Bala na Cesta

Podcast BNC: O polêmico jogo 3 da final do NBB
Comentários Comente

Fábio Balassiano

fla6Direto da Arena Carioca 2 gravamos o Podcast falando sobre a final do NBB. Como Bauru venceu o jogo 2? E o que fez o Flamengo ganhar o terceiro duelo? Palavras direto do palco das partidas.

Caso você prefira, o link direto está aqui . Caso queira, também está disponível no iTunes ! O código RSS está aqui. Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e divirtam-se!


O curioso caso de Varejão – brasileiro pode ser campeão pelos 2 finalistas?
Comentários 15

Fábio Balassiano

andy1A história de Anderson Varejão é uma das mais incríveis desta final da NBA envolvendo Golden State e Cleveland que começa na quinta-feira. Após 12 anos de Cavs, o capixaba foi trocado para o Portland no final da janela de transferências. O Blazers não quis ficar com o brasileiro, que acabou assinando com o Warriors.  E o que deu na decisão: Cavs, seu antigo time, contra Warriors, sua atual equipe.

“Não sei como vai ser voltar a Cleveland. Com certeza vai ser uma série em que vou viver muitas emoções, emoções diferentes. Depois de tantos anos lá, onde joguei metade dessa temporada, não sei como vou me sentir, mas é inevitável passar por isso. Não sei como a torcida vai me receber, como vai reagir, tenho que me preparar para tudo isso, porque vai ser muito forte'', disse através de sua assessoria.

andy2A grande dúvida de todos é se Anderson Varejão, o primeiro brasileiro a ganhar as duas conferências da liga (Leste e Oeste) e o único a chegar a três finais (2007, 2015 e 2016), receberia o famoso anel de campeão do Cleveland. Em primeiro lugar, temos o seguinte: este caso é INÉDITO. Nunca na história de mais de 50 anos da NBA um atleta saiu de um time que se tornaria finalista para ir jogar em outro, que também se tornaria finalista. Nunca mesmo. Portanto estamos diante de algo inédito. Aí fui consultar e temos a informação oficial e importante vinda da própria liga norte-americana:

a) Se ganhar, ele é obviamente campeão pelo Golden State Warriors (darrrr, todo mundo sabe disso);

b) Caso o Cavs ganhe, a informação OFICIAL é: “Cabe a franquia (Cavs) decidir sobre o anel de campeão. A franquia é que escolhe o que fazer em relação a jogadores, técnicos e principalmente ex-jogadores que participaram da campanha''.

varejao1Portanto, caso o Cleveland ganhe, quem escolhe se Anderson merece o anel com o time é a própria franquia Cavs. Para ela, em minha singela opinião, não há motivo algum para não retribuir tudo aquilo que o ala-pivô fez pelo time por mais de uma década.

A grande questão que fica é mesmo em relação a cabeça do brasileiro: como Varejão fica nessa história toda? Ele deveria aceitar o anel do time que, em teoria, poderá vencer o seu atual na decisão? Não ficaria chato com a franquia Warriors e a torcida de Oakland? Ou não tem nada a ver?

Sinceramente não sei responder. O que vocês acham? Varejão


Warriors vence Thunder, faz história de novo e repetirá final contra o Cavs
Comentários 10

Fábio Balassiano

nba6Foi um dos melhores jogos da temporada 2015/2016 da NBA. Nervoso, como toda partida 7 foi, é e sempre será. No final das contas, o Golden State Warriors, impulsionado por um terceiro período fabuloso (29-12), fez 96-88, tornou-se o décimo time da história da liga a sair de 1-3 para vencer o confronto em 4-3, se classificou para a decisão pelo segundo ano seguido e na finalíssima repetirá o duelo de 2015 contra o Cleveland Cavs (a diferença é que a franquia de Ohio desta vez estará completa). O jogo 1 da finalíssima será na quinta-feira, 22h, em Oakland.

As últimas finais que se repetiram em anos seguidos foram em 1988 e 1989 com Lakers e Pistons (Los Angeles ganhou em 88 e Detroit no ano seguinte), 1997 e 1998 com Bulls x Jazz (dois títulos para Chicago), em 2013 e 2014 com Heat x Spurs (Miami em 2013 e San Antonio em 2014) e 2015 e 2016 com Warriors e Cavs (ano passado deu Golden State).

nba7Brilhante, o ala-armador Klay Thompson (foto) saiu-se com 21 pontos e 6 bolas de três em mais uma atuação feroz (que mão a deste rapaz, hein!). Mas o grande nome do Warriors foi mesmo Steph Curry. O unânime MVP da temporada regular teve 36 pontos e 7 de fora, o máximo em um jogo 7 de playoff (em alguns momentos ele parecia estar em transe, em outro planeta, tão confiante que estava para chutar). O domínio dos Splash Brothers foi tão imenso que NENHUM outro atleta do Golden State chegou a 11+ pontos (incrível). Do outro lado, Russell Westbrook, pelo Thunder, obteve 19 pontos e 13 assistências e Kevin Durant, gênio do basquete, 27. Vale dizer, desde já, que Anderson Varejão torna-se o primeiro brasileiro a disputar três finais (2X pelo Cleveland e esta agora pelo Warriors) e a ganhar as duas conferências, e Leandrinho tem a chance de se tornar o primeiro do país a conseguir dois anéis de campeão da NBA.

nba1O jogo começou e parecia a repetição dos primeiros duelos da série (com exceção dos seis minutos finais do jogo 6 em Oklahoma). O Thunder forçou o ataque com Steven Adams e Serge Ibaka no garrafão, dominou os primeiros minutos e fez 24-19. Seguiu bem a cartilha para vencer um jogo 7 fora de casa (marcando bem, evitando cestas fáceis dos rivais e envolvendo os cinco atletas em quadra no ataque), venceu o período seguinte por 24-23 e foi para o vestiário com 48-42. A vantagem só não foi maior porque, nos instantes derradeiros, Steph Curry fez seis pontos (improváveis) de forma consecutiva e diminuiu o déficit para seu time.

nba5A volta do intervalo mostrou a força do Warriors. O Golden State começou a matar bola loucamente (foram sete ataques SEGUIDOS acertando), teve quatro bolas de três CONSECUTIVAS, virou o jogo, incendiou o ginásio, deixou o OKC nas cordas (mentalmente o Thunder apresentou os mesmos problemas dos últimos anos, quando ruía terrivelmente a toda dificuldade), fez 29-12 (23-6 da metade pro final do período) e levou margem de 11 pontos para os 12 minutos finais (71-6). No período final, Kevin Durant tentou comandar a reação do Thunder, a diferença chegou a cair para quatro pontos, mas ali no minuto final Steph Curry cobrou, e acertou, três lances-livres seguidos e fez uma bola de três pontos improvável para selar a vitória por 96-88.

O Oklahoma lutou muito, mas ficou pelo caminho. O Warriors está de novo em uma final da NBA. Gostou do jogo? Ficou em ótimas mãos o título do Oeste, né?


Com transmissão do Facebook, Campo Mourão e Vasco decidem acesso ao NBB
Comentários 1

Fábio Balassiano

lnb1Novidade sensacional pra quem gosta de basquete. A Liga Nacional de Basquete e o Facebook fecharam parceria pioneira no esporte brasileiro. Os jogos finais da Liga Ouro, a divisão de acesso ao NBB,entre Campo Mourão x Vasco serão transmitidos na plataforma Facebook Live a partir de hoje às 20h15 (o site da LNB também exibe).

lnb2O NBB possui mais de 290 mil curtidas no Facebook, uma das maiores contas dentro do cenário das modalidades olímpicas no Brasil, e dá pra imaginar o potencial que teremos com a exibição nos jogos através do Facebook Live. Vale dizer, também, que desde 2014 foram foram 116 partidas transmitidas pela internet no site da Liga Nacional. Ou seja: a união com o Facebook é mais um passo digital que a Liga tem dado para se encontrar com um público (o do basquete) que hoje majoritariamente está na grande rede mesmo.

cassio1“As transmissões dos jogos pela internet têm sido um sucesso. A experiência que conseguimos criar na web vai além do jogo, pois incentivamos muito a interação dos fãs com a equipe que está na quadra transmitindo a partida. Poder exibir a Liga Ouro através do Facebook será mais uma ação importante no nosso planejamento estratégico de continuar fazendo com que o basquete cresça no país”, afirmou, via assessoria de imprensa da LNB, o presidente da entidade, Cássio Roque.

ouro1Dentro de quadra, promessa de bom jogo. Campo Mourão fez a melhor campanha na fase de classificação (9-3), conta com a torcida fanática que tem enchido o ginásio JK (capacidade de 1.500 pessoas), tem com jogadores experientes como Andre Bambu, Vinicius Teló e Ted (11,2 pontos/jogo), além dos norte-americanos Milton Garner (17 pontos/jogo) e Leon Sutton (7,6 de média). O elenco do técnico Emerson de Souza bateu o Vasco três vezes em quatro jogos na fase de classificação e conta com este bom retrospecto para colocar a cidade de 93 mil habitantes na elite do basquete nacional pela primeira vez.

ouro200O Vasco, do treinador Christiano Pereira, foi crescendo durante a competição (natural para um elenco formado pouco antes do início da Liga Ouro) e bateu o Ginástico por 3-0 na semifinal. Melhorou ainda mais quando chegaram o armador argentino Palacios (12,6 pontos e 4,5 assistências) e o esplêndido Márcio Dornelles (foto à direita), exemplo de profissional (um dos caras mais sérios e dedicados que já conheci neste meio). Aos 40 anos, Márcio, que jogou o NBB por Macaé, despejou 13,9 pontos de média nas cestas adversárias e ainda teve forças para melhorar a defesa vascaína (com ele em quadra nos últimos jogos a média caiu de 89 para 76 pontos/jogo, melhora de mais de 15%). Além deles, vale citar o bom ala Gaúcho, cestinha cruzmaltino com 14,6 pontos de média, o armador Hélio, com 11,4 pontos/jogo, e o norte-americano Collum (10,5). Como se vê, são cinco atletas pontuando em dígitos duplos, e o cuidado que Campo Mourão terá que tomar não se resume a um único atleta carioca.

ouro100A decisão, que garante ao campeão vaga no NBB para 2016/2017, será em melhor de cinco pelejas, com os dois primeiros jogos sendo disputados em Campo Mourão, dois em São Januário e o quinto de novo em Campo Mourão, caso necessário. A tabela completa com dias e horários encontra-se aqui.

Que os times façam grandes jogos, que os ginásios estejam cheios e que cada vez mais gente assista às partidas na rede – agora com o Facebook Live.


Após jogo magnífico, Warriors e Thunder decidem campeão do Oeste hoje
Comentários 11

Fábio Balassiano

klay1Em português claro: a partida de sábado à noite entre Golden State Warriors e Oklahoma City Thunder, disputada em Oklahoma, foi uma das melhores que vi nos últimos anos.

ÀS 21h15 ESTAREI NO FACEBOOK FALANDO DA PELEJA. ACOMPANHE

Magnífica, intensa, pegada até o final e com uma atuação genial de um Klay Thompson pegando fogo (41 pontos, 11 bolas de três pontos). No final, 108-101 para o Warriors. Os vídeos abaixo são bons para os olhos e a alma. Divirtam-se!

foto1Com um final de jogo fabuloso (veja foto ao lado) para o Warriors e errático para o Thunder, temos 3-3 na série e decisão do campeão da conferência Oeste nesta noite (22h, com Sportv). Ou seja: Klay Thompson e Steph Curry (31 pontos, 10 rebotes e 9 assistências) fizeram o que fizeram em um jogo de eliminação, em um jogo onde o atual campeão estava prestes a entrar de férias. O brilhantismo de Klay foi tão grande que o dono da franquia, o magnata Joe Lacob, literalmente se ajoelhou aos seus pés, vejam só:

foto7O Warriors, após estar perdendo por 1-3, pode se tornar o décimo time da história dos playoffs a virar para um 4-3 neste tipo de situação. Tudo isso graças a sua dupla de armador e ala-armador. Klay Thompson e Steph Curry não marcaram “apenas'' 72 dos 108 pontos do time no sábado. Eles acertaram 23 dos 36 arremessos de quadra da equipe (quase todos portanto…). Mas falar apenas da dupla, cujos números na série estão na figura ao lado, é um erro, um erro imenso. Antes de passar para Andre, o animal da marcação, Iguodala, deixo aqui uma pensata: o maior maior erro do GSW pra mim nesta série é deixar Curry chutar sempre no um-contra-um. Não entendo o motivo de Steph não chamar sempre um bloqueio pra chutar menos vigiado. Quando fez isso no último período, principalmente com Iggy, se deu bem. Se mantiver essa ideia do 1-1 diante de marcadores físicos pode não se dar bem.

foto2Klay e Curry foram muito bem coadjuvados por um espetacular Andre Iguodala, este ser de outro planeta que consegue marcar de LeBron James a Kobe Bryant, passando por Kevin Durant, Chris Paul e Russell Westbrook. No último período, foram dele os botes em Russ e Durantula, forçando erros e arremessos fora dos padrões, para impulsionar a reação do Warriors que viria através dos furiosos arremessos dos Splash Brothers (vide figura ao lado). Sem Iguodala, provavelmente a vitória não teria vindo. Veja só o que ele fez contra os camisa 35 e 0 do Thunder.

foto4Para o Thunder, a estatística de quem tinha o jogo em casa e 3-2 na série, perdeu no lar e enfrentou o jogo 7 fora de casa nem é tão péssima assim (12-24), mas o problema para Kevin Durant, Russell Westbrook e companhia é mental, psicológico, de tentar esquecer em 48h que a série esteve em suas mãos para tentar vencer o GSW em Oakland pela segunda vez no confronto. Mais do que isso: como compreender que após dominar 90% da série em termos táticos, técnicos e físicos a série encontre-se, após seis partidas, em 3-3? Para cabeça de um atleta do Warriors, é ótimo – “caramba, não jogamos tudo o que sabemos e ainda estamos vivos''. Para os do Thunder, é o oposto – “caceta, castigamos os caras, dominamos a tábua, aniquilamos nos rebotes jogando com dois pivôs ou quatro abertos, e eles ainda não foram eliminados. Será que dá pra eliminar essa turma mesmo?''. Não é fácil gerar compreensão neste momento, mas há algumas explicações para o que o OKC fez de errado no sábado à noite.

russ1O que aconteceu no último período (33-18 pro Golden State) foi a volta da versão antiga do Oklahoma (a que individualiza tudo, a que não gostamos de ver). Quando percebeu que Klay e Curry estavam pegando o fogo, o OKC simplesmente entrou em pânico. Quem precisava correr, quem precisava ligar o botão de alerta, era o Golden State. Quem ficou desesperado? O Thunder. Aí, pessoal, um abraço.

Tudo o que construíram neste playoff ruiu muito rápido. Billy Donovan pediu três tempos em menos de dois minutos, mas as cabeças de Russell Westbrook e Kevin Durant já tinham ido para a lua. Ambos só atacaram no um-contra-um, desistiram até mesmo dos bloqueios de Ibaka, Adams ou Kanter e tentarm decidir sozinhos. Isso não tem funcionado, e os números desta pós-temporada mostram isso. Do outro lado, ainda por cima, tinha um Andre Iguodala a marcá-los. Lembrando: esse cara foi MVP das finais em 2015 não porque fez 715 pontos por jogo, mas por ter diminuído a sanha de LeBron James, um dos melhores de todos os tempos, nos três últimos jogos da série (3 vitórias do Warriors).

klay2É neste cenário que chegamos ao jogo 7 de hoje que promete também ser épico. O Oklahoma tem time, técnico e bagagem tática para desafiar o Warriors em Oakland. Eu só não sei se terá cabeça para tirar sábado da mente. Isso é muito difícil de prever. Caso consiga, pode vencer um jogo 7 fora de casa, algo sempre difícil. O Golden State entra mais confiante do que nunca. Sabe que estava sendo dominado por um adversário fortíssimo e que mesmo com quase tudo contra encontrou uma forma de chegar ao último duelo com chances de retornar à final (“grandes times sempre encontram fórmulas de vencer mesmo jogando mal'', diz o filósofo…).

Quem será que vence hoje? Você tem palpite? Comente aí!


Com interferência da arbitragem, Fla vence Bauru e faz 2-1 na final do NBB
Comentários 44

Fábio Balassiano

fla19

fla5O relógio marcava 09:11 por jogar no quarto período da terceira partida da decisão do NBB quando JP Batista acertou um lance-livre e deixou a vantagem do Flamengo em 18 pontos (75-57). Ali Bauru parecia nas cordas. Alex estava com quatro faltas (e no banco), Paulinho, cestinha do jogo 2, zerava em pontos, a defesa não segurava os ataques rubro-negros, o setor ofensivo do clube da Gávea estava brilhante e a torcida que mais uma vez encheu a Arena Carioca 2 (7.700 pessoas) estava empolgada.

fla8Só que no minuto seguinte Demétrius, técnico bauruense, tentou sua cartada final. Voltou com Alex, e o Brabo colocou o jogo em seu bolso (ou quase isso). Fez 12 pontos praticamente seguidos, comandou as ações de Bauru e viu o seu time deixar a vantagem rubro-negra, que fora de 18 pontos oito minutos antes, em apenas um quando restavam 54 segundos. Ali a história do jogo, vencido ao final pelo Flamengo por 89-84 (tem agora 2-1 e pode ser campeão no próximo sábado), passou a ser escrita pela arbitragem (infelizmente). Vamos lá:

hetts1) O trio Marcos Benito , Jacob Barreto e Diego Chiconato não estava tendo uma atuação ruim, embora houve uma série de marcações duvidosas antes do minuto final. Nenhuma que teria gerado reclamação forte, pesada e que fosse lembrada como grandíssima, decisiva. O lance capital mesmo aconteceu quando, a 37 segundos do fim, Rafael Hettsheimeir desceu com a bola após erro de arremesso de Ronald Ramon. Era um rebote claro, com domínio completo da bola por parte de Hetts. Rafael Luz, do Flamengo, encostou na pelota quando ela (a pelota) estava nas mãos do camisa 30 bauruense e a arbitragem (Chiconato) vergonhosamente marcou bola presa (aqui você pode ver o lance). O placar marcava 85-84 para o Flamengo, e Bauru seguiria para o ataque que poderia ser o da virada. Na boa, nem a família do Rafael Luz marcaria isso no lance. O susto foi tão grande que muita gente na área de imprensa pensou que a arbitragem marcara falta de Luz em Hettsheimeir. Não foi isso.

fla62) O que aconteceu? A seta de posse de bola avisava que a pelota seria do Flamengo, que teve novo ataque. Na jogada seguinte, falta marcada de Alex Garcia em Rafael Luz (lance pode ser visto aqui a partir de 20:30). Vi e revi o lance. Eu não culpo a arbitragem aqui. Não marcaria a falta por acreditar ser um lance de contato normal em se tratando de uma partida de basquete (ainda mais envolvendo um animal físico como Alex, que vinha correndo). Este esporte que tanto gostamos é, obviamente, um jogo físico, pesado, que quase sempre vê dois corpos se chocando. É, pra mim, uma das graças da modalidade. Mas Alex ali foi excluído com cinco faltas, Rafael Luz cobrou lances-livres e o rubro-negro levou a peleja.

fla13) Por incrível que pareça, não vale nem a pena discutir a quinta falta de Alex. Alguns dirão que foi. Outros, que não foi. Vai ficar nesta discussão eterna, chata, subjetiva até. O básico é: o lance só ocorreu porque a posse da bola voltou para o Flamengo de maneira inacreditável. Isso não deveria ter acontecido JAMAIS. A infração contra o camisa 10 bauruense, portanto, foi apitada em um lance subsequente à bola presa. Se a arbitragem tivesse acertado ANTES, a exclusão DEPOIS não teria acontecido (não daquela maneira). Um erro  grosseiro acabou gerando uma situação que no mundo ideal não teria ocorrido.

fla44) Do meu canto, relato a tristeza. A tristeza mesmo. Não pela derrota de Bauru ou pela vitória do Flamengo, que não tem nada a ver com os erros da arbitragem. Isso para mim não muda absolutamente NADA. Não torço pra nenhum time e quero sinceramente ver jogos bacanas, que o esporte cresça. O que chateia, chateia mesmo, é ver um jogo muito bom de basquete, como o deste sábado cheio de reviravoltas em si mesmo, se decidindo por três rapazes que não são jogadores. Este problema de arbitragem vem de tempos, é crônico e, embora saiba que a Liga Nacional de Basquete esteja tentando solucionar, acaba colocando o produto NBB em um patamar menor do que poderia ser – menor mesmo. É preciso agir em relação a este problema – e agir de forma racional, porém certeira e rápida. O que aconteceu neste sábado no Rio de Janeiro tem nome, sobrenome e negar isso é negar a realidade. O que aconteceu foi uma clara e absurda interferência da arbitragem nos destinos da peleja. Simples assim. E ponto.

fla75) Ninguém está dizendo, aqui, que Bauru ganharia o jogo. No ataque de um eventual 84-85 poderia ter acontecido de tudo, mas a decisão seria totalmente dos atletas. É pra isso que eles estão ali – para serem heróis, vilões, protagonistas ou antagonistas. São eles (os jogadores) que devem ser notados, e não os rapazes do apito. O que a arbitragem fez neste sábado foi exatamente isso – decidiu um jogo de final do NBB no lugar dos 10 jogadores que estava em quadra. Bauru ainda teve uma bola pra empatar, mas ali os nervos estavam totalmente fora do controle (natural para uma agremiação que acabara de sofrer o que sofrera). Foi compreensível, também pelo que acabara de ocorrer, que os bauruenses tenham optado por não falar com a imprensa nas entrevistas pós-jogo. Um princípio de confusão logo que zerou o cronômetro também rolou na quadra entre atletas, comissões e dirigentes, mas nada de fora do comum.

jerome16) Dúvida cruel: por que diabos Cristiano Maranho , Marcos Antonio De Matos Ferreira e Fabiano Huber, que foram tão bem na quinta-feira no Jogo 2, não apitaram de novo neste sábado? Sei que é procedimento da Liga Nacional de Basquete não repetir árbitros em jogos seguidos, mas se os caras são os melhores (ou pelo menos mais habilitados do que os três de hoje à tarde), qual o problema de repetir as suas escalações? Sinceramente creio que quem deva apita é o melhor árbitro possível.

jogo17) Gostaria de falar mais de basquete, mais do jogo, mais de como a reação de Bauru foi espetacular, mais de como o Flamengo foi incrível nos três primeiros períodos, mas isso é impossível (e lamento do fundo do coração que não consiga dizer mais coisas legais sobre uma partida tão bem disputada e com enredos tão sensacionais). Mais uma vez, no entanto, no jogo de tabuleiro que é tentar transformar o basquete em um produto melhor a Liga Nacional de Basquete vê o NBB andar algumas casinhas para trás.

nbb18) Este, na verdade, deveria ser momento de usar apenas as escadas e subir degraus, crescer, desenvolver, falar de coisas positivas (e há aos montes). Só que não dá. Em que pese este ser um playoff bem bom, com casas cheias e ginásios lotados, um erro clamoroso da arbitragem decidiu um jogo de final e sabe lá se não decidiu também um campeonato, uma temporada, o destino de um time. Há uma mancha na decisão de 2016 do principal torneio de basquete deste país e nada que acontecer daqui pra frente mudará isso. Triste, mas real.

Concorda comigo? Comente aí (com educação)!


Cavs bate Raptors, volta a final da NBA e LeBron amplia domínio no Leste
Comentários 8

Fábio Balassiano

lbj3Fim de papo no playoff do Leste. Em Toronto o Cleveland Cavs bateu o Raptors por 113-87, fechou o confronto em 4-2 e se classificou para a segunda final de NBA consecutiva (a terceira da história da franquia).

Os Torontinos brigaram, lutaram muito, mas caíram de pé para um time bem melhor (bem melhor mesmo). Ao Cavs, parabéns. O time não tem a menor culpa da conferência ter times tão abaixo, em termos técnicos, assim (em relação a equipe de Ohio). LeBron James (autor de 33 pontos, cestinha da equipe) e companhia fizeram o que tinham que fazer e de novo estão a 4 vitórias do inédito título (decisão começa no is 2/6).

lbj1Se for contra o Oklahoma City Thunder, o Cavs terá mando de quadra e fará com que LeBron James jogue contra a equipe contra a qual conquistou seu primeiro anel de campeão (em 2012 pelo Miami). Contra o Golden State Warriors, sem mando de quadra mas a revanche do ano passado – só que desta vez com a turma de Ohio completa. O Thunder tem 3-2 e faz o sexto jogo em casa neste sábado às 22h (com Sportv).

lbj2Atenção aqui agora.

Finais Consecutivas de NBA:
Bill Russell (10)
Sam Jones e Tom Heinsohn (9)
Frank Ramsey e K.C. Jones (8)
Bob Cousy (7)
Tom Sanders (6)
LeBron James e James Jones (6)

Todos os que estão acima de LeBron (e James Jones) são do Boston campeoníssimo da década de 60. Apenas LBJ (e Jones) conseguem chegar em tantas decisões assim de forma consecutiva por duas franquias distintas (2011 a 2014 pelo Heat; 2015 e 2016 pelo Cavs).

lbj5Ah, e pra fechar. LeBron James em séries contra times do Leste desde 2010/2011: 18-0. Seis vitórias seguidas em confrontos de primeiras rodadas, seis consecutivas em semifinais e seis em sequência em decisões do Leste.

Parabéns ao Cavs, campeão novamente do Leste. O sonho do inédito título pra sua cidade está perto para LeBron James. Será que agora vai?


Os méritos de Bauru, 1° a vencer o Flamengo no RJ em final do NBB em 7 anos
Comentários 3

Fábio Balassiano

arena1

bauru10Foi emocionante entrar no Parque Olímpico na tarde de ontem. Nenhum ser humano que gosta de esporte entra em um lugar desses e se mantém impassível, tranquilão, como se fosse um lugar comum. Não, não é. Ali estará a nata do esporte em menos de três meses. Ali serão disputados os jogos de basquete.

Ali (naquele mesmo espaço – não no mesmo ginásio) foi disputada a segunda partida da final do NBB entre Bauru e Flamengo (na Arena Carioca 2 – a que terão as lutas do Judô). Vitória bauruense por 85-80 em uma partida de nível técnico ruim, mas bem intensa e emocionante. Com o resultado, o Dragão empatou a decisão, forçou no mínimo a quarta partida e tornou-se apenas o segundo time a vencer o rubro-negro no Rio de Janeiro em partidas finais do NBB (o último a conseguir isso fora Brasília, em 13 de junho de 2009 – e desde então, 5-0). O jogo 3 será no sábado, no mesmo local, às 14h (Rede TV e Sportv exibem). Vamos a alguns detalhes da peleja:

basquete11) É óbvio que a Arena Carioca 2 é um ambiente diferente daquele que os jogadores (dos 2 times) estão acostumados. Muita gente falou depois da peleja que é difícil se acostumar a um local totalmente novo e que isso teria influenciado na partida. Alguns torcedores do Flamengo, inclusive, disseram que por ser um ginásio amplo o clima entre time e torcida fica mais frio. Desculpem, acho isso superficial. As finais do NBB desde sempre, aqui no RJ, são na HSBC Arena. O Flamengo joga lá basicamente as decisões – ou seja, uma vez por ano. Não é, portanto, seu porto-seguro, sua casa (que é o Tijuca). Sobre ser um ambiente menos “quente'' que o Tijuca, a HSBC Arena também deixa a galera mais longe da quadra e o time da Gávea sempre venceu campeonatos lá com uma torcida enfurecida. Não creio, sinceramente falando, que isso mexa com o ponteiro. O ginásio é só um ginásio. E não uma peça que liga torcedores a atletas.

bauru12) O que fez a diferença mesmo a favor de Bauru foi corrigir algo que não foi muito bem no jogo inicial da final do NBB – as rotações. Não que o técnico Demétrius tenha ido mal no jogo 1 (pelo contrário), mas ciente que o banco de reservas do Flamengo fizera um estrago no último período de sábado passado o treinador sabia que deveria acelerar suas trocas desde o primeiro período, mesclando quintetos (com titulares e reservas) para evitar que o rival rubro-negro levasse vantagem e tendo boas formações a todo instante na quadra. E assim foi feito. Demétrius quebrou o ritmo do jogo diminuindo a aceleração da partida (como ele mesmo disse após a peleja), contando com ótimas atuações dos reservas Leo Meindl (13 pontos) e Murilo (11 pontos) e vendo o Flamengo ter baixíssimo aproveitamento nos chutes de 2 pontos (37%) e nos de 3 também (23%). Sua administração durante os 40 minutos foi perfeita, não há outra palavra para usar aqui.

bauru53) Quem merece um elogio especial (e por isso um tópico só pra ele) é o armador Paulinho. Desde sempre pressionado por ser o substituto de Ricardo Fischer, o camisa 3 foi mal no jogo 1, não estava tendo uma atuação muito boa (errou um passe feio em contra-ataque e foi cobrado de forma áspera por Jefferson William em quadra inclusive), mas conseguiu reverter e ser o cestinha de seu time com 17 pontos. Paulinho ainda deu 7 assistências e provou que, atacando a cesta, é um dos jogadores de perímetro que conseguem causar o pânico nas defesas adversárias. A maneira como ele costura as marcações é muito boa, e quando ele consegue (como conseguiu nesta quinta-feira) dosar o momento exato do arremesso com o do melhor passe sua atuação é sempre muito boa. Seu problema continua sendo na defesa, mas o Flamengo não fez questão de atacá-lo como seria recomendável (e como Bauru fez em cima de Marcelinho Machado no último período inclusive).

bauru64) Outro que foi muitíssimo bem foi Alex Garcia (como quase sempre aliás). Se não tanto pela pontuação (13 pontos, mas com apenas 3/9 nos chutes), mas por sua intensidade absurda, fora do comum, durante os 31 minutos em que esteve em quadra. Alex é um dos melhores marcadores da história do basquete brasileiro e a forma como ele lidera seus companheiros em quadra (e do banco de reservas) é muito fenomenal. Quem vê um jogo de um time dele (Ribeirão Preto, Brasília ou Bauru) de perto da quadra nota como ele é um cara diferenciado, obcecado por vitórias e sabedor que pequenos detalhes fazem a diferença nas grandes partidas.

bauru35) Sem tirar o mérito de Bauru, mas foi uma das piores partidas que vi do Flamengo nos últimos anos (e com detalhes bizarros, como Marcelinho Machado, dono de aproveitamento de quase 90% nos lances-livres na carreira, errando dois seguidos no final da peleja). Não sei exatamente o que deu errado (talvez Marquinhos, Ramon e Olivinha ficaram tempo demais no banco – embora essa seja uma decisão de José Neto, que deve ter as suas razões para isso), mas pra mim é muito claro que o rubro-negro esteve muito abaixo de suas capacidades, errando arremessos livres e de atletas que possuem altíssimo aproveitamento (Marquinhos teve 2/7 de três pontos; Machado, 2/6; e Ramon, 1/4). Um ponto chama a atenção: foram 18 rebotes ofensivos a seu favor (10 a mais que Bauru), e mesmo assim as oportunidades extras não foram aproveitadas em cestas.

mark16) Um dos grandes erros do Flamengo ao meu ver foi ter sido pouco rápido no começo das ações de ataque, fazendo com que Bauru posicionasse a sua marcação antes da armação ofensiva do Flamengo e causando problemas aos rubro-negros. Outro ponto importante: Marquinhos precisa ser mais envolvido no sistema ofensivo. Nesta final ele tem sido acionado basicamente no um-contra-um. Ele consegue se virar, criar seus arremessos porque é um cara absurdamente bom, mas vê-lo comandando um pouco mais as jogadas pode ser bom pra todo mundo – inclusive para Rafael Luz, que pode ser muito mais útil sem a bola do que com ela nas mãos quase que o tempo todo (como seu arremesso não tem caído a marcação sempre dá um passo atrás, fecha o garrafão e trava o rubro-negro com extrema facilidade). Marquinhos poderia chamar os pivôs para os bloqueios na cabeça do garrafão e aí sim o Fla iniciar as suas jogadas – com Rafa responsável por movimentações sem a bola.

bauru117) Sobre a arbitragem, quero dizer duas coisinhas: a) o lance mais importante do jogo eu não consegui ver porque de onde estava era impossível. Marquinhos teria sido agredido por Murilo, mas eu só vi o ala do Flamengo deitado no chão e a confusão iniciada. Logo, eu não tenho muito o que dizer deste caso; b) Minutos depois desta confusão houve outra, envolvendo Marcelinho Machado e Murilo. Machado deu um empurrão em Murilo, e ambos levaram faltas técnicas (surreal isso). Apesar disso tudo, não vi a arbitragem comprometer como muita gente está dizendo.

bauru100Bauru jogou muito bem principalmente no último período (fez 38 dos seus 85 pontos nos 10 minutos finais) e venceu. O Flamengo esteve abaixo do seu potencial e perdeu. Jogar a responsabilidade da vitória de um ou da derrota do outro na arbitragem é um equívoco. O jogo 3 está batendo na porta e os dois clubes têm muito para corrigir até sábado. Deste canto, creio sinceramente que tudo leva a crer que iremos a cinco jogos nesta decisão do NBB. E você, viu o jogo de ontem? Achou o quê? Comente aí!


Na Arena Olímpica, Flamengo e Bauru fazem jogo 2 da final do NBB
Comentários 1

Fábio Balassiano

arena2Acontece hoje às 17h (Rede TV! e Sportv) a segunda partida da final do NBB entre Flamengo e Bauru. E acontecerá em um cenário diferente para as duas equipes. O duelo de logo mais será na Arena Carioca 2, um dos palcos programados para receber as disputas do Judô na Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016. Se precisasse de mais um ingrediente para esta decisão, aqui está um molho bacana – abrir as portas de um palco tão importante neste ano.

machado1Pelo lado do Flamengo, é muito claro que o time deu um passo gigantesco para chegar ao quinto título de NBB na história (o quarto consecutivo) após ter batido Bauru fora de casa no último sábado (83-77). Um erro que os comandados de José Neto não podem cometer, porém, é achar que a parada está decidida. A verdade é que o duelo inicial foi equilibrado ao extremo, com os rubro-negros levando vantagem naquilo que eles têm de melhor – a força do elenco. Crer que a parada está decidida por ter ampliado a vantagem que já era boa (a do mando de quadra) é um erro que a equipe não pode cometer (na real eu acho que isso não irá ocorrer devido a experiência do grupo, mas é bom, sempre, agir antes). Em termos táticos, Neto sabe que dificilmente o dominicano Ronald Ramon terá a mesma liberdade que teve no primeiro confronto. Tanto foi assim que Ramon quase não descansou (36 minutos), deixando Rafael Luz (o titular da armação) quase todo tempo no banco (13 minutos de quadra apenas).

jeff1Pelo lado de Bauru, a frustração deve ter sido muito grande após o jogo 1. A má notícia é que de fato o time saiu com a derrota e que agora precisará vencer no mínimo duas vezes no Rio de Janeiro para conquistar o inédito título. A boa é que, tirando os cinco minutos iniciais do último período, o Dragão teve bom domínio das ações, comandando o placar e causando dificuldade ao Flamengo com uma boa defesa. O time de Demétrius precisa, apenas, ser mais consistente durante os 40 minutos, algo não muito fácil para quem não possui um elenco tão numeroso e qualificado como o do rival, e jogar com uma margem de pontos maior (como Mogi fez em alguns momentos da semifinal contra o rubro-negro). Com a diferença de pontos a seu favor, os bauruenses podem, até, se dar ao luxo de, nos períodos mais críticos, se recuperar sem o jogo ter escorrido pelas mãos. Não é fácil, mas principalmente fora de casa é algo que eles devem tentar – principalmente neste jogo 2, pois com novo revés o troféu ficará praticamente impossível de ser conquistado.

mark2Abaixo algumas estatísticas interessantes:

a) Em 79 séries de mata-mata já realizadas no campeonato, 41 das equipes que perderam o Jogo 1 se recuperaram e venceram o Jogo 2 (51,8% de aproveitamento).

b) O empate no confronto não significa muito, pois historicamente o time que iniciou um playoff com resultado positivo ganhou 53 das 79 séries já disputadas na competição (67,0% de aproveitamento).

alex3c) Em 19 séries de mata-mata que disputou na competição, o Flamengo começou vencendo em 13 delas e sofreu somente duas viradas: na Final da edição 2009/2010 para o Brasília (3 a 2), de Alex Garcia, e na semi de 2011/2012 para o São José (3 a 2), de Jefferson, Murilo Becker e Ricardo Fischer (agora em Bauru).

d) Bauru iniciou uma série de playoff perdendo seis vezes na história e conseguiu a virada e a classificação somente duas vezes: nas quartas de final da temporada 2012/2013 contra Franca (3-2) e na semifinal da edição passada, contra o Mogi (3-2).

Quem será que vence logo mais?

 


Raptors, a mágica dos playoffs e o perigoso jogo 5 pro Cavs hoje à noite
Comentários 3

Fábio Balassiano

raptors1Quando saiu de Ohio na semana passada com 0-2 na bagagem ninguém em Toronto esperava que dias depois a série regressasse a Cleveland com 2-2 para um jogo 5 agônico como o desta noite (21h30, com ESPN). Para falar a verdade, pouca gente esperava que a série fosse voltar pra casa do Cavs, tamanho foi o domínio de LeBron James e companhia nos dois primeiros jogos (115-84 e 108-89). Mas os Raptors se recuperaram, jogaram muito bem as suas duas partidas em casa (99-84 e 105-99) e agora a pergunta que fica é: como os Cavs jogarão pressionados pela primeira vez nesta pós-temporada? Uma derrota em casa e o time canadense faria um jogo 6 diante de seu fanático torcedor para (vejam só!) ir às finais da NBA.

biyombo1A transformação do Toronto passa obviamente por DeMar DeRozan e Kyle Lowry, que se tornaram os primeiros jogadores desde Terry Porter e Clyde Drexler a conseguir mais de 30 pontos (cada) em uma mesma partida final de conferência desde 1992. São as duas estrelas do Raptors, e os 35 pontos de Lowry e os 32 do DeRozan acabam tirando um pouco da tristeza que foi vê-los amassando o aro no começo desta pós-temporada. Ninguém, porém, representa melhor essa recuperação canadense que Bismack Biyombo.

biyombo2Emulando Dikembe Mutombo, o congolês de 23 anos teve 26 rebotes e 4 tocos no jogo 3 e 14 rebotes e 3 tocos no jogo 4. Mais do que ter bons números, a presença dele perto da cesta faz com que o Cleveland arremesse cada vez mais de longe, algo que o técnico torontino Dwane Casey desenhou em sua prancheta após o estrago das duas primeiras partidas. Nas cordas após o 0-2 e levando surreais 106 dos 213 (49%) pontos dentro do seu garrafão, Casey ordenou que Biyombo protegesse seu aro loucamente. Sem o lituano Jonas Valanciunas, o camisa 8 teria a missão de reduzir os pontos fáceis do Cavs. E ele está conseguindo. Não é coincidência, inclusive, que algumas pancadas tenham sobrado em cima de LeBron James e Kyrie Irving. O recado de Casey e Biyombo era: “Cestas com alto potencial de conversão não serão mais permitidas. Quer fazer ponto na gente? Arremessa de mais longe. Se vocês acertarem a gente vê o que faz”. A dúvida era se o Cavs morderia a isca. Mordeu.

Cavs1Confiante após matar tudo de fora contra o Hawks e com medo de enfrentar o sensacional Biyombo no garrafão, os arremessos dos Cavs têm saído cada vez com maior distância (figura ao lado). Ninguém gosta de ser esmagado em uma quadra de basquete por um rapaz do tamanho do congolês, e o jogo de finesse de Kyrie Irving, JR Smith e Kevin Love encontra um paredão de 2,08m na área pintada pra piorar tudo. O resultado? Os chutes do Cavs têm saído quase sempre do perímetro – e cada vez menos certeiros. O problema não está “só” na queda de 35 para 31% nas bolas de três pontos entre os duelos 1 e 4 do confronto, mas sim nas quantidades.

biyombo2Na partida que abriu a final do Leste, o Cavs tentou 20 vezes de fora (fez 7). Na quarta partida, 41 tiros longos (converteu 13). Na proporção, dá praticamente a mesma coisa, mas a insistência por um arremesso de aproveitamento nem tão magnífico assim prova que atacar a cesta quando contra Bismack Biyombo não tem sido algo simples para os Cavs. Se nos jogos 1 e 2 quase metade dos pontos vieram no garrafão, nos dois seguintes apenas 56 dos 183 anotados (30%) foram de perto da cesta. Quer mais um resultado disso? Pela primeira vez na pós-temporada os comandados de Tyronn Lue não fizeram 100 pontos (e no jogo 4 repetiram a dose ao chegar a 99). Como mostra a figura ao lado, o +/- de Biyombo, que contestou 29 arremessos nas duas vitórias do seu time (ou seja, marcou 29 arremessos dos rivais, que tiveram 27% de aproveitamento nestes chutes), é um dos indicativos do sucesso do Toronto. Quando o cara está na quadra é difícil do Cleveland pontuar.

love1As quedas de Kyrie Irving (23/39 nos triunfos e 14/40 nos reveses nos chutes) e Kevin Love (9/16 nas vitórias e 5/23 nas derrotas nos arremessos) são consequência, e não causa, do plano de jogo do Cleveland (escolha causada por um ajuste do Toronto). O Cavs simplesmente parou de atacar a cesta. Parou de procurar os espaços para tentar converter arremessos de menor possibilidade de conversão. Acomodou-se com a vantagem e passou a jogar um jogo sem contato, sem fluência, baseado simplesmente em arremessos longos. Nem o começo de quarto período perfeito em que acertou seus nove primeiros arremessos salvou o time da derrota na segunda-feira. O estrago, principalmente o mental, já estava feito. O Raptors conseguiu modificar não só a final do Leste, mas transformá-la em uma série. Os canadenses mudaram o estilo tático da franquia de Ohio dando confiança para Lowry e DeRozan atacar a cesta, mas sobretudo defendendo loucamente posicionando Bismack Biyombo como um cadeado perto da cesta.

biyombo3O resultado é que teremos um jogo 5 com 2-2 no placar do confronto e com o Toronto sabendo exatamente o que precisa fazer para vencer pela primeira vez o Cleveland na temporada 2015-2016 (três derrotas até o momento).

Agora é a hora de Tyronne Lue, o técnico do Cavs, aparecer. O ajuste de Dwane Casey foi feito entre o segundo e o terceiro duelos. Para o desta quarta-feira, Lue precisa recolocar o Cavs para atuar da maneira que estava dando certo até semana passada. Do contrário, os canadenses poderão empurrar LeBron James e companhia para perto do precipício.