Bala na Cesta

Sobre a saída do Palmeiras e a perspectiva pro próximo NBB
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Fábio Balassiano

palmeiras1Durou pouco a história do Palmeiras no NBB. Durou, para ser mais exato, três temporadas (2012/2013, 2013/2014 e 2014/2015). O time comunicou, através de Nota Oficial em seu site, que não terá time adulto participando tanto da principal competição nacional do basquete masculino quanto do Paulista Adulto. É uma notícia triste e que vale a pena ser dividida em duas etapas.

palmeiras2A primeira é a da lamentação com a saída de um time com história, torcida e que faz do NBB um produto melhor pelo que traz consigo (nome, torcedores etc.). Nego-me, sinceramente, a crer que um clube com o tamanho do Palmeiras não consiga mesmo trazer patrocinadores para bancar a sua equipe de basquete. É o maior mercado publicitário do país (a capital de São Paulo), um time com público nos ginásios, ótimo trabalho na base e enorme possibilidade de crescimento na modalidade. Com um dos melhores e mais caros elencos de futebol do país, parece que o foco ficou totalmente voltado para o esporte mais popular do país.

sep2E totalmente é totalmente mesmo. Não só o lado financeiro, mas principalmente o de planejamento, de captação de patrocínio, de geração de receita, de trazer grana para o basquete do clube. Será mesmo que um clube como o Palmeiras não consegue nenhum patrocinador para estampar a marca em uma camisa tão forte assim e com um custo infinitamente menor que o do futebol? Acho impossível que, com bom trabalho fora das quadras (da diretoria inteira), o alviverde ficasse fora do NBB.

francaAmpliando o olhar, porém, é possível ver que o problema não está só no Palmeiras. Há times fechando as portas e há clubes que reduziram sobremaneira seus investimentos para esta temporada. Dos que já saíram há, além do alviverde, o Uberlândia. São José, por sua vez, sabe-se lá se conseguirá jogar devido a mais um imbróglio envolvendo a prefeitura que banca o time. Some-se a isso o fato de Franca vir com um elenco pra lá de modesto, o Pinheiros ter reduzido bruscamente a sua folha salarial e o Minas ter mantido o pé no freio no tocante a grandes contratações (novamente um elenco jovem e sem estrelas).

nbb1Creio, portanto, que é necessário um debate amplo a respeito disso tudo. O cenário, obviamente, não é bom, requer cuidados e abre espaço para uma série de perguntas. Por que os clubes estão quebrando? Por que há tão poucos recursos na mesa para os times? Será que as franquias do NBB estão fazendo um bom trabalho para captar e reter seus patrocinadores? Como fazer para que times não desapareçam de forma tão rápida? Será que o mercado não vive uma “bolha'', com os principais atletas recebendo muito mais do que de fato eles geram de retorno? Quanto, de fato, vale o produto NBB? Quanto, de fato, dá de retorno investir em um time do NBB (o famoso Retorno Sobre Investimento – ROI)? Não consigo responder às indagações. Se as franquias do NBB não conseguirem responder a TODAS elas temos, aí, um grandíssimo problema.

nbb_nba1O momento econômico do país é pra lá de delicado e certamente a crise chegou ao basquete. Antes era uma dúvida de quando isso aconteceria. Agora é uma certeza. Mesmo no ano pré-Olimpíada de 2016 o número de patrocinadores é pequeno, bem pequeno (e depois do Rio-2016 será ainda menor, não tenhamos dúvida disso). Reflexo maior disso tudo é que a Liga Nacional (e este é um tema que falo há tempos) completou três temporadas sem um investidor forte (agora seus custos operacionais são pagos pela NBA, sua nova parceira). Os clubes, por sua vez, estão quebrados ou com orçamentos pra lá de reduzidos.

nbb3Ao que parece, só quem está investindo pesado é o grupo formado por Mogi, Flamengo, Bauru, Limeira e Brasília. E isso é muito pouco para uma modalidade que conseguiu se reorganizar com a criação do NBB. Muito pouco para um ano, também, que antecede os Jogos Olímpicos. Muito pouco, ainda mais, para quem quer (queria?) voltar a crescer. Em suma: muito pouco para o presente e preocupante para o futuro.

Debater o assunto com clubes, investidores, atletas, imprensa e amantes da modalidade faz-se necessário em minha opinião. Primeiro para estancar o problema. Depois para tentar criar soluções para que times do tamanho do Palmeiras não sumam do mapa de maneira tão abrupta e triste para a modalidade.


LDB começa em julho com Seleção Brasileira Sub-17 como grande atração
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Fábio Balassiano

ldbTerá início no dia 24 de julho em Uberlândia mais uma edição da Liga de Desenvolvimento de Basquete, a LDB, xodó maior deste blog e maior competição de basquete de base do país (a previsão é que o campeonato disputado por 24 equipes termine em dezembro de 2015).

cearaO regulamento é o mesmo da temporada passada. Os times jogarão em turno único, com os oito melhores se classificando para a segunda fase. Nela as equipes serão divididas em dois grupos e os dois melhores de cada lado passarão às semifinais, que assim como a decisão será jogada em partida única. Tal qual aconteceu em 2014 estão previstas transmissões via web no site da LNB da fase decisiva. Um número relevante, aliás, merece ser colocado: 68. Foram os atletas que disputaram a edição 2014/2015 da LDB e que entraram em quadra no NBB 7 (destaque para Davi Rosseto, que levantou o troféu pelo Basquete Cearense e se firmou como um dos destaques do time adulto de Alberto Bial no NBB).

germanoPara esta temporada, uma grande e ótima novidade: entre os 24 participantes de 10 estados do país (além do Distrito Federal) há, também, a presença de uma seleção brasileira Sub-17 disputando a LDB. Em preparação para o Sul-Americano de Resistencia (Argentina), o time do técnico André Germano (foto) aproveitará a Liga de Desenvolvimento para se preparar para a competição que dá três vagas para a Copa América Sub-18 em 2016. Algo salutar e que a Liga Nacional de Basquete, organizadora do evento, merece os parabéns por abrir espaço para que uma equipe nacional faça parte de seu torneio.

ogloboAqui, aliás, cabe uma observação. Mesmo com a entrada da equipe Sub-17 na LDB a Confederação Brasileira de Basketball conseguiu, vejam só que coisa feia, fazer queixa da Liga Nacional de Basquete ao Ministério do Esporte. Como relatou a Coluna Panorama Esportivo, do Jornal O Globo deste sábado (foto), a entidade se queixou ao Ministério que a turma da LNB já recebeu a verba para organizar a LDB, mas que ela, CBB, ainda não. No mínimo faltou de sensibilidade. E também pode-se notar um caso grave de memória seletiva. Talvez a turma de Carlos Nunes tenha se esquecido que deve mais de R$ 13 milhões e que tem problemas tributários inclusive com o governo federal. Governo federal que despejou na CBB mais de 57% da receita de R$ 24 milhões em 2014. Memória seletiva, deve ser isso.

vanderleie2Mas, bem, voltando, acho bem bacana que a seleção Sub-17 use a Liga de Desenvolvimento para se preparar para o Sul-Americano. Só que isso precisa ser relativizado também. Deve, sobretudo, colocar em perspectiva o que há por trás disso. Não é, somente, uma boa ação de planejamento da Confederação Brasileira para o time de Germano seguir treinando (ao contrário do que diz Vanderlei (foto) ao site da CBB). Pelo que temos visto a Confederação Brasileira não tem um centavo furado para investir na garotada que vai representar o país em torneios de base. A melhor maneira de evitar que o time Sub-17 viaje com 10, 15 dias de treino, portanto, foi colocar essa molecada para jogar. Jogar, treinar, estar junta por duas etapas da LDB (LDB que é bancada pelo Ministério do Esporte, não custa lembrar).

nunes1Creio ser válida a iniciativa (mesmo que meninos de 16 anos batam de frente com rapazes de até 22 anos de idade) tanto da Liga Nacional quanto da Confederação. Mas não é o mundo ideal – não mesmo. O certo, certíssimo mesmo, seria que essa molecada estivesse sendo monitorada pela CBB há tempos, fazendo circuitos de treinamento sempre que possível e viajando para clínicas no exterior. Em tempos de vacas magras na entidade máxima, no entanto, jogar a LDB acaba sendo a única oportunidade de preparar a equipe. E preparar em um terreno que não é dela, mas sim da competente Liga Nacional de Basquete.

Que não deixemos de olhar para isso, também, como mais uma prova de falta de gestão do presidente Carlos Nunes. Pode não parecer, principalmente porque a CBB fará de tudo para exaltar este feito de jogar a LDB com a seleção Sub-17, mas no final das contas é mais um capítulo da falência total da Confederação Brasileira.


Com LaMarcus Aldridge, a chance de os Spurs serem fortes por 2 décadas
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Fábio Balassiano

aldridge2No sábado de manhã a notícia sacudiu a internet. LaMarcus Aldridge optou por assinar com Spurs pela bagatela de US$ 80 milhões pelos próximos quatro anos. Com a chegada do (agora) ex-jogador do Portland Trail Blazers, o San Antonio tem tudo para conseguir uma proeza raríssima nos esportes americanos: permanecer forte por duas décadas completas na NBA. E explico.

Com o núcleo da temporada mantido (a dúvida é se Manu Ginóbili voltará para mais um ano ou se irá se aposentar), o San Antonio Spurs teve fôlego para renovar com Kawhi Leonard (5 anos, US$ 90 milhões) e Danny Green (4 anos, US$ 40 milhões), duas de suas principais peças jovens. Tem, além da dupla, os franceses Tony Parker e Boris Diaw com contrato até 2018. A arte de formar bons times que começou em 1998 (56 vitórias naquela temporada) continuará, continuará forte com o rapaz que matou 280 arremessos de média distância na temporada passada (vídeo abaixo).

buford1Brinco com amigos que o caso do San Antonio Spurs será lembrado e estudado por muito tempo em termos esportivos. Normalmente a gente vê franquias indo bem por algum tempo, caindo e precisando de anos para se reconstruir. Exemplos por aí não faltam. Os mais claros, agora, apontam para Lakers, Celtics, Pistons e Knicks, times com tradição imensa na NBA. RC Buford (gerente-geral) e Gregg Popovich (técnico) conseguem algo raríssimo na NBA: reconstruir times ao mesmo tempo em que vencem jogos pra caramba. É o famoso trocar a roda com o carro andando.

trioAjuda, claro, o fato de ter tido um núcleo formado por Tony Parker, Tim Duncan e Manu Ginóbili para sustentar isso, mas é fundamental analisar como os Spurs conseguiram se manter no topo de uma liga tão competitiva como é a NBA por muito tempo. É a famosa escola de escolher jogadores com talento, mas ainda precisando ser lapidados, e ter paciência para trabalhá-los para desempenhar funções específicas e bem importantes. O maior exemplo é Kawhi Leonard, mas é possível citar, também, Gary Neal, o próprio Boris Diaw, o brasileiro Tiago Splitter e Danny Green, que chegou desacreditado ao time anos atrás e hoje é peça mais do que essencial na engrenagem de Popovich.

trio2O trabalho do San Antonio pra próxima temporada ainda não terminou – e a diretoria sabe disso. Saíram Tiago Splitter (Hawks), Aron Baynes (Pistons) e Marco Belinelli (Kings). Há, portanto, posições para serem preenchidas com o que há disponível no mercado (americano ou europeu, sabe lá o que os Spurs vão aprontar). Agir com inteligência a gente sabe que Buford e Popovich vão fazer. É só esperar que os nomes vão aparecer.

aldridge23Por enquanto, enquanto o elenco não está pronto, dá para exaltar o fato de os Spurs ficarem fortes por no mínimo mais quatro anos. LaMarcus Aldridge faz dos Spurs, desde já, um dos maiores favoritos ao título do próximo campeonato da NBA. Pesou o fato de Tim Duncan ter anunciado que voltará para a sua décima-nona temporada com a equipe. Pesou poder ser dirigido pelo gênio Gregg Popovich. Pesou, sobretudo, a chance de disputar títulos da NBA. Títulos. No plural mesmo. Com ele, Parker, Leonard e Green no mínimo até 2018 o San Antonio tem tudo para continuar dominante por muito tempo. Quem gosta de basquete só pode aplaudir o que os texanos têm feito há duas décadas na melhor liga do planeta.


A despedida de Helinho e a reformulação de Franca
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Fábio Balassiano

francaNa sexta-feira o Franca Basquete convocou uma coletiva de imprensa para anunciar os próximos passos de um time que vive uma crise financeira imensa desde a temporada passada (a dívida acumulada era de mais de R$ 2 milhões). Estiveram lá os dirigentes da equipe, além de Luiza Trajano, dona da Magazine Luiza (novamente um dos patrocinadores da agremiação) e uma das pessoas mais influentes do país atualmente. Será um momento complicado para os francanos, que terão um elenco pra lá de modesto para o NBB8 (melhor que fechar as portas, sem dúvida alguma). Torço para que, com esta nova gestão, a situação melhore rapidamente, pois a cidade ama a modalidade e merece ter um time competitivo para torcer.

helinhoNão deixa de ser sintomático que no dia anterior à coletiva um dos maiores ídolos do basquete da cidade (e também do país) anunciou a aposentadoria aos 40 anos (sendo os últimos 25 como atleta de alto nível).

Com uma belíssima carta em seu Facebook pessoal (mais aqui, aqui e aqui), Helinho (foto), que também atuou por Vasco e Uberlândia, ganhando, entre outras conquistas, seis brasileiros e dois sul-americanos informou a amigos e torcedores que não mais jogará profissionalmente no país.

helinho1Sabemos que a história dele no basquete irá continuar e eu acho que seu caminho natural é mesmo ser técnico da equipe francana em algum momento (seguindo os passos de seu pai, o mítico Hélio Rubens), mas ampliando o olhar dá para notar que o momento em que ele se aposenta das quadras brasileiras é bastante relevante pelo que o anúncio traz como significado.

helinho2Há, claramente, uma troca de guarda no basquete nacional (escrevi isso em março de 2015 inclusive). E Helinho, dono de uma disciplina absurda (tem 1,86m e nunca deixou-se abalar por isso), faz parte da turma que dominou o cenário interno por muito tempo e ganhando um troféu atrás do outro (ele, Rogério, Demétrius, Vargas etc.). Fez parte de uma geração francana que ganhou os Nacionais entre 1997 e 1999, liderou o Vasco aos títulos de 2000 e 2001 e levou o caneco a Uberlândia em 2004 (voltou a Franca para vencer em 2006 também).

helio10Aos 40 anos de idade, chegou a hora de ver outras coisas, ver o basquete de outras formas. Helinho merece aplausos pelo status de ídolo que conquistou em quadra. Mas não só pelos pontos, assistências, sua alucinante marcação e pelos inúmeros títulos conquistados. Ele fará falta sobretudo pelo que trouxe de seriedade, responsabilidade e pelo respeito a um jogo que o fez tão bem por toda vida.


Fala, Leitor: ‘Quando o Carteiro chegou’, por Flávio Franco
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Fábio Balassiano

* Por Flávio Franco

flavio1Primeiro sábado de inverno, manhã fria mas que prometia melhorar nessa loucura que é o tempo aqui em São Paulo. Enquanto o final de semana começava, eu aguardava pacientemente a vez para sentar na cadeira do barbeiro e ter a cabeleira devidamente tratada.

Mas como quase sempre acontece, mesmo depois de quarenta anos nessa terra, subestimei o inverno paulistano e já tremia de frio debaixo da minha camiseta amassada. A solução foi me esquentar na calçada em frente ao salão do barbeiro, onde um sol tímido tentava ganhar força no início do dia. Em pé mesmo, lia atentamente o “Caderno de Esportes”, curioso pelas notícias requentadas do meu time enquanto esperava ser chamado.

gsw1Mas logo a leitura foi interrompida por um grito empolgado de “Golden State Warriors!” no melhor estilo “Vai Corinthians!” que estamos tão acostumados a ouvir. Assustado, levanto os olhos e quase perco de vista o autor daquela “saudação”. Fora justamente um corajoso carteiro que continuava seu trote apressado e para quem consegui apenas retribuir o sorriso e o aceno típico de torcedor.

gswTão surpreso com o acontecido só então me dei conta que estava vestindo minha camiseta amarela, troféu da última viagem à Califórnia, com a frase “Strength in Numbers” (A Força nos Números), o lema do time campeão do Golden State nos recentes playoffs da NBA. Rapidamente o carteiro seguia apressado seu caminho, vestido de amarelo como todo carteiro, vestido de amarelo como toda a torcida do Golden State. Cada um de sua maneira, todos ainda comemorando o título do seu time após 40 anos de longo jejum…

gsw3Fiquei curioso sobre quem seria aquele carteiro. Outro apaixonado por basquete? Outro contaminado pelo espetáculo que é um jogo da NBA? Outro frustrado ex-candidato a atleta que acabou virando advogado, carteiro, professor de educação física ou jornalista? Ou um pouco de tudo isso, assim como eu? Alguém tão distante da minha vida e ao mesmo tempo tão próximo naquele instante, dois estranhos unidos por uma camiseta amarela promocional com difíceis dizeres em inglês. Perdi a chance de um bate-papo com ele que talvez fosse fazer essa coluna muito mais interessante. Mas, sem dúvida, tivemos ali mais um exemplo do poder bárbaro que só o esporte e a música têm de aproximar tantas pessoas com realidades, formação e culturas tão diferentes entre si.

gsw4E é exatamente esse poder do esporte que faz dele um grande negócio. E ninguém melhor que os americanos para promover isso. Com a expansão crescente desse enorme negócio, a inteligentíssima estratégia da NBA contagiou todo mundo globalizado. Contagiou crianças e adultos, espantados com o que um LeBron ou um Stephen Cury “da vez” são capazes de fazer, dentro e fora da quadra. Contagiou os chineses e os indianos. Brasileiros e argentinos. Africanos e europeus. Homens e mulheres, em todos os cantos, que agora correm atrás da bola laranja através de suas “SmartTVs” e de seus “Smartphones”. Contagiou a mim e contagiou o carteiro que continuava o seu trabalho pelos endereços da vizinhança em mais um sábado de inverno.

mikeMas o ponto aqui não é o alcance mundial do basquete americano altamente internacionalizado, até porque isso não é novidade para nenhum de nós. O que realmente tira o meu sono é o quanto estamos aprendendo com todas essas lições diárias que recebemos da NBA em cada jogo, em cada evento de playoff ou mesmo em cada comercial no estilo “be like Mike”. Mesmo aqui em nossa “pátria de chuteiras” 99% monotemática em termos de marketing esportivo, é cada vez mais comum vermos nossas crianças batendo bola ou passeando no shopping-center vestidas com a camiseta do Barcelona, com a chuteira colorida do Messi ou com o agasalho do Manchester United. Cada vez mais comum nossas crianças imitando as poses do Ibrahimovic ou do Cristiano Ronaldo em frente ao espelho.

neymarIsso tudo mesmo no futebol, que traz um forte “recall emocional” dos “times de coração” que ainda consegue ser transmitido através das gerações. E isso tudo mesmo no futebol, onde ainda somos capazes de revelar Ronaldos e Neymares, e onde milhões e milhões de torcedores ainda são apaixonados pelas mesmas cores. E mesmo no futebol, a concorrência com a enorme capacidade de organização, desenvolvimento, promoção e consequente poderio econômico das ligas estrangeiras vai levando a atenção dos nossos atuais e futuros “torcedores-consumidores” a cada dia que passa, cada vez mais rápido.

guga25E o que falar então dos outros esportes, como o basquete, que não possuem esse “recall emocional” em massa do futebol? Às vésperas de uma Olimpíada em nosso país, logo vamos começar a assistir as propagandas das grandes marcas, todas com belas imagens do Rio de Janeiro, combinadas com famosos e figurantes saltando obstáculos em alta velocidade, rompendo linhas de chegada, mergulhando, velejando, batendo recordes e até arremessando com precisão da linha dos três pontos. Porém, um breve olhar nas contas obscuras das nossas confederações, nos dirigentes “perpétuos”, contratos suspeitos, calotes salariais, escândalos de corrupção e, principalmente, em todo o amadorismo que engessa a “gestão” esportiva no Brasil, é suficiente para mim ou para qualquer criança vestida de Messi, concluir que ainda dependeremos de “heróis” isolados como um Guga, um Cielo, uma Sarah Menezes, um Scheidt, um Arthur Zanetti ou mesmo um Leandrinho “da vez” para termos alguma chance de brilhar nas quadras, piscinas ou arenas. Tanto nesse quanto nos próximos “ciclos olímpicos”. Triste demais.

gsw11Como um amante do basquete, ingenuamente adoraria ver torcedores na rua serem abordados por outros, todos vestindo com orgulho suas camisas do Franca Basquete, do Esporte Clube Pinheiros, ou do Brasília, do Bauru Basket. Ingênuo que sou, sonho em presenciar mais vezes o que aconteceu comigo e com o carteiro, em frente ao salão do barbeiro em uma manhã qualquer de sábado. Não tenho a menor dúvida que, se aprendêssemos apenas o básico com as grandes ligas, teríamos aqui espaço, dinheiro e público de sobra tanto para o encanto showtime da NBA, quanto para os campeonatos de basquete locais. Mas, infelizmente, essa “disputa pela audiência” nos mais variados canais é hoje uma enorme covardia, um massacre desproporcional, um verdadeiro Davi contra Golias, um 7×1 recorrente, algo tão absurdo como o carteiro do meu bairro querendo acabar com o G-mail…

* Flávio Franco é brasileiro e viciado em esportes há 40 anos.

Tem alguma coisa bacana pra dizer? Envie para fabio.balassiano@gmail.com que eu publico!


Ainda assimilando a troca, Tiago Splitter fala sobre ida para o Hawks
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Fábio Balassiano

tiago5O dia 1º de julho de 2015 já está marcado na vida de Tiago Splitter. Aos 30 anos, foi a primeira vez em sua vida que ele foi trocado por um time. A negociação desta quarta-feira fez com que o San Antonio Spurs, time que ele jogou as suas primeiras cinco temporadas da NBA, o enviasse para o Atlanta Hawks logo na abertura da janela de transferências da liga norte-americana.

Splitter viveu sentimentos distintos com a notícia desta quarta-feira, mas quer virar a página no reencontro com Mike Budenholzer, hoje técnico do Hawks e antes assistente dele no Spurs, viver momentos felizes na Geórgia. O brasileiro embarca nesta própria sexta-feira para Atlanta, onde tem exames médicos e conversas já marcadas com Budenholzer e a comissão técnica de sua nova equipe. Conversei com ele ao telefone sobre tudo isso na tarde de ontem.

pop1BALA NA CESTA: Como você recebeu a notícia da sua troca? Quem te ligou, quem lhe contou?
TIAGO SPLITTER: Foi na quarta-feira pela manhã mesmo que fiquei sabendo. Recebi uma ligação do técnico Gregg Popovich me passando a notícia. Ele me disse o time para o qual seria trocado (o Atlanta Hawks), agradeceu bastante o meu trabalho e outras coisas mais também. Sendo bem sincero eu realmente esperava alguma coisa em relação a negociação, alguma mudança. Vivi sentimentos distintos, mas estou feliz que vou pra um time que conheço o técnico (Mike Budenholzer), o assistente Neven Spahija, que foi meu técnico na Espanha quando jogava no Baskonia (temporada 2007/2008), e outros profissionais que trabalharam no Spurs. Além da comissão técnica, há atletas que respeito muito. É um grupo que conheço e que me sinto bem em fazer parte. Foi a final do Leste na temporada passada e quer atingir patamar ainda maior. Isso é bom.

splitter1BNC: Você saiu do Brasil muito cedo (16 anos), ficou muito tempo no Baskonia (mais de uma década) e imagino que gostaria de permanecer mais em San Antonio. É um sentimento diferente de tudo o que já havia vivido na carreira, este de ser negociado pelo time?
SPLITTER: Com certeza é um sentimento diferente. É a primeira vez na minha vida que isso acontece. De ser, digamos, cortado, trocado de um time. É diferente. Todos os jogadores, do Tim Duncan aos mais jovens, me mandaram mensagem, me ligaram, vieram falar comigo. Era um ambiente gostoso. O San Antonio Spurs era o clube que eu queria estar, mas o mercado da NBA, você sabe bem, é assim, profissional, e a gente tem que aceitar. Por um lado é triste sair. Mas estou muito feliz que estou indo para Atlanta, lugar bacana e um ótimo time. Gostei da cidade em todas as vezes que fui lá. E o time é excelente. Todo mundo chama o Hawks de Spurs do Leste, né? É bem por aí mesmo.

tiago3BNC: Você tem um filho muito pequeno (Benjamin, de três anos). Como será para a sua família essa mudança de San Antonio para Atlanta, na Geórgia?
SPLITTER: Minha família gostou. Eles sabiam que iria acontecer alguma coisa comigo. Era algo que sabíamos que poderia ocorrer. Além da cidade (Atlanta), que é maravilhosa, todos estão muito felizes pelo time que caí. No final da temporada passada os dirigentes do Spurs nos falaram que aconteceriam mudanças e assim foi feito. Mesmo assim agradeço bastante o que eles fizeram por mim. Ganhei um anel de campeão da NBA com o time em 2014. Serei eternamente grato por isso. É o momento que guardarei para sempre na minha memória, principalmente pela maneira que aconteceu. Perdemos de uma maneira traumática no ano anterior e conseguimos, contra o mesmo adversário (Miami), vencer o tão sonhado título.

mike1BNC: Falando um pouco do Atlanta. Você já chegou a conversar com o técnico Mike Budenholzer? Ele já chegou a falar um pouco de suas novas funções no Hawks?
SPLITTER: Ele me ligou, sim. Conversamos algumas coisas, mas ainda está muito cedo. Ele estava muito feliz de me ter por perto novamente e nesta sexta-feira viajo para encontrá-lo. A negociação só se torna oficial no dia 9. Farei exames médicos e falarei com ele até lá.

tiago6BNC: O Atlanta renovou om o Paul Millsap e, em teoria, você chega para ser reserva dele e do Al Horford no garrafão. Ser reserva é algo que lhe incomoda neste ponto da sua carreira?
SPLITTER: Vou ter tempo de conversar com o Mike (técnico) sobre tudo isso e ver os objetivos que ele tem para mim, mas de cara digo que ser reserva não é problema. Quero jogar, quero brigar pela posição, quero ajudar a equipe a alcançar bons resultados. O Kyle Korver mesmo, ala da equipe, já me mandou mensagem desejando as boas-vindas. Até neste ponto, das bolas de três, o Atlanta parece com o Spurs. É um time que sempre busca a bola de três, e o Korver em especial. É algo que eles fazem bem rodando a bola e encontrando o jogador livre para arremessar. Acho que encaixa bem no meu estilo também.

splitter2BNC: Cheguei a escrever que no Atlanta você pode ter mais liberdade ofensiva em relação ao que estava tendo no Spurs. É algo que você já chegou a pensar?
SPLITTER: Sim, é algo que já pensei, mas ainda é cedo para definir qualquer tipo de meta ou sistema de jogo. Vamos ver como tudo vai se encaixar no treinamento, na pré-temporada. Sei que há uma ansiedade, uma perspectiva para o que irá acontecer comigo, mas já aprendi que este tipo de coisa ocorre normalmente. Você vê a necessidade do time e durante a temporada ajusta para que a equipe tenha mais possibilidade de ganhar jogos. É assim que deve funcionar no Atlanta. Antes quero me treinar bastante na Espanha, onde irei fazer minha preparação individual, para chegar bem na pré-temporada da equipe.

tiago2BNC: Pra fechar: conte um pouco como foi esta excursão que você fez pelo Sul do país. Você viajou em uma Kombi, passou por algumas cidades fazendo clínicas e estando com a molecada. Foi um momento especial para você, né?
SPLITTER: Ano passado fiz o meu camp em Blumenau e recebi muitos e-mails pra fazer a mesma coisa em outras cidades. Então resolvi fazer, e fazer forma seguida. Ou seja: um dia em cada cidade (Curitiba, Blumenau, Florianópolis, Porto Alegre e Joinville). Resolvi fazer algo diferente, viajando exatamente da mesma maneira que eu jogava – de Kombi. A ideia foi acompanhada pela TV Globo e será divulgada antes das Olimpíadas de 2016. O mais interessante foi ver nos olhos das crianças os mesmos sonhos que eu tinha na idade deles. Isso é o mais bacana de tudo. Hoje posso estar neste posição de ídolo e creio que posso deixar algumas mensagens bonitas para a molecada. Gostaria que, antes, quando eu era jovem, tivessem feito a mesma coisa comigo. Mostro vários exemplos, como as derrotas que tive e a forma como você pode usar isso como superação para atingir as vitórias na carreira.


O que esperar de Tiago Splitter no Atlanta Hawks?
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Fábio Balassiano

demarre1O mercado de agentes-livres da NBA começou bem agitado (mais aqui). Das principais novidades de ontem renovaram com seus times Kevin Love (Cavs), Anthony Davis (Pelicans), Kawhi Leonard (Spurs), Jimmy Butler (Bulls), Goran Dragic (Heat), Khris Middleton (Bucks), Brook Lopez (Nets), Danny Green (Spurs) e Brandon Knight (Suns).

ENTREVISTA: TIAGO SPLITTER FALA SOBRE A TROCA QUE O LEVOU PARA O ATLANTA HAWKS

O ala DeMarre Carroll (foto) foi o que fugiu à regra, mudando de ares e saindo de Atlanta para assinar por 4 anos e US$ 60 milhões com o Toronto Raptors. Com a chegada de DeMarre a situação de Bruno Caboclo só não fica pior porque a franquia conseguiu, enfim, colocar em prática seu plano de ter uma equipe na D-League e o brasileiro terá tempo de quadra por lá).

tsplitterOutro brasileiro também viu o mercado mudar a sua vida. Sem poder de escolha Tiago Splitter foi trocado pelo San Antonio Spurs para o Atlanta Hawks (mais aqui). Prontos para oferecer o contrato máximo pelo ala-pivô LaMarcus Aldridge (falei dele aqui), os texanos tiveram que abrir espaço na folha salarial. O camisa 22 foi o escolhido sem muita cerimônia (US$ 8,5 milhões na próxima temporada).

No profissional mercado da NBA as coisas funcionam assim mesmo, e por mais que o técnico Gregg Popovich tenha elogiado a evolução de Tiago (sendo uma força defensiva imensa pra equipe) a oportunidade de contratar um craque (Aldridge), ficando com um time forte por muito tempo (Danny Green e Kawhi Leonard renovaram), fez com que os Spurs abrissem mão de seu pivô titular nos últimos anos. Algo bem natural até.

splitter2A mudança, analisando o cenário agora (com calma e pensando que a troca já rolou e não tem volta), não foi ruim para o brasileiro, não. Poderia, isso sim, ter sido muito ruim caso o Spurs tivesse despachado seu pivô para um time de nível muito baixo ou em reconstrução. Não foi isso que ocorreu.

O Atlanta, não custa lembrar, foi o melhor time do Leste na temporada regular, chegou à final de conferência, tem um técnico que foi assistente do Spurs por muito tempo (Mike Budenholzer, eleito o melhor da temporada passada) e joga em um estilo bem parecido com o do San Antonio (falei disso aqui anteriormente). Não será, portanto, algo completamente fora dos padrões para Tiago, que terá espaço na rotação de sua nova equipe.

tiago1Dentro de quadra, porém, não será mole, não. Valorizado, o ótimo ala-pivô Paul Millsap renovou ontem o seu contrato e permanece na franquia pelos próximos três anos (US$ 57 milhões). Com isso, provavelmente Splitter sairá do banco para fazer as suas funções revezando com Millsap e Horford. Uma possibilidade ainda remota é, com a ausência de DeMarre Carroll, Budenholzer colocar Millsap na posição 3, Horford de ala-pivô e Tiago de “cincão''. Não creio que o técnico comece assim a temporada, mas pode ser uma ótima alternativa durante os jogos, sim.

A mudança é ruim, claro (ninguém quer sair do Spurs), mas está longe de ser uma tragédia. Splitter continuará tendo tempo de quadra, e poderá mostrar algo além do repertório defensivo que vimos em San Antonio. Com um elenco “aberto'' a novos golpes no ataque, talvez consigamos ver o brasileiro com um pouco mais de liberdade para atacar a cesta, mostrando, assim, o jogador completo que nos acostumamos a acompanhar desde os seus tempos de Baskonia, na Espanha. Que ele tenha cabeça fria para assimilar o golpe e sucesso em sua nova jornada.


Com o amadorismo da CBB, o risco real do Brasil ficar fora da Olimpíada
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Fábio Balassiano

nunes1Todo mundo sabe que a Confederação Brasileira tem uma dívida imensa para pagar à FIBA (Federação Internacional de Basquete) ainda em relação ao famigerado convite da Copa do Mundo masculina de 2014. Está em atraso de aproximadamente US$ 700 mil e levou (mais) um pito público da entidade máxima do basquete do planeta. A matéria completa do UOL Esporte conta isso em detalhes (leia aqui ).

A novidade da declaração da FIBA ao UOL é que a entidade NÃO aceitou a proposta de parcelamento do pagamento da dívida proposta pela CBB. Talvez escaldada pelos calotes anteriores, ciente que a dívida da Confederação superou os R$ 13 milhões ao final de 2014 e que não há a menor perspectiva de melhora no curto prazo (seja com a entrada de patrocinadores, novos investimento ou mudança de gestão), a Federação Internacional não aceitou prolongar o problema até 2019 (2019!!!), bateu o martelo, disse que aguarda solução até 31 de julho e ameaçou, até, suspender as seleções de competições futuras. Isso tudo com Comitê Olímpico Brasileiro (COB) envolvido, hein. Vejam o tamanho da vergonha que o basquete brasileiro alcançou de tempos pra cá.

fiba1Notem: suspender países (Confederações) não é algo novo para a FIBA, que já fez o isso com Panamá em 2013 e Japão em 2014 (Japão que, não custa lembrar, será a sede das Olimpíadas de 2020, a próxima depois do Rio-2016). Nos dois casos (estes são os dois mais recentes, mas já houve mais – Filipinas, Líbano etc.) a Federação Internacional pede mudança de gestão e cita problemas não solucionados entre as duas partes (financeiros, muito provavelmente). Não é um cenário muito diferente do que acontece entre ela, FIBA, e CBB, portanto e acho bem prudente a Confederação Brasileira colocar todas as suas barbas de molho.

nunes3Creio, ainda, que haverá uma solução positiva para as seleções brasileiras até a próxima assembleia da FIBA (começo de agosto). Não que a CBB mereça, mas pelo simples fato que a Federação Internacional não querer se indispor ao ponto máximo com Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Comitê Organizador local e até Ministério do Esporte (o grande patrocinador do basquete brasileiro – 57% das receitas da Confederação vieram do governo em 2014).

Parece-me uma clara forma da FIBA escancarar para a opinião pública de todo mundo a deprimente gestão de Carlos Nunes à frente da Confederação Brasileira e uma pressão até o último fio de cabelo dos dirigentes brasileiros para pagarem o que devem à Federação Internacional (e aí fica até a lícita dúvida se não há mais o que pagar além do convite da Copa do Mundo de 2014 pois sabemos que a situação financeira da CBB é terrível).

magnano1Além disso, não custa lembrar que com este panorama desenhado a FIBA acaba forçando o técnico Rubén Magnano, da seleção masculina, a levar seu time completo para o Pré-Olímpico masculino (até que provem o contrário a vaga estará sendo disputada mesmo nas quadras mexicanas), algo que valoriza o evento de uma de suas afiliadas (FIBA Américas) e causa um enorme desconforto na relação da Confederação Brasileira e seus principais jogadores. O ano de 2015 fora programado para que atletas de NBA e Europa descansassem, chegando firmes e fortes para a preparação dos Jogos Olímpicos de 2016. Sem a vaga sacramentada, não há outra opção para Magnano que não convocar todas as suas peças (que situação ficou o técnico, hein…). Resta saber como eles irão reagir não a lista do treinador, mas a mais uma tenebrosa situação a que são submetidos devido a mais esta falha de gestão.

nunes2Falta quase um mês para os Pré-Olímpicos e ninguém sabe se o Brasil terá que jogar a vida por uma vaga no México (masculino) e no Canadá (feminino). Falta quase um mês para a Olimpíada e ninguém tem ideia se as duas seleções estarão na quadra para representar o país no Rio de Janeiro. O amadorismo dos dirigentes da CBB, desta CBB comandada por Carlos Nunes desde 2009, deixa tudo ainda no terreno da incerteza. E o pior é o seguinte: sem ser pressionado por opinião pública, atletas, presidentes de federação e clubes, não há a menor possibilidade de Nunes pedir para sair. Pobre basquete brasileiro.


Mercado de agentes-livres da NBA abre amanhã – olho em LaMarcus Aldridge
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Fábio Balassiano

aldridge1Começa no primeiro minuto desta quarta-feira o mercado de agentes-livres da NBA (aqui a lista completa). Jogadores (e seus agentes) podem se reunir com as franquias para ouvir propostas e tomar decisões a respeito de seus futuros. As assinaturas dos novos contratos, porém, só podem ocorrer até 9 de julho. Até lá, o nome que mais chama a atenção neste verão americano é o de LaMarcus Aldridge.

Ala-pivô do Portland Trail Blazers desde 2006/2007, o camisa 12 teve 23,4 pontos e 10,4 rebotes de média na última temporada e avisou a franquia que não permanecerá no Oregon. Cortejado, seus agentes já agendaram incríveis SETE entrevistas até quinta-feira. Lakers, Mavs, Rockets, Spurs, Knicks e Raptors estão entre os times que conversarão com o atleta segundo informa a ESPN norte-americana informa.

wade1Sua tomada de decisão deve movimentar o mercado, mas há outros nomes que chamam a atenção. Marc Gasol, pivô do Memphis, está na Espanha e disse que nem conversará com outro time caso o Grizzlies lhe ofereça a bola que (ele acredita que) merece. Os Knicks, que queriam o pivô, já descartou contratá-lo aliás. LeBron James se colocou como agente-livre, mas deve renovar com o Cleveland por um valor maior valendo-se do novo teto salarial que valerá a partir de 2016/2017. Outro que quis se colocar disponível é Dwyane Wade (foto). Astro do Miami há mais de uma década, o camisa 3 tem seu nome cogitado no Cavs inclusive, mas também em Los Angeles, onde se uniria a Kobe Bryant. Até o momento, porém, é tudo rumor.

love4Ainda há, claro, os nomes de Kevin Love (foto), Rajon Rondo, Paul Millap, Greg Monroe, Monta Ellis, Goran Dragic, DeAndre Jordan, Jimmy Butler, Kahwi Leonard e Draymond Green. Os três últimos da lista são agentes-livres restritos, o que significa o seguinte: eles podem ouvir propostas, mas se aceitarem um contrato de outra franquia o seu atual time pode “cobrir'' a oferta. Exemplo prático: Butler recebe oferta de US$ 100 milhões por 5 anos do Lakers. Ele aceita. Chicago decide que vale a pena bancar os mesmos US$ 100mi por 5 anos e cobre a oferta. Butler fica no Bulls.

kawhi1A quarta-feira promete ser agitada em um dos mercados mais concorridos dos últimos tempos. Times com história forte, como Lakers, Celtics e Knicks, têm muita grana para gastar (há espaço na folha salarial) e precisam dar respostas rápidas às suas exigentes torcidas.

É bom, portanto, ficar de olho aberto. LaMarcus Aldridge puxa a fila, mas há inúmeras boas opções para as franquias montarem seus elencos para as próximas temporadas. Quem se sairá melhor nas “compras''? Vocês têm palpites? Comentem!


Sobre a saída de Tom Thibodeau do Chicago Bulls
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Fábio Balassiano

tom31Acabou que os assuntos se acumularam e não falei sobre a saída de Tom Thibodeau do comando técnico do Chicago Bulls na NBA. Foram cinco temporadas completas (255-139, 64,7% de aproveitamento), todas com ida ao playoff (23-28, 45,1% de aproveitamento) e no final o gosto amargo de o treinador não ter levado a franquia às finais da liga pela primeira vez em (agora) quase 20 anos (1998 foi a última, lembramos bem da Era Jordan, né?).

thibs1Fui e sou contra a demissão de Thibs pelo fato de o técnico nunca ter pego uma equipe completa para treinar durante a temporada com as seguidas lesões de Derrick Rose e por acreditar que o time, com as chegadas de Pau Gasol e Nikola Mirotic, tinha muito a crescer no próximo campeonato. Mas é possível entender bem o movimento da diretoria do Chicago ao ler o release que está no site citando problemas internos inclusive. Mas não foi só isso. A frase do presidente Gar Forman é bem explicativa: “Quando contratamos Tom em 2010 ele era o comandante certo para o time e sistema que tínhamos. Para seguirmos crescendo uma mudança na forma de dirigir era necessária''.

fred1Por isso chegou Fred Hoiberg (cinco anos, US$ 25 milhões no imenso contrato), ex-jogador do Chicago inclusive (entre 1999 e 2003, sem muito brilho). Como técnico, Hoiberg ficou entre 2010 e 2015 na Universidade de Iowa State e conseguiu quatro participações no Torneio Nacional (o March Madness). Mais do que a performance de vitórias e derrotas, o que animou a diretoria do Bulls foi a forma que ele conseguiu dirigir a equipe no circuito universitário: aliando velocidade, tiros de três sem cerimônia (quase 40% dos arremessos do time na última temporada foram de fora) e, claro, muita pressão defensiva. Isso foi explicado em ótima e bela análise do blog Olho de Chicago, e você pode ler clicando aqui.

fred2Não foi, portanto, uma simples mudança de técnico. Foi uma mudança de conceito, de filosofia, de enxergar um jogo que tem mudado. Certamente impulsionada pelo crescimento de times como Golden State e Houston Rockets, que usam bastante as estatísticas (analytics) para evoluir ano após ano, a diretoria do Chicago acreditou que trocando um técnico, digamos, mais “old-school'' (à moda antiga) por alguém com uma visão diferente do basquete os resultados surgirão mais rapidamente. É um risco, mas um risco que a franquia avaliou como sendo válido para a qualidade do elenco que há nos Bulls e por uma ausência em finais há quase duas décadas.

fred3Se vai dar certo ou não é impossível dizer. Do meu canto ainda acredito que Thibodeau poderia dar outra cara aos Bulls desde que a franquia fizesse as aquisições necessárias. Mas ele não está mais lá, sua troca foi compreensível e é imperativo dar chance a Fred Hoiberg de ajeitar a casa por lá. Para tanto, é fundamental que algum matador de bola no perímetro seja contratado. Do contrário, o jogo que o novo comandante tanto gosta não surtirá efeito.