Bala na Cesta

Como está o Lakers um ano depois da aposentadoria de Kobe Bryant?

Fábio Balassiano

A temporada regular da NBA termina nesta quarta-feira e pouca coisa está em jogo. No Leste, Chicago, Indiana e Miami brigam pela sétima e oitava vagas aos playoffs. De resto, apenas chaveamento final envolvendo as equipes já classificadas. Por isso é impossível não se lembrar daquilo que aconteceu também no último dia da fase de classificação do campeonato. Exatamente no dia 13 de abril de 2016 em Los Angeles um certo Kobe Bryant aprontou isso aqui, ó:

É isso mesmo que você relembrou e viu bem. Em sua despedida, Kobe Bryant despejou inacreditáveis 60 pontos e fez o seu eterno Los Angeles Lakers vencer o Utah Jazz por 101-96 em casa e para delírio dos fãs que lotaram o Staples Center. Após duas décadas com a franquia, cinco títulos e sete finais, a temporada 2016/2017 foi a primeira sem o astro vestir a angelina. E o que mudou na Califórnia sem Kobe?

A resposta é: tudo, absolutamente tudo. Em exatamente 12 meses a única coisa que realmente não se modificou foi a campanha. Se na última temporada de Kobe Bryant foram 17 vitórias, pior marca da história da franquia, em 2016/2017 não tem sido tão melhor assim (26 em 71 jogos). De resto, a modificação no Lakers é imensa.

Em primeiro lugar saíram técnico e gerente-geral. Byron Scott deu lugar a Luke Walton, que estreia como treinador principal no time em que atuou, e Mitch Kupchak não resistiu a 20 dias de Magic Johnson como consultor. Magic dispensou Mitch, fraquinho, fraquinho, contratou Rob Pelinka, ex-agente de Kobe, para a função e se tornou vice-presidente de operações de basquete. Tantas mudanás geraram uma verdadeira confusão na família Buss, a dona do Lakers. Jeannie, a irmã que cuida de toda parte administrativa, mandou Jim, seu irmão, responsável pelos assuntos de basquete e também proprietário, pra rua, causando dissidência no clã.

Dentro de quadra o panorama não mudou muito. No começo o Lakers investiu pesado em veteranos como Luol Deng e Timofey Mozgov, mas desde que Magic Johnson chegou por lá a ideia é diferente. Magic colocou Deng e Mozgov na geladeira, não se importando em jogar no lixo mais de R$ 100 milhões, para dar cada vez mais espaço para os jovens D'Angelo Russell, Julius Randle e Brandon Ingram. O resultado é justamente o que o manda-chuva queria: rodagem pra molecada e derrotas em sequência e chances maiores de não perder o pick protegido no próximo Draft (caso fique fora das três primeiras posições o Philadelphia tem o direito de escolha).

Todos sabiam que esta seria uma temporada de transição, de dificuldade, de sofrimento em Los Angeles. O time não consegue vencer módicos 30 jogos desde 2013 e terá que contar com mais um pouco da genialidade de Magic Johnson para sair da dificuldade em que se encontra. Uma boa escolha de Draft pode ser suficiente pra franquias que conseguem se reconstruir através de picks, picks e mais picks. Para o outrora glorioso Los Angeles Lakers, não, definitivamente não (e Magic sabe disso). A questão é em quanto tempo o eterno camisa 32 conseguirá isso.

Aos que imaginavam que a franquia estaria imediatamente melhor sem Kobe Bryant, está bem claro que o trabalho que Magic Johnson, Luke Walton e atletas terão para recolocar o Lakers em alta está apenas começando.