Bala na Cesta

A lição defensiva espanhola na Copa do Mundo
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Fábio Balassiano

magnanoMuita gente ficou maravilhada com os tiros de três pontos de Pau Gasol ali no começo do terceiro período. Foram belíssimos mesmo. O que mais me chamou a atenção na derrota da seleção brasileira para a Espanha nesta segunda-feira, no entanto, não foi bem isso.

Foi, sim, a intensidade defensiva aplicada pelos ibéricos em (atenção) TODOS os 40 minutos da partida. Mesmo com larga vantagem, não houve um único momento em que o Brasil teve facilidade, ou tranquilidade, para atacar. Facilidade, aliás, que o agora ala do Chicago Bulls teve para cravar suas três bolas longas (nas três ele estava totalmente livre).

Essa foi a grande lição deixada pelo time de Juan Antonio Orenga na tarde/noite de ontem em Granada. Neste nível de competitividade, defender com intensidade nos 40 minutos é imperativo, é mandatório, é o básico se você quiser ir longe. Nem sempre você terá o seu melhor quinteto junto, mas, independente do talento, quem estiver na quadra precisa marcar MUITO.

neneDificilmente você irá vencer um jogo FIBA de alto nível permitindo que seu rival acerte 51% de suas cestas de quadra. A defesa do Brasil incomodou tão pouco que foi isso que aconteceu com o (já potente) ataque espanhol, que acertou mais do que errou seus arremessos sem forçar muito (em um determinado momento que o índice chegou a assustadores 64%). Contra a França, na primeira rodada, o ataque tampouco passou dos 65 pontos (igual a ontem), mas a defesa brasileira colocou o time em condições de ganhar uma partida não muito bonita/bem jogada, algo que pode ser feito até o final da competição pois há capacidade atlética para isso.

Houve, ontem, um lance sintomático sobre isso que escrevo. Nenê (foto à direita) foi para a cesta. Levou um toco. A bola voltou pra ele. Outro toco (este com uma duvidosa falta marcada). Ali a diferença já estava em 15, 20 pontos. E mesmo assim a marcação continuou pesada, o canhão defensivo espanhol seguiu incomodando o ataque brasileiro. O pensamento de quem joga contra uma equipe assim deve ficar bastante confuso, pois não há tempo algum para relaxamento. E quando se relaxa, o rival vai lá e abre diferença (como fez a Espanha, diga-se).

rudyPara quem gosta de conceito de jogo, é interessante notar. Ataque e defesa não se dividem, pois as duas ações são feitas pelos mesmos atletas em um espaço reduzido (diferente de futebol).

Na Espanha, a defesa ATACA o sistema ofensivo do adversário em TODOS os ataques (principalmente o jogador que está com a bola, a regra número 1 do basquete diga-se de passagem). Em alguns momentos, o “atacante'' é tão cercado pelo seu marcador que ele passa a se defender do seu oponente mesmo com a bola nas mãos (é só ver quantas vezes, ontem, Huertas ou Raulzinho foram armar o jogo quase no meio da quadra devido a pressão na bola do excepcional Sergio Llull). Meio filosófico isso, mas é a mais pura verdade. O ataque, por sua vez, busca ATACAR a defesa rival o tempo inteiro, seja movimentando a bola com infinitos passes, seja com corta-luzes, seja com dribles. Com isso, a intensidade fica sempre perto dos 100% e nenhum dos dois setores precisa acelerar ações para conseguir compensar algo que não veio na outra extremidade (por isso quase não vemos tiros rápidos e muito menos marcações equivocadas).

Mais do que um equilíbrio, uma harmonia entre os setores, há uma homogeneidade muito clara entre ataque e defesa. Os dois precisam empurrar o adversário o tempo inteiro a fazer alguma coisa longe de sua zona de conforto (atacando em dificuldade ou defendendo em apuros). Alguns jogadores brasileiros reclamaram de falta, violência. Não foi isso. Foi, apenas, jogo físico, de contato, com tomadas rápidas de decisão. Como deve ser o basquete.

magnano33A gente, que está acostumado a ver jogos de NBB, se choca um pouco quando assiste a uma aula defensiva e de aplicação como foi ontem a da Espanha. Mas é algo muito natural no basquete de alto nível praticado pelos clubes e pelas principais seleções europeias. Muita gente alerta para a diminuta quantidade de contra-ataque do basquete de lá. E isso é bem simples de entender. Se há 100% de certeza em correr, pontua-se. Se não há, é preferível evitar riscos e (de novo) cansar a defesa adversárias com passes, cortes e dribles. Converter pontos, por incrível que pareça, não é a única prioridade do ataque. Manter a retaguarda rival sempre em estado de alerta e correndo como louca é uma estratégia pra lá de interessante.

O Brasil, por sua vez, até que consegue manter a defesa em bom nível por curtos períodos de tempo, mas não por todo tempo (algo essencial para se vencer no alto nível). Com Rubén Magnano (foto à direita), e aí está o grande mérito do bom técnico argentino, o tempo de defesa sufocante melhorou muito embora ainda esteja longe dos 100% recomendados, mas ontem contra a Espanha o time vacilou por oito dos 40 minutos (no começo do jogo e na volta do intervalo). O que se viu nestes dois momentos? Ataques espanhóis encontrando a cesta com facilidade, sistema ofensivo brasileiro afobado e sequência de pontos sem resposta por parte dos europeus.

blattMuitas pessoas que acompanham basquete por aqui ainda não aprenderam que é preciso virar o chip, pois o jogo mudou. Não se ganha mais em nível internacional devido ao ataque mas sim por causa de defesas alucinantes que permitem, até, ataques medianos prosperarem (vide Maccabi Tel-Aviv recentemente na Euroliga com uma aula defensiva de David Blatt – foto à esquerda – contra o Real Madrid e a Grécia na última década inteira). É muito, muito elementar isso e enquanto essa intensidade defensiva nos 40 minutos não for exigida desde a base o país terá problemas nos grandes jogos – em todas as categorias.

É uma mudança de cultura, um aperfeiçoamento de conceitos e isso leva tempo, eu sei disso. O que a Espanha fez ontem é treinado por lá há 20, 30 anos. Em dado momento (a pressão defensiva) torna-se automática, torna-se “parte do corpo'' de todo atleta. Não é coincidência que nos últimos dez anos os ibéricos estejam mandando no mundo do basquete junto com os Estados Unidos, que também marcam até a sombra.

larryOs espanhóis estão mandando no mundo do basquete com o talento de Pau Gasol, sim, sem dúvida alguma (ninguém é maluco de dizer que habilidade e criatividade não têm mais vez), mas porque possuem dois defensores de elite no melhor basquete do mundo (Marc Gasol e Serge Ibaka) e principalmente porque os jogadores do país entenderam uma lição que Larry Brown (foto à direita) disse quando treinava aquele Detroit campeão da NBA em 2004: “No basquete, ceder cestas é o maior pecado que um time pode cometer. E no meu time quem permite que o adversário pontue com facilidade não joga, não entra em quadra. Se quiserem pontuar aqui, vão ter que suar muito''.

Em algum momento, tenho fé, o Brasil entenderá isso e passará a treinar, desde a base, da maneira como espanhóis e americanos atuam desde crianças – marcando intensamente seus adversários.


Brasil marca muito mal, e perde da Espanha a primeira no Mundial
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Fábio Balassiano

splitterO Brasil acaba de conhecer a sua primeira derrota na Copa do Mundo. Em Granada, a seleção masculina perdeu da Espanha por 82-63 e agora luta com todas as suas forças para ficar com a segunda posição do Grupo A.

Para isso, precisa vencer a Sérvia na quarta-feira (13h). Nos outros jogos do dia por essa chave a França atropelou o Egito, e os sérvios passaram pelo Irã. Mais sobre os cenários aqui, pois os resultados de hoje não mudaram nada a situação.

Na Chave B, a que vai cruzar com a do Brasil, Senegal venceu a Croácia na maior zebra da competição até aqui, a Argentina sofreu horrores, mas ganhou das Filipinas e a Grécia derrotou Porto Rico, embolando completamente a classificação do grupo (veja mais aqui). Os gregos são os únicos invictos, com Senegal, Argentina e Croácia com 2-1. Tudo indefinido por lá, então.

Sobre a partida brasileira, acho que ficou claro para todo mundo quão imperativo é, neste nível de basquete, atuar com intensidade defensiva pelos 40 minutos. O Brasil cochilou por quatro, cinco minutos no primeiro período, defendeu muito mal, acelerou os ataques para tentar compensar (outro erro), não encaixou a marcação e viu o adversário abrir diferença de 30-14. Ali a peleja já estava decidida.

gasolNão há como negar isso, e o que o ataque fez foi reflexo da falta total de “pegada'' na marcação. Levar 30 pontos em 10 minutos (3 por minuto, portanto) é um péssimo índice, e contra um adversário do nível da Espanha, a segunda melhor seleção do mundo, dificilmente você terá como se recuperar disso. No final, os europeus tiveram 51% nos tiros da quadra, e creio que não preciso dizer muito mais além disso.

Do outro lado, mesmo com uma distância absurda no placar, os ibéricos não amoleceram na defesa em momento algum. Atacar contra defesas ferozes assim, como você deve imaginar, é difícil e cansa bastante. O Brasil, portanto, não teve um segundo de tranquilidade e permitiu que a Espanha atuasse de forma muito calma, sem sofrimento, em grande parte da peleja. E assim, neste nível de competição, não se vence. O adversário era potente, fortíssimo, mas é uma questão de conceito/concepção de jogo (defender nos 40 minutos com MUITA força é OBRIGATÓRIO). Esta é a maior lição que deve ficar da derrota que o time de Magnano sofreu nesta tarde de segunda-feira.

trioAlgumas coisas, porém, não há como entender. Pau Gasol (foto à direita) arremessou de três em cinco ocasiões. Em todas, livre. Matou três bolas seguidas no terceiro período, algo que não acontecia com ele desde 2001 vestindo a camisa da seleção. Não consigo compreender o motivo de o Brasil ter deixado o agora jogador do Chicago Bulls tão livre assim. Pau é craque há séculos, e seus 26 pontos (incríveis 32 de eficiência) foram conquistados sem nenhuma dificuldade.

Em tempo: nego-me a falar sobre a arbitragem (péssima para os dois lados) e do recorrente problema nos lances-livres brasileiros (hoje 8/15). Falar disso é desvirtuar completamente o foco do que ocorreu em quadra. Por fim, uma observação: em três primeiros períodos (França, Irã e Espanha), saldo negativo de -24. Em todos o Brasil perdeu. Contra franceses e iranianos deu para recuperar. Em jogo eliminatório, começar tão devagar assim é perigoso demais (e Varejão disse isso em entrevista ao Sportv depois do jogo).

Viu o jogo? O que achou? Comente!


O jogo hoje é contra a Espanha, mas Brasil já deve olhar adiante
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Fábio Balassiano

timeHoje, primeiro dia de setembro de 2014, é a data da partida mais difícil da seleção masculina na fase inicial da Copa do Mundo da Espanha. Contra os donos da casa, em Granada, o Brasil enfrentará aquele que é considerado por todos como o segundo melhor time da competição (atrás apenas dos Estados Unidos, claro) diante de uma enfurecida e animada torcida.

É uma missão impossível? Não, não é. O Brasil tem um elenco fortíssimo, tem defendido muito bem e se do outro lado o garrafão é forte (com os irmãos Pau e Marc Gasol e o congo-ibérico Serge Ibaka), o de Rubén Magnano com Nenê, Splitter, Hettsheimeir e Varejão não fica muito atrás, não.

ruben30Difícil, seguramente é, principalmente devido à intensidade defensiva espanhola e a pequena queda de ritmo de jogo mesmo com as trocas que o treinador Juan Antonio Orenga faz. Mas não é algo impossível. Vencer é o óbvio que precisa ser tentado, perseguido, principalmente porque no Grupo B já houve uma zebra (Senegal praticamente tirou as chances de Porto Rico e deve avançar na quarta posição), mas a seleção brasileira precisa olhar os cenários com muita, muita calma. Ah, e vale ficar atento ao fato que, com a derrota diante da Croácia, a Argentina tem boas chances de sair em segundo ou terceiro (e não mais em primeiro). E explico.

Até que alguém prove o contrário, a Espanha vencerá todos os jogos desta primeira fase (França, Sérvia, Brasil e os já abatidos Irã e Egito). Ficariam da segunda a quarta colocações franceses, sérvios e brasileiros (lembrando que a França bateu a Sérvia neste domingo por 74-73 e havia perdido do Brasil por 65-63). Com os seguintes cenários:

chave1) Brasil ganha da Sérvia -> Brasil em segundo, França em 3 e Sérvia em quarto (melhor cenário!).

2) Brasil perde da Sérvia por 2 -> Sérvia em segundo (saldo +1), Brasil em terceiro (saldo 0) e França em quarto (saldo -1). É o pior cenário.

3) Brasil perde da Sérvia por 1 -> Brasil em segundo (saldo +1), Sérvia em terceiro (saldo 0) e França em quarto (saldo -1). Melhor cenário, mas com chance de parada cardíaca.

4) Brasil perde da Sérvia por mais de 4+ -> Sérvia em segundo, França em terceiro (saldo -1) e Brasil em quarto (saldo de -2 pra cima). Cenário ruim, mas não pior que o terceiro.

5) Brasil perde da Sérvia de 3 -> Sérvia em segundo e Brasil e França empatados com -1 de saldo (e aí entrariam os critérios de average)

lbOu seja do ou seja: o jogo, hoje, é contra a Espanha, mas a decisão é mesmo nesta quarta-feira contra a Sérvia. Ficar em segundo lugar é o melhor (pois evita a Espanha até a semifinal – veja chave ao lado). Em terceiro, muito ruim (Espanha em uma eventual quartas-de-final e chance reduzida de brigar por medalha). Em quarto, ruim mas menos pior que a terceira posição.

Vale a pena jogar contra a Espanha olhando no horizonte também. Se o objetivo é conseguir uma medalha, talvez não seja tão necessário queimar todos os cartuchos em uma partida, digamos, “perdível'' na classificação.

Concorda com meu raciocínio? O Brasil tem chance hoje? Comente!


Brasil sofre no começo, mas atropela o Irã e enfrenta Espanha amanhã
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Fábio Balassiano

neneO começou assustou (bastante). O Brasil começou o jogo sonolento, viu o Irã abrir 13-5 e viu Rubén Magnano pedir tempo com cara de poucos amigos (com razão). Cheguei a temer pelo pior (uma partida dura), mas o panorama mudou após a conversa na parada técnica (ainda bem).

A partir dali, com cinco minutos do primeiro período, a seleção brasileira masculina jogou como tem que ser  (marcando muito, saindo rápido para bandejas e sufocando o rival), teve ótimos momentos, como no que Nenê (foto à direita) enterrou na cabeça do pivô Hamer Haddadi (tal qual já havia feito em 2012), bateu um adversário fraquíssimo por 79-50 e se manteve invicto no Mundial da Espanha após duas rodadas.

Nesta segunda-feira, às 17h, o jogo mais difícil desta primeira fase, a Espanha (falarei disso amanhã mesmo, ok). No confronto que abriu os trabalhos do Grupo A, a França, que perdeu durante 39 dos 40 minutos do duelo, venceu a Sérvia por 74-73, e embolou a chave (prometo trazer as contas mais apuradas nesta segunda-feira, hein, fiquem de olho).

alexDepois do hesitante primeiro período, o Brasil fez exatamente o que deve ser feito contra times bem mais fracos – rodou todo o elenco, poupou suas principais peças e atuou de forma segura, sem sustos. Foram 28 dos 79 pontos em contra-ataque, 17 roubos de bola e 24 erros forçados do adversário.

Não há, portanto, análise tática alguma que se possa fazer desta partida. O adversário é muito deficiente, teve um lampejo apenas quando o Brasil dormiu no começo do jogo e depois caiu de produção (algo até natural). A se lamentar, mais uma vez, o não mais que regular aproveitamento nos lances-livres (10/15). Já disse e repito: que o Brasil aprenda a vencer mesmo sem ser bom (não disse 'muito bom', notem) da linha fatal.

Viu o jogo? Se assustou no começo, né? Deixo, aqui, uma provocação: é possível vencer a Espanha amanhã? Comente aí o que você achou da peleja deste domingo e da partida de amanhã contra os donos da casa!


Ótimo na defesa, Brasil vence a França e começa bem o Mundial
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Fábio Balassiano

huertasTodo mundo sabia que seria difícil. E o Brasil, jogando bem, venceu a França por 65-63 na estreia da Copa do Mundo da Espanha, em Granada, neste sábado. Neste domingo, também às 13h (com Sportv e ESPN+), o Brasil enfrenta o Irã, que em instantes mede forças com a Espanha.

Foi uma partida enrolada, bem travada e o time de Rubén Magnano conseguiu sair com a vitória defendendo MUITO bem, sendo sublime nos rebotes ofensivos (16) e com uma pontuação bem distribuída (o cestinha, Huertas, teve 16 pontos).

O começo do jogo não foi bom para a seleção brasileira masculina, que, nervosa, saiu perdendo por 12-3. Depois de um tempo de Magnano o time acabou ficando mais tranquilo e as entradas de Raulzinho (ótimo com 6 pontos e MUITA agressividade para atacar a cesta) e Leandrinho (8 pontos) melhoraram o time, que fez 17-8 no segundo período e saiu para o intervalo vencendo por 28-26 (e o placar baixo mostra que a partida não foi muito boa em termos técnicos até ali).

raul1No segundo tempo o Brasil melhorou demais na defesa, passou a ter muito domínio nos rebotes ofensivos e viu o ataque fluir mais com Raulzinho começando as ações (Huertas voltou apenas no último período e, mais descansado, também foi ótimo diga-se de passagem). A seleção passou à frente do placar e não viu mais a França liderar em momento algum. Mais que isso: demonstrou ótimo controle emocional (NENHUM apagão) e errou muito pouco (ao todo foram 11 desperdícios de bola em 70 posses de bola, ótimo índice).

No final, a vitória veio por 65-63, fazendo com que o Brasil ampliasse seu retrospecto em estreias de Mundial para 13-4 e melhorasse contra europeus nos últimos 20 anos para 4-12. O jogo não foi bonito, mas foi um ÓTIMO começo para a seleção brasileira masculina, isso é o melhor de tudo (aumenta a confiança, espanta o medo que sempre há e faz com que seja possível sonhar com resultados ainda melhores). Agora é ganhar do Irã neste domingo, jogar de forma relaxada contra a Espanha (é, sim, possível vencer) e depois decidir posicionamento contra a Sérvia. O início foi bem pavimentado.

ruben1Ah, e os lances-livres, viram só como não precisei falar deles? O Brasil teve 14/24 (58%) e mesmo assim venceu. Ah, e outra preocupação era a pontuação de alas + armadores, lembram? Então. Foram 46 dos 65 pontos de Raulzinho, Huertas, Alex, Leandrinho e Marquinhos! Bom começo, certo?

E você, o que achou do jogo? Comente!


Com núcleo pela 2ª vez, Brasil estreia amanhã contra França no Mundial
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Fábio Balassiano

cinco2Chegou a hora. A seleção brasileira masculina comandada por Rubén Magnano estreia contra a França neste sábado às 13h (de Brasília) na Copa do Mundo de basquete da Espanha (Sportv e ESPN exibem) naquela que muito provavelmente será a penúltima competição de uma das gerações mais talentosas do basquete brasileiro (a derradeira deve ser mesmo a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro). Para esquentar a peleja, amanhã, 30 de agosto farei uma Twitcam especial ao meio-dia para falar sobre o torneio (fique ligado no Twitter e Facebook do Bala na Cesta para mais informações).

OUÇA AQUI A PRIMEIRA PARTE DO PODCAST SOBRE O MUNDIAL

O que pouca gente sabe é que esta será apenas a segunda vez que o núcleo mais conhecido (mundialmente) da seleção brasileira masculina adulta atuará junto em uma competição internacional adulta. Marcelinho Huertas, Leandrinho, Anderson Varejão, Tiago Splitter e Nenê só jogaram o mesmo torneio com a camisa amarela (ou verde, ou branca) na Olimpíada de 2012, em Londres. Veja só na figura abaixo.
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Como no basquete jogar junto fala muito sobre os resultados (finais) conquistados por uma geração, a pouca quantidade de jogos do quinteto junto explica bastante o porquê de os resultados internacionais não estarem vindo há algum tempo por aqui.

cinco1O mais interessante de se notar, além do que a própria tabela mostra, são três coisas: 1) Não é coincidência que quando Nenê, Splitter, Varejão, Leandrinho e Huertas jogaram juntos (na Olimpíada de 2012) o basquete brasileiro tenha conquistado seu melhor resultado em competições Classe A (Mundial ou Jogos Olímpicos); 2) Na própria Olimpíada, quando o Brasil jogou um total de seis jogos, Nenê (com dores) se ausentou de um (contra a Espanha); e 3) Ao todo, o ala-pivô do Washington Wizards jogou 110 minutos nos Jogos de Londres, e esta é a minutagem máxima que este núcleo pode ter jogado ao mesmo tempo. Ou seja: o quinteto mais talentoso da atual geração não ficou nem duas horas jogando partidas oficiais de basquete (muito pouco).

AQUI A SEGUNDA PRIMEIRA PARTE DO PODCAST SOBRE O MUNDIAL

foto3Não se trata, por favor, de uma caça às bruxas para entender os motivos que levaram a isso (já passou, não tem remédio), mas sim para mostrar mais uma vez a importância deste Mundial para esta geração (escrevi disso anteriormente aqui, lembram?).

A última chance em Mundiais dessa geração que jogou tão poucas vezes junto começa amanhã contra o talentoso time da França. Que os comandados de Rubén Magnano mostrem que a falta de entrosamento em competições internacionais não pesa tanto assim. A modalidade clama por um ótimo resultado que não vêm há mais de 30 anos (veja mais aqui).  Até 90, NENHUMA vez ABAIXO da oitava colocação. Depois de 90, NENHUMA vez ACIMA da oitava colocação. 

fotofinalfinal1Até 1990, os times masculinos conquistaram 2 títulos (59 e 63), 2 vices (54 e 70), 2 bronzes (67 e 78), 2X em 4º (50 e 86) e 1X em 5º, 6º e 8º. Após 1990, 11º, 10º, 8º, 17º e 9º. Chegar entre os oito melhores, portanto, é bom. Alcançar uma semifinal, é excelente. Uma medalha, algo histórico. Que os jogadores da seleção consigam, enfim, colocar seus nomes na história do basquete brasileiro. Sucesso a partir de amanhã na Copa do Mundo! 

E você, sem ficar em cima do muro, qual o palpite para o que acontecerá na Copa do Mundo da Espanha a partir de amanhã? O meu é: Brasil na semifinal. Comente!


Podcast BNC Especial sobre a Copa do Mundo masculina – Parte 2
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Fábio Balassiano

Na quarta-feira você ouviu a primeira parte do Podcast Bala na Cesta sobre a Copa do Mundo da Espanha, certo? Então hoje, véspera da estreia brasileira no torneio, Vagner Vargas , Fábio Aleixo, Daniel Neves (aqui do UOL), Luis Araujo, Guilherme Giavoni, Pedro Rodrigues e eu falamos sobre os principais candidatos a medalha e também palpitamos sobre quem será o campeão e qual será o resultado da seleção brasileira. Aproveitem!

Se preferir, o link direto está aqui. Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem muito e bom programa!


Nos amistosos, lances-livres atingem pior índice do século – veja números
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Fábio Balassiano

tiagoQuem acompanhou os amistosos do time de Rubén Magnano ficou intrigado com algumas coisas (o problema dos alas e armadores no ataque, Huertas abaixo da crítica, os lapsos), mas nada foi tão assustador quanto as falhas nos lances-livres.

Nos oito jogos antes da Copa do Mundo que começa no sábado (o de terça-feira contra o México não foi contabilizado pois não há estatística disponível), o time arremessou 184 vezes da linha fatal, e acertou apenas 108 (na média, 13/23 por jogo). Um aproveitamento de 59%. Muito baixo, sem dúvida.

OUÇA A PRIMEIRA PARTE DO PODCAST ESPECIAL SOBRE O MUNDIAL

Mas será que o problema vem só de agora? Fui pesquisar TODAS as grandes competições (Copa América, Mundial e Olimpíada) deste século XXI para chegar alguma conclusão.

E a análise mostra que o aproveitamento de 59% nos amistosos desta temporada, como está na tabela abaixo, é o pior índice da seleção brasileira masculina desde o começo do século contando Copa América, Mundial e Olimpíada (apenas a Copa América de 2001, na Argentina, não tem dados disponíveis no arquivo online da FIBA, uma pena). Em competições oficiais, os 62% registrados na Olimpíada de 2012, em Londres, ainda se mantêm como o percentual de conversão mais baixo dessa geração na linha de lance-livre.
numero

O número de lances-livres variou um pouco (o máximo foi 26,6 por jogo, e o mínimo, de 16,3), mas o aproveitamento, não – SEMPRE ficou abaixo dos 80% (na média, 69%). Apenas uma vez, na Copa América de 2003, com Lula Ferreira, o percentual superou os 75% (foi de 77%). Foi esta, aliás, a única vez que o Brasil ficou entre os três melhores no quesito em uma competição (em segundo). Pelo que se vê, esse é um problema crônico (talvez o maior) do basquete nacional neste começo de século.

CONTRA EUROPEUS, BRASIL TEM 3-12 NOS ÚLTIMOS 20 ANOS EM MUNDIAIS

huertasComo se vê, desde que Magnano assumiu os índices variaram de 74% (Mundial de 2010) a 62% (Olimpíada de 2012). Se formos contar os amistosos desta temporada, o índice cai a incríveis 59% (23 lances-livres tentados por jogo), algo realmente assustador. Gostaria muito de dizer que o fato de o time jogar cada vez mais com os pivôs, cujos aproveitamentos na linha fatal nunca foram os melhores de um elenco de basquete, mas quem viu os jogos recentes sabe que não é bem isso. Até mesmo Leandrinho, Marquinhos e Huertas, arremessadores muito bons, têm errado de lá.

EM ESTREIAS DE MUNDIAL, BRASIL TEM 12-4

A não ser que as coisas mudem muito até sábado, o suplício da linha fatal vai continuar (o que é uma pena). Alguns problemas dessa geração (defesa e ataque mais organizados) foram solucionados por Rubén Magnano. O lance-livre, pelo visto, não será corrigido pelo argentino (infelizmente), e o time terá que lidar com isso nas partidas do Mundial (vejam abaixo os números dos amistosos).
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Que a seleção, portanto, aprenda a vencer mesmo com aproveitamento abaixo dos 75% da linha fatal.


Nos últimos 20 anos, Brasil tem 3-12 contra Europeus em Mundiais
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Fábio Balassiano

sele1A seleção brasileira que estreia sábado contra a França na Copa do Mundo da Espanha (13h, com transmissão do Sportv e da ESPN) entrará em quadra carregando retrospecto pouco animador do basquete masculino do país nos últimos 20 anos em Mundiais.

OUÇA AQUI A PRIMEIRA PARTE DO PODCAST SOBRE A COPA DO MUNDO

Como mostra a tabela abaixo, foram exatos 15 confrontos contra seleções europeias em Mundiais de 1994 para cá. E apenas três vitórias (contra a Alemanha em 94, diante da Turquia em 2002 naquele arremesso espírita do Marcelinho Machado no último segundo e contra a Croácia no de 2010). Ao todo foram 12 derrotas, contra Espanha, Alemanha, Lituânia, Iugoslávia, Grécia e Eslovênia nos últimos 20 anos.
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Será que o problema com os europeus começa a terminar no sábado? Só lembrando: na primeira fase o Brasil enfrenta os europeus França, Sérvia e Espanha, países do velho continente. Comente!


Podcast BNC Especial sobre a Copa do Mundo masculina – Parte 1
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Fábio Balassiano

huertasA Copa do Mundo masculina da Espanha começa no sábado, e o Podcast Bala na Cesta dessa semana é um grande especial sobre a competição. Juntei um time de especialistas para analisar a seleção brasileira, seus rivais e até que ponto o time de Rubén Magnano poderá chegar. Dividi o programa em duas partes (a outra será na sexta-feira, véspera da estreia brasileira no torneio), e estarão comigo na empreitada Vagner Vargas , Fábio Aleixo, Daniel Neves (aqui do UOL), Luis Araujo, Guilherme Giavoni e, óbvio, o Pedro Rodrigues.

Hoje falamos sobre a preparação da seleção, o que deu certo e o que ainda precisa de ajuste. Cabem duas observações: 1) Gravamos o programa antes de sabermos da morte do avô de Marcelinho Huertas (nossos sentimentos à família mais uma vez); e 2) Gravamos o programa antes de Guilherme Giovannoni ter de fato entrado em quadra (jogou no próprio sábado contra o Irã)

Aproveitem! Se preferir, o link direto está aqui. Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem muito e bom programa!