Bala na Cesta

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Sob nova direção, Atletas reprovam contas da CBB pela 1ª vez e avisam: ‘Estamos atentos’
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Fábio Balassiano

Na eleição de semana passada da Confederação Brasileira de Basketball uma postura em particular chamou a atenção. Foi a da Associação de Atletas (AAPB), que ajudou a eleger o agora presidente Guy Peixoto e que logo depois teve a coragem de, ao contrário dos demais eleitores de Guy, reprovar as endividadas contas da CBB de 2016.

Para uma Associação que sob o comando de Guilherme Giovannoni, atleta de Brasília, aprovava sempre os desmandos financeiros de Carlos Nunes (foi assim por quatro anos consecutivos) e chancelava uma gestão tenebrosa como a dele foi uma surpresa e tanto a mudança de postura. E ela (a mudança) atende pela mudança na presidência da Associação.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Saiu Giovannoni e entrou Guilherme Teichmann (indicado pelo antecessor inclusive). Pivô do Pinheiros e dono de senso crítico acima do normal, o jogador de 33 anos anos e seu vice, Bruno Fiorotto (do Vasco), adotou uma postura muito menos contemplativa e começou a sua gestão dando um recado claro: “A reprovação destas contas manda um recado de que estamos atentos à próxima gestão”.

O blog conversou com a Teichmann de forma exclusiva e as respostas do presidente da Associação chamam a atenção pela clareza e sobretudo por uma forma bem diferente de ver a situação do basquete brasileiro.

BALA NA CESTA: Gostaria que você explicasse o voto em Guy Peixoto. O que pesou para que a Associação votasse nele e não no outro candidato?
GUILHERME TEICHMANN: Nosso voto foi baseado nos compromissos que o candidato assumiu. Entre eles, um plano de governo emergencial para os 100 primeiros dias visando reverter a suspensão imposta pela FIBA ao basquete brasileiro. Consideramos isso prioridade. A criação da Universidade do Basquete é outro compromisso que nós acreditamos que pode impactar muito no futuro da modalidade, capacitando técnicos, árbitros, dirigentes e jogadores.
A maioria dos atletas consultados por mim citou o perfil gestor do Guy Peixoto e o planejamento apresentado por ele como a melhor opção para solucionar os problemas que a CBB enfrenta e liderar um futuro mais organizado da Confederação. Por isso, cobraremos uma gestão competente e responsável. Outro fator que influenciou muito foram os grandes nomes do basquete que se colocaram ao lado do Guy, como Amaury Pasos, Hélio Rubens e Marcel, por exemplo. Pelo respeito e admiração que temos por essas pessoas que fizeram a historia do nosso esporte, esse apoio tinha que ser levado em consideração.

BNC: Um fato que chamou a atenção positivamente foi a reprovação das contas, algo que não acontecia com a antiga gestão anterior da Associação. Como foi o processo de reprovação das finanças de 2016 da gestão passada da CBB?
TEICHMANN: Nós atletas estamos muito insatisfeitos com a situação financeira da CBB. Nos últimos anos a Confederação recebeu um valor considerável de dinheiro, mesmo assim não honrou suas obrigações e dívidas foram criadas. A reprovação destas contas manda um recado de que estamos atentos à próxima gestão.

BNC: Qual o recado que a Associação quis deixar nesta eleição? O de que a gestão mudou e que agora todos serão mais cobrados?
TEICHMANN: Nosso recado é que confiamos no projeto, mas que estaremos atentos e cobrando. Faremos o que estiver ao nosso alcance para melhorar o nosso esporte e as condições de trabalho dos atletas. Nós atletas precisamos ser mais participativos e ativos nesse processo. Um bom exemplo para nós foi justamente o resultado da eleição da CBB. O apoio dos atletas, ex-atletas e técnicos foi muito importante para o resultado do pleito.

BNC: O que podemos esperar desta nova gestão liderada por você e pelo Bruno Fiorotto, pivô do Vasco?
TEICHMANN: Nossa missão é que os atletas participem mais. Nos esforçaremos por uma maior interação entre jogadores de times diferentes para solucionar problemas em comum. Também queremos diminuir a distância entre os atletas e quem comanda nosso esporte. Uma marca importante da nossa gestão será mostrar a preocupação que já existe por parte de nós, atletas, com as comunidades. Queremos fortalecer a imagem do jogador de basquete como um personagem importante e um influenciador dentro da sua comunidade. Vamos promover mais ações sociais. Inclusive já estamos fazendo algumas e acho que vale a pena usar o espaço para detalhar. Na última semana fizemos doação de cestas básicas através dos jogadores dos times de São Paulo para moradores de uma favela que foi vítima de incêndio.

BNC: Como foi o processo de comunicação de você para com os demais atletas da Associação? Eles apoiaram a decisão de votar no Guy Peixoto?
TEICHMANN: Falamos por telefone e mensagens. A decisão do voto da AAPB foi baseada nessas conversas.
Tentei me comunicar com o máximo de atletas, mas é claro que faltou conversar com muitos. Esse processo de comunicação dos atletas também é uma das coisas que precisamos melhorar. Estamos analisando qual será a melhor plataforma para isso.


Atletas exigem mudanças na Confederação da Argentina – e no Brasil?
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Fábio Balassiano

leo1“Algumas coisas estavam mal, mas ninguém esperava que terminasse assim. Ninguém imaginou que faltasse tamanha quantidade de dinheiro. (Para tirar o presidente German Vaccaro) Os jogadores (Scola, Nocioni, Manu, Delfino e Prigioni) intervieram, claro, assim como o Secretário de Esportes e a Associação de Atletas”

“Tomara que o Daniel Zanni (novo presidente) seja uma pessoa idônea, mas não nos gostou a sua indicação porque ninguém o conhece. Buscávamos outra pessoa, outro caminho, outras ideias. Queríamos um gerente que conhecesse basquete, um administrador para cuidar das finanças, alguém para cuidar do produto basquete”

leo3“Nós chegamos à seleção há 15 anos e agora estamos igual ou pior do que estávamos naquela época. Sei que a CABB deve muito dinheiro aos atletas, mas não nos importa, não jogamos pela seleção por isso (dinheiro). Em 1999, para se ter uma ideia, Julio Lamas (técnico) e um outro jogador tiveram que pagar o sobrepeso das bagagens em uma viagem internacional”

“A suspeita de que há alguma coisa errada além da má gestão é grande, mas não temos prova de nada, então é melhor não acusar. Para isso existe a auditoria. Torço para que o que seja descoberto é que apenas a Confederação trabalhou mal, que não vendeu bem o produto que ela tem nas mãos”

leo5“Espero que a CABB convoque estes cinco jogadores, a nata do basquete argentino, para uma reunião e explique como serão os próximos passos da Confederação, qual o caminho a seguir. Não só para estes dias em que estaremos reunidos com a seleção, mas principalmente para o futuro. E se a CABB não vier com a verdade os jogadores devem colocá-la contra a parede e a CABB ficará pior do que já está em nível internacional”.

As declarações, todas fortíssimas, são do ótimo Leo Gutierrez, ala do Peñarol (Mar del Plata) e um dos remanescentes da geração que conquistou o ouro olímpico em Atenas, 2004. Ao Diário Olé, Leo, convocado por Julio Lamas para a Copa do Mundo da Espanha, critica asperamente o comando da CABB (a Confederação Argentina de Basquete), confirma que os jogadores estavam realmente por trás da saída de German Vaccaro (ex-presidente deposto) e pede mudanças urgentes nos rumos da modalidade no país. Só lembrando: a Argentina foi campeã olímpica há uma década, medalha de bronze em 2008, quarta colocada em 2012. E os atletas estão totalmente insatisfeitos com o que está rolando por lá.

gui1Aqui no Brasil, o que temos? A Associação de Atletas, presidida por Guilherme Giovannoni (foto à direita), aprovando as contas da CBB (aqui e aqui), sem pedir NENHUMA mudança na gestão e sem tentar mudar os rumos da modalidade por aqui. Fala muito sobre o senso crítico (ou a falta dele) de lá e de cá, da conivência que a maioria dos jogadores têm com quem está no poder e quão fácil é ser um dirigente ruim no Brasil.

Ah, e não sei se vocês notaram, mas há forte presença dos principais do basquete argentino (todos eles jogando fora, o que prova que mesmo aqueles não atual na Liga Nacional querem o desenvolvimento urgente do esporte platense) neste ato. Meus sinceros parabéns aos hermanos por mais uma prova de maturidade política, de senso crítico e por saber que atleta não é só mão de obra, mas principalmente agente de mudança de sistemas esportivos totalmente falidos, corroídos e dirigidos por quem pouco entende de gestão.

Já no Brasil… Fica a pergunta: se ninguém cobra, se ninguém exige as mudanças tão necessárias para a modalidade, por que diabos Carlos Nunes e sua trupe irão mudar a forma como administram o basquete deste país?


Associação de Atletas não responde sobre aprovação do Balanço da CBB
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Fábio Balassiano

AAPBVamos à cronologia dos fatos:

02/05 -> Enviei e-mail para a Associação de Atletas (AAPB) com perguntas sobre a sua (dela) aprovação do Balanço Financeiro da CBB (mais aqui). Foi a PRIMEIRA entidade que procurei enviando perguntas.
05/05 -> Começo da divulgação das análises sobre o Balanço de 2013 da CBB neste blog (mais aqui).
06/05 -> Em conversa comigo ao telefone, presidente da Associação de Atletas, Guilherme Giovannoni, pede até o começo de junho para responder às minhas dúvidas. Prazo é obviamente aceito.
29/05 -> Envio e-mail a Guilherme perguntando sobre o PRAZO para ter as RESPOSTAS às minhas perguntas.
02/06 -> Resposta de Giovannoni para o blogueiro (reproduzo-a por completo): “Fábio, hoje é o primeiro dia útil do mês, e como tínhamos combinado, no início do mês de junho você terá a sua resposta. Até o fim dessa semana você receberá”.
03/06 -> Associação envia um TEXTO, e não as respostas às minhas perguntas (tangenciando totalmente as questões e não indo aos pontos centrais do debate)
03/06 -> Reitero, também por e-mail, que enviei perguntas, e que precisava de respostas (não de um texto/release). Prolongo o prazo até 23:59 do dia 06/06/2014.
06/06 -> Associação não envia respostas.

gui1Abaixo as perguntas enviadas pelo blogueiro à Associação e também o texto recebido. Respeito demais a Guilherme Giovannoni (presidente) e as intenções da AAPB (e entendo muito bem o porquê de não ter recebido a devida consideração com um fato GRAVE como foi a aprovação por parte desta do balanço financeiro da Confederação Brasileira de Basketball), mas para mim o que fica não é um gosto bacana, não. Principalmente pelo que me foi dito que seria feito ao telefone.

Me foram prometidas respostas a questionamentos importantes para o andamento de um processo TRANSPARENTE e que precisa ser revisto no esporte brasileiro (como apontou o próprio TCU a este blogueiro). E o que me veio foi um texto-padrão (release), algo bem diferente do que quem acompanha basquete esperava/merecia.

Para uma modalidade que precisa de uma ruptura, por mais lenta que ela seja, confesso que foi um choque (principalmente pela conversa que tive com Giovannoni ao telefone). Não haverá mais comentário de minha parte sobre a recusa da AAPB em não me enviar as respostas que eu gostaria de apresentar a quem acompanha este espaço, ok.

PERGUNTAS À ASSOCIAÇÃO (Enviadas em 02.05)

1) Em primeiro lugar, a pergunta mais importante a se fazer: por que a Associação aprovou as contas da CBB? Qual foi o motivo? Qual a análise da Associação sobre as contas da entidade? É positiva?

2) Os atletas foram consultados sobre esta aprovação? Como eles foram comunicados que a AAPB chancelou as contas de 2013 do presidente Carlos Nunes?

gui13) A Associação sabe que o ano de 2013 terminou com um déficit de quase 1 milhão de reais? Se sabe, aprovou mesmo assim?

4) Não seria mais prudente, tendo em vista o exíguo tempo para análise das contas e a primeira vez da Associação em um evento deste tipo, apenas receber o material, se abster da votação e depois emitir algum parecer oficial?

5) A Associação analisou como o Balanço de 2013 da CBB? Qual foi o método utilizado para análise? Houve algum contador para ajudá-los no momento da votação?

6) Uma das notas explicativas do Balanço aponta que comissões técnicas de seleções ficaram sem receber em 2013 (dívidas). TODOS os salário dos atletas que representaram as seleções estão em dia?

gui27) a Associação sabe que a dívida total da CBB está em 9,5 milhões de reais? Se sabe, mesmo assim APROVOU os números de 2013?

8) A Associação analisou que há dívidas inclusive com o INSS, ou seja, com o governo federal?

9) Por fim: se fosse dada nova chance para a Associação, de analisar com calma e talvez por alguém especialista no assunto, a aprovação realmente aconteceria? O Professor Jorge Eduardo Scarpin, de Blumenau, afirma que a “a CBB encontra-se em situação FALIMENTAR irreversível”.

TEXTO DA AAPB ENVIADO em 03.06

“Prezado Fábio Balassiano, Em atenção aos seus questionamentos enviados por e-mail datado de 02/05/2014, especificamente em relação à participação da AAPB em Assembleia Geral de Prestação de Contas da CBB, temos as seguintes considerações.

Inicialmente, a despeito da determinação legal, não se pode deixar de considerar que a participação dos atletas na Assembleia Geral da CBB é um fato histórico e de muita relevância. Como todos sabem, a participação da AAPB foi incluída no Estatuto Social da CBB dias antes da Assembleia Geral de Prestação de Contas, em atendimento aos prazos estabelecidos pela legislação correspondente.

gui1Apesar do prazo exíguo, fizemos questão de participar da Assembleia Geral de Prestação de Contas, oportunidade em que tivemos acesso aos documentos financeiros da entidade com a respectiva exposição dos seus termos. Como não estávamos incluídos na CBB durante o ano de 2013 e as contas apresentadas eram justamente de 2013, não seria descabida a nossa abstenção. Entretanto, por duas razões bastante objetivas, entendemos por aprovar as contas prestadas naquela oportunidade. Vejamos:

01) Não identificamos qualquer indício de que as despesas e receitas apresentadas não correspondiam à realidade, ou seja, enquanto verdadeiras, independentemente de indicarem determinada situação financeira, não nos cabe impugnação.

02) Embora em análise breve, pudemos verificar que a situação financeira da entidade merece cuidados e isso está devidamente indicado nas “Ênfases” da UNITY – Auditores Independentes. Vale transcrição:

“A entidade vem apresentando déficits sucessivos e, consequentemente, seu patrimônio líquido está negativo, passivo a descoberto. A administração da entidade deve planejar e/ou buscar alternativas de curto prazo para resolver essa situação.”

gui5Em síntese, aprovamos as demonstrações financeiras por não constatarmos qualquer indício de fraude na documentação apresentada e por estarmos de acordo com a conclusão da auditoria de que existem problemas financeiros que merecem atenção e solução. Não poderíamos reprovar tal conclusão. Para esclarecer ainda mais, se houvesse indício de fraude na documentação e se a não houvesse sido reconhecida a necessidade de ajustes, certamente não aprovaríamos o que nos foi apresentado.

Finalmente, agora que a AAPB está juridicamente inserida na CBB, espera se aproximar ainda mais do cotidiano da entidade para oferecer opiniões e contribuições para o desenvolvimento e crescimento da modalidade.

Atenciosamente, AAPB”


Mais do mesmo: 3 times do NBB com salários atrasados
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Fábio Balassiano

salario1Neste sábado, a coluna De Prima, do jornal Lance! publicou a seguinte nota: “Caçula do Novo Basquete Brasil (NBB), o Macaé, do Rio de Janeiro, está devendo dois meses de salários para os jogadores da equipe. A expectativa é que metade da dívida com o elenco seja paga na próxima semana. Goiânia, Basquete Cearense e Flamengo são outras equipes que estão com vencimentos atrasados”.

Antes de escrever o que penso a respeito, vamos a uma nota importante. Fui consultar a Associação de Jogadores, presidida por Guilherme Giovannoni (foto à direita), e assessorada pelo advogado Filipe Orsolini, e recebi o seguinte dos dois:  “Flamengo: conversamos com alguns atletas desta equipe, que pediram para não interferirmos, mas continuamos à disposição; Goiânia: já conversamos com a diretoria da equipe e demos retorno aos atletas. Estamos aguardando uma conversa entre as partes e, se for necessário, vamos agir de acordo com as necessidades. Macaé: até agora não recebemos contato de nenhum atleta desta equipe. Tão logo isso aconteça, vamos nos inteirar da situação e depois fazer o que tiver ao nosso alcance para resolver. A AAPB só pode agir quando os atletas procuram a entidade expondo seu problema, solicitando a nossa participação. Nós sempre estamos à disposição e com expectativa de fazer o possível para resolver a questão exposta da melhor maneira”, explicou Orsolini.

Atualização do post às 13h31: Recebi uma mensagem do ala Felipe Ribeiro, do Basquete Cearense, e o mesmo negou qualquer atraso salarial no time. De acordo com ele, não há nenhum problema de pagamento para atleta algum. Deste canto, peço desculpas. Acabei confiando na informação divulgada pelo Lance! e dei andamento. Menos mal, então.

gui1Bem, este é um assunto chatíssimo e longe de ser algo novo. O que choca, neste caso, é o castelo de cartas que desmorona com uma notícia assim. Macaé e Goiânia são dois estreantes na competição. O primeiro ganhou a vaga em quadra e parecia ter uma estrutura bacana e bancada pela cidade (uma das mais ricas do Estado do RJ devido ao petróleo). O segundo, veio com convite da Liga Nacional. Em menos de três meses já teve problema com ginásio e agora com salário. Do Flamengo, atual campeão do NBB, é algo que se arrasta há décadas, e enquanto não sair o dinheiro da Tim, patrocinadora via Lei de Incentivo, os atletas continuarão sem receber (que situação bizarra, hein).

O panorama, triste pacas, é bem simples: dos 17 times que jogam o NBB, 3 (ao menos do que se tem notícia) estão com salário atrasado (18%). Dois deles entraram no NBB nesta temporada (Macaé e Goiânia) e o outro, além de ser um dos fundadores da Liga Nacional, é o time mais popular do país e atual campeão da competição. Mostra bem a quantas anda a administração dos clubes no basquete brasileiro e mostra bem quão difícil está para manter equipes na modalidade.

gui2Há um outro foco que merece ser analisado também. Respeito demais a Associação e seu presidente, Giovannoni. É ótimo que ela tenha saído do papel, e tenho certeza que vai acrescentar demais ao basquete brasileiro. Mas esperar que os atletas gritem um “salva a gente, mano” para que, aí sim, ela tome uma ação é demais pra mim.

A AAPB se manifestou quando do problema de datas recente, fez alguns protestos belíssimos em quadra (apoiados por imprensa, torcedores e até dirigentes!), mas na hora de demonstrar autoridade para lidar com um problema gravíssimo (atrasos de salários) ela simplesmente faz o que todos os mandatários dos clubes mais gostariam que ela fizesse – se cala e espera que os atletas, a mão de obra quase sempre com medo de agir, faça alguma coisa. Desculpem, mas isso é de uma falta de senso absoluta (e sei que Guilherme não gostará de ler isso – como foi da vez passada quando critiquei a Associação por motivo semelhante). Entendo que seja difícil comprar uma briga sem a (digamos) chancela dos jogadores que são a parte mais lesada na história, mas não se pode esperar apenas a solicitação dos atletas nisso. Se há um problema (e há, é um fato), que ele seja atacado e resolvido rapidamente, principalmente porque não é algo pontual, mas sim algo grande (são três times!).

nbb1As conclusões são bem óbvias. Os clubes precisam tratar essa questão de forma mais séria, dedicada e responsável. Se as folhas estão altas demais, que eles sentem e discutam o tema entre si, criando um teto salarial ou um ranking de atletas caso haja consenso nisso. Ninguém merece trabalhar sem receber. E a Associação, por sua vez, precisa tomar medidas enérgicas contra esse tipo de patacoada (com o perdão do termo). Há ótimas alternativas para isso (TODOS  não entrarem em quadra na próxima rodada, não treinarem durante a semana etc.). A única que não surte efeito algum é esperar que os jogadores envolvidos (quase sempre com medo de tomar alguma atitude – insisto neste ponto) comecem a se posicionar de forma mais objetiva.

Repito: 3 dos 17 clubes do NBB estão com salários atrasados. No mínimo 40 profissionais do basquete têm trabalhado na modalidade estão sem receber, impactando suas vidas às vésperas do Natal e do Ano Novo. Que os atletas, através da Associação, façam alguma coisa imediatamente. O campeonato já está em sua sexta edição, o século XXI está aí e não é mais admissível vermos este tipo de problema. Que comecemos 2014 sem este problema salarial e que não sejamos obrigados a divulgar este tipo de notícia no ano que está por vir.

Acreditem: ninguém gosta de perder 23 minutos pra escrever sobre isso.


Um dia depois do futebol, basquete protesta
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Fábio Balassiano

gui1Foi bonito, foi bem bonito. Um dia depois do futebol, e um dia depois de eu ter escrito aqui que ficara chocado com a ausência de ações, o basquete decidiu agir. Não foi nada grande, nada absurdamente chocante, mas foi um primeiro passo (o mais difícil, pois é aquele que te faz sair da inércia).

Em todas as partidas de ontem (seja pelo NBB ou pelo Paulista) os atletas deixaram o relógio dos 24 segundos estourar de propósito (veja o vídeo aqui em que isso aconteceu no Pedrocão, com Franca e Bauru – a torcida francana, que entende das coisas, gritou um “Vergonha” maravilhoso).

Pouco antes da rodada começar a Associação de Atletas enviou, como eu também escrevera, um release condenando a falta de entendimento entre Liga Nacional e Federação Paulista. Logo depois, à noite, vieram os protestos. E toda revolta é linda. Toda revolta merece ser aplaudida. Portanto, parabéns aos envolvidos, parabéns aos atletas. Não dá pra ficar calado com tanto desmando mais.

Que esta tenha sido a primeira de uma série de manifestações e cobranças que o basquete brasileiro, encabeçado pela Associação de Atletas, faça – porque precisa muito fazer. Que não fique só nisso, que não se abaixe a cabeça para alguns dirigentes (não todos). Atleta não é só mão de obra. Atleta pensa, é o principal artista do espetáculo e o principal agente de mudança por um esporte melhor.

Que eles, atletas, entendam de uma vez por todas que eles podem, e devem, ter voz ativa e ser parte do processo de evolução pelo qual o basquete brasileiro precisa urgentemente passar. Se demorou, ao menos o protesto veio. E se veio, que agora não pare. Que os jogadores continuem cobrando. Que mudanças CONCRETAS estejam na ordem do dia e de fato aconteçam. É o que esperamos – há alguns anos já…


O Bom Senso F.C. e o basquete brasileiro
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Fábio Balassiano

BomSenso1Ontem foi uma noite histórica para o futebol brasileiro (mais aqui). O Bom Senso F.C. (mais aqui), movimento que cobra (como o próprio nome diz) condições melhores de trabalho no mais popular esporte do país, fez o seu maior protesto desde que surgiu meses atrás. Nos jogos desta quarta-feira os atletas de todos os times envolvidos entraram com uma faixa que dizia, entre outras coisas “Amigos da CBF, e o Bom Senso?” e antes do primeiro minuto ficaram parados com mãos cruzadas. Tudo realmente muito bonito e admirável.

E aí fiquei pensando em como seria bacana se no basquete houvesse um mínimo deste senso crítico, um pouco da atitude apresentada pelos caras do futebol nesta quarta-feira. A Associação de Jogadores, presidida por Guilherme Giovannoni (foto à esquerda) existe, sim, entrou com um protesto contra o Espéria (peixe pequeno…), mas até agora não fez nada (insisto nisso) contra os salários atrasados de Flamengo e Suzano (para ficar em dois exemplos). Isso, claro, sem falar sobre a deprimente administração da CBB – algo que decidida e infelizmente nenhum deles quererá mexer por medo de retaliações maiores (tipo jogar na seleção brasileira…).

gui1Mas não é só isso. Ontem mesmo escrevi aqui que o Pinheiros jogaria no mesmo dia (hoje, no caso) em duas competições diferentes (Paulista e NBB – esta com time Sub-22), e alertei para a possibilidade de o mesmo ocorrer com Franca e Bauru, que jogariam na noite de quarta-feira. Pois é. E aconteceu. Com uma cesta final de Paulão (se cuidasse melhor melhor de seu físico…) os francanos venceram por 76-74 e forçaram o quarto-jogo nesta quinta-feira. Aí vocês já sabem: as duas agremiações jogarão o NBB, os primeiros jogos do NBB, com seus times juvenis. Triste, hein.

E o que fez a Associação em relação a isso? Nada, absolutamente nada. Soltar release, com declarações bem redondas, não ajuda, não resolve absolutamente nada. É bonito, mas na prática não ajuda ou soluciona absolutamente nada – e mostra um lado fisiológico da entidade que é bem feio, diga-se de passagem. Os dirigentes devem olhar, suspirar e seguir suas vidas. Agora vejam que absurdo: a Liga Nacional, que deveria ser o produto premium do país, começará com três times jogando com suas equipes juvenis (ou algo assim), e isso não pode ser normal. O (repetindo) produto, que deveria ser bem cuidado, é visto como algo superfluo, acessório. E sua mão-de-obra, os atletas, como sempre fica de lado, a margem de toda discussão. Por quê? Sinceramente não sei, mas é bem triste ver uma atitude tão passiva, não?

aapbFoi inevitável comparar os dois momentos. Sim, sei bem que os jogadores de futebol podem ter tardado em agir, em colocar a boca no mundo, em reclamar de problemas crônicos que acontecem aqui há 15, 20 anos. É um fato. O problema no trato da CBF é antigo, inaceitável. Tudo isso eu sei. Mas o que choca é que o basquete, com muito mais para reclamar, com muito mais esferas para se revoltar (CBB, LNB, ABASU e FPB ao mesmo tempo, agora) acaba se calando, se escondendo nas trincheiras, se encolhendo em sua própria pequenez.

Em terra de gigante, o silêncio mostra o tamanho da atitude. Ou da falta dela.


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