala sobre seus primeiros passos na Espanha
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Fábio Balassiano

“Uma das razões que me fizeram vir para a Espanha foi o treinador (Sito Alonso). Huertas me falou muito bem dele e me senti animado. Agora eu posso dizer que nunca fui tão exigido por um técnico como sou pelo Sito. Sou jovem e para mim é fundamental que estar sempre no limite, seja jogando ou treinando. Para mim tem sido perfeito até aqui”

A declaração é de Raulzinho, armador brasileiro que está em sua primeira temporada no Lagun Aro, ao Diário Vasco (aqui o link completo). Com bom espanhol, ele também deu uma entrevista em vídeo, que você pode conferir abaixo. Que o jovem de 19 anos (6,6 pontos, 2,1 assistências e 19 minutos por jogo) siga evoluindo. Seu futuro é brilhante!


Eu sou você amanhã – Raulzinho enfrenta Huertas na Espanha neste domingo
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Fábio Balassiano

Rodada interessante esta na Espanha hoje, hein. O líde Real Madrid vai a Alicante enfrentar o time da casa (o surpreendente clube do brasileiro Rafael Luz está classificado para a Copa do Rei e tem 11-4). O Zaragoza, de Rafael, tenta “zerar” a campanha (até então 7-8) diante do Joventut. Mas o grande jogo da rodada, ao menos para nós, brasileiros, é este Lagun Aro contra o Barcelona (o duelo será às 12h30 e terá transmissão da BandSports).

Será a primeira vez que os armadores brasileiros Marcelinho Huertas, pelos catalães, e Raulzinho, pelos bascos, medirão forças em jogos válidos pela Liga ACB. E as histórias dos dois até que são parecidas. Ambos saíram cedo do país, chegaram na Espanha e hoje, com quase cinco anos no país, Huertas já é ídolo de uma potência como o Barcelona (se quisesse forçar, diria que os dois jogam/jogaram por um time basco).

Calouro, Raulzinho perdeu um pouco de espaço na rotação nas últimas rodadas (coincidentemente, o Lagun Aro vem de cinco vitórias consecutivas desde que Javier Salgado voltou a ser titular na armação), mas tem as consistentes médias de 19 minutos, 6,5 pontos e 2,1 assistências. Nada mal para quem chegou em um clube que tinha a perspectiva de não cair para a segunda divisão e hoje belisca uma vaga nos playoffs. Do outro lado está o laureado Marcelinho Huertas, que teve dois lances selecionados entre as dez melhores assistências da fase inicial da Euroleague, com 8,7 pontos, 3,7 assistências e 24 minutos pelo fortíssimo Barcelona (amanhã ainda sem Navarro).

Raulzinho não jogou o Pré-Olímpico principalmente por causa de sua suposta falta de experiência. Agora atuando na primeira divisão espanhola por uma temporada este argumento perde um pouco de espaço, e em minha modesta opinião ele estará com Huertas em Londres. Mas enquanto as Olimpíadas não vêm, a chance que temos é de vê-los se enfrentando.