Bala na Cesta

Paul Pierce anuncia aposentadoria, e ‘NBA da década de 90′ está chegando ao fim
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Fábio Balassiano

pierce1Parece que foi combinado, né? Menos de uma semana depois de Kevin Garnett anunciar a aposentadoria das quadras, foi a vez de Paul Pierce, que jogou com KG no Boston campeão de 2008, enviar um texto ao Players Tribune informando que 2016/2017 será a sua última temporada como atleta profissional. Aos 38 anos, The Truth, como é conhecido, jogará o seu décimo-nono campeonato com o Los Angeles Clippers e dará adeus ao basquete.

nba90sA saída de cena de Pierce merecerá um texto à parte no dia 5 de fevereiro, quando o craque jogará contra o ''eternamente seu'' Boston Celtics pela última vez (foram 15 temporadas com o verde mais famoso da NBA) e também na semana de sua despedida, em maio, junho de 2016.

Por enquanto vale refletir que com as aposentadorias recentes de Kobe Bryant, Tim Duncan, Kevin Garnett e agora Paul Pierce restarão, caso continuem jogando em 2017/2018, apenas cinco jogadores em atividade que atuaram na década de 90 (final do Século XX portanto). São eles Dirk Nowitzki, do Dallas e de 38 anos. Vince Carter, do Memphis e de 39.  Jason Terry, agora no Bucks e também de 39. Elton Brand, de 37 e com o Sixers. E Ron Artest, no Lakers aos 36. Na NBA desde 1999, o pivô Nazr Mohammed ainda está sem clube.

pierce2havia notado isso quando da convocação para o All-Star Game de 2015, mas agora está mais claro do que nunca que a NBA passa por uma troca de guarda como a que aconteceu quando Michael Jordan, Hakeem Olajuwon, Karl Malone e Isiah Thomas, entre outros, deixaram o bastão da liga para Kobe Bryant, Tim Duncan, Kevin Garnett e outros projetos de craques que surgiam à época.

Paul Pierce, assim como Kobe, Duncan e Garnett, nasceu para o basquete no final da década de 90. Foi calouro com o Boston em 1998/1999, a temporada do locaute, aprendeu com a turma mais antiga que a dele, ralou nas ostras para recolocar os Celtics de novo nos trilhos (quase uma década depois que disputou, e ganhou, a sua primeira final) e se consagrou como um dos maiores ídolos de uma das franquias mais tradicionais do esporte americano.

pierce2Ainda passou por Brooklyn Nets, Washington Wizards e agora está no Los Angeles Clippers para fechar a sua brilhante carreira na NBA, mas a verdade é que ninguém se lembrará disso daqui a 20, 30 anos. Paul é o nome e seu sobrenome será sempre Boston Celtics.

Pierce será um dos últimos do Século XX a se despedir das quadras. Fez parte do ''boom'' internacional da liga e muitos dos que acompanham nos dias de hoje no Brasil começaram a amar a NBA naquela época. Época de Bandeirantes com Luciano do Valle, época de transmissões na TNT e na ESPN (algumas vezes só em inglês, outras vezes travando o sinal nos últimos dois minutos do quarto período…), época de um dos slogans mais famosos da liga, o ''I Love This Game'', época de Michael Jordan. Época de muita coisa que, vejam só, hoje parece nostalgia.

Estamos ficando todos muito velhos. Continuamos amamos este jogo. Eternamente seremos gratos a Paul Pierce a aos ''velhinhos'' da década de 90 que nos fizeram abrir os olhos para o melhor esporte de todos.


Técnico da seleção masculina, Tiago Frank analisa 5º lugar na Paralimpíada
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Fábio Balassiano

frank2

feminina1A medalha sonhada não veio, mas o desempenho das seleções brasileiras paraolímpicas no Rio-2016 não decepcionaram. Com a vitória por 57-39 contra a França, as meninas conseguiram o melhor resultado da história do país em Paralimpíadas. O mesmo feito foi alcançado pelos rapazes, que venceram a Austrália por 70-69 para chegar na quinta posição, também o melhor desempenho do time masculino na competição.

frank7O blog conversou com Tiago Frank, de 33 anos e técnico que assumiu a seleção masculina há pouco menos de um ano, sobre o Rio-2016 e os próximos passos da modalidade. Sem contrato após a Paralimpíada, o treinador de fala fácil que dirige equipes paraolímpicas de Caxias do Sul (RS) há cerca de sete anos usou durante todo evento histórias para motivar seus atletas, como a de Phil Jackson, multicampeão da NBA, e diz que não tira o livro “A Pirâmide do Sucesso”, de John Wooden, maior vencedor do basquete universitário americano, da cabeceira.

Vamos à entrevista com o comandante responsável pela melhor campanha da história brasileira em Paralimpíadas.

frank4BALA NA CESTA: Fazendo hoje uma análise fria, dá pra dizer que a quinta posição, a melhor do basquete paralímpico brasileiro, foi um ótimo resultado, não?
TIAGO FRANK: Eu diria que a quinta colocação foi um bom resultado, sim. Nosso objetivo era passar para as quartas-de-final, o que seria, como acabou sendo, um feito inédito. Saímos satisfeitos dos Jogos Paralímpicos, mas fica, sim, um sentimento de que poderíamos ter ido mais além principalmente quando analisamos a partida contra a Turquia nas quartas-de-final. Não realizamos um bom primeiro tempo. O grupo lutou muito no segundo tempo mas não conseguiu reverter.

frank8Fizemos bons jogos na fase classificatória, outros não tanto, mas destaco o contra a Grã-Bretanha (derrota por 73-55) em que tivemos uma excelente atuação diante de uma equipe tradicional e que depois conseguiu a medalha de bronze na competição. O grande trunfo foi a disputa de quinto lugar. A Austrália é a atual campeã mundial e nós conseguimos um excelente resultado. Trabalhamos ​no decorrer da preparação e dos Jogos para que os atletas desempenhassem as suas habilidades ao máximo e creio que este resultado tenha sido uma consequência do nosso esforço conjunto.

cbcc2BNC: Qual foi a emoção que você e seu grupo sentiram quando entraram para jogar a primeira partida contra os EUA e verificaram a Arena Carioca lotada? Foi difícil controlar a emoção?
TIAGO: Atuar em um ginásio diante da torcida brasileira exigiu um elevado nível de concentração a fim de controlar as cargas emocionais. Acredito que todos os membros da equipe estavam muito envolvidos com o evento. É claro que no universo do alto rendimento a emoção em excesso atrapalha, pois dificulta uma tomada de decisão racionalizada, e por isso trabalhamos constantemente no fortalecimento mental . Mas confesso que principalmente na estreia contra os EUA em uma Arena lotada foi difícil. Isso pesou, fazendo com que não tivéssemos um bom jogo. Mas a torcida se manteve incentivando durante todos os jogos, independente do placar ou resultado. Ter a torcida tão próxima e tão intensa ao nosso lado era algo novo, diferente do que estamos acostumados. Como isso se repetiu da primeira para as demais partidas, passou a ser natural e aprendemos a lidar com a situação.

frank1BNC: Para quem acompanha pouco o basquete paralímpico, você consegue descrever as maiores dificuldades que vocês enfrentam? É apoio? É popularização do esporte? Como quem gostou de vê-los na Paralímpiada poderia acompanhar / apoiar mais o paralimpismo?
TIAGO: Olha, Fábio, o esporte paraolímpico em termos de movimentação e de mídia é algo bem recente. Podemos notar um crescimento em termos de divulgação, de apoio no Rio-2016 e esse é um dos legados das Paralimpíadas. Potencializou o interesse da sociedade em conhecer o movimento paraolímpico. No caso do Basquete em Cadeira de Rodas a gente tem a modalidade mais antiga difundida no Brasil. Pessoas com deficiência que procuram no paradesporto uma ferramenta de qualidade de vida e inserção social acabam cruzando com o basquete em cadeira de rodas.

cbccBuscamos nosso espaço para maior popularização, e acredito que isso aconteça de uma forma geral no esporte olímpico como um todo, não só no paraolímpico. Precisamos de investimentos maiores principalmente da iniciativa privada. Hoje, por exemplo, a Confederação Brasileira de Basquete em Cadeira de Rodas não conta com nenhum patrocinador privado. Espero, sinceramente, que as Paralimpíadas tenham dado essa grande alavancada no movimento paralímpico. No nosso caso, torço para que as pessoas possam prestigiar as iniciativas que já existem em suas cidades, acompanhando jogos, dando força aos atletas. Creio também que as prefeituras municipais possam ser mais atuantes em termos políticas públicas para pessoas com deficiência.

frank10BNC: Quais os próximos passos dessa seleção a partir de 2017?
TIAGO: Para 2017 está prevista a Copa América, classificatória para o Mundial de 2018. Em 2019, o Para-Pan de Lima, no Peru, que classifica para a Paralimpíada de Tóquio, em 2020. É bem parecido com o que acontece no basquete olímpico pela FIBA. Temos também a cada dois anos o Sul-Americano. O deste ano foi em Cali, na Colômbia, em que nos sagramos campeões diante da Argentina. Além disso, há o Sub-21 e o Sub-23, que é realizado em âmbito internacional.

frank6BNC: Você me disse que não sabe se continuará na seleção, mas imagino que a vontade seja grande. Há alguma meta que você acaba colocando para si mesmo neste ciclo olímpico que se inicia caso seja o técnico?
TIAGO: Penso que existe um desejo mútuo de continuidade do trabalho. Digo isso em relação a atual gestão da Confederação, aos atletas e também de minha parte. Desejo continuar no cargo e posso te adiantar uma meta para 2020: extrair o que há de melhor de uma equipe para colocá-la em condições de batalhar por uma medalha. Acredito que com a qualidade técnica que temos no Brasil associada a um bom planejamento podemos pensar em estar novamente entre as grandes potências do mundo.


Os 30 da NBA: Nas mãos de Antetokounmpo, Bucks tenta encontrar rumo certo
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Fábio Balassiano

khrisO texto sobre o Milwaukee Bucks já estava quase preparado quando semana passada surgiu a notícia que de Khris Middleton, ala-armador titular do time e com contrato que vai no mínimo até 2018/2019 (2019/2020 é opção do atleta), vai operar a coxa e ficará seis meses afastado. Se já seria difícil retornar ao playoff com ele, autor de 18,2 pontos em 2015/2016, agora então a situação do time do técnico Jason Kidd fica ainda mais complicada. Mais do que nunca, agora, as esperanças da franquia ficam depositadas em Giannis Antetokounmpo.

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giannis3Aos 21 anos, o Greek Freak renovou recentemente o seu contrato (US$ 100 milhões até 2020/2021) e parece ter ganho não só uma bolada de dinheiro mas sobretudo a chave para guiar a franquia nos próximos anos. Se no final de 2015/2016 o grego recebeu carta-branca do técnico Jason Kidd para armar o jogo, fechando o certame depois do All-Star Game com as médias de 18,8 pontos, 7,2 assistências e 8,6 rebotes, além de cinco triplos-duplos, a tendência é que agora Kidd use Giannis desde o princípio assim. Com 2,11m, ele terá vantagens competitivas imensas no ataque devido ao seu físico descomunal e pode proporcionar ótimas alternativas no sistema defensivo de seu time marcando os rivais das cinco posições. Tenho bastante curiosidade para ver o que o rapaz de (insisto) 21 anos ainda pode colocar em seu arsenal. Ele já é um jogador muito bom, e em três temporadas tem 2 com 12+ pontos, o que não é pouco para alguém da sua idade e que veio tão jovem para a NBA. Com a evolução que tem demonstrado, tem tudo para se tornar um cara excepcional. Caso melhore nos chutes de três pontos (26% de aproveitamento em 2015/2016), se tornará uma arma muito difícil de ser marcada.

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Jabari1Outro nome que a franquia aposta muito é Jabari Parker. Segundo colocado no Draft de 2014, ele se lesionou com gravidade no joelho logo no começo de sua temporada de calouro. Parou, retornou e teve um ano satisfatório em 2015/2016 com 14,1 pontos e 5,2 rebotes. É outro atleta muito jovem (21 anos) e que pode render ótimos frutos para o Bucks em um futuro muito próximo. Muita gente aposta, inclusive, que o fato de o Milwaukee ter conseguido renovar com Antetokounmpo por pouco menos que o salário máximo que poderia ter sido oferecido (cerca de US$ 110 milhões pelos mesmos quatro anos) fará com que a diretoria tenha fôlego para oferecer valor semelhante a Parker. Se evoluir sobretudo em seus arremessos (25,7% nas bolas de fora), tem tudo para formar uma dupla animadora com o grego por muito tempo na NBA.

maker1Para o Bucks, porém, creio que falte um pouco mais para retornar ao playoff. A última vez foi em 2015 e de forma completamente inesperada. Chegaram os calouros Thon Maker (pivô australiano de 2,11m, 19 anos e que saiu direto do ensino médio) e o ala-armador de Virginia Malcolm Brogdon (23 anos, 1,96m de altura, 18 pontos de média em 2016 e 41% nas bolas de fora). Reforçaram o elenco via contratações os experientes alas Mirza Teletovic, Michael Beasley e Jason Terry, além do armador Matthew Dellavedova, ex-Cavs. As contratações de Terry e Teletovic explicam-se claramente. Os dois trazem a rodagem necessária para ser acrescentada à juventude do elenco (7 possuem 21 anos ou menos) e podem dar a Jason Kidd um alívio na conversão dos arremessos de três pontos. Em 2015/2016 o Bucks foi simplesmente o que menos arriscou de longe (15,6 vezes), com a conversão de 34,5% (a vigésima-primeira da liga). Para uma NBA que cada vez mais ''demanda'' times chutadores, ter opções mais consistentes é importante para conseguir mais vitórias.

Kidd4Só que isso não é tudo. Antes de começar a temporada há perguntas importantes a serem respondidas. Armador trazido no campeonato passado em uma troca, Michael Carter-Williams perderá espaço com a consolidação de Antetokounmpo como armador principal e com a chegada de Dellavedova, que aparentemente vem para ser o primeiro reserva da posição 1? E o pivô Greg Monroe, contratado em 2015 como a esperança no pivô (15,3 pontos e 8,8 rebotes de média), mas que sempre figura nos rumores de troca, fica por lá até o final do certame? A chegada de Thon Maker é um indicativo de que Monroe poderá ser realmente envolvido em uma transferência?

Kidd2Estas são as perguntas que envolvem muito mais a diretoria do que a quadra. Dentro das quatro linhas, Jason Kidd sabe que o ataque do seu time precisa ser mais consistente – ano passado pontuar era uma tortura para os caras. Foram apenas sete times que ficaram abaixo dos 100 pontos de média em 2015/2016 na NBA. O Bucks esteve entre eles. Como adaptar a imensa versatilidade de Giannis, Jabari, Beasley, Michael Carter-Williams e John Henson para que seu time tenha um sistema de jogo mais homogêneo? Será que enfim o técnico conseguirá explorar as habilidades que Greg Monroe, sim, possui?

giannis10Gosto bastante do futuro do Bucks na NBA (e o próprio slogan da equipe, o ''Own the Future'', algo como ''Possua o Futuro'', fala disso). Creio que com Giannis Antetokounmpo e Jabari Parker a pedra-fundamental do time seja animadora, mas não sei se os jogadores de 21 anos terão capacidade de levar a franquia ao playoff direto em 2016/2017. O Milwaukee passa por uma transição e vejo muitas interrogações, como as que mencionei acima, precisando ser respondidas antes de o time tentar dar o próximo passo.

Campanha em 2015/2016: 33-49
Projeção para 2016/2017: Fora do Playoff (entre 33 e 38 vitórias).
Olho em: Giannis Antetokounmpo


Os 30 da NBA: Com Derrick Rose e Carmelo Anthony, Knicks mira volta ao playoff após 4 anos
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Fábio Balassiano

philQuando Phil Jackson assumiu o Knicks em março de 2014 estava claro que o time nova-iorquino teria que passar por uma reconstrução. Ninguém na Big Apple gostaria de ver o que viu, mas era, sim, necessário. O time tinha salários inchados, o elenco era completamente desbalanceado, nem mesmo a tradição da franquia e a beleza da cidade conseguiam atrair mais os agentes-livres, as escolhas de Draft estavam comprometidas, a comissão técnica não empolgava e nos últimos 14 anos a equipe só vencera uma série de playoff. O Mestre Zen teria muito trabalho.

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phil2No primeiro ano, era hora de cortar na carne, limpar a folha salarial e garantir alguns picks de Draft para o futuro. O que era possível fazer, Phil Jackson fez. Os 17-65 eram muito mais reflexo do solo mal plantado de antes do que resultado de sua competência. Em 2015/2016, houve evolução, mas não muita (30-52). Saiu o técnico Derek Fisher, e de positivo, positivo mesmo apenas a chegada da surpresa da Letônia chamada Kristaps Porzingis, autor de 14,4 pontos em sua temporada de estreia na NBA. Mas paciência tem limite até mesmo para o Mestre Zen e era hora de tentar o próximo passo.

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rose1E ele foi dado. Phil Jackson bateu na porta do Chicago, ofereceu quase nada (Robin Lopez, o expirante de José Calderon e Jerian Grant) e conseguiu Derrick Rose. Foi uma manobra arriscada devido ao histórico de lesões do agora ex-armador do Bulls, mas como escrevi aqui em junho para o Knicks valeu muito a pena. O contrato de Rose também está entrando em seu último ano, o atleta precisava de um choque de realidade e pode ser que a vontade de voltar a ser estrela de NBA faça com que ele jogue a temporada 2016/2017 ligado na tomada. Mudar de ares muitas vezes é a melhor solução para reencontrar a melhor forma. Pode acontecer com o número 25 do New York Knicks.

noahTambém do Bulls veio Joakim Noah. Às turras com o técnico Fred Hoiberg, todo mundo sabia que ele não ficaria em Chicago. Surpreendeu-me demais, porém, ver Noah pouco cortejado no mercado de agentes-livres logo nas primeiras horas de conversas com as franquias. O que fez Phil Jackson? Pegou o telefone, organizou o encontro e fechou a contratação em menos de dois dias. Contrato de 4 anos, valor final de US$ 19 milhões no último e nos padrões da NBA atual isso é uma senhora barganha por um jogador excepcional de defesa, dono de um comportamento profissional acima da média e emotivo na medida certa. Noah nasceu na cidade, tem apenas 31 anos e, caso se mantenha saudável, pode ser uma presença importante não só no garrafão, mas sobretudo para dar um pouco de organização ao vestiário. Das aquisições nova-iorquinas, foi a que eu mais gostei.

jenningsAlém deles chegaram o armador Brandon Jennings, o também armador Justin Holiday, o ótimo ala lituano Mindaugas Kuzminskas e ala-pivô senegalês Maurice Ndour, que jogou a temporada passada no Real Madrid, e o pivô espanhol Guillermo Hernangomez, também ex-merengue. Para o torcedor vivia reclamando da qualidade do elenco, é uma baita evolução e uma prova que até mesmo o tradicional New York está aberto às novidades gringas (são seis jogadores não nascidos nos EUA no elenco). Se ainda não é um oásis de talento, os Knicks possuem opções heterogêneas que podem dar ao técnico estreante Jeff Hornacek variações importantes para o começo de trabalho.

jeff2O time titular deve formar com Rose, Courtney Lee, outro recém-chegado, Carmelo Anthony, que segue sendo a principal estrela da companhia (com a diferença que agora ele está cercado de outras ótimas peças experientes), Porzingis e Noah, cenário bem mais animador do que o que se via na franquia em outros anos. Minha única dúvida é se Hornacek é o melhor nome para colocar o Knicks de novo em posição de vencer com frequência. Querendo ou não, trata-se de um técnico inexperiente (duas temporadas e meia de experiência no Phoenix apenas) e eu gostaria muito mais de ver um nome como Frank Vogel, que estava disponível no mercado após a saída absurda do Indiana Pacers, do que Jeff em si.

melo1De todo modo, por menos brilhante que Jeff Hornacek possa vir a ser está muito claro que o Knicks desta temporada tem tudo para ser muito, mas muito forte mesmo. É um elenco com inúmeras opções (talvez falte um pouco mais de jogo interno, perto da cesta mesmo), com um jogador que precisa começar a ganhar de forma mais constante para subir de patamar na história da liga (Carmelo Anthony) e com outro punhado que precisa ou voltar a se provar ou se confirmar na NBA (Porzingis, Rose, Noah, Jennings etc.). A combinação disso tudo, em minha opinião, fará com que os nova-iorquinos retornem aos playoffs já na temporada 2016/2017, concretizando uma das maiores variações de vitória entre o campeonato passado e este. Começar bem, para trazer a confiança de volta ao vestiário e também à torcida, é mais do que fundamental

Campanha em 2015/2016: 32-50
Projeção para 2016/2017: Nos Playoffs (entre 42 e 47 vitórias).
Olho em: Derrick Rose


Os 30 da NBA: Pelicans têm Anthony Davis, mas elenco de apoio não ajuda
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Fábio Balassiano

davis1O sonho de qualquer time da NBA é encontrar um jogador-franquia. Aquele cara que vai ser a referência técnica, moral, comportamental não só do time, mas também de toda organização. Recentemente tivemos isso com Kobe Bryant no Lakers, Tim Duncan no Spurs, LeBron James em Cleveland, entre outros casos que vocês conhecem. Não basta ser bom. É preciso ser craque e respeitado por todo elenco. Alguns buscam esse atleta para conectar todas as pontas e, aí sim, chegar perto do sonhado título. Nem todos conseguem.

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davis2O New Orleans Pelicans conseguiu esse cara em 2012 na primeira posição do Draft. Ele se chama Anthony Davis, é um cracaço de bola, dono de ética profissional invejável e com uma habilidade descomunal. Em quatro anos de liga, tem 20,8 pontos, 9,7 rebotes e 2,4 tocos de média, sendo que nos três últimos campeonatos saiu-se com mais de 20 pontos e 10 rebotes. É um fenômeno do basquete de apenas 23 anos e que tem talento suficiente para liderar QUALQUER franquia da NBA por mais de uma década. Tanto é assim que o New Orleans não teve dúvida e renovou com o cara no mínimo até 2019/2020.

O longo caminho do Nets para ter um time
Phoenix e a difícil administração de elenco

monty2O problema é que se a parte mais difícil (a de achar o jogador-franquia) foi conseguida, a outra, a menos tortuosa, digamos assim, não tem sido realizada muito bem pelo Pelicans. A de cercar o monocelha, o dono de um físico descomunal apesar das sequenciais lesões em 2015/2016, com peças realmente talentosas e que possibilitem ao cara atingir resultados compatíveis com a sua capacidade em pouco tempo. A começar pelo técnico. Davis confiava, gostava e compreendia os métodos de Monty Williams. Foi com Monty que o camisa 23 entrou na liga e jogou o primeiro playoff de sua vida em 2015. Havia mais do que respeito. Havia cumplicidade e noção do que cada um representava pro outro no dia a dia.

gentryO que fez o New Orleans logo depois da pós-temporada daquele ano? Mandou o técnico que saiu de 21 para 45 vitórias em 3 anos pro espaço. Trouxe Alvin Gentry, que é gente boa, ótimo assistente, para implementar a cultura do Warriors do qual ele era auxiliar na Louisiana. Sempre que acontece isso eu coço a cabeça. A identidade de um time pode ser ''copiada'' em outro com jogadores de características tão diferentes? O que acontece no Golden State não é realmente único devido às peças que lá estão? Sigo acreditando que foi incompreensível a saída de Monty. E sabem o pior disso tudo? Não é que a equipe parou de evoluir, mas sim que regrediu terrivelmente. Saiu de 45-37 em 2014/2015 para 30-52 em 2015/2016. As lesões de Anthony Davis atrapalharam, claro, mas a mudança de cultura não surtiu o efeito esperado.

lance1Para piorar as coisas, o New Orleans tem metido os pés pelas mãos nas contratações. Desesperado para cercar Davis de talento, gastou os tubos com jogadores não mais que razoáveis. Trouxe os não mais do que medianos Langston Galloway, Solomon Hill, Terrence Jones e E'Twaun Moore como se fossem fenômenos. Não são e sinceramente creio que nem os atletas acreditaram quando receberam ofertas tão gordinhas assim. A bizarrice é tão grande que a franquia, que chegou pertinho do máximo que pode gastar (US$ 91 milhões é a folha e US$ 94 mi é o teto), ainda arriscou a vida ao trazer o maluco Lance Stephenson (foto), dispensado de Indiana, Charlotte e Memphis em menos de 24 meses. Alguém me dê um Google Basketball Tradutor para compreender o que quer o gerente-geral Dell Demps com isso tudo, porque não dá pra entender tão facilmente, não.

buddy1De bom mesmo, é a chegada do calouro Buddy Hield (foto), ala-armador da Universidade de Oklahoma. Hield tem 1,96m, 22 anos, foi bem em 2014 e 2015 na NCAA antes de explodir com 25 pontos de média em 2016. Pode ser o companheiro de perímetro que Anthony Davis sonha há tempos, já que Jrue Holiday, Eric Gordon (foi pro Houston) e Tyreke Evans não conseguiram fazer isso até agora. Os três, juntos, perderam 92 partidas devido a lesões em 2015/2016 e Holiday já avisou que perderá o começo da temporada 2016/2017 devido a um problema de saúde da esposa.

davis100Não dá pra esperar muita coisa, em termos de resultado, do Pelicans por tudo isso que apontei no texto. Vamos, sim, ver performances geniais de Anthony Davis quando seu físico permitir (ele ainda não está 100%), mas nada além disso. Pode ser que, em um esforço descomunal do monocelha, o time brigue por playoff, mas as contratações não animam, o elenco que já estava por lá vive no departamento médico e apresenta uma inconsistência criativa devastadora, e o técnico não inspira confiança. Para o New Orleans, talvez a melhor expectativa mesmo seja que Hield consiga começar a se tornar o parceiro sonhado por Davis. E só.

Campanha em 2015/2016: 30-52
Projeção para 2016/2017: Fora do Playoff (entre 30 e 35 vitórias).
Olho em: Anthony Davis


Adorável maníaco, Kevin Garnett se despede do basquete – vai deixar saudade
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Fábio Balassiano

nba1O dia 28 de junho foi especial pro basquete. Foi a primeira vez que a NBA fez a sua cerimônia de Draft fora dos Estados Unidos. Em Toronto, Joe Smith foi o primeiro colocado na seleção dos atletas, indo para o Golden State. O Denver Nuggets fisgou Antonio McDyess após troca com o Clippers. Jerry Stackhouse parou no Sixers. Rasheed Wallace, no Washington Bullets. O Toronto Raptors, o time local que tinha a sétima escolha, já salivava com a possibilidade de colocar o plano mirabolante de seu gerente-geral Isiah Thomas em prática. Isiah falava garoto de 19 anos que pularia do segundo grau direto para a liga profissional norte-americana com brilho nos olhos. Para não prejudicar a sua formação, o GM torontino cogitava jogar Kevin Garnett apenas nos 41 jogos em casa para que ele pudesse fazer a faculdade com tranquilidade.

garnett1O problema para Isiah é que alguém que conhecia muito da posição de ala-pivô tinha planos para aquele rapaz de braços longos e 2,11m. Era Kevin McHale, recém-contratado como Gerente-Geral do Wolves e que meses antes viu Garnett jogando na Farragut Academy, em Chicago, onde teve surreais 25,2 pontos, 17,9 rebotes, 6,7 assistências e 6,5 tocos.

Se era para começar a remodelar a franquia, nada melhor do que sangue novo. Assim, com a quinta posição do Draft de 1995, o Minnesota selecionaria Kevin Garnett. Vinte e um anos se passaram daquele 28 de junho de 1995, KG virou Big-Ticket, apelido carinhoso em alusão ao fato de as torcidas rivais lotarem ginásios para vê-lo jogar em seus tempos de Wolves, ganhou um título com o Boston em 2008 gritando loucamente na comemoração uma de suas frases mais conhecidas (''Tudo é possível, tudo é possível''), foi para o Brooklyn Nets e retornou ao Minnesota em 2014/2015, onde brigou demais contra seu corpo para se manter em quadra naquela e na temporada 2015/2016.

KG_TD_KobeOntem, porém, Kevin Garnett optou por não mais disputar contra seu físico. Baixou a guarda, e aos 40 anos decidiu rescindir seu contrato com o Minnesota para anunciar a aposentadoria no mesmo ano que outras duas lendas da modalidade, os seus contemporâneos Kobe Bryant e Tim Duncan. Momento triste para quem acompanhou o cara durante praticamente toda a carreira, venerando seu lado intenso, indomável na quadra e uma técnica que foi se refinando aos poucos e com horas e horas de trabalho extra no ginásio. KG não entrou craque na liga em 1995. KG se formou craque na NBA treinando como um maluco, aprendendo com os melhores e evoluindo ano após ano. Não é qualquer ser humano deste planeta que consegue por 18 temporadas seguidas ter 10+ pontos de média. Ele conseguiu e isso se deve a uma singela razão: Kevin Garnett era um maníaco por treinamentos. Aquele clichê que diz que ele era o ''primeiro a chegar e o último a sair do ginásio'' se aplica a ele.

Kevin GarnettKevin Garnett da intensidade. Kevin Garnett da emoção. Kevin Garnett que chora ao ver um fã que ESCREVEU seu eterno número 21 em seu olho (mais aqui). Kevin Garnett das defesas implacáveis. Kevin Garnett dos duelos épicos contra Tim Duncan. Kevin Garnett dos arremessos certeiros das extremidades do garrafão. Kevin Garnett do sangue de suor, ou do suor de sangue. Kevin Garnett das flexões DURANTE os jogos. Kevin Garnett com joelho estourado pedindo para, em 2009, jogar uma partida de número 5 contra o Chicago Bulls e brigando com Doc Rivers porque o técnico achou que ele estava brincando (não, KG NÃO estava). Kevin Garnett demolidor de Gasol na final de 2008. Kevin Garnett que fez Glen Davis chorar com uma bronca histórica. Kevin Garnett enigmático no Nets. Kevin Garnett do Big 3 mágico do Boston com Paul Pierce e Ray Allen. Kevin Garnett ser humano que fica transtornado quando Allen sai do Celtics e vai para Miami se juntar a LeBron James. Kevin Garnett animal feroz em todos os 21 anos de sua vida profissional. Kevin Garnett do longo abraço emocionado em Kevin McHale logo depois que McHale perdeu a sua filha.

garnett2Kevin Garnett era tudo isso. E eu admirava Garnett por isso tudo. Tentava compreender de onde saiu aquela fome toda. Jamais desvendei. Sempre venerei. Ele era a síntese da NBA que eu e muitos de vocês começamos a gostar no final da década de 90. A sequência de Charles Barkley e Karl Malone. Com seus erros, acertos e tudo mais. Guerreiro, matreiro, trash-talker, intenso, empolgante, evolutivo, maluco na medida certa, defesa forte, líder. Craque. Gênio. Fantástico.

Deixo abaixo alguns vídeos de sua brilhante carreira, mas confesso que fui dormir nesta sexta-feira com uma mistura de agradecimento a Kevin Garnett e uma tristeza de saber que não mais o verei em quadra. E foi maravilhoso assisti-lo por duas décadas. Nunca torci por nenhum de seus times. Sempre torci por você, adorável maníaco. Por você, que cravou seu nome na história da liga e os corações de gerações e gerações, e por sua alma deixada noite após noite nas quatro linhas. Você representou a essência do jogo, a mágica do basquete, a disciplina do esporte e a todos os torcedores na quadra com sua luta feroz. Todos éramos Kevin Garnett. Kevin Garnett era todos nós. Muito obrigado, KG.


Os 30 da NBA: Com Thibs de técnico e jovens Wiggins e Towns, Wolves pode sonhar alto
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Fábio Balassiano

thibs1Quando acabou a temporada 2015/2016, Glen Taylor, dono do Minnesota Timberwolves tinha duas certezas: a) Que Karl-Anthony Towns, escolhido no Draft de 2015 em primeiro lugar, calouro do ano e dono das médias de 18,3 pontos e 10,5 rebotes era uma joia preciosa; b) E que Towns precisaria de um técnico capaz de colocá-lo em outra dimensão. Unindo os dois mundos Taylor não fez cerimônia, abriu o cheque, e também a franquia, e contratou Tom Thibodeau, ex-técnico do Chicago Bulls e melhor nome disponível no mercado, não só para a função de treinador mas também para ser o Gerente-Geral. Ou seja: Thibs chega para mandar em absolutamente tudo o que se relaciona a basquete na equipe.

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wolves2E aí, para quem gosta de basquete, é impossível não abrir um largo sorriso (apesar de uma lágrima já escorrer por vislumbrar a possível aposentadoria de Kevin Garnett, assunto que será obviamente debatido em um texto à parte tão logo a confirmação do fato ocorra). Primeiro porque Tom Thibodeau, que terá entrevista publicada pelo blog nos próximos dias, é um dos melhores técnicos em atividade e tê-lo de fora da NBA é um desperdício e tanto. Em segundo lugar porque a franquia Wolves tem uma chance de ouro de fazer história na liga com um elenco jovem que conta com Towns, Andrew Wiggins, Zach LaVine, Tyus Jones, Kris Dunn e tantos outros. A união da exigência alucinada de Thibs nos treinamentos com a fome dessa galera mais jovem pode transformar uma das franquias menos vitoriosas do basquete em uma casa poderosa em breve – e por muito tempo. Para se ter uma noção, Towns e Jones têm 20 anos, Wiggins e LaVine, 21, e Dunn, 22. São cinco jogadores de muito talento e que ainda estão nos contratos de calouro deles.

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rubio1Tenho bastante curiosidade em ver como este Minnesota será montado. Não só em relação a estilo de jogo (será que Thibs deixará a galera mais jovem correr um pouco, diferente do sistema mais, digamos, preso que víamos em Chicago devido ao elenco mais lento?), mas também em relação às peças que irão para as batalhas com ele do começo ao final da temporada. Aparentemente Thibodeau terá que fazer algumas opções logo de cara. Na armação, Kris Dunn, escolhido no Draft na posição 5, tem tudo para ser titular, mas o espanhol Ricky Rubio (foto), que tem contrato até 2018/2019, pode ganhar tempo para, pela última vez, mostrar serviço. Se escolher entre Dunn e Rubio não fosse o bastante, o espevitado Tyus Jones foi excepcional e eleito o melhor jogador da Liga de Verão recentemente. Como conjugar os três ao mesmo tempo? Será que algum deles será trocado?

wiggins3Nas posições 2 e 3 eu gosto bastante das opções do elenco. Não só em relação a nomes, mas por quão diferentes elas são, tornando as variações muito interessantes para a equipe. O titular absoluto em uma ala será o ótimo canadense Andrew Wiggins, que em seu segundo ano teve 20 pontos de média. Gosto bastante de seu jogo, de seu comportamento profissional, de sua tara por evoluir e creio que nas mãos de Thibodeau seu nível alcançará outro patamar. Caso melhore seu percentual de três pontos e defenda com ainda mais agressividade se tornará um dos atletas de elite da NBA muito rapidamente. Como ala-armador eu iria de Zach LaVine, que terminou muito bem em 2015/2016 (16,4 pontos de média depois do All-Star Game) e mostrou ser muito mais do que apenas um cara que faz enterradas alucinantes. Vindo do banco sairiam Brandon Rush e o talentoso-porém-irregular Shabazz Muhammad. São quatro alas com habilidades complementares e que podem colocar o Minnesota em uma posição bem interessante durante as partidas.Todos atléticos e capazes de atacar e defender em mais de uma posição.

wolves3Antes de falarmos do garrafão, vale destacar as adições experientes que Thibodeau fez. O técnico e gerente-geral acertou com Cole Aldrich, Brandon Rush e Jordan Hill. Todos com salários bem baixos, sem terem o papel de estrela e sabedores, os atletas, que têm uma missão de passar as mensagens do treinador para a garotada e de mostrar os caminhos da liga para quem está chegando. Rush vem de uma cultura ganhadora com o Golden State Warriors. Aldrich e Hill, se não são virtuosos no pivô, possuem força física e poderão ajudar a Karl-Anthony Towns contra rivais tão ou mais fortes que eles. Se não foram contratações de peso, e nem faria sentido gastar um caminhão de dinheiro tendo tantos atletas com 20 e poucos anos precisando de espaço, dá pra aplaudir as aquisições do Wolves para essa temporada.

wolves1Mas, bem, voltando. A mola-mestra desse time é Towns mesmo e a franquia fará de tudo para que os números de seu primeiro ano sejam potencializados a partir de agora. Quanto mais ele evoluir, explodir, melhor para todos por lá. Então se em 2015/2016 foram 14,1 arremessos/jogo, esperemos que esse número aumente ainda mais. O camisa 32 é dono de uma força absurda perto da tabela, muita gente já o considera como um dos cinco melhores pivôs da liga, e explorá-lo da melhor maneira certamente estará na ordem do dia da comissão técnica. Por outro lado, Nikola Pekovic, pivô que jogou muito bem por três temporadas com a equipe, se lesionou demais nos dois últimos anos, perdeu espaço e não sei se terá muita função com os holofotes todos voltados para Towns. Além disso, recebe pouco para os padrões da NBA (US$ 12 milhões/ano) e tem valor de troca no mercado. Com Jordan Hill e Cole Aldrich chegando, é impossível crer que os quatro consigam atuar com constância por 82 jogos. Alguém claramente vai sobrar nisso aí e Pekovic é o nome que mais me vem a mente neste sentido.

diengSe na posição 5 tudo está centrado em Towns, na ala-pivô é que reside a maior lacuna do Wolves em minha opinião. O senegalês de 26 anos Gorgui Dieng foi muito bem na temporada 2015/2016 (10,1 pontos e 7,1 rebotes), evoluiu muito nos três anos em que está no Minnesota, faz o estilo de Thibodeau (trabalhador contumaz, defensor excelente e dedicado a fazer o jogo-sujo perto do aro), mas está longe de ser um virtuoso no ataque. Em uma NBA que vê cada vez mais gigantes abrindo para chutar, Dieng é a contra-corrente e dedica seus maiores esforços a pontuar perto da tabela. Não é um problema em si, mas faz com que as variações da equipe fiquem reduzidas.

Bjelica2Quem poderia se beneficiar com isso é o sérvio Nemanja Bjelica. Dono de bom chute de fora e com altura suficiente (2,08m) para marcar atletas da posição 4 das demais franquias, Bjelica poderia ser o famoso ''quatro aberto'' no esquema de Thibs, dando a Towns inclusive espaço para fazer seus drives com mais espaço na área pintada e mais opções para Thibodeau variar seus esquemas. O problema para o atleta de 28 anos é que sua defesa desde sempre é muito ruim e com o ex-treinador do Chicago isso é um pecado mortal. Caso melhore segurando seus oponentes, Bjelica pode ganhar tempo de quadra e proporcionar a comissão técnica uma ótima surpresa.

thibs11Para o Minnesota, é o começo de uma nova era com Tom Thibodeau, assistente em 1989 quando a franquia tinha acabado de entrar na NBA, no comando e com dois jogadores que parecem ser acima da média (Andrew Wiggins e Karl-Anthony Towns). A ansiedade de todos, porém, deve ser controlada. As feras do Wolves, reforço isso, não têm 22 anos e precisarão de tempo para chegar ao nível de excelência que a liga demanda dos times que jogam playoffs ano após ano.

De todo modo, está claro que com uma base talentosa e com um técnico de primeira linha o Minnesota visa a entrada na elite da NBA em um período muito curto. E para ficar por um longo tempo. Se tivesse que apostar, diria que isso acontecerá. Só não sei em quanto tempo. Não deve ser a expectativa, mas é possível, sim, que o Wolves brigue por uma vaga no mata-mata que não vem desde 2004. Olho em Towns, Wiggins e no excepcional Thibodeau.

Campanha em 2015/2016: 29-53
Projeção para 2016/2017: Briga por Playoff (entre 35 e 40 vitórias).
Olho em: Karl-Antonhy Towns


Negócios do Basquete: Gerente de Marketing da Liga fala sobre próximos passos do NBB
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Fábio Balassiano

Negocios1O Bala na Cesta inicia hoje uma nova seção. Ela se chama ''Negócios do Basquete'' e tratará dos temas voltados para o que se faz de bom no esporte da bola laranja também fora de quadra. Vocês verão entrevistas, análises, números, ações promocionais e tudo o que pode ser replicado lá de fora aqui dentro da forma que vocês conhecem deste espaço.

Para abrir os trabalhos eu trago uma entrevista com Alvaro Cotta, Gerente de Marketing da Liga Nacional de Basquete. Ele vai falar sobre o II NBB Marketing Summit, evento realizado nesta terça-feira em São Paulo, das expectativas para a temporada 2016/2017, de como pretende angariar fãs da NBA para o basquete nacional (NBB) e de como a relação com os blogueiros e influenciadores tem pautado as discussões e os caminhos da LNB. Divirtam-se!

nbbmktg200BALA NA CESTA: Primeiro queria que você falasse sobre o II NBB Marketing Summit, evento realizado nesta terça-feira em São Paulo para mais de 400 pessoas. Qual a sua avaliação?
ALVARO COTTA: O encontro é voltado para o mercado publicitário e o objetivo é reforçar a história da Liga Nacional de Basquete, mostrar o que a LNB conseguiu, as conquistas de um ano para o outro, os números, tudo isso. E acho que atingimos isso. Foi mais um evento prestigiado, com a mensagem sendo transmitida da maneira que queríamos.

nbbmkt6BNC: Qual a expectativa da Liga em relação ao marketing dos clubes, mais públicos, mais fãs, essas coisas de fora das quadras?
ALVARO: Todo trabalho que a gente faz visando esse processo de transformação de marketing pensamos a médio e longo prazo. Os resultados dificilmente a gente conquista em uma temporada. Tendo em vista o trabalho que vem sendo feito nos últimos anos esperamos alcançar um engajamento maior do público, aumentando a média de torcedores nas partidas e trabalhando melhor a promoção dos espetáculos. O mais interessante disso tudo é que a gente percebe nos clubes uma clara intenção de oferecer aos torcedores uma atração além das quatro linhas. Isso também tem o lado da experiência do boca a boca. Tem uma família que vai, gosta, comenta com a outra. Às vezes brinco que estamos vivendo uma revolução silenciosa. Quando olharmos, depois, veremos que o NBB com uma nova cara, com uma nova roupagem. Creio que estamos no começo de um processo que a NBA viveu lá atrás. A nossa expectativa, agora falando como Liga, é que a gente consiga explorar cada vez mais esse engajamento nas redes sociais. O Jogo das Estrelas, por exemplo, é um produto promocional da Liga e serve para isso também.

BNC: Já se sabe onde será a edição da temporada 2016/2017?
ALVARO: A gente espera confirmar até o começo da temporada. Data e local. A nossa vontade é que seja em São Paulo mesmo.

BNC: A gente não pôde acompanhar e queria que você falasse como foi o encontro da tarde com o Brendan Donohue, vice-presidente sênior do TMBO (Team Marketing & Business Operations) da NBA? Quais foram as principais dicas que o dirigente da NBA deu?
brendan1ALVARO: O departamento do Brendan (foto) tem como principal atividade auxiliar as franquias da NBA a desenvolver o seu próprio negócio. Ele e sua equipe fazem isso através do compartilhamento de práticas e ideias que funcionam com todas as equipes. Isso serve para que todos ou possam adotar as mesmas estratégias ou que no mínimo saibam o que a outra franquia está realizando no seu dia a dia. Um dos principais pontos que foram abordados foi sobre venda de ingressos e sua importância dentro da NBA. Outro ponto importante foi sobre como é feita, hoje, a venda de patrocínios, com suas oportunidades, informações e negociações com cada segmento. Houve um ótimo trecho do encontro do Brendan em que foi falado sobre relacionamento com a comunidade, que é fundamental para as franquias da NBA. E aqui no NBB vemos o aumento desse aspecto para os times do NBB. Quanto mais o basquete for relevante para a população, tanto no entretenimento quanto pelo lado social ou autoestima para aquelas pessoas da cidade, mais engajamento e participação de empresas o time consegue. Talvez a principal mensagem que tenha ficado foi o quanto as equipes da NBA trabalham na coleta de dados visando sempre o desenvolvimento do negócio para todos os envolvidos. Há uma série de relatórios, um sistema bastante abrangente com informações e índices em relação aos pontos-chave para o negócio. Esses resultados são compartilhados entre todas as equipes. Isso serve também como base de comparação e análise por parte da liga. Quanto mais números melhor para ter uma análise mais precisa do cenário e para tratarmos com mais assertividade do que precisa ser melhorado.

nbbmkt3BNC: Um dos pontos mais importantes do que o José Colagrossi, do Ibope Repucom, falou foi sobre como capturar os fãs da NBA pro NBB. Como vocês estão pensando em fazer isso para aumentar a base de fãs de vocês na próxima temporada?
ALVARO: Todo trabalho que vem sendo feito no NBB e pela Liga Nacional tem o objetivo final de angariar mais fãs e superfãs para o esporte. Essa estratégia, ou oportunidade que a gente tem de angariar esses fãs da NBA para o NBB, é uma questão de longo prazo principalmente pelo que a NBA representa para o mundo, pelas grandes estrelas que disputam a liga. A gente sabe que o universo de fãs que acompanha a NBA no Brasil é imenso. Hoje temos 9 atletas brasileiros na NBA e essa também é uma oportunidade grande para nós. Sabemos que durante a temporada esses jogadores estão lá nos EUA jogando e treinando, mas usar esses atletas como uma estratégia para atrair, aproximar e engajar novos fãs de basquete, principalmente o jovem/adolescente, é um item importante. Tudo isso está sendo pensado no médio e longo prazo. Isso não acontece no espaço curto de tempo.

NBB2Uma das nossas metas é conseguir transmitir para esse fã uma experiência de imagem, de ginásio, de jogo excepcional para esse torcedor, até porque o nível de exigência com o que ele vê na NBA já nasce altíssimo. Tentamos fazer com que o primeiro contato dessas pessoas com o NBB seja positivo. Acredito que, para isso, a porta de entrada para esse fã seja a rede social. Por isso estamos cada vez mais atuantes na produção de conteúdo de qualidade e pensando em como ser mais atraentes para essa galera. Pensamos cada vez mais em usar uma linguagem mais jovem, mais bem humorada e não só tratando de temas como o basquete dentro de quadra, mas também de estilo, de comportamento. Tudo isso está sendo pensado e trabalhado. Algumas coisas conseguimos fazer apenas com uma nova visão, um novo formato. Outras demandam mais investimento ou preparação um pouco maior. Estamos bastante otimistas e motivados com o crescimento do basquete e com essa chance de conseguirmos atrair cada vez mais fãs, sejam aqueles que já acompanham a NBA ou aqueles que venham a ter o primeiro contato com o basquete.

nbb20BNC: Outro ponto importante foi sobre a criação de uma base mais jovem e sua (dela) relação com blogueiros / influenciadores . Quais as estratégias da LNB para ficar mais jovem e ter os influenciadores e blogueiros mais perto?
ALVARO: A gente vive agora uma nova época, né? Disso não temos como escapar. Pelo contrário, isso é uma grande oportunidade de nos conectarmos com o público jovem de forma mais divertida, interativa e de modo que eles possam participar ativamente sem estar dentro de um ginásio, dentro de uma quadra. A Liga tem investido nesse relacionamento com os blogueiros e com os Youtubers cada vez mais. Apenas para citar exemplos. Na última temporada nós tivemos a parceria com o Canal Chuá, com o conteúdo sendo oferecido dentro do site da Liga Nacional de Basquete, e no Jogo das Estrelas muitos destes YouTubers participaram do Jogo das Celebridades. A repercussão foi enorme. Seguramente algumas pessoas que nunca tiveram contato com o NBB passaram a nos conhecer através deles. Acredito que começamos, com isso, a atingir um novo público, um novo perfil. Pessoas que chegaram ao basquete com outro propósito, o propósito do humor, do entretenimento, da diversão, o que é ótimo. Este é um caminho que a Liga vem tentando fazer. Acreditamos muito nisso e inevitavelmente eles, blogueiros e influenciadores, são porta-vozes da causa do basquete. Contribuem demais para o basquete e vamos explorar cada vez mais isso. São pessoas importantes no universo da modalidade.

nbb1Não posso deixar de ressaltar que ter você, com o seu veículo, por perto é uma grande satisfação. Nos últimos anos a gente percebeu o crescimento do blog, a importância na comunidade do basquete. Com isso a Liga também passou a aprender a como interagir com os fãs, como ajustar as ações e, obviamente, como podemos explorar o conteúdo de forma variada. Todos são muito importantes para nós neste sentido e vamos querer estar cada vez mais perto, junto tanto de blogueiros quanto de influenciadores digitais.


Os 30 da NBA: Phoenix conseguirá abrir espaço para boas peças jovens?
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Fábio Balassiano

suns1Se há um time que me intriga para esta temporada 2016/2017 da NBA que começa em pouco mais de um mês este é o Phoenix Suns. A franquia do Arizona sonhou com LaMarcus Aldridge um tempo atrás, não conseguiu, teve que iniciar uma pequena reconstrução, não foi muito bem nisso e agora se vê no meio do caminho do meio (para mim o pior dos cenários).

Lakers evolui, mas conseguirá playoff?
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suns2O Phoenix tem no elenco alguns veteranos (Tyson Chandler, Jared Dudley e Leandrinho), bons nomes razoavelmente experientes como Eric Bledsoe e Brandon Knight, e um punhado de boas peças jovens que já chegaram (Devin Booker. T.J. Warren e Alex Len) ou que estão chegando via Draft (Dragan Bender, Tyler Ulis e Marquese Chriss – os três na foto). A dúvida é: como conviver com isso tudo em uma temporada de 82 jogos?

O longo caminho do Nets para ter um time

booker1Ter talento demais obviamente não é o problema. A questão toda é saber como administrar as expectativas de todos. Na armação há Brandon Knight e Eric Bledsoe, que jogaram respectivamente 36 e 34 minutos em 2015/2016 (ambos têm contratos longos inclusive). Como encaixar o bom baixinho Tyler Ulis, que veio da Universidade de Kentucky? Ele terá espaço? Vale atuar com dois armadores? Se isso acontecer, como ficaria a posição 2 com o jovem (19 anos) Devin Booker (foto), que foi muito bem em sua temporada de calouro (13,8 pontos)? Leandrinho veio para ensinar a Booker, mas certamente espera ter seus 15, 20 minutos de jogo.

watsonNa ala T.J. Warren, Jared Dudley e PJ Tucker parecem lutar pela posição 3 em condição de igualdade, com Warren sendo o mais jovem deles todos e aquele que mais precisa de tempo de quadra para mostrar seu valor. Na ala-pivô o negócio começa a ficar bem complexo para o técnico Earl Watson, que entrará em sua primeira temporada completa com o time tendo também muito a provar para seus exigentes chefes. Watson foi interino no último certame após a demissão de Jeff Hornacek, aparentemente controlou o vestiário durante 2/3 meses, mas agora a situação e o panorama são bem distintos (e a dificuldade, bem maior).

bender3Chegaram, via Draft, os promissores Marquese Chriss e o croata Dragan Bender. O primeiro tem 19 anos. O segundo, 18. Ambos quererão, e precisarão, jogar por muito tempo. Será que eles conseguirão manter o nível em um time que tem Bledsoe e Knight, dois já ótimos jogadores, na armação? No pivô, Alex Len terminou bem a temporada 2015/2016, mas jogou apenas 23 minutos de média, seu máximo em 3 anos de liga. Sua sombra será sempre Tyson Chandler, pivô que se não tem mais o mesmo nível físico e técnico de anos atrás ainda desempenha bom papel.

benderParece complexa a situação, não? Para mim é bem complexa mesmo. Não sei exatamente o que eu faria, mas em alguns casos eu abriria espaço totalmente para os jovens que têm chance de colocar o Phoenix em uma boa posição no futuro. Na armação faria uma escolha entre Bledsoe e Knight e deixaria Ulis como reserva de um deles. Na ala apostaria em Booker, ótima promessa, e deixaria Leandrinho como seu tutor. Na posição quatro colocaria os ''cavalos'' Chriss e Bender para batalhar por espaço e no pivô tentaria entender como funcionaria Len efetivamente como titular de uma franquia da NBA.

booker2Isso, claro, sou eu quem fala de longe e analisando um elenco que é, sim, bom. O problema, ao meu ver, é que há diferentes ''ansiedades'' dentro do mesmo grupo. Jogadores em momentos, com expectativas e com perspectivas de carreira diferentes. Para uma franquia sem um rumo há tempos, não me parece ser simples equilibrar a equação. Entre os talentos presentes no elenco se desenvolvendo e jogando harmonicamente e uma nova temporada de crises internas e derrotas em sequência é muito difícil não apostar que a segunda opção realmente prevaleça.

Campanha em 2015/2016: 23-59
Projeção para 2016/2017: Fora dos Playoffs (entre 30 e 35 vitórias).
Olho em: Devin Booker


Podcast BNC: Hall da Fama, NBA, o NBB MKT Summit e a crise na CBB
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Fábio Balassiano

SuperIngressos

shaqNo programa dessa semana falamos da turma de 2016 que entrou no Hall da Fama com Shaquille O'Neal, Allen Iverson, Yao Ming, entre outros, de Steph Curry, James Harden e LeBron James com suas ações de marketing nas férias, de Russell Westbrook renovando com o Thunder, do NBB Marketing Summit, evento realizado em São Paulo nesta semana para o mercado publicitário, da crise institucional da CBB e também do lançamento do NBA 2K-2017, jogo preferido do Pedro Rodrigues.

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