Bala na Cesta

Brasília supera desfalques, e os 4 times do NBB passam na Liga das Américas
Comentários 3

Fábio Balassiano

fulvio1Confesso a vocês que ver um pouco dos jogos de Brasília na fase inicial da Liga das Américas foi complicado neste fim de semana (de Carnaval, SuperBowl etc.). Mas não importa. O fato é que Brasília, depois de ter perdido na estreia para o Capitanes de Arecibo (Porto Rico) por 94-93 e batido o Capitalinos de Habana (Cuba) por 99-60 no segundo jogo, superou tudo o que podia imaginar (lesões de Guilherme Giovannoni e Ronald, cinco faltas de Cipolini e Coimbra) e venceu o Guaros, de Lara, por 75-73 graças a um chute milagroso de Fúlvio nos segundos finais para se classificar para a próxima fase de forma heróica na competição em segundo lugar (o Guaros, no saldo de cestas, ficou em primeiro, e o Capitanes de Arecibo foi eliminado). Com 15 pontos e 10 rebotes, Pilar foi um dos destaques não só pelos números, mas porque no final acabou jogando até de pivô perto da cesta (dada a falta de Coimbra, Ronald e Cipolini). Os melhores momentos da peleja final encontram-se abaixo.

lda1Tão boa quanto a classificação de Brasília é ver que os quatro times do NBB que começaram estarão na segunda fase da Liga das Américas (outro quadrangular). Além dos candangos, Bauru, Flamengo e Mogi também avançaram em seus grupos (estes três em primeiro lugar). Serão, portanto, quatro brasileiros, que medirão forças com Guaros de Lara (Venezuela), Malvin (Uruguai), Quimsa (o único da Argentina) e Correcaminos Colon (Panamá).

lda2Vale lembrar, desde já, que está em jogo não apenas mais um título para os clubes ou a “passagem'' para a disputa do Mundial Interclubes (Copa Intercontinental), mas principalmente a hegemonia do continente para o basquete brasileiro. Desde 2013, TODOS os títulos entre Liga Sul-Americana (Brasília em 2013 e 2015, Bauru em 2014) e Liga das Américas (Pinheiros em 2013, Flamengo em 2014 e Bauru em 2015) ficaram no Brasil, e com quatro dos oito classificados na atual Liga das Américas a possibilidade que isso continue é muito grande (e isso é bom demais). Mais uma prova de força da Liga Nacional de Basquete, que tem no NBB o melhor campeonato das Américas (tirando a NBA, claro), anos-luz à frente dos torneios nacionais dos demais países em termos de organização e de poderio financeiro das melhores equipes, e que merece aplausos neste sentido.

lda3A primeira fase semifinal será entre 19 e 21 de fevereiro, e a segunda entre 26 e 28 do mesmo mês (sedes e grupos serão divulgados em breve). Aqui, aliás, cabe uma observação: acho bom que as equipes daqui fiquem atentas a este sorteio, pois certamente a FIBA Américas não ficará feliz com a possibilidade BEM REAL de termos quatro equipes do país no Final Four (ter dois brasileiros em cada chave da semifinal daria essa oportunidade).

Por enquanto, vale dar os parabéns aos quatro times do Brasil que se classificaram e também à Liga Nacional, que ajudam a colocar a imagem do basquete nacional bem no alto nas Américas.


Gênio do basquete, John Havlicek quase jogou na NFL antes de ir pro Boston
Comentários 2

Fábio Balassiano

john10Todo mundo sabe que hoje é o SuperBowl, né? A final entre Denver Broncos e Carolina Panthers vai parar o planeta, e fiquei pensando com meus botões em alguma história relacionada a basquete e futebol americano para este domingo. E aí há um caso bem interessante.

É o de John Havlicek, atualmente com 75 anos e considerado um dos melhores reservas da história da NBA (na verdade ele foi o precursor da “função'' de sexto homem). Natural de Martins Ferry, Ohio, John jogou basquete na faculdade de Ohio State, onde foi campeão da NCAA em 1960 (o depois lendário Bob Knight era reserva da equipe inclusive). Como era muito técnico e também bastante atlético, chamava a atenção das franquias da recém-criada NBA e também dos times de futebol americano, o esporte mais popular dos Estados Unidos.

john1Com 1,96m, foi escolhido nos Drafts de 1962 no primeiro round (sétima escolha) pelo Boston Celtics no basquete e no sétimo round pelo Cleveland Browns (a franquia do seu Estado inclusive). Chegou a fazer, inclusive, a pré-temporada com os Browns como Wide Receiver (os que se deslocam pelas beiradas de campo). Foi muito elogiado pelo técnico Paul Brown, mas o último corte do Camp foi o dele.

Havlicek, então, preferiu se dedicar fortemente ao basquete, convencido pelo técnico Red Auerbach que teria mais sucesso com a bola laranja do que com a oval. E Red estava certíssimo. Havlicek se tornou um cracaço do Celtics, onde teve a média de 20,8 pontos em 16 temporadas. Para Bill Russell, foi o primeiro jogador da história do basquete a marcar e atacar com a mesmíssima (alta) qualidade. Com os verdes ele se tornaria campeão oito vezes com a franquia nas décadas de 60 e 70, 13 vezes All-Star, o MVP das finais de 1974. Entrou no Hall da Fama em 1984.

john4Com a camisa do Celtics, apesar de ter feito nove pontos na prorrogação contra o Bucks em 1974 (recorde da NBA até hoje), seu lance mais lembrado até os dias de hoje veio no sétimo jogo da final de 1965 contra o Philadelphia 76ers. Após erro na saída de bola de Bill Russell, os Sixers teriam a chance de bater o fundo bola para levar o caneco. A jogada era conhecida. Hal Greer mandaria para Chet Walker, que imediatamente lançaria para Wilt Chamberlain perto da cesta. Dois passes, um arremesso curto e o título iria para a Filadélfia. A ideia era perfeita. A execução só não foi porque Havlicek foi mais rápido que todos, roubando a pelota e selando o título daquela temporada para os verdes no Boston Garden. Veja no vídeo abaixo!


O incrível Celtics apronta outra – vitória por um ponto contra o Cavs
Comentários 3

Fábio Balassiano

O jogo de ontem não começou bem para o Boston Celtics. Com dores no tornozelo, Jae Crowder precisou convencer a comissão técnica que jogaria sem maiores danos ao seu corpo. Amir Johnson cometeu duas faltas em menos de cinco minutos. E o Cleveland Cavs, em casa e melhor time do Leste, abriu 17-6 logo de cara com esse drible incrível de Kyrie Irving em cima de Avery Bradley.

bradMas sabe como é. É o time de Brad Stevens, um dos mais organizados da NBA nesta temporada como disse aqui nesta semana, e os verdes não iriam desistir tão fácil assim. Após levarem 32-20 no primeiro período reagiram fazendo 23-17 no segundo quarto e foram lutando até o final. Contaram com a saída de Kevin Love (sentiu lesão na perna, foi examinado e foi pro vestiário, não retornando à partida), mas perdiam de 101-96 com apenas 18 segundos por jogar.

Aí a mágica do basquete se fez presente. Vamos aos fatos:

96-101 (18'' por jogar): Jae Crowder acerta seu único arremesso de três (teve 1/9 o voluntarioso ala)
99-101 (07'' por jogar): Kyrie Irving mata seus dois lances-livres
99-103 (06'' por jogar): Evan Turner converte bandeja e sofre falta do “gênio'' JR Smith
101-103 (06'' por jogar): Evan Turner erra lance-livre, e na disputa de bola a arbitragem marcou, acertadamente, a posse para os Celtics.

Vídeo a partir de 06:40:

Última chance. Posse de bola do Celtics com três segundos por jogar. Aí você clica no vídeo e dá uma olhada no que aconteceu:

bradleyPois é. É isso mesmo que você viu. Enquanto a arbitragem revisava se a bola era mesmo do Celtics, Brad Stevens armou uma jogava para Isaiah Thomas. Com tudo cercado, o camisa 4 passou a bola para Avery Bradley, que, marcado, ainda teve que driblar antes de chutar (isso tudo com menos de dois segundos).

O camisa 0 fintou, jogou pra cima e o Boston venceu em Cleveland por 104-103 (quarta derrota do Cavs em casa apenas) para chegar a terceira vitória consecutiva e a 30-22 na temporada, mantendo-se na terceira posição do Leste.

bradley2A temporada não acabou, eu sei disso, mas até o momento o prêmio de Técnico do Ano vai para Brad Stevens. E o Boston Celtics merece uma menção especial pelo que vem conseguindo nesta temporada. Com elenco pra lá de modesto os verdes se colocam entre os grandes e conseguem sair de buracos, como o de ontem em Cleveland, que muito time mais “cascudo'' não sabe bem o que fazer.


Contra o Bucks, Raulzinho quer aumentar série positiva na NBA
Comentários 1

Fábio Balassiano

raul3Jogo importante para o Utah logo mais em Salt Lake City (meia-noite começa a peleja). O time, que vem de quatro vitórias seguidas, recebe o Bucks, e, consolidado na oitava posição do Oeste com 23-25, busca se distanciar do Portland Trail Blazers (24-27) e “zerar'' a campanha (50% ou mais) o quanto antes. Para o brasileiro Raulzinho, convocado para o Desafio dos Calouros do All-Star Game, vale também para aumentar a sua série de boas partidas neste começo de fevereiro.

Contra o Chicago Bulls no primeiro dia do mês foram incríveis 14 pontos (a maior marca de sua carreira), 3 rebotes e 2 assistências em 32 minutos (em cima de Derrick Rose, que errou 15 de seus 21 arremessos tentados, vale lembrar). Dois dias depois, 10 pontos, 4 rebotes e 4 assistências contra o Denver em 27 minutos (do badalado calouro Emmanuel Mudiay, que teve 3/10 nos chutes e 3 desperdícios de bola). Em toda temporada 2015/2016 o brasileiro, uma das gratas surpresas da NBA até o momento, ainda não havia tido jogos seguidos com 10 ou mais pontos.

raul1Se isso não fosse o bastante, Raulzinho, que jogou 25 ou mais minutos em quatro das últimas cinco partidas (contra o Detroit não conta, pois ele se machucou no começo da peleja e saiu para não mais voltar), traz consigo um dado interessante: até o momento, nos 47 jogos que fez no melhor basquete do mundo, em 8 ele obteve 10 ou mais pontos. Em seis deles o Utah venceu (veja figura ao lado). Triunfos contra Nuggets, Bulls, Nets, Heat, Clippers e Pacers. Derrotas para Kings e Spurs.

raul2Ou seja: quando ele produz bem na pontuação o seu time é, sim, afetado positivamente. Por mais que ele exerça a função de armar a equipe e que tenha como função prioritária passar a bola para Derrick Favors e Gordon Hayward, os líderes da franquia em pontos, a coluna de pontos é fundamental para que ele ganhe a confiança de todos, e seu time vença duelos.

Do outro lado da quadra estará Michael Carter-Williams, armador que foi trocado pelo Sixers há um ano e que agora parece estar disponível no mercado de novo. Pressioná-lo desde o começo pode ser bom para Raulzinho e para nova vitória do Utah Jazz.


Podcast BNC: o All-Star Game da NBA e o NBB na Rede TV com Marcelo do Ó
Comentários Comente

Fábio Balassiano

O Programa desta semana recebe Marcelo do Ó, narrador do NBB na Rede TV! Falamos de muito basquete nacional e, claro, do All-Star Game da NBA. Finalizamos, Pedro Rodrigues e eu, com a seção de Perguntas e Respostas. Falamos, no final dela, até do carnaval carioca. Ouçam aí!

Caso você prefira, o link direto está aqui . Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e bom programa!


WNBA lança calendário, e preparação do Brasil será ‘testada’
Comentários 3

Fábio Balassiano

mayaA WNBA divulgou ontem o calendário da temporada 2016. A liga norte-americana começará no dia 14 de maio, e terá seu final em outubro. Até aí, nada demais, né?

Mas há uma observação interessante. Como sempre acontece em ano olímpico, o campeonato vai parar entre 23 de julho e 25 de agosto. Vale lembrar que além das 12 atletas dos EUA, como Maya Moore e Diana Taurasi, que estão na foto ao lado, serão mais de 25 jogadoras internacionais do campeonato no Rio de Janeiro entre 5 e 21 de agosto para a disputa das medalhas.

IMG_8828Aí a preparação da seleção feminina será testada. E explico. Até o momento, as três melhores jogadoras do país em atividade jogam na WNBA. Clarissa e Érika, no Chicago Sky. Damiris, no Atlanta Dream. Ainda não se sabe se as três jogarão a temporada da liga norte-americana, mas tudo leva a crer que sim (e é bom que a Confederação Brasileira trabalhe sempre com este cenário – o menos positivo, ou o mais provável que aconteça). Nádia e Iziane, que já passaram por lá, aparentemente não voltam.

barbosa1Como disse acima, a preparação será testada mais uma vez, só que dessa vez com um agravante – o fato da equipe nacional ter um novo treinador. Recém-chegado, Antonio Carlos Barbosa, que não teve o evento-teste para entrosar absolutamente nada, como disse aqui anteriormente, deve coçar os cabelos com força. Em uma rápida olhada no calendário vemos o seguinte: Atlanta Dream e Chicago Sky, o time das brasileiras, jogam no dia 22 de julho. Caso elas peguem o primeiro avião, chegam ao Rio de Janeiro no dia 23. A estreia na Olimpíada está marcada para o dia 6 de agosto. Menos de 15 dias de preparação com o elenco completo então. Preocupante, né?

erika1Aqui, aliás, cabe uma importante reflexão. As duas atletas (Érika e Clarissa) que usaram a palavra 'patriotismo' para falar do amor em defender a seleção da péssima CBB no evento-teste do Rio de Janeiro usarão o mesmo expediente agora, na véspera da Olimpíada mas ao mesmo tempo trabalhando para seus clubes na WNBA? Será que elas sairão da liga norte-americana para treinar por mais tempo com o time de Antonio Carlos Barbosa, ou chegarão na véspera dos Jogos começarem? Não custa lembrar que a LBF terminará no máximo no final de maio, com as meninas em atividade no país à disposição do treinador no mínimo três meses antes da estreia. Vale, desde já, ficar atento a este movimento (de palavras e de atitudes) de Érika e Clarissa. Ficaremos de olho na coerência de seus atos.

barbosa1Pelo sim ou pelo não, a preparação da CBB será testada. Será que não vale enviar a equipe para a Europa, onde será disputado o Pré-Olímpico Mundial, e enchê-las de amistosos contra seleções de bom nível? Seria uma boa alternativa, imagino. Não custa perguntar: o que será que a Confederação tem em mente para o período de preparação das meninas? Ninguém viu ainda o calendário de treinos e jogos. Não seria transparente e inteligente divulgar, se é que há algo pronto em relação a isso?

É bem provável que Barbosa faça uma convocação ampla, abrangente, e faça seus últimos cortes quando as atletas da WNBA chegarem (algo bem cruel para quem estará treinando há mais tempo, mas infelizmente é assim que as coisas funcionam).  O problema, com isso tudo, é que com ou sem a tesoura do experiente treinador a seleção feminina, cuja parte técnica é abaixo da crítica, estará absolutamente sem conjunto para os Jogos Olímpicos. Se treinando 45, 60 dias junta a equipe já não teria muita chance, o que dizer das chances do time com menos de um mês com o grupo completo?


Omelete sem ovo, Boston Celtics já está em terceiro no Leste
Comentários 4

Fábio Balassiano

stevens1Primeiro você clica aqui e olha o elenco do Boston. Depois aperta aqui e veja em que posição os Celtics estão na temporada 2015-2016 da NBA. Sim, é isso mesmo. Beira o inacreditável que a equipe do excelente Brad Stevens (foto) esteja agora com 29-22 (venceu ontem o Detroit em casa por 102-95 com seis jogadores em dígitos duplos e chegou ao sétimo triunfo nos últimos oito jogos) e já na terceira posição do Leste, atrás apenas do Cleveland Cavs e do Toronto Raptors, mas à frente de Chicago Bulls e Miami Heat, duas franquias apontadas sempre como as “bambas'' da conferência.

thomasO mais surreal disso tudo é que as três principais estrelas do Boston Celtics nesta temporada tiveram posições BEM modestas em seus Drafts. Líder do time em pontos (21,5) e assistências (6,6), o baixinho Isaiah Thomas (de 1,75m e na foto) foi o ÚLTIMO no Draft de 2011 (sim, é isso mesmo, ele veio na 60ª escolha pelo Sacramento Kings). “Rato de treinamento'', Isaiah foi crescendo no Kings, onde chegou a ter a incrível média de 20,3 pontos em 2013/2014, não foi muito bem em Phoenix e, trocado para os Celtics, lidera a franquia deste o campeonato passado. Seu prêmio? Ter sido escolhido para o All-Star Game de Toronto na próxima semana, tornando-se o jogador com pick mais baixo de Draft a alcançar tal feito.

bradleyOutro que tem jogado muito bem é Avery Bradley. Escolhido em 2010 na posição 19, Bradley ainda viveu os tempos derradeiros do Big 3 (ou 4, com Rajon Rondo) do Boston. Treinou com Ray Allen, Paul Pierce e Kevin Garnett, e teve espaço (e a paciência da franquia) para ir evoluindo. Saiu-se 14,9 pontos em 2013/2014 de média, caiu um pouco no campeonato passado (13,9), mas em 2015/2016 Bradley tem sido muito bom no lado ofensivo (14,8 pontos) e soberbo na defesa ao contestar os arremessos de seus rivais no perímetro e também ao cobrir a marcação de Isaiah Thomas, que até se esforça, mas que devido a altura em vários momentos sofre para marcar adversários no post-up (jogo de costas pra cesta).

dupla1O bom de Bradley e Thomas é que, além de ainda estarem em franca evolução, seus contratos vencem apenas em 2017/2018, dando tempo para o Boston se planejar com seus 715 picks nos próximos anos sem muita pressa e sabendo que nas posições 1 e 2 há atletas de bom nível e com margem de melhora. O mesmo pode-se dizer de Jae Crowder, grande revelação dos Celtics nesta temporada (um dos que mais me chamam a atenção no certame aliás). Contratado na troca que tirou Rajon Rondo do time verde em 2015, Crowder se tornou uma espécie de DeMarre Carroll (ex-Atlanta e agora no Toronto) de Brad Stevens e renovou recentemente por pouco (US$ 35 milhões por cinco anos).

crowderCrowder é o “capitão'' defensivo da equipe, relegando seus oponentes a terríveis 36% nos arremessos. O cara consegue, também, marcar alas-pivôs mais baixos perto da cesta, e é o jogador que, nas extremidades, espera os passes das infiltrações de Thomas e Bradley. Escolhido na quarta posição da segunda rodada do Draft de 2012, Jae, de apenas 1,98m mas com potencial físico imenso, teve 9,5 pontos nos seus 57 jogos no campeonato passado e agora registra 14,3 pontos, 5,1 rebotes e 1,7 roubo por partida. Ótima média para alguém que mal jogava pelos Mavs (10 minutos em 2014/2015) e para quem tem evoluído a cada ano em seus arremessos (seus 32% nas bolas de fora já saltaram para 36% neste certame).

celticsComo se vê, quase metade dos 104,6 pontos por jogo do Boston sai do trio Thomas, Bradley e Crowder, que jamais poderia ser apontado como espinha dorsal de um time que estaria, a esta altura dos acontecimentos, na terceira posição do Leste (por mais instável que seja a conferência). Colocar o mérito dos Celtics apenas no trio seria incorreto, no entanto. A pergunta que deve ser feita é: como um elenco que tem, além destas três peças (nenhum craque!), atletas como Evan Turner, Kelly Olynyk, Jared Sullinger, Marcus Smart, Amir Johnson e Tyler Zeller está conseguindo ir tão longe?

celtics1O mérito do Boston, e o trabalho de Brad Stevens deve ser exaltado por isso a cada minuto, é que a franquia tem conseguido desenvolver os jogadores DURANTE a temporada da NBA, ganhando jogos e sem entrar em desespero para contratar uma grande estrela a qualquer custo (rumores já colocaram DeMarcus Cousins e agora colocam Dwight Howard como pivô dos Celtics – grande deficiência do elenco, aliás), não mexendo no planejamento de Danny Ainge, o gerente-geral que tem tido paciência para montar um time sem grandes loucuras.

celtics2Com Stevens, que saiu do basquete universitário há duas temporadas e parece não sentir a menor pressão de estar na NBA, a franquia saiu de 25 vitórias em 2013/2014 para possíveis 50 em 2015/2016. Uma baita aula de construção de elenco, de altruísmo dentro de quadra (são 24 assistências nos 39 arremessos convertidos por noite), de defesa forte (o time tem um dos melhores sistemas de rotação da NBA atual) e de como é possível jogar um basquete competitivo mesmo sem grandes estrelas.

NBA: New York Knicks at Boston CelticsSe é possível ir mais longe do que os Celtics têm ido assim (sem grandes craques)? Eu acho que não (infelizmente até), mas a realidade é que este Boston não “deveria'' nem chegar aos playoffs. Criticá-lo por não ir longe em um eventual mata-mata é algo que não farei. Vale, pra mim, exaltar o que Isaiah Thomas e companhia têm feito nos Celtics nesta temporada, algo louvável em tempos de estrelas cada vez mais mimadas e de técnicos cada vez mais sem comando.


Como nos velhos tempos: Kobe brilha, faz 38 pontos e Lakers vencem
Comentários 6

Fábio Balassiano

kobe1Era pra ter sido o derradeiro encontro de Kobe Bryant e Kevin Garnett em uma partida de NBA, mas o ala do Minnesota não entrou em quadra ontem no Staples Center. Sem o rival dos últimos 20 anos em quadra (lesionado), Kobe decidiu jogar como nos velhos tempos então.

Ligou o turbo, matou sete bolas de três (em 11 tentativas), terminou com 38 pontos (sua maior marca na temporada e cravando 14 dos últimos 18 do time), ainda deu 5 assistências e apanhou 5 rebotes para liderar o Lakers a uma vitória por 119-115 contra o pálido Minnesota Timberwolves e ajudando a sua equipe a interromper a sequência horrorosa de 10 derrotas seguidas. Por uma dessas coincidências da vida, o atual técnico do Minnesota, Sam Mitchell, era também o do Toronto Raptors, que dez anos atrás viu o craque anotar 81.

Parecia tanto o Kobe Bryant de antigamente que no final do jogo, com o cronômetro estourando e os Wolves tentando defender para tentar o lance da vitória, o camisa 24 ainda teve forças para sacramentar o triunfo angelino com um arremesso belíssimo. No final, uma declaração meio arrogante, mas real: “Qual a surpresa de vocês? Fiz isso nos últimos 20 anos'', disse aos jornalistas.

Veja no vídeo abaixo os melhores momentos de Kobe na noite de ontem!


Em defesa do Portland e de Damian Lillard
Comentários 2

Fábio Balassiano

stottsO Portland Trail Blazers perdeu quatro de seus titulares de 2014/2015 e começou a temporada 2015/2016 da NBA como a folha salarial mais baixa de todas (US$ 40 milhões, 20 a menos que a do Utah, a segunda mais barata). Todo mundo apontava a turma de Oregon como grande favorita a ter o primeiro pick do Draft de 2016, né? Aí passamos da metade do certame, quase ninguém nota, mas o que estamos vendo? Os Blazers com 23 vitórias em 49 jogos (vem de quatro vitórias seguidas e de 8 nos últimos 10 duelos), a oitava posição do Oeste e a certeza que NINGUÉM acertou o prognóstico em relação a eles. Mérito sobretudo do técnico Terry Stotts (foto), que continua fazendo ótimo trabalho em Oregon.

mccolumA melhora do time tem CJ McCollum (foto) como um dos destaques. Reserva opaco do time nos primeiros dois anos de sua carreira (5,3 e 6,8 pontos), o ala explodiu e tem a respeitável média de 20,7 pontos, 4,3 rebotes e 3,5 assistências. Além dele, outro que ressurgiu foi Allen Crabbe. Também com as duas primeiras temporadas de sua vida profissional tímidas (2,2 e 3,3 pontos), ele agora é a principal peça do banco do Blazers ao anotar 11,2 pontos (seu dezembro foi ainda mais esplêndido com 14,2 pontos). Outro que vai muito bem é o útil-e-excelente-marcador Al-Farouq Aminu, que defende como poucos e ainda encontra energia para despejar 10,4 pontos por jogo.

lillardEles são bons, sem dúvida alguma, mas a boa fase do Portland se explica basicamente por um nome: Damian Lillard. Ainda em seu quarto ano (contrato de calouro portanto), o armador de 25 anos não teve o menor “pudor'' em assumir o comando da franquia e tem 24,2 pontos e 7,1 assistências nesta temporada (melhores números de sua carreira). Junto com Russell Westbrook, é o único que está entre os dez melhores nos dois quesitos de toda NBA (Lillard é o sexto em pontos; o sétimo em assistências). Se ele tinha mesmo que fazer tudo para colocar os Blazers em posição digna, o cara está fazendo – ou fazendo mais do que se esperava dele, um atleta ainda em evolução (técnica, física, mental etc.). Tipo quando marcou 17 pontos nos últimos três minutos contra o próprio Thunder, vejam:

lillard2Não resta dúvida que Lillard está tendo uma temporada espetacular. Isso ninguém contesta (quem falar o contrário é doido). Por isso eu não consigo entender como ele foi solenemente ignorado para o All-Star Game. Em 2015 (estive lá), deu pra perceber um clima meio pesado em cima dele, que havia reclamado aos borbotões quando foi ignorado no voto dos técnicos (só entrou porque dois jogadores se machucaram), mas sinceramente não justifica. O objetivo é punir o cara então por ter expressado exatamente o que sente? Se for isso, não faz sentido e deveria ser coibido pela direção da liga.

lillard3Arrisco-me a dizer que dos sete reservas escolhidos para o Oeste apenas dois têm jogado mais basquete que Lillard nesta temporada – Draymond Green, do líder Warriors, e DeMarcus Cousins, um cavalo que perto da cesta parece não ter adversário. De resto, não vejo ninguém jogando mais basquete e levando seu time mais longe (considerando o entorno que o cerca) que o camisa 0 do Portland. Se ele é marrento, mala ou chatola, isso não me importa. Sei, também, que All-Star Game não vale muita coisa, mas deixá-lo de fora beira a atrocidade ou o castigo por algo que ele simplesmente falou em 2015.

dupla1Pra fechar, vamos lá. Em termos de pontos, a melhor dupla de armador e ala-armador da NBA é formada por Steph Curry e Klay Thompson (51 de média). Os dois irão ao All-Star Game. Quem vem logo depois? Damian Lillard e CJ McCollum (44,9 de média). Os dois verão a festa de Toronto de casa. No caso de McCollum a gente até entende (está começando agora, há outros bons alas na sua frente, ele nem é o melhor jogador da franquia etc.). No de Lillard, não há argumento algum para isso. Foi birra dos votantes mesmo. Azar o deles. Azar do público, que não verá de fato uma das estrelas da liga na festa do Canadá.


O ótimo momento do Basquete Cearense no NBB
Comentários 7

Fábio Balassiano

davi1No sábado o Basquete Cearense fez uma de suas melhores partidas na temporada. Controlou a Liga Sorocabana, marcou bem, viu cinco jogadores atingirem 10+ pontos, fez 88-65 e chegou a sexta vitória consecutiva no NBB (maior marca da história da equipe). O ótimo armador Davi (na foto) saiu-se com 16 pontos e 12 assistências e foi um dos destaques.

Com o resultado, o time de Alberto Bial (entrevistado aqui há algum tempo e com uma história belíssima na modalidade) chegou a 11-6 e entrou de vez na briga pelo G4 (vale lembrar que os quatro primeiros avançam direto para as quartas-de-final, folgando na primeira rodada do mata-mata). Mais do que isso. Indo para a sua quarta temporada na elite do basquete nacional, o time cearense nunca teve um retrospecto tão positivo, colocando-se em posição de brigar para vencer a sua primeira série de pós-temporada neste campeonato):

bial1

bial2Confesso a vocês que é muito difícil escrever sobre um time que só vi quatro vezes (menos da metade das partidas jogadas portanto), mas é muito bacana ver que o esforço hercúleo de Bial, a quem tanto gosto (já escrevi algumas vezes que foi vendo o time dele no Fluminense neste começo de século que me apaixonei loucamente pelo basquete) e reverencio, está sendo recompensado com vitórias (o que nem sempre é fácil para alguém que sempre garimpa, garimpa e garimpa em lugares que não têm a modalidade tão na veia assim).

marcus1Pelos números, e escrevo antes da dura sequência que a equipe terá a partir de agora (cinco jogos seguidos fora de casa, começando pelo dia 5/2 contra o Minas em Belo Horizonte), dá pra ver que o forte do time mesmo é o jogo coletivo (marca desde sempre dos times de Bial aliás). São oito atletas que jogam 15+ minutos, sendo cinco deles pontuando em dígitos duplos. Davi, Duda e Audrei são os líderes e têm respectivamente 12,9, 12,8 e 12,5 pontos, respectivamente. Não é muita coisa e fala bastante sobre a filosofia aplicada pela comissão técnica (muito bacana isso!).

tiagao1Se o ataque é bom e altruísta, o que dizer da defesa do Basquete Cearense? São apenas 74 pontos sofridos por partida, e os dois melhores índices de arremessos convertidos pelos rivais nos dois pontos (47,6%) e três (30,9%) de toda temporada 2015/2016 do NBB (melhores até que de Flamengo e Bauru, cujos elencos são mais numerosos). Ter jogadores como Marcus Toledo (foto acima enterrando), Felipe e Léo ajuda muito a ter números assim, mas vale sobretudo a entrega que o grupo tem em quadra, fazendo com que os rivais sofram muito para pontuar e gerando vitórias até certo ponto surpreendentes (Franca, São José e Paulistano, por exemplo).

bial3Não é fácil pegar um projeto do zero e fazê-lo nascer aqui no país. É muito difícil fazer este projeto em um local que não tem tanta tradição assim no basquete. É ainda mais complicado fazer com que este projeto tenha bons resultados de quadra (e sabemos que os resultados é que mantêm patrocinadores – infelizmente é assim que funciona). Alberto Bial tem conseguido isso tudo.

A campanha do Basquete Cearense é um prêmio aos atletas, que têm se dedicado bastante, a sua comissão técnica (Espiga, seu assistente, será técnico principal de um time de NBB rapidamente) e ao povo do Ceará (que vai com boa frequência aos ginásios – embora possa ir MUITO mais), mas sobretudo um “carinho'' em alguém que faz tanto por este esporte e que nem sempre em o reconhecimento necessário. Em Alberto Bial. Ele merece.