Bala na Cesta

Sobre a vinda de Lucas Bebê e Bruno Caboclo para o Brasil no Carnaval
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Fábio Balassiano

duplaLi bastante coisa e deixei a poeira diminuir um pouco para escrever sobre a vinda de Bruno Caboclo e Lucas Bebê para o Brasil no Carnaval (no período em que a a NBA liberou seus atletas devido a All-Star Weekend). Vamos lá exatamente ao que penso:

1) Em primeiro lugar, eles NÃO erraram. Havia um período livre (e grande) dado pelas franquias aos atletas durante o All-Star e ambos optaram por vir descansar com seus familiares e amigos. Errado seria se eles não tivessem sido liberados e tivessem pego um avião e sumido. Não foi o caso.

lucas22) Muda nada para mim se os dois vieram para o Carnaval, para uma praia ou para uma casa no campo. Eles que façam o que acharem melhor. Que vão para os lugares que queiram, onde se sentem felizes. Acho tenebroso “vigiar” a vida de atleta em relação a ações fora da quadra e na idade deles faz todo sentido que curtam como bem queiram. Se eles optaram por estar na Sapucaí vendo os desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, algo que já fiz e continuo fazendo quando posso, opção deles (e não há absolutamente nada para se criticar nisso).

3) Não tenho, e nem nunca tive, intenção de ser amigo de qualquer atleta. Gosto muito dos dois, torço realmente pelo sucesso de Lucas e de Caboclo (e conheço ambos há tempos), mas se não concordar ou gostar de qualquer coisa que ache que deva ser dito o farei (como sempre fiz e farei). Meu trabalho aqui não é ajudar a ninguém, mas sim analisar o basquete da melhor maneira possível (dentro do MEU ponto de vista). E vocês concordarem ou discordarem também faz parte disso (com educação podem dizer sempre o que quiserem).

caboclo34) Meu ponto para ficar um pouco preocupado com a vinda deles ao Brasil baseia-se em três coisinhas:

      4.1) A NBA está completamente sem paciência para novatos. Vejam o que o Sixers fez com Michael Carter-Williams (melhor jogador da franquia, ele foi trocado no meio do seu segundo ano). Vejam o que o Detroit fez com Brandon Knight (também limado rapidamente). Vejam o próprio exemplo de Hasheem Thabeet (escolhido em 2009 na posição dois e que NUNCA se firmou). Não rendeu, cai fora. E rápido. Se o jogador não mostrar que será efetivo em um curto espaço de tempo, a chance de a franquia mirar outro atleta (da NCAA ou do mercado internacional) é cada vez maior. Apenas um dado para vocês: um jogador fica na NBA em média por 2,9 anos. Jogadores fora do Top-10 do Draft, 2,1 anos.

Brazilian Basketball player Bruno Caboclo drafted 20th over all by the Raptors arrives on Porter Airlines  from Newark NJ at Billy Bishop Airport in Toronto. Toronto Star reporter Isabel Teotonio (in Red) talks to Bruno as he arrived.      4.2) Leiam o que o gerente-geral Masai Ujiri falou aqui para mim. Está claro que a franquia fez um investimento imenso em Bruno Caboclo (este principalmente) e Lucas Bebê, e tê-los em ótima forma física e técnica é fundamental para que ambos sejam efetivos na rotação da equipe em curto espaço de tempo. Ainda não há pressão em cima dos brasileiros, mas como o próprio Masai garantiu ambos ainda “estão longe'' de terem minutos na rotação. É óbvio que, caso a evolução não chegue, alguém vai  questionar: “Caramba, o que está acontecendo com Bruno e Lucas?”.

      caboclo24.3) Na minha primeira entrevista com Bruno Caboclo ele disse: “Preciso melhorar em velocidade, defesa, domínio de bola, arremesso, muita coisa. Meu sonho é ir pra NBA, é chegar o mais longe possível. NBA é meu sonho desde pequeno, desde que comecei a jogar. Eu sonho, sonho mesmo. Preciso treinar muito pra chegar lá porque estou um pouco atrasado, né. Eu ainda não estou pronto ainda, cara. Nos Estados Unidos os garotos são preparados desde muito cedo pra chegar na NBA. E se eu quiser chegar lá preciso evoluir demais ainda em todos os aspectos do meu jogo. Falta muito”. Ou seja: ele mesmo reconheceu o óbvio – que havia, e ainda há, uma distância imensa entre ele e os jogadores de elite da NBA (o que é natural e nem poderia ser diferente). Tentar diminuir essa diferença, essa distância, precisa estar (e acredito que esteja) em sua ordem do dia. Não há outra maneira de fazer isso que não treinando muito.

bebe25) Por isso realmente EU penso que quanto mais os dois brasileiros mostrarem a franquia que têm fome, que têm aquela vontade louca de vencer, de ser efetivo na rotação, melhor. Não que três, quatro dias façam a diferença e nem que eles não tenham isso. Mas este mercado da NBA trabalha com sinais claros e com respostas cada vez mais rápidas. Kyle Lowry antecipou o fim de sua lua-de-mel. Kobe Bryant treinou com a seleção americana de madrugada. LeBron James levanta pneu de caminhão nas férias. São recados claros de que os caras, já excelentes no que fazem, continuam famintos, seguem querendo evoluir, melhorar, superar seus (já altos) limites técnicos, físicos e mentais.

6) Que fique claro: NÃO estou falando que Caboclo e Bebê optaram por uma estagnação técnica (longe disso), mas ter ficado treinando mais um pouco poderia ter sido um baita recado de comprometimento e busca de excelência que os dois teriam dado a franquia. Franquia que certamente teria adorado saber que suas duas peças mais jovens e cruas, como o próprio Toronto os define, estavam se matando de treinar mesmo em um período que não estavam obrigados a fazê-lo.

bebe27) Outro dado importante: Em seis meses, nem 200 minutos somados entre NBA e D-League para Caboclo e Lucas Bebê. Ambos são muito jovens (nem 23 anos), e como não têm jogado muito precisam ainda mais de treinos (específicos e os com o restante do grupo).

8) Ainda há muito tempo e espaço para Bruno e Bebê treinarem, evoluírem e crescerem com o que a franquia lhes oferece. Não dá para dizer que eles são carta fora do baralho e nem que são o futuro da franquia (nem um, nem outro). Apontar o ponteiro para um lado (de ser efetivo) ou para o outro (descartáveis) é algo que veremos em um futuro muito breve, podem ter certeza. E a definição de seus respectivos futuros profissionais depende deles – Lucas e Caboclo.

Não há, portanto, moralismo (como alguns insinuaram) de minha parte em dizer que seria mais bacana se eles tivessem ficado no Canadá treinando (ou em outro lugar menos gelado). É uma OPINIÃO. Não uma análise, não uma constatação, não uma reportagem. Nada. É algo que eu sinceramente teria feito diferente, mas quem acha (notem o verbo) o contrário tem ótimos pontos também.

E o jogo segue.


‘Sonho que se torna realidade’, diz Mutombo, novo membro do Hall da Fama
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Fábio Balassiano

* O Blogueiro viajou a convite do Canal Space

dikembe4Dikembe Mutombo é um desses caras que você olha e tem vontade de aplaudir, de prestar reverência por tudo o que ele representa. Nascido em Kinshasa, na República Democrática do Congo, o rapaz de 2,18m treinava sozinho na rua até que foi descoberto por um olheiro da Universidade Georgetown. Aceitou o convite não porque queria jogar basquete, mas porque gostaria de se formar em medicina.

Em Georgetown Mutombo jogou ao lado de ninguém menos que Alonzo Mourning e formou com Zo um verdadeiro muro perto do aro. Alto, forte e ao mesmo tempo ágil, despertou a atenção da NBA, onde fez do dedo em riste, no famoso “Aqui não” aos rivais que tentavam atacar a cesta, uma de suas marcas registradas.

dikembe5Jogou, quase sempre sendo o destaque defensivo de seu time, em Denver, Atlanta, Philadelphia, Nets, Knicks e Houston durante 18 anos e aos 48 anos recebeu a maior honraria que qualquer atleta pode sonhar em conseguir.

No All-Star Game Mutombo, 8 vezes All-Star e 4 vezes o melhor defensor do ano, foi indicado para entrar no Hall da Fama de 2015, prêmio dado a ele não só pelo que ele fez em quadra, mas também pelo que representa fora dela. Sabedor das necessidades da população local, Mutombo, pai de seis filhos (quatro adotados), colocou de seu próprio bolso mais de US$ 25 milhões para a construção de um hospital em Kinshasa. Além do hospital, ele não tira o pé do acelerador mesmo com 48 anos e mantém uma série de ações sociais não só em seu país mas também em toda África. Confira minha entrevista com ele.

dikembe6BALA NA CESTA: Dá para descrever em palavras o que você sente neste momento em que faz parte da turma que entrará no Hall da Fama em 2015?
DIKEMBE MUTOMBO: Para mim, subir neste palco e ser reconhecido como um membro do Hall da Fama é uma honra, um privilégio. Vir de onde eu vim e chegar no Hall da Fama é incrível. Um sonho se tornando realidade. Certamente ninguém imaginava que alguém do Congo chegaria tão longe, chegaria a receber a honraria máxima do basquete mundial. Consegui e estou muito orgulhoso disso.

dikembe3BNC: Este menino aí do lado é seu filho?
MUTOMBO: Sim, meu filho.

BNC: A emoção de entrar no Hall da Fama deve ser grande. E a emoção de entrar no Hall da Fama com seu filho acompanhando tudo do seu lado?
MUTOMBO: Significa muito. Deixo um legado importante, mas principalmente uma grande lição para ele e todos da nossa família. Os mais próximos de mim sabem o quanto eu me dediquei para jogar na NBA, para ter uma carreira de sucesso por aqui. É um prêmio imenso pela minha dedicação e um ótimo ensinamento a meu filho. Quem sabe um dia ele não joga na NBA…

dikembe2BNC: Mais do que a si mesmo você acha que representa a África?
MUTOMBO: Sim, creio que sim. Somos um povo com uma história de muito sofrimento, mas ao mesmo tempo muito bonita e de muita luta. Ser um deles em um lugar tão importante como o Hall da Fama é motivo de felicidade para mim e espero que de um imenso orgulho para eles. Uma coisa que aprendi: Não é de onde você veio, mas sim sobre o que você quer ser amanhã. Espero ter deixado este ensinamento para as próximas gerações.

BNC: Muita gente vê em você muito mais do que um jogador de basquete. Seus trabalhos sociais, principalmente no Congo, são muito conhecidos. Você acha que sua imagem ultrapassou as barreiras do esporte?
MUTOMBO: Sei que sou mais que um ex-jogador de basquete e isso me deixa totalmente feliz. Quero ser conhecido como um cara que deu tudo dentro de quadra, mas também que se dedica a ajudar o próximo fora de quadra. Essa é a minha missão e o que continuo fazendo fora de quadra.

denverBNC: Poderia falar um pouco mais de seus trabalhos sociais no Congo, e em como você ainda se mantém conectado com seu país?
MUTOMBO: Sim, claro. Recentemente construí um hospital de US$ 25 milhões para a população local. Vou lá duas, três vezes por ano e sempre que posso levo comigo médicos e enfermeiros dos Estados Unidos para auxiliar as pessoas no que puder. Além disso, com a imagem que criei aqui nos EUA mantenho contato com laboratórios, que enviam gratuitamente remédios para meus compatriotas congoleses. É meu orgulho poder ajudá-los.

finalBNC: Você é certamente o nome mais importante do basquete africano na NBA e sua imagem é muito utilizada pela liga nas ações no continente…
MUTOMBO: No que eu puder ajudar a difundir o basquete eu vou ajudar. Tanto no Basquete sem Fronteiras quanto em qualquer outra atividade. E não só lá, mas também na Ásia, nas Américas, onde quiserem. Sou muito grato a NBA, que me abriu as portas para jogar o esporte que amo no mais alto nível possível, e farei o que estiver ao meu alcance para retribuir.


Liga Ouro, LDB e Jogo das Estrelas do NBB e LBF juntos – boas notícias
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Fábio Balassiano

sport1Acabou que fiquei muito em cima da NBA e do All-Star Game, deixando um pouco de lado o basquete nacional por motivos óbvios (estava viajando e cobrindo os eventos da liga norte-americana). Mas houve muita coisa legal por aqui que não dá pra deixar passar. Vamos lá.

Hoje começa a Liga Ouro. Segunda divisão que dá uma vaga ao NBB da próxima temporada (2015/2016), o certame não é lá muito animador devido às quatro equipes e a sua curta duração (mais aqui sobre o que já escrevi a respeito), mas Caxias do Sul (RS), Campo Mourão (PR), Sport (PE) e CEUB Universitário (DF) merecem crédito por investirem na modalidade e vão brigar pesado pela vaga na elite do basquete brasileiro. Os duelos que abrem nesta quinta-feira a competição serão entre Campo Mourão e Sport  no Ginásio de Esportes JK, no Paraná, e Caxias do Sul contra CEUB (DF), que se enfrentarão no Ginásio Vasco da Gama, no Rio Grande do Sul.

cearense1Além da Liga Ouro, outro “produto'' do portfólio da Liga Nacional terá a sua fase final na próxima semana. A Liga de Desenvolvimento (LDB – torneio Sub-22), sem dúvida o campeonato mais querido do blogueiro, terá as semifinais entre 2 e 4 de março no Pinheiros, em São Paulo. São 8 equipes divididas em dois grupos, com as quatro melhores avançando às semifinais. O site da Liga Nacional fez boa análise dos duelos e você pode ler aqui e aqui. TODOS os jogos desta fase de grupos serão exibidos no site da LNB, e vale a pena ficar de olho principalmente no ótimo trabalho do técnico Espiga e dos meninos do Basquete Cearense, únicos invictos após 23 jogos.

dupla1Por fim, grande e inesperada novidade. O Jogo das Estrelas desta temporada unirá rapazes do NBB e moças da LBF em Franca, SP. No Pedrocão ocorrerão as duas festas, o que não deixa de ser bacana para quem gosta da modalidade. Na próxima sexta-feira e sábado haverá o Desafio de Habilidades (NBB e LBF), Torneio de 3 pontos (NBB e LBF), Desafio de Arremessos (competição de trios formados por um jogador do NBB, uma atleta da LBF e uma lenda do basquete francano) e o torneio de enterradas do NBB. Será uma grande festa, sem dúvida alguma.

Os próximos dias serão animados com Liga Ouro, finais da LDB e o Jogo das Estrelas reunindo os melhores do NBB e da LBF. Não sei se estou otimista demais, mas aparentemente só notícias boas no basquete nacional de uma semana pra cá. Que assim continue!


Penny Hardaway fala da NBA e lamenta lesões que abreviaram sua carreira
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Fábio Balassiano

* O Blogueiro viajou a convite do Canal Space

penny3Anfernee “Penny” Hardaway teve um dos começos de carreira mais geniais da história da NBA. Na sua primeira temporada com o Orlando Magic teve 16 pontos, 6,6 assistências e 5,5 rebotes. Na segunda, levou o seu time à final da liga (perdeu do Houston por 4-0) com 20,9 pontos e 7,3 assistências de média. Àquela altura o armador explosivo e genial era tratado como sucessor de Michael Jordan.

Só que o tempo passou, uma série de graves lesões vieram e Penny não conseguiu mais repetir o desempenho do Orlando nas outras equipes que defendeu (Phoenix Suns, Miami Heat e New York Knicks). A carreira brilhante que se apresentava no começo da década de 90 teve um fim quase que melancólico na temporada 2007/2008 quando defendia o Heat. Fiz algumas perguntas a ele no All-Star Game de Nova Iorque sobre isso tudo. Confira!

Shaq _ Hardaway,A95MEDR1950BALA NA CESTA: Você foi All-Star entre 1995 e 1998 e voltou a essa festa aqui no arremesso premiado. Como é estar de novo no All-Star quase 15 anos depois de sua última aparição?
PENNY HARDAWAY: É emocionante. É um momento feliz para mim. Já passei dos 40 e a gente vê que o tempo passa, o coração vai ficando mais mole e passamos a refletir muito sobre o que passamos. Agradeço muito a NBA por me trazer para este evento. É muito legal sentir o carinho do público e rever grandes amigos.

BNC: Você ficou muito famoso quando, ao lado do Shaquille O’Neal, levou o Orlando a uma final de NBA apenas em seu segundo ano. Perderam do Houston e depois nunca mais voltaram a uma decisão. Como foi aquele seu começo de carreira? Por que depois nada deu tão certo com o Orlando?
PENNY: Ah, cara, éramos uns moleques jogando uma final de NBA. Algo muito difícil aconteceu conosco, ou seja, chegar tão longe ser ter aprendido com derrotas. Tinha 23 anos e do outro lado da quadra estavam Clyde Drexler e o Hakeem Olajuwon. Não tínhamos tanta experiência na liga, mas nosso time era bastante abusado. Não tinha medo, nada disso. O que passava na nossa frente tínhamos que ir lá e vencer. E vencíamos. Acredito que a saída do Shaq para o Lakers depois da temporada 1995/1996 foi determinante não só para a franquia desmoronar mas também para os jogadores verem que seria muito difícil chegar longe sem o nosso pivô.

D061173018.jpgBNC: Um momento que me lembro muito bem de sua carreira foi a final contra o Houston. Vocês tinham o jogo 1 da final de 1995 na mão, mas o Nick Anderson perdeu quatro lances-livres seguidos, o Orlando perdeu a partida, não conseguiu se recuperar na série e acabou sendo varrido naquela decisão (vídeo acima a partir de 8 minutos). Você já parou para rever o jogo? O que aconteceu ali?
PENNY: Infelizmente toda hora reprisam as imagens desse jogo, deste momento que você cita. Nas finais, então, é um caos. Parece que só lembram desse momento aí (risos). É algo muito doloroso para nós, para todos os jogadores que fizeram parte daquele time. Passa bastante em minha cabeça, sim. O que aconteceu? Fácil. Nós entramos em colapso. Vimos uma chance ser desperdiçada, perdemos um jogo e não conseguimos mentalmente nos recuperar. O Houston cresceu psicologicamente, nós desabamos, caímos e não nos levantamos. Foi uma grande dor, mas também uma grande lição. Perdíamos, àquela altura, de apenas 1-0. Poderíamos ter feito uma série dura, lutado pelo título, mas sucumbimos diante da primeira dificuldade real que vimos.

HARDAWAY KIDDBNC: Há outro momento de sua carreira que me chama muita atenção. Em 1997/1998 você se machuca com gravidade no joelho pela primeira vez, fica afastado por boa parte da temporada 1998/1999 e se torna agente-livre do campeonato. O Orlando tentou te segurar com todas as forças, mas você preferiu ir para Phoenix. Já li você dizer que se arrepende dessa escolha até hoje. Por que, então, você decidiu ir jogar no Suns?
PENNY: Só pergunta fácil, hein (risos). Mas a resposta dessa é tranquila: já admirava o jogo de Jason Kidd desde os tempos de universidade e sonhava em jogar com ele. Quando o Phoenix me fez a proposta eu pensei muito menos em como minha carreira ficaria e muito mais em quão genial seria jogar ao lado de um dos caras que eu mais respeitava na NBA. Foi uma decisão emocional. Hoje em dia quando olho pra trás não é que me arrependa, mas sim vejo que era a cara de uma franquia (Orlando) e abri mão disso. Aprendi que não se deve sair do time por algo não tão certo assim. Achei, na época, que meu tempo com o Magic tinha acabado e que eu precisava de um novo capítulo, mas olhando hoje eu vejo que o Orlando era o meu time.

penny6BNC: Você nunca ganhou um título da NBA mas conquistou o ouro olímpico com os Estados Unidos nos Jogos de Atlanta, em 1996. Como foi defender o seu país e dividir a quadra com alguns jogadores que você rivalizava na NBA?
PENNY: Foi legal, viu. Melhor que as partidas era a camaradagem que tínhamos, o convívio de nossas famílias e a maneira como nós lidávamos com aquele grande evento no hotel, nos passeios. Todos desfrutaram muito. Foi interessante passar mais tempo com caras que normalmente eu só via em cinco, dez minutos depois dos jogos. Ter um contato maior, jogar sinuca, uma partida de ping-pong, jogar conversa fora. Fora que tinham muitas feras como Reggie Miller, John Stockton, Gary Payton, caras consagrados e que eram referências da NBA para mim. Também foi realmente interessante ter sido treinado por Jerry Sloan. Ele era do Utah Jazz e eu jamais imaginei que seria possível ser treinado por ele. O cara me parecia uma fera, meio chato até. Mas conhecendo o Sloan ao vivo tudo mudou. Grande figura, grande experiência ter convivido com ele de perto.

penny9BNC: Você fez parte do começo da era que a NBA abriu o mercado. Chegou a jogar contra estrangeiros, mas hoje há muito mais atletas internacionais. Como enxerga isso?
PENNY: Os jogadores internacionais trabalharam muito duro para chegar aqui. Isso é um grande mérito. O mercado se abriu, mas os times da NBA não trariam jogadores ruins só por uma questão econômica. Se os estrangeiros estão aqui é porque jogam bola. Nos Estados Unidos há muitas distrações, muitas opções e os jovens acabam se perdendo, não se preparando como deveriam.

penny4BNC: Recentemente o Kobe Bryant criticou a maneira como os atletas americanos são formados. Ele disse que os europeus entendem e leem muito melhor o jogo que os americanos. Você concorda?
PENNY: Olha, eu acho que a diferença é que aqui nos Estados Unidos os fundamentos são ensinados porque você quer a criança em quadra. Na Europa e no resto do mundo me parece que é o contrário. É mais ou menos assim: “Se você quer jogar na NBA precisa ter todos os fundamentos bem completos”. E aí o cara treina o dobro, se especializa, foca em não ter defeito algum de formação nos conceitos básicos do jogo.

Anfernee Hardaway #1BNC: Sua carreira, ao menos no alto nível, certamente foi abreviada pela série de lesões graves que você teve no joelho. Quando você vê jovens jogadores se machucando hoje, o que pensa?
PENNY: Sempre digo para os mais novos: “Tenham paciência e vivam um dia de cada vez”. Se não é uma lesão que acaba com a sua carreira há que ter paciência, esperar, se recuperar bem e só voltar em perfeitas condições.

BNC: Sempre foi muito difícil para você voltar de lesões, né?
PENNY: Muito, muito difícil. E por uma série de fatores. Eu acabava apressando os retornos devido às pressões minha mesmo, da franquia, do time. Sempre voltava uma semana, um mês antes. E isso certamente cobrou a conta alguns anos depois, quando meu corpo, já mais velho, sentia os resultados de eu não feito a melhor recuperação possível. Nunca pensei que eu estava voltando com 100% das minhas condições. Como pensava em ajudar a equipe me contentava em voltar e em poder entrar em quadra para ajudar meus companheiros. Se eu tivesse usado um mês, uma semana a mais certamente minha carreira teria sido muito mais longa.

penny11BNC: Voltar mais cedo tinha alguma relação com você ter sido comparado ao Michael Jordan em diversas vezes? Ou nada a ver?
PENNY: Conscientemente de verdade não. Muita gente dizia isso, mas não fazia parte da minha linha de raciocínio, posso lhe garantir. Eu só queria estar na quadra, jogar, ajudar meus companheiros.

BNC: Pra fechar. Uma vez li que você é cheio de superstições, tem muitas manias. Consegue dizer algumas pra gente?
PENNY: Ah, sim, tenho muitas. Sexta-feira 13 sempre me trouxe problemas. É terrível. Outra coisa: quando a gente ganhava um jogo e eu jogava bem, no seguinte eu fazia questão de pegar o mesmo caminho de carro para ir ao ginásio. Podia estar trânsito, o que fosse, mas faria o mesmo trajeto de qualquer maneira. Todo atleta tem suas coisas (risos).

Tags : NBA


Com nova lesão, a difícil missão de Derrick Rose
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Fábio Balassiano

rose1A noite de ontem terminou bem triste para quem gosta de basquete independente do time que você torce. O Chicago Bulls anunciou que o armador Derrick Rose, um dos melhores jogadores dessa geração, passará por nova cirurgia no joelho nesta quarta-feira para reparar um problema no menisco do joelho direito.

Este é o mesmo procedimento pelo qual Rose passou em dezembro de 2013 e a terceira cirurgia praticamente seguida do armador do Chicago. Ele lesionou o joelho esquerdo no jogo 1 dos playoffs em abril de 2012. Ficou de fora da temporada 2012/2013. Voltou e logo se machucou de novo em 2013/2014. Quando operou em 2013, logo após a partida contra o Portland em 23 de novembro, o atleta acabou ficando de fora do restante do certame, mas essa não é a regra em operações no menisco. Há casos (como os de Russell Westbrook e Ron Artest por exemplo) de jogadores que voltam com um, dois meses (o prazo estimado pelos médicos é de 45 dias aliás), mas isso é o menos importante no momento.

rose2Rose, que participou de 99% dos jogos do Bulls até o final da temporada 2010/2011 e de apenas 33% a partir de então (perdeu 192 partidas até ontem), deve estar um caco em termos psicológicos (o que é mais do que compreensível). Nenhum ser humano merece passar pelo que ele está passando. Para quem foi MVP em 2010/2011 com apenas 22 anos, menos ainda. Ver aos 26 que você muito provavelmente não será aquilo que estava caminhando para ser é pra lá de frustrante e sem dúvida alguma atormentará a cabeça do rapaz nestes dias em que ele ficará se recuperando de mais uma intervenção no joelho. Ficar se perguntando “por que isso acontece comigo?” me parece inevitável (e doloroso).

rose3O único caso similar que consigo me lembrar no esporte é o do atacante Ronaldo, que passou por um punhado de cirurgias no joelho antes de voltar a jogar em alto nível na Copa do Mundo de 2002. Além do caso dele, não consigo enxergar alguém que tenha se lascado tanto, que tenha feito uma série tão grande de procedimentos cirúrgicos, quanto ele (Ronaldo) e Derrick Rose.

Nesta temporada ele provou que mesmo longe de condições ideais era importante para o time, que poderia ajudar o Chicago a voltar para a chegar a uma final da NBA que não vem há quase duas décadas (suas médias de 18 pontos e mais de 5 assistências por jogo são muito boas). O problema, agora, é sair do (natural) buraco psicológico em que se encontra para tentar voltar a jogar em alto nível após mais uma intervenção cirúrgica.

É esta a missão (quase) impossível de Rose no momento.


Lenda, Barkley fala do Dream Team, da NBA e exalta Oscar: ‘Um dos melhores’
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Fábio Balassiano

* O Blogueiro viajou a convite do Canal Space

barkley1Charles Barkley não é uma pessoa comum. Nascido em Leeds, Alabama, há 52 anos, pouca gente acreditava que ele teria uma chance no basquete. Aos 16 anos ele ainda media apenas 1,78m. Com 17, cresceu um pouco, chegou aos 1,93m, mas não tinha, digamos, o melhor físico para o basquete. Sempre um pouco acima do peso, Barkley não conseguia ter a agilidade dos armadores de sua altura, mas tinha a força dos pivôs que jogavam perto da cesta.

Foi tentar a sorte jogando de ala-pivô mesmo contra gigantes com 10, 15cm a mais que ele. E se deu bem. Já com 1,98m ele fez chover pela Universidade de Auburn (médias de 14,1 pontos, 9,6 rebotes e soberbos 62% nos chutes) e chamou a atenção da NBA não só pela técnica nos arremessos e pela fúria nos rebotes, mas principalmente por sua atitude, por sua coragem em quadra.

barkley2Por isso no Draft de 1984 o Philadelphia 76ers o escolheu na quinta posição. Com a missão de manter o patamar da franquia que já tinha Julius Erving e Moses Malone no elenco ele chegou e logo conquistou seu espaço (14 pontos de média como novato!), tornando-se peça efetiva da rotação da equipe e um dos favoritos da torcida. Era comum vê-lo se jogando ao chão para disputar bolas, se engalfinhando contra pivôs perto da cesta e discutindo com os juízes por conta de uma falta marcada contra ele.

barkley5O restante de sua linda carreira quase todos conhecem. Foram 11 seleções para o All-Star Game, 22,1 pontos de média em 14 anos de NBA, uma final (pelo Phoenix Suns em 1993, quando conseguiu o título de melhor jogador da temporada inclusive), o ouro olímpico com o Dream-Team em 1992, inúmeras brigas e incontáveis polêmicas.

Atualmente comentarista de sucesso na TNT dos Estados Unidos, Charles Barkley concedeu entrevista exclusiva a mim e ao repórter Thiago Perdigão, do Lance!, e falou sobre o Dream-Team, Oscar Schmidt, sua carreira, a internacionalização do jogo, Kobe Bryant e muito mais. Confira!

FILE PHOTO OF BRAZILIAN BASKETBALL STAR OSCAR SCHMIDT IN ACTION AGAINST USABALA NA CESTA: Sou do Brasil e uma das primeiras lembranças que temos de você foi em 1992, naquele fantástico Time dos Sonhos (o Dream Team) que venceu o Brasil por 127-83. O que você lembra daquele duelo, dos brasileiros e, óbvio, daquela fantástica equipe americana na Olimpíada de Barcelona?
CHARLES BARKLEY: Ah, sim, lembro muito do Oscar Schmidt. O Oscar provavelmente foi o melhor jogador internacional que quase ninguém viu jogar. Tive a sorte de jogar contra o Oscar, posso lhe dizer isso. Todos nós conhecíamos ele, os feitos dele, apesar de quase nunca vê-lo jogar. Ele é um dos melhores jogadores de todos os tempos, não tenho dúvida disso. E é um cara legal também, hein. O conheci no Hall da Fama recentemente, e foi maravilhoso tê-lo visto entrar no Hall da Fama de 2013 com aquele discurso bem emocionante.

barkley10BNC: Não sei se você se lembra, mas no Pré-Olímpico de Portland em 1992 um jogador brasileiro, o Marcel de Souza, tentou provocar vocês dizendo que o time dos Estados Unidos não era aquilo tudo…
BARKLEY: (Risos) Ah, a melhor coisa de ter jogado no Dream Team foi que fizemos o jogo ser realmente internacional. Todo mundo conhecia o Oscar, o lituano Arvydas Sabonis, dois dos melhores de todos os tempos, mas aquela era uma época diferente. Com o Dream Team os jogadores estrangeiros passaram a vir jogar nos Estados Unidos, a NBA mesmo ficou mais aberta aos atletas internacionais. Vocês viram o jogo entre os calouros dos EUA e os estrangeiros no All-Star Game, né? Eu escolhi, antes, os internacionais para ganhar e eles venceram. Isso quer dizer algo importante. Olhe quantos jogadores internacionais bons temos aqui atualmente!

splitter1BNC: O que você acha dos jogadores brasileiros na NBA? Conhece algum?
BARKLEY: Nenê é brasileiro, certo? Gosto dele. Tiago Splitter (foto à direita) é ótimo. Leandrinho eu conheço bem de Phoenix. Pode anotar pontos contra qualquer um. E o Anderson Varejão infelizmente se machucou. Ele estava jogando muito bem pelo Cleveland e gosto de sua atitude. Os jogadores brasileiros têm feito uma grande contribuição ao jogo aqui na NBA. E essa foi a grande coisa de ter jogado naquele Dream Team. Fizemos o jogo ser global, o jogo ser totalmente internacional. E acho que conseguimos. Você vê jogadores fantásticos aqui como Dirk Nowitzki, Tony Parker, o meu querido Manu Ginóbili. Olha este grego do Bucks, o Giannis Antetokounmpo, que coisa absurda. É incrível o que os internacionais têm feito.

dirk2BNC: E você acha que os jogadores estrangeiros mudaram o jeito que o basquete é praticado nos Estados Unidos?
BARKLEY: Não. Eu acho o contrário. Acho que a NBA mudou a maneira como o basquete é jogado no mundo. No começo, os jogadores estrangeiros que vinham para a NBA eram como robôs. Eles viam os vídeos e achavam que tinham que repetir tudo o que fazíamos. Ficava estranho. Depois eles foram vendo que não era preciso imitar, mas sim desenvolver sua própria forma de jogar. Agora os caras são muito atléticos e de todas as posições. Eles se adaptaram muito bem a nossa forma de atuar e mantiveram as características locais. Isso é incrível.

charles15BNC: Desde semana passada você tem se envolvido em uma acalorada discussão com Daryl Morey, o gerente-geral do Houston Rockets, sobre a extrema valorização dos números, os tais Analytics. Você afirma que números são apenas números, e ele defende que por trás dos números há muita coisa…
BARKLEY: Veja, em primeiro lugar: Anylitcs são apenas estatísticas. E eu acredito que você não pode construir o seu time apenas através disso. Você precisa construir o seu time com bons jogadores. Magic Johnson, Phil Jackson (ex-técnico de Lakers e Bulls e atual presidente do Knicks) e Mark Cuban (dono do Dallas Mavericks) me mandaram mensagens e saíram em minha defesa publicamente. Eles concordam comigo também. O jogo tem muitas variáveis para ficarmos analisando apenas os números. Você tem estatísticas contra times bons, contra times ruins. É impossível você ter um consenso sobre isso. E se você jogar quatro jogos em cinco dias? E se enfrentar um time com muitos desfalques? Os números são frios e são muitas variáveis para se construir um time apenas com os Analytics.

barkley6BNC: Uma pergunta interessante. Hoje em dia quando você vê a NBA sente falta de atletas com mais carisma, como foram você, Magic Johnson, Michael Jordan e outros?
BARKLEY: LeBron James é o melhor do mundo. Kevin Durant é incrível. Anthony Davis também…

BNC: Desculpe interromper, Mr. Barkley, mas estou falando de carisma…
BARKLEY: (Risos) Ah, cara, eu não sei. Bem, penso o seguinte. Hoje os jogadores estão mais preocupados em construir suas próprias marcas do que em se tornar grandes atletas. No meu tempo era o contrário, e sua fama vinha pelo que você fazia na quadra, pelo sucesso que tinha jogando. E isso é algo que me incomoda algumas vezes, sim.

CBNC: Falando sobre grandes jogadores, queria lhe questionar sobre o Kobe Bryant. Ele está nos últimos momentos…
BARKLEY: Ah, sim, nos últimos MESMO (ênfase no “mesmo”). Todos têm o seu momento final de carreira. Todos irão cair. Faz parte da vida, faz parte do esporte. Tenho um grande respeito pelo Kobe. Ele é um dos dez melhores de todos os tempos, tem uma história incrível, uma carreira espetacular. São cinco títulos, sete finais, isso é excelente, não é? Mas tudo chega ao fim. E o fim é dolorido, posso lhe dizer. Ele é um dos melhores jogadores de todos os tempos, foi uma honra vê-lo jogar todo este tempo, mas acabou.

kobe2BNC: Lembro bem dos seus últimos momentos pelo Houston. Como é para o atleta se ver nesta situação de fim de carreira. O que passa pela cabeça do jogador exatamente?
BARKLEY: Ah, enche a paciência. Enche muito. Sua cabeça funciona, mas seu corpo não obedece. Essa é a diferença. É frustrante quando você não pode jogar no melhor nível. Mas agora que estou mais velho entendo um pouco melhor. Kobe precisa entender. Ele teve uma brilhante carreira.

BNC: E você acha que ele aceita isso?
BARKLEY: Você não tem escolha. É duro, mas só se pode aceitar.

barkley7BNC: E sobre a sua carreira. Acabou há mais de uma década, no ano 2000. E você sabe que jogou muita bola. Onde está Charles Barkley entre os melhores de todos os tempos?
BARKLEY: Ah, eu não faço isso. Eu não me comparo com ninguém, não me coloco em nenhum destes rankings. Sei que tive uma carreira muito legal, com momentos brilhantes. Amei jogar em Filadélfia, amei jogar pelo Phoenix e também pelo Houston. Foram anos realmente incríveis. Sendo bem sincero. Tendo crescido em uma pequena cidade do Alabama jamais poderia imaginar que 52 anos depois estaria sentado em Nova Iorque no bar de um hotel sendo entrevistado por jornalistas do Brasil. Digo isso de verdade. Cresci no Alabama, minha mãe era uma empregada doméstica e hoje estamos aqui. Pensa nisso. Na sexta-feira fiz uma das coisas mais legais da minha vida. Eu toquei o sino da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Devo ser a única pessoa da história da minha cidade (Leeds) que fez isso na Bolsa (Risos). E isso é legal, né?

chuck1BNC: Não sei se você consegue imaginar isso, mas uma das razões de estarmos aqui agora com você é que na época que você jogava no Phoenix seus jogos eram muito transmitidos na TV aberta brasileira. Por isso até hoje há muitas camisas suas, as de número 34, no Brasil…
BARKLEY: Caramba, que sensacional. Em Phoenix foi realmente incrível. Nas três equipes que joguei, na verdade. Sixers, Suns e Rockets, foi muito legal. A verdade é que superei todas as expectativas que existiam para mim. Tive uma vida incrível. Sendo bem sincero. Se eu soubesse que iria morrer, digo com tranquilidade que estaria tudo bem. Estaria de bom tamanho. Tive uma vida maravilhosa, uma carreira maravilhosa, pude ajudar minha família e meus amigos. Estive em todo mundo, superei todas as minhas expectativas. Agora você pensa sobre o lance das camisetas que você citou. Não é incrível que alguém no Brasil tenha uma camisa de Charles Barkley? Isso é fantástico e ao mesmo tempo interessante. Eu não me acho famoso, mas você veja só. Quando era mais novo, e você mais novo é jovem e estúpido, pensava: “Quero sair dos Estados Unidos para relaxar, descansar um pouco”. E aí quando hoje, vou para outro país… ferrou! Eu digo para minha família: “Vamos para a China. Ninguém me conhecerá lá”. Ou Alemanha, ou Brasil, ou Espanha. E aí você sai do avião e é reconhecido imediatamente na porta do avião por jovens de 13, 20 anos que pouco lhe viram jogar. Alguém ter minha camisa no Brasil é realmente memorável.


Começa hoje a transmissão da NBA no Sportv – bom para todo mundo?
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Fábio Balassiano

nba1A história da NBA no Brasil ganha, a partir de hoje, um capítulo bem importante. Nesta terça-feira, 24 de fevereiro, o Sportv e seu braço móvel, o SportvPlay começam a exibir as partidas da melhor liga de basquete do planeta. O duelo entre Dallas Mavericks e Toronto Raptors, às 22h30 (de Brasília), no Texas, abre os trabalhos do canal. Li e vi muita gente comentando sobre a entrada da emissora, e realmente me espantei com algumas coisas. Por isso decidi escrever este texto. Vamos lá.

Jura que alguém considera RUIM o Sportv (Organizações Globo, maior grupo de comunicação do país) exibir a NBA? É sério que alguém que gosta de basquete considera uma exposição maior para a modalidade maléfico? Alguém já pensou no crescimento do noticiário de basquete no país com entradas maiores, por exemplo, nas rádios e sites do Grupo? Sinceramente eu tentei, mas não consegui ver pontos ruins em relação a exibição das partidas no canal.

hill1Canal que, obviamente, não se contentará em apenas transmitir as pelejas (serão três apenas nesta semana – mais aqui). Sabemos como funciona em TUDO o que se relacional a Globo (ainda mais sem ter a exclusividade – o que é SEMPRE saudável). O investimento será altíssimo (hoje a repórter Karin Duarte estará no ginásio – algo raro em uma partida de temporada regular), haverá programas ao longo da programação (o já conhecido NBA Action, um semanal sobre a liga, e o NBA Insisde Stuff, de entrevistas com o ex-jogador Grant Hill – na foto à esquerda), certamente reportagens especiais com os brasileiros serão feitas e um punhado de anúncios nos veículos proprietários (Globo.com, Época, Globo etc.) deverão ser vistos. E nem mencionei a (real) possibilidade de exbição em TV aberta (Globo).

dirk3Ademais, alguém aí já parou para pensar em quão maior tende a ficar o noticiário de basquete nos Canais Sportv? A emissora, que já tinha NBB, LBF, Liga Sul-Americana e Liga das Américas, agora tem o melhor campeonato do mundo, ficando certamente com horas e horas do esporte em sua grade de programação (perdendo apenas para o futebol muito provavelmente). Os dois campeonatos nacionais (o NBB dos rapazes e a LBF das moças) tendem a ganhar muito a reboque da nova exposição-giga da NBA no país, não tenham dúvidas disso. Se a Confederação Brasileira fosse minimamente organizada eu até sonharia em uma imensa massificação com crianças e jovens em todo país, mas sei que isso é um devaneio extremo.

nba1Há uma corrente que já reclama (mesmo sem ter visto um jogo sequer!) sobre as narrações, comentários e sobre como os ginásios serão chamados. Não vou me ater, de verdade mesmo, aos profissionais do Sportv. Há sites, blogs e colunas que analisam os jornalistas. O meu propósito aqui é sempre o de analisar o basquete. Mas vale uma dica (e eu já faço isso há algum tempo com alguns canais): use o SAP se não gostar do que está ouvindo. Se não tiver a opção do SAP, diminua o som, ligue uma música boa e curta o jogo do mesmo jeito. Funciona e eu recomendo também. Caso nada disso resolva, o League Pass, que exibe TODOS os jogos, está disponível para compra.

jogo1Sobre o nome das arenas, sou radicalmente contra não chamar de qualquer coisa que não (para usar o exemplo do jogo de hoje) American Airlines Center, mas (de novo) este é um problema do canal com a NBA. Se os dois estão tranquilos quanto a isso, não serei eu que vou ficar reclamando. Acho errado, não gosto, mas não é algo tão desesperante assim, certo? A única coisa que eu fico encucado é que parece que, para o Sportv, a NBA começou ontem, mas aí são outros quinhentos e faz muito mais parte da linha da Globo do que qualquer outra coisa (criticável, mas compreensível, diga-se).

NBA1O crescimento do produto basquete no Brasil me parece óbvio neste momento. A NBA investiu no NBB, assinando um contrato de parceria recentemente (e divulgado aqui no blog em primeira mão em setembro/2014), a liga americana passará a ser exibida no canal esportivo do país com maior audiência e em seu braço móvel (o SportvPlay). Desculpe dizer isso, mas quem gosta da modalidade não tem motivos reais para estar triste ou insatisfeito com isso. É uma grande oportunidade que se abre para todos (de jornalistas a telespectadores). É ainda mais NBA na televisão (ESPN, Space, Sportv e Sports+) e com uma nova emissora que vai puxar a concorrência a fazer ainda melhor o que já está fazendo.

Concorda comigo? Comente aí!

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Após infância difícil, Butler brilha mas rejeita rótulo de estrela do Bulls
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Fábio Balassiano

* O Blogueiro viajou a convite do Canal Space

NBA: All Star GameJimmy Butler estava um pouco desconfortável em sua cadeira na sala de entrevistas coletivas do All-Star Game. Não que algo lhe incomodasse ali. Mas era sua primeira vez e, contrastando com as mesas de LeBron James e Carmelo Anthony, o número de jornalistas perto dele era muito pequeno. Com isso fui me aproximando e fiz uma série de perguntas ao ala de 25 anos do Chicago Bulls.

Responsável por 20,5 pontos (7 a mais que na temporada passada) e um dínamo na marcação, Butler tem uma história de vida de superação. Nascido e criado em Houston, Texas, seu pai abandonou a família quando meses após seu nascimento. Aos 13, sua mãe literalmente o tirou de casa porque dizia não aguentá-lo vê-lo por perto. O franzino rapaz ficou perambulando em casas de amigos até conseguir moradia em colégio, uma bolsa na faculdade e um contrato na NBA – quando efetivamente teve sua primeira casa para morar.

Conversei com ele sobre basquete, o All-Star Game e, claro, sobre sua linda história de vida.

jimmy2BALA NA CESTA: Antes de entrarmos na temporada do Chicago em si, gostaria de saber qual é a sensação de jogar o All-Star Game sem o Derrick Rose, o cara que sempre representou a franquia neste tipo de evento nos últimos anos, e ao lado do LeBron James, contra quem você protagonizou ótimos duelos recentemente.
JIMMY BUTLER: Derrick (Rose) está ótimo. Ele é um All-Star e só não está aqui por acaso. É o nosso líder e em breve vai voltar ao All-Star Game, pode estar certo. Mas eu não estou tão sozinho assim. O (Pau) Gasol está aqui e não me deixa ficar muito isolado. Sobre jogar com o LeBron, não há outra palavra que não ‘estranho’. De todo modo, espero ver bem de perto o que ele faz em termos de treinamento, preparação. Quem sabe pode nos ajudar mais na frente.

jimmy3BNC: Falando sobre a temporada do Chicago em si, o que está acontecendo com a equipe, que vence ótimos times e perde para outros nem tão bons assim?
BUTLER: Nem a gente mesmo entende (risos). O Tom (Thibodeau, o técnico) tem conversado com a gente para sermos mais constantes, regulares e tenho certeza que vamos nos acertar nesta segunda metade. A NBA não é uma liga fácil, há ótimos times mesmo fora da zona de classificação ao playoff e perder a concentração é um erro que não podemos cometer.

BNC: E a defesa, por que piorou tanto em relação a temporada passada?
BUTLER: A minha ou a da equipe?

jimmy4BNC: A da equipe. A sua continua boa.
BUTLER: Acho que a defesa não piorou tanto assim quanto os números dizem. A imprensa daqui ama analisar os times através dos números, mas basquete não é só isso. A defesa do Golden State leva muitos pontos e é ótima, né? Levam muitos pontos porque o jogo deles baseia-se em velocidade, muitos arremessos, chutes rápidos. Há mais posses de bola disponíveis para todos. Puxando para o nosso lado agora. Com o Derrick Rose somos mais rápidos, e acabamos dando mais posses de bola para o adversário também. Além disso, Pau Gasol chama muitas jogadas de isolação e nem sempre estamos agrupados para a transição defensiva. Faz parte da nossa tão necessária evolução ofensiva, que acaba gerando efeitos do outro lado da quadra. Como eles agridem muito a cesta, a chance de levarmos contra-ataque também aumenta. Não podemos esquecer, também, que temos dois novos titulares na rotação (Gasol e o próprio Rose de volta), o Joakim (Noah) se machucou e no banco há dois calouros (Doug McDermott e Nikola Mirotic) e um jogador de segundo ano (Tony Snell). Tudo isso influencia. Vocês acham que desaprendemos? Não mesmo. Precisamos apenas encontrar o equilíbrio necessário entre atacar com sabedoria e agredir na defesa na mesma medida.

jimmy6BNC: E sobre você especificamente, que mudança grande em relação a temporada passada, né? O que te fez ser assim tão agressivo neste começo de campeonato?
BUTLER: Treinei muito antes dessa temporada. Foi um trabalho duro, pesado mesmo, mas eu precisava fazer porque sabia que tinha muitos tijolos a acrescentar na minha casinha. Quando começou a pré-temporada percebi que meu chute estava caindo, que todos me olhavam felizes e decidi arriscar. O Thibodeau me deu carta-branca, disse pra atacar a cesta sem medo e é isso o que estou fazendo desde então. Minha principal função será sempre a de defender o principal pontuador de perímetro do adversário, mas isso não tem me impedido de conseguir atacar a cesta. Considero que isso me torna um atleta mais completo.

roseBNC: Você acha que passou do patamar de ser um jogador de composição de elenco (role player) para um jogador-franquia (franchise player)? O Magic Johnson disse que sem você o Chicago não tem chance de ganhar título da NBA…
BUTLER: Essa do Magic foi legal, né? Vindo dele, um ídolo, me deixou muito feliz. Mas não me considero o craque da franquia. Essa posição é do Derrick Rose. Eu sou um batalhador, um jogador de grupo. O que o técnico me pedir para fazer em quadra eu farei sem problema algum.

jimmy7BNC: Mas e então por que você não renovou o seu contrato quando o Chicago lhe ofereceu um contrato longo e bem polpudo (US$ 40 milhões por quatro anos)? Esse é um valor bom para um role-player, certo?
BUTLER: (Risos) Em que mês estamos?

BNC: Em que mês? Fevereiro…
BUTLER: Temos muito tempo até definir isso. Ali em junho, julho é o momento de falar de renovação de contrato. Agora temos uma missão, que é ganhar o título da NBA, e é por ela que iremos. Qualquer coisa fora dessa alçada esportiva não me interessa agora.

mumen11, spt, sieu, 16BNC: Para fechar: você tem uma história familiar muito difícil, tendo sido abandonado por pai e mãe muito cedo. Desde os 12 anos você passou a morar na casa de amigos, que o acolhiam no período escolar, e depois em alojamentos (de colégio de segundo grau e faculdade). O quanto do resultado dessa experiência de vida conseguimos ver em quadra?
BUTLER: A verdade é que meu passado difícil me fez ficar mais forte. Principalmente no lado mental. Não é qualquer coisa que me abala. Sei bem que a vida, digamos, real é muito mais difícil do que uma simples torção de tornozelo. No basquete por vezes somos muito mimados e perdemos o contato com a realidade que nos cerca. Isso comigo não acontece, e posso lhe garantir que com nossa equipe também não. Manter os pés no chão é fundamental para não nos descolarmos daquilo que realmente somos e daquilo que realmente pretendemos ser.

Marquette v WashingtonBNC: Mas e na quadra, como isso se reflete?
BUTLER: Te digo: não gosto de ficar lembrando do passado, porque parece que você quer contar uma história triste, mas é o que é e preciso aceitar. Sou muito grato a todas as famílias que me acolheram, principalmente ao Jordan Leslie, um verdadeiro irmão para mim. O basquete sempre foi minha tábua de salvação na vida. A única. Na época da faculdade e do colégio, eu jogava porque o basquete me dava bolsa de estudo, comida, academia e moradia. Não sonhava com muito mais do que aquilo. Era, naqueles momentos conturbados, o meu máximo, o maior prêmio que poderia pedir. Ter uma bolsa de estudo para, sei lá, ter uma profissão mais adiante. Nunca pensei em ser jogador de basquete até que em Marquette (Faculdade) eu percebi que poderia seguir como atleta profissional. Hoje jogo porque amo e porque quero ser campeão da NBA. É uma diferença grande. Na quadra você me vê como realmente sou fora dela – batalhador, disciplinado e disposto a fazer qualquer coisa para ver meu time vencer.


Executivo do Raptors: ‘Caboclo e Bebê precisam de tempo pra se desenvolver’
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Fábio Balassiano

* O Blogueiro viajou a convite do Canal Space

masaiAos 45 anos, Masai Ujiri tem o emprego dos sonhos de muita gente que ama basquete. Ele é o gerente-geral do Toronto Raptors, única franquia fora dos Estados Unidos na NBA. Contrata, troca, escolhe jogadores no Draft, renova contratos. É o verdadeiro-manda-chuva de uma equipe que se reconstruiu desde a sua efetivação no cargo há dois anos.

masai4Para chegar ao posto máximo do Toronto Masai passou por muita coisa. Nascido em Zaria, na Nigéria, foi para os EUA estudar e viver o sonho norte-americano de crescimento profissional. Foi olheiro internacional do Denver, aos poucos foi evoluindo e tornou-se gerente-geral dos Nuggets em 2010. Desde 2013 no Toronto, onde tem um contrato de cinco anos e US$ 15 milhões garantidos, ele trocou Rudy Gay e seu contrato astronômico, instalou uma cultura de vitória em uma franquia que estava totalmente desacreditada e espera dar o próximo passo ainda nesta temporada (vencer uma série de playoff depois de 14 anos).

Masai conversou comigo por quase 10 minutos sobre a franquia, sobre o desenvolvimento da NBA na África, a fase de seu time e, claro, sobre Bruno Caboclo e Lucas Bebê, os brasileiros de seu time.

duplaBALA NA CESTA: Sou do Brasil e é impossível não perguntar a você sobre os desempenhos e o desenvolvimento de Bruno Caboclo e Lucas Bebê. Ambos são muito jovens, quase não têm jogado. O que você pode nos dizer sobre o que tem se passado com eles em Toronto?
MASAI UJIRI: A palavra-chave para eles é essa mesmo que você usou – desenvolvimento. Precisa de tempo, precisa de treinamento e é nisso que estamos focando com eles. Primeiramente na parte física. Ambos precisam estar muito mais fortes para aguentar o ritmo de uma temporada da NBA. São muitos jogos, viagens, não é fácil para ninguém. Fora isso, há a questão técnica, que obviamente é muito forte e eles vão precisar desenvolver bastante. Para ambos não estão descartadas novas idas para a D-League, para que ganhem ritmo de jogo e coloquem em prática o que estão treinando (Nota do Editor: A entrevista foi feita no domingo e na quarta-feira Caboclo foi enviado para a D-League).

caboclo3BNC: Do seu ponto de vista, o desenvolvimento deles corre de acordo com o planejado? Ou está um pouco abaixo? Especialmente o Caboclo, que já foi para a D-League e foi uma aposta alta de vocês no Draft passado…
MASAI: É difícil dizer o que um jogador vai te trazer – e em quanto tempo irá trazer. Não depende só da franquia. É uma via de mão dupla. Dentro das nossas possibilidades damos tudo – treinamento físico, técnico, alimentação adequada, professor para o inglês. Nós sabemos o que o jogador precisa e o atleta precisa responder, precisa mostrar o que e o quanto quer. Temos feito trabalhos específicos com ele, com o Lucas também, mas isso vai muito de cada jogador. Kyle Lowry, por exemplo, antecipou o final de sua lua-de-mel porque sentiu necessidade de treinar. E ele está jogando o All-Star Game este ano. Você me entende? Não há muito segredo nisso. Quanto mais se treina, maiores serão suas chances de chegar mais longe. Não é uma regra, não é uma fórmula perfeita, mas via de regra funciona assim mesmo. Mas, voltando, sendo muito sincero para você: ainda vai levar um tempo para que eles se desenvolvam. Um tempo mais. Quanto tempo? Não sei lhe dizer com certeza. Torço muito para que eles fiquem prontos para o jogo de alto nível que é a NBA o quanto antes. É o que todos esperamos deles. Todos apostam muito neles.

caboclo4BNC: Pessoalmente falando, o que um bom ou mau desempenho do Caboclo pode representar na sua carreira? Digo isso porque se ele for bem será um dos picks de sucesso mais inesperados da história. Se for mal, vão olhar para você…
MASAI: Não tenho medo disso. É algo que já me peguei pensando várias vezes, mas hoje em dia eu só penso quando vocês jornalistas me perguntam a respeito (Risos). Bruno não tem 20 anos e sabíamos, desde quando o vimos pela primeira vez no Brasil, que demoraria a entrar na rotação do Toronto. Ele vem de outro país, outra cultura e é complicado inserir um menino em um time que já briga por playoff como o nosso.

Brazilian Basketball player Bruno Caboclo drafted 20th over all by the Raptors arrives on Porter Airlines  from Newark NJ at Billy Bishop Airport in Toronto. Toronto Star reporter Isabel Teotonio (in Red) talks to Bruno as he arrived.BNC: Desculpe insistir neste ponto, mas é que a gente, do Brasil, sempre fica com um pé atrás nisso mesmo. A gente vê a NBA cada vez com menos, digamos, paciência com jovens valores que não se tornam efetivos rapidamente. Há casos, como do Hasheem Thabeet, número 2 do Draft de 2009, por exemplo, que não ficou nem quatro anos na liga – e sempre jogando pouquíssimo. O que garante que o Toronto terá esta paciência, essa calma toda, para esperar o desenvolvimento do Bruno?
MASAI: Entendo o que você diz. Em poucas palavras: a NBA é um negócio, as coisas andam depressa. O mercado de transferências hoje é muito frenético e as respostas, tanto dos atletas, quanto dos técnicos e também de nós, executivos das franquias, precisam ser cada vez mais rápidas e precisas. Não iremos pressionar o Bruno, mas nossa expectativa é que ele se torne parte efetiva do elenco do Toronto Raptors muito em breve. Para isso ele precisará desenvolver suas habilidades e ficar mais forte mentalmente e fisicamente. Cada dia no ginásio para ele é um aprendizado. Temos conversado muito com ele e seus agentes sobre isso.

dwaneBNC: E o que esperar do Toronto nesta parte final do campeonato? É possível sonhar alto no Leste, certo?
MASAI: É totalmente possível. Somos um bom time. Começamos muito bem, demos uma caída natural mas agora voltamos a jogar bem. O trabalho do Dwane Casey (o técnico – na foto à direita) é consistente e traz muita confiança aos atletas. Acredito que há seis times que podem vencer a conferência Leste – e estamos entre eles. Não dá para cravar nada, nem para cima e nem para baixo, mas pode ter certeza que iremos brigar muito forte para chegarmos longe.

georgeBNC: O Draft de 2015 está chegando e gostaria de saber se podemos esperar novos picks de jogadores estrangeiros não tão conhecidos como foi com o Caboclo em 2014. O nome do brasileiro George Lucas (foto à esquerda), armador do Pinheiros, está sendo muito comentado e sei que você conhece ele. No Brasil há outros jogadores cotados também
MASAI: O Draft já começou. Não posso falar muita coisa sobre isso (Risos).

BNC: Para fechar. Na entrevista coletiva do All-Star Game o Adam Silver falou sobre o primeiro jogo da NBA na África (em primeiro de agosto). Será uma exibição, mas é um começo. Você vem de lá, tem origens africanas. O que isso representa?
masaiafricaMASAI: Olha, eu estava lá no fundo da coletiva e vibrei bastante quando ele contou essa novidade. Sou um dos “pais” do Basketabll Without Borders (Basquete sem Fronteiras) da África. Você, brasileiro, sabe muito bem quão necessitado é o continente. Então tudo o que eu puder fazer para ajudar aquela região eu farei. Se precisar de mim o (Adam) Silver sabe que pode contar. Certamente irei neste jogo.


Tiago Splitter fala do Spurs, NBB, Tim Duncan e muito mais – confira!
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Fábio Balassiano

* O Blogueiro viajou a convite do Canal Space

tiagoNo domingo passado Tiago Splitter esteve no Baruch College, em Nova Iorque, para acompanhar o Basquete sem Fronteiras, evento da NBA que reúne jogadores do mundo todo (estiveram, pelo Brasil, Yuri e Guilherme, ambos de Bauru e com Tiago na foto).

Depois do treino o pivô do Spurs falou com TODA imprensa (não teve exclusiva com ninguém), e do Brasil estavam o UOL, NBA Brasil e Lance! . Coloco abaixo os principais trechos falados por Tiago. Vale a pena ler.

splitter2A TEMPORADA DO SPURS
Não começamos do jeito que queríamos. Muita gente se machucou, eu, Parker, Leonard. Mas agora voltamos a ter o nosso ritmo. Será muito importante essa fase com os jogos fora de casa, o Rodeo Trip, onde a gente sempre faz a diferença. Estamos em sétimo, empatados com o quinto e vamos ver onde até onde a gente chega. Estamos sofrendo comparado a outros anos, quando estávamos lá em cima, mas o Oeste é muito forte.

O BASQUETE SEM FRONTEIRAS
Eu gostaria de ter tido essa oportunidade, como o Bruno Cabloco teve anos atrás. Todos esses garotos podem aproveitar, a NBA está cada vez mais internacional. Olha o nosso time. Há oito, nove estrangeiros. Eles realmente querem fazer esse jogo ficar global, deixar de ser um campeonato americano.

nbb_nba1ESTRUTURA DE BASQUETE NO BRASIL
Os jogadores continuam aparecendo. Não por causa de uma ótima organização. E isso é um problema. A NBA está ajudando a Liga, fez um acordo recente. Há mais jogos na televisão, quase todo dia há. Quanto mais gente vendo basquete, melhor. Gostaria de ter o basquete na televisão aberta, seria melhor, mas ainda está crescendo e espero que no futuro o Brasil seja uma grande país do basquete.

nbb1CRESCIMENTO DA LIGA NACIONAL DE BASQUETE
Vejo mais organização, com certeza. Na minha época, quando você era juvenil e não era adulto, estava fora. Agora já tem uma liga de desenvolvimento para esse garotos, há mais investimentos do que tinham na minha época. A diferença é grande, é muito melhor. Quando eu era novo a Liga era decente, de repente ficou uma merda, depois cresceu de novo. Sabemos que há coisas para melhorar, mas está no caminho certo. A liga sendo privada (independente) é um acerto.

pedrocao1EDUCAÇÃO ESPORTIVA NO BRASIL
Falamos de confederação, sei que vocês gostam de pegar na Confederação, mas para mim é uma coisa de escola. De Ministério da Educação e Esporte. Se a gente não por o basquete na escola, não teremos quantidade. Você vai ter uns 20 meninos nos clubes, beleza, mas precisamos de muito mais. E isso teremos com o basquete nas escolas. Falamos do ministério, é uma coisa política mesmo.

curryA TEMPORADA DO WARRIORS
Não sabemos quão bem o Warriors vai continuar nessa segunda parte da temporada, é difícil falar quanto tempo eles vão ficar nessa pegada que eles estão, mas me impressionam o acerto e a regularidade do Stephen Curry e Klay Thompson. Já sabíamos da capacidade deles, tiveram outras boas temporadas, mas a regularidade neste ano impressiona.

O 'PRESENTE' CHAMADO OKLAHOMA NA OITAVA POSIÇÃO
O Thunder é uma possibilidade de ficar em oitavo mesmo, acontece. Já tivemos a experiência de sermos o primeiro e perdemos para um oitavo, que era o Memphis, e realmente não é nada legal. Mas como eu falei, o Oeste está uma coisa de louco, todo mundo tem chance.

Tim Duncan, Tiago SplitterTIM DUNCAN
Enquanto ele se sentir capaz de ganhar, de ser produtivo para o time, ele vai jogar. Ele falou que quando não se sentir produtivo, ele vai levantar da quadra e ir embora para casa. Não sei se ele vai fazer isso, mas eu vejo ele treinar, vejo como ele é, sei que ele tem basquete e é realmente impressionante. Demos parabéns a ele pelo All-Star, sua convocação, e ele reagiu como sempre. Balançou a cabeça e foi isso (risos).