Bala na Cesta

Podcast BNC: Chapecoense, o fabuloso Westbrook e o título de Mogi
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Fábio Balassiano

SuperIngressos

west10Falamos sobre a tragédia que vitimou o time da Chapecoense, da fabulosa fase de Russell Westbrook, das mudanças que estão acontecendo no jogo atualmente (por que há tantos armadores diferentes daqueles que conhecíamos dominando o basquete?), do título de Mogi na Liga Sul-Americana e dos 10 mil pontos de Marcelinho Machado com a camisa do Flamengo.

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‘Pegando fogo’, Klay Thompson faz 60 pontos em 29 minutos contra o Pacers – veja!
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Fábio Balassiano

klay1A maior marca da temporada 2016/2017 da NBA era de Russell Westbrook com 51 pontos. Era. Na noite de ontem em Oakland Klay Thompson, ala do Golden State Warriors, passou por cima disso. E rápido.

Na vitória do seu time por 142-106 contra o Indiana Pacers o camisa 11 teve 60 pontos (superou o recorde pessoal dele de 57 naquele jogo de 2015 em que ele anotou 37 pontos em um PERÍODO) em surreais 29 minutos (mais de dois pontos por minuto portanto!), sendo 40 na primeira etapa e 20 nos 10 minutos em que atuou no segundo tempo. Ao todo foram 21/33 nos tiros de quadra, sendo 8/14 nas bolas de três pontos, e 10/11 nos lances-livres. O feito de Klay lembrou muito o de Kobe Bryant em 20 de dezembro de 2005, quando o astro do Lakers despejou 62 contra o Dallas Mavs em Los Angeles tendo jogado módicos 32 minutos.

Veja abaixo o vídeo da performance de Klay Thompson na noite desta segunda-feira. De quebra relembre o feito de Kobe Bryant de 2005 também.

60 pontos em 29 minutos

40 pontos no primeiro tempo

O ''presente'' de Steph Curry no final do jogo…

Kobe Bryant e os 62 pontos em 3 períodos contra o Dallas


O sublime começo de temporada de Russell Westbrook, o rei do triplo-duplo na NBA
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Fábio Balassiano

russ3Seis triplos-duplos seguidos (o último veio ontem na vitória contra o Atlanta Hawks fora de casa por 102-99 com 32 pontos, 12 assistências e 13 rebotes). Na temporada já são 11 em 22 duelos (a soma de TODOS os demais atletas é de 12). Com exceção de Oscar Robertson, o jogador mais rápido a chegar a dez triplos-duplos em uma temporada (fez em 21 partidas; Big O em 12). Média de triplo-duplo. Superou LeBron James na lista dos atletas com o maior número de triplos-duplos (48), já está em sexto e tem tudo para passar Larry Bird, o quinto com 59, ainda em 2016/2017. Dezenove deles foram conseguidos em três períodos ou menos, uma insanidade. Oklahoma City Thunder na zona do playoff no Oeste (e em quinto lugar com 14-8 e seis vitórias seguidas). Se quisesse poderia continuar a enumerar a série de feitos do, até agora, melhor jogador da temporada da NBA. Vocês sabem de quem eu estou falando, certo?

russ4Logo que Kevin Durant assinou com o Golden State Warriors eu cravei aqui e também no Podcast BNC que Russell Westbrook teria, ou tangenciaria, uma média de triplos-duplos na temporada 2016/2017 da NBA, feito alcançado apenas uma vez na história da liga. Foi com Oscar Robertson, um dos gênios supremos do basquete, em 1961/1962. O que eu sinceramente não imaginava é que Russ teria tantos triplos-duplos “gordos” com mais de 25, 30 pontos (dez de seus onze TD’s foram assim), e que o Oklahoma fosse se adaptar tão bem a sua nova (e difícil) realidade. Ninguém perde um dos dez (cinco?) melhores atletas de basquete desse planeta e passa a ter uma nova vida normal, né?

russ1000É muito claro o que acontece em Oklahoma. A bola é de Russell Westbrook e ele toma as redes ofensivas – se isso já acontecia com Kevin Durant, dava pra crer que isso ocorreria agora sem KD por lá. Dois anos atrás, quando Durant teve uma série de lesões, foi uma espécie de preâmbulo do que aconteceria em 2016/2017. Ninguém que acompanha a NBA com afinco e há algum tempo pode dizer que está surpreso. Os números dele e o quinto lugar do Oeste estão aí pra provar que o resultado é extremamente positivo. São 31 pontos (atrás apenas de Anthony Davis), 11,3 assistências (o segundo, logo atrás de James Harden) e 10,9 rebotes (o único entre os quinze primeiros que não é ala ou pivô). Minimamente o rapaz produz 53 dos 107 pontos do Oklahoma por noite (a metade portanto). Isso sem falar nos passes indiretos e no que seus rebotes produzem. É um verdadeiro absurdo o que ele vem fazendo. Westbrook domina as ações de ataque, força lances-livres (10,4 por jogo) e tenta envolver seus companheiros na medida do possível. Quando não dá, ele decide sozinho e acaba se dando bem.

russ100Isso tudo explica, claro, o número excessivo de desperdícios de bola (5,7) que ele registra por noite (o maior índice da NBA atual). Não considero, sinceramente, isso um problema. Para quem fica muito tempo com a pelota na mão, a chance de desperdiçá-la é maior mesmo. Não admirá-lo por isso é um erro e uma perseguição que beira a loucura. Na temporada 1988/1989 o armador que seria eleito MVP teve 4,1 erros por noite. Em 2016/2017, Russ tem 5,7. O nome do MVP em 1989? Magic Johnson. Errar não é o problema. Não tentar, como ensinou Michael Jordan, sim. O equilíbrio é sempre o melhor dos remédios, mas quem tem o camisa 0 no elenco deve saber conviver com suas vantagens competitivas (seu físico descomunal ENGOLE o dos armadores rivais), com sua intensidade (o time fica incendiado com seu espírito) e também com seus problemas.

russ5Também dava pra supor que seu volume de arremessos subiria. Mas não é nada de tão assustador assim. Em 2014/2015 foram 22 chutes por noites. Em 2015/2016, 18,1. Em 2016/2017, são 24,2. É claro que seu percentual de conversão diminuiria (caiu de 45 para 42%), porque as defesas dobram, triplicam e se amontoam em cima do cara para evitar uma catástrofe maior do que a já aplicada pelo armador (sim, armador…) do OKC, mas a queda do percentual de arremessos corretos do camisa 0 acaba sendo também um dos motivos pelos quais seus companheiros têm brilhado. E explico.

west2Com exceção de Russ, no elenco do Thunder não há nenhum craque, mas todos estão se saindo muito bem e se aproveitando do fato de que a marcação fica concentrada em Westbrook em 99% dos casos. Se isso não é melhorar os companheiros, algo que muita gente usa como argumento para criticar o rapaz, eu não sei mais o que é. Victor Oladipo foi contratado em uma troca pra lá de polêmica envolvendo Serge Ibaka, o ala vai se acomodando e registrando 17,1 pontos por jogo. Andre Roberson é o melhor marcador do time desde a temporada retrasada, e agora tem se arriscado mais no ataque (6,4 arremessos por noite contra 3,9 em 2015/2016). O calouro Domantas Sabonis em vários momentos lembra a habilidade do pai (Arvydas) nos passes e tem se esforçado loucamente para marcar bem no garrafão, algo difícil para quem chega e tem que trombar contra Blake Griffin, Draymond Green e afins. Steven Adams está cada vez mais seguro como pivô titular do time e já tem 10,7 pontos e 7,8 rebotes de média. No banco, Enes Kanter está se saindo bem com 13 pontos e Anthony Morrow, Jerami Grant, Alex Abrines e Joffrey Lauverne completam bem a rotação.

russ6Vale destacar o técnico Billy Donovan, que em seu segundo ano na NBA deu carta branca para Russell Westbrook (quem não daria?). Ao mesmo tempo Donovan encorajou seus atletas a subir o nível para manter o Thunder na zona de playoff mesmo sem Kevin Durant. No ano passado o Thunder tinha três no elenco com dígitos-duplos em pontos. Nesta temporada, quatro. Em 2015/2016, 5 jogadores arremessavam 6+ bolas por partida. Em 2016/2017, 7 chutam ao menos 7 vezes. Isso não é coincidência.

Está muito claro que o Thunder vai tão longe quanto o físico e a habilidade de Russell Westbrook aguentarem. Muita gente tem falado que nos playoffs ambos (time e Russ) chegarão mortos de cansados, mas a verdade é que para uma franquia que perdeu Kevin Durant abruptamente chegar à pós-temporada já é um baita mérito.

russ2Por incrível que pareça, registrar a média de triplo-duplo, ou ficar muito perto dela, é exatamente o que o OKC precisa para jogar o mata-mata da NBA. Quer ver exatamente isso aí na prática? Simples: quando Russ chegou a dígitos duplos nos três fundamentos o Thunder venceu 9 vezes e perdeu apenas duas. Com a benção de Michael Jordan, que recentemente foi a Oklahoma para a cerimônia que colocou o armador de 28 anos no Hall da Fama local e encheu o rapaz de elogios pela sua coragem e audácia, o camisa 0 vestiu o uniforme de líder genial e promete não tirar mais.

Toda franquia da NBA queria ter um craque assim para chamar de seu. Sorte do Thunder.


Como foi o mês de novembro para os brasileiros na NBA? Confira!
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Fábio Balassiano

Um dos grandes pedidos dos leitores é que eu faça análises sistemáticas dos brasileiros na NBA. Sempre relutei, mas agora vou fazer. Funcionará assim: no começo do mês eu sempre colocarei os números do mês anterior dos 9 brasileiros da liga e um parágrafo sobre eles, ok? Em cinza estará sempre o destaque do mês (em minha opinião). Vamos lá com o que os atletas fizeram em novembro então:

brasileiros_novembro
varejao1a) Anderson Varejão
-> Acreditava-se que o brasileiro seria o pivô reserva de Zaza Pachulia no Warriors, mas o camisa 18 tem perdido espaço para JaVale McGee, errático atleta de 28 anos que vira e mexe protagoniza lances hilariantes desde que entrou na liga. Varejão entrou e não foi mal na semana passada no duelo contra o Minnesota, mas não tem atuado em todas as partidas e tem seus minutos bem reduzidos quando atua (os 5,8 de média em apenas 4 partidas falam por si só). Não é uma situação confortável.

caboclob) Bruno Caboclo -> O número frio de Caboclo é este que está na tabela (um jogo, 4 minutos), mas para analisá-lo de forma mais profunda é preciso ver seus jogos na D-League, onde ele tem atuado pelo Toronto 905. Já são seis partidas por lá, com 26,9 minutos, 7 pontos, 31% nos chutes (17% nas bolas de três pontos), 6,2 rebotes e 0,8 assistência. Em apenas dois desses jogos (20/11 e 01/12) Bruno conseguiu mais de 10 pontos. Em apenas uma vez (20/11 contra o Long Island Nets) teve 45% ou mais nos arremessos. É claro que ele tem apenas 21 anos, dá pra ver seu crescimento físico e também técnico (em vários jogos da D-League ele mostra um arsenal muito bom no jogo de costas pra cesta e também no um-contra-um), mas me espanta um pouco que 40% dos seus arremessos tentados (3,8 dos 9,7) venham da linha de três pontos. Com seu imenso potencial físico, Caboclo poderia explorar outras armas de seu repertório.

felicio1c) Cristiano Felício -> Começou bem a temporada e parecia se credenciar a ser o reserva de Robin Lopez no Bulls. Aos poucos, porém, foi perdendo espaço para Bobby Portis na rotação e foi parar na D-League para ganhar minutos. Na última semana de novembro já retornou ao elenco do Chicago (estava no banco contra o Cavs na sexta-feira e jogou 15 bons minutos contra o Dallas no Texas no sábado à noite).

d) Leandrinho -> Vem fazendo temporada conforme esperado no Phoenix Suns. Leandrinho foi contratado para dar experiência e ser o mentor do ótimo garoto Devin Booker. E é isso que vem fazendo. ''Come'' os minutos quando Booker descansa, de vez em quando tem suas partidas de 10, 15 pontos, mas nesse momento da sua carreira ele está mesmo preocupado em passar o que aprendeu em mais de uma década de NBA para o jovem que tem um futuro incrível na NBA. Não é nenhum problema o que vem acontecendo com ele (99% dos veteranos passam por isso). A questão toda é saber se Leandrinho está em paz com suas funções de professor – eu acredito que sim.

lucas1e) Lucas Bebê -> Melhor surpresa, disparada, deste começo de temporada. Lucas Bebê vem vencendo com sobras a disputa contra o austríaco Jakob Poetl e tornou-se o pivô reserva de Jonas Valanciunas mesmo. Mostra evolução física, técnica, mental e sobretudo comportamental, encarando a carreira como ela deve ser encarada – profissional, séria e dedicada. De seu talento nunca as pessoas duvidaram. A questão era como ele daria o próximo passo – que agora vem sendo dado. Com uma defesa acima da média, Bebê mostra ao Raptors que pode ser uma opção segura não só pra substituir a Valanciunas, mas também para fechar os jogos (vira e mexe o lituano é sacado por Dwane Casey no final da partida). Se seus números de novembro são tímidos, o melhor é notar que ele conseguiu dar ao Toronto a demonstração de que é um cara pra franquia investir e olhar com carinho. Hoje Lucas já faz, sim, parte da rotação do time e isso é sensacional.

huertasf) Marcelinho Huertas -> Vive situação bem complicada no Lakers. Terminou bem a temporada passada, imaginava-se que manteria o ritmo nesta, mas as chegadas do espanhol Jose Calderón e do técnico Luke Walton mudaram os rumos de Huertas. Calderón é o reserva imediato do garoto D'Angelo Russell, que certamente será o jogador-franquia dos angelinos. Luke Walton não só opta por Calderón na frente de Huertas como também de vez em quando utiliza formações sem armador principal (Lou Williams com Jordan Clarkson ou um dos dois com Nick Young, por exemplo), diminuindo ainda mais o tempo de quadra do brasileiro. Não é um bom momento pra ele, e o mais importante é manter a cabeça no lugar para quando as oportunidades surgirem ele agarrá-las com força. O melhor exemplo pra ele é justamente o de Lucas Bebê. Mesmo jogando pouco o cara é capaz de protagonizar lances geniais como este abaixo.

nene1g) Nenê -> Veio pro Rockets e tem exercido bem a sua função. Esperava que ele fosse ser titular, mas Mike D'Antoni escolheu Clint Capela para começar as partidas. Não dá pra dizer que o técnico mandou mal, tendo em vista o ótimo começo do Houston. Mesmo assim Nenê tem despejado partidas com 10+ pontos com frequência sem sequer ficar 25 minutos em quadra. O mais importante de tudo é que o Rockets irá pro playoff e Nenê será importante na pós-temporada com toda sua experiência.

raulzinho1h) Raulzinho -> Infelizmente esta também era pedra cantada. Raulzinho está em um elenco recheado de armadores e seu tempo de quadra seria reduzido mesmo. Tem jogado pouco, e sinceramente o melhor que poderia lhe acontecer seria ter uma franquia que lhe desse espaço. E digo isso não porque acho que Raulzinho é muito bom (como de fato o é), mas simplesmente porque em 2015/2016, quando foi titular em boa parte da temporada, desempenhou ótimo papel. De titular para DNP (Did not Play, Coach's Decision – Não jogou, decisão do técnico), como aparece sempre nas estatísticas quando um atleta não atua, em menos de um ano deve ser muito difícil compreender. Quem sabe uma mudança de ares lhe faça bem. No momento, é exercer a paciência e entrar em quadra quando solicitado mostrando que pode, e deve, ganhar mais minutos.

i) Tiago Splitter -> O pivô do Hawks ainda não estreou na temporada da NBA. Ele segue em recuperação de sua cirurgia no quadril e a previsão de estreia é em janeiro de 2017.

E você, o que achou do mês de novembro dos brasileiros? Comente aí você também!


Em alta voltagem, Rockets inicia bem Era Mike D’Antoni e credencia James Harden como MVP
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Fábio Balassiano

rockets1Antes da temporada 2016/2017 Mike D'Antoni, o novo técnico do Houston Rockets, deu entrevista falando sobre o plano de jogo para seu time na NBA: ''A bola será de James Harden. Ele será o nosso armador e vai conduzir as nossas ações ofensivas''.

Muita gente torceu o nariz por conta do passado ultra-hiper-mega ofensivo de D'Antoni em Lakers, Suns e Knicks e imaginou que o Barba fosse arremessar como nunca, segurar a pelota em seus braços durante 24 segundos, armar milhares de um-contra-um para si mesmo e tornar o sistema de ataque texano bastante previsível. Passado um mês de certame a gente está vendo justamente o oposto.

harden3O Houston tem 13-7, se estabelece na quarta posição do Oeste atrás dos de fato três melhores da conferência (Warriors, Spurs e Clippers) mas vem de uma sequência de 7 vitórias nos últimos 9 jogos que animam bastante. Neste período os Rockets bateram os bons Portland duas vezes, Utah e Detroit. Na quinta-feira, a cereja do bolo com o triunfo diante do Golden State fora de casa na segunda prorrogação (132-127). Imaginei que o time estaria cansado e que perderia nas montanhas do Colorado ontem à noite contra o Denver, mas encontrando forças sabe-se lá de onde os vermelhos bateram o Nuggets por 128-110.

mike1E como o Houston tem conseguido as suas vitórias? Sim, é isso mesmo que você está pensando. Jogando da maneira que Mike D'Antoni gosta de jogar. Correndo, arremessando muito, espaçando a quadra lindamente (em algumas vezes com cinco atletas abertos fora do garrafão), chutando de três pontos como nunca e marcando muito pouco (os rivais convertem mais de 46% dos arremessos).

Em uma NBA que defende cada vez menos, corre cada vez mais, chuta de fora à exaustão, D'Antoni de fato parece o técnico perfeito para uma temporada de 82 jogos em que os times parecem pugilistas que ficam se estudando nos primeiros rounds – pouco contato, pouco confronto, pouca defesa e muitos arremessos de longe. Não é uma crítica, pelo contrário. É um elogio à diretoria do Rockets que entendeu o momento de transformação da liga e decidiu dar as chaves da franquia para um treinador que SEMPRE potencializa atuações e números de seus times com um sistema ofensivo fluído, rápido e que os jogadores adoram. Adoram porque jogam muito tempo (11 deles possuem 10+ minutos por noite), têm liberdade para criar o que quiserem e porque sabem que terão boas doses de arremessos por noite.

rockets100O Houston tem o segundo ataque mais positivo da NBA com 111,4 pontos por noite e se coloca entre os quatro primeiros em outras estatísticas ofensivas: arremessos convertidos (40,3), percentual de arremessos convertidos (46,6%), pontos por arremesso tentado (1,29) e percentual de bolas de três convertidas (37,8%). Como também tenta muitos arremessos por jogo (86 por partida), sobra pra todo mundo: cinco atletas arremessam mais de seis vezes por noite (James Haren, Eric Gordon, Ryan Anderson, Trevor Ariza, Patrick Beverley e Clint Capela). Não é coincidência que cinco deles (com exceção de Capela) sejam jogadores de perímetro e com % de conversão de bolas de dois e três pontos variando de 34 a 42%. Quatro destes têm mais de 10 pontos por jogo (apenas Beverley, que retornou recentemente de contusão não está nessa lista), com Gordon (16,5 pontos saindo do banco de reservas) sendo uma ótima surpresa.

rockets3A mais ''assustadora'' estatística de todas, porém, é essa daqui: o Rockets tenta 37 arremessos de três pontos por partida, obviamente o maior índice dessa temporada. Veja no quadro ao lado o que isso representa. Ou seja: como acerta 14 vezes de longe por partida, o Houston ''assina'' quase a metade de seus pontos (42) em bolas longas, praticamente o mesmo número dos arremessos de dois pontos (52 em 50 tentativas) e também disparada a maior relação (bolas longas x pontos totais) entre os 30 times do campeonato. Como tem James Harden, um dos caras que mais batem lances-livres no planeta (10,4 por noite, o terceiro da NBA no quesito), outros 16,8 pontos saem da marca fatal por partida.

harden10É claro que esses números todos não se refletiriam em uma campanha tão boa assim se não fosse James Harden. O camisa 13 está jogando uma barbaridade e ao contrário que se imaginava não está forçando muita coisa apesar dos seus 5,5 desperdícios de média. São 28,3 pontos em 19 arremessos por jogo, números idênticos aos da temporada passada (29 pontos em 19,7 chutes tentados). Se na pontuação sua atuação é muito parecida, sua participação nos outros aspectos do jogo cresceu assustadoramente. Os 7,6 rebotes e as 11,8 assistências por jogo são os melhores números de sua carreira e representam 30% a mais do que ele obteve em 2016/2017. É óbvio que Russell Westbrook é o nome que mais chama a atenção na corrida pelo MVP da temporada devido aos seus 765 triplos-duplos no campeonato até aqui, mas descartar Harden como o melhor do campeonato não é algo recomendável a se fazer pelo que esse cara está jogando.

harden300A partir de segunda-feira o Houston terá uma sequência de seis dos próximos sete jogos em casa. Celtics, Lakers, Mavs, Nets, Kings e Pelicans no Texas, e apenas o Thunder em Oklahoma. Jogando do jeito que está, dá pra acreditar que os Rockets continuem entre os melhores do Oeste.

E que James Harden coloque outras atuações geniais no bolso para continuar se credenciando ao título de MVP da temporada 2016/2017 da NBA.


Degrau a degrau, Mogi coroa brilhante trabalho de longo prazo com título da Sul-Americana
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Fábio Balassiano

mogi1No dia 24 de novembro de 2012 Mogi estreava no NBB vencendo a Liga Sorocabana por 71-59 no ginásio Hugo Ramos. Foi o primeiro jogo na principal competição do país após hiato de sete anos (2005 foi o último Nacional da CBB disputado). A partida foi vista por cerca de 2.000 pessoas, de acordo com a Liga Nacional de Basquete .

Quatro anos se passaram e muita coisa mudou em Mogi. Com exceção de Guilherme Filipin, autor de 12 pontos naquele 24 de novembro de 2012, baita cara, herói da resistência e jogador mais identificado com o projeto desde a sua recriação, nenhum atleta está mais no elenco. A estrutura mudou, pra melhor. O investimento subiu. O espanhol Paco Garcia veio, viu, ajudou a desenvolver e saiu antes de começar a temporada passada. Vieram reforços de peso (Shamell, Tyrone, Larry Taylor, Caio Torres etc.).

mogi10E vieram, neste começo de temporada 2016/2017, os títulos que estavam engasgados há muito tempo para equipe, diretoria, técnicos e torcedores. E vieram ao mesmo tempo. E vieram pra lavar a alma. E vieram com a cara do crescimento de Mogi nestes quatro anos. Com autoridade. Com seriedade. Com trabalho. Com empenho. Com o apoio da torcida. Com emoção. Com homenagem à tragédia da Chapecoense no momento de maior glória da história do basquete da cidade. Com vitória categórica em solo argentino contra um rival excelente formado por garotos de muito potencial. Nos últimos anos foram eliminações dolorosas, a perda do título paulista em casa em 2015 no jogo 5 diante da torcida e um jogo 4 pra fechar contra o Flamengo na semifinal do NBB passado que não se concretizou. Na hora as pessoas não sentem, mas o sofrimento cria cicatrizes que ajudam a formar um espírito vencedor, justamente como foi com os mogianos.

mogi5Dá pra dizer desde já que esta é a temporada de Mogi. Já são duas conquistas e a chance de fazer um NBB muito bom para enfim chegar a uma final. Primeiro foi o título do Paulista contra Bauru, um dos maiores rivais de Mogi nos últimos anos e ex-time do comandante Guerrinha. E nesta quarta-feira a Liga Sul-Americana, quando o time foi BRILHANTE ao bater o Bahia Blanca, na Argentina, por 84-81 para se sagrar, de forma inédita, campeão invicto da competição. Shamell foi merecida e obviamente o MVP (craque de bola!) e dá pra lamentar apenas o fato de que com a suspensão da FIBA à CBB os clubes brasileiros não possam disputar a Liga das Américas, tentando assim manter a hegemonia continental. Dos últimos oito campeões entre Sul-Americana e Liga das Américas, sete são times do país. Na Sul-Americana, Brasília, Bauru, Brasília e Mogi desde 2012. Pinheiros, Flamengo e Bauru ganharam a Liga das Américas entre 2013 e 2015. O Guaros de Lara, da Venezuela, foi o único a furar este bloqueio ano passado.

guerra2Outro nome importante para se comentar é o de Guerrinha, agora bicampeão da Liga Sul-Americana como técnico (venceu em 2014 com Bauru). O treinador foi injustamente, em minha concepção, demitido pela diretoria bauruense no começo da temporada passada. Ficou meio sem chão, meio sem rumo, e foi cuidar de sua vida. Tentou montar um projeto no Corinthians, mas não deu. Surgiu o convite de Mogi para que ele comandasse a equipe nesta temporada com a missão de alçar o projeto não a outro patamar, mas ao patamar de ser vitorioso (pois os mogianos precisavam de um caneco urgentemente). E Guerrinha conseguiu. Pode-se criticar o que quiser do cara, mas ele é um baita personagem, uma pessoa que trabalha duríssimo e que SEMPRE extrai o melhor dos elencos que tem em mãos. Larry Taylor voltou a jogar muito bem, Tyrone está mais intenso do que nunca, Shamell está até marcando bem, Elinho, Vithinho, Filipin e Fabricio formam uma ótima segunda unidade e Caio Torres, quando bem fisicamente (o que é o caso), torna-se uma arma importantíssima em qualquer clube. Foi com esse grupo que Guerrinha voltou a sorrir. Foi com essa galera que Guerrinha fez o povo de Mogi sorrir. Se ele não precisa provar nada pra ninguém, é fato que essas duas conquistas servem para lavar também a alma dele.

mogi2Por fim, vale dizer que é difícil planejar e projetar os próximos passos de Mogi das Cruzes. O que vale a pena, agora, é olhar pra trás e ver o que todos na cidade sofreram para recolocar o time no patamar dos grandes campeões do basquete para saborear essa conquista como ela deve ser saboreada.

Já são quatro anos consecutivos de um projeto que sempre sobe, que sempre cresce, que sempre tem um ingrediente novo, e bom, para ser adicionado à receita que já vinha dando certo. Títulos normalmente são fotos e troféus que os clubes colocam nas paredes de suas salas. Os do Paulista e o da Liga Sul-Americana, para Mogi, são bem mais que isso. São a coroação de um trabalho que começou lá atrás e que foi subindo degrau a degrau até alcançar o status deste início de temporada.

Mogi pode se orgulhar. Não por ter uma das torcidas mais fanáticas do Brasil. Mas por poder bater no peito e dizer que o seu projeto de basquete é muito bom. Muito bom, consistente e agora vencedor.


Atletas, técnicos, árbitros, clubes e dirigentes ‘despertam’ e pedem mudanças urgentes na CBB
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Fábio Balassiano

cbb1Aparentemente os personagens do basquete brasileiro estão acordando para tentar mudar a realidade. Na semana passada Atletas, Técnicos, Árbitros, clubes e dirigentes (inclusive das duas Ligas Nacionais – a LNB e a LBF) se reuniram em São Paulo para falar sobre a suspensão da Federação Internacional à Confederação Brasileira.

Após o encontro elaboraram um manifesto cobrando enfim melhorias imediatas e profundas na condução do basquete brasileiro, alterações no estatuto e solicitando maior participação no processo de tomada de decisão da Confederação Brasileira. Além disso, uma comissão permanente foi formada.

O texto que você vê abaixo reproduzido de forma completa foi enviado para a Federação Internacional (FIBA) e assinado por todas as esferas envolvidas (Atletas, Técnicos, Árbitros, LNB e LBF). Este foi o primeiro movimento unido e prático realizado pelos diferentes segmentos do basquete

UNIDOS POR UM BASQUETE MAIS FORTE

cbb1Após a suspensão imposta pela FIBA à Confederação Brasileira de Basketball, foi organizada uma reunião com a participação de diversos profissionais e das entidades abaixo relacionadas:
– AAPB – Associação dos Atletas Profissionais de Basquete do Brasil
– ATBB – Associação de Técnicos do Basquete do Brasil
– ARBBRA – Associação Brasileira de Árbitros e Oficiais de Mesa de Basquetebol
– LBF – Liga de Basquete Feminino
– LNB – Liga Nacional de Basquete

cbbNesse encontro ficou definida a criação de uma comissão permanente representando os diversos e importantes segmentos do basquetebol brasileiro: atletas, treinadores, árbitros, clubes e ligas nacionais.

Diante da situação estabelecida, esse representativo grupo entende que o basquetebol brasileiro está diante de uma oportunidade a provocar mudanças que gerem consequências positivas e permanentes ao desenvolvimento da modalidade. Para tanto, solicitamos aos novos gestores da CBB, ou por decorrência à própria FIBA, da possibilidade ao atendimento das reivindicações abaixo:

bra181) Participação efetiva dessa comissão, cujos integrantes serão nominados pelos segmentos, em todas as discussões envolvendo a confecção, na forma da lei vigente, de um novo estatuto e formatação da entidade de comando do basquetebol brasileiro.

2) Na alteração estatutária, além da inclusão dos clubes da primeira divisão e dos atletas, seja elaborada uma modificação no sistema eleitoral da entidade, mantendo o direito de voto para federações e atletas com a extensão do direito aos clubes, treinadores e árbitros, de forma a garantir a efetiva e proporcional participação de todos os segmentos nesse processo.

brasil23) Participação de todos esses segmentos no planejamento das políticas a serem adotadas para o desenvolvimento da modalidade.

Todas as ações desse grupo visam contribuir para a organização, modernização e crescimento contínuo do basquetebol brasileiro em conformidade com os padrões internacionais.

São Paulo, 25 de novembro de 2016

giovannoni1Guilherme Giovanonni
Presidente da AAPB (Atletas)

Aluísio Ferreira
Presidente da ATBB (Técnicos)

José Carlos Pelissari
Presidente ARBBRA (Árbitros)

Márcio Cattaruzzi
Presidente da Liga de Basquete Feminino (LBF)

Cássio Roque
Presidente da Liga Nacional de Basquete (LNB)

Tags : CBB


Começa hoje o Campeonato Brasileiro em cadeira de rodas em SP – entrada é franca
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Fábio Balassiano

SEMI_Gadecamp_x_hands (2)Passada a Paralimpíada, quando o Brasil chegou na ótima quinta colocação, chegou das feras voltarem à disputa. Começa hoje às 9h com o duelo entre ADD Magic Hands (SP) e ADA (GO), em São Paulo, o Campeonato Brasileiro Masculino de Basquete em Cadeira de Rodas da 1ª Divisão.

O torneio, que vai até sábado, tem entrada franca, acontecerá no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (Rodovia dos Imigrantes, Km 11,5 – ao lado do São Paulo Expo) e contará com os 12 atletas que participaram do Rio-2016. A final ocorre no sábado às 19h30.

cpb1Realizado pela Confederação Brasileira de Basquete em Cadeira de Rodas (CBBC) e com o apoio do Comitê Paralímpico Brasileiro, a disputa contará com dez equipes dos estados de São Paulo, Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Pará, e verá 120 atletas em atividade. No ano passado o título ficou com o CAD São José do Rio Preto, que tem entre os seus destaques o capitão da Seleção Paulo César dos Santos, o ''Jatobá'', e o ala Erick da Silva. O vice-campeão 2015, Gadecamp, de Campinas, chega reforçado com o pivô Leandro de Miranda e o ala armador Marcos Sanchez, que também vêm de grandes performances na Paralimpíada. O torneio feminino foi realizado no começo deste mês em Recife e teve como vencedor o All Star Rodas Pará, do Pará.

SEMI_CAD_RP_XTigres (5)A disputa estão as equipes CAD São Paulo (SP), Adfego (GO), Afadefi (SC), ADF (PA), ADD Magic Hands (SP), CBPRN América Tigres (RN), All Star Rodas (PA), ADA (GO). São três grupos e avançam à semifinal os dois melhores de cada chave. O primeiro jogo será entre a ADD Magic Hands e ADA, nesta quarta, às 9h. A grande final ocorre no sábado, 03, às 19h30.


‘Time de camisa’, rubro-negro e líder do NBB: o surpreendente começo do Vitória
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Fábio Balassiano

vitoria1Quando se olha a classificação do NBB a gente vê um rubro-negro invicto na liderança da competição. A alcunha se encaixa no Flamengo, que tem 4-0 e é o atual tetracampeão da competição. Mas há outro time que veste vermelho e preto na mesma situação. É o surpreendente Esporte Clube Vitória, da Bahia, que ainda não perdeu após cinco partidas disputadas. Sob o comando do ótimo técnico Régis Marreli, treinador que foi vice-campeão com São José em 2012, os leões já despacharam Pinheiros, Brasília, Minas, Caxias do Sul e Vasco (três triunfos fora de casa, inclusive o último, em São Januário, Rio de Janeiro, na quinta-feira, por 70-60) e enfrentam o Campo Mourão na quarta-feira para manter a boa fase.

vitoria4“É surpreendente, sem dúvida alguma. Nossa realidade é para brigar para ficar entre os oito melhores, pegar uma Liga Sul-Americana quem sabe. Mas de fato o começo está sendo muito legal. O encaixe está sendo excepcional. Os jogadores se gostam e quando isso acontece é muito legal. Costumo dizer que às vezes o elenco é excepcional, mas as peças não se encaixam. Aí não tem jeito. E há o contrário. Peças menos estelares, como é o nosso caso, que se dão muito bem no dia a dia. Eu prezo muito isso. É fundamental ter um ambiente de trabalho tranquilo para melhorarmos no dia a dia”, destaca Régis Marrelli, que faz questão de citar a diferença entre o primeiro e o segundo ano do time no NBB: “O começo foi muito difícil, mas a chegada do diretor Marcelo Falcão deu outra cara pro projeto. Ano passado cheguei aqui faltando 18 dias para começar o campeonato. Não tinha camisa, academia, preparador físico, nada. Teve treino que fizemos que nem água tínhamos para beber. Esse ano temos a estrutura, tivemos treinamento, dois torneios preparatórios, um preparador físico de alto nível, o Felipe Tinoco, que veio de Macaé, e um respaldo muito grande do corpo diretivo”.

vitoria9Um dos pontos que chamam a atenção da campanha do Vitória é a equipe ainda não levou 80 pontos (a maior pontuação sofrida foi contra o Brasília nos 88-77). A agremiação tem a defesa menos vazada (71 pontos/jogo) e a segunda que menos permite tiros de fora convertidos (27,4%). Se as cinco vitórias surpreendem, o apreço pela marcação está na ordem do dia do comandante.

“Estes números que você cita não são coincidência. É o meu carro-chefe desde sempre. Coloquei pra eles na pré-temporada que teríamos que marcar e marcar muito. Temos um elenco mediano e não é vergonha alguma dizer isso. Mas se marcarmos muito bem e com inteligência podemos chegar longe. Não abro mão disso. Meus atletas sabem que se quiserem ficar em quadra têm que marcar. Diferentemente do ano passado, nesta temporada eu participei da montagem do elenco. Dentro do limite financeiro pude escolher os atletas. Todos os atletas são de médio para bons na defesa e pensei muito nisso. E, óbvio, há o mérito dos atletas, que estão acreditando. Não adianta eu querer se eles não acreditam”.

vitoria100Na ausência de estrelas, Régis faz o time correr. E correr muito. O Vitória tem 9 atletas jogando 14 ou mais minutos por jogo, o que faz com que a intensidade vista em quadra seja sempre altíssima. Além disso, são oito jogadores (Dawkins, Coimbra, André, Keyron, Renato, Kurtz, Hayes e Edu Mariano) com 7 ou mais pontos por partida e 16 assistências os 26 arremessos convertidos por jogo (ótimo índice). E Marrelli quer mais, mas mantendo sempre a serenidade.

vitoria8“É intensidade. Palavra-chave para mim e nisso o preparador físico Felipe Tinoco tem sido fundamental. Esse rodízio é o que tenho que fazer. E olha que acho que o Dawkins e o Andre Goes (armadores) ainda jogam muito tempo, mais de 30 minutos por jogo. O Arthur (ala, ex-Brasília) volta em breve e eles vão diminuir um pouco. O grande time é aquele que você não sabe quem vai ser o cestinha, o melhor. E o outro técnico também não sabe. Eu acredito muito nisso. Falta mta coisa. Estou até preocupado porque de fato nosso começo é muito bom, mas ao mesmo tempo falta uma temporada toda pela frente. Todos estão muito empolgados, mas vamos precisar manter o pé no chão. Na teoria dá pra fazer mais algumas vitórias até o final do ano, mas pensando jogo a jogo. Temos que sonhar”, revela, destacando um dos jogadores preferidos do blogueiro, o ala Andre Goes (foto), que tem 11,6 pontos e é um dos líderes da equipe retornando de grave lesão: “Sempre gostei muito de jogar com 2 armadores. Foi assim com Laws e Fulvio em São José. E aqui encaixou o Andre e Dawkins. O Andre retornou no NBB passado em Macaé, foi bem, e o vi no Paulista em Osasco também muito bem. É um cara de grupo, ótimo jogador e ótima pessoa. Está sendo muito útil. E olha que os dois, ele e Dawkins, podem melhorar muito juntos. Não consegui ainda ter um jogo de transição mais rápido. Ainda estamos muito lentos no cinco contra cinco. Nossos jogadores podem ousar mais”.

vitoria3Experiente, Régis está treinando o seu terceiro time “de camisa de futebol”. Com passagens por Corinthians e Palmeiras, ele consegue ver diferenças claras neste começo de história em Salvador.

“Passei por Corinthians, Palmeiras e agora estou no Vitória. Aparentemente são coisas parecidas, mas há uma grande diferença. O Vitória, no basquete, joga em um bairro chamado Cajazeiras, que tem 680 mil habitantes. É um bairro humilde e que tem ginásio bacana para duas mil pessoas. O que acontece é que 99% da nossa torcida é do bairro. É uma torcida muito carente de eventos, e também por isso estamos tendo muito carinho. No Vasco na semana passada eu vi a torcida e ela foi muito agressiva com atletas e comissão técnica após a derrota pra gente.

vitoria10O Vitória está muito diferente de uma torcida de futebol, digamos, normal. É tudo muito novo, eles estão aprendendo o que é o basquete e estamos adorando esse contato. São quase mil pessoas por jogo. Está sendo muito legal. É difícil até de explicar. Sentimos falta de não termos um ginásio central, porque do centro de Salvador até Cajazeiras são no mínimo 50 minutos, mas o carinho que a gente recebe da galera é lindo. E até espanta. No torneio preparatório que fizemos aqui estávamos perdendo de 20 um jogo, levamos pra prorrogação, mas saímos derrotados. Estávamos chateados, mas no final todos os torcedores estavam sorrindo, aplaudindo, agradecendo pelo empenho e pela luta. Estamos nos sentindo muito acarinhados. Não tínhamos água pra tomar em um treino. Não tinha uniforme. Agora estamos melhorando”, finaliza Régis.


O animador começo de temporada do jovem armador Georginho no Paulistano
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Fábio Balassiano

george4Um dos nomes mais falados da nova geração do basquete brasileiro, George Lucas Alves de Paula, o Georginho, vai tendo um começo de NBB bem animador no Paulistano.

No sábado contra o Minas o armador de 20 anos e 1,96m foi responsável por 25 pontos (11 no último período), 9 rebotes e 7 assistências (31 de eficiência) para guiar seu time a uma importante vitória (98-86). Foi a quinta boa exibição do jogador, que tem as médias de 14,8 pontos, 51% nos tiros de dois, 6,2 rebotes, 4,8 assistências e índice de passes por desperdício de bola de 1,7, algo muito bom para quem é tão jovem.

george3Vale dizer que Georginho está jogando com constância seu 1º NBB. Em 2015/2016 foram apenas 9,1 minutos por jogo no Pinheiros. Nesta temporada seus números quase triplicaram (são, até o momento, 27,1 por partida no Paulistano) e com a ausência do ala Lucas Dias (lesionado no joelho) o papel de protagonista tem feito bem a ele (no sentido de ganhar mais responsabilidade – na marra e na prática). No campeonato são 9,4 arremessos de quadra por partida, e pela primeira vez em sua carreira três partidas seguidas chutando mais de 10 vezes (Franca, Brasília e Minas).

george1Não tinha dúvida que tanto Georginho quanto Lucas Dias iriam crescer nas mãos do ótimo Gustavo de Conti, um dos melhores e mais exigentes técnicos do país. Mas confesso que seu começo é muito melhor do que o que eu esperava (ressaltando o fato de ser este o primeiro NBB ''real'' dele).

Quero ver mais de Georginho, que obviamente tem a evoluir em todos os aspectos (defesa, arremesso, leitura de jogo, parte física, liderança etc.), o que é normal para alguém de 20 anos e ainda em formação, mas desde já vale dizer que é muito bom ver um garoto assim tão novo e sendo dominante sem a menor cerimônia. Toda sorte pra ele! E olho no garoto!