Bala na Cesta

Visando a Paralimpíada, seleções brasileiras terminam preparação em Niterói
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Fábio Balassiano

paralimpiada310Terminou a fase de preparação das seleções brasileiras masculina e feminina de basquete em cadeira de rodas visando as Paralimpíadas do Rio de Janeiro. Os times realizaram três amistosos contra a Espanha em Niterói entre 26 e 28 de agosto, e agora se aproximam da entrada na Vila Olímpica.

Sob o comando do treinador Tiago Frank, a seleção masculina faz sua estreia, no dia 8 de setembro, contra uma das equipes favoritas: os Estados Unidos (15h15). Na primeira fase, a equipe brasileira, que integra o Grupo B, enfrentará também Alemanha, Grã-Bretanha, Irã e Argélia. O Grupo A conta com Espanha, Austrália, Canadá, Turquia, Holanda e Japão. Os quatro melhores de cada chave avançam às quartas-de-final.

paralimpiada120Vale lembrar que o Brasil chega à Paralimpíada depois de uma série de bons resultados em amistosos, além de ter conquistado o tetracampeonato no Sul-Americano de 2016. Este ano o time masculino venceu três de quatro amistosos contra a Alemanha, medalha de bronze no Campeonato Europeu do ano passado, e três de quatro jogos contra o Canadá, atual campeão paralímpico. No Sul-Americano, o Brasil venceu Peru, Venezuela, Argentina, Colômbia e Uruguai. Contra a Espanha, nesta última semana, duas vitórias em três duelos.

foto10Já a seleção feminina, medalha de bronze no Parapan de 2015, enfrenta a Argentina na sua primeira partida nos Jogos Paralímpicos no dia 8 de setembro às 12h15. Em maio, a seleção encarou e venceu as argentinas em quatro amistosos. A equipe brasileira também enfrentou em uma série de três amistosos as canadenses campeãs mundiais, com saldo final de uma vitória e duas derrotas. O time é comandado pelo treinador Martoni Sampaio. O Brasil integra o Grupo A, que conta com Canadá, Alemanha, Grã-Bretanha e Argentina. O Grupo B é formado pelas seleções dos Estados Unidos, Holanda, França, China e Argélia. Também avançam à segunda fase os quatro mais bem colocados.

paralimpiada210Sobre o basquete em cadeira de rodas -> A modalidade nasceu nos Estados Unidos, em 1945, sendo praticada por ex-soldados do exército norte-americano feridos durante a 2ª Guerra Mundial. É uma das poucas que esteve presente em todas as edições dos Jogos Paralímpicos. As mulheres disputaram a primeira Paralimpíada em Tel Aviv, no ano de 1968. O basquete em cadeira de rodas é praticado por atletas que tenham alguma deficiência físico-motora, sob as regras adaptadas da Federação Internacional de Basquete em Cadeira de Rodas (IWBF). As cadeiras são adaptadas e padronizadas, conforme previsto em regra. As dimensões da quadra e a altura da cesta são as mesmas do basquete olímpico.

Atenção1: Aqui está a tabela completa dos Jogos Paralímpicos
Atenção: Ainda há muitos ingressos para o basquete paralímpico. Aqui o site oficial.

Tags : Rio-2016


Primeira Pesquisa Bala na Cesta – responda você também!
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Fábio Balassiano

bnc1Com o objetivo de saber melhor a opinião de vocês, leitores, o blog está lançando a sua primeira pesquisa de satisfação. É uma tentativa de saber o que vocês estão gostando, o que não está indo tão bem o que pode ser melhorado.

O respondente terá a sua identidade totalmente preservada, então não se preocupe em responder exatamente o que está sentindo (com críticas ou questionamentos). É a primeira que faço e creio que uma das primeiras da Blogosfera basqueteira do país. Quanto mais dados, menos empirismo, melhor para todos!

Até o momento já foram mais de MIL respostas, um “caldo'' considerável e fundamental para os próximos passos deste espaço. Responda você também clicando aqui!


Análise Final – Seleção Brasileira Feminina no Rio-2016
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Fábio Balassiano

Na semana passada analisei aqui a seleção masculina no Rio-2016. Vamos agora ao que deu certo e ao que não foi tão bem com a seleção feminina, que terminou a Olimpíada com 0-5, a pior campanha de sua história e na penúltima colocação (na frente apenas do possante time do Senegal):

O QUE DEU CERTO:

damiris11) Damiris na ala – Foi uma aposta do técnico Antonio Carlos Barbosa antes da Olimpíada. Tinha um pouco de medo pelo fato de Damiris nunca ter jogado uma competição internacional mais longe da cesta, no perímetro e contra atletas de bom nível. Mas deu muito certo. A camisa 12 terminou como a cestinha brasileira (16,8 pontos), 7,6 rebotes, teve bom aproveitamento nas bolas de dois pontos (50%), razoável acerto nos tiros longos (36%, acertando pelo menos uma cesta de três pontos em quatro das cinco partidas da primeira fase) e tendo 10+ pontos em todos os jogos que disputou. Se a campanha brasileira foi um fiasco, ao menos o país saiu do Rio-2016 com um projeto de formação que coloca as três principais jogadoras (Érika, Clarissa e Damiris) jogando juntas ao mesmo tempo e sem problema algum. Que ela continue a atuar assim, no perímetro e evoluindo nos fundamentos, em seu clube (o Corinthians / Americana) também.

izi12) Iziane (em alguns momentos) – A agora ex-jogadora (ela confirmou que se aposentadoria ao blog antes da Olimpíada, lembram?) começou a Olimpíada voando contra Austrália (25 pontos) e Japão (20 pontos), ruiu com o time contra Bielorrússia e França, mas fez 22 pontos em sua despedida contra a Turquia e terminou com 15,8 pontos de média, a segunda mais alta da equipe. Em um deserto de talento, tentou se desdobrar para pontuar no perímetro mesmo com limitações físicas que a atormentavam. O choro com sua mãe (foto ao lado) depois do confronto contra a Turquia, que eliminou a seleção definitivamente e colocou ponto final em sua carreira, foi um dos momentos mais bonitos da participação vexatória da equipe feminina no Rio de Janeiro.

joice3) Pequenas doses de Joice – É dor e alegria ao mesmo tempo. Acerta muito rápido e erra na mesma velocidade. Mas aos 29 anos mostrou que, em doses homeopáticas, pode ser útil nessa transição que passará o time feminino. Vendo-a jogar gosto de sua intensidade defensiva, mas me dá nervoso a sua condução de jogo/de bola / de ritmo. Creio que falte, mesmo, alguém que lhe mostre exatamente qual o momento de acelerar, o de segurar a partida, o de encontrar as suas companheiras e o de decidir por ela mesma. Sua vibração, se bem canalizada, porém, pode ser um ótimo remédio para um time que sofre quase sempre de depressão antes, durante e depois das partidas.

Clarissa4) Clarissa – Ala-pivô com uma explosão física descomunal, Clarissa terminou com 14,2 pontos e 12,4 rebotes de média. Registrou duplo-duplo em quatro de suas cinco partidas na Olimpíada e provou que deve ser peça-chave não só na equipe brasileira, mas na construção do basquete feminino do país. Possui problemas graves a serem corrigidos (leitura de jogo, muito fundamento, principalmente no passe e na tomada de decisão), mas ao mesmo tempo que dá um pouco de nervoso quando desperdiça bolas em profusão (6 contra a França, 3 contra Turquia e Japão – muita coisa), mostra uma disposição invejável perto da cesta. Se sua postura e suas ações fora de quadra são muito aquém do que se espera de um atleta profissional (sua visão sempre contemplativa e passiva irritam demais aos que querem ver mudanças no basquete brasileiro, mas aí é outra questão), perto da cesta ela tem atingido um nível internacional muito bom e muito além do que a galera que a viu jogando no Fluminense e na Mangueira há quase uma década poderia supor. Ela é um dínamo em pontos e rebotes e merece ser tratada com carinho no próximo ciclo olímpico.

O QUE NÃO DEU CERTO:

bra41) Antonio Carlos Barbosa – Não creio que precise falar, pois o Brasil foi uma catástrofe técnica e tática do início ao fim. Embora Barbosa tenha ido bem ao optar por Damiris na ala, abrindo espaço para o trio Érika-Clarissa-Damiris jogar junto, foi só isso de bom que tivemos em termos estratégicos para a Olimpíada. A opção por, de novo, deixar Iziane jogar apenas no um-contra-um se mostrou infrutífera e facilmente marcada pelas adversárias (a ala nem sequer recebia bloqueio…). O famoso high-low (jogo em que um pivô em cima do garrafão passa para o outro perto da cesta) dava certo com Alessandra, Cintia, Leila e Marta, mas obviamente não daria tão certo com Érika e Clarissa, pivôs que não passam bem, que não têm bola leitura de jogo e cujos arremessos de média distância não causam tanto dano assim aos rivais. O que as seleções faziam? Davam espaço no perímetro, fechavam a porta para o passe de entrada perto da cesta e dificultavam tudo para uma seleção totalmente sem imaginação. E aí tome bola para Iziane ou Damiris na individualização. Bom, né? Não, não é bom. Não é a toa que o Brasil teve a pífia média de 67 pontos/jogo e só conseguiu fazer 70+ pontos na partida de segunda prorrogação contra a Turquia.

barbosa1

Na defesa, outro ponto muito ruim. A marcação por zona foi uma das piores coisas que vi na vida em termos de seleção brasileira. Passiva, espaçada demais, quase um convite para rivais fazerem cestas de qualquer lugar da quadra. Pior do que este tipo de defesa não estar funcionando foi a insistência do técnico em utilizá-la em momentos muito longos dos jogos. Eu sei que lhe faltava material humano (e como faltava…), mas não dava para insistir por tanto tempo assim.

Se este foi o último ato de Barbosa como técnico (agora ele é candidato a presidente da CBB, vocês sabem, né…), não dá pra dizer que a última impressão deixada pelo medalhista de bronze em 2000 com a mesma seleção feminina foi boa.

erika12) Érika – Para mim a maior decepção individual desta Olimpíada. Também não vou entrar, aqui neste post, em suas decisões de fora de quadra (tal qual as de Clarissa, passivas, contemplativas etc.), mas dentro das quatro linhas ela foi muitíssimo mal. Para quem está entre as melhores pivôs do mundo, terminar  com 9 pontos e 44% nos arremessos de dois pontos não me parece um bom indicador. Além disso, Érika se perdeu em quase todas as partidas ao cometer, de cara, faltas em excesso, ficando muito menos tempo em quadra do que a equipe necessitaria dela. De jogo bom, jogo bom mesmo, apenas contra a Turquia (16+11 rebotes), quando a seleção já estava eliminada (ali não adiantava mais nada, infelizmente…). Como líder de um grupo jovem, Érika esteve muito abaixo do que poderia render. Aos 34 anos, ela diz que não deixará de vestir a camisa da seleção. Mas é óbvio que para os próximos Mundial e Olimpíada ela, aos 36 e 38 anos, já estará com muito menos força física do que no Rio-2016.

bra33) Horários iguais aos da seleção masculina – Este é um problema muito menos da seleção em si, mas da CBB e da organização do evento. Só que gera impacto, claro. Quase sempre esquecida, a seleção feminina jogou três vezes no mesmo horário da masculina. Se as atenções já são difíceis de serem conseguidas em condições normais, o que dizer quando horários batem com o do jogo dos rapazes? As audiências das partidas das meninas foram diminutas, e certamente o apoio no ginásio poderia ser maior caso houvesse, como houve com a seleção americana e também com a australiana, uma alternância de datas entre jogos masculinos e femininos (no dia que rapazes jogassem, meninas descansavam e vice-versa). É realmente uma pena que isso tenha ocorrido, causando uma diminuição no interesse pelos jogos delas.

bra54) Controle emocional – Isso não é de hoje e nem creio que tenha sido o principal problema de um time mal treinado e mal organizado taticamente. Mas o pandemônio emocional em que se encontrava a seleção feminina a cada dificuldade era algo que nunca tinha visto também. Vale dizer que em TODAS as partidas da primeira fase o time de Antonio Carlos Barbosa teve no mínimo 9 pontos de vantagem. Em TODAS as partidas sofreu a virada. Em TODAS as partidas ruiu psicologicamente na primeira dificuldade. Aí é difícil compreender. Como passar de um estágio de alegria, exaltação, empolgação, para um de pânico, depressão, tristeza máxima em tão pouco tempo? O jogo contra o Japão, o segundo da fase de classificação, foi emblemático neste sentido. O Brasil abriu vantagem no começo, e na primeira porta aberta viu as japonesas fazerem 54-32 entre o segundo e o terceiro períodos. Em uma partida de 40 minutos, oscilar por um minuto é grave e pode fazer a vitória escapar. Por um período inteiro ou até mais do que isso, então, nem se fala. Para as próximas etapas do período de seleção sugiro um trabalho psicológico sério, e não o que é feito sempre por aqui – faltando 15 dias para a competição contratam um profissional e está tudo bem. É preciso acompanhamento frequente, longo e conhecimento do atleta.

Concorda comigo? Faltou alguma coisa? Comente!


Fala, Leitor: O dia em que encontrei Diana Taurasi e sua medalha de ouro
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Fábio Balassiano

* Por Francielle Fernanda Almeida

diana1Conhecer a Diana Taurasi foi um sonho realizado em minha vida. Sempre via Diana jogar pela TV e pensava em como seria maravilhoso vê-la, mesmo que de longe, pessoalmente. Foi principalmente por causa da mulher que me inspirou a jogar e a amar basquete que fui na semifinal olímpica feminina entre EUA x França na quinta-feira na Arena Carioca I. Vendo que ela era muito atenciosa com os fãs depois do jogo eu tentei tirar uma foto com ela. Não consegui, pois estava muito cheio e Taurasi já tinha que ir para o vestiário. Mas não saí de mãos abanando. Literalmente.

fernanda3Diana jogou sua toalha para a torcida e, adivinhem, eu a peguei. Já estava tudo maravilhoso. Tinha a toalha da minha ídolo, fiquei muito feliz e voltei pra casa nas nuvens. Só que sabe como é, fã que é fã nunca está satisfeito. Na final, entre EUA e Espanha, eu queria muito a sonhada foto com ela. A atleta que sempre me inspirou a persistir nesse esporte tão maravilhoso que é o basquetebol estava tão pertinho de mim que não poderia deixar isso passar. Foi aí que resolvi fazer um cartaz exatamente com o que sentia e com o que queria. A mensagem era: “Taurasi, eu jogo basquete por sua causa. Por favor, tire uma foto comigo“.

fernanda2Como era uma final olímpica e tinha todo aquele protocolo de premiação depois que o jogo acaba eu não estava muito confiante que conseguiria isso. Se eu conseguisse que ela lesse o cartaz e agradecesse mesmo que de longe, já ficaria satisfeita. Era nisso que estava me apegando depois que os EUA conquistaram o ouro olímpico. E aconteceu! Quando Diana Taurasi estava no pódio para receber a premiação, chamei a atenção dela balançando muito o cartaz (risos). Ela leu e agradeceu batendo a mão no peito. Nesse momento já estava emocionada.

diana2Mas sabe como é, fã que é fã nunca está satisfeito e eu ainda continuaria ali no meu lugar para tentar a sonhada foto. Sou brasileira e não desisto (risos). Foi aí que um coordenador da delegação norte-americana viu o cartaz e se comoveu. Pediu que os fotógrafos oficiais tirassem fotos do meu cartaz e solicitou que alguém chamasse a Taurasi. Já estava desesperada, pois ela já estava indo pra zona de entrevistas e normalmente depois disso os atletas vão direto para o vestiário. O coordenador veio do meu lado e disse: “Fique tranquila, ela está vindo''. Tranquila? Eu? Aham…

fernanda1E aí, sim, aconteceu. Aconteceu. Eu vi Diana Taurasi vindo em minha direção sorrindo. Meu coração quase saiu pela boca. Não estava acreditando. Era ela vindo lentamente para me encontrar. Quando ela parou na minha frente leu novamente o cartaz, agradeceu e me deu um abraço. Depois fomos tirar a foto e para minha surpresa novamente ela me disse uma das coisas que jamais esquecerei em toda a minha vida: “Agora segura a medalha você''. Nessa hora não sabia o que pensar. Comecei a tremer toda, mas era um pedido dela e eu não poderia negar. Foi lindo, um dia que nunca irei esquecer. E um detalhe: que medalha pesada. Literalmente e emocionalmente.

fernanda4Mesmo tendo a oportunidade raríssima de tudo isso e ter ficado muito feliz, fico triste ao mesmo tempo. Triste porque não temos “Taurasis'' em um país que já foi campeão Mundial na modalidade. Depois da geração da Hortência e da Paula, o basquete feminino no Brasil esta cada vez mais deixado de lado. Temos uma Liga ainda de caráter amador, que em sua ultima edição teve a participação de apenas 6 equipes.

Nas categorias de base então nem se fala. Trabalho como técnica em uma associação (JF Celtics) em Juiz de Fora com a equipe feminina que em sua primeira participação no Campeonato Mineiro já foi campeã Regional. Não temos apoio governamental, nem empresarial.

fernanda5Também sofremos com a pequena procura das meninas pela modalidade. Isso, na minha opinião, é reflexo do grande descaso com o basquete feminino. Depois do ouro no Mundial da Australia em 1994 e a prata nas Olimpíadas de Atlanta em 1996 tínhamos “a faca e o queijo na mão''. Era hora de divulgar e investir na modalidade. Mas não aconteceu.

Espero sinceramente que depois da atuação na seleção feminina nas Olimpíadas seja feita algo por esse esporte tão maravilhoso. E minha maior esperança é que consigamos ter ídolos para que nossas meninas que estão começando na modalidade possam se inspirar. Exatamente como eu me inspirei por Diana Taurasi.

Tags : Fala Leitor


Segunda tentativa: Kouros poderia ser a terceira via na eleição da CBB
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Fábio Balassiano

nunes3Há cerca de três anos escrevi texto aqui após o pleito que reelegeu Carlos Nunes para o que já antecipava que seriam mais quatro anos de terror na Confederação Brasileira. Não precisava ser nenhum gênio para saber disso. Era preciso, mesmo, uma dose de realidade, algo que a turma do oba-oba e do puxa-saquismo não pode enxergar.

Um dos problemas do basquete brasileiro é este mesmo – a falta de senso crítico e a vontade de achar que tudo está bom, de que tudo está caminhando como deveria caminhar. Não, não está bom. Não, não está caminhando como deveria. Posso cometer meus exageros (e os cometo!), mas análises lambe-botas nunca me conquistaram, nunca serão vistas por aqui e quando é necessário colocar o dedo nas feridas irei colocar – justamente porque há inúmeras feridas no basquete brasileiro. O segundo esporte em preferência no país perde espaço há alguns anos e não sabe como se recuperar. Qual é o plano? Ninguém sabe simplesmente porque não há (plano) por parte das mentes pouco brilhantes que habitam a CBB.

nunes8Por causa disso tudo listado acima eu falo a realidade sobre o mandatário da entidade máxima do país há 8 anos: Carlos Nunes é uma figura simpática, educada, mas vive em uma bolha, em seu mundo, alienado da realidade e tranquilo com o que não faz. Sua noção do que há de mais moderno em gerenciamento de empresas inexiste. Previa, em 2013, um desastre pelos quatro anos seguintes. Veio uma verdadeira tsunami de notícias ruins. Dívida crescente (passou dos R$ 17 milhões, algo absurdo!), nenhuma capacitação dos professores, não mais do que ideias sobre o tão necessário Centro de Treinamento (eram só maquetes, como supunha), resultados internacionais horrorosos, esfacelamento da base, situação pré-falimentar no feminino, perda do respeito internacional, nenhuma massificação com a Olimpíada no país etc. .

amarildo1Em minha análise de cenário logo depois da Olimpíada do Rio de Janeiro escrevi que nada mudaria. Tal qual já havia feito em 2013, aliás. Disseram que era uma pessoa negativa. No começo desta semana divulguei que dois nomes surgem como pré-candidatos a presidência da CBB – Antonio Carlos Barbosa e Amarildo Rosa (foto). Nada mais desanimador. Respeito a história de Barbosa como técnico, converso bastante com ele, mas sua experiência em gestão é muito pequena para o que o basquete precisa neste momento. Estamos no fundo do poço pedindo socorro e não vejo nele uma pessoa com as ferramentas necessárias para tirar o esporte de lá. Não é que ele representa o continuísmo. Falta a ele expertise em campos como gestão, planejamento, finanças, marketing e comunicação, algo que o próprio reconhece. O caso de Amarildo é o famoso “mais do mesmo”. São 12 anos de Federação Paranaense, nenhuma obra-prima pelo basquete do Estado ou do país e apoio a gestão de Carlos Nunes por longo tempo. Fico me perguntando o que leva alguém a querer ser presidente de uma entidade com R$ 17 milhões de dívida. Confesso não conseguir responder.

kouros4O que deveria acontecer para o basquete mudar de verdade seria procurar uma via diferente das que estamos vendo. Como a modalidade é um rodamoinho que traz sempre os mesmos temas à tona fui resgatar um texto que escrevi antes da segunda eleição de Carlos Nunes (em agosto de 2012, quase seis meses antes do pleito para ser mais exato). Falava, como uma alternativa para aquele pleito, no nome de Kouros Monadejmi (foto), primeiro presidente da Liga Nacional de Basquete, membro da LNB até hoje e figura respeitada nos altos escalões de FIBA, FIBA Américas e também da NBA. Mantenho o que disse quatro anos atrás pensando na disputa presidencial da CBB para 2017. Kouros para mim seria o cara ideal para assumir a presidência da CBB neste momento.

kouros2E explico. O dirigente, um cara bem resolvido financeiramente (não precisa do esporte para NADA!), tem ideias arejadas, possui noções empresariais bem modernas, atrairia investidores, traria a tão necessária sinergia (de conceitos) entre Confederação e Ligas Nacionais, e certamente daria, com profissionais de alto nível que o cercariam, um choque de gestão em uma entidade que precisa ser balançada para sair do lugar. Mais do que isso: Kouros traria credibilidade a uma Confederação que é mal vista por todos atualmente – FIBA, imprensa (a imprensa séria, claro), clubes, jogadores, todos. O primeiro passo, por incrível que pareça, não é nem pagar a galopante dívida. O primeiro passo para sair do buraco é mesmo mostrar para a tal comunidade do basquete que é possível, sim, trabalhar de maneira diferente no comando da Confederação Brasileira. Algo que foi e é feito na Liga Nacional de Basquete desde a sua fundação há quase uma década. Liga, é bom que se diga, que tem inúmeras falhas, mas cujos ganhos são muito grandes desde seu surgimento.

cbb1O problema, para quem gosta de basquete, é que, como também venho dizendo há anos, o basquete suga as pessoas boas para o lado ruim e extirpa de vez personagens de bem do tabuleiro. Querem um exemplo? O sistema que elege o presidente da CBB é tenebroso. São 26 mandatários de Federação (alguns há séculos no poder) que colocam na urna os destinos do esporte do país. Apenas 26! Logo depois é o Presidente da Confederação que precisa passar a cobrar estes eleitores (dele) para trabalhar pelo esporte. É possível dar certo? Não, não é.

kourosEste é o motivo real pelo qual Kouros jamais embarcará nesta barca furada chamada eleição da CBB. Porque ele não quer participar de um sistema eleitoral viciado e torto. Tão simples quanto isso. Se eu (re)escrevo este texto agora, sabendo que ele, Kouros, irá reclamar comigo quando ler isso é por um motivo singelo: o basquete brasileiro não aguenta, vivo, mais quatro anos com o modelo de gestão que afunda a modalidade há duas décadas com Nunes e Grego.

kouros1Mais do que o nome de Kouros, prego mesmo é uma turma boa, de bem e interessada apenas em desenvolver o esporte brasileiro à frente da CBB a partir de 2017, quando teremos a troca de guarda de Carlos Nunes. Para isso acontecer, ou o sistema eleitoral e político muda ou nada feito. E sendo totalmente realista: é impossível pensar em modificação no panorama atual porque atletas, clubes, dirigentes e profissionais do meio encontram-se anestesiados. Ninguém age. Ninguém questiona o establishment. Na Argentina, aqui do lado, atletas se insurgiram e tiraram o presidente da Confederação. Por aqui? Nada.

E aí o que acontece? Eu vos digo: acontece que em 2017 teremos Antonio Carlos Barbosa ou Amarildo Rosa como presidente da Confederação Brasileira para um dos ciclos mais importantes da história do basquete nacional nos últimos 50 anos. Se está ruim hoje, caso nada de muito diferente aconteça, acreditem: vai piorar.


Análise Final – Seleção Brasileira Masculina no Rio-2016
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Fábio Balassiano

Eu sei que, agora, não adianta de muita coisa. Os Jogos Olímpicos acabaram há quase uma semana, o Brasil foi eliminado na primeira fase com a campanha de 2-3 (vitórias contra Espanha e Nigéria, derrotas para Lituânia, Croácia e Argentina) e, mais do que isso, Rubén Magnano já não é mais o técnico da seleção brasileira masculina ( aqui ). De todo modo, vamos lá a análise final dos acontecimentos na Olimpíada do Rio de Janeiro para o time masculino.

O QUE DEU CERTO:

nene11) Nenê – Que Olimpíada fez o ala-pivô (agora) do Houston Rockets. Intenso, bem fisicamente, atacando a cesta muitíssimo bem, passando ainda melhor e marcando com força. Fez três partidas muito boas (Lituânia, Argentina e Nigéria), e contra os hermanos simplesmente massacrou a Luis Scola com 24 pontos e 11 rebotes. Terminou os Jogos Olímpicos com 13 pontos, 6,4 rebotes e 3 assistências de média. Mais do que isso: conseguiu ser aplaudido pela torcida brasileira. Torcida brasileira que, anos atrás, em 2013, vaiou o cara em um amistoso da NBA. Se a Olimpíada foi um desastre para a seleção brasileira, eliminada na primeira fase, ao menos para o camisa 13 serviu para que ele voltasse a ficar bem com a galera. Em vários momentos teve seu nome gritado, vivendo momentos emocionantes.

benite2) Vitor Benite – Benite terminou as Olimpíadas com a melhor média de pontos por minuto da seleção brasileira. Teve 7,8 pontos por jogo nos Jogos do Rio de Janeiro. Por razões magnanianas que fogem da minha compreensão jogou apenas 13 minutos por jogo. Aos 26 anos, ele é o ala, para jogo FIBA, com a melhor combinação de defesa, arremesso, leitura de jogo e passe que o Brasil tem em seu elenco. Contra a Argentina, marcou bem a Manu Ginóbili e a Carlos Delfino, fez 13 pontos em um período (o segundo), incendiou a torcida, ajudou o Brasil a virar o jogo antes do intervalo e estava com uma confiança absurda. Magnano o sacou, Benite só jogou mais dois minutos na segunda etapa e o Brasil perdeu. Por inacreditável que possa parecer, seu único jogo com 20+ minutos foi o contra a Nigéria. Contra os africanos o camisa 8 respondeu com 15 pontos. Ali, porém, já era tarde. Benite merecia mais tempo de quadra, algo que ele verá apenas neste próximo ciclo olímpico, quando será uma das principais peças da seleção brasileira visando a Olimpíada de Tóquio em 2020.

torcida13) A sinergia torcida / time – Fui a dois jogos da seleção brasileira (Lituânia e Argentina) e não me lembro de ver uma sinergia tão bacana entre torcedores e equipe nacional de basquete. Nem no Mundial de 2006, quando a seleção feminina chegou às semifinais enchendo o ginásio do Ibirapuera contra a Austrália eu vi isso. Foi bonito, realmente bonito, de ver. No jogo contra a Espanha, na vitória agônica com o tapinha do Marquinhos, foi incrível ver a atmosfera do ginásio pulando, pulsando, se emocionando com o mais emocionante dos esportes. Talvez por isso é que tenha escrito da oportunidade que o basquete perdeu (com a eliminação precoce). O público queria se apaixonar pela seleção brasileira como também dissemos no Podcast. Queria voltar a se enamorar do basquete depois de anos de problemas. Queria saber quem são os novos ídolos. A tentativa de reconciliação, porém, durou apenas cinco jogos, três brigas e um não definitivo. A seleção marcou o encontro com a amada e se esqueceu do horário da festa. O que era pra ser amor virou irritação.

O QUE NÃO DEU CERTO:

Bra51) Rubén Magnano – Se não foi o único responsável, porque os jogadores erraram absurdamente em quadra também (nas faltas não cometidas em Ginóbili e Nocioni sobretudo), foi um dos principais (provavelmente o principal). Durante toda a competição tomou decisões equivocadas (e o técnico é o tomador de decisões, não?), viu seu time ser eliminado na primeira fase e no final das contas ainda conseguiu ter a pachorra de cair na dos tais protagonistas. Como se Bogdanovic, Campazzo, Nocioni, Mills, Dellavedova e até Scola fossem os principais jogadores de seus times. Aham, sei. Sobre o jogo com a Argentina eu enumerei sete erros capitais de Magnano. É só pegar a mesma fórmula e multiplicar por cinco. O agora ex-técnico cometeu os mesmos erros em TODOS os jogos da primeira fase da seleção brasileira. Um primor.

magnano11.1) Nem vou voltar a falar sobre seus métodos antiquados e retrógrados, pois estes pontos já foram abordados em textos anteriores. Só deixo uma perguntinha: quem termina a Olimpíada mais conhecido do público brasileiro, Carmelo Anthony ou QUALQUER jogador da seleção nacional? Carmelo foi a Santa Tereza, ao Cristo Redentor, ao Morro do Dona Marta, a um Projeto Esportivo social na Comunidade, a NBA House, aos jogos dos times americanos no vôlei de praia e demais esportes. E jogou muita bola. Os atletas de Magnano? Ficaram trancafiados desde o começo de julho. Quantas atividades sociais, de aproximação ao público, deixaram de ser feitas porque o treinador acreditava que isso mexeria com a cabeça dos atletas? Na mentalidade ditatorial/generalesca de Magnano, ganha-se assim. No basquete, e na vida, ganha-se com treinamento, performance e comprometimento. O resto, como também venho dizendo, é acessório e conversa que só brasileiro muito conservador ainda cai. Adianta do quê? De nada, né. A seleção americana, a Austrália, a Sérvia e a Espanha vieram ao Brasil, aproveitaram, curtiram o momento e na quadra demonstraram suas qualidades.

masc22) Sistema ofensivo – Havia muito tempo que não via um ataque de seleção brasileira tão ruim. Estático, sem imaginação, quase sempre finalizando as jogadas no um-contra-um, algo que, sabemos, é uma das piores jogadas em termos de conversão do basquete mundial. Duas coisas me chamam a atenção nisso tudo: 1) Quando são contratados para jogar no exterior, invariavelmente os jogadores brasileiros são elogiados por seus técnicos devido a sua capacidade de improvisação, por sua inventividade. Por que quando vestem a camisa da seleção eles são sumariamente castrados? É óbvio que precisamos ter organização tática, sistema, treinamento, isso tudo. Mas Huertas é um mago dos passes na quadra aberta. Quantas chances ele teve de fazer o que realmente sabe correndo com a bola?

raul1A seleção masculina quis porque quis jogar no meia quadra europeu que faz sucesso com times que são muito bons nisso e que possuem ótimos arremessadores (Kuzminskas, Bogdanovic, Maciulis, Rudy Fernandez, Patty Mills). O Brasil não possui um arremessador muito confiável do perímetro, mas tem ótimos jogadores de velocidade (Leandrinho, Huertas, Raulzinho mesmo). A seleção terminou chutando 20% de fora. Marquinhos, o melhor arremessador do elenco, 21%. Qual o motivo de Magnano ter insistido em SUA fórmula de sucesso de 15 anos atrás com a Argentina? Não teria sido melhor adaptar os seus conceitos ao material humano existente por aqui?; 2) Que jogadas de final do jogo são aquelas que temos armadas para nossos atletas? No duelo contra a Argentina o Brasil tinha 3,8 segundos de posse no final do tempo normal. E Nenê recebeu a bola na EXTREMIDADE DO GARRAFÃO (perto da lateral) para fazer um drive COMPLETO em direção a cesta. Isso é sério? Em nenhum lugar do mundo daria certo.

magnano13) Começos ruins – Contra a Lituânia o Brasil foi para o intervalo perdendo de 58-29. Contra a Croácia, 41-31. Para a Argentina, primeiro período com vantagem hermana de 28-19. Diante dos nigerianos, vitória africana na primeira parcial por 16-15. Qual o motivo para uma seleção brasileira jogando em casa começar tão mal assim as partidas da uma Olimpíada? Vão me desculpar, mas o argumento de “nervosismo'' não me parece o mais adequado. O fato é que das partidas com começos ruins o Brasil não conseguiu se recuperar em duas (Lituânia e Croácia), atuando atrás no placar o duelo inteiro e saindo derrotado no final. O time correu como um maluco para se recuperar, mas no minuto 40 terminou a partida com o revés. Isso pesou na classificação final. O confronto contra a Lituânia, sinceramente falando, eu não me conformo até agora. O Brasil estreava em uma Olimpíada diante de seu torcedor, o ginásio estava lotado e a apatia fez um timaço de bola ir para o vestiário anotando quase 60 pontos. Foi o pior recado possível.

masc64) Senso de urgência / “Visão de Mercado'' – O ponto acima se relaciona com este, mas não totalmente. Meu ponto, mesmo, aqui tem a ver com o que a eliminação precoce representaria, como representou, para o basquete brasileiro. A Confederação não foi capaz de demonstrar aos atletas quão grandioso e quão impactante para a modalidade seria uma medalha olímpica. Os jogadores, por sua vez, não demonstraram (perdão pela palavra) o tesão que a gente viu em times como Argentina, Austrália e Sérvia para ir longe. Eu falo bastante em profissionalismo por aqui, mas para jogar em seleção é preciso paixão, muita paixão. O que vimos em quadra era um time jogando, aparentemente, um torneio qualquer, algo que sabemos que não era (era uma Olimpíada e em casa, algo que não se repetirá com essa geração).

masc1Se não é o que eles sentiam (e provavelmente não é mesmo!), é a percepção que foi passada (e neste caso a percepção é pior do que a realidade, pois é com ela, a percepção, que o público vai pra casa). Não me pareceu, no final das contas, haver a noção histórica do que uma campanha que culminasse com a medalha representaria. Não me pareceu, também, que atletas, comissão e CBB tivessem a noção de mercado que ela, a medalha, traria de benefícios a um esporte que patina através de sua endividada Confederação e que vê, ano a ano, clubes fechando as portas. A Olimpíada, com uma medalha ou uma campanha digna, poderiam representar o ponto de partida para a retomada daquilo que já foi a modalidade. Aí acabamos a Olimpíada e o que temos? Um novo ídolo na canoagem (Isaquias fenomenal!), o judô e a vela sempre medalhando, o futebol conquistando a sua inédita medalha dourada e o vôlei saindo do Rio-2016 com dois ouros – na quadra e na praia – e uma prata. O basquete? Eliminado na primeira fase do masculino e do feminino. Qual o impacto para as próximas gerações? Não é algo positivo, né?

Concorda com minha análise? Comente!


Impacto pós-olímpico: Liga de Desenvolvimento de 2016 terá apenas 11 clubes
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Fábio Balassiano

ldb1Começou o período difícil do esporte brasileiro depois do derramamento de dinheiro visando a Olimpíada de 2016. O UOL fez matéria a respeito disso aliás. Com a economia em frangalhos e a troca no Ministério do Esporte (chegou recentemente Leonardo Picciani), projetos/atletas que tinham como principal patrocinador o Governo Federal perderão bastante força.

No basquete, o primeiro impacto disso vem justamente de onde a gente menos queria ver. Será na Liga de Desenvolvimento, principal campeonato Sub-22 do país e que estava com o aporte financeiro federal praticamente aprovado quando estourou a crise política que mexeu com a estrutura inteira da pasta agora liderada por Picciani (antes era chefiada por Ricardo Leyser). Organizada pela Liga Nacional de Basquete, a LDB contou com aporte do Ministério do Esporte em suas primeiras cinco edições. Na deste ano, nada feito.

lnb1O resultado? Ao invés dos 24 clubes de 2014 e de 2015, a edição de 2016 que começa na próxima segunda-feira terá apenas 11 agremiações. Outro impacto? Para serem campeões, Basquete Cearense (2014) e Pinheiros (2015) precisaram fazer 28 jogos. Neste ano, o campeão disputará apenas 10 partidas. Impacto final? De todos os participantes, só Flamengo, Franca e Minas disputam o NBB e estarão nesta edição da LDB. Equipes tradicionais como Paulistano, Bauru, Basquete Cearense e Pinheiros (estes os dois últimos campeões), optaram por não jogar nesta edição. Alguns leitores me alertaram sobre um possível aumento no valor da inscrição como sendo causador das desistências, mas apurei que, na verdade mesmo, o acréscimo foi de apenas R$ 8 mil, saltando de R$ 22 mil em 2015 para R$ 30 mil em 2016 para cobrir todos os custos (passagem, hotel, transporte interno, alimentação etc.). Nada tão assustador assim, vamos combinar. Mais informações sobre o regulamento, sobre as duas chaves e detalhes do campeonato você encontra aqui.

ldb1Não resta dúvida que esta é uma notícia pouco animadora para começar este novo ciclo olímpico, principalmente pelo fato de termos um Mundial Sub-19 pela proa. E explico Em 2015 a Liga Nacional abriu as portas para a seleção masculina Sub-17 fazer jogos na Liga de Desenvolvimento para se preparar para o Sul-Americano (certamente já sabia do planejamento que a CBB não teria para preparar os meninos). Neste ano de 2016 houve a Copa América Sub-18 em que a equipe nacional foi representada basicamente pelo Pinheiros e se classificou para o Mundial Sub-17 que será jogado no próximo ano.

treino_ECPCom a LDB esperava-se mais uma vez que houvesse a seleção se preparando para o Mundial de 2017, mas não será possível. Que fique claro: treinar uma seleção nacional não é responsabilidade da Liga Nacional, mas obviamente a ausência de verbas federais traz este impacta também. Outra coisa que é importante esclarecer desde já: o que está acontecendo agora NÃO é reflexo da campanha pífia da seleção brasileira na Olimpíada, mas sim de uma mudança na forma de patrocinar o esporte por parte do Ministério do Esporte, que está revendo todos os projetos desde a chegada de Picciano.

ldb3De todo modo, é importante dizer que ter uma LDB pequena é melhor do que não tê-la. Tenho absoluta certeza da frustração do pessoal da Liga Nacional em não ter conseguido viabilizar um torneio de jovens tão bom ou melhor que nos anos anteriores (os números estão claros no texto e negar o óbvio é uma loucura que ninguém pode cometer).

Tenho, também, total segurança que a força de vontade da entidade que organiza a LDB foi fundamental para ter conseguido, mesmo a duras penas e com as dificuldades financeiras apresentadas, viabilizar uma competição que não poderia, de forma alguma morrer, sair de cena.

lnbTorço sinceramente para que a Liga Nacional encontre forças (e ideias) para desde já planejar a edição de 2017 com a força dos anos anteriores.

Torço, sobretudo, para que a LNB, entidade séria e voltada para o desenvolvimento do esporte, tenha sucesso ao buscar investidores não apenas federais para todas as suas esferas. Tendo em vista o atual cenário e a imprevisibilidade política e financeira do país, quanto menos depender do aporte do Ministério do Esporte, menos risco teremos para o futuro tanto de NBB quanto de LBF e LDB.

Tags : LDB LNB NBB


Podcast BNC: O final da Olimpíada e as saídas de Magnano e Barbosa das seleções brasileiras
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Fábio Balassiano

eua16No Podcast desta semana Pedro Rodrigues e eu analisamos a reta final da Olimpíada, que teve dois ouros para os Estados Unidos e a presença de Sérvia e Espanha no pódio tanto no masculino quanto no feminino. Elegemos a seleção do Rio-2016 entre os rapazes e abordamos os destaques das meninas. Falamos, também, das saídas de Rubén Magnano e de Antonio Carlos Barbosa das seleções brasileiras masculina e feminina, respectivamente.

Caso você prefira, o link direto está aqui. Caso queira, também está disponível no iTunes ! O código RSS está aqui. Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para  podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e divirtam-se!


Entendendo as saídas de Rubén Magnano e Barbosa das seleções
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Fábio Balassiano

dupla1Pretendia fazer hoje análises técnicas dos desempenhos das seleções brasileiras masculina e feminina no Rio-2016 (algo que trarei até sexta-feira, prometo). Mas ontem à tarde a Confederação Brasileira de Basketball divulgou em seu site que os dois técnicos não terão seus contratos renovados. Tanto Rubén Magnano quanto Antonio Carlos Barbosa deixam as equipes nacionais após as pífias campanhas na Olimpíada do Rio de Janeiro. Dá pra analisar caso a caso. Vamos lá:

barbosa11) A não renovação de contrato mais fácil de ser compreendida é a de Antonio Carlos Barbosa. Por dois motivos bem claros: a) Ele será, ao que tudo indica e como este blog antecipou ontem, candidato a presidência da CBB em 2017. Logo, seu quadrado passa a ser outro (o político, e não o técnico) a partir de agora; b) Desde que assumiu a equipe feminina após o imbróglio envolvendo Clubes da LBF e a Confederação no começo do ano, Barbosa dizia que sairia após o Rio-2016 independente do resultado. Ele fora chamado para uma emergência, para uma situação limite, e optou por tentar ajudar mesmo sabendo de todos os problemas e riscos que enfrentaria. Não dá pra dizer que ele foi bem (MUITO pelo contrário), porque um 0-5 em uma Olimpíada em casa é um 0-5, mas de antemão todos tinham plena noção de que a sua saída era pedra cantada. Não foi performance o motivo de sua saída, portanto.

bra32) O mesmo não se pode dizer de Rubén Magnano. Trazido pela Confederação Brasileira há sete anos como o salvador da pátria para alçar voos maiores com a seleção masculina, o treinador chegou cheio de energia, conquistou uma vaga olímpica que não vinha desde 1996 logo em seu segundo ano de trabalho, falou em mexer com toda a estrutura da modalidade no país por diversas vezes e deixou todos muito animado. Até Londres-2012, ele não foi mal. Depois disso, tornou-se um desastre (muito provavelmente porque viu que dentro dessa gestão de Carlos Nunes na CBB não poderia fazer nada de diferente mesmo). Nas palavras, na quadra, na condução do elenco, em sua visão retrógrada de basquete (e de mundo), em tudo.

Bra1E tem mais. Seus resultados em sete anos mostram que, apesar de uma prepotência monumental, ele não foi bem: em Mundiais, um nono lugar (2010) e um sexto (2014); em Olimpíadas, um quinto (2012) e um nono (2016); em Copa América, um vice-campeonato (2011) e dois nonos lugares (2013 e 2015); e em Pan-Americanos, um quinto (2011) e um título (2015). O tal “próximo passo'', de avançar às medalhas, a um patamar maior, ele não conseguiu. Some-se ao desempenho ruim com um elenco muito bom o fato de Magnano ter um salário altíssimo. Com o cenário financeiro terrível da CBB, a sua permanência tornou-se inviável. Caso os resultados tivessem vindo, creio que Carlos Nunes e companhia poderiam tentar justificar, ou pleitear junto ao Comitê Olímpico, que já bancou parte do salário de Magnano por um tempo, alguma coisa. Mas sendo eliminado na primeira fase de uma Olimpíada em casa fica impossível passar o pires pro COB, né?

cbb13) Antes de falarmos nos nomes para assumir as equipes nacionais, volto ao ponto do meu texto de semana passada: não adianta nada trocar um técnico pelo outro. Nada. Nada mesmo. O problema do basquete brasileiro chama-se gestão, e para se ter melhoria de gestão você não mexe apenas nas peças, mas sim nos processos, na organização, na ampliação do olhar e na evolução de temas críticos – como a massificação, a capacitação dos treinadores, a falta de comunicação entre dirigentes e atletas, entre outros assuntos essenciais para o bom andamento da modalidade. Com o modus operandi que impera na CBB há 20 anos, com o duo “maravilhoso'' formado por Carlos Nunes e Grego, podem contratar Phil Jackson, Gregg Popovich ou Coach K que não adianta. Nossos maiores problemas não estão na quadra, mas sim fora dela.

neto34) O mais cotado para assumir a seleção masculina é José Neto. Assistente-técnico e homem de confiança de Magnano desde o começo do ciclo do argentino, ele também tem resultados consistentes com o Flamengo (há quatro anos no clube, venceu TODOS os campeonatos possíveis!), entende bem o funcionamento caótico da CBB, conhece bem a maioria dos jogadores que serão fundamentais nos próximos anos (Raulzinho, Felício, Fischer, Augusto, Vitor Benite etc.) e é respeitado por atletas, imprensa e dirigentes. No feminino, não consigo ver nenhum nome capaz de ser alçado a condição de treinador para um ciclo que será desafiador (para dizer o mínimo). E não ter sequer uma pista de quem pode passar a liderar a seleção feminina é um indicador de que não há nenhum nome bom no horizonte.

nunes15) Uma questão importante e que deve ser colocada: aparentemente não serão os sempre sorridentes Vanderlei e Carlos Nunes que irão escolher os novos técnicos das seleções brasileiras. Com eleição marcada para Março de 2017, caberá ao novo presidente a missão de contratar os novos treinadores e montar a sua diretoria com Diretores Técnicos e demais profissionais. Ou seja: só teremos definição, mesmo, no segundo trimestre do próximo ano. Enquanto isso, e até termos um novo mandatário na quebrada CBB, só especulação mesmo.

E você, concorda com as saídas de Rubén Magnano e de Antonio Carlos Barbosa? Quem você gostaria que assumisse a seleção masculina? E a feminina?


Los Angeles cria o ‘Kobe Bryant Day’ em homenagem ao craque do Lakers
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Fábio Balassiano

kobe1Kobe Bryant completa 38 anos hoje. Em homenagem ao recém-aposentado craque, a cidade de Los Angeles decidiu fazer algo tão criativo quanto diferente: criou o 'Kobe Bryant Day' (Dia Kobe Bryant) para reverenciar em todos os dias 24 de agosto o jogador que vestiu a camisa do Lakers por duas décadas. A decisão foi confirmada no final da noite de ontem pela Câmara da cidade.

A data, aliás, não foi coincidência. A cidade decidiu criar o “Kobe Bryant Day'' em 24/8 justamente por serem estes os dois números utilizados por Kobe em suas camisas pelo Lakers (8 no começo da carreira e nos três primeiros títulos; 24 no bicampeonato).

kobe10“A criação desta data comemorativa é a forma que a cidade de Los Angeles tem para agradecer pela dedicação de Kobe Bryant, por sua obstinação e pela sua busca pela excelência, além, claro, pela forma como ele sempre tratou os fãs da cidade. Por 20 anos todos nós fomos beneficiários do incrível talento dele e de sua ética de trabalho. O dia 24/8 está sendo eternizado como uma forma de dizer 'Obrigado, Kobe' por toda cidade. Consideramos este um prêmio justo a quem deu muito mais do que poderíamos esperar'', cita a nota assinada pelo presidente da Câmara de Los Angeles, José Huizar.

kobe2A cerimônia de abertura do “Kobe Bryant Day'' acontecerá nesta quarta-feira no L.A. City Hall e terá, claro, a presença do craque do Lakers.

Para nós, brasileiros, pode parecer exagero, mas a criação da data mostra bem a dimensão que os Estados Unidos dá aos seus ídolos. Kobe Bryant jogou 20 anos pelo Lakers, conquistou 5 títulos e está em terceiro na lista dos maiores cestinhas da história. Não sei se o astro que completa 38 anos poderia receber um presente mais representativo no dia de seu aniversário.

 

Tags : Kobe Bryant