Bala na Cesta

Arquivo : Raulzinho

O mês de março dos brasileiros – Tiago Splitter voltou e Nenê segue brilhando
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Fábio Balassiano

Não foi um mês tranquilo para os brasileiros na NBA, não. A grande notícia ficou com a volta de Tiago Splitter, que no final de março finalmente estreou na temporada 2016/2017 pelo Philadelphia 76ers. Outro que foi muito bem foi Nenê, que segue em ótima fase pelo Houston Rockets. Vamos a análise e números deles.

O MARÇO DE 2017 DOS BRASILEIROS

ACUMULADO DA TEMPORADA 2016/2017

Fevereiro/2017 , Janeiro/2017 , Dezembro/2016 e Novembro/2016

a) Anderson Varejão -> O brasileiro segue sem time. No começo deste mês surgiu um rumor de que o Cleveland teria interesse em contratá-lo para os playoffs, mas ainda nada de concreto.

b) Bruno Caboclo -> Caboclo não teve nenhuma partida na NBA e seu rendimento caiu muito na D-League. Em que pese ele ter jogado 7 partidas pelo Toronto 905, sua média não chegou a 10 pontos (ficou em 9,8). O lado bom é que em todas as pelejas ele esteve em quadra por 20 ou mais minutos. Aparentemente poderemos ter uma visão mais assertiva sobre o desenvolvimento de Bruno apenas na temporada 2017/2018 mesmo.

c) Cristiano Felício -> Felício vinha tendo mais um bom mês, com atuações seguras como a contra o Boston (10 pontos e 4 rebotes em 20 minutos), mas se machucou na partida contra o Toronto Raptors no dia 21 de março. Teve problema nas costas e só retornou na primeira semana de abril. Para azar dele, o francês Joffrey Lauvergne, que estava atrás dele na rotação dos pivôs, jogou bem na ausência do pivô brasileiro.

d) Leandrinho -> O ala do Phoenix teve três das quatro primeiras partidas de março com 10 ou mais pontos, mas depois só foi atingir a marca entre os dias 21 e 24 do mês. Desde o dia 26 de março ele não atua devido a uma lesão muscular.

e) Lucas Bebê -> Conforme previa, o tempo de quadra do pivô brasileiro ficou diminuto com as chegadas de Serge Ibaka e PJ Tucker, jogadores que fazem muito bem a rotação de garrafão do Raptors junto de Jonas Valanciunas e Patrick Patterson. De todo modo, confesso que não imaginava que a queda seria tão brusca assim. Não sei até que ponto o lado psicológico de Bebê tem influenciado para que a redução de minutos tenha se acentuado, mas o fato é que a vida dele não tem sido nada fácil no Canadá desde o All-Star Game, não.

f) Marcelinho Huertas -> Tal qual Varejão, está sem time na NBA. Aparentemente é improvável que ele consiga alguma franquia para jogar os playoffs.

g) Nenê -> Segue sendo o melhor brasileiro na NBA e com uma temporada brilhante. Tem evoluído assustadoramente com o Houston Rockets, fechando os jogos e em muitas ocasiões sendo uma ótima arma ofensiva dentro do garrafão. Das 12 partidas de março, em 7 ele obteve dígitos duplos. Contra o Thunder, no dia 26, fez um jogo estupendo com 17 pontos, 4 rebotes e 3 assistências. Nenê foi contratado para ajudar o Rockets com sua experiência e seu talento. Tem valido cada centavo que a franquia investiu nele.

h) Raulzinho -> O mês melhorou um pouco para Raulzinho. O tempo de quadra aumentou, seu rendimento também e ele mostrou algumas qualidades que ainda não tinham sido vistas – principalmente no lado defensivo. Tem sido usado sistematicamente como reserva de George Hill e aproveitado bastante o seu espaço. Em seis vezes jogou mais de 10 minutos e em quase todas elas muito bem. Contra o Knicks ele teve 10 pontos e na noite seguinte, contra o Clippers, quatro assistências. O começo da temporada não foi bom, mas o final tem sido bem razoável para o armador, que irá jogar os playoffs pela primeira vez em sua vida.

i) Tiago Splitter -> Chegou a vez de Tiago Splitter estrear. E estrear chamando a atenção dentro e fora de quadra. Usando um chamativo bigode o brasileiro voltou de lesão no quadril para atuar pelo Philadelphia 76ers, que tem lhe dado espaço para que ele termine o campeonato jogando. Foram 7 minutos no dia 28 de março contra o Bucks e 8 contra o Cleveland, quando inclusive matou uma bola de três pontos e fez cinco pontos. Pena que faltam poucos jogos para acabar a fase regular, porque aos poucos seu tempo de quadra e suas performances têm melhorado.


O difícil fevereiro dos brasileiros na NBA – o resumo do mês no melhor basquete do mundo
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Fábio Balassiano

Desde o início da temporada 2016/2017 estou colocando no blog o desempenho dos brasileiros na NBA. Os números, uma leve pincelada, os destaques, essas coisas. Vamos lá a fevereiro de 2017? Teve muita coisa, hein!

O FEVEREIRO DE 2017 DOS BRASILEIROS

ACUMULADO DA TEMPORADA 2016/2017

NOVEMBRO/2016 , DEZEMBRO/2016 JANEIRO/2017

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

a) Anderson Varejão -> Anderson Varejão foi dispensado em 4 de fevereiro pelo Golden State Warriors. Desde então está procurando time na NBA, mas até o momento nenhuma proposta oficial surgiu. Seu nome foi especulado em Cleveland, em uma volta ao time pelo qual jogou por mais de uma década, mas os Cavs fecharam com o australiano Andrew Bogut e praticamente fecharam as portas para o brasileiro.

b) Bruno Caboclo -> Caboclo não entrou em quadra nenhuma vez por um cada vez mais reformulado Toronto Raptors, que foi um dos times mais ativos na janela de negociações da NBA trazendo o ala PJ Tucker e o pivô Serge Ibaka, mas o ala jogou muitas vezes e bem na D-League pelo Toronto 905. Foram 8 partidas e 27,5 minutos de média com 11,8 pontos, 40% nos arremessos e 5,8 rebotes. Entre 9 e 23 de fevereiro o brasileiro teve 4 partidas seguidas com 10+ pontos. Nos vídeos abaixo é possível ver a desenvoltura dele em quadra.

c) Cristiano Felício -> O pivô do Bulls ficou mais conhecido por isso aqui em fevereiro do que qualquer outra coisa:

Felício acabou correndo atrás de um rebote no último segundo de jogo contra o Cleveland, “tirou” o triplo-duplo de Dwyane Wade e foi motivo de brincadeira por parte do companheiro (Felício mesmo colocou em seu Twitter uma frase dizendo “Eu não sabia”). Ele estava certíssimo de ir atrás da bola porque pra ele qualquer rebote conta (seu contrato termina em junho), mas vale dizer que em fevereiro ele continuou a sua evolução na NBA. Foram 3 partidas com 10+ pontos, 5 com 20+ minutos e 5 com 5+ rebotes. Ele se consolida como pivô reserva da franquia de Illinois mesmo com a recente chegada do francês Joffrey Lauverne.

d) Leandrinho -> Foi um mês mais estável para Leandrinho na NBA. Se não jogou mais de 20 minutos nenhuma vez, em todas as partidas esteve em quadra por no mínimo dez minutos. Sempre bom ressaltar que função é dar experiência ao jovem Devin Booker, que tem jogado cada vez melhor, e entrar para “comer” os minutos quando o garoto descansa. Leandrinho teve uma partida muito boa contra o Pelicans em 06/02 ao anotar 14 pontos em 20 minutos e outra cinco dias depois contra o Houston quando cravou 12 nos mesmos 20 minutos. Nas duas oportunidades o brasileiro conseguiu 10+ pontos jogando fora de casa.

e) Lucas Bebê -> Lucas começou o mês muito bem com 10 pontos e 5 rebotes na partida contra o Boston. Atuou por 28 minutos e logo depois emplacou uma sequência de 7 partidas jogando 20 ou mais minutos em todas elas. Nesta série de jogos ele conseguiu 5+ rebotes por quatro vezes, mostrando presença perto da cesta e a força física de sempre. O problema para o brasileiro é que depois do All-Star Game o seu time, o Toronto Raptors, contratou Serge Ibaka e PJ Tucker, jogadores que atuam no garrafão. Com isso seu tempo de quadra caiu sensivelmente. Em fevereiro após o All-Star foram 3 jogos, com Lucas jogando 11, 10 e 0 minutos. Nas três saiu zerado em pontos e teve apenas 3 rebotes (somados). Se janeiro foi o mês de sua consolidação na NBA, fevereiro terminou com um ponto de interrogação imenso sobre seu futuro na franquia. Se Jonas Valanciunas é o pivô titular, aparentemente a rotação do técnico Dwane Casey para o garrafão agora contempla apenas Tucker, Ibaka e Patrick Patterson, outro ala. Bebê não tem sido utilizado e isso não é bom.

f) Marcelinho Huertas -> Huertas seguiu a sua sina de só jogar os minutos de partidas já decididas, mas no dia 23 de fevereiro de 2017 uma troca envolveu o seu nome. O brasileiro foi trocado pelo Lakers para o Houston, que logo em seguida o dispensou. Tal qual Anderson Varejão, ele procura novo time na NBA. Caso não consiga ficar na liga norte-americana, ele possui amplo mercado na Europa e é bem possível que ele retorne para o Velho Mundo caso nenhum time da NBA demonstre interesse por ele.

g) Nenê -> Aos 34 anos, Nenê mostra forma física invejável e uma arma fortíssima vindo do banco de reservas do Houston Rockets, o terceiro melhor time da conferência Oeste. Foram 3 jogos com 10+ pontos, inclusive os 15 pontos pontos e 7 rebotes contra o Indiana Pacers no dia 27 de fevereiro. Ele é disparada a melhor opção ofensiva entre os brasileiros na temporada 2016/2017 da NBA e tem conseguido produzir muitos pontos nos minutos em que está em quadra (a média de fevereiro ficou quase em 1 ponto a cada 2 minutos em quadra, algo excelente). Gosto sempre de ressaltar que o pivô está no basquete mais difícil do mundo há 15 campeonatos, e sempre com relevância, importância. É bem relevante.

h) Raulzinho -> Raulzinho não vive situação boa na NBA. É o terceiro reserva de um time muito bom (o Utah Jazz) ele só tem jogado realmente quando a partida está decidida (mesmo cenário que Huertas vivia no Lakers). Isso não é bom, e Raulzinho, mega jovem (completará 25 anos em maio), precisa de quadra, precisa jogar, precisa estar em atividade. A fase de sua carreira é de crescimento, e sinceramente vejo com bons olhos algum movimento de troca de ares para ele no próximo campeonato.

i) Tiago Splitter -> Tiago Splitter segue em sua recuperação do quadril, mas no dia 23 de fevereiro a sua vida mudou um pouco quando ele foi trocado pelo Hawks para o Philadelphia 76ers. Lá ele poderá fechar a temporada jogando um pouco e mostrando ao mercado que está bem em termos físicos. Seu contrato vence no final do campeonato e quanto mais ele conseguir atuar ainda nesta temporada regular pelo Sixers, melhor.

E você, o que achou do mês de fevereiro dos brasileiros? Comente aí você também.


O janeiro de 2017 dos brasileiros na NBA – Como eles foram?
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Fábio Balassiano

Desde o início da temporada 2016/2017 estou colocando no blog o desempenho dos brasileiros na NBA. Os números, uma leve pincelada, os destaques, essas coisas. Vamos lá ao primeiro mês de 2017?

RELEMBRANDO NOVEMBRO/2016 & RELEMBRANDO DEZEMBRO/2016

O JANEIRO DE 2017 DOS BRASILEIROS

Janeiro

ACUMULADO DA TEMPORADA 2016/2017

Acumulado

a) Anderson Varejão -> Acho quase irrelevante falar do mês de janeiro de Anderson Varejão sabendo que no começo deste fevereiro o pivô foi dispensado do Golden State Warriors, né? Não dá pra dizer que é surpresa, porque o seu desempenho de fato não foi bom com a franquia de Oakland, mas é triste do mesmo jeito. Agora fica a pergunta: ele conseguirá outro time na NBA? Ou sua história na melhor liga de basquete do mundo terminou? Vamos esperar um pouco!

caboclo1b) Bruno Caboclo -> Caboclo praticamente não jogou na NBA, mas voltou a disputar muitos jogos na D-League pelo Toronto 905, onde é treinado por Jerry Stackhouse, um ótimo ala na NBA na década de 90. Foram 9 partidas pela filial do Raptors com 10,1 pontos de média, sendo em três oportunidades com o ala alcançando 14+ pontos e 7+ rebotes. Ainda é muito cedo pra projetar qualquer coisa sobre o jogador que completará 22 anos apenas em setembro de 2017. Bruno está sendo preparado pela franquia, que tem muita paciência com ele. Não é certeza que irá vingar, mas é um trabalho de longo prazo e convém esperar no mínimo até 2017/2018. Este é mais um ano de aprendizado para ele no Canadá.

felicio1c) Cristiano Felício -> Mais um mês de evolução para Felício no Bulls. É realmente o pivô reserva na caótica rotação do técnico Fred Hoiberg e tem uma qualidade que o seu titular, Robin Lopez, não possui – ele tem arremesso de média e longa distância, conseguindo espaçar muito bem a quadra e permitindo situações de infiltração de seus companheiros como Lopez não consegue fazer. Em janeiro, em três oportunidades, Felício passou dos 10 pontos e em duas conseguiu duplo-duplo (11+11 contra o Thunder e 12+10 contra o Magic. Em 7 jogos passou dos 20 minutos em quadra. Aos 24 anos e em seu último ano de contrato, o pivô vai mostrando que, sim, merece estar na liga. Ótimas chances de ele conseguir um novo, e gordo, contrato na próxima temporada.

d) Leandrinho -> O ano de Leandrinho começou com uma partida de 10 pontos em 13 minutos contra o Miami em casa. Poderia-se esperar que fosse dali pra melhor, mas não foi além, não. Ele mais uma vez jogou pouco, e apenas em 26 de janeiro, com 9 pontos em 16 minutos contra o Denver, teve algum destaque. Como Eric Bledsoe e Devin Booker, armadores titulares, têm ido muitíssimo bem, fica cada vez mais restrita a presença do brasileiro em quadra por muitos minutos.

lucas1e) Lucas Bebê -> Janeiro só não foi melhor para Lucas porque no jogo contra o Nets, no Brooklyn, em 17 de janeiro, ele teve uma concussão na cabeça. Estava sendo titular junto com Jonas Valanciunas, mas perdeu os dois jogos seguintes, fazendo com que sua performance não fosse ainda melhor (Patrick Patterson voltou para a posição quatro, e o brasileiro para o banco de reservas, de onde sai para ser o cadeado defensivo da segunda unidade). Bebê se firmou como pivô reserva e faz parte, de forma firme e consistente, da rotação do Toronto Raptors. Teve 13 pontos contra o Phoenix, 10 contra o Nets, 9 contra o Bucks e dois jogos com 4 tocos. Ah, e o cara agora está arriscando bolas de fora. Contra o Suns e Nets ele converteu duas.

f) Marcelinho Huertas -> Seis jogos, sempre com eles decididos e nada de relevante para Huertas em janeiro na NBA. É uma pena, torna-se repetitivo dizer isso aqui, mas a realidade é que já passou da hora de ele procurar novos ares. Ali, pelo visto, não vai acontecer nada pra ele mesmo. E digo isso com a certeza de que em alguma franquia com espaço para ele Huertas tem tudo para mostrar seu talento. O cara é muito, muito bom.

nene1g) Nenê -> Mês incrível para Nenê na NBA. Aproveitou cada segundo que esteve na quadra, teve atuações sensacionais como a contra o Sixers (21 pontos e 6 rebotes em 27 minutos) e contra o Bucks (17 pontos e 8 rebotes) e mostrou porque está há 14 temporadas no mercado de basquete mais difícil do mundo. Aos 34 anos, ele é uma peça pra lá de importante na rotação de Mike D’Antoni no Houston Rockets. Contra o Minnesota, em 11 de janeiro, ele inclusive matou uma bola de três pontos. Diante do Oklahoma, lá no começo de 2017, lances-livres fatais contra o OKC. Bem legal, Nenê! Arrebentou!

h) Raulzinho -> Outro que está em situação difícil na NBA. Passou pela D-League, quando esteve em quadra não foi muito bem e vê a concorrência (Shelvin Mack, Dante Exum e Alec Burk) comendo todo o tempo de quadra na armação que conta com o titular George Hill (este muitíssimo bem aliás). O mais complicado para Raulzinho deve ser segurar a ansiedade por querer mostrar serviço em pouco tempo de quadra sem parecer individualista. Torçamos para que ele ou encontre espaço em Utah ou que outra franquia aposte suas fichas no garoto de 24 anos.

i) Tiago Splitter -> Splitter ainda não estreou na NBA ainda. Deve retornar agora em fevereiro, depois do All-Star Game. Já faz trabalhos na quadra e treina normalmente com o seu time.

E você, o que achou do mês de janeiro dos brasileiros? Comente aí você também!


Projetando a temporada dos Brasileiros na NBA – comente você também!
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Fábio Balassiano

Rockets1Você já leu aqui a previsão para a temporada da NBA que começou ontem, né? Então vamos lá analisar todos os brasileiros que farão parte do campeonato.

Nenê -> Contratado pelo Houston Rockets, o brasileiro há mais tempo na NBA (o tempo passa rápido e pouca gente nota que ele está no melhor basquete do mundo desde 2002/2003) terá boa minutagem no time texano. Disputará tempo de quadra com o razoável Clint Capela com a vantagem de ter armas que melhor se adequam ao estilo de jogo de Mike D’Antoni, novo treinador da franquia. O camisa 42 passa melhor que Capela, o que é fundamental para um time que acelera o jogo até dizer chega, e apesar dos 34 anos ainda consegue fazer bloqueios e partir em direção a cesta para pontuar. Se pode lhe faltar o vigor físico devido a idade, sobra experiência para um elenco que está tentando encontrar a sua identidade. Gosto das possibilidades dele, que está totalmente recuperado da fascite plantar e que fez excelente Olimpíada.

Podcast BNC sobre o começo da temporada

barbosa1Leandrinho -> É óbvio que para Leandrinho o melhor que poderia ter acontecido em termos profissionais era mesmo ficar no Golden State. Mas a franquia de Oakland optou por seguir em outra direção e coube ao brasileiro saciar o seu lado, digamos, emocional. Ele vai para a sua terceira passagem em uma franquia que o venera, cujos torcedores o amam e conhecendo perfeitamente o ambiente. O agora camisa 19 vem, porém, com uma missão bem diferente das que anteriormente cumpriu no Arizona. Agora Leandrinho entra para ensinar ao jovem Devin Booker (19 anos) os atalhos da liga e para ser uma espécie de mentor do garoto. É natural, acontece com todos os atletas da liga e é uma função pra lá de respeitável. Se não chegará longe, como ocorreu ou ocorreria com os Warriors, que Leandrinho aproveite o momento para passar a sua experiência para Booker e para sentir o carinho dos fãs de Phoenix.

tiago1Tiago Splitter -> Não será um ano fácil para Tiago Splitter. Em primeiro lugar porque ele será reserva do principal reforço do Hawks para a temporada. Dwight Howard chegou e ele sabe que o camisa 12 “comerá” no mínimo 30 minutos/jogo. Depois porque ele vem de uma lesão séria no quadril – e a gente sabe que retornar de uma cirurgia nem sempre é fácil. Isso tudo em último ano de contrato. Ou seja: em um cenário não tão fácil o pivô precisará mostrar que está recuperado e que tem basquete (e eu acredito que tenha sobrando…) para permanecer na liga por mais e mais tempo. A vantagem disso tudo é que a cabeça de Tiago é muito boa e sua força mental será sem dúvida importante para superar este difícil recomeço.

O palpitão do blog para a temporada 2016/2017

felicio1Cristiano Felício -> Se tem alguém entre os brasileiros que pode surpreender nesta temporada, este alguém é Cristiano Felício. O pivô começará como reserva de Robin Lopez, mas quem acompanha o ex-jogador do Knicks sabe que ele está longe de ser confiável. Felício, então, poderá comer pelas beiradas e ganhar espaço da mesma maneira que já fez no campeonato passado – defendendo muito bem, saindo ferozmente dos picks para enterrar a bola na cesta e convertendo arremessos de média distância. Jogar com Dwyane Wade, pelo lado da experiência, e Rajon Rondo, armador que não tem muito arremesso e que por isso procura demais a seus companheiros para que estes finalizem, também será muito bom para o brasileiro. Que Felício mantenha a cabeça no lugar, porque as oportunidades de mostrar talento irão aparecer.

andy1Anderson Varejão -> Chegou enfim a hora de Anderson Varejão se sagrar campeão da NBA? Ele chegou perto duas vezes nas finais passadas (com o Cavs contra o Warriors e com o Warriors diante do Cavs), mas bateu na trave. Para sua sorte ele permaneceu no Golden State mesmo que seu rendimento não tenha sido tão brilhante assim no certame passado. Aparentemente, porém, a franquia confia nele para fazer o trabalho sujo na defesa e por ser uma ótima influência no vestiário. Em um elenco que pode, sim, ter problemas com os egos de Steph Curry, Klay Thompson e Kevin Durant (não acredito que isso ocorra, mas que é possível, é), uma figura carismática, experiente e tranquila como Anderson Varejão é uma grande vantagem. Que ele se mantenha saudável para tentar concretizar um de seus grandes sonhos – ganhar o anel de campeão da liga.

raul2Raulzinho -> Não será um ano fácil para Raulzinho, não. Se o começo de sua temporada de estreia no Utah foi animador, do meio para o final do campeonato passado não foi bem assim. Shelvin Mack chegou e seu tempo de quadra reduziu. Para 2016/2017, cenário ainda pior. George Hill chegou, Dante Exum se recuperou de lesão no joelho e Mack ficou. Se estava difícil arrumar minutos em Salt Lake City em 2016, o que dizer do atual panorama? Não consigo projetar o ano de Raulzinho justamente porque não se tem ideia, ainda, de quantos minutos ele terá por jogo, quais serão as suas reais funções e como serão os desempenhos dos dois que Quin Snyder, o treinador, mais confia para este início (Hill e Exum).

huertas9Marcelinho Huertas -> O titular da posição 1 do Lakers chama-se D’Angelo Russell. Não por esta temporada, mas aparentemente por muitos e muitos anos. D-Lo, como é conhecido, tem tudo para ser a cara da franquia e um dos melhores da liga em pouco tempo. Fiz essa introdução para explicar em que cenário se encontra Marcelinho Huertas, que disputará os minutos restantes de Russell com outro armador experiente (José Calderon). Pelo que vi na pré-temporada o brasileiro conta com a simpatia de Luke Walton, o técnico, e tem ótimo relacionamento com alguns dos caras que sairão do banco de reservas com ele (Larry Nance Jr. principalmente). Ele continuará jogando pouco e precisará mais uma vez se acostumar com isso. Não é nenhum problema ser reserva do Lakers, mas eu sinceramente acho que Huertas tem mais basquete do que o que será visto em Los Angeles em poucos minutos por noite.

cabocloBruno Caboclo -> Não é animador o panorama para Bruno Caboclo mais uma vez. O Toronto segue fortíssimo no Leste, não há a menor chance de entrar em reconstrução e com os contratos longos de DeMar DeRozan e DeMarre Carroll os minutos nas posições 2 e 3 ficam muito restritos no Raptors. Para piorar, o camisa 20 não foi muito bem na pré-temporada, quando o tempo de quadra dos titulares mais experientes é reduzido e os jogadores que precisam de espaço normalmente tentam mostrar algo. Caboclo continua baseando seu ataque apenas em bolas de fora e na defesa segue com dificuldade de leitura de jogo – potencializada por uma natural barreira de linguagem entre ele e os atletas. Seu contrato vence apenas ao final do campeonato de 2017/2018, mas é bom ele começar a mostrar à franquia o motivo pelo qual ele foi escolhido anos atrás no Draft.

bebeLucas Bebê -> Outro que não tem situação confortável no Toronto. Bebê foi bem em alguns momentos na temporada passada, esperava ter mais chances quando o congolês Bismack Biyombo assinou com o Orlando Magic, mas a franquia optou por trazer outro pivô no Draft. O austríaco Jakob Poeltl vem da Universidade de Utah, tem 21 anos, 2,13m e jogou bem e bons minutos na pré-temporada torontina. Todo mundo sabe que o dono da posição cinco dos Raptors é Jonas Valanciunas. Ficará entre o brasileiro e Poeltl a disputa pelos minutos restantes do lituano. Se Lucas Bebê ganhar esse confronto interno pode se dar muito bem e se estabilizar como reserva de Valanciunas e peça importante na rotação de Dwane Casey.

O que você acha? Concorda comigo? Comente você também!


Após temporada de calouro, Raulzinho projeta próximos passos na NBA
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Fábio Balassiano

Você leu aqui a primeira parte da entrevista com Raulzinho. Vamos à segunda, sobre NBA.

raul5BALA NA CESTA: Como você avalia a sua temporada de estreia na NBA? Te surpreendeu o fato de você ter começo o campeonato como titular do Utah Jazz?
RAULZINHO: Foi uma primeira temporada muito positiva. O que me surpreendeu foram as oportunidades que eu tive. Eu não esperava que algumas coisas fossem acontecer tão cedo. Não só começar de titular, mas a quantidade de minutos que tive, essas coisas me causaram uma surpresa positiva. É lógico que tudo isso foi decorrência do meu trabalho. Logo que cheguei lá no verão americano de 2015 eu não saí da quadra. Fiz musculação pra ganhar forças, treinos específicos principalmente de arremessos e acho que deu resultado. Foi muito boa pra mim essa temporada.

raul1BNC: Você falou de surpresa, e pelo que a gente leu daqui você foi avisado pelo técnico Quin Snyder que seria titular da armação pouquíssimos dias antes de começar a temporada. Como foi receber a notícia do Snyder sobre a titularidade?
RAULZINHO: Quando cheguei lá muita gente já falava que a franquia estava buscando um armador com as minhas características. Alguém que jogasse mais pro time, essas coisas. E no caso o meu estilo de jogo se adaptava bem ao que o time precisava muito mais ao time do que o do Trey Burke (também armador). Isso era conversa dos atletas também. Só que eu não imaginava, né? O Burke foi escolha número 9 do Utah em 2013, teve todo um projeto que fizeram em cima dele e eu estava chegando, meu primeiro ano. Não esperava isso, e ainda tinha o fato do Dante Exum, o australiano, não ter se lesionado ainda. Joguei a pré-temporada inteira de reserva, mas fui bem nos jogos e treinos, e aí foi isso mesmo que você falou – três ou quatro dias antes da estreia o técnico chegou pro grupo e avisou que não só eu como o Rodney Hood, que estava entrando em seu segundo ano, iríamos começar nas posições 1 e 2. Lógico que fiquei feliz. Todo mundo quer jogar, né? Foi um momento especial.

neto2BNC: Aí veio o Jogo das Estrelas em Toronto, você esteve lá no desafio dos calouros. Foi o segundo brasileiro a participar da festa, mas o Nenê quando foi lá no começo de século foi para um tipo de jogo diferente – o dele era de calouros contra atletas de segundo ano; o seu, de estrangeiros contra norte-americanos. O que mais te chamou a atenção do All-Star Game?
RAULZINHO: Foi muito bom. Além da minha felicidade, pude levar meu pai e meu irmão mais novo a um evento deste tamanho. De tudo, isso foi o melhor, sabia? Poder proporcionar uma alegria imensa para a minha família, para pessoas que sempre torceram muito por mim. A estrutura, a quantidade de pessoas trabalhando para o evento, a quantidade de reuniões que tivemos para entender papéis e responsabilidades, tudo isso é muito impressionante. Tinha uma sala só para familiares, com comida, videogame, essas coisas. A grandiosidade do evento me assustou. A cidade toda parada, você consegue imaginar.

raul1BNC: A primeira vez que falei com você foi em 2009, quando você foi jogar um Jordan Classic. Você tinha até cabelo encaracolado. Foi a primeira vez que você apareceu pro mundo do basquete Sete anos depois você estava em um All-Star Game…
RAULZINHO: Sempre passa um filme na cabeça disso tudo, do momento que comecei até chegar à NBA, não há como negar. Foram situações bem diferentes. O Jordan Classic eu precisava mostrar, precisava fazer com que as pessoas me conhecessem, olhassem por mim. O All-Star Game era mais um evento festivo, tinha acabado de ser convocado, então eu não precisava me pressionar pra mostrar tanta coisa assim. Passa um filme de tudo. O Jordan Classic, o Nike Hoop Summit, os torneios com as seleções brasileiras de base, a experiência na Europa e aí chegar à NBA, que é o sonho de todo atleta.

BNC: Bacana. Depois do All-Star Game veio a segunda metade da temporada, e aí as coisas começaram a ficar difíceis para o Utah e um pouco pra você também. O time estava ali em sétimo, oitavo do Oeste, mas optou por fazer uma troca que trouxe o armador Shelvin Mack do Atlanta, dono de estilo bem diferente do seu (ele mais agressivo, você mais organizador de jogadas). Ele chegou, logo virou titular e você foi pro banco. Coincidência ou não o Jazz caiu e não entrou nos playoffs. Como foi esta segunda metade do campeonato?
mack1RAULZINHO: Este foi meu primeiro momento de dificuldade na temporada. Meu pai mesmo me dizia: “Muita gente passa pelo que você está falando logo que começa a temporada. Você está passando por isso no meio do campeonato. Faz parte do aprendizado”. Ele me dizia sempre isso. Eu aprendi muito com isso também. Tive menos minutos, mas a competitividade nos treinos aumentou muito também. Por incrível que pareça, a responsabilidade não diminui quando você vira reserva, mas sim aumenta, porque você precisa fazer o que vinha fazendo, ou mais, em menos tempo, em situações diferentes. É diferente você jogar 30 do que jogar 10 minutos. Com 10 minutos nem sempre você consegue entrar no ritmo de jogo. Às vezes você acerta uma, duas bolas e já está saindo. É bem distinto e foi bem difícil pra te falar a verdade. A vida e o basquete são assim, e o atleta precisa estar preparado pra jogar o tempo que for. O Mack chegou, fez bons jogos, e é normal o time mudar um pouco com a chegada de um elemento diferente na química que tínhamos. Não é uma crítica a ele, mas sim algo natural pela chegada de um novo atleta. Não sei se perdemos esses jogos importantes que nos levariam ao playoff por causa disso, mas ele fez bons jogos. Mereceu os minutos que teve. Eu consigo levar pelo lado positivo, que é de ter aprendido com ele nos treinos e da competitividade que tivemos juntos.

raul4BNC: Você parou pra pensar o que será na próxima temporada em Utah? Te digo isso porque o Mack mesmo tem a opção do time em mantê-lo (o Jazz ainda não decidiu). O australiano Dante Exum voltará. O Burke entra em último ano de contrato. E tem você entrando no segundo ano. Preocupa?
RAULZINHO: Lógico que a gente fica um pouco preocupado. Quero jogar, quero ter um crescimento do meu primeiro para o segundo ano, mas neste momento meu foco está mesmo na Olimpíada do Rio de Janeiro. Aí quando tiver que me apresentar lá pra pré-temporada a gente vê o que irá acontecer. Boatos há aos montes e de todos os tipos. Tenho que me preocupar com o que posso controlar, que é minha parte física, a parte técnica, que é no que venho trabalhando. Se tiver a oportunidade de jogar, preciso estar preparado. Pego um avião amanhã mesmo pros Estados Unidos, e passarei este tempo até a apresentação da seleção brasileira treinando lá. Há uma academia em Santa Bárbara (Califórnia) e treinarei lá.

raulkobe1BNC: Antes de entrar na seleção brasileira queria falar sobre seu último jogo na temporada 2015/2016 da NBA. Calhou de ser contra o Lakers, e do Utah Jazz já entrar em quadra eliminado porque o Houston Rockets havia ganho o seu jogo (os dois times disputavam a oitava vaga do Oeste). Aí a gente viu aquele show de despedida do Kobe Bryant com 60 pontos. Consegue nos descrever aquele momento? Em alguns momentos você chegou a marcá-lo. Você chegou a falar algo com ele?
RAULZINHO: Eu brinquei com ele uma hora lá. Ele chegou perto do Marcelinho Huertas e foi chamar a jogada falando em espanhol achando que eu não entenderia. Aí brinquei falando: “Ó, não adianta falar em espanhol que eu entendo, hein. Já sei o que você vai fazer”. Mas foi só isso mesmo. O fato é que foi uma oportunidade que é difícil de explicar. O último jogo da minha temporada de estreia caiu justamente naquele que foi o de despedida de um dos melhores de todos os tempos. Isso é incrível. Ainda por cima do jeito que foi aquele jogo, né. A gente perdeu, ninguém gosta de perder, mas o que ele fez foi um show à parte. Estar lá dentro, poder jogar contra ele é algo pra poucos e que levarei pro resto da minha vida. O jogo estava meio controlado pra gente mesmo. Faltavam meio que cinco minutos, ele deu dois air-balls (quando o jogador arremessa e a bola não bate nem no aro) e aí pensei que a partida era nossa porque o gás dele teria acabado ali. Só que faltando dois minutos eu não o que deu nele que ele voltou a ser o Kobe que ele sempre foi. Começou a meter uma bola, falta, lance de três. Não conseguíamos parar o cara de jeito. Impossível de marcar. Teve gente que perguntou se era combinado, mas isso não existe. A gente é profissional, ganha pra estar ali e jamais aconteceria. No banco, quando estava assistindo, eu não tinha nem reação pro que ele fez. Foi de outro mundo. A loucura dos torcedores, o clima no ginásio, foi lindo ter participado disso tudo. Não tem como falar muito.

raul1BNC: Você lembra de algo diferente com o Kobe, ou só isso mesmo?
RAULZINHO: Teve um lance engraçado, sim. Antes dos jogos há sempre a conversa dos árbitros com os dois capitães de cada time, você sabe como é. Os juízes sempre falam sobre as regras, dão alguns toques, não é nada demais. Tinha vezes que o Gordon Hayward, nosso capitão, não estava na quadra por causa dos rituais pré-jogo dele. E nenhum atleta gosta muito de parar a preparação antes dos jogos, né. O que acontecia? O time me colocava pra ouvir os árbitros. Em uma dessas foi contra o Lakers no meio da temporada (em 28 de março) e com o Kobe do outro lado. O Hayward não estava, e lá fui eu fazer essa de capitão do time. Cumprimentei, troquei uma rápida ideia e teve uma foto desse momento que guardo com muito carinho.


Raulzinho fala do Rio-2016 e da expectativa por medalha em casa
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Fábio Balassiano

raul2Raulzinho chega para a Olimpíada do Rio de Janeiro, a segunda de sua carreira, empolgado por uma boa temporada no Utah Jazz, a sua primeira na NBA. Mais do que isso. Aos 24 anos, o armador sabe que sua função mudou. Em 2012, em Londres, era um jovem entrando em um grupo de atletas experientes. Agora, é considerado peça-chave pelo técnico Rubén Magnano para os Jogos. O blog conversou com ele na segunda-feira na sede da NBA Brasil, no Rio de Janeiro, sobre seleção brasileira, da emoção de disputar uma Olimpíada em casa, de sua temporada de estreia na NBA, do jogo de despedida de Kobe Bryant do qual ele fez parte e muito mais. Raulzinho contou inclusive uma história bem interessante sobre seu pai, o ex-armador e hoje técnico da Caldense (MG) Raul Togni, que não disputou a Olimpíada de 1992 para acompanhar o seu (dele) nascimento. Confira o papo, que será dividido em duas partes.

raul3BALA NA CESTA: Começo falando de seleção agora. O que esperar dessa Olimpíada que é tão especial? Especial por ser em casa, por ter chance de medalha, por provavelmente ser a última de boa parte dessa geração mais velha…
RAULZINHO: A gente espera que seja uma boa Olimpíada. A gente teve tropeços em Olimpíadas, em Mundiais, que deixaram a gente fora da luta por medalha e a gente aprendeu muito com isso. Olimpíada é um campeonato curto, e um dia, um jogo, te aproxima ou te afasta de brigar por medalha. Todos estão maduros e aprendemos muito. Na Olimpíada de 2012 todos éramos muito novos naquele tipo de situação. No Mundial de 2014 aprendemos muito, tiramos várias lições. Conseguimos ganhar da Argentina, que estava engasgado havia muito tempo, mas logo depois jogamos contra a Sérvia, contra quem havíamos vencido na primeira fase, e perdemos. Mas isso serve de aprendizado e creio que estamos preparados pra Olimpíada. A gente conversa muito entre a gente, temos um grupo no WhatApp só dos jogadores e está um clima bem legal. Todos estão bem confiantes que podemos ir longe.

raulpai1BNC: Esta é sua segunda Olimpíada, e não digo que você vai estar realizando um sonho do seu pai, o Raul, porque isso você fez em 2012 em Londres. Mas imagino que jogar uma Olimpíada com ele em casa deva ser especial pra você e toda sua família, né?
RAULZINHO: Tem uma história que quase ninguém sabe. Em 1992, nas vésperas da Olimpíada de Barcelona, meu pai estava treinando com a seleção e pediu dispensa dos treinamentos porque minha mãe estava grávida de mim e ele foi acompanhá-la. Ninguém sabe se ele iria ficar, porque havia uma série de bons armadores, como Guerrinha, Cadum e Maury, mas tinha boas chances. Aí ele acabou que não foi porque eu estava pra nascer. Vinte anos depois eu fui para uma Olimpíada que ele não pôde vir. Nessa daqui meu pai está bem tranquilo. Ele não queria nem vir porque estava com medo da confusão, desorganização, lugar pra ficar, essas coisas. Mas falei com ele: “Pai, esta é uma oportunidade única. Você tem que vir”. Consegui convencer meu pai e minha mãe também vem por causa dele, né. Então todo atleta tem direito a dois ingressos. Dei os meus dois pros meus pais, meu irmão vai estar aqui também e pra ele não vir sozinho um amigo meu estará aqui com eles. Vai ser maravilhoso poder compartilhar isso tudo com eles no Rio de Janeiro.

raul10BNC: Sobre a Argentina, um dos adversários na primeira fase, é inevitável lembrar do jogo que você fez contra os Hermanos no Mundial de 2014. Foram 21 pontos, a melhor atuação da sua vida com a camisa da seleção brasileira. Já dá pra prever o que será do duelo contra eles de novo?
RAULZINHO: Nosso grupo todo é difícil. Se você olhar do outro lado também há times muito bons. EUA, a Austrália que virá completa, os dois que sairão do Pré-Olímpico mesmo. São dois grupos bem complicados, mas concordo que o nosso é o mais difícil mesmo. Acho que temos que pensar jogo a jogo, e o da Argentina será mais um desafio que iremos enfrentar nestes Jogos. É lógico que a gente sempre teve muita dificuldade de jogar contra eles, mas temos que esquecer isso agora. Primeiro vem a Lituânia, depois a Espanha, logo depois o time do Pré-Olímpico. Tem muita coisa até enfrentar a Argentina.

raul4BNC: Você jogou o último jogo do Kobe Bryant lá na NBA. Passa pela sua cabeça que você vai enfrentar os caras de novo e provavelmente na última aparição daquela geração dourada com Manu Ginóbili, Luis Scola e Pablo Prigioni? Dá pra carimbar mais uma vez os argentinos?
RAULZINHO: Eu não penso assim. A gente precisa ganhar de quem for. Lógico que pra eles vai ser um momento especial, assim como pra gente também será. Não vai ser bom se eles terminarem a carreira mal, e não será bom pra gente se não fizermos um bom papel em casa. Todos querem a medalha.

BNC: Em 2012 você tinha 20 anos, estava estreando na Olimpíada. Quais as diferenças do Raulzinho que era um jogador de composição de elenco na Olimpíada de Londres pra esta, em 2016, quando você será bastante efetivo? Eu acho isso uma loucura, mas se eu não perguntar meus leitores me matam, então vamos lá: passa pela sua cabeça ser titular no lugar do Marcelinho Huertas devido a boa fase que você vive?
raul20RAULZINHO: Comparando 2012 com agora eu sou outro jogador. Outro mesmo. Tive experiências bacanas. Na Espanha e neste último ano na NBA contra os melhores atletas do mundo. Vou estar preparado pra jogar o tempo que for e nas situações que o técnico Rubén Magnano achar melhor para mim e para o time. Quanto a isso, nenhum problema e está muito claro na cabeça de todos. Se for um minuto ou 40, darei o meu máximo. Essa disputa com o Marcelinho é uma disputa boa. Aprendi muito e te digo: não sei se seria o jogador de hoje se eu não tivesse o aprendizado que tive com ele nos últimos anos. Ele é um cara que me ensinou muito, muito mesmo. É um amigo fora de quadra acima de tudo. Não tem disputa de tomar o lugar dele, de ele tomar o meu, porque na seleção tem muita hierarquia também. Ele está na seleção há mais de uma década, é o capitão e fez muito mais do que eu pelo time. O que o Magnano decidir vamos aceitar numa boa. O Brasil estará em boas mãos. É uma disputa saudável e que só tem a somar pra mim e pra ele.

raul50BNC: Nesse grupo que vocês têm dos jogadores é comentada que pode ser a última chance de se ter uma medalha pra maioria dos caras dali? Anderson Varejão, Alex, Nenê, Leandrinho…
RAULZINHO: Não, a gente nunca falou sobre isso. A gente fala da chance, de estarmos jogando em casa, de estar focado, mas nunca de última seleção. E nem vai falar. Essa é uma decisão muito individual de cada um. Não comentamos nada disso sobre isso nem entre a gente.

BNC: O Magnano deu uma entrevista e falou que uma das coisas que mais preocupa ele é a distração que uma Olimpíada em casa pode trazer para o grupo. Muita família, amigos, muita gente pedindo foto, ingresso, pra visitar a galera. Como ele está falando disso com vocês, de restrições, essas coisas?
RAULZINHO: A única conversa que tive com ele sobre isso foram 10 minutos quando estava em Utah e ele falou isso, mas sem detalhes. Não entrou muito, mas citou isso de estar focado e do grupo estar bem fechado, sem distrações. Ele citou isso de serem, na Olimpíada, dez, 15 dias, e um período fundamental para nos concentrarmos em torno de um único objetivo que é a medalha.

neto1000BNC: Os jogadores do Utah Jazz que podem vir ao Rio de Janeiro (o francês Rudy Gobert e os australianos Joe Ingles e Dante Exum por exemplo). O que eles te perguntam sobre a Olimpíada? É só sobre o Zika mesmo?
RAULZINHO: Todos eles são bem experientes, já jogaram em outros países e sabem como é uma Olimpíada. Tem algumas brincadeiras, mas nada demais, não. É mais sobre Zika mesmo. Perguntam muito, até para conhecer de fato o que é. Eles acham que é uma coisa que é muito maior do que é. Acham, sei lá, que qualquer mosquito que te picar você pega Zika, essas coisas. A gente passa um pouco de conhecimento pra eles neste sentido.

Continua…


Raulzinho perde espaço com a chegada de novo armador no Utah Jazz
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Fábio Balassiano

mack1O que eu temia infelizmente aconteceu no Utah Jazz: “É bom que Raulzinho (o titular) e Trey Burke (o reserva que perde espaço e a confiança da franquia) abram o olho, evitando qualquer perda de minutos possível. Mack é mais experiente que os dois, e nessa briga por playoff que o Utah está pode ser que o tempo de rodagem faça a diferença para o técnico Quin Snyder“. Foi o que disse quando a franquia de Salt Lake City fez a troca que levou Shelvin Mack, de 25 anos e há quatro temporadas na NBA, para lá.

mack2Mal chegou, e Shelvin Mack já mudou a vida de Raulzinho. Para pior. O armador, ex-companheiro do astro do Jazz Gordon Hayward na faculdade de Butler (foto ao lado), saiu do banco no jogo contra o Portland (16 pontos e 6 assistências) no último domingo, jogando 24 minutos e causando boa impressão em sua estreia com a camisa do time. Naquele jogo, Raulzinho teve 10′ e quatro pontos apesar de ter sido titular. Ali a luz amarela de preocupação já ficaria acesa pelo brasileiro. Mack trouxe muita agressividade do banco de reservas e deu muito trabalho na defesa para Damian Lillard, um dos melhores jogadores da liga.

NBA: Houston Rockets at Utah JazzOntem, porém, ficou pior para Raulzinho. Na vitória contra o Houston Rockets na prorrogação (117-114) o brasileiro saiu de primeira para terceira opção na armação. O brasileiro, que atuou por apenas oito minutos, jogou bem menos até que Trey Burke (29′ e aparentemente o novo suplente da posição) e viu Shelvin Mack se tornar titular com uma ótima atuação. Em 32 minutos ele teve 17 pontos e 2 assistências, além de um arremesso decisivo no tempo-extra (07:40 do vídeo abaixo).

Após o jogo o técnico Quin Snyder explicou a mudança na formação titular: “Ele é novo em nosso time, mas tem experiência e isso pode nos ajudar. Mack jogou mais partidas de playoff (17) que todos os nossos jogadores juntos. É um fator importante que pode nos fazer chegar à pós-temporada, não tenho dúvida disso. Não precisamos ficar fazendo mudanças o tempo todo. Creio que iremos assim até o final da temporada regular”.

raul3A sorte de Raulzinho é que o período de trocas terminou. Não porque o Utah fosse movê-lo, mas porque isso evita que Rubén Magnano, técnico da seleção, solte alguma indelicadeza, como fez com Marcelinho Huertas no dia de ontem (o treinador afirmou que o armador do Lakers “tinha muita vontade de ser trocado, mas não conseguiu“). De todo modo, vale a pena ficar de olho, pois a situação de Raulzinho de agora até o final do certame pode não ser tão boa assim (em termos de minutos). É ótimo ele estar em um time que brigue e que talvez até jogue em playoff, mas é óbvio que a possível perda de espaço para quem vinha jogando mais de 20 minutos/jogo em janeiro e fevereiro assusta um pouco.


Jovem, Utah Jazz ‘amadurece’ rápido e entra na briga por playoff na NBA
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Fábio Balassiano

jazzNão dá pra dizer exatamente que o Utah Jazz é uma grande surpresa no Oeste da NBA em 2015/2016. Não, não é. O time tem um bom elenco, e todos contavam que a franquia brigaria pela sétima ou oitava vaga da conferência para um playoff que não frequenta desde a temporada 2011/2012. A questão interessante da equipe de Salt Lake City não é bem “o quê”, mas sim “como” ela chegou aos 26-26 (oitava posição) antes do All-Star Game.

exumFazia muito tempo que eu não via tanta lesão ao mesmo tempo em uma franquia como aconteceu com o Utah. Dos principais jogadores do time, apenas Gordon Hayward (falarei dele já, já) esteve em todas as partidas. Dante Exum (foto), preparado para ser o armador titular nesta temporada, se lesionou jogando pela Austrália, operou o joelho e dificilmente entrará em quadra em 2015/2016. Alec Burks, reserva na ala, estourou o tornozelo quando tinha 14 pontos de média em 28 jogos, e não se tem previsão de sua volta. Segunda melhor opção de ataque, Derrick Favors se ausentou por 17 partidas. Seu parceiro de garrafão, Rudy Gobert, outros 20. Rodney Hood (2), Raulzinho (1), de quem já falei de maneira mais longa por aqui, vocês devem lembrar, e Trey Burke (4) também já ficaram de fora por algum problema físico.

snyderOu seja: o técnico Quin Snyder, que foi assistente de Ettore Messina no CSKA russo em 2012/2013, até tem um bom elenco em mãos é bem razoável e até certo ponto preparado para brigar pelo playoff no Oeste apesar de ser o mais jovem da temporada 2015/2016 da NBA (24,1 anos de média). O problema foram os obstáculos no meio do caminho. Está aí o grande mérito da equipe – ter brigado com as armas que estavam disponíveis, manter a identidade e vencer jogos bem importantes recentemente (como foram contra o Denver Nuggets e Dallas Mavs, rivais diretos pelo mata-mata).

utahdHá os destaques individuais, que falarei adiante, mas a grande chave para brigar contra times até mais capacitados em termos técnicos é mesmo a defesa (um dos motivos, aliás, da franquia ter despachado o turco Enes Kanter, que não marca absolutamente nada). Em 2015/2016 o Utah cede apenas 96,4 pontos por jogo (terceiro menor índice), com 44,6% de conversão dos arremessos rivais, permitindo apenas 8,7 rebotes ofensivos para os adversários (quinta melhor marca da temporada) e surreais 12,7 chances de arremesso perto da cesta (um dado assustador!). Dentro do garrafão, aliás, os times acertam apenas 61% de seus chutes (nona marca mais eficiente da NBA). Para isso tudo, ter dois “cavalos” físicos perto da cesta ajuda muito. Rudy Gobert é um “cadeado” impressionante e tem 10,7 rebotes e 2,4 tocos por jogo. Favors, 8,5 rebotes e 1,3 toco por noite.

gordonNo ataque o time ainda se enrola um pouco no ataque (97,8 pontos por jogo e 44,5% de acerto nos arremessos) até mesmo porque perdeu Alec Burks (ele trazia consistência para o time anotar no perímetro), mas tem sido “salvo” pelas grandes atuações de Gordon Hayward, que vem tendo temporada esplêndida (foi solenemente ignorado do All-Star Game aliás). Aos 25 anos, com contrato renovado até 2018 e sabendo que a franquia deposita as esperanças em seus ombros, o ala de Butler registra 19,9 pontos (melhor marca de sua carreira) em 15,1 arremessos por jogo, 5,1 rebotes e 3,7 assistências. Em seis jogos de fevereiro, foram quatro partidas com 20+ pontos. Incluindo a bola decisiva contra o Dallas fora de casa (vídeo abaixo):

favorsOutros que têm ido muito bem em um elenco pra lá de balanceado  (há ótimas opções em todas as posições) são o próprio ala Derrick Favors (subestimado, tem 16,6 pontos, 8,5 rebotes e 1,3 toco – ele, na foto, ainda tem 24 anos, hein…), o ala-armador Rodney Hood, que em seu segundo ano tornou-se titular e registra 14,9 pontos de média, o pivô gigante francês Rudy Gobert (10,3 pontos, 10,5 rebotes e 2,4 tocos/jogo) e o reserva de Raulzinho na armação Trey Burke (11,8 pontos de média).

O Utah volta à quadra na quinta-feira contra o Washington Wizards na capital dos Estados Unidos, e na sexta-feira enfrenta o Portland Trail Blazers, rival direto por vaga no playoff, em casa. Jogando de forma segura, errando apenas 13,8 vezes por partida, o Jazz brigará contra Blazers, Rockets, Kings, Nuggets e Pelicans pelas últimas vagas do Oeste. Da maneira que vem atuando, o time de Raulzinho tem boas chances de voltar à pós-temporada.


Com Raulzinho em quadra, All-Star da NBA começa com Desafio dos Calouros
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Fábio Balassiano

nba1Começa nesta sexta-feira em Toronto, Canadá, o primeiro All-Star Game da NBA fora dos Estados Unidos (a programação e os horários de transmissão estão ao lado).

Além do jogo das celebridades (Drake, o cantor, está envolvido, claro), teremos hoje o Desafio dos Calouros, duelo entre atletas do primeiro e do segundo ano da liga que é dividido entre os nascidos nos Estados Unidos e nos demais países. Será bem interessante ver como a torcida canadense agirá e como tratará o maior ídolo da modalidade do país na atualidade (Andrew Wiggins, que joga pelo Wolves).

raul3É neste confronto que estará Raulzinho, armador do Utah que foi tema de texto aqui recentemente e segundo do país a participar da festa (Nenê jogou em 2003 e 2004).

Normalmente este tipo de jogo não vale nada, mas para Raulzinho tem um valor razoável. Sem falar no lado profissional (dele), que fica feliz em estar em uma partida assim, há também o fato de todas as franquias passarem a olhá-lo com mais atenção.

Contratado para ser terceiro armador do Utah Jazz, o brasileiro, um pick de segunda rodada em 2013 (não custa lembrar), ganhou espaço com a lesão do australiano Dante Exum e indo bem melhor que Trey Burke, ex-titular da posição que atualmente encontra-se em muitos rumores de troca.

raul2Quer ver um reflexo de como uma convocação dessas mexe (positivamente) com o atleta? Desde que foi anunciada a ida de Raulzinho para o Desafio dos Calouros sua média de minutos cresceu muito – mas muito mesmo. Saltou dos 20 de janeiro para mais de 30 em fevereiro. Com isso, seus números também saltaram de 6,3 pontos e 2,9 assistências para 10,3 pontos e 3,3 assistências (neste mês já foram três atuações de 10+ pontos contra 2 em janeiro). Fora o mérito individual, ele tem sido fundamental para o Jazz fincar o pé na zona de classificação dos playoffs (o time será tema de texto na próxima semana, prometo).

A satisfação de vermos outro jogador do país é enorme e Raulzinho merece ser muito parabenizado por isso. Que ele aproveite a festa, se divirta bastante e mostre que pode, sim, pertencer à elite dos jovens atletas da NBA.


Contra o Bucks, Raulzinho quer aumentar série positiva na NBA
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Fábio Balassiano

raul3Jogo importante para o Utah logo mais em Salt Lake City (meia-noite começa a peleja). O time, que vem de quatro vitórias seguidas, recebe o Bucks, e, consolidado na oitava posição do Oeste com 23-25, busca se distanciar do Portland Trail Blazers (24-27) e “zerar” a campanha (50% ou mais) o quanto antes. Para o brasileiro Raulzinho, convocado para o Desafio dos Calouros do All-Star Game, vale também para aumentar a sua série de boas partidas neste começo de fevereiro.

Contra o Chicago Bulls no primeiro dia do mês foram incríveis 14 pontos (a maior marca de sua carreira), 3 rebotes e 2 assistências em 32 minutos (em cima de Derrick Rose, que errou 15 de seus 21 arremessos tentados, vale lembrar). Dois dias depois, 10 pontos, 4 rebotes e 4 assistências contra o Denver em 27 minutos (do badalado calouro Emmanuel Mudiay, que teve 3/10 nos chutes e 3 desperdícios de bola). Em toda temporada 2015/2016 o brasileiro, uma das gratas surpresas da NBA até o momento, ainda não havia tido jogos seguidos com 10 ou mais pontos.

raul1Se isso não fosse o bastante, Raulzinho, que jogou 25 ou mais minutos em quatro das últimas cinco partidas (contra o Detroit não conta, pois ele se machucou no começo da peleja e saiu para não mais voltar), traz consigo um dado interessante: até o momento, nos 47 jogos que fez no melhor basquete do mundo, em 8 ele obteve 10 ou mais pontos. Em seis deles o Utah venceu (veja figura ao lado). Triunfos contra Nuggets, Bulls, Nets, Heat, Clippers e Pacers. Derrotas para Kings e Spurs.

raul2Ou seja: quando ele produz bem na pontuação o seu time é, sim, afetado positivamente. Por mais que ele exerça a função de armar a equipe e que tenha como função prioritária passar a bola para Derrick Favors e Gordon Hayward, os líderes da franquia em pontos, a coluna de pontos é fundamental para que ele ganhe a confiança de todos, e seu time vença duelos.

Do outro lado da quadra estará Michael Carter-Williams, armador que foi trocado pelo Sixers há um ano e que agora parece estar disponível no mercado de novo. Pressioná-lo desde o começo pode ser bom para Raulzinho e para nova vitória do Utah Jazz.