Bala na Cesta

Dissecando a série entre Spurs x Thunder, semifinal do Oeste
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Fábio Balassiano

kawhiComeçam hoje às 21h30 as semifinais de conferência da NBA. Ainda com um confronto totalmente aberto (o ganhador de Toronto e Indiana mede forças com Miami ou Charlotte, que foram pro jogo 7 ontem à noite) no Leste, terá início neste sábado aquele que promete ser mesmo o melhor confronto desta fase no Oeste.

San Antonio Spurs e Oklahoma City Thunder jogarão no Texas (Sportv exibe) para tentar voltar a uma final de conferência após dois anos (se enfrentaram nesta mesma fase em 2014 com vitória texana por 4-2, lembram?).

durant1Os dois times se enfrentaram em playoff em 2012 (deu Thunder por 4-2) e em 2014 (deu Spurs pelo mesmo placar) na final do Oeste, se conhecem muitíssimo bem, possuem craques incontestáveis (Kevin Durant e Russell Westbrook pelo Thunder e Tim Duncan, Tony Parker, LaMarcus Aldridge, Manu Ginóbili e Kawhi Leonard pelo Spurs) e excelentes treinadores (Billy Donovan e Gregg Popovich). Dos duelos que vimos até o momento no playoff, e do que está projetado para a segunda rodada, não há a menor dúvida em afirmar que será a melhor série deste mata-mata (até agora, repito).

west1A primeira dúvida tática que me bate é sobre a forma que o San Antonio tentará parar (o quase imparável) Russell Westbrook. O camisa 0 do Thunder faz de novo uma temporada brilhante, é um “cavalo físico'' e sabe muito bem como furar as defesas adversárias. Titular da armação adversária, Tony Parker tem inteligência de sobra, mas não tanto potencial físico para segurá-lo. O “problema'' pra Westbrook é que do outro lado estão Gregg Popovich e Ettore Messina, dois dos maiores especialistas em formatar marcações específicas no basquete mundial. É bem provável que Pop e Messina concentrem esforços para evitar as infiltrações do rival, “pedindo'' para West chutar de fora. Há, também, a possibilidade de Kawhi Leonard tentar segurar Westbrook em alguns momentos, o que é bastante possível que aconteça desde a largada da série, mas pro Spurs isso pode significar que Kevin Durant não estará sendo vigiado por Kawhi. É uma escolha que Pop terá que fazer em alguns momentos. Deixar Russ, sem dúvida uma das estrelas do Thunder e da NBA (desculpe te dizer isso, Mark Cuban…), beirar ou chegar ao triplo-duplo significará que o Oklahoma estará mais perto das vitórias na série.

spurs1Estou curioso também para ver o comportamento do técnico Billy Donovan em uma série contra o Spurs e Gregg Popovich. Donovan é experiente pacas, mas em seu primeiro ano de NBA será testado à exaustão nos quesitos “ajuste'' e “contra-ajuste'' diante de um cara magnífico nos dois quesitos. Creio que o ex-treinador da Universidade da Flórida possua boas peças para arrumar o quebra-cabeça defensivo da sua equipe, mas do outro lado há tantas armas, mas tantas armas, que fico pensando se é mesmo possível deter o San Antonio Spurs. Para o OKC, o fato positivo é que Enes Kanter, o pivô turco, melhorou demais defensivamente de um ano pra cá e que Serge Ibaka continua muito bom na marcação também. Além disso, o crescimento de Steven Adams é notável. Não é a toa que o Thunder consegue pegar 31% dos rebotes ofensivos após os erros de arremesso, maior marca da liga disparada (o Detroit vem em segundo com 26%). Jogar com os dois juntos até os finais das partidas pode, sim, ser possível contra Duncan, Aldridge e Diaw. Atuar em velocidade, algo que certamente Pop tentará evitar ao máximo, pode ser um bom indicativo para o OKC.

durant2Outro ponto importante fala sobre Kevin Durant. O astro do Oklahoma pode se tornar agente-livre ao final dessa temporada. Continuo achando que ele não sai do Thunder, mas os outros 29 times da NBA vão mimá-lo com toda força do mundo caso ele queira ouvir as propostas. Isso não mexe com ele nesta pós-temporada, mas obviamente causa apreensão em toda franquia. Pode ser, este, o último ano do camisa 35 com a camisa do Thunder? Avançar mais profundamente neste playoff, chegando eventualmente a uma final da NBA novamente, pode significar não só o sucesso da equipe neste campeonato, mas a prorrogação do duo entre Durantula e Westbrook, um dos melhores do planeta na atualidade, por mais tempo.

No final das contas, aqui vai o meu meu palpite: Spurs em sete jogos. E você? Concorda comigo?


O começo das semifinais do NBB – quem chega à decisão?
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Fábio Balassiano

Chegamos às semifinais do NBB. Restaram quatro times, que buscam agora avançar à decisão do principal torneio de basquete do país. Vamos aos duelos? O primeiro jogo entre Mogi e Flamengo será inclusive neste sábado às 14h10 e terá transmissão (vejam que bacana) de Rede TV! e Sportv ao mesmo tempo. Calendário completo e mais informações estão no site da Liga Nacional.

neto1Flamengo x Mogi: O Flamengo está invicto no playoff, fez a melhor campanha da primeira fase e, por consequência, terá o mandro de quadra nesta série. Tem (insisto nisso) o melhor elenco do país e fez algo contra Rio Claro nas oitavas-de-final que poderá fazer muita diferença de agora até o restante da competição: esplêndido espaçamento ofensivo. Isso pode parecer pouco, mas perguntei a respeito disso ao técnico José Neto, que me disse que estudou bastante o seu próprio time antes do mata-mata. Não é coincidência que em toda a série contra Rio Claro o Fla tenha tido mais de 60% de acerto nas bolas de três pontos das extremidades da quadra (os famosos corner-shots tão usados pelo San Antonio Spurs na NBA). Foi assim que Machado e Ramon anotaram seis bolas das laterais no jogo 3 contra a equipe do técnico Dedé no sábado passado. Em duelos equilibrados, ter essa noção e abertura de espaços pode fazer a diferença.

shamellGosto do time de Mogi e vejo que o técnico Danilo tem tentado fazer a equipe jogar diferente. O problema é que nem sempre se consegue fazer Shamell e Larry atuarem coletivamente. Admiro bastante o jogo de Shamell, mas não sei se o seu preferido duelo de “um contra um'' sem picks ou cortes dará resultado contra uma defesa tão bem postada como é a do Flamengo. Para os mogianos, atuar de forma mais calma, sem tantos arremessos apressados no ataque, é a chave para se tentar algo nesta série. Acelerar as coisas e ficar mais próximo de desperdiçar a bola é um erro que Mogi decididamente não pode cometer se quiser ir para uma inédita final.

No final das contas, creio que a maior experiência (este mesmo núcleo poderá fazer a sua quarta final consecutiva), o maior tempo junto (conjunto) do Flamengo e o mando de quadra farão a diferença a favor da equipe do Rio de Janeiro.
Meu palpite: Flamengo em cinco jogos

alex1Bauru x Brasília: A série que eu mais aguardo para ver entre as duas, sem dúvida alguma (começa na terça-feira na capital federal). Por ter Alex (Bauru) contra sua ex-equipe. Por serem dois técnicos bem jovens (Demétrius pelos bauruenses e Bruno pelos candangos). Por termos um duelo entre Paulinho e Fúlvio (se seu problema no joelho causado no jogo 4 da semifinal contra o Paulistano não for grave) na armação (estilos completamente diferentes). Por vermos Deryk e Leo Meindl, duas jovens promessas. Por termos um ótimo Giovannoni x Jefferson Willian no perímetro. E por vermos uma briga entre pesos pesados perto da cesta entre Ronald e Hettsheimeir.

dema1Pelo lado de Bauru, causa preocupação a forma física da equipe. Ricardo Fischer operou e está fora. No jogo 4 contra o Pinheiros, Murilo (olho) e Jefferson (joelho) não atuaram. Com isso, o tempo de quadra de veteranos como Alex, Robert Day e Rafael Hettsheimeir precisou ser prolongado à exaustão. Isso pode pesar e em um duelo contra uma rotação extensa e pesada como é a de Brasília pode ser crucial. Outro ponto importante para Bauru diz respeito a sua defesa. Quando ela esteve bem contra o Pinheiros o time viveu seus melhores momentos, evitando pontos dos rivais e conseguindo sair pro ataque antes da marcação rival começar seus movimentos de defesa. Quando, por outro lado, “afrouxou'' um pouco a força defensiva os bauruenses receberam um festival de bolas de três pontos de Lucas Dias (principalmente). Contra o Pinheiros, um time jovem e também inconstante, ainda funcionou. Diante de Brasília, esta irregularidade dentro de um mesmo quarto pode ser perigosa.

deryk15Gosto bastante da maneira como Brasília tem jogado desde que o técnico Bruno assumiu. O técnico não teve medo de apostar na formação com Fúlvio e Deryk (dois armadores mais baixos) e muito menos em deixar jogadores consagrados como Arthur e Cipolini no banco, dando a Pilar e Giovannoni o “poder'' nas alas. O time tem jogado no famoso “quatro abertos'', fazendo com que os três jogadores normalmente sem a bola (Pilar, Deryk e Giovannoni) se movimentem bastante em volta de Fúlvio para encontrar o arremesso. Como possuem ótimo corte, o trio de alas de Brasília consegue fazer um jogo bastante interessante (e perigoso para o rival) de fora para dentro do garrafão. Normalmente a defesa adversária não sabe se “caça'' os caras lá no perímetro ou se espera perto da cesta. Quando avança, abre espaço perto da cesta. Quando afasta, pode sofrer com os tiros longos. É um trunfo que Bruno e Brasília têm usado com frequência e que pode levar Brasília a uma final que não frequenta há quatro anos.
Meu palpite: Brasília em quatro jogos.

Concorda comigo? Palpite você também!

Tags : LNB NBB


Com Paula, Hortência e homenagem a Ponte Preta, o Jogo das Estrelas da LBF
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Fábio Balassiano

dupla1Acontecerá no próximo sábado (07/05) em Campinas, no ginásio Taquaral, o Jogo das Estrelas da Liga de Basquete Feminino às 16h. E com presenças pra lá de especiais. Além das atletas da LBF (todas as convocadas para a seleção de Antonio Carlos Barbosa estarão) e dos dois técnicos dos finalistas da competição (Lisdeivi e Antonio Carlos Vendramini), os elencos serão divididos para serem comandados por ninguém menos que Paula e Hortência, dois dos maiores ícones da modalidade no planeta em todos os tempos.

Se isso não fosse o bastante, a organização do evento (LBF e Liga Nacional de Basquete) promoverá uma homenagem ao time campeão mundial da Ponte Preta, que em 1993 venceu o Primizie Parma (ITA), por 102 a 86, tinha Paula e Hortência juntas na quadra e o comando da esplêndida Maria Helena Cardoso.

caixa3Muita gente pode (e deve) se perguntar o porquê do Jogo das Estrelas não ter sido realizado antes (como eu mesmo o fiz neste espaço) mas sim agora – com a competição já terminada e sem a presença conjunta dos rapazes do NBB. A resposta é uma só: verba. Verba e obrigação contratual (do acordo com a Caixa Econômica Federal). Antes não havia (grana). Agora que foi finalizado o acordo com o banco estatal, há – e é preciso fazer a festa anual. Tão simples quanto isso.

mariahelenaAgora é aguardar as cenas dos próximos capítulos. E falo isso porque além do Jogo das Estrelas haverá dois amistosos da seleção feminina adulta contra Cuba na mesma cidade (em 14 e 15 de maio) e que a preparação da equipe também acontecerá em Campinas entre 2 e 17 de maio.

Tentando ligar um pouco os pontos: como a tendência da LBF (assim como a do NBB) é crescer com a chegada do investimento da Caixa (e dos demais patrocinadores que por lá estão), talvez esteja pintando uma nova equipe aí – em Campinas, polo tradicional da modalidade. Quem sabe (sonho meu) até com Maria Helena Cardoso (foto), técnica histórica deste esporte, auxiliando em algo neste novo projeto.

Vamos aguardar – primeiro a festa e depois o desenvolvimento da modalidade (tão necessário, tão urgente, tão sonhado e tão cobrado neste espaço).


Warriors eliminam Houston e agora torcem para descansar por muito tempo
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Fábio Balassiano

gsw2O Golden State Warriors não quis saber de conversa. Não contou de novo com Steph Curry, mas possuía 3-1 na série e procurou acabar com todas as chances do Houston Rockets (que decepção!) no playoff da NBA. Fez 114-81 (Klay Thompson fez 7 bolas de 3 pontos), eliminou o rival pelo segundo ano seguido (em 2015 foi na final do Oeste), fechou o confronto em 4-1 e se classificou para a semifinal de conferência.

Mais do que aguardar o vencedor de Los Angeles Clippers e Portland Trail Blazers (está 3-2 pro Blazers com a vitória de ontem em Los Angeles por 108-98, com 16 dos 22 pontos de Damian Lillard no último período) e o jogo 6 acontece na sexta-feira em Portland), os Warriors devem torcer muito para que a série entre Clippers e Blazers se prolongue ao máximo. Ou seja: que esta série vá a sete jogos.

gsw1E explico: não falo apenas pelo fator descanso de um time que se desgastou muito para chegar às 73 vitórias na temporada regular, mas porque quanto mais demorar, menos jogos da segunda rodada serão perdidos por Steph Curry, armador do Warriors e eventual MVP que terá seu joelho reavaliado para saber se retornará às quadras em duas semanas.

Trocando em miúdos. O jogo 6 da única série de primeira rodada ainda aberta no Oeste será na sexta-feira. Um eventual sétimo duelo entre Clippers, já sem Chris Paul e Blake Griffin, e Blazers, no domingo. Com isso, a semifinal de conferência começaria no mínimo na terça-feira (ou quem sabe até na quarta-feira), fazendo com que Curry pudesse atuar ali pelo terceiro ou quarto jogo.

O elenco do Warriors mostrou a sua força e venceu 3 dos 4 jogos sem Steph Curry. Agora, para o Golden State, é hora de olhar pro céu, descansar e torcer para que Clippers e Blazers joguem até o último segundo do sétimo e decisivo jogo, reduzindo a ausência de Steph Curry na semifinal de conferência.


Podcast BNC: Surpresas, decepções e análises dos playoffs da NBA e do NBB
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Fábio Balassiano

sampaio2O que está acontecendo de bom no playoff da NBA? E quem está mandando mal? E no NBB, o que podemos falar das séries que já acabaram ou que ainda estão em andamento? Pedro Rodrigues e eu analisamos isso tudo. Ouve aí!

Caso você prefira, o link direto está aqui . Caso queira, também está disponível no iTunes ! O código RSS está aqui. Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e divirtam-se!

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Sem Chris Paul/Blake Griffin, a provável eliminação e o fim deste Clippers
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Fábio Balassiano

Está aqui o lance que muda uma série de playoff e quem sabe a história de uma franquia:

Sim, é isso mesmo que você viu. Chris Paul, brilhante nesta temporada (como sempre aliás), machucou a mão no jogo 4 contra o Blazers, em Portland. O armador sentiu muitas dores, foi ao vestiário bastante irritado (talvez imaginando que o pior viria mesmo…), não voltou mais, viu o rival empatar o duelo em 2-2 e foi detectado que sofreu uma fratura em sua mão direita. Ato contínuo, o camisa 3 titular do Los Angeles Clippers operou na manhã de terça-feira e ficará de fora entre 4 e 6 semanas. Se você quiser ler isso como “fora dos playoffs'' também pode. O jogo 5 acontece esta noite na Califórnia (23h).

Como nada é tão ruim que não possa piorar bastante, Blake Griffin voltou a sentir dores no quadríceps no final do jogo de terça-feira, foi avaliado pelos médicos do Clippers e também está fora da pós-temporada que prometia bastante para a franquia de Los Angeles que tenta (ou tentava) chegar pela primeira vez à final de conferência em sua história.

Com isso temos duas implicações muito claras e imediatas:

dupla11) A primeira é que as chances do Clippers ir longe no playoff ficam muito pequenas. Por mais que a gente visualize os caras ganhando uma “melhor de três'' com dois jogos em casa contra o Portland nesta primeira rodada, fica difícil crer que eles consigam fazer o mesmo eventualmente contra o Golden State na semifinal ou Thunder / Spurs na final do Oeste. Se completo seria difícil, imagina todo quebrado assim. O cruel dessa história toda é que dois dias antes o Warriors anunciara que Steph Curry ficaria fora por no mínimo duas semanas, fazendo com que todos no Clippers salivassem com a chance de passar pelo atual campeão. Se tivesse o time completo, poderia ser. Sem Chris Paul e Blake Griffin é muito improvável.

doc12) A segunda é uma decorrência da primeira. Doc Rivers, técnico e manda-chuva das operações de basquete da franquia Clippers, havia falado antes da temporada que se este elenco não conseguisse avançar fundo no playoff muito provavelmente o grupo seria remodelado para o futuro. Leia-se: mudanças aconteceriam. É impossível cravar o que vai rolar agora, mas Blake Griffin e Chris Paul entrarão em seus últimos anos de contrato em 2016/2017. Jamal Crawford (melhor reserva da temporada) e Jeff Green, que se encaixou bem na rotação, e o útil ala Luc Mbah a Moute serão agentes-livres. Será o fim para este núcleo que prometia tanto mas que até agora nada de relevante alcançou?

dupla2É uma tristeza que a temporada do Clippers termine assim. Eu entendo as piadas com uma franquia que nunca ganhou nada e que tenta loucamente “tomar'' Los Angeles de um Lakers cada vez mais jogado às traças. Mas vez um campeonato sair dos trilhos não na quadra, mas sim devido às lesões não de uma, mas das duas principais estrelas é cruel. É cruel demais.

Chris Paul não merecia isso. Blake Griffin não merecia isso. Doc Rivers não merecia isso. O Los Angeles Clippers não merecia isso. É uma pena.


Sampaio Corrêa, Iziane, Lisdeivi e a força do basquete no Nordeste
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Fábio Balassiano

sampaio3

sampaio1Talvez devesse fazer uma análise tática / técnica do jogo 4 da final da LBF de ontem à noite. Mas não é necessário quando você olha o placar de 78-50 a favor do Sampaio Corrêa contra o Corinthians / Americana, né? Com o triunfo, o time de São Luis fechou o confronto em 3-1, sagrou-se campeão pela primeira vez da LBF e levou à loucura as 7 mil pessoas que lotaram o ginásio Castelinho (que festa linda!).

Antes de seguir, alguns detalhes:

sampaio2a) Americana só teve chance quando o Sampaio Correa jogou mal. Quando o Sampaio Corrêa subiu o nível, Americana não alcançou. No ataque, o Sampaio envolveu TODAS as atletas e mesmo com as ótimas Iziane e Wheeler mostrou jogo coletivo, ficando difícil para as rivais marcarem. Na defesa, sufocou as adversárias desde o princípio da série, tornando as ações ofensivas muito complicadas para o time de Antonio Carlos Vendramini, treinador que não fez nenhum ajuste durante a série inteira (não consegui compreender o motivo).

lbf5b) Saldo nas vitórias do Sampaio: Jogo 1 -> +23; Jogo 2 -> +17; Jogo 4 -> +28. Média -> +23

c) Americana: 4 jogos nas finais, 16 quartos de 10 minutos jogados e apenas DOIS períodos com o time fazendo 17+ pontos. MUITO pouco, né?

d) Feitos alcançados pelo Sampaio com o caneco: Lisdeivi tornou-se a primeira técnica estrangeira campeã nacional no feminino, foi o primeiro Título Nacional pro Estado do Maranhão e foi o primeiro título de Iziane como protagonista (havia ganho em 2008, foi até cestinha daquele Nacional da CBB, mas nas finais não foi tão decisiva devido à lesão que tinha na clavícula).

Agora, bem, dá pra falar um pouco de alguns personagens desta campanha:

izi21) Iziane, claro. É preciso falar da ala de 33 anos que enfim conseguiu dar a sua cidade-natal o tão sonhado título nacional. Iziane, desde sempre, joga muita bola. Desde sempre também foi atrevida – e seu atrevimento nem sempre encontrou “eco'' entre os que a dirigiram. Com personalidade forte, ela amadureceu e encontrou na técnica Lisdeivi alguém com estofo e coragem necessárias não para bater de frente com ela, mas sim para ensiná-la uma nova forma de jogar basquete. Não fazendo menos ponto, mas sim sendo mais líder e participativa em quadra. Sua capacidade técnica é indiscutível, invejável e capaz de colocá-la entre as melhores do país. Quando ela une sua técnica, sua explosão (como ela está bem fisicamente, hein!) e sua força mental para o bem de sua equipe (e não para o seu único bem), o resultado é que seu time inteiro fica muito perigoso. Muito bom que ela amadureceu nesta temporada – e uma temporada de Olimpíada.

lis102) Conheço a treinadora cubana Lisdeivi há quase uma década. Craque como jogadora, ela tem trilhado um caminho interessante como técnica. Começou em Ourinhos, depois passou pelo Maranhão e agora está no Sampaio Corrêa. Sempre fez trabalhos consistentes, corretos, bem razoáveis. Nunca havia tido um time com calibre para ser campeão. Teve agora. E levou a equipe ao título. Venceu dois rivais fortíssimos (o América-PE indiscutivelmente o elenco mais forte da LBF), deu uma verdadeira aula de ajustes táticos na decisão (evitando os pontos do rival perto da cesta), conseguiu construir um senso cubanamente coletivo na equipe em um time cuja líder técnica era taxada como individualista. E isso não é pouco. Lis montou uma comissão técnica de primeiro nível (Virgil, seu assistente, e Vita, preparador físico, são fantásticos) e colhe os frutos em sua primeira conquista.

sampaio203) O que dizer da torcida do Sampaio? O que dizer de uma região que viu dois dos últimos quatro campeões nacionais femininos? O que dizer de um povo (o do Nordeste) que AMA o basquete feminino como se a modalidade ainda fosse a última joia da coroa (algo que não é faz tempo)? Se a Confederação Brasileira de Basketball fosse minimamente interessada em desenvolver a modalidade, começaria por lá uma urgente e necessária massificação do basquete feminino. Como não está, vamos ficar sonhando com isso. Ou, na realidade, torcendo para que a Liga Nacional ou a Liga de Basquete Feminino encontre mais e mais polos na mesma região (quem sabe Fortaleza, Rio Grande do Norte, Salvador, entre outros, também se animem) para integrar as próximas edições da LBF.

sampaio3Parabéns ao Corinthians / Americana, que chegou à final com inteira justiça. E muitos, mas muitos parabéns mesmo ao Sampaio Corrêa, às atletas e a sua fanática torcida.

O basquete feminino brasileiro precisa fazer com que o que aconteceu nesta terça-feira em São Luís (ginásio lotado, atmosfera incrível, bom jogo) seja mais regra do que exceção (como tem acontecido nos últimos anos). O pulso ainda pulsa. Não se sabe até quando e nem como. Mas ainda pulsa.


Sampaio Corrêa tem nova chance pra conquistar LBF em casa contra Americana
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Fábio Balassiano

lbf8O Sampaio Corrêa tinha a faca, o queijo e seis mil pessoas lotando o Castelinho no domingo para ganhar a LBF diante do Corinthians / Americana. Após ter vencido os dois primeiros jogos na casa do adversário, as maranhenses precisavam apenas de mais um triunfo para conquistar o título inédito.

Do outro lado, porém, estava um valente time de Antonio Carlos Vendramini. Time que não mudou mudou a sua estratégia para marcar a norte-americana Wheeler e a ala Iziane, mas que viu as duas terem péssimo aproveitamento (5/25 e 4 desperdícios de bola). Assim a vitória por 60-52 veio, diminuindo o prejuízo e tornando o jogo de logo mais (19h30 no mesmo Castelinho e com transmissão do Sportv) pra lá de fundamental.

lbf10Sobre o jogo de domingo, vale fazer duas observações. A primeira, positiva: como está jogando a ala Damiris, de Americana. Ela teve 20 pontos e 9 rebotes, sendo esplêndida para seu time principalmente nos momentos críticos do último período. Em que pese as suas bolas longas não terem caído (0/5 de três), sua capacidade para dominar Karina Jacob e Nádia perto da cesta fez a diferença para a vitória.

lbf1O lado negativo fica para a qualidade técnica da peleja de domingo. O jogo foi MUITO sofrível, muito sofrível mesmo. Foram 6/33 de fora, 26 desperdícios de bola e menos de 40% de aproveitamento nas bolas de dois pontos. É clichê dizer isso, mas parecia que a bola queimava loucamente na mão de todas as meninas desde o minuto 1 até o minuto 40. Sei bem que o fato de ser um jogo de título / eliminação faz a diferença psicológica para as atletas, mas não é possível que uma decisão de torneio adulto profissional no Brasil tenha um nível tão baixo assim. As seis mil pessoas que lotaram o Castelinho e as que viram de casa mereciam um espetáculo muito menos errático.

lbf100O fato, agora, é que Americana entra com muita confiança para o jogo 4 desta noite. Não houve nenhum grande ajuste tático no jogo 3, mas isso não elimina o fato de Lisdeivi ter tido menos de 48h para desvendar o que aconteceu com as suas atletas – concentradas e disciplinadas jogando fora de casa e perdidas atuando diante de seus torcedores.

É com este enredo que teremos a partir das 19h30 o jogo 4 da decisão da LBF. Se o Sampaio vencer será o campeão. Se Americana ganhar, haverá jogo 5 no interior de São Paulo no sábado às 10h.


A compreensível demissão de Byron Scott do Lakers – e agora, quem vem?
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Fábio Balassiano

scott1O Los Angeles Lakers anunciou, por meio de uma lacônica nota oficial em seu site, que Byron Scott não é mais o técnico da franquia. O time poderia “apertar o botão de uma renovação automática'' para o próximo campeonato, mas preferiu ir em outra direção, demitindo o técnico que teve 38 vitórias nas duas temporadas em que dirigiu a equipe. Bom, vamos lá:

1) Ninguém aqui é maluco de dizer que Byron Scott fez um bom trabalho. Não, não fez. Foi um péssimo trabalho. A defesa do Lakers nos últimos dois anos foi uma das piores que eu já vi na vida. O ataque era estático, e nem os avanços que vemos em outros times, como os arremessos de três das extremidades, por exemplo, Scott conseguiu implantar em Los Angeles. Se seu passado como jogador da franquia foi glorioso, sua passagem como treinador não deixará a menor saudade. Sua falta de capacidade em realmente explodir jovens como Julius Randle, Jordan Clarkson, Larry Nance Jr. e D'Angelo Russell, sua teimosia em não dar tempo de quadra a alguns atletas (como o próprio Nance e o brasileiro Marcelinho Huertas), também pesaram contra ele.

mitch12) Dizer que a culpa foi só de Byron Scott, porém, é algo que não farei. É só pegar o histórico de textos meus a respeito do Lakers e é possível saber que com Mitch Kupchak (gerente-geral na foto ao lado) e Jim Buss, filho do proprietário Jerry Buss (falecido) e presidente de operações de basquete, é muito complicado que as coisas realmente andem. Foram tantas decisões bizarras tomadas pela dupla (contratações, Draft, trocas etc.) que responsabilizar apenas Scott é muito simplista. A bagunça é tão grande que desde Phil Jackson (2006 a 2011) nenhum técnico fica lá por mais de duas temporadas. Enquanto não olhar realmente pra dentro da organização, colocando mentes mais arejadas e com conhecimento do basquete praticado atualmente no mundo, o Lakers não vai sair da draga em que se encontra.

thibs13) A lentidão é tão grande, mas tão grande, que o Lakers perdeu a oportunidade de contratar simplesmente Tom Thibodeau, o melhor nome entre os técnicos disponíveis no mercado. O ex-treinador do Bulls tinha vontade de dirigir o Lakers, conforme disse o Woj no Yahoo, mas seu telefone não tocou com uma chamada de Mitch Kupchak. Ali eu, em minha ingenuidade, pensei que os angelinos manteriam Byron Scott por mais um ano, motivo pelo qual, imaginei, não foram atrás de Thibs. Sem o convite que tanto sonhava, Thibodeau acabou aceitando a proposta do Minnesota (a melhor que, de fato, teve). O que aconteceu uma semana depois? O Lakers demitiu Scott – e não poderá mais contar com Thibodeau. Incrível!

mitch14) A questão, agora, é quem vai aceitar dirigir o Lakers? É estranho falar isso de uma das franquias mais gloriosas dos esportes americanos, mas é real. Aceitar comandar o Lakers hoje é roubada – e das grandes. O elenco é recheado de jovens (promessas apenas – e promessas que podem não dar em nada), cheio de buracos, a diretoria é péssima e a pressão é gigante. O ideal, sempre, é que equipes com pressão imensa contratem técnicos com estofo, experiência. O duro é saber quem toparia pegar esse foguete angelino. Pegar esse foguete sem tempo de garantia, diga-se de passagem.

messina15) Por isso surgem nomes como Luke Walton (assistente do Warriors), Ettore Messina (assistente do Spurs desde 2014 e auxiliar no Lakers em 2011/2012 com Mike Brown – na foto), Kevin Ollie (Universidade de Connecticut) e Jeff Van Gundy (parado há quase uma década depois de passagem pelo Houston Rockets). Não que sejam nomes ruins, longe disso (principalmente os de Messina e Van Gundy, comprovadamente talentosos), mas a própria franquia sabe que hoje em dia não pode chegar no mercado e escolher quem realmente quiser. Na atual conjuntura angelina, é contratar quem ela pode – e não quem ela realmente deseja.

mitch1Mitch Kupchak, a quem eu já teria dispensado faz tempo pois não trabalha bem há anos, disse que contratará um técnico em no máximo três semanas, evitando que rumores do próximo mercado (leia-se Kevin Durant) influenciem na escolha do novo técnico. Há, sempre, o nome ventilado de Phil Jackson, que vive às turras em Nova Iorque com imprensa, elenco e dono da franquia (James Dolan), mas me parece que Big Phil não possui mais tanta saúde assim pra dirigir uma equipe por 82 jogos.

A saída, mesmo, será apostar em alguém com pouco nome no mercado e que virá com o carimbo de “aposta''. Se der certo, ótimo, o Lakers poderá voltar aos trilhos. Se não der, a diretoria faz o que tem feito nos últimos anos – demite com a mesma facilidade que o time teve para perder jogos nas últimas temporadas. Já foi melhor o cenário do Lakers, né?


A personalidade de Humberto, armador do Pinheiros que está em fase espetacular
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Fábio Balassiano

humbertoHumberto foi apresentado “ao mundo do basquete'' na Liga das Américas de 2014. Aos 18 anos e na reserva de Joe Smith no Pinheiros, o armador teve participação fundamental no Final Four do Rio de Janeiro (seu time ficou com o vice-campeonato, perdendo a decisão para o Flamengo em um Maracanazinho apinhado) e chamou a atenção de todos. Quem era aquele armador de 1,94m que era ao mesmo tempo rápido, tinha bom chute e ótima postura defensiva? Era Humberto Gomes da Silva, e seus passos seriam vigiados não só por quem acompanha a modalidade por aqui mas também por olheiros da NBA e do restante do mundo.

humberto4Assim como aconteceu com seu companheiro Lucas Dias, que começou bem e deu uma caída, Humberto não foi bem na temporada 2014/2015. Ao contrário do que se esperava, reduziu sua média de minutos (de 9,8 para 6,5 minutos/jogo). Quase foi parar no Flamengo antes de começar o NBB de 2015/2016, mas a negociação não foi concretizada. Na reserva do americano Bennett, contratado pouco antes do certame, pouca gente poderia dizer como, e quais, seriam seus próximos passos – e quão rápida seria a sua evolução.

humberto3Sua média de minutos mais que dobrou na temporada regular do NBB (foi para 20,2 minutos/jogo), mas eu esperava bem mais principalmente porque o Pinheiros não tem mais o elenco estelar que tinha nos últimos anos (ou seja, as chances de aparecer seriam maiores em um clube sem tantas pretensões assim).

Fiquei preocupado quando vi que mesmo com um grupo modesto Humberto, uma das revelações que eu tenho em mais alta conta no basquete brasileiro há anos, não conseguia ser titular e nem dono de números consistentes.

humberto5O playoff veio e tudo mudou. Após perder as duas primeiras partidas contra o Minas o técnico César Guidetti resolveu “dar o carro'' para Humberto dirigir. Deslocou Benett para as ala, onde jogaria com Holloway mais solto, e abriu literalmente Lucas Dias (fazendo a posição quatro aberta). Humberto, portanto, teria liberdade para infiltrações e opções de três bons arremessadores de fora. O resultado disso? O Pinheiros virou contra o Minas, e neste domingo foi valente para, mesmo com novo 0-2, bater Bauru fora de casa, diminuindo o déficit para 1-2 e forçando o quarto jogo na quarta-feira em São Paulo.

humberto1E quem foi o principal responsável pela guinada do time de São Paulo? Humberto, não há a menor dúvida disso. Nas três vitórias contra o Minas ele teve 13 pontos e quatro assistências de média. Contra Bauru, 16 pontos e três assistências nestes três duelos. Neste domingo, aliás, foi uma exibição de gala com 27 pontos, 3 assistências e 5 rebotes. Além das estatísticas, chamam a atenção a sua intensidade, a sua defesa bastante agressiva, a sua liderança e a sua personalidade para tomar decisões pouco comuns para jogadores de 21 anos.

humberto2Do começo animador em 2014 a uma temporada de 2015/2016 não tão boa assim, ele certamente amadureceu, passou a compreender melhor como as coisas funcionam e tem mostrado em quadra as qualidades que quem viu aquele jogo no Maracanazinho dois anos atrás se encantou. Basquete, sem dúvida alguma, ele tem. Agora é preciso um pouco mais de consistência, tempo de quadra e evolução em alguns pontos (sua bola de três pode ter percentual de conversão maior – 33% no NBB atual).

O mais bacana de tudo é a recuperação de Humberto dentro da própria competição, dando a sua carreira uma nova perspectiva para os próximos anos. Que ele siga se desenvolvendo, pois seu potencial atlético e sua técnica são imensos.