Bala na Cesta

Paco Garcia muda Mogi de patamar e fala sobre seu lado disciplinador
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Fábio Balassiano

pacoChato, ranzinza, cabeça-dura. É assim que o técnico Paco Garcia é definido por alguns que acompanham o seu belo trabalho em Mogi há três temporadas. Pouca gente, no entanto, enxerga que por trás do nível máximo de exigência tem alguém obcecado por melhorar a equipe e por fazer do time mogiano um dos mais competitivos do país há anos.

Aos 47 anos, é possível ver facilmente as suas qualidades também. Disciplinador, ele conseguiu implantar uma filosofia vencedora que levou a modesta equipe da temporada passada às semifinais do NBB. Nesta, em 2014/2015, o vice-campeonato da Liga Sul-Americana e a quarta colocação praticamente garantida na fase de classificação do NBB. Confira a entrevista exclusiva que fiz com este espanhol de Valladolid.

paco4BALA NA CESTA: Antes de falar da temporada, queria que você falasse do projeto de basquete de Mogi que você encontrou três temporadas atrás e que hoje cresceu tanto…
PACO GARCIA: Dá para ficar orgulhoso deste projeto, né? Por tudo o que aconteceu, mas, de verdade, eu sou apenas uma peça desta engrenagem que foi formada na cidade de Mogi. Quando cheguei no Brasil há três anos o objetivo era simplesmente manter o time na primeira divisão e isso conseguimos. Depois, ano passado, quisemos melhorar o time em termos físicos. Foi uma liga dura, pesada, em que perdemos oito jogos na última bola. Mas isso nos ajudou a crescer e a chegar muito fortes nos playoffs, com o time entrosado, marcando muito, disciplinado e muito em contato com a torcida. Isso fez com que chegássemos muito bem ao mata-mata e lá chegássemos até as semifinais. Mais do que uma experiência esportiva, foi uma experiência de vida incrível o que passmaos na temporada passada. Sempre falo que guardarei o que aconteceu ano passado na minha memória. E digo isso do lado pessoal mesmo, no âmbito pessoal. Mais do que perder e ganhar partidas. Já ganhei e perdi muito. Aí quando acabou a temporada passada, com o monte de coisas que vivemos, com uma vaga para a Sul-Americana no ombro, você precisa parar, pensar e repensar o projeto, os investimentos, tudo. Era natural que o elenco mudasse por isso. Alguns jogadores que se destacaram receberiam ofertas melhores. Outros teriam que chegar. E assim foi feito. Tivemos que reconstruir.

pacofinal1BNC: Como avalia a temporada 2014/2015 de Mogi?
PACO: Até agora é um campeonato com muitas dificuldades. Principalmente de lesões. Paulão passou por cirurgia. Gustavo ficou quatro meses fora do time. Depois Alemão saiu. Elinho teve problemas. Chegaram o Alexandre e o Wagner. Acabou que a cada semana a gente tinha que começar do zero, do início. Depois deste Jogo das Estrelas é que teremos o time completo, com boas chances de crescermos. Mas tem sido uma temporada muito difícil devido a isso. O momento mais importante do ano está chegando (os playoffs) e nossa melhor forma está chegando. Isso é bom e nos enche de esperança.

paulao1BNC: Agora perguntas um pouco duras. Vamos lá. O que está acontecendo com o Paulão? Considero ele uma ótima pessoa, mas fisicamente ele está abaixo do que deveria há alguns anos. Como recuperá-lo em definitivo?
PACO: Ele poderia jogar mais tempo, mais minutos, mas possivelmente não na exigência, na intensidade, que eu peço a meus atletas. Mas tudo vai chegar, tenho certeza. Ele chegou ao time em uma forma ruim e com problemas no joelho. Aí decidimos em conjunto que o melhor a fazer era operá-lo para limpar todos os problemas em seu joelho de modo que ele começasse do zero. O retorno não foi fácil, e aí ele caiu. E, vou lhe dizer, a melhor coisa que às vezes um técnico pode fazer é permitir que seu atleta caia, que ele toque fundo. Pois aí a única coisa que ele pode fazer é subir. E agora ele está bem, melhorando fisicamente, já está mais fino. Os últimos jogos já está melhorando e tem uma projeção para que ele chegue aos playoffs como achamos que ele pode chegar. Paulão é fundamental em nosso esquema, é um pivô que faz a diferença no Brasil, mas não deve ficar em quadra simplesmente porque se chama Paulão, mas sim devido a seu talento e a sua boa forma física. O técnico tem a responsabilidade de manter os melhores em quadra de modo a levar a equipe às vitórias.

mogi1BNC: Muita gente comenta que você é o famoso chato de galocha. Não sei se você já foi apresentado a esta expressão, mas é algo como alguém muito exigente, chato mesmo. Eu não considero isso exatamente um defeito, porque é o seu trabalho, e eu sou assim também no meu, mas aqui no Brasil existe uma linha muito fina entre o técnico tentar disciplinar os seus atletas e ser boicotado pelos mesmos, quase sempre mimados por dirigentes desde a infância. Como você tem encarado isso?
PACO: Bom, eu sou um cara absolutamente normal. Gosto de festa, gosto de cerveja. Sou espanhol, então gosto mesmo de festa. Mas dentro das quatro linhas, dentro do meu trabalho, não aceito piadas, não aceito sorrisos. Trabalho é trabalho, e se estou aqui no Brasil, a 10 mil quilômetros da minha família e dos meus amigos, é para desempenhar um trabalho sério. Não é para fazer amigos ou para conseguir uma risada a cada dia. Então eu não consigo levar o meu trabalho sem a máxima exigência em cada treino, em cada dia, em cada prática. E se eu não consigo, eu não calo a boca, não fico na minha. Eu falo o que tem que ser falado mesmo. Alguns não gostam, é verdade, mas o momento que eu não conseguir desempenhar da maneira que eu acho a mais correta não preciso mais ficar aqui. Há jogadores que preferem sair. Mas sem disciplina não se conquista nada. É a primeira coisa que você precisa deixar clara dentro de um grupo de 15, 20 jogadores. Se não há disciplina não há nada, acabou. Muitos destes jogadores que reclamam saem, depois voltam e dizem: “Você tinha razão”.

mogi1BNC: Agora uma pergunta técnica. Na final da Liga Sul-Americana na minha concepção você cometeu dois erros muito grandes. Primeiro quando você colocou três jogadores (Thomas, Gustavo e Filipin) de titulares como que para homenageá-los. Para mim, era uma decisão e não se deve fazer reverência em uma partida tão importante. E depois quando decidiu marcar um time que tem atiradores de elite por zona. É por aí ou estou falando muita besteira?
PACO: Olhando o placar final daquele jogo (79-53) é possível dizer isso, é possível dizer que você está com a razão. Mas já tínhamos jogado com Bauru antes tanto em NBB, quanto na própria Sul-Americana e no Paulista. Nas três ocasiões marcamos de todas as maneiras possíveis – por zona, mesclada e individual. E nada deu certo. Você busca fazer algo diferente. Foi o que pensei. Quanto aos titulares, eu não considero que seja um prêmio. Considero um reconhecimento. Tanto o Gustavo, quanto o Thomas e o Filipin estavam no elenco de Mogi desde o primeiro momento. Eles foram, pessoalmente para mim, pessoas de muita ajuda, de muito valor, de muito caráter. A forma que encontrei para reconhecer o trabalho deles foi aquela. Conversei com os jogadores que deixariam de ser titular para a entrada deles e todos concordaram e aprovaram a minha atitude. Elinho, por exemplo, me disse: “Parabéns pela sua decisão. Gostaria que alguém me reconhecesse assim algum dia”. Foi um reconhecimento para jogadores que estão em Mogi há muito tempo na partida mais importante da história do clube. Queria que eles ficassem na foto do começo do jogo. Naquele momento, contra o melhor Bauru da temporada, não dava nada. Zona, individual, nada.

mogi1BNC: Você falou do Guilherme Filipin, e eu converso muito com ele. Filipin me disse que seu grau de exigência é muito alto, mas que você tem passado muitas coisas a eles sobre mudanças e evolução fora de quadra também. Poderia falar um pouco disso?
PACO: Guilherme será um dos bons técnicos do Brasil em pouco tempo, pode anotar isso aí. Mas, bem, sobre a evolução de NBB foi imensa em todos os sentidos. Mas não adianta eu ter ideias se não há pessoas para realizar. Há pessoas incríveis como o Everton e o Nilo Guimarães, diretores do time. Eles são os que mais me ouvem e também os que mais demandam, os que mais perguntam sobre como podemos melhorar. Por isso melhoramos. O vestiário melhorou, o escritório dos técnicos melhorou, a quadra também, a sala de fisioterapia a mesma coisa.

paco1BNC: O que falam do basquete brasileiro fora daqui, mais especificamente na Espanha?
PACO: A Espanha tem muito respeito pelo basquete brasileiro. Muito mesmo. Primeiro porque inúmeros jogadores passaram e ainda estão por lá. Até pouco tempo atrás havia quase 40 jogadores entre primeira e segunda divisões. Assim que é por isso que temos um grande respeito e admiração desde sempre pelo basquete brasileiro. Brasil é o segundo maior país com jogadores na NBA depois da Espanha. Então algo tem por aqui. Não é só físico, mas também na formação dos atletas. Não fosse uma boa formação e a melhor liga de basquete do planeta não viria escolher atletas aqui. Para mim foi um impacto muito grande quando cheguei aqui. Mas aí aprendi que um técnico não pode impor um basquete para todas as situações. Um treinador deve usar a sua filosofia e adaptá-la a realidade local e do time que tem nas mãos.

ary3BNC: Você começou muito cedo, né? Para quem está começando na profissão, daria algum conselho?
PACO: Muito cedo mesmo. Comecei a treinar equipes masculinas e de meninas quando tinha 15 anos, veja você. Aí pouco a pouco eu fui crescendo e tive muita sorte quando eu tive meu nome cogitado para ser assistente-técnico da Liga ACB. Isso eu tinha 18 anos. Em 1988, para você ter uma ideia, eu fui auxiliar do lendário Ary Vidal (foto à direita) em Murcia. Ele havia acabado de conquistar o Pan-Americano e foi um impacto cultural enorme não só para mim, mas para o basquete da cidade também. Tinha 21 anos nessa época. Aprendi muito, muito mesmo. Ele era totalmente diferente de tudo o que eu havia visto na vida. Ary era um treinador de ataque, de contra-ataque, de velocidade. Alguns falavam que ele estava louco. E aí você vê hoje, olha como ele tinha razão. Pergunta a Bauru como termina um contra-ataque. Fico orgulhoso que essa escola foi parte da minha vida. Assim como foi com o americano Brown, de quem fui assistente em Vitória.

manelOutro que não poderia deixar de citar é o Manel Comas (mais aqui), que faleceu recentemente… (Neste momento Paco se emociona e para a entrevista) Bem, para mim ele é um dos grandes mestres. Manel forma parte da minha vida pessoal. É como um pai. Falo hoje para os técnicos que assistam treinos, que vejam jogos, que sempre vejam como podem aprender coisas. As escadas você precisa subir os degraus um por um. Treinar categorias de base é fundamental também. Converso muito sobre isso com Danilo Padovani, meu assistente em Mogi.

paco4BNC: Pra fechar: do que você sente mais falta do seu país?
PACO: Da família, da família sem dúvida alguma. Dos amigos, da comida também sinto falta. A vida espanhola não difere muito da do Brasil, mas da cidade. Minha cidade (Valladolid) jogou Oscar Schmidt por dois anos, sabia? E ele é um ícone da cidade até hoje. Há fotos dele no ginásio até hoje. Essa cultura de esporte lá sinto muita falta também. Há times de futebol, de rugby, de basquete. Mas tive a sorte. Mogi é uma cidade perfeita para eu viver. Tranquila, com qualidade de vida, perto da praia e de São Paulo.

BNC: Culinária espanhola ou a brasileira?
PACO: A riqueza da cozinha espanhola é melhor, viu… A culinária brasileira é muito rica, mas quem conhece a Espanha sabe do que estou falando.


Final Four da NCAA masculina está definido – adivinha quem chegou lá?
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Fábio Balassiano

calipaJá está pronto o Final Four da NCAA masculina na temporada 2014/2015. Em jogos espetaculares no sábado e domingo as quatro melhores universidades foram conhecidas e jogarão no próximo fim de semana em Indianápolis (semifinais no sábado e decisão na segunda-feira).

No sábado Wisconsin, do veterano técnico Bo Ryan, fez 85-78 (29 pontos e seis rebotes do promissor Frank Kaminsky) e chegou pela segunda vez seguida entre os quatro melhores da NCAA (um feito e tanto). Para “azar'' da equipe, do outro lado na semifinal do próximo sábado estará Kentucky, que sofreu, mas bateu Notre Dame por 68-66. O time de John Calipari (foto à direita), no quarto Final Four nos últimos cinco anos, tem 38 vitórias na temporada, nenhuma derrota e pode se tornar o primeiro da história a ganhar o campeonato com 40 triunfos e nenhum revés. Será, sem dúvida, um jogaço de bola.

coachk3No domingo, Michigan State, do excelente treinador Tom Izzo, surpreendeu Louisville ao vencer o time de Rick Pitino por 76-70 para chegar ao seu 1º Final Four desde 2010. Na semifinal enfrentará (adivinhem!) Duke, que encontrou dificuldade com Gonzaga no 1º tempo (31-26), mas depois bateu o rival por 66-52 com 4 de seus 5 titulares com 10+ pontos (o único que não conseguiu foi o que está cotado para ser um dos primeiros do próximo Draft, o pivô Jahlil Okafor).

coach4Mais um feito para este treinador incrível chamado Mike Krzyzewski. Aos 68 anos, Coach K chegou pela décima-segunda vez ao Final Four (todas por Duke), igualando a marca de John Wooden, outro lendário técnico do basquete universitário.

Faltam elogios para descrever a carreira e o trabalho de Coach K em Duke de modo particular e no basquete mundial de modo mais amplo. Chama a atenção o fato de o cara se manter motivado mesmo já tendo conquistado tudo, e seu sorriso ao cortar a redinha no final da partida de ontem foi pra lá de emocionante também.

coachk1O Final Four desta temporada terá quatro excepcionais treinadores (Bo Ryan, Tom Izzo, John Calipari e Coach K), mas nenhum chama mais a atenção que o técnico de Duke.

O último título de Duke foi em 2010 (venceu Butler na final por 61-59), num time que tinha Kyle Singler e Nolan Smith. Embora não seja mais um título (ele já tem quatro) que mude algo na carreira dele, seria muito legal ver Coach K colocando mais um troféu em sua estante. Kentucky segue como grande favorita a conquista, mas nunca é bom descartar Duke e seu excepcional treinador.

Quem será que leva o título da NCAA na próxima semana? Comente aí!


Primeiro time a chegar a 60 vitórias, Warriors garantem liderança no Oeste
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Fábio Balassiano

gswA temporada 2014/2015 do Golden State Warriors na NBA ganhou novo capítulo mágico na noite deste sábado. Depois de ter garantido o primeiro título de divisão desde 1976, o time de Steve Kerr foi a Milwaukee, fez 108-95 no Bucks, tornou-se o primeiro a chegar a 60 vitórias no certame e garantiu-se como líder do Oeste na fase regular (garante vantagem em TODOS os confrontos no mínimo até a final de conferência).

Para cravar como melhor time de toda a NBA sem depender dos resultados do Atlanta Hawks, os Warriors precisam vencer quatro de seus últimos nove jogos. Independente disso, o que está acontecendo no Warriors é espetacular.

lb4Steve Kerr, o técnico, é novato e já conseguiu aumentar o número de vitórias de uma temporada para outra em no mínimo 9 triunfos (foram 51 em 2013/2014 com Mark Jackson). Stephen Curry, líder do time, está a ponto de ser eleito o MVP do campeonato (ao que parece a disputa vai ficar entre ele e James Harden mesmo). Klay Thompson teve uma partida de 37 pontos em um período e cresce a cada dia. E os coadjuvantes (Andrew Bogut, David Lee, Draymond Green, Leandrinho, Marreese Speights, Harrison Barnes, Andre Iguodala etc.) têm brilhado noite após noite, não deixando o nível da equipe cair quando Curry ou Klay saem para descansar um pouco.

curryÉ difícil dizer o que será do Golden State na pós-temporada que começa em 18 de abril (ninguém é maluco de arriscar), mas parece muito claro que a turma de Steve Kerr está pronta para ir longe nos playoffs (e uma equipe estar pronta não significa que vai chegar lá, que isso fique claro). Não dá para cravar, não dá para antecipar nada, mas a construção do campeonato dos Warriors é muito maravilhosa.

gsw2Uma construção planejada, organizada, sem sobressaltos, nenhuma crise, ginásio SEMPRE cheio, torcida fanática e um grupo jovem, atlético e muito unido (vejam o que Leandrinho disse aqui sobre isso).

Este é o Golden State que chega aos playoffs com no mínimo 60 vitórias e prontinho para concretizar algo que não acontece na franquia desde 1975 – ganhar um título da NBA.


A última vaga do playoff no Oeste – quem vence a disputa?
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Fábio Balassiano

hawksFaltando pouco mais de 10 jogos para o final da temporada regular da NBA (os playoffs começam em 18 de abril, aliás), a maioria das vagas aos playoffs está bem encaminhada tanto em Leste quanto em Oeste.

No Leste o Atlanta (foto à direita), o Cleveland, o Toronto e o Chicago já se garantiram matematicamente no mata-mata. O Washington Wizards, mesmo caindo pelas tabelas alucinadamente, está quase lá, com os Bucks, em um brilhante trabalho de Jason Kidd como técnico, a um pequeno passo também. Miami, Boston, Brooklyn, Indiana, Charlotte e até Detroit (27-44) ainda têm chances, mas o nível é tão baixo na conferência que até desanima de comentar. Para vocês terem uma ideia, apenas os três primeiros possuem mais de 60% de aproveitamento em suas campanhas (no outro lado os sete melhores têm 62% ou mais).

west2No Oeste é que o bicho vai pegar mesmo. Golden State, Memphis, Houston, Blazers, Clippers, Spurs e Dallas estarão no mata-mata (a não ser que aconteça uma tragédia – principalmente com os Mavs), restando apenas uma vaga no playoff da conferência mais forte da NBA. Oklahoma City Thunder, New Orleans Pelicans e Phoenix Suns estão na disputa. Vamos a alguns detalhes:

a) Oklahoma City Thunder -> O time de Russell Westbrook (foto ao lado) tem 41-31 e leva vantagem em relação aos dois rivais. Mas sua tabela não ajuda muito. São cinco jogos fora de casa, e e duelos contra alguns adversários bem complicados. A partir de amanhã há uma sequência com Jazz, jogando bem nas últimas semanas, o próprio Phoenix, Dallas, Memphis, Houston e Spurs em uma só tacada. Se passar bem por ela tem tudo para chegar a pós-temporada, já que seus últimos quatro jogos serão contra Sacramento, Indiana, Portland e Minnesota.

jeff2b) Phoenix Suns -> Com 38-34, a franquia mudou 465 peças no dia final das trocas da NBA mas mesmo assim se manteve brigando pela vaga final do Oeste (isso com Brandon Knight lesionado em boa parte dos jogos). Só que o calendário do time de Jeff Hornacek (o técnico) é pra lá de complicado. Os nove duelos restantes são contra (respire!) Portland (duas vezes), Golden State, Utah, Atlanta, Dallas, New Orleans, Spurs e Clippers. Uma pedreira atrás da outra. Não sei, sinceramente, se os Suns aguentam o tranco…

davis1c) New Orleans Pelicans -> O time do craque Anthony Davis (foto ao lado) é o grande azarão desta briga. Não pela campanha (37-34), mas pelo elenco que tem conseguido muitas vitórias que pouca gente esperava. E nesta reta final os Pelicans são os que têm a tabela mais tranquila dos três, vejam só. São cinco jogos contra times eliminados (Minnesota duas vezes, Sacramento, Lakers e Sacramento) e outros cinco contra rivais (aí sim) bem fortes (Warriors, Blazers, Houston, Suns e Spurs). A vantagem da equipe de Monty Williams é que Warriors, Suns e Spurs são em casa, onde a franquia tem 23-13.

E aí, quem você arrisca que ficará com a oitava e última posição do Oeste? O Oklahoma mesmo? Comente aí!


Os grupos do Pré-Olímpico masculino – dúvida é saber que seleção jogará
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Fábio Balassiano

ruben2Foi conhecido ontem o caminho da seleção brasileira masculina no Pré-Olímpico deste ano em Monterrey, México (entre 25 de agosto e 6 de setembro). O time de Rubén Magnano caiu no Grupo A, ao lado de México, Panamá, República Dominicana e Uruguai. No B estão Canadá, Cuba, Porto Rico, Argentina e Venezuela (mais aqui, aqui e aqui).

Na primeira fase as equipes se enfrentam dentro do grupo. As quatro melhores de cada chave seguem para a segunda etapa, quando será formado um grupo único com as equipes duelando contra os que integraram o outro grupo (carregando os resultados, é bom frisar). As quatro melhores avançam para as semifinais. São duas vagas diretas para as Olimpíadas de 2016, e do terceiro ao quinto lugares indo para o Pré-Olímpico Mundial (disputado entre 4 e 11 de julho de 2016).

rubenTime por time, creio que o Brasil não deva se preocupar (e isso está até dito pelo treinador ao site da CBB). O que deve estar tirando mesmo o sono de Magnano é tentar imaginar com quem contará para o Pré-Olímpico e com que tipo de preparação ele será agraciado pela Confederação Brasileira. Não custa lembrar: em 2013, no Pré-Mundial, a convocação poderia ter sido melhor e os amistosos não foram de primeira linha. E quanto a isso o argentino é muito mais vítima do que qualquer outra coisa (ele acaba pagando, mesmo, pela desorganização de sua empregadora na verdade).

ruben1Fica difícil, sinceramente falando, imaginar que Magnano possa contar com todos os jogadores que atuam na NBA. E isso não é uma desculpa antecipada ou o papel de advogado de defesa, mas sim uma simples análise da situação toda.

Anderson Varejão já não virá devido a sua grave lesão (isso é certo e colocar seu nome na lista de convocados é, de cara, um absurdo). Nenê sofre com sua fascite plantar e tem minutos limitados no Wizards há dois anos. Leandrinho e Splitter, por sua vez, têm tudo para ir longe na temporada com Warriors e Spurs. Some isso tudo ao fato de, potencialmente, estes atletas que jogam mais de 100 vezes em menos de 8 meses na NBA poderem vir a atuar na seleção brasileira em 2012 (Olimpíadas), 2014 (Mundial via convite), 2015 (Pré-Olímpico) e 2016 (Olimpíadas). São quatro vezes em cinco anos, algo que não acontece em nenhum lugar do mundo com atletas que jogam na liga norte-americana (ainda mais com jogadores de mais de 30 anos).

rubenfinalVai ser duro, vai ser bem complexo o Pré-Olímpico devido a isso. Por isso é bem importante que coloquemos tudo em perspectiva neste momento turbulento do basquete brasileiro. Esta, reitero o ponto que falei na semana passada, era uma temporada que Rubén Magnano e seus assistentes deveriam usar para descansar os jogadores mais veteranos e testar novas peças tanto em Pan-Americano e em um Pré-Olímpico que não deveria ter validade alguma caso a CBB tivesse honrado com seus compromissos financeiros com a FIBA (leia-se pagar o convite do Mundial de 2014 na Espanha) e ratificado a vaga ao país-sede logo no começo do ano (algo que ainda não ocorreu e que só será definido entre 18 e 20 de junho).

nunes11Como não pagou o convite, como você viu em matéria exclusiva do UOL, a Federação Internacional sufoca a entidade máxima do basquete brasileiro até a última gota. Sem saber o que fazer, ou com o que contar em relação a vaga cativa, o treinador terá mesmo que tentar convocar a sua força máxima sem saber de fato o que terá em mãos devido a situação de seus atletas mais veteranos (e mais cansados).

Situação triste, lamentável, deprimente (para dizer o mínimo) e que mostra bem o nível bizarro de organização/planejamento que tem imperado na Confederação Brasileira há séculos sem que nada seja feito por ninguém por aqui (o silêncio de atletas, clubes e dirigentes da própria modalidade é bem chocante aliás).

nunes1No final das contas disputar o Pré-Olímpico em Monterrey com a obrigação de conseguir a classificação para os Jogos de 2016 não era bem o que o Brasil imaginava. Todos, incluindo aí o técnico Rubén Magnano e seu elenco (leiam a entrevista de Tiago Splitter ao site da FIBA), esperavam uma vaga cativa para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, mas, tendo em vista o imbróglio financeiro / administrativo formado com a Federação Internacional, até que tenhamos alguma mudança nesta questão o resultado terá que ser feito mesmo é na quadra.

É recomendável que a Confederação Brasileira comece a se planejar desde já.


A reta final da temporada regular do NBB – o que ainda está em jogo?
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Fábio Balassiano

nbbJá estamos quase em abril e quem acompanha as temporadas do basquete sabe como funciona. É mês de playoff, é quando começam os jogos mais importantes do ano e as grandes as histórias surgem. No NBB não é diferente. Faltando pouco menos de 20 dias para o início da pós-temporada, vamos ao que ainda está em jogo no maior torneio do país:

1) Liderança da fase de classificação -> Pode parecer pouca coisa, mas este ano terminar em primeiro na temporada regular vale muita coisa. Os playoffs continuam em melhor de cinco partidas, mas as finais mudaram de formato (melhor de três agora). Fechar na liderança é, portanto, fundamental. Apenas dois times brigam por isso (Limeira e Bauru). E a vantagem fica com os bauruenses.

guerra6Com 25-2, os comandados de Guerrinha (foto à esquerda) vêm de 22 vitórias consecutivas (recorde do NBB) e, para não depender de ninguém, se garantem na ponta caso vençam dois de seus três jogos finais (Mogi e São José em casa – Pinheiros em SP). Com 24-4, os limeirenses têm Macaé e Flamengo no Rio de Janeiro. Precisam vencer os dois e torcer para Bauru perder dois de seus três duelos (algo difícil para quem perdeu duas em TODO certame).

paco42) G4 -> Aqui, sim, a briga é bem boa. Limeira e Bauru (independente da ordem entre eles) já estão garantidos no G4 (e os quatro primeiros, lembremos, vão folgar na primeira rodada do playoff).

Restam, portanto, duas vagas aqui. Mogi, com 19-7, se garantiu também, mas tem quatro duelos longe de casa para permanecer em terceiro (Flamengo hoje, Macaé, Bauru e Franca). Resta uma equipe então. E a disputa fica entre Flamengo e Minas não apenas no aproveitamento de vitórias/derrotas, mas sim na pontuação.

neto3Com o W.O. confirmado (o primeiro da história do NBB), os rubro-negros têm 44 pontos na tabela e quatro jogos por fazer (todos em casa contra Mogi, São José, Rio Claro e Limeira). Se vencer todos fica no mínimo com a quarta colocação (brigando com Mogi pelo terceiro posto). Aos mineiros, que já merecem os parabéns pela ótima campanha até o momento, é vencer as duas partidas (Palmeiras e Pinheiros) e torcer para quatro derrotas do atual campeão do NBB para ficar com a quarta posição.

Aqui, por fim, vale um alerta. Como Bauru ao que tudo indica deve ficar em primeiro, Flamengo em quarto (algo possível) significa que os dois elencos mais fortes do país podem se cruzar na semifinal (antes da grande decisão portanto).

jamaal13) Playoffs -> Paulistano, Pinheiros, Franca, Brasília (em boa recuperação), Palmeiras e São José já estão garantidos e brigam apenas por melhores posições. Basquete Cearense, Uberlândia e Macaé lutam, portanto, pela 12ª e última vaga nos playoffs. Vamos aos cenários:

a) Com 9-17, o Macaé, do ótimo Jamaal (foto à esquerda) depende só de si. Faz quatro partidas em casa (São José, Mogi, Limeira e Rio Claro) e precisa apenas de um triunfo (algo bem possível)
b) Com 8-20, o Basquete Cearense precisa torcer contra Macaé e vencer as duas partidas que lhe restam (Paulistano e Liga Sorocabana fora) e torcer para os macaenses perderem seus quatro duelos.
c) Uberlândia tem os mesmos 8-20 dos cearenses, mas desvantagem no confronto direto. Precisam de um milagre ao vencer Pinheiros e Palmeiras em casa e uma combinação de resultados (e derrotas) de Basquete Cearense e Macaé.

rinaldo14) Rebaixamento -> Um time cai para a Liga Ouro (segunda divisão) nesta edição do NBB. Com 6-22, a Liga Sorocabana, time de Rinaldo Rodrigues (foto à direita), tem Brasília e Basquete Cearense em casa. Precisa vencer os dois jogos e torcer para Rio Claro (7-21) perder seus dois duelos (Flamengo e Macaé no Rio de Janeiro).

O que será que vai acontecer? Bauru termina mesmo como líder? Flamengo fica fora do G-4? Rio Claro ou Liga Sorocabana será rebaixado? Comente aí!

Tags : LNB NBB


Experiente, Leandrinho sonha com título e inédita final brasileira da NBA
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Fábio Balassiano

lb6Aos 32 anos Leandro Mateus Barbosa tem uma das carreiras mais frutíferas do basquete brasileiro. Único atleta do país a receber um prêmio individual na melhor liga de basquete do planeta (o de melhor reserva em 2007), ele está há mais de uma década na NBA, Leandrinho, como é conhecido, tem seis temporadas com média de mais de 10 pontos e é um dos jogadores mais respeitados e carismáticos por onde passou.

lb7Com passagem marcante pelo Phoenix Suns, onde jogou e se tornou amigo íntimo do agora aposentado Steve Nash, Leandrinho agora é reserva e peça fundamental do Golden State Warriors, melhor time da temporada 2014/2015 da NBA (58-13) e um dos maiores favoritos ao título do campeonato.

O blog conversou por email com o jogador que tem 7,1 pontos de média e é o responsável por manter o alto nível da equipe quando substitui a Stephen Curry e Klay Thompson, simplesmente os dois melhores jogadores da franquia. Na entrevista Leandrinho falou sobre os Warriors, Nash, a expectativa para uma final brasileira, seu sonho de ser campeão da NBA e, claro, seleção brasileira. Confira!

lb9BALA NA CESTA: A campanha do Golden State chega a surpreender a vocês, atletas da equipe? Não pela qualidade, mas sim por se tratar de uma comissão técnica nova, por serem dois titulares diferentes na rotação (Green e Barnes voltando a começar as partidas) e pelo estupendo começo da equipe (31 vitórias nos primeiros 36 jogos)?
LEANDRINHO: Não, jamais. Desde o início da nossa preparação nosso objetivo era fazer uma grande temporada regular. Houve alguns percalços, mas sabíamos que passaríamos por tudo como um grupo unido, focado e preparado para vencer obstáculos. Nosso excelente começo de temporada só facilitou todo o processo.

duplaBNC: A falta de experiência das duas principais estrelas do time, Stephen Curry e Klay Thompson, pode pesar nos playoffs diante de times mais experientes como Spurs e Grizzlies?
LEANDRINHO: Creio que o talento e a personalidade dos dois suprem essa possível falta de experiência. Isso sem falar no que os outros jogadores podem acrescentar neste quesito. E mais do que experiência jogo de playoff pede personalidade. Às vezes o cara tem uma rodagem incrível na NBA, uma bagagem e tanto, mas não consegue ser decisivo nos jogos grandes. É preciso ter personalidade para assumir essa responsabilidade. E isso nosso time tem isso de sobra, principalmente o Curry e o Klay.

lb3BNC: Sobre a sua temporada, o que você pode nos dizer? Ser reserva de feras como o provável MVP Stephen Curry e Klay Thompson é o papel mais difícil que você já teve na NBA justamente por não poder deixar, como você vem fazendo, a peteca cair quando eles saem de quadra?
LEANDRINHO: Com certeza é uma das funções mais difíceis da minha carreira. Talvez por tudo que passei recentemente, como as lesões e o retorno à NBA, seja mesmo o maior desafio da minha vida no basquete. Mas por outro lado, é algo que exigiu, desde o início, uma preparação muito intensa. E quando o time precisou de mim estava preparado para ajudar e ser importante. Isso me fez crescer rapidamente na equipe e me adaptar com mais facilidade ao time.

splitter1BNC: Ano passado o Tiago Splitter foi o campeão, e neste ano podemos ver dois times com brasileiros na final da NBA (em especial o próprio Tiago com o Spurs ou você com os Warriors no Oeste e o Cleveland, do Anderson Varejão, no Leste). Já pensou que podemos ter uma final brasileira no melhor campeonato de basquete do mundo? Como isso fica na sua cabeça?
LEANDRINHO: Seria histórico. Todos nós brasileiros muito para chegar até aqui e hoje nosso reconhecimento é o carinho e o apoio de todos, principalmente do povo brasileiro. O título do Tiago abriu muitas portas para o esporte no Brasil. Tenho certeza que somos exemplos para muitos garotos amantes do basquete. E isso é muito gratificante. Sem dúvida isso que você cita é uma motivação extra para todo nosso sacrifício no dia a dia.

lb8BNC: Depois de tudo o que você já passou (melhor sexto homem, destaque em playoff, lesões), chegar a uma final de NBA com os Warriors seria um prêmio imenso por tudo o que você já passou em sua vida e carreira? Como conter a ansiedade para que essa vontade que todos da equipe têm de vencer um título não atrapalhe tanto nos jogos que ainda restam na fase regular e também na pós-temporada?
LEANDRINHO: Não podemos pular etapas. Temos que viver jogo a jogo. O time está em um ótimo momento, o jogo tem encaixado, nosso entrosamento é fantástico e tudo mais. Só que ainda não ganhamos nada. E ainda estamos muito longe do nosso objetivo principal. Temos a exata noção disso. Por isso, estamos mantendo o pé no chão e nos dedicando ainda mais nos treinamentos e neste fim de temporada regular. A vontade de vencer todos têm, mas é preciso ter inteligência e planejamento. Para ganhar campeonato é preciso talento, comprometimento e estratégia.

lb2BNC: O time do Golden State é um dos mais entrosados da liga e isso é nítido não somente nos jogos, mas também fora de quadra. Analistas da NBA atribuem parte do sucesso à amizade que os jogadores mantêm. Li que vocês fazem uma brincadeira para pagar a conta nos restaurantes, onde um jogador sorteado (“Credit card roulette”) acaba tendo que arcar com tudo. Você já foi “sorteado” em um desses jantares?
LEANDRINHO: Essa é apenas uma das brincadeiras que fazemos para firmar nossa união e comprometimento. Costumamos dizer que nossa “Warriors Family'' (Família Warriors) é mais forte do que muitos pensam. E isso nos traz ainda mais entrosamento e confiança para os jogos. Você olha pro lado e confia em todos os companheiros. Sabe que eles vão correr por você, assim como você correrá por todos eles. Isso ajuda muito na hora de passar por obstáculos complicados. Fui muito bem-recebido. É um grupo fantástico, um dos mais incríveis em que já joguei e procuro tentar ajudar sempre. Fora da quadra, tento sempre motivar, incentivar eles, e, sempre que acho necessário, dar algum conselho. E ouço conselhos também. Nunca é tarde para aprender.

alex2BNC: Nos últimos anos disse que você sentiu muito a falta de fazer a pré-temporadas nos EUA, o que aconteceu desta vez. Vendo seus jogos noto você muito mais solto em termos técnicos e “voando” na parte física. É por aí mesmo? No que a pré-temporada contribuiu para que você esteja fazendo uma temporada longe de lesões graves e mantendo ótimo nível de atuações como tem feito?
LEANDRINHO: Claro. A pré-temporada é uma das mais partes mais importantes do basquete norte-americano. Na NBA, se você não se prepara para jogar a temporada da forma ideal, não aguenta o ritmo e a intensidade do jogo. Não só pelas lesões, mas por todo o contexto que cerca a NBA. Você simplesmente não irá aguentar. E estava realmente sentindo falta disso. Me preparar melhor, chegar bem física e tecnicamente ao início da temporada regular, adquirir mais confiança e ritmo de jogo. Tudo isso facilitou minha adaptação ao time e me deu mais tranquilidade para jogar o meu basquete. Para prevenir lesões e manter o meu preparo físico, sobretudo na parte final da temporada, eu conto com a ajuda do Alex Evangelista (foto à direita), fisioterapeuta brasileiro.

BNC: Em relação a parte técnica, você consegue detectar mudanças no seu jogo? O quanto daquele Leandrinho que começou na NBA há uma década está diferente do de hoje?
LEANDRINHO: Sim, consigo. Mas acredito que seja algo natural, pela rodagem que você vai adquirindo, a maturidade que seu jogo vai ganhando. É uma evolução natural do atleta. Antes eu era mais agressivo, impetuoso. Hoje procuro jogar mais com a inteligência, pensando e cadenciando mais o jogo. Você vai adaptando as suas novas características conforme o tempo passa.

lb4BNC: Boa parte do sucesso da sua equipe se deve, também, ao técnico. Como explicar o sucesso tão rápido do Steve Kerr? O cara é um treinador novato e logo no primeiro ano tem a melhor campanha da NBA, dirigiu o time do Oeste no All-Star e tem tudo para conquistar o prêmio de Técnico do Ano. Qual o segredo dele?
LEANDRINHO: O Steve é um grande treinador. Um cara estrategista, mas ao mesmo tempo bastante motivador. Parte do nosso sucesso se deve ao seu trabalho, que tem sido fantástico. Ele procura sempre ouvi o lado do atleta, não só dos mais experientes, como dos mais jovens também. Nós ficamos à vontade com ele e isso nos ajuda bastante. Ele é um cara extremamente profissional. Sempre tivemos uma boa relação e fiquei muito feliz quando soube que havia o interesse do Warriors no meu trabalho. Sabia que seria um novo desafio em minha carreira, mas apostei demais no projeto. Hoje sou muito feliz aqui.

nash1BNC: No sábado passado Steve Nash anunciou a aposentadoria e citou você como um dos melhores companheiros que ele teve em sua jornada na NBA. É possível dizer que ele foi realmente o seu maior mentor na liga?
LEANDRINHO: Sim, é possível. O cara com quem eu mais aprendi dentro e fora das quadras. Um craque como jogador e pessoa. O Steve era fantástico. Agradeço demais por ter podido conviver com ele no meu início de trajetória na NBA e ter me tornado seu amigo. Além de aprender demais com seus conselhos e dicas, ele fez o meu jogo crescer enquanto estivemos juntos. Se hoje estou onde estou, devo bastante a ele. E ele sabe disso.

lb5BNC: Um dos assuntos mais comentados nos EUA neste momento é sobre o uso das tais Analytics. Muita gente acha loucura (Charles Barkley, por exemplo) e há uma outra vertente que acredita fielmente nisso (Daryl Morey, GM do Houston). Você é um dos jogadores que há muito tempo acaba pontuando nos famosos lugares-chaves do basquete hoje (infiltrando e matando bolas de três – do corner inclusive). As estatísticas ajudam mesmo, ou há muito de exagero nisso tudo também?
LEANDRINHO: Ajudam, sim. Mas números não são tudo. Acredito num equilíbrio de fatores. Você precisa das estatísticas para estudar seu desempenho, sua evolução, mas por outro lado elas não são tudo no basquete. É preciso desenvolver suas táticas, seu plano de jogo. Lógico que, em muitos casos, você se baseia nos números, mas jamais pode ficar dependente deles para se desenvolver no esporte. Acredito muito num equilíbrio de fatores nesse caso.

phoenixBNC: É possível fazer um comparativo dos dois candidatos ao título que você já jogou – o Phoenix Suns de Nash/Marion/Stoudemire e o Golden State Warriors dos Splash Brothers (Curry e Klay)? O próprio Kerr já comparou Curry com Nash, mas a questão não é nem estilo de jogo, mas o momento que as equipes viveram. O Suns chegou em 2005/06 pronto pra brigar pelo título, Nash foi o MVP, Nash e Marion foram All Stars mas a lesão do Stoudemire atrapalhou. No ano seguinte o Suns voou, você foi o melhor sexto-homem, o time era popular e um dos favoritos ao título mas foram barrados pelo Spurs. O Warriors não joga no mesmo ritmo acelerado do Suns, mas é o melhor time da temporada, o Curry é o favorito ao MVP da temporada, Curry e Klay All Stars. Dá pra comparar os dois times de alguma maneira?
LEANDRINHO: Difícil fazer comparações. Mas são times parecidos. Não dá para dizer que aquele era mais técnico porque este é muito técnico também. Ou que este é mais veloz na transição, mais intenso, porque aquele também era ótimo nesse quesito. Lembro que muitos apostavam demais naquele time, no Nash, no próprio Stoudemire. E assim como é hoje no Warriors, éramos muito unidos, focados, comprometidos. Tivemos problemas de última hora que nos atrapalharam. Hoje acho que estamos mais preparados para situações assim. É como se tivéssemos mais alternativas para solucionar possíveis obstáculos. Acredito muito neste grupo.

lbBNC: Para fechar: o que você está esperando dos próximos passos em relação a seleção brasileira? Este ano temos Pan-Americano e Pré-Olímpico e ano que vem as Olimpíadas. Os Jogos serão a sua despedida da seleção, ou não pensa nisso ainda?
LEANDRINHO: Não gosto de ficar pensando muito no futuro dessa forma. Prefiro viver o momento, me dedicar ao máximo e honrar sempre o meu país quando for convocado. A recompensa sempre vem de acordo com a sua dedicação e o seu trabalho.


A volta por cima do Spurs – texanos voltam a ser candidatos ao título?
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Fábio Balassiano

pop2No dia 4 de março eu escrevi aqui (talvez precipitadamente) que o San Antonio Spurs não ganharia o bicampeonato da NBA nesta temporada. Ponderei que o desempenho da equipe estava muito abaixo do padrão Pop de qualidade, que as 50 vitórias de sempre estavam sob perigo e que principalmente o poderio defensivo estava abaixo da crítica. Na época os texanos estavam com 36-23, encastelados na sétima posição do Oeste e aparentemente sem muito poder de fogo para reagir.

duncan1E aí o que aconteceu do começo do mês pra cá? Obviamente para colocar o blogueiro como um maluco de primeira o San Antonio começou a ganhar sem parar. Os 36-23 se transformaram em 44-25, o sétimo lugar virou quinto e olhar para o mando de quadra passou a ser totalmente possível, viável. Ou seja: em menos de 20 dias os Spurs venceram oito de seus dez jogos, se colocaram em boa posição no Oeste e aquele basquete primoroso que conhecemos voltou a ser visto. Até conseguir as 50 vitórias ficou plausível (basta vencer seis dos últimos 13 duelos da fase regular). No domingo, diante do Atlanta Hawks, então, foi uma exibição acima da média. Os 114-95 fora de casa contra o melhor time do Leste dão bem o tom da qualidade apresentada.

kawhi1Boa parte deste sucesso atende pelo nome de Kawhi Leonard (foto à direita). MVP das finais da temporada passada, o excepcional ala se machucou no começo do campeonato, voltou em fevereiro e agora em março está jogando um basquete de altíssimo nível. Forte na defesa, ele tem força para ainda conseguir pontuar com facilidade e sem forçar arremessos. Seus números são assombrosos nas dez partidas do mês: 19,8 pontos, 54% de aproveitamento nos arremessos (40% de fora), 7,1 rebotes, três roubos e 2,6 assistências. Prova que sua agressividade é necessária aos Spurs é o volume de lances-livres que ele traz a equipe quando bate pra dentro. Só neste mês ele foi a linha fatal 47 vezes, mais do que o dobro da média da temporada passada (1,9 por noite). Com ele, não resta a menor dúvida que os texanos são um time muito mais forte em termos físicos, em agressividade ofensiva e em fluência no ataque.

tiago1Muita gente ainda torce o nariz para a evolução do time de Popovich pelo fato de os adversários destas 10 últimas partidas de fato não serem tão fortes assim. Das franquias batidas pelo Spurs, apenas Atlanta e Cleveland (uma vitória e outra derrota) têm campanha positiva. E por isso esta semana é muito importante para ver exatamente em que patamar o San Antonio, agora com Tiago Splitter (foto à esquerda) de vez como titular e jogando muito bem (23 pontos e 8 rebotes contra o Atlanta), entrará nos playoffs. Hoje e sexta-feira há o Dallas Mavericks. Na quarta-feira, o Oklahoma de Russell Westbrook. No domingo, o Memphis. Na próxima terça-feira (31/3), o Miami com Dwyane Wade voltando a jogar como Dwyane Wade.

tp9Ainda mantenho a posição que o San Antonio Spurs não ganha o Oeste e consequentemente o título da NBA nesta temporada. É arriscado, mas vejo o Golden State, Memphis e Houston um pouco acima. De todo modo, hoje em dia não dá mais para descartar a turma de Gregg Popovich. Daqui a uma semana, depois dessa turnê que inclui Dallas, Memphis, OKC e Miami pode ser que eles estejam com mando de quadra e ainda mais credenciados ao título da conferência.

O que será que vai acontecer? Comente aí!


Mesmo com reforços, Dallas despenca no Oeste – o que acontece com os Mavs?
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Fábio Balassiano

rondo1No final do ano passado escrevi aqui que o Dallas se tornava ainda mais candidato ao título ao Oeste na troca que levou Rajon Rondo ao time texano. Já era um elenco forte, com Dirk Nowitzki, Chandler Parsons, Tyson Chandler e Monta Ellis, e que se tornaria ainda mais perigoso com o ex-armador do Boston comandando as ações e reforçando a defesa de perímetro dos Mavs. Isso tudo, claro, era a teoria.

Três meses se passaram desde a estreia no dia 20 de dezembro de 2014 contra o San Antonio Spurs,e o que acontece no Dallas Mavericks não é nada tão animador assim. Os 20-8 (71%) da fase pré-Rondo se transformaram em 44-27 (61%), o que em uma conta simples mostra que a campanha com o cara está em não mais que razoáveis 24-19 (55%). Não sei se dá para fazer isso, mas com este percentual de 55% os Mavs estariam fora até da zona de playoff no Oeste (o Oklahoma, o oitavo, tem 40-30, ou 58% de aproveitamento). Antes entre as quatro primeiras da conferência, a turma de Mark Cuban despencou e está na sétima colocação (dois jogos atrás do Spurs e apenas três na frente do Thunder).

rick1Não era tão ingênuo de imaginar que logo que chegasse Rondo entenderia as coisas e faria do Dallas um time ainda melhor da noite para o dia. Óbvio que haveria uma fase de adaptação, que um tempo de ajustes seria necessário, mas creio que três meses já seja um bom tempo – e com performances não muito satisfatórias para um time que tem cinco titulares de ótimo nível técnico (Rondo, Ellis, Parsons, Dirk e Chandler). Ao que parece, o gênio indomável do camisa 9 é que fala muito sobre a queda de rendimento da equipe que também recebeu Amare Stoudemire recentemente para melhorar o banco de reservas.

rondo3Rondo reclamou de Rick Carlisle, o técnico (ambos na foto à esquerda), publicamente na primeira semana quando foi colocado no banco em um quarto período. Duas semanas depois mandou o treinador pra bem longe quando Carlisle chamou uma jogada na linha lateral que não o agradou. Quem acompanha o dia a dia da equipe conta que não há clima algum entre os dois – e que isso obviamente afeta a todos.

rondo5Não é questão de colocar Rajon Rondo como o único grande culpado da história. Em esporte coletivo, quando isso acontece todos têm um pouco de culpa no cartório, sabemos bem. Mas quem conhecia a sua história deveria imaginar que um cara que teve problema com Doc Rivers, Paul Pierce, Kevin Garnett e até Ray Allen não viraria um santo da noite para o dia – ainda mais com um dono de franquia que é conhecido por ser um dos caras mais verborrágicos da NBA.

O duro, no caso do Dallas, é que Rondo foi uma contratação durante a temporada e para fazer a equipe se tornar ainda mais perigosa nos playoffs. Não só os Mavs estão mais frágeis, como é impossível não imaginar quão mais preparados eles estariam caso a formação do começo do campeonato fosse mantida.

Rick CarlisleAgora é tarde e Rick Carlisle, o técnico, terá que lidar com isso da melhor maneira possível. Tirar Rondo de quadra pode ser ainda mais perturbador para o ambiente. Sendo o armador agente-livre ao final da temporada, o melhor a se fazer, aparentemente, é tratá-lo com muita calma pois o objetivo final ainda não está perdido.

Toronto Raptors v Dallas MavericksSe o objetivo ao trazê-lo era colocar o Dallas em condição de brigar pelo título da NBA, que os Mavs usem Rajon Rondo da maneira que ele gosta de ser usado – como o condutor do ataque, como o grande artífice do sistema ofensivo e como o cara que fica com a bola em suas mãos pela maior parte do tempo. É o melhor para um técnico que sempre gostou de movimentação de bola, de fluência no ataque? Não. Mas o Dallas tem Rondo na armação e eu acho muito difícil de eles terem sucesso com o camisa 9 em quadra de outra maneira.

Concorda comigo? Já dá para descartar o Dallas? O que aconteceu com os Mavs de uma hora para outra? Comente aí!


Ricardo Fischer, de Bauru, e Laprovittola, do Flamengo, falam de Steve nash
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Fábio Balassiano

Phoenix Suns v Denver NuggetsA esta altura dos acontecimentos você já deve saber que Steve Nash, lendário armador de Dallas, Phoenix e, vá lá, Los Angeles Lakers, anunciou a aposentadoria. Aos 41 anos, o MVP das temporadas 2005 e 2006 da NBA se retira oficialmente das quadras ao final desta temporada.

Falei sobre isso aqui ontem e fui ouvir dois dos melhores armadores do Brasil a respeito do craque. Ambos têm Nash como uma de suas referências. Ricardo Fischer, de Bauru, e Nicolas Laprovittola, do Flamengo, conversaram com o blog sobre a influência do canadense em suas carreiras, dos aprendizados e daquilo que, segundo eles, o camisa 13 fazia de melhor na quadra. Vejam só.

ric2Steve Nash foi um dos caras que me incentivaram muito a ser armador. Logo que comecei a sair de ala para me tornar armador eu via muito os jogos dele. A maneira principalmente como ele atuava em pick-and-roll, a velocidade que ele usava, aquela volta que ele dava dentro do garrafão envolvendo todos os companheiros. Era incrível. Eram passes de costas, com uma mão, pra frente, pra trás. Ele foi o pioneiro, que eu me lembre, daquele arremesso com um pé só que hoje a gente vê muito o Huertas fazendo. Tento fazer algumas vezes também, saindo de corta-luz. Outra coisa que me chamou muito a atenção foi o arremesso dele saindo dos picks. No começo dos corta-luzes ele saía arremessando, um dos primeiros a fazer isso. Foi meu ídolo, principalmente quando me transformei em armador. Ele era muito rápido, um grande passador, se dava muito bem nos picks e isso certamente me influenciou muito.

fischerInfelizmente não cheguei a conhecê-lo pessoalmente. Adorava assistir o Phoenix Suns dele. Vou te confessar que via muito os jogos, mas eu ficava atento mesmo nele e no que ele fazia para envolver seus companheiros, colocá-los em ótimas posições, essas coisas de armador. A maneira como ele liderava o time, como ele colocava principalmente o Amare Stoudemire em posição para fazer o pick-and-roll me chamavam muito a atenção. Lembro muito que ele corria em volta do garrafão e de repente ele soltava a bola de costas para o Stoudemire enterrar. Essa era a clássica dele. Outra sensacional também era quando ele batia para dentro do garrafão, jogava o corpo pra trás e arremessava em um pé só também. Essas eu lembro muito bem dele. Foi o cara que eu sempre admirei assistindo as suas partidas e é uma pena ele se aposentar. Acho que o basquete perde muito sem a genialidade dele em quadra“, Ricardo Fischer, 23 anos, armador de Bauru, campeão da Liga das Américas, da Liga Sul-Americana e MVP do Jogo das Estrelas do NBB na temporada 2014-2015.

nico“Steve Nash é, sem dúvida alguma, um ídolo para mim. Ele dominou a NBA por vários anos – e fazendo jogadas espetaculares em cada uma destas temporadas por Dallas Mavs e sobretudo pelo Phoenix Suns. Jogava muito bem e fazia, sobretudo, seus companheiros jogarem melhor, levando-os a jogar em outro nível. Isso é uma qualidade que me chama a atenção. Além disso, sempre foi muito inteligente em quadra, descobrindo os espaços e antecipando as situações de jogo com muita sabedoria.

nicoÉ isso que quero conseguir colocar em meu jogo. Conduzir a equipe e fazer meus companheiros melhorar. Vou confessar uma coisa: até hoje vejo os vídeos das partidas e das jogadas dele para aprender coisas do jogo que ele tem. Admiro muito a ele e é uma lástima imensa não poder vê-lo mais em uma quadra de basquete. De todo modo, seguramente ele deixou um legado enorme e seu nome ficará na história da NBA e do basquete. Ainda não pude conhecê-lo, mas ainda espero minha oportunidade'', Nicolas Laprovittola, 24 anos, armador do Flamengo, campeão Mundial Interclubes (foi o MVP do torneio) na temporada 2014-2015.