Bala na Cesta

Pelas mãos de Steve Kerr, a transformação do Warriors em um timaço
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Fábio Balassiano

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kerr2“Disse ao meu time para se divertir. Simples assim. Somos todos muito jovens, estávamos a um jogo da final da NBA e atuando em frente aos nossos torcedores. Se a gente não se divertir e achar graça em um momento desses, vamos curtir quando?''. Foi assim que Steve Kerr respondeu quando perguntado sobre o que havia falado com seus atletas na preleção antes do jogo 5 em Oakland contra o Houston Rockets. Na quadra os Warriors suaram um bocado, mas venceram os texanos por 104-90 e se classificaram para a primeira final da franquia em 40 anos fechando a final do Oeste em tranquilos 4-1.

kerr1A decisão será contra o Cleveland Cavs, time que o então armador Kerr defendeu entre 1989 e 1992 (antes do período dourado com Chicago Bulls e San Antonio Spurs que o consagrou como um dos grandes arremessadores de sua geração) e que também passou por uma grande revolução para chegar a final da NBA. Sobre a turma de Ohio falarei bastante amanhã. Agora vale dar uma olhadinha no que Kerr, técnico calouro, fez para que os Warriors se transformassem em uma verdadeira máquina de jogar basquete nesta temporada (quem conseguir ler em inglês vale conferir esta estupenda e extensa reportagem da Sports Illustrated sobre o treinador, aliás).

kerr5Em primeiro lugar, vamos ao básico: não é que Steve Kerr pegou uma casa totalmente abandonada e em menos de 12 meses construiu uma mansão. Não é bem isso. Nos três anos em que comandou a equipe Mark Jackson tirou o Golden State da lama (36 vitórias no ano anterior a sua chegada e 51 no ano passado), colocou Stephen Curry e Klay Thompson de titulares e começou a lapidar Draymond Green. Era, já, um bom time. O que Kerr, que antes de fechar com o GSW recusou uma proposta do New York Knicks, do seu mentor Phil Jackson, fez foi simplesmente potencializar as habilidades de um elenco já muito bom no ataque e (principalmente) cuidar um pouco mais do setor defensivo (deixado por pouco de lado por Mark). Outro grande mérito dele (e uma das grandes críticas do antigo comandante) é que sua comissão técnica é formada por dois antigos auxiliares da liga (Alvin Gentry e Ron Adams), algo que os novos proprietários da equipe sentiam falta na gestão anterior.

kerr4Para começar os trabalhos, Steve Kerr foi conversar individualmente com cada um dos jogadores da franquia quando foi contratado (os que tinham contrato, obviamente). Pegou um avião para trocar ideia com Andrew Bogut na Austrália e voltou, algo que chamou a atenção do pivô australiano, ficou dois dias seguidos com Andre Iguodala e David Lee, e mostrou aos jovens Steph Curry e Klay Thompson como eles poderiam ser estrelas vencedoras da liga em pouco tempo. Aquilo, de cara, foi impactante para um grupo que vivia às turras com o antigo técnico. Mas não foi só isso, obviamente.

kerr3Kerr verificou as deficiências do time e conseguiu contratar Shaun Livingston e Leandrinho (com quem havia trabalhado em Phoenix) para dar um pouco de descanso a Klay Thomson e Steph Curry. Convenceu Andre Iguodala a comandar o banco de reservas, abrindo espaço para Harrison Barnes voltar a ser o titular e dando mais liberdade para Iggy arremessar liderando a segunda unidade e um pouco mais de mobilidade para um quinteto inicial que precisava de ajuda para defender no perímetro. Mas não foi tudo.

O técnico notou que precisaria de mais força no garrafão para não deixar Bogut tão exposto e optou por testar Draymond Green de titular ainda na pré-temporada. O camisa 23 foi tão bem, mas tão bem que mesmo quando David Lee, o antigo dono da posição, voltou de lesão seus minutos não diminuíram – e a relação de Lee com o técnico não parece ter ficado abalada mesmo com os módicos 18 minutos por noite na temporada e com a baixíssima utilização no playoff (no mata-mata a primeira opção do garrafão tem sido o nigeriano Festus Ezeli).  Isso, atenção, com o maior salário do elenco, não custa lembrar (US$ 15 milhões).

kerr5Na quadra, o desempenho chama a atenção. Jogando um basquete alegre, solto, altruísta (27,1 assistências/jogo, melhor índice da liga) e bem acelerado (ao contrário do que alguns analistas pediam, ele fez questão de aumentar ainda mais a velocidade), foram incríveis 67 vitórias na temporada regular, apenas três derrotas no playoff até o momento, o melhor ataque (109,1 pontos/jogo e 54% nos arremessos) e a melhor defesa da NBA (rivais converteram apenas 47% dos chutes). Isso tudo com suas três principais peças jogando menos de 32 minutos por jogo, é bom citar. Curry, Thompson e Green descansaram horrores em últimos períodos simplesmente porque as partidas já chegavam decididas a favor dos Warriors nos 12 minutos finais (a margem entre pontos feitos e sofridos ficou em +9,8, a maior da NBA).

kerr6O Golden State Warriors é, disparado, o melhor time da temporada e um dos mais encantadores dos últimos tempos (mesmo quem não torce pelo time se empolga com as atuações da turma de Steph Curry). Isso não garante que a equipe será a campeã da NBA porque do outro lado há LeBron James e um ótimo Cleveland Cavs também faminto por uma conquista, mas é muito legal notar a revolução que Steve Kerr conseguiu fazer.

Aquela equipe forte no ataque e frágil na defesa se transformou em um grupo completo, ainda jovem (Curry tem 27 anos e Thompson e Green, 25), físico quando precisa (vide o duelo contra o fortíssimo Memphis) e que pode brilhar junta ainda por muito tempo. Se esta foi a primeira mensagem que o técnico Steve Kerr deu ao mundo do basquete, dá pra dizer sem o menor medo de errar que o recado tem sido o melhor possível.


Após playoff morno, NBA vê final com Warriors, de Curry, e Cavs, de LeBron
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Fábio Balassiano

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Não está sendo um playoff maravilhoso na NBA. A verdade é essa. Alguns jogos (principalmente os do Leste) são bem medianos (para ser educado) e na real mesmo houve apenas duas séries excelentes até o momento (entre Spurs e Clippers e Rockets e Clippers – esta mais pela virada do Houston após perder por 3-1 do que pelo lado técnico da coisa). Dos 14 duelos, apenas dois 4-3 (Clippers no Spurs e Rockets no Clippers), quatro varridas (4-0), três vezes 4-1 e cinco casos de 4-2. Comparada a loucura da temporada passada quando tivemos cinco 4-3 e uma varrida, não resta dúvida que o mata-mata deste ano, ao menos no quesito emoção, tem deixado a desejar.

doisMas a final está aí com Golden State Warriors (bateu o Houston ontem por 104-90 e fechou o duelo em 4-1 em uma noite que o barba James Harden, autor de 13 erros, recorde em playoff, e 2-11 nos arremessos, não vai querer lembrar tão cedo) e Cleveland Cavs que começa na próxima quinta-feira e que pode mudar um pouco do cenário até então apresentado (calendário completo aqui).

vareja1São os dois melhores times de suas conferências, com dois craques absurdos (Steph Curry, o MVP da temporada, pelos Warriors, e LeBron James, o melhor jogador do planeta, pelos Cavs) e sedento por um título que mudará a história da franquia. Sem falar, claro, na presença de dois brasileiros na final (Leandrinho de um lado e Anderson Varejão do outro), o que fará com que o país tenha um campeão da melhor liga de basquete do planeta pelo segundo ano consecutivo (Tiago Splitter levantou o caneco com o San Antonio Spurs em 2014). Isso tudo será analisado no blog nos próximos dias, mas já dá pra antecipar muita coisa.

kerr1Pelo lado do Warriors, a euforia é muito grande. A equipe retorna a uma final de NBA depois de 40 anos (em 1975 foi campeã) com um elenco muito jovem, extremamente talentoso e versátil, com uma torcida em polvorosa e comandada por um técnico estreante. Steve Kerr pegou logo de cara um ótimo elenco, é verdade, mas transformou um time que apenas chutava muito bem (e muito) em uma equipe muito perigosa nos dois lados da quadra e com opções de pontuação também perto da cesta. Sua maior tacada foi ter colocado Draymond Green entre os titulares, deixando David Lee, o maior salário do time, no banco de reservas. Green é mais agressivo perto da cesta, defende muito bem e ainda consegue marcar atletas de todas as posições (o cara é realmente um dínamo). Não é coincidência que a turma de Oakland chegue a final da NBA tendo perdido apenas três jogos nestes playoffs (e no Oeste, é bom lembrar) e vencido três atletas do time ideal da temporada em sequência (Anthony Davis, do Pelicans, na primeira rodada, Marc Gasol, do Grizzlies, na segunda, e James Harden, do Rockets, na terceira). O último que falta do quinteto é LeBron James, rival da final.

blatt1Do outro lado está o Cleveland Cavs, que faz a sua segunda final da história da franquia (na primeira, em 2007, foi varrido pelo San Antonio Spurs) em uma campanha que pode colocar LeBron James em outro patamar. Há o mérito do também estreante David Blatt à beira da quadra (principalmente na defesa deste playoff), mas obviamente o motivo pelo qual os Cavs estão nesta final atende mesmo pelo nome de LeBron. Melhor jogador do planeta, ele estará em sua quinta final de NBA seguida (junto com, vá lá, seu escudeiro James Jones, igualando um feito conseguido apenas por cinco jogadores do Boston Celtics na década de 60) e perto de conseguir algo que disse que era seu objetivo nesta volta a Ohio – dar um título para a cidade. Caso ele consiga isso, e principalmente da maneira como tem sido (sem Kyrie Irving em boa parte dos jogos e Kevin Love e Anderson Varejão em todos do mata-mata), realmente será um feito incrível (e dá pra imaginar o tamanho do que isso representará em popularidade).

dois3Estou curioso para saber como serão os ajustes dos dois técnicos para deter Curry e Klay Thompson de um lado e LeBron James e Kyrie Irving do outro, mas há tempo para falar sobre isso tudo. No momento, vale a expectativa para que a decisão comece logo. E você, o que está esperando dessa final? Já arrisca algum palpite? Comente!


A brilhante temporada de Augusto Lima na Espanha
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Fábio Balassiano

augusto2Terminou a temporada 2014/2015 para três dos quatro brasileiros da Liga ACB espanhola. Marcelinho Huertas, que ontem completou 32 anos, ainda está disputando o caneco pelo seu Barcelona (enfrenta o DKV Joventut nas quartas-de-final), mas já há gente de férias. Rafael Luz teve 6,6 pontos e 3,6 assistências pelo Rio Natura em 22 minutos. Raulzinho, em sua primeira temporada pelo Murcia, saiu-se com 8,9 pontos e 3,9 assistências também em 22 minutos por jogo. Foram campeonatos razoáveis dos armadores. Quem jogou muito, muito bem mesmo foi Augusto Lima, ala-pivô também do Murcia.

augusto1Conversei com ele no começo da temporada (outubro de 2014 – mais aqui), e desde então passei a seguir ainda mais atentamente seus passos. Com alguns altos e baixos no começo de 2015, Augusto terminou o campeonato com excelentes 10,4 pontos, 7,2 rebotes, 1,1 toco, 1,6 roubo de bola e 54% de aproveitamento nos arremessos de quadra nos 24 minutos de média em que esteve em quadra. Números que o colocaram simplesmente como o terceiro melhor em eficiência (16,6) da segunda melhor liga de basquete do planeta, atrás apenas de Andy Panko e Marko Todorovic. Ele está, obviamente, entre os melhores da Liga ACB, ficando entre os 5 do prêmio de MVP (votado pelo público, é verdade) mesmo sem ter levado a sua equipe aos playoffs (o Murcia ficou em décimo, batendo na trave com a campanha de 17-17).

augusto3Isso tudo, é bom lembrar, depois de ter passado por alguns sustos em sua curta carreira. Aos 23 anos, Augusto era visto como uma das jóias do Málaga logo que chegou na Espanha. Foi emprestado seguidamente, evoluiu em fundamentos e monitorado por times da NBA até a boca do Draft de 2013. Com problema nas costas, sua posição foi despencando na seleção das franquias da NBA. Ele teria que recomeçar – e longe do Málaga.

Contratado pelo Murcia na temporada passada, Augusto manteve o seu estilo de força nas enterradas e fúria nos rebotes. Melhorou ainda mais nos fundamentos e pouco a pouco foi recobrando a confiança para também arremessar de média/longa distância. Passou a ser amado pelos torcedores vermelhos e figurinha fácil nas melhores jogadas da semana da Liga ACB. Ganhou respeito, tempo de quadra e novamente os olhares dos maiores times do mundo e da seleção brasileira se abriram para ele. Seus frutos já estão sendo colhidos.

augusto5Augusto foi convocado por Rubén Magnano para o Pan-Americano de Toronto (em breve uma análise maior da lista) e tem seu nome cogitado em gigantes como Olympiacos, vice-campeão da Euroliga. Que ele prossiga assim. Seus últimos passos foram muito bons. Agora é esperar que os próximos também o sejam. De seu talento ninguém duvida mais. Caso continue evoluindo, seu futuro será brilhante como já foi a temporada 2014/2015 no Murcia.


Flamengo vence Bauru com autoridade e abre 1-0 na final do NBB
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Fábio Balassiano

nico1Foi uma vitória daquelas incontestáveis. Daquelas construídas do minuto 1 ao 40 de uma partida de basquete. Foi assim na noite desta terça-feira na HSBC Arena quando o Flamengo fez 91-69 contra Bauru para abrir 1-0 na final do NBB com a maior diferença de pontos já vista em uma parte de decisão do campeonato em suas sete temporadas (superando os 21 do próprio Flamengo contra Brasília no NBB1). Terminou com 22 de margem pró-cariocas, mas chegou a estar em mais de 30, algo incrível.

O jogo 2 será sábado, em Marília, e nova vitória rubro-negra garante o tetracampeonato a equipe comandada por José Neto. Se ainda quiser conquistar o inédito troféu, os bauruenses precisam vencer para forçar a terceira partida. Alguns pontos sobre o duelo:

arena1) O público divulgado na HSBC Arena foi de mais de 5.600 pessoas. Não sou bom nisso, mas todos que estavam ao meu lado na área de imprensa também desconfiaram do número. O de pagantes (4 mil) parece algo mais plausível em relação aos torcedores do Flamengo que estiveram no ginásio. Número ruim? Não creio. Merece ser relativizado. Horário difícil, ginásio afastado, péssimas condições de transporte, entre outros fatores. Para uma final merecia lotação máxima, mas é complicado esperar que em dia de semana tivéssemos casa cheia. Inacreditavelmente o Maracanazinho, a mais central das casas, tornou-se um ginásio fantasma no Rio de Janeiro e isso não pode ser tirado da equação tampouco. Existe, mas ninguém usa. É do Estado, mas é caro para utilização e a população não pode usufruir dele. Vai entender…

foto22) Dentro de quadra o domínio do Flamengo foi muito absurdo. Mental, técnico, tático, físico, de “entusiasmo''. Tudo. Os rubro-negros sobraram do começo ao fim com uma defesa bem sufocante e um ataque letal. Marquinhos, brilhante com 15 pontos, comandou as ações de um time que teve 5 atletas com 10+ pontos (Benite, Olivinha, Marcelinho Machado, Laprovittola e o camisa 11 mesmo). Mérito total do técnico Neto, que conseguiu, na defesa, implantar uma incrível pressão no homem da bola e ótimo sistema de rotação que fez com que TODOS os arremessos de Bauru saíssem marcados, pressionados. Não foi a toa que os bauruenses terminaram com 26% nas bolas de fora e 42% de dois pontos. Com isso seu ataque fluiu de forma mais tranquila e menos pressionada a compensar problemas defensivos.

foto13) Do outro lado, Bauru jogou muito mal (isso é óbvio), mas precisamos prestar atenção para não cair no clichê de dizer que arremessou mal (apenas). Ciente que seu jogo de bolas de fora não deu certo contra Mogi e Franca (aproveitamentos baixos), Guerrinha apostou em concentrar, logo no começo, sua força ofensiva no garrafão, mas Hettsheimeir (3/10) e Murilo (2/5) foram completamente dominados por Olivinha e Meyinssee. E isso minou sua estratégia logo de cara. O erro, portanto, não foi de estratégia, mas de execução. O que foi pensado não deu certo. O problema (o maior deles) foi, no entanto, que a defesa não conseguiu segurar a onda de um ataque que estava sendo massacrado pela marcação rubro-negra. Marcação esta que impedia até mesmo uma troca maior de passes dos rivais. Com isso, a vantagem do Flamengo só aumentava. O ataque carioca jogava solto, e o setor ofensivo de Bauru não conseguia produzir. Além disso, a defesa bauruense não conseguiu em nenhum momento “achar'' o tempo do ataque adversário, marcando mal os jogadores com a bola e também os que faziam deslocamentos. Combinação explosiva, né? Explica muito o fato de no primeiro tempo os bauruenses terem feito apenas 28 pontos (pior marca da temporada).

foto84) Os jogadores e técnicos das duas equipes disseram que isso não existe, que cada jogo é uma história, mas acho muito claro que o Flamengo começa o jogo 2 com um nível de confiança acima do esperado antes desta série. Não foi apenas uma vitória. Foi uma exibição de gala (provavelmente a melhor da temporada) de um time que está faminto para fechar a temporada com mais um caneco diante de outro que parece cansado e aparentemente sem tanta força assim (e é sintomática a frase de Ricardo Fischer a mim depois da peleja dizendo que “o Flamengo simplesmente parecia querer mais a vitória que a gente''). Bauru tem time, técnico e a força da torcida para reverter o revés de ontem à noite no Rio de Janeiro, mas a maneira como o Flamengo chega para o segundo duelo em Marília é bem animadora para a sua torcida. O lado psicológico pesará muito até sábado, não tenho dúvida disso.

foto65) Muita gente (inclusive eu) não entendeu quando Guerrinha manteve seu time titular no último período mesmo com a partida já decidida a favor do Flamengo. Conversei com o técnico de Bauru depois do duelo, e ele me disse que já estava pensando e preparando seus jogadores para o próximo duelo, evitando inclusive que a diferença subisse (ficando ainda mais abalada a confiança de seu grupo). Estratégia que pode render frutos lá na frente. Guerrinha tem experiência para entender não só os momentos dos jogos, mas o que uma atitude até certo ponto despretensiosa pode render adiante.

benite16) Por fim, mais um grandíssimo jogo de Vitor Benite por parte do Flamengo. Cada vez mais maduro e assumindo a responsabilidade como uma das estrelas da equipe, o camisa 8 terminou com 16 pontos (cestinha da equipe), 5 rebotes e excelente marcação tanto em Alex quanto em Ricardo Fischer. Escrevi sobre Benite recentemente (mais aqui), e seu nível técnico e de entendimento do jogo impressionam mais a cada dia.

Viu o jogo? O que achou da vitória do Flamengo? Será que Bauru se recupera pro jogo 2? Comente!


Duelo esperado, Flamengo e Bauru fazem hoje primeiro jogo da final do NBB
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Fábio Balassiano

flamengo2Era o duelo esperado desde o começo do campeonato. Os dois melhores elencos, os maiores investimentos e dois técnicos de primeira grandeza. A partir das 21h30 desta noite (Sportv), Flamengo e Bauru começarão a decidir o NBB na HSBC Arena na reedição de um formato que não acontecia desde a temporada 2010/2011, quando Brasília fez 3-1 e ganhou de Franca.

ALEX X MARQUINHOS, O DUELO QUE PODE DECIDIR O NBB

A partir de então, o maior campeonato do país foi decidido em jogo único, retornando neste ano a uma série decisiva em melhor de três jogos (e reitero a minha falta de compreensão no fato de o time de melhor campanha abrir o confronto fora de casa – em algo diferente das demais fases).

ricardo1Dentro de quadra, falei ontem sobre o ótimo duelo que deve acontecer entre Alex e Marquinhos, dois dos melhores alas em ação no país. Mas não é só isso que contará, evidentemente. Há o embate entre dois ótimos armadores (Nicolas Laprovittola pelo Flamengo e Ricardo Fischer por Bauru), Vitor Benite cada vez melhor pelos rubro-negros, Rafael Hettsheimeir podendo ser muito importante no garrafão contra Jerome Meyinsse (o MVP da final passada, diga-se) e o confronto entre Olivinha e Murilo, dois dos maiores reboteiros da história do NBB e responsáveis por trazerem não só pontos, mas também muita energia às suas equipes. Nesta temporada, duas vitórias em dois jogos para Bauru.

flamengo34Um ponto importante que deve ser verificado a partir de logo mais: como estará Bauru em termos físicos? Contra Mogi, na semifinal, o time deu claros sinais de desgaste. A diferença a favor dos bauruenses é que o jogo do Flamengo, bicampeão das últimas duas edições, é muito menos “pegado'' que o mogiano (os rubro-negros são mais técnicos e usam estratégia mais cadenciado), o que pode fazer com que o cansaço não seja sentido.

Meu palpite para a decisão do NBB: Bauru 2-1. E o de vocês? Comentem aí!


Entendendo um pouco mais o fenômeno Steph Curry
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Fábio Balassiano

steph4No basquete, assim como na vida, ninguém é perfeito. Nem Michael Jordan, o melhor de todos, foi. Ninguém será. Mas o arremesso de Stephen Curry é quase isso. É quase perfeito. Neste playoff, então, beira o absurdo o que o magriça tem conseguido com a bola nas mãos (45% de conversão nas bolas de fora, vejam que loucura!).

Dá pra abrir alguns sorrisos clicando no vídeo abaixo que a NBA colocou em seu canal do YouTube com os 59 tiros longos que colocaram o camisa 30 do Warriors como o líder no quesito (tiros de 3 em uma única pós-temporada), à frente de bambas como Reggie Miller e Ray Allen. Vejam só não só as bolas caindo, mas o grau de dificuldade dos arremessos de Steph e também o deslocamento do cara para atirar a pelota.

steph1Quer mais? Porque tem muito mais a se mostrar. A figura à esquerda mostra o mapa de arremessos do armador de 27 anos nesta pós-temporada. Não sei se vocês repararam, mas o cara tá matando 90% das bolas ali do córner esquerdo, algo absurdo, algo raríssimo.

Não é só isso que a figura ao lado diz, porém. Incentivado por seu técnico, o estupendo Steve Kerr (em seu primeiro ano, hein!), Curry tem evitado cada vez mais os arremessos longos de dois pontos (como manda a cartilha do basquete “moderno'', baseado cada vez mais nas estatísticas avançadas, as analytics). Se é pra chutar de longe, que se arrisque de três pontos que vale mais e a chance de errar é parecida. E é isso que ele tem feito.

steph6São 11 tentativas de 3 por jogo neste playoff contra 10 de dois pontos neste mata-mata. Em jogadas de pick-and-roll, são 34 chutes, com 18 acertos (53% de acerto). Em deslocamentos simples (screens), 14/29 (48%). Em transição, 12/27 (44%). Onde ele se enrola? Nos arremessos parados, ou seja, sem nenhum tipo de drible (10/27, ou 37%). Como bem disse Dirk Nowitzki ao blogueiro dois anos atrás, o craque do Warriors é excepcional mesmo no chute pós-drible. Todo mundo sabe disso, mas ninguém é maluco de deixar Curry livre para chutar o tempo todo, né?

riley1Carismático ao extremo, sem estrelismos e pai de uma filha que é uma figuraça (Riley, 2 anos), Steph Curry, que tem apenas o quarto maior salário do Golden State Warriors, não custa lembrar, é um destes fenômenos do basquete que a gente vê surgir a cada 30, 40 anos. Eles aparecem não só para levar as suas equipes a vitórias, mas também para mudar um pouco da dinâmica do jogo. Seus arremessos rápidos, quase sempre saindo de dribles e deslocamentos, não são inéditos, não são uma invenção. A maneira como ele os conclui, quase que com perfeição, sim (quase que como um atirador de elite).

Steph Curry é um desses. Liderando o melhor time do campeonato, ele pode chegar a sua primeira final da NBA logo mais (22h) caso os Warriors vençam os Rockets, no Texas, pela quarta vez seguida nesta série. Vale a pena continuar assistindo o melhor e mais incrível jogador desta temporada da NBA.


Marquinhos x Alex, o confronto que pode decidir o NBB a partir de amanhã
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Fábio Balassiano

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A final do NBB entre Flamengo e Bauru que começa nesta terça-feira (21h30, na HSBC Arena e transmissão do Sportv – amanhã no blog texto mais amplo a respeito do duelo) colocará frente a frente dois dos melhores alas brasileiros deste século. Alex Garcia, pelo lado bauruense, e Marqunhos, pelos rubro-negros, companheiros na seleção brasileira há tempos, têm tudo para ser fatores fundamentais no duelo entre as duas melhores equipes do Brasil.

alex1Contratado esta temporada por Bauru, Alex, para mim o melhor jogador da temporada (MVP), é um dos líderes e o “capitão defensivo'' da equipe do técnico Guerrinha. Tricampeão do NBB por Brasília (média de 16,5 pontos em finais), o ala de 35 anos é um dos caras mais intensos do país dentro de quadra, não gosta de cara feia (seu apelido, Brabo, explica muito bem quem ele é) e faz uma temporada brilhante (foi o MVP da Liga das Américas e da Liga Sul-Americana). Tem experiência, comando no grupo e uma vontade descomunal de vencer (para quem já ganhou tudo isso é admirável).

mark1Do outro lado estará Marquinhos. Um dos alas mais talentosos dessa geração, ele chega a sua terceira final seguida de NBB (dois títulos com o Flamengo) ciente que mais do que nunca o rubro-negro precisa dele em ponto de bala para vencer um adversário até então não batido nesta temporada. Aos 31 anos e valorizado ao extremo depois de um ótimo Mundial com a seleção brasileira e títulos importantes com o clube (principalmente o Mundial Interclubes contra o Maccabi Tel-Aviv e a Liga das Américas passada), o camisa 11 registra incríveis 48% nas bolas de três nos playoffs, poucos desperdícios de bola (1,5 por partida, menor índice de sua carreira) e consegue ser dominante mesmo com seu menor número de arremessos por jogo em pós-temporada na sua carreira (11,6/jogo), prova de sua maturidade e também da confiança dele neste ótimo elenco do técnico José Neto.

dupla2Os dois craques brigam pelo troféu de MVP da temporada e creio que Alex e Marquinhos terão papéis essenciais para Bauru e Flamengo, respectivamente, a partir de amanhã (inclusive com um marcando o outro em alguns momentos) nesta que promete ser uma das melhores finais desde o surgimento do NBB sete temporadas atrás (final esta que fazer o primeiro campeão do Estafo de São Paulo na história da competição). Quem será que leva a melhor?


Com monstruoso Steph Curry, Warriors vencem Rockets e se aproximam da final
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Fábio Balassiano

Não é bem uma noite comum quando isso aqui abaixo acontece, né?

curry1Sim, é isso mesmo que você viu. Do “alto'' de seus 1,91m, Steph Curry conseguiu, na técnica perfeita para rebotes (o famoso box-out), ganhar no alto de Dwight Howard, de 2,11m. Isso, na verdade, foi o mais “básico'' na noite monstruosa de Steph no Texas.

O camisa 30 ratifica, dia após dia, o seu título de MVP da temporada 2014-2015 da NBA com atuações geniais e neste sábado despejou 40 pontos (12/19 nos arremessos, com 7/9 de fora) em surreais 35 minutos na fácil vitória por 115-80 do seu Golden State Warriors contra um atônito Houston Rockets.

curry2Com o resultado, os Warriors abriram 3-0 (o jogo 4 será na segunda-feira, também em Houston), se aproximaram de uma final que não vem desde 1975 (ano em que foram campeões) e colocaram os texanos em uma posição bem complicada no duelo válido pela final do Oeste (nunca um time saiu de 0-3 para fazer 4-3 na história dos playoffs). De quebra, Curry, que tem 29,1 pontos de média neste mata-mata, ultrapassou Reggie Miller e tornou-se o maior arremessador de 3 pontos em uma única pós-temporada da NBA (já são 60).

Abaixo vídeos do que esse fenômeno chamado Steph Curry fez na noite de sábado no Texas. São coisas de outro mundo, vejam só!


Contra a parede, Rockets ‘joga a temporada’ esta noite contra o Warriors
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Fábio Balassiano

Acabou que o jogo 2 ficou muito focado em cima do lance abaixo, né?

hardenJames Harden, o barba, teve a chance de ganhar a partida em Oakland, empatar a série contra o Golden State Warriors, mas errou. Desperdiçou a oportunidade, ficou com a bola nas mãos, foi ao solo, viu o Golden State Warriors abrir 2-0 na final do Oeste e, nervoso na saída da quadra, jogou abaixo uma cortina na Orcale Arena.

Mas nem tudo está perdido. Ainda há uma chance, e o Houston Rockets, que saiu de 1-3 contra o Clippers na rodada passada, sabe bem o que deve ser feito logo mais no jogo 3 contra o Golden State Warriors (22h, com ESPN).

Para começar, o Houston precisa oscilar menos nos primeiros 24 minutos de jogo. Na primeira partida da série, fez 31-24 no período inicial, mas levou 34-24 no segundo quarto. No jogo de quinta-feira, o inverso (levou 36-28 de cara e reagiu com 27-19 na saída do intervalo). Nos 24 minutos finais, até que a equipe tem segurado a onda (49-52 no jogo 1 e 43-44 no jogo 2). É preciso, portanto, de um pouco mais de concentração para não deixar um time absurdamente confiante comandar o placar (os Warriors têm 16-0 quando abriram 15 ou mais pontos de diferença).

curryOutro ponto fundamental. Stephen Curry é um fenômeno do basquete, o MVP da temporada, um atirador de elite. Sabemos disso tudo. Ninguém discute isso e ponto final. Mas a liberdade que o magriça tem tido para arremessar nessa série é espantosa, inaceitável e precisa ser corrigida pelo Houston. Até agora Curry tem 11/22 (50% de longe, muita coisa) e alguém do Rockets precisa colar no cara para evitar os chutes de fora com tamanha facilidade. Trevor Ariza por mais tempo em cima do camisa 30? Pode ser uma boa alternativa.

mchalePor fim, é inadmissível que um time com o garrafão que tem (Dwight Howard, Terrence Jones, Josh Smith, Clint Capela etc.) leve 100 pontos perto da cesta como aconteceu com o Houston nos dois primeiros jogos (D12 esteve em quadra por 66 dos 96 minutos possíveis de jogo, só lembrando). Imagino que o técnico Kevin McHale, que jogou no Boston Celtics ali pertinho do aro e com Robert Parish a protegê-lo, deva estar tendo calafrios com o que tem visto. Segurar os pontos do Warriors no garrafão também deve estar na ordem do dia para logo mais no caderno dos texanos.

duplaPerder é ficar com 0-3 e, aí sim, praticamente dar adeus à temporada. Vencer é minimamente colocar a final do Oeste como um duelo aberto, um confronto com alguma cara de disputa (sem nenhum time vencer fora de casa, por exemplo). Para isso, apagar a partida de quinta-feira da cabeça é imperativo. Será que os Rockets conseguem vencer logo mais diante de sua torcida? O que acham?


Com ou sem DeMarre Carroll, dificuldades do Atlanta estão expostas
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Fábio Balassiano

demarrA noite de quarta-feira foi muito ruim para o Atlanta Hawks. Em casa, a equipe do técnico Mike Budenholzer voltou a apresentar as mesmas fragilidades (tal qual havia feito nas fases anteriores contra Nets e Wizards), perdeu do Cleveland por 97-89 mesmo com Kyrie Irving jogando no sacrifício e viu o mando de quadra ser invertido logo na abertura da série.

Isso tudo já seria ruim, né? Mas ficou ainda pior quando DeMarre Carroll (foto à direita) foi ao chão (no lance abaixo). O Atlanta tentava a reação, o ala partiu em contra-ataque e parou no chão. Por sorte não houve rompimento do ligamento do joelho esquerdo, mas sim uma hiperextensão. Ao invés de meses afastado, ele agora está como “dúvida'' para o segundo duelo desta quinta-feira (embora muitos médicos digam que depois deste trauma ele consiga entrar na quadra logo mais).

Com ou sem DeMarre, que vinha fazendo estupendo playoff (16,2 pontos e 6,4 rebotes) e temporada (12,6 pontos e 5,3 rebotes), a verdade é que as dificuldades da equipe estão todas expostas (principalmente no ataque). Para os Hawks, a perda, mesmo que por pouco tempo, do ótimo marcador (era ele quem, no começo da série, estava designado para defender LeBron) é devastadora. Além da questão da marcação, DeMarre Carroll estava sendo o esteio confiável de uma equipe que não se acerta no ataque neste playoff por nada deste mundo.

banzemoreSem ele, Kent Banzemore (10 pontos no jogo 1 – na foto à esquerda) e Mike Scott devem ganhar tempo de quadra, mas a perda é muito grande (ambos estão longe de ter o potencial físico de DeMarre e até mesmo a “postura'' necessária para atacar a cesta sem medo). Uma pena para alguém que ralou tanto para conseguir seu espaço e para um cara que vinha desempenhando papel tão brilhante na equipe durante todo o campeonato nos dois lados da quadra.

Para o Atlanta, no entanto, não há muito tempo de lamentação, não. O jogo 2 será logo mais (21:30, no Sportv e Space), nova derrota significa viajar para Cleveland com 0-2 e colocar a eliminação como algo extremamente possível.

Será que o time consegue reagir logo mais?