Bala na Cesta

O triste fim de carreira do genial e inesquecível Steve Nash
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Fábio Balassiano

nash1Recentemente o Los Angeles Lakers anunciou que Steve Nash, armador de 40 anos, ficaria de fora por tempo indeterminado depois de ter machucado a coluna ao levantar uma mala em sua casa. A situação, que já era bizarra, ficou ainda pior na noite desta quinta-feira. A franquia angelina deu a notícia que todos temiam, mas que ninguém queria ler: o canadense está fora da temporada 2014/2015 devido ao crônico problema nas costas.

É pouco provável, obviamente, que Nash volte a atuar profissionalmente. Seu contrato de três anos com os Lakers termina ao final da temporada 2014/2015 e hoje é impensável que ele tenha físico para atuar em qualquer partida da NBA no futuro.

nash2Não resta dúvida, portanto, que é um final de carreira melancólico para um dos melhores armadores de todos os tempos. Nash começou a carreira no Phoenix Suns em 1996, mas teve seus melhores momentos mesmo quando retornou à franquia do Arizona entre 2004 e 2012, quando liderou o timaço do técnico Mike D'Antoni e conquistou dois títulos consecutivos de MVP da temporada regular apesar de nunca ter jogado uma final de NBA. Entre as passagens pelo Phoenix o camisa 10 jogou no Dallas Mavericks entre 1998 e 2004.

No Lakers, veio para formar com Dwight Howard e Kobe Bryant um trio que nunca emplacou duas temporadas atrás. Na última, a de 2013/2014, pouco atuou (15 vezes), mas teve tempo para dar 86 assistências e se tornar o terceiro melhor passador da história da NBA com 10.335 assistências, ficando atrás apenas de Jason Kidd e John Stockton, outros dois armadores lendários da história da NBA.

steve3Craque de bola, Steve Nash parece mesmo ter sido vencido pelo corpo, pelas duras batalhas que suas costas e joelhos passaram em quase 20 anos de uma carreira que não teve nenhuma conquista, mas inúmeros momentos inesquecíveis. Provavelmente não voltará a atuar na NBA e deixará as quadras de forma bem triste.

No entanto, seu legado, sua história, seus números, falam por si. Ele foi um dos melhores a ter pisado em uma quadra de basquete na história do jogo e disso ninguém que gosta do jogo tem a menor dúvida.

Que isso jamais seja esquecido.


No Rockets, é a hora do técnico Kevin McHale mostrar que pertence a elite
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Fábio Balassiano

kevin1Na temporada 2012/2013 o Houston Rockets trouxe James Harden e conseguiu 45 vitórias. Na 2013/2014, Dwight Howard e 54 triunfos. Para este campeonato, o elenco texano mudou muito pouco (ficou mais consistente com Trevor Ariza na ala no lugar de Chandler Parsons), e a expectativa é que, sem os problemas de entrosamento naturais de um primeiro torneio com um elenco todo remodelado (como foi o passado), o nível melhore muito.

Não resta dúvida que a bola da vez para a imprensa norte-americana e para a torcida do Houston é Kevin McHale (foto à esquerda). Comandando a equipe há quatro temporadas, ele tem um elenco caro, com dois All-Stars (Harden e Howard), um excelente jogador (Ariza), bons atletas para a rotação (o armador Patrick Beverley, os recém-chegados Kostas Papanikolaou e Jason Terry, e Donatas Motiejunas) e vai precisar mostrar resultado.

d12Chegar aos playoffs, como vem fazendo desde 2012/2013, é básico, quase banal para um grupo com essa qualidade (mesmo no Oeste). Mas para colocar o Houston na final da conferência, ou minimamente na semifinal, McHale precisará mostrar uma evolução (sua) que não tem sido vista nos últimos anos principalmente pelo estilo tático que tem adotado.

Seu chefe, o nerd Daryl Morey, é um dos adeptos dos “três tipos de cesta'' no basquete – contra-ataque, bolas de perto da cesta e arremessos de fora. O problema é que nem sempre os números correspondem aos fatos, e o que temos visto é o Houston muito preso a estes dogmas, a estas características. E isso não é bom.

Na temporada passada faltou variação tática, faltou um pouco mais de diversidade ofensiva e nos playoffs, quando o jogo de meia quadra é exigido, os Rockets foram engolidos pelo bem armado time do Portland Trail Blazers.

arizaNa defesa James Harden e seus defeitos serão razoavelmente encobertos pela capacidade atlética e “intelectual'' do excelente, e subestimado, Trevor Ariza (foto à esquerda), que chega para marcar por ele e pelo barbudo no perímetro e onde mais o camisa 13 não estiver. No ataque é que, aí sim, vamos ver se todos aqueles problemas da temporada passado terão sido sanados por McHale nesta pré-temporada.

Meu palpite, até por tudo o que vi nestes amistosos e nas palavras dele, é que o Houston não vai evoluir muito mais do que o que vimos nas mãos de McHale. Os Rockets, em minha opinião, passam aos playoffs até com certa facilidade, mas de novo vão morrer muito cedo por lá (primeira rodada, provavelmente) principalmente por causa de um jogo praticamente monocórdico que tem os chutes rápidos de James Harden e Dwight Howard perto da cesta. Na NBA, é pouco. No Oeste, mais ainda.

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Técnico do Flamengo, Neto exalta amistosos na NBA: ‘Experiência incrível’
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Fábio Balassiano

neto3Como você deve saber, o Flamengo tornou-se o primeiro time brasileiro a jogar amistosos na NBA. Foi aos Estados Unidos na semana passada e disputou partidas de pré-temporada da melhor liga de basquete do mundo contra Phoenix Suns, Orlando Magic e Memphis Grizzlies. Conversei por email com José Neto, técnico do rubro-negro, a respeito dos confrontos (três derrotas), da experiência inédita e dos aprendizados que ele trouxe na bagagem. Vamos ao papo.

BALA NA CESTA: Como você avalia o giro do Flamengo nestes três jogos na NBA?
JOSÉ NETO: Foi uma experiência incrível. Esse é um desejo de qualquer pessoa que trabalha com o basquete em qualquer área. Ser a primeira equipe brasileira a jogar partidas pela pré-temporada oficial da NBA nos Estados Unidos além de ser histórico é uma oportunidade de acrescentar muito para melhorar a qualidade da equipe hoje. Tudo foi muito bem planejado entre Flamengo e NBA para que pudéssemos explorar ao máximo esta experiência. Já tinha conhecimento de como funciona a estrutura da NBA, mas vivenciar isto realmente surpreende.

neto1BNC: A torcida do Flamengo é exigente e, embora eu não concorde, gostaria de ter visto ao menos uma vitória. Mesmo sabendo que eram partidas preparatórias para a temporada do seu time, como você conseguiu conciliar a vontade de vencer sua e de seus jogadores com o foco principal da viagem, que era o aprendizado com os times da NBA?
NETO: A torcida do Flamengo é um diferencial importantíssimo que temos e sabemos que podemos sempre contar com esse apoio, assim como aconteceu nos três jogos nos EUA, em que tivemos torcedores presentes. Em Orlando, especialmente, tivemos um dos maiores públicos da franquia em jogos de pré-temporada graças a presença da torcida do Flamengo. Esta torcida sempre vai ter uma expectativa de vitória e é assim que deve ser. Os rubro-negros conhecem basquete, mesmo tendo o futebol como primeira modalidade do clube. Todas as mensagens que recebemos foram sempre de nos apoiar e nos motivar a seguir em frente. Nossa equipe tem um compromisso com a vitória, e sempre que entramos em quadra para uma partida, independentemente das condições, é isso que buscaremos. Sabíamos que iríamos enfrentar equipes de qualidade, jogadores que estão buscando na pré-temporada um espaço na NBA. Sempre acreditei que, para poder ser uma equipe competitiva, é necessário jogar com intensidade o maior tempo possível, e isso não é algo fácil. Os adversários que enfrentamos nos Estados Unidos fazem isso muito bem e, apesar de não termos conseguido vencer, voltamos satisfeitos com a experiência adquirida para utilizar nesta nossa próxima temporada.

netoBNC: Vocês retornam agora ao Brasil e terão em menos de 10 dias o começo do NBB. Em breve, a Liga das Américas. Nas 2 competições, o Flamengo defende o título. No que estes 5 jogos de alto nível (Maccabi Tel-Aviv duas vezes e os 3 da NBA) ajudam o clube a começar mais preparado esta temporada?
NETO: Foi um inicio de temporada bem diferente do habitual. Já iniciamos com uma competição histórica para o clube. A Copa Intercontinental fez com que a equipe tivesse que abdicar da pré-temporada e já estar preparada o melhor possível, o quanto antes. Tivemos que otimizar nosso curto período de preparação. Isto só deu certo pelo alto grau de comprometimento e profissionalismo de todos os envolvidos na equipe: comissão técnica, jogadores e diretoria. Logo após a conquista da Copa Intercontinental, nós precisamos novamente nos preparar para viajar para os EUA e jogar com regras e condições diferentes daquelas que estamos habituados. Tudo isso nos faz crescer como equipe. Superar estas dificuldades faz com que nos tornemos mais fortes como grupo e nos motiva a enfrentar os próximos desafios que teremos na temporada (Carioca, NBB e Liga das Américas). São três competições em que iremos defender o título. Somos muito conscientes de que nossos adversários vêm se fortalecendo para estas competições. Vamos buscar a melhor preparação possível para “brigarmos” pelo título mais uma vez.

neto2BNC: Fora de quadra, houve algo que o surpreendeu? Em termos de estrutura, organização, planejamento. Vocês tiveram a oportunidade de treinar dentro da Disney, por exemplo.
NETO: Muito se ouve falar que por um “detalhe” tudo pode mudar. Talvez por isso que a estrutura das equipes de NBA que tivemos contato se preocupe tanto com esse “detalhe”. Eles possuem uma estrutura tanto de material quanto de pessoas onde tudo é importante. O CT na Disney, onde ficamos, estava totalmente preparado para nos receber. A NBA esteve sempre à disposição do Flamengo, fosse para troca de informações, ou para ajudar no que fosse preciso.

netoBNC: Pessoalmente falando, como volta o José Neto depois dessa viagem à NBA? Houve algum contato com os técnicos de lá, ou algo do gênero? O que você extraiu de mais importante?
NETO: Tivemos um contato maior em Phoenix, principalmente com Comissão Técnica e área médica (fisioterapia). Em Orlando, o Magic estava jogando em outro estado e não tivemos tanto contato. Em Memphis, ficamos apenas um dia. Volto muito motivado para continuar trabalhando e buscando ser melhor a cada dia, pois acredito que ainda tenho muito a melhorar. Toda essa experiência foi muito importante para fazer uma avaliação da nossa proposta de trabalho em relação ao que vimos deste mundo da NBA. Realmente jogar mais de 82 jogos deste nível em uma temporada não é para qualquer um. É um grau de exigência altíssimo. Por isso ver jogadores brasileiros se destacando neste nível é um motivo de grande orgulho. Utilizar esta experiência para continuar fazendo as coisas boas que fazemos e perceber que pode dar certo em qualquer nível serve para que possamos aumentar a capacidade da equipe de brigar pelas primeiras posições das competições que disputamos.


A difícil missão do Phoenix – dar o próximo passo e avançar aos playoffs
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Fábio Balassiano

dragic2Se houve um time que gostei de ter visto na temporada foi o Phoenix Suns. Jogando como franco-atirador, o time de Jeff Hornacek abusou de variações táticas e formações pouco ortodoxas (como a que colocava cinco chutadores em quadra de uma vez).

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A vaga nos playoffs, que premiaria o ótimo trabalho de Hornacek é a brilhante temporada de Goran Dragic (craque de bola!), no entanto, não veio e ficou um gosto de “quero mais'' para atletas, dirigentes e torcedores do Arizona. Não que eles esperassem isso no começo do campeonato passado, mas com os resultados o nível de expectativa aumentou.

O LAKERS NA CORDA BAMBA

thomasE é justamente essa expectativa crescente que faz da temporada 2014/2015 muito interessante (e ao mesmo tempo perigosa, pois o lado franco-atirador já é conhecido). O elenco é basicamente o mesmo, tendo ganho as boas opções de Isaiah Thomas (foto à esquerda), Tyler Ennis (bom calouro canadense que veio da Universidade de Syracuse) e Zoran Dragic (sim, irmão de Goran) para fazer a rotação na armação e de Alex Len, recuperação da lesão que o afastou das quadras na temporada passada, no garrafão.

PARA OS KNICKS, A ORDEM É TER PACIÊNCIA

Com os reforços, a maturidade maior do elenco e as evoluções de Dragic, Bledsoe e dos irmãos Morris o que se espera agora do Phoenix é que a vaga que ficou no “quase'' na temporada chegue no campeonato que está por começar. É difícil? Sim, bastante, no Oeste há pelo menos 11 candidatos a entrar no mata-mata, mas vale a pena ficar de olho nos caras.

CHEGOU A HORA DO CHICAGO BULLS VOLTAR À FINAL?

trioPara o Phoenix, além do aspecto técnico é bom ficar de olho no que poderá acontecer com o elenco também. Como fechou os cofres depois que Steve Nash saiu, a franquia está bem abaixo do teto salarial. Mas pode perder seus principais jogadores caso não abra a mão. Goran Dragic, por exemplo, ganha US$ 7,5 milhões nesta temporada e pode apertar o botão para ser agente-livre ao final do campeonato (como fez LeBron James, por exemplo). Se quiser pensar no longo prazo, é bom renovar principalmente com Dragic rapidamente.

duplaA missão do Phoenix é dar o passo seguinte, o passo que leva a franquia de novo aos playoffs. Se a vaga não vier nesta temporada, porém, não há muito a lamentar. O elenco é jovem pacas e certamente você terá visto partidas muito animadas e bem jogadas, marcas registradas desde que Jeff Hornacek assumiu o jovem elenco na temporada passada.

E você, o que acha: o Phoenix consegue vaga na pós-temporada? Comente!


A decisiva temporada do Chicago Bulls na NBA
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Fábio Balassiano

gasolArrisco-me a dizer que a temporada 2014/2015 é uma das mais importantes da história da franquia Bulls (ia escrever A mais importante pós-Jordan, mas fiquei com medo). Por tudo o que cerca Chicago, é um campeonato desafiador e que ao mesmo tempo pode deixar cicatrizes profundas.

Primeiro porque os Bulls se reforçaram muito bem. Foram no Draft e trouxeram o bom ala Doug McDermott. No mercado conseguiram Pau Gasol (foto à direita) e, ok, Aaron Brooks. Da Espanha veio Nikola Mirotic, escolhido recentemente no Draft e que agora debuta na NBA vindo de excelentes temporadas no Real Madrid. Se isso não fosse o bastante, os Bulls ainda mantiveram boa parte do elenco da temporada passada, a temporada em que a alma de Joakim Noah era vista em todas as partidas (mais aqui), e ainda vêem boa evolução ofensiva em Jimmy Butler (defensivamente ele é um monstro). Butler, aliás, que sofreu uma pequena lesão no dedo ontem.

Derrick RoseCom os fatores apresentados acima já daria para colocar o Chicago como postulante a algo bacana no Leste. Mas título (de conferência ou da Liga), apenas se Derrick Rose estiver saudável. Isso é muito claro para todo mundo. Recuperado de duas lesões seguidas no joelho, o armador fez um Mundial da Espanha não mais que razoável, mas parece estar ligando a sua máquina aos poucos na pré-temporada. E Rose bem é um ótimo sinal para os Bulls, que passam de um “bom elenco'' para um “real candidato ao título''.

Nesta semana LeBron James, calejado toda vida, jogou a responsabilidade para os Bulls ao dizer que o Chicago é o grande favorito do Leste. Não sei se é bem assim, mas de fato dos concorrentes ao título da Conferência a franquia é a que está, agora, aparentemente mais preparada. Vamos ver em quadra e se os joelhos de Derrick Rose conseguem suportar a temporada completa.

noah1Começar bem a temporada é importante para o Chicago, para Rose e para o excepcional Tom Thibodeau. Thibs sabe que uma boa largada inibe críticas, impede dúvidas (principalmente em relação ao camisa 1) e traz confiança a um elenco que sabe que é bom, mas cujos resultados recentes não são excelentes (o máximo que a franquia conseguiu no pós-Jordan foi mesmo uma final de Conferência em 2011).

É impossível fazer um prognóstico para o Chicago por causa da condição física de Rose, que obviamente traz uma série de dúvidas, mas se conseguirem ter o elenco completo os Bulls têm ótimas chances de bater de frente com Miami e Cleveland, os dois principais candidatos da Conferência.

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Em reformulação, Knicks deve usar temporada para adaptação
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Fábio Balassiano

pj1Uma das franquias mais tradicionais da NBA, o New York Knicks teve duas grandes vitórias antes de a temporada 2014/2015 começar. Teve força para contratar Phil Jackson como seu novo manda-chuva fora das quadras e lábia (principalmente de Big Phil) para manter Carmelo Anthony, estrela maior da companhia nos últimos anos. Mas, por incrível que pareça, os triunfos devem mesmo parar por aí nos próximos tempos.

Phil Jackson cansa de dizer que seu projeto com os Knicks é de longo prazo (e é mesmo), e que no primeiro momento é importante que a exigente torcida nova-iorquina tenha paciência. O elenco não será esse por um longo tempo, o técnico, o novato Derek Fisher, também precisará de tempo para entender como as coisas funcionam de terno e gravata e o sistema ofensivo (o de triângulos) que será utilizado requer muito tempo de aprendizado.

melo2A grande notícia em relação a este último ponto especificamente é que Melo parece disposto a aprender (ao menos por enquanto). Ele teria conversado com Kobe Bryant e Michael Jordan sobre os triângulos, e tem dado entrevistas falando em “dividir a bola'', em “passar primeiro para depois encontrar os buracos defensivos'' e outras frases que até a temporada passada fugiam de seu comportamento.

De coisa boa mesmo, só isso (além, ok, da chegada de Jose Calderon com contrato baixo pelos próximos três anos). No mais, é hora de ligar o sinal amarelo e pensar em 2015/2016 desde já. O maior salário da franquia é de Amare Stoudemire, com surreais US$ 23,4 milhões. Mas o ala-pivô está em seu último ano de contrato, bem como o errático italiano Andrea Bargnani, Jason Smith e Travis Outlaw. Olhando adiante, os Knicks têm apenas US$ 39mi comprometidos em sua folha salarial na próxima temporada, sendo que alguns destes milhões são opção do time. Se conseguir despachar rápido o maluquete JR Smith, melhor ainda, mas o plano precisa ser desde já fazer deste campeonato um verdadeiro laboratório para os próximos anos.

fishSistema novo, técnico novo, presidente novo e elenco em reconstrução. Exigir qualquer coisa em termos de resultados deste Knicks é uma loucura. Beliscar os playoffs é possível neste cambaleante Leste, mas não creio que este tenha que ser o foco. Lustrar os triângulos, colocar Carmelo Anthony como o verdadeiro líder que nunca foi e preparar jovens como Thanasis Antetokounmpo, Cleanthony Early, Shane Larkin e Tim Hardaway Jr para um futuro que sem dúvida é desafiador devem ser as prioridades da franquia.

O difícil é convencer o torcedor do Knicks de que perder bastante faz parte do processo, mas é exatamente isso que deve mesmo ocorrer com o time nos próximos meses.


Mesmo com Kobe Bryant, será mais uma temporada de sofrimento no Lakers
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Fábio Balassiano

Qscottuando terminou a temporada passada, o Los Angeles Lakers acenou com um princípio de mudança quando viu Mike D'Antoni, o técnico, sair. Uma posição “alta'' no Draft poderia trazer um mínimo de ânimo para a franquia da Califórnia, mas passaram alguns meses e a verdade é uma só: será outro campeonato de sofrimento para os Lakers.

É bem verdade que o técnico Byron Scott, campeão pela franquia como jogador, veio e pode trazer um mínimo de organização tática a franquia. Kobe Bryant está recuperado e jogou muito bem a pré-temporada. Jeremy Lin veio e, apesar de seu expirante e imenso contrato de US$ 14 milhões, pode ser útil. Muito criticado em Chicago, Carlos Boozer tem tudo para provar que ainda é muito bom (como sempre foi). Também é correto afirmar que Julius Randle, recrutado no último Draft, tem talento e pode ser útil no futuro.

boozerMais do que isso, porém, é devaneio, é loucura. O elenco, que era um dos mais fracos de 2013/2014, segue paupérrimo. Para piorar as coisas, Pau Gasol, dono da ala-pivô havia alguns anos, também saiu.

Para compor o grupo estão lá Xavier Henry, Wayne Ellington, Wesley Johnson, Ryan Kelly, Robert Sacre, Jordan Hill e Ed Davis. Mesmo sem espremer, espremer muito não sai muita coisa, não dá um caldo bacana. Ao contrário da maioria das franquias, que conseguem pinçar jogadores na Europa ou mesmo fora de Draft, a diretoria do Lakers comandada por Mitch Kupchack, gerente-geral que ainda vive no passado, não tem conseguido fazer bons elencos.

Os Lakers começam uma temporada com um elenco até que razoavelmente jovem, mas que paradoxalmente está longe de ser atraente (como são, por exemplo, o do Orlando Magic, e o do New Orleans Pelicans). Tem Kobe Bryant, um craque sem dúvida, mas um craque com 36 anos. Ao contrário de Dirk Notwitzki em Dallas, time que falei aqui na segunda-feira, Kobe não tem grandes companheiros e pensar em ir longe no playoff (ou até mesmo em chegar aos playoffs) é uma imensa loucura para os angelinos, tão desbalanceado e mal formatado que é este elenco.

kobeSei que a torcida do Lakers no Brasil é imensa e adoraria terminar esse texto de outra maneira, mas não é possível. Se vocês repararem nem citei o veterano Steve Nash, que hoje, sinceramente falando, não conta muito – o que é uma pena.

A temporada passada foi trágica (27 vitórias). A de 2014/2015 na NBA não promete ser tão melhor assim. Saiu Mike D'Antoni, é verdade, mas o treinador não era o único problema. O elenco, que era fraco, continua ruim demais. E aí não há Kobe Bryant que resolva. Se tivesse a opção de “pular'' esse campeonato, o torcedor angelino poderia muito bem apertar este botão.

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Reforçado, Dallas tem tudo para ser maior concorrente do Spurs no Oeste
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Fábio Balassiano

(A partir de hoje começarei a falar dos times para a próxima temporada da NBA. Não de todos, porque seria impossível, mas dos principais. Um ou dois textos por dia por aqui, fiquem de olho).

trioA temporada 2013/2014 terminou, e o Dallas, eliminado pelo San Antonio Spurs no agonizante jogo 7, tinha mais dúvidas do que certezas em relação ao futuro. Afinal, o que seria daquele time envelhecido, com Dirk Nowitzki, sua principal estrela, como agente-livre, um garrafão sem força defensiva alguma e poucas armas para o jogo externo? Era um quebra-cabeça que a franquia texana teria que montar rápido se quisesse dar aos anos finais da brilhante carreira do alemão Nowitzki um pouco mais de emoção (e não de comoção, como é no caso de Kobe Bryant no Lakers).

Para não dar sopa ao azar o Dallas foi ao mercado sem medo. Perdeu Shawn Marion e Vince Carter, é verdade (ambos que se encaixaram bem no esquema do excelente técnico Rick Carlisle), mas renovou rápido com Nowitzki (e com valor baixo que lhe permitiu ter fôlego nas demais negociações) e trocou o espanhol Jose Calderón por Tyson Chandler para ter mais firmeza defensiva em seu garrafão (uma das grandes deficiências do time no campeonato passado). Campeão com a franquia anos atrás, Tyson tornou-se uma verdadeira obsessão para a diretoria depois da temporada abaixo da crítica do pivô Samuel Dalembert. Encontrar um “cincão'' que protegesse o aro com segurança passou a ser a prioridade da franquia, que achou em um rosto conhecido (e bem inteligente) a sua tábua de salvação.

mavsDe quebra os Mavs receberam Raymond Felton, de quem não sou fã, mas se for bem (e pouco) utilizado pode ajudar na rotação. Além de Chandler vieram Jameer Nelson (armador do Orlando Magic), Richard Jefferson (veterano e útil ala) e Al-Farouq Aminu, nigeriano que fez uma temporada passada bem razoável pelo New Orleans e que traz força física a ala do time. O elenco, que já era bom, ficou fortíssimo.

Mas o melhor reforço acabou vindo mesmo de uma forma inesperada. Agente-livre restrito, Chandler Parsons estava dando sopa no mercado. O Houston Rockets ficou de olho (gordo) em Carmelo Anthony, moscou e viu seu rival do Texas fazer uma proposta milionária por Parsons.

Na tentativa de conseguir Chris Bosh, acabou sem nada – Parsons foi mesmo para Dallas e o ala renovou com o Miami Heat. Aos 25 anos, número de sua camisa também no Mavs, o ala chega para assumir a posição 3 do com um contrato de US$ 45 milhões por três anos e muita responsabilidade.

dirkTudo bem que o valor pode ter sido muito alto por um “especialista'' (Parsons baseia muito seu jogo nas bolas longas), mas essa era justamente uma das fragilidades do Dallas na temporada passada. Dirk Nowitzki não arremessa de longe há séculos. Monta Ellis, que foi muito bem em 2013/2014, é um cara que ataca a cesta e busca as infiltrações quase sempre. A necessidade da equipe acabou fazendo Mark Cuban aumentar as cifras para ter o camisa 25, e isso é bem natural. Jogando ao lado de Nowitzki e Ellias, as chances de Parsons, que arremessou quase cinco bolas longas com o Houston em 2014/2014 (e com aproveitamento de quase 40%), aparecer livre, livre para chutar de fora são imensas, já que o camisa 41 e o camisa 11 geram desequilíbrios imensos nas defesas adversárias. Para ele, especificamente, o desafio é mostrar que pode fazer outras coisas que não “só'' esperar as oportunidades que surgirão para investidas longas mas também que seu jogo ganhou (como vinha ganhando aliás) novos e perigosos golpes.

Por isso a conclusão é uma só: se rodar a bola como manda o figurino e se entrosar rápido, o Dallas tem tudo para ser o principal concorrente do San Antonio Spurs no Oeste. O Oklahoma City Thunder começará o campeonato desfalcado de Kevin Durant e nem se reforçou tanto assim. O Los Angeles Clippers vem forte, mas ainda (note o termo 'ainda') não me parece confiável. Os Mavs, por sua vez, têm um cracaço de bola em Dirk Nowitzki (foto à direita), um elenco de apoio recheado de boas opções (nove, dez jogadores podem fazer a rotação de Carlisle) e muita experiência para disputar os playoffs.

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Com câncer cerebral, americana realizará sonho de jogar por Universidade
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Fábio Balassiano

laurenfinalRecém-formada no segundo grau, a jovem Lauren Hill, de Ohio, Estados Unidos, quis se dar um presente especial quando completou 18 anos no primeiro dia de outubro de 2013. Pegou o telefone e ligou para o técnico da Universidade Mount Saint Joseph (MSJ) avisando-o que iria jogar basquete pelo time da faculdade. Era um momento de alegria para ela e sua família.

Mas havia algo que Lauren não esperava. O dia 20 de novembro de 2013 tinha tudo para ser comum para ela, mas não foi bem assim. Sentindo-se cansada, ela foi fazer uma série de exames. O resultado não deixou dúvidas: Lauren Hill estava com câncer cerebral em estado terminal.

Os médicos deram uma previsão que Lauren viveria no máximo mais dois anos, mas ela não quis saber. Passou por períodos pesados de quimioterapia, recuperou-se, passou a ter uma vida normal (na medida do possível) dentro da faculdade e tratou de visitar todos os locais que tinha vontade (Grand Canyon, Cataratas do Niagara, Havaí etc.).

.Um desejo, porém, teve que ser endereçado ao Centro Esportivo de sua faculdade nos últimos meses. Quase um ano depois de ter entrado na universidade, a meninas agora com 19 anos pediu: “Quero jogar ao menos um jogo universitário. Ao menos uma vez quero vestir a camisa 22″. Foi isso que Lauren disse.

Os dirigentes da Mount Saint Joseph University analisaram o pedido, aprovaram a atitude e enviaram um ofício a NCAA, que por sua vez fez o seguinte: antecipou de 15 para 2 de novembro de 2014 o jogo inicial da temporada da MSJ contra Hiram College no ginásio da Universidade de Xavier para que Lauren Hill possa sentir o gostinho de atuar em ao menos uma partida da NCAA.

lauren22“Nunca desisti, nunca pensei em me dar por vencida, inclusive depois deste diagnóstico terminal. Não tenho medo de morrer, o que me preocupo mesmo é com as pessoas que deixarei para trás. Disse para minhas companheiras de equipe que não desistam nunca, porque eu sempre estarei vigiando-as. Se não estiver aqui, espero que elas sigam jogando melhor do que nunca e não sintam pena de mim'', afirmou ao site de sua faculdade.

O dia 2 de novembro de 2014 será histórico para Lauren Hill e sem dúvida para a NCAA, que conseguiu, com uma atitude simples, fazer a alegria de uma menina que está com câncer cerebral em estado terminal.

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Flamengo termina ‘giro’ na NBA perdendo do Memphis – vale o aprendizado
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Fábio Balassiano

gegeTerminou há instantes o giro do Flamengo pela NBA. Terminou com derrota de 112-72 (estava 36 a 36 quando restavam 8 minutos para acabar o segundo período, quando, aí sim, a maionese desandou) para o Memphis Grizzlies (que teve 50 vitórias na temporada 2013/2014 do melhor basquete do mundo antes de ser eliminado pelo timaço do Oklahoma, do MVP Kevin Durant, por 4-3), mas sinceramente o resultado importa muito pouco (ou nada).

Perder faz parte do esporte, e a NBA é o AUGE do auge na escala mundial de basquete. O Brasil, por sua vez, está longe de chegar ao topo. Isso é bem óbvio e qualquer um enxerga (ou deveria enxergar). Por isso penso que só de ter um clube brasileiro indo jogar três vezes contra três boas franquias do melhor campeonato do planeta já é excepcional!

jeromeNão sei se é preciso, mas sendo ainda claro: o Flamengo poderia ir lá nos Estados Unidos e perder seus três jogos de 80 pontos para cima (algo que não ocorreu) que já seria uma vitória. Por um simples motivo: o objetivo desses jogos, como venho dizendo aqui há séculos, deve ser sempre APRENDER, EVOLUIR, TREINAR contra os melhores. E isso aconteceu, isso está muito claro que rolou.

Em menos de duas semanas o Flamengo enfrentou o Maccabi Tel-Aviv, campeão europeu (e venceu um jogo, tornando-se campeão Mundial/Intercontinental), o Phoenix Suns (dono de uma equipe com armadores excepcionais e transição fortíssima), o Orlando Magic (elenco jovem e com potencial físico assustador) e o Memphis Grizzlies, cuja defesa é uma das melhores da NBA há anos. Não sei se poderia haver uma pré-temporada melhor que isso. Se todo ano um clube brasileiro tivesse essa oportunidade de jogar contra clubes europeus ou franquias da melhor liga do planeta o resultado seria bem simples: o basquete daqui melhoraria MUITO.

zboO Flamengo sai dos Estados Unidos com três derrotas e pode ser que seus atletas voltem tristes (ninguém gosta de levar 40 pontos na cabeça). É natural e seres humanos competitivos (atletas) realmente não podem se acostumar com nada diferente de vitória.

Para mim, que preciso analisar as situações com um pouco menos de emoção (é o que tento), o rubro-negro volta dos EUA como VENCEDOR, tendo aprendido contra os melhores times do mundo e retornando ao país (a realidade do clube da Gávea é a brasileira, não custa lembrar) muito mais preparado para enfrentar os desafios de uma temporada que prevê a defesa dos títulos da Liga das Américas e do NBB.

É assim que torcida (que abraçou a equipe há tempos) deveria pensar também. Os atletas e a comissão técnica lutaram, tentaram e retornam muito mais maduros do que quando embarcaram no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro.

Foi uma experiência inesquecível, certamente muito proveitosa e é assim que estes três jogos na NBA devem ser encarados. Concorda comigo? Comente!