Bala na Cesta

Agora fora de quadra, jogadores argentinos dão outro exemplo no basquete
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Fábio Balassiano

arg1No dia 19 de julho eu comentei aqui sobre o começo de mudanças que os jogadores da Argentina exigiam na sua Confederação nacional (a CABB). Citei o ala Leo Gutierrez, que em entrevista ao Olé (aqui o texto completo) falava sobre um grupo de jogadores (Manu Ginóbili, Andres Nocioni, Carlos Delfino, Pablo Prigioni e Luis Scola) que estava absurdamente insatisfeito com os rumos da entidade portenha.

Àquela altura dos acontecimentos, porém, não era possível saber o que iria acontecer (e falamos disso no Podcast também). German Vaccaro, antigo presidente, já havia sido deposto, mas Daniel Zanni (novo mandatário) estava lá (e os atletas tampouco gostavam disso).

arg2Alguns dias se passaram, e os atletas argentinos conseguiram de fato quase tudo o que queriam. Zanni pediu para sair na segunda-feira (ainda tentou se escorar no Ministério do Esporte local, mas este já havia sido cooptado pelos jogadores lá atrás – e continuou apoiando Manu, Scola e companhia) e na noite de ontem houve uma debandada geral. Ricardo Siri, vice-presidente de Vaccaro e Zanni, não aguentou e jogou a toalha (aqui). Além dele, outros seis dirigentes (alguns deles ligados às finanças da CABB, que deve cerca de 20 milhões de pesos – R$ 5,4 milhões) não fazem mais parte da entidade desde esta terça-feira.

arg3O 29 de julho, portanto, é um dia histórico para o basquete argentino. Tanto quanto aquele 28 de agosto de 2004, data em que os hermanos venceram a Itália por 84-69 para se sagrarem campeões olímpicos. Nesta data Ginóbili, Scola e seus companheiros alcançaram o grau máximo de consagração que qualquer atleta pode obter. Se é que é possível, ontem eles conseguiram uma glória diferente, mas tão ou mais importante. Os argentinos mostraram que são bons também fora de quadra. São bons jogando, são bons atuando como seres politizados. São bons com a bola na mão, são bons com a cabeça pensando. Nesta terça os platenses alcançaram algo raríssimo, algo bem difícil de acontecer. Ultrapassaram, em termos de idolatria, a esfera que atuam (esportiva) e passaram a ser geniais também como cidadãos de um país massacrado por gestões ruins não só no esporte. É, sem dúvida, um grande exemplo à Argentina e também ao mundo (esportivo ou não). E isso é tão lindo quanto raro de ver.

Ainda não se sabe exatamente o que de fato acontecerá na CABB, mas está muito claro que irá dirigir o basquete do país apenas dirigentes aceitos/chancelados pelos atletas. Se não tiver o aval deles, nada feito. E isso é maravilhoso, de verdade mesmo.

tiago1O que choca mais, para quem é brasileiro e defende mudanças tão grandes na Confederação Brasileira de Basketball quanto as que estão sendo pedidas por Ginóbili e companhia na CABB (transparência, boa gestão, fim das dívidas e projetos consistentes de basquete), são as palavras proferidas por atletas brasileiros ao repórter Daniel Neves, aqui do UOL. Daniel foi falar com eles ontem à noite no treino da seleção em São Paulo e ouviu isso (muita atenção):

“É uma questão complicada. Eles [na Argentina] realmente tiveram muitos problemas com a Confederação. Não tem a fiscalização que temos aqui na CBB, que é toda auditada. É uma situação totalmente diferente. Temos a nossa Confederação muito mais analisada do que a deles'', Tiago Splitter (foto à esquerda).

“Para fazer esse julgamento (sobre os números da CBB) teria que ter acesso a todos os dados. Não tenho acesso a isso. A gente conversa, o Guilherme [Giovannoni] é o presidente da Associação de Jogadores. Mas entendemos que a Eletrobrás saiu [como patrocinadora] da Confederação e isso foi uma situação complicada de se administrar'', afirmou Machado.

gui1“Estou olhando meio por cima o que está acontecendo [na Argentina]. Provavelmente neste fim de semana eu terei um encontro com o presidente da Associação de Atletas deles no Rio. Nós nos encontraríamos por outros motivos, mas vou aproveitar para saber mais a fundo o que está acontecendo. Acho importante que os atletas [da Argentina] estejam tentando melhorar a modalidade, assim como estamos tentando fazer a mesma coisa por aqui'', Guilherme Giovannoni (foto à direita), presidente da Associação de Atletas (AAPB).

Não gostaria de comentar, mais uma vez, sobre isso, mas vamos lá:

1) Sobre o que Tiago Splitter fala, então só porque há uma auditoria que comprova que não há irregularidade (e de fato não há nada comprovado mesmo) nada pode ser exigido em termos de mudanças estruturais na CBB? Jura que é assim que se pensa? Políticos ruins podem continuar navegando tranquilos simplesmente porque não fazem nada ilícito? Achei que competência era um atributo necessário para permanecer no cargo (em qualquer cargo). Apenas para refrescar a cabeça do pivô campeão da NBA. Quando da divulgação do Balanço Financeiro de 2013 da Confederação, os AUDITORES que fiscalizavam as contas disseram o seguinte: “Há evidências de riscos na continuidade normal das atividades da entidade. A entidade vem apresentando déficits sucessivos e, consequentemente, seu patrimônio líquido está negativo, passivo a descoberto. A administração da entidade deve planejar e/ou buscar alternativas de curto prazo para reverter esta situação”. Se a Auditoria, a quem Splitter exalta, diz isso significa que de fato transformações (em gestão) são necessárias. O grave do raciocínio de Tiago é que ele acaba pregando a completa manutenção do status quo. Nem Carlos Nunes esperava por um aliado assim tão forte, viu…

marcelo2) Sobre o que Marcelinho Machado (foto à esquerda) diz, desculpe, mas beira a piada (talvez seja). Ele é um dos diretores da Associação de Atletas. Se ele não tem conhecimento dos números, quem terá? Se ele não tem conhecimento dos números, como, através da AAPB da qual ele faz parte, votou a favor da aprovação das contas de 2013? Estranho isso, não? Seu argumento, pobre e raso, sobre a saída da Eletrobrás esquece que, de novo, a CBB cresceu em receitas (de R$ 25,7 em 2012 para R$ 27,2 milhões em 2013)? Será que Marcelinho sabe que o Ministério injetou R$ 14 milhões na entidade máxima, equilibrando, assim, as finanças da mesma? Um cidadão com quase 40 anos, o mais experiente dessa geração, proferir palavras assim fala muito sobre como pensa a maioria dos atletas do basquete brasileiro. Triste, viu…

gui13) Sobre o que o Sr. Guilherme Giovannoni (foto à direita) diz, gostaria de, amistosamente, alertá-lo do seguinte: NÃO é a Associação argentina de atletas que está por trás das mudanças exigidas na Confederação local (e isso foi dito pelo próprio Gutierrez ao Olé). Manu Ginóbili e Luis Scola fizeram questão de não envolver atletas que atuam no país justamente para não expor a turma a uma guerra desnecessária. Manu e Scola vivem 10 meses foram de seu país e não sofreriam retaliações (mais uma tacada certeira deles). Sobre a declaração “Estou olhando meio por cima o que está acontecendo (na Argentina)'', eu juro que prefiro não comentar muito. É muito surreal pra mim. O cara é presidente de uma Associação e se posiciona assim? É sério isso?

Desculpem o pessimismo (ou realismo), mas pensar em mudança no basquete brasileiro com atletas assim tão conformados é impossível. É um devaneio imaginar que com um grupo tão alinhado a favor da Confederação Brasileira as transformações pelas quais a modalidade deve (ou deveria?) passar acontecerão. E uma Confederação, é sempre bom lembrar, que afunda o país há quase 20 anos (seja em resultados internacionais pífios, seja em dívida crescente, seja na falta de qualquer projeto para o crescimento da modalidade por aqui). A posição (ou falta dela) que os jogadores tomam é absolutamente inversa ao momento pelo qual o basquete brasileiro passa há anos, vocês vão me desculpar. E assim os dirigentes vão ficando, ficando, ficando…

arg4Ah, só lembrando: o PRINCIPAL motivo do motim dos hermanos foi a gestão financeira “horrorosa'' (palavras de Scola) da entidade máxima do basquete do país. Aí a gente olha os números e detecta que a dívida da CBB (R$ 9,5 milhões até o final de 2013) é quase duas vezes maior que a  da CABB na Argentina (R$ 5,4mi). Lá nove dirigentes foram EXPULSOS por atletas. Aqui Nunes e seus companheiros são afagados constantemente por jogadores. Precisa falar mais?

E você, o que está achando disso tudo? Espera que os atletas brasileiros fizessem algo? Ou já dá pra perder as esperanças? Comente!


Com desfalques, EUA começam preparação para Copa do Mundo
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Fábio Balassiano

mike1Os Estados Unidos se apresentaram nesta segunda-feira em Las Vegas para se preparar para a Copa do Mundo da Espanha. E se apresentaram com muitos desfalques.

Kevin Love, Russell Westbrook e Blake Griffin pediram dispensas. Carmelo Anthony, LeBron James e Kobe Bryant, por sua vez, já haviam avisado que não iriam jogar a competição. Sendo assim, os convocados do técnico Mike Krzyzewski que começaram a treinar foram:

Armadores: Stephen Curry, Damian Lillard, Derrick Rose, Kyrie Irving e John Wall
Alas: Chandler Parsons, Paul George, Kyle Korver (leia mais sobre ele aqui), Bradley Beal, DeMar DeRozan, Kevin Durant, James Harden, Gordon Hayward, Klay Thompson
Pivôs: Paul Millsap, DeMarcus Cousins, Anthony Davis, Andre Drummond e Kenneth Faried

rose1Apenas como comparação, em 2010 no Mundial da Turquia o elenco era: Billups, Durant, Rose, Westbrook, Rudy Gay, Andre Iguodala, Danny Granger, Stephen Curry, Eric Gordon, Love e Tyson Chandler.

Ninguém aqui é maluco de dizer que é um time fraco, ruim ou algo do gênero. Mas que está longe de ser um esquadrão, como foram os de 2012 e 2008 (nas Olimpíadas), isso me parece claríssimo. De todo modo, é um elenco de respeito e Coach K certamente saberá escolher seus 12 para a Copa do Mundo.

A grande expectativa fica por conta de Derrick Rose (ele na foto à esquerda com Tom Thibodeau, assistente de Coach K). O armador do Chicago Bulls, que vem de duas lesões seguidas no joelho, parece estar bem mais forte em termos físicos e disputará a sua primeira competição desde que se machucou em novembro de 2013 em uma partida contra o Portland (veja mais aqui).

serge1Grande rival dos Estados Unidos, a Espanha, dona da casa, está assim convocada pelo técnico Juan Antonio Orenga:

Armadores: José Manuel Calderón, Ricky Rubio, Sergio Llull e Sergio Rodríguez.
Alas: Juan Carlos Navarro, Rudy Fernández, Víctor Claver e Alex Abrines
Pivôs: Felipe Reyes, Pau Gasol, Marc Gasol e Serge Ibaka (foto à esquerda)

E aí, o que esperar dos americanos? Será que a Espanha pode batê-los? Ou o time de Coach K continua quase impossível de ser batido? Comente!


No sufoco, Brasil conquista bronze no Sul-Americano e vai ao Pan-Americano
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Fábio Balassiano

neto1Terminou o Sul-Americano para a seleção brasileira nesta segunda-feira na Venezuela. No sufoco, sem jogar bem, “dormindo'' no começo do último período e permitindo a reação do rival, mas terminou com a vitória contra o Uruguai por 66-61. Foi mais uma partida melancólica do time de José Neto, que fez apenas nove pontos nos dez minutos finais e chegou a ver o rival empatar a partida em 61 quando restavam dois minutos, um susto danado, mas no final a vaga no Pan-Americano veio (e seria uma catástrofe se ela não viesse) e isso é um mérito do time que lá esteve.

De todo modo, é bom não comemorar muito (como fez o narrador do Sportv de maneira bizarra). O que se viu na Venezuela foi feio, muito abaixo do aceitável. Nos três jogos que valiam (Argentina, Venezuela e Uruguai), NENHUMA boa atuação (há muito tempo eu não via um ataque tão estático, de verdade mesmo). O único que se salvou na competição foi Rafael Luz (foto abaixo à esquerda), armador alto, com ótima defesa, boa leitura de jogo e frieza necessária para definir as jogadas com inteligência. Rubén Magnano deveria olhá-lo com carinho e carimbar seu (dele) passaporte para a Copa do Mundo da Espanha imediatamente, isso sim.

luzNos três jogos que valiam, em NENHUMA partida o Brasil conseguiu chegar aos 70 pontos (e contra adversários que estão longe de ser uma potência – a Argentina também foi com sua equipe B). Na soma das três pelejas, assustadores 15/75 da linha de três pontos (20% de aproveitamento). Nos 12 períodos, em apenas dois a seleção conseguiu superar a marca dos 20 pontos. Na média 63 pontos/jogo ou 1,58 ponto por minuto, índices baixíssimos. Nas três pelejas, 101 chutes de dois pontos e 75 de três. O primeiro com 55% de acerto. O segundo, com 20%. É possível explicar a insistência por algo que não estava dando certo? Não mesmo…

O padrão tático apresentado pelo Brasil no Sul-Americano, portanto, foi paupérrimo – tanto ofensiva quanto defensivamente. José Neto, técnico tão bom no NBB, desta vez ficou devendo bastante no quesito padrão de jogo e (principalmente) na leitura das situações que estavam ocorrendo na quadra (algumas substituições/formações foram realmente impossíveis de entender). A falha de se jogar contra marcações por zona atacando-as apenas com bolas longas, algo tão recorrente quanto irritante, também é imperdoável e não pode passar batida, não.

raulMais do que isso. Verificou-se de novo aquela pane mental que cega times brasileiros de basquete há anos. Em vários momentos a seleção “dormiu'' em quadra. Em vários momentos o nível de confiança vai abaixo da linha do Pré-Sal. Em muitos momentos parece que os atletas não têm a menor noção do que deve ser feito. E não parece, mas isso faz parte do treinamento técnico, tático e psicológico (ou da falta do bom treinamento em cada uma destas esferas).

Há maneiras e maneiras de se atingir um objetivo. O Brasil conseguiu o seu (objetivo). Só não conseguiu da maneira que um elenco bom poderia ter conseguido. Se dos males de fato foi o menor (não ter ficado com a vaga no Pan-Americano seria um desastre), não dá para se contentar com tão pouco. A turma que só analisa resultado (a turma simplista, minimalista, reducionista ou míope, como queira chamar você, leitor) pode ter aprovado. Quem procurar enxergar como ele (o resultado) foi obtido quer um pouco mais que isso e anseia por qualidade (é uma bobagem querer resultados de qualquer maneira).

trioUm país com aspirações de retornar ao patamar mais alto da modalidade (se é que a turma cebebiana deseja isso mesmo, mas vamos crer que sim) precisa se acostumar a vencer, mas a vencer jogando bem, convencendo, passando por cima de adversários ruins como são os casos de Uruguai e Venezuela (um batido com dificuldade e outro que bateu o esquadrão brasileiro).

Não foi dessa vez. Que as lições de mais uma competição ruim da seleção sejam aprendidas por José Neto, atletas e CBB.

Viu os jogos da seleção brasileira no Sul-Americano? Qual a sua análise? Comente!


Podcast fala sobre o começo dos treinos da seleção visando a Copa do Mundo
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Fábio Balassiano

A seleção masculina que vai para a Copa do Mundo da Espanha treinou a semana passada em São Paulo, e agora está prestes a jogar seus primeiros amistosos no Rio de Janeiro contra Angola e Argentina (aqui mais informações). Sobre a do Sul-Americano, que conseguiu a proeza de perder da Venezuela na semifinal e hoje disputa o bronze e a vaga no Pan-Americano contra o Uruguai (19h) falo mais amanhã, ok.

No Podcast dessa semana Pedro Rodrigues e eu analisamos o time de Rubén Magnano e falamos, também, sobre os protestos que estão ocorrendo na Argentina, cujos jogadores estão desesperados para mudar a gestão/administração da Confederação local.

Se preferir, o link direto está aqui. Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem muito e bom programa!


Brasil perde da Argentina e expõe, de novo, suas deficiências
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Fábio Balassiano

trioNeste sábado, na Venezuela, o Brasil jogou contra a Argentina naquele que (de fato) foi o primeiro jogo realmente válido no Sul-Americano. E a seleção de José Neto não foi bem. Perdeu dos hermanos por 64-59, se classificou em segundo lugar e enfrentará neste domingo a Venezuela (21h30, com Sportv) pela semifinal. Pior do que o resultado foi a forma como mais um revés diante dos platenses veio.

O Brasil fez um primeiro tempo horroroso (apenas 27 pontos), e só não foi para o intervalo perdendo de mais porque a Argentina tampouco jogou um bom basquete. Fez 29, venceu por apenas dois e a sensação que tínhamos é que a peleja ia caminhar para uma partida tenebrosa. Mas o segundo tempo veio, a seleção de Neto jogou MUITO bem (19-8) e teve até que bom controle do jogo. A instabilidade, no entanto, bateu à porta, os hermanos viraram logo no começo do último período e um chute final de Selem Safar definiu o confronto a favor dos platenses.

Antes da análise em si, alguns números importantes: rebotes ofensivos (14 x 3 para o Brasil); pontos através de rebotes ofensivos (10 x 6 pró-Brasil); pontos dentro do garrafão (24 x 22 para… a Argentina); erros (17 x 14 pró-Brasil); e bolas três (6/29 pro Brasil x 5/23 pra Argentina).

argentinaEstá claro o que aconteceu, não? Apesar de ter um elenco com potencial físico MUITO maior que o dos argentinos, o Brasil não conseguiu traduzir tamanha superioridade física (Hettsheimer, Felício, Mineiro, Augusto Lima e Jefferson William) em pontos perto da cesta (com aproveitamento alto). Preferiu-se, mais uma vez, o tiro de risco, o tiro longo, o tiro de três (mesma quantidade de bolas internas e do perímetro – 29). E mais uma vez jogando contra defesa por zona uma seleção brasileira só soube fazer uma coisa – atirar de três. Como se esta fosse a única maneira de se jogar contra marcações assim.

Não é, nunca foi e qualquer time que tenha um mínimo de treinamento adequado para este time de estratagema defensivo sabe sair de uma forma menos arriscada que bolas longas (em nenhum momento se vê um passe do pivô de cima para o de baixo, um ala na linha do lance-livre para aproveitar o desequilíbrio defensivo que há entre as “linhas'' da zona ou infiltrações que, aí sim, gerem arremessos de três sem pressão do rival).

E o que se viu do outro lado? Um time fraco em termos técnicos, absurdamente fraco em termos físicos mas fenomenalmente bem treinado e sabedor de suas potencialidades e deficiências. A Argentina (esta Argentina) está longe de ser um primor, mas soube jogar em cima de suas qualidades e no erro (tático e mental) do Brasil. Levou o jogo para aquela “cinzenta'' zona mental do jogo, aquela dos três minutos finais, e aniquilou o Brasil com uma defesa pressionada e com uma jogada final que gerou um arremesso LIVRE de Safar.

rafael1O que isso significa esta derrota de sábado? Para o Sul-Americano, pouca coisa. O Brasil joga contra a Venezuela neste domingo, tem boa chance de vencer para se classificar à final e quem sabe se reencontrar com os hermanos. O problema é que as deficiências da maneira-brasileira-de-pensar-e-jogar-basquete foi escancarada mais uma vez. Mais uma vez os hermanos esfregaram na cara de seu vizinho que basquete se ganha principalmente com a cabeça.

Como sempre, o Brasil perde na capacidade de leitura de jogo e na “inteligência emocional'' para se manter frio em momentos decisivos (ou na falta destes dois aspectos). O problema é muito mais grave que apenas uma bola certa na cesta ou outra. É concepção de jogo, treinamento de base, formação de atletas e treinadores. Time brasileiro é MUITO mais atlético que qualquer um deste Sul-Americano, e não consegue traduzir a superioridade física em pontos perto da cesta simplesmente porque insiste em fazer um jogo que não existe mais já há 30 anos pela maior parte do tempo da peleja (arremessando bolas de três tresloucadamente). Pega um time organizado e aí o que acontece? Se enrola, não consegue fazer 60 pontos e perde para alguém que consegue se manter com cabeça fria mesmo com um time pior em termos técnicos.

Elementar, não? Até quando vai ser assim?


Após dois ‘treinos’, seleção enfrenta Argentina hoje no Sul-Americano
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Fábio Balassiano

neto1Como era de se esperar, foram dois treinos os primeiros jogos da seleção brasileira masculina adulta no Sul-Americano da Venezuela. O time de José Neto venceu Paraguai na estreia de quinta-feira (73-56) e ontem bateu o Equador por 106-54 para garantir vaga na semifinal da competição. Hoje, porém, às 19h (Sportv exibe), há um jogo realmente pra valer, realmente que vale dizer que é um teste de verdade (e valendo o primeiro lugar do grupo).

Do outro lado da quadra estará a Argentina, que também bateu os fáceis rivais e que conta no elenco com figuras conhecidas do basquete brasileiro como o armador Nicolas Laprovittola (Flamengo), Marcos Mata (novo reforço de Franca), Juan Figueroa (também de Franca) e Pablo Espinoza (ex-Macaé). Além deles, vale ficar de olho no ótimo Marcos Delia, ala-pivô que tem tudo para se firmar na seleção principal platense.

mineiroPelo lado brasileiro, vale ver como será a apresentação dos comandados de José Neto. Não vi muito do jogo contra o Equador, mas dos momentos que vi contra o Paraguai o time não jogou de forma excelente (e nem dava para esperar o contrário devido ao nível do adversário). De fato é hoje mesmo que começará a ser bem avaliada essa seleção, com suas peças que poderão ser incorporadas ao time que já está treinando com Rubén Magnano em São Paulo.

No outro grupo, Venezuela e Uruguai se enfrentam depois de Brasil e Argentina na mesma situação – ambos têm duas vitórias e disputam o primeiro lugar da chave. Os quatro já estão nas semifinais que acontecerão no domingo, faltando definir apenas os confrontos que serão disputados. Os três primeiros garantem lugar no Pan-Americano de Toronto (2015) e estes quatro já se garantiram no Pré-Olímpico de 2015.

Vai acompanhar a peleja? O que está esperando? Será que o Brasil vence?


Cavs quer trocar Wiggins, 1º do Draft, por Kevin Love – o que você faria?
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Fábio Balassiano

love1Desde o começo da semana a imprensa norte-americana se refestela em rumores envolvendo o nome de Kevin Love (foto à direita) na NBA. O ala, insatisfeito ao cubo em um Minnesota que, em sua cabeça, não conseguiu cercá-lo de talento (até hoje o camisa 42 não disputou playoff em sua carreira), disse que não ficará lá quando seu contrato expirar (pós-campeonato de 2014/2015) e por esta razão o Wolves tem ouvido algumas propostas em relação ao seu melhor jogador (ativo).

Não vou nem entrar no mérito sobre a falta de capacidade do Minnesota em cercar Kevin Love com talentos realmente impactantes, de quão insano é perder um jogador com a sua capacidade. Este é um papo para outra hora. Por ora, três times surgem como pretendentes a fisgar o ala-pivô: Golden State (que não parece inclinado a enviar o excelente Klay Thompson), Chicago Bulls (que teria oferecido meio mundo – Nikola Mirotic + Taj Gibson + Doug McDermott) e Cleveland (que cederia Andrew Wiggins + Anthony Bennett).

wiggins1Vale, no momento, a discussão que está rolando nos EUA: será que é inteligente da parte do Cavs ceder Andrew Wiggins (foto à esquerda), o primeiro pick do Draft de 2014, por Love? Wiggins não tem 20 anos, apresentou-se bem na Liga de Verão e mostrou que parecer ser um jogador que brilhará na NBA em um curto período.

Mesmo assim, antes de responder à pergunta acima vale dar uma olhada nos últimos picks #1 do Draft da NBA. Preparados? Separei desde 1998. Anthony Bennett (2013), Anthony Davis (2012), Kyrie Irving (2011), John Wall (2010), Blake Griffin (2009), Derrick Rose (2008), Greg Oden (2007), Andrea Bargnani (2006), Andrew Bogut (2005), Dwight Howard (2004), LeBron James (2003), Yao Ming (2002), Kwame Brown (2001), Kenyon Martin (2000), Elton Brand (1999) e Michael Olowokandi (1998).

dupla1O que isso, de fato, quer dizer? O óbvio. Que ser o primeiro escolhido na concorrida seleção do Draft não garante nada no mais concorrido ainda mercado da NBA. Derrick Rose é um craque de bola, seria um dos 10 melhores jogadores do planeta se estivesse em atividade, mas se lesionou com gravidade duas vezes. Elton Brand JAMAIS jogou uma final de conferência na vida. Olowokandi nunca passou de um blefe. Há, portanto, casos e mais casos. E o futuro é SEMPRE incerto.

Love tem seis anos de experiência na NBA, cinco temporadas com duplo-duplo de média e uma crescente evolução também em chutes de fora. Tornou-se um dos jogadores mais completos (ofensivamente falando) da liga, é um All-Star e precisa dar o próximo passo (disputar jogos de playoff). Seria, então, o casamento perfeito – alguém que precisa de um time forte, e um time forte precisando de um jogador excelente para se tornar um timaço.

jea 0101 wild heatPor esta razão eu, se fosse gerente-geral do Cleveland Cavs, não teria dúvida: eu cederia Wiggins por Kevin Love (produto pronto, excelente jogador já consumado na liga, sem dúvida alguma) se o atleta do Wolves assinasse a extensão contratual.

Love formaria com LeBron James (os dois jogaram juntos as Olimpíadas de 2012, em Londres, pelo time dos Estados Unidos) e Kyrie Irving um dos melhores trios da NBA e colocaria, de cara, a franquia em posição de vencer o Leste e disputar o título da temporada 2014/2015. Com Wiggins o processo será certamente mais demorado (e não por culpa dele, mas sim por conta de sua idade e falta de experiência, naturais a um novato) e sabe-se lá que tipo de jogador o canadense se tornará.

Oklahoma City Thunder v Minnesota TimberwolvesPode parecer insano de minha parte, mas é só analisar a conjuntura toda. LeBron James voltou a Cleveland por um motivo: dar um título à cidade. E o que o Cavs deve fazer por ele? Cercá-lo, o mais rápido possível, com o maior número de talentos disponíveis no mercado. Pensando em como está configurado o Leste (muito aberto, sem um favorito destacado), é hora de dar uma cartada pesada em busca de alguém que possa chegar para dividir, de cara, a responsabilidade com LeBron. O melhor, e mais disponível, nome do mercado chama-se Kevin Love e a turma de Ohio deveria brigar para tê-lo em suas fileiras.

Concorda comigo? Se você fosse o Cleveland, trocaria Andrew Wiggins por Kevin Love? Comente!


Por vaga no Pan e no elenco do Mundial, Brasil estreia no Sul-Americano
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Fábio Balassiano

neto1Começa hoje às 19h contra o Paraguai o Sul-Americano de basquete masculino na Venezuela (site oficial do torneio aqui). Pelo que se pode ver no site do canal, o Sportv irá transmitir a competição (mais aqui), mas é impossível saber mais que isso, visto que até ontem à tarde o site da Confederação Brasileira não informava os horários dos jogos do Brasil com precisão (mais aqui).

De todo modo, a competição pode não parecer grande, mas vale muita coisa para o time de José Neto (foto à direita), cuja convocação inicial foi assim analisada por mim aqui.

O Brasil, cujo elenco final está aqui, fica no Grupo A e enfrenta na primeira fase Paraguai (24/7), o Equador (25) e a Argentina (26). No B estão Chile, Peru, Uruguai e Venezuela. Os dois melhores de cada chave avançam às semifinais, e os três primeiros colocados do Sul-Americano se classificam para os Jogos Pan-Americanos de Toronto em 2015, enquanto os quatro primeiros garantem a vaga no Torneio Pré-Olímpico das Américas do próximo ano.

time2Para a seleção brasileira vale, portanto, algumas coisas. Vale uma das três vagas para os Jogos Pan-Americanos de 2015 (véspera de Olimpíada, portanto). Vale, também, vaga no Pré-Olímpico do próximo ano. Eu sinceramente não creio que o país-sede fique fora dos Jogos Olímpicos, mas sabe-se lá que critério da FIBA usará depois das críticas a gestão Carlos Nunes que houve no começo deste ano (mais aqui).

Além das duas vagas, o país, que pagou um mico danado na Copa América de 2013 e por isso teve que PAGAR por um convite ao Mundial da Espanha deste ano, sabe que não pode derrapar novamente em uma competição cujo nível técnico está longe de ser alto. Para o COB, Ministério do Esporte e para quem ainda acompanha basquete seria péssimo um resultado pouco favorável na Ilha de Margarita, onde será jogado o certame sul-americano. E certamente foi nisso que pensou Neto ao convocar uma equipe “cascuda'', recheada de jogadores experientes. Não é, de fato, momento para fazer muitos testes e nem creio, ainda, que as derrotas recentes em torneios preparatórios preocupem tanto assim (veja mais aqui).

hetts1Para os atletas, vale, além da chance de vestir a camisa da seleção, o sonho de jogar o Mundial da Espanha no time que já está treinando com Rubén Magnano em São Paulo (mais aqui). Com 10 jogadores no elenco, o técnico da seleção precisará convocar no mínimo mais dois atletas para chegar ao elenco (final) de 12 que jogarão o torneio. Pode ser, ainda, que Magnano chame mais de dois atletas e faça os cortes mais para frente, que isso fique claro.

Um bom exemplo é Rafael Hettsheimeir (foto à direita), pivô recentemente contratado por Bauru, uma das peças fundamentais no Pré-Olímpico de 2011 e um dos que mais devem se beneficiar do Sul-Americano para mostrar que, depois de uma temporada hesitante no Málaga, tem condição, sim, de estar nos 12 de Magnano para o Mundial.

Por isso tudo vale a pena ficar ligado no Sul-Americano. Pela vaga no Pan e no Pré-Olímpico, e principalmente para saber quais serão os outros chamados por Magnano para integrar o time que já está treinando em São Paulo visando o Mundial da Espanha.

Vai acompanhar os jogos da seleção de José Neto? O que está esperando? Algum atleta em especial te chama a atenção? Comente!


Desvendando a permanência de Carmelo Anthony no Knicks
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Fábio Balassiano

melo1Falei um pouco sobre a permanência de Carmelo Anthony no New York Knicks no Podcast desta semana (ouça aqui), mas acho que vale voltar ao tema. A pergunta básica é: por que alguém prefere ficar neste Knicks (ainda) remendado ao invés de buscar um título (algo plausível) com o Chicago Bulls?

A resposta, que nem foi minha, mas de Carmelo mesmo, atende por um só nome: Phil Jackson (o grande ganhador dessa história toda, diga-se). Anthony disse em entrevista recente que o motivo pelo qual ele decidiu permanecer com a franquia que defende há quatro temporadas foi justamente acreditar nas tacadas que o novo Presidente de Operações dará a partir de agora. Se eu fosse ele provavelmente teria me mudado para Illinois, me juntado a Derrick Rose, Pau Gasol e Joakim Noah, mas ninguém pode culpar Melo por tentar vencer no time do seu coração – e como peça-chave para isso.

pj1Todos os seres humanos que gostam de basquete neste planeta sabem que a primeira associação que se faz o nome de Phil Jackson (foto à direita) é com um anel de campeão. E não poderia ser muito diferente. São 11 títulos como técnico, dois como jogador (no próprio Knicks) e um conhecimento imenso do esporte. É nisso que confia Carmelo (e não dá pra dizer que ele está errado, obviamente). Só que Melo, PJ e Derek Fisher (o novo técnico novo – os dois de terno na foto abaixo) sabem que disputar títulos não será algo que virá da noite para o dia.

Ao que tudo indica, esta será uma temporada “perdida'' (e todos ali parecem saber disso). O campeonato de 2014/2015 ainda reserva aos Knicks uma das maiores folhas salariais da NBA (mais de US$ 84 milhões, US$20mi acima do teto da liga), um elenco completamente desbalanceado e jogadores que estão longe de ter o perfil que Phil Jackson gosta (os exemplos mais claros são os de JR Smith e Andrea Bargnani). A grande vantagem para os nova-iorquinos é que dois dos três maiores salários são expirantes (de Amare Stoudemire e do próprio Bargnani), ou seja, terminam ao final deste certame. Além disso, a franquia conseguiu o armador Jose Calderón na troca de Tyson Chandler. O espanhol é muito bom jogador, e nem ganha muita grana assim (US$ 21mi pelos próximos três anos). Ou seja: para 2015, com menos de US$ 40 milhões comprometidos até agora, a chance de ir com força no mercado de agentes-livres é imensa. E é nisso que confiam tanto Carmelo Anthony quanto Phil Jackson.

dupla1Será necessário ter muito boa lábia e alguém do outro lado da linha a topar, mas Jackson pode tentar, ainda, despachar Stoudemire, Bargnani, JR Smith (este principalmente, pois ele pode renovar para 2015/2016 caso queira) por picks de Draft nos próximos anos, mas isso ainda é improvável e, como disse, não depende apenas do Mestre Zen. No momento, vale mesmo é desenvolver os calouros Thanasis Antetokounmpo (irmão do ótimo ala do Bucks) e Cleanthony Early, recrutados em 2014, e Tim Hardaway Jr. (muito bom jogador, com potencial físico imenso e com bom jogo de pés para a marcação).

Por isso a temporada 2014/2015 da NBA será de aprendizado para todos no Madison Square Garden (principalmente para as três peças mais importantes deste tabuleiro). Para Carmelo, ver um novo sistema de jogo em que ele não precisará ficar tanto tempo com a bola. Para Derek Fisher, em seu primeiro campeonato como técnico, sentir o tamanho da diferença entre jogar e dirigir. Para PJ, para ver se ele realmente se adapta a uma função diferente da que esteve acostumado durante 25, 30 anos.

Milwaukee Bucks v New York KnicksSerá necessário ter paciência neste começo, mas a tendência é que as arestas se aparem e que todos por ali se entendam (como em quase todos os elencos montados por Phil Jackson). Se os Knicks não são talentosos no primeiro ano da gestão Jackson, o futuro (com liberdade na folha salarial, um animado mercado de 2015 e todos os picks em suas mãos) me parece bem mais animador do que aquele que se apresentava dias atrás. E o melhor de tudo para os nova-iorquinos: com Carmelo Anthony no elenco.


Após amistosos, Seleção Feminina fica um mês sem treinar – é sério
Comentários 14

Fábio Balassiano

zanon1Dá uma preguiça danada escrever sobre este (recorrente) assunto, mas vamos lá. No dia 27 de maio a Confederação Brasileira de Basketball anunciou no site oficial a lista da seleção feminina adulta que viajaria para três amistosos no Canadá. Seria o começo da preparação para o Mundial da Turquia que acontecerá entre 27 de setembro e 5 de outubro.

O time se apresentou ao técnico Luiz Augusto Zanon em 19 de junho, treinou menos de uma semana, viajou  e  jogou contra as canadenses (e perdeu as três, como disse aqui) entre 26 e 28 do mês.

lauren1Em qualquer lugar do mundo (normal, claro) o time teria uma mísera folga e voltaria a se apresentar visando o Mundial da Turquia. A Austrália, por exemplo, treina sem interrupção desde o COMEÇO DE MAIO. Duas de suas principais estrelas, Liz Cambage e Lauren Jackson (esta recuperando-se de uma lesão no joelho – na foto à direita), optaram, inclusive, por não jogar a WNBA para treinar com a equipe nacional (e aqui não vai nenhuma crítica a Érika, Damiris e Nádia, por favor – só quis citar as australianas para mostrar a seriedade da Confederação local). A Espanha, por sua vez, fará três séries de treinos antes da apresentação geral do grupo, que terá uma pancada de amistosos a partir de agosto (veja mais aqui).

E sabem o que a seleção brasileira feminina está fazendo no momento? Nada. Sim, é isso mesmo que você leu. Nada. Depois dos três amistosos em solo canadense ainda não saiu sequer a convocação para a próxima fase de treino. Há um Sul-Americano antes do Mundial (começa em 14 de agosto no Equador) e até o momento nem lista há. De acordo com Zanon, com quem conversei ontem rapidamente, a perspectiva é que as convocadas sejam anunciadas e passem a treinar em 3 de agosto. Ou seja: de 28 de junho (data do último amistoso no Canadá) até a (prevista) apresentação das atletas terá se passado no mínimo um mês. O que estarão fazendo essas meninas neste período? Treinando em seus clubes? Alguém está monitorando? Ninguém da CBB saberá dizer.

zanon1Beira o amadorismo este tipo de coisa, vocês vão me desculpar (e disse isso a ele). Elogiei Zanon pela coerência na convocação de um grupo jovem, mantive o (ingênuo) otimismo de que as derrotas fariam parte de uma preparação mais ampla (aqui) e pensei que logo no começo de junho o time já estaria enfurnado em um ginásio treinando duas vezes por dia. Time, este, que é, repetindo, muito novo (ainda longe de estar pronto para os grandes duelos em âmbito mundial), que precisa de experiência em amistosos internacionais de bom nível e repetição em suas práticas diárias com o treinador. Algo que não irá acontecer dessa vez.

Tatiane Pacheco, Débora, Izabela e Leila (para citar apenas quatro exemplos) atuaram muito pouco na temporada de clubes que terminou há mais de três meses com o título de Americana na LBF, e precisariam estar alucinadamente sendo exigidas por Zanon para que mostrassem a evolução que demonstraram na temporada passada, quando o (bom) treinador teve tempo, amistosos e estrutura a disposição para que elas pudessem dar um mínimo salto de qualidade visando a Copa América que viria. Tempo, como se vê, existia. Se fosse no mínimo planejada e organizada, a Confederação teria previsto treinos desde o começo de maio até o torneio na Turquia. Mas a realidade é diferente, vemos agora.

vanderleie2O Brasil vai para um Mundial adulto repetindo os erros de preparação das seleções de base (mais aqui) e mostrando que na atual gestão da CBB, comandada por Carlos Nunes e Vanderlei (foto à direita), esse negócio de “treinamento'' é supérfluo, bobagem, um ingrediente menor dentro do desenvolvimento de qualquer equipe.

Zanon e as meninas não têm a menor culpa em relação a isso, que isso fique claro. As duas partes (comissão técnica e atletas) são vítimas de uma Confederação Brasileira com visão arcaica, retrógrada e que dará menos de dois meses (completos) de preparação a eles para um Mundial adulto. Depois não adianta sonhar com resultado. Ainda não existe fórmula mágica para ter sucesso sem trabalho. Acho que só a Confederação Brasileira não sabe disso…