Bala na Cesta

Meu Balanço da temporada 2015/2016 do NBB
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Fábio Balassiano

machado6Fiz em 2013 , 2014 , 2015 e agora faço o meu balanço da temporada 2015/2016 do NBB que terminou há duas semanas com o título do Flamengo (o quarto consecutivo) em cima de Bauru no Rio de Janeiro.

Antes da análise em si, um preâmbulo necessário: como disse em 2015, o produto NBB não é mais uma criança. Terminou o seu oitavo campeonato, tem uma parceria consolidada com a NBA, é um campeonato exibido em três canais diferentes (Site LNB, Rede TV e Sportv) e com alguns ótimos times. Não dá pra tratar, portanto, com condescendência, como se a Liga Nacional ainda estivesse nascendo – porque não está mais. Se o nível do campeonato subiu, a exigência também precisa crescer, né? Então vamos lá.

PONTOS POSITIVOS

nbb1a) Patrocinadores – Impossível não começar por isso. Há cerca de três anos que a Liga Nacional não possuía aporte financeiro que não da Rede Globo e/ou da NBA (sua parceira desde 2014). Chegaram para a temporada 2015/2016 quase que de uma vez Caixa (patrocinadora máster), Sky, Avianca e Spalding. Mérito de toda equipe da LNB, sobretudo do gerente de marketing Alvaro Cotta, que chegou recentemente à estrutura da Liga e já começa, rapidamente, a colher resultados. O dinheiro (dos patrocinadores) pelo dinheiro não significa muita coisa, obviamente. Não fará dos clubes mais ricos neste primeiro momento, mas dará fôlego para a Liga Nacional de Basquete pensar (e principalmente realizar) novas ideias, cobrando, inclusive, as equipes em temas críticos como gestão (falaremos mais adiante), marketing e planejamento.

sarasate1b) Crescimento do público nos Playoffs – Acho que havia muito tempo que eu não via um playoff tão disputado e com ginásios tão cheios. Ainda não peguei os números oficiais com a Liga Nacional, mas acho bem provável que o de 2.500 de 2011 na pós-temporada, maior marca até aqui, seja superado pela média de 2016. Houve ginásios a tope em Caxias do Sul (no playoff em sua primeira participação no NBB), Fortaleza (o Paulo Sarasate viu mais de 9.500 pessoas contra Mogi no jogo 3), Marília (sede de Bauru na decisão) e Rio de Janeiro três vezes com mais de 7 mil pessoas na Arena Carioca na decisão do Flamengo contra Bauru. Também fizeram bonito neste sentido Mogi (como sempre enchendo o Hugo Ramos), Brasília e Rio Claro. Foi lindo ver praças importantes com presença tão grande de público.

nbb2c) Transmissões pela Web – Já falei isso algumas vezes neste espaço e repito: o público do basquete é, hoje, de internet. Pode (e deve) crescer para se popularizar e encontrar a galera de outros meios, mas é, atualmente, prioritariamente do mundo virtual. Por isso o esforço da Liga Nacional com a exibição de jogos na internet é mais do que fundamental. Os números não são tão altos assim (não chega a 100 mil espectadores por jogo), mas a qualidade das transmissões (o narrador Guilherme Maia, a repórter Giovanna Terrezzino e o comentarista Cadum são realmente muito bons!) sinalizam mais do que uma iniciativa de capturar o web-basqueteiro, mas a formação de um produto como é o NBA League Pass, plataforma de venda de jogos por streaming da principal liga do mundo. As finais da Liga Ouro através do Facebook Live foi outra iniciativa bacana dentro deste mesmo ponto “internético''. Desde o início de 2014, foram 116 partidas transmitidas pela internet. Nesta temporada, 38 jogos do NBB, 15 da Liga de Desenvolvimento  na etapa final; a partida inaugural e as finais da Liga Ouro.

nbb3d) Presença nas Redes Sociais – Este ponto é extensão do de cima. Atualmente o NBB conta com mais de 300 mil seguidores no Facebook (ok, sabemos que a rede do Mr. Mark Zuckerberg, que neste fim de semana fez um Live com ninguém menos que Barack Obama, permite que números se inflem com facilidade devido ao investimento financeiro), mais de 45 mil no Twitter, 54 mil no Instagram e outro punhado no Snapchat, rede social que este blogueiro até tentou, mas não teve habilidade pra usar. Se a galera do basquete é jovem pra caramba e está na internet, nada mais inteligente do que literalmente bombar nas redes sociais. É o que a Liga Nacional vem fazendo estrategicamente e cirurgicamente desde sempre. Decisão inteligente e com pessoas muito capacitadas tocando esta operação.

bassule) Departamento Técnico – Já tivemos algumas discussões grandes, mas gosto de Paulo Bassul, hoje Gerente Técnico da Liga Nacional de Basquete, desde sempre. É um cara estudioso, com metodologia, sonhador e organizado. A Liga divulga pouco as ações que seu departamento têm feito, mas conversando com ele (e ele estará em um Podcast especial sobre isso proximamente) dá pra notar como a Liga tem se aproximado dos clubes para entregar às agremiações bastante conhecimento e capacitar os treinadores. Ainda é pouco, sabemos, pois o nível técnico do produto NBB ainda é baixo (e não se resolve apenas com os times de cima, mas com sólidos trabalhos desde a divisão de base), mas na semana passada aconteceu uma clínica muito interessante em São Paulo com Casey Hill, treinador da D-League (a “LDB'' da NBA), e demais técnicos internacionais, que exemplifica muito bem isso que estou falando neste item.

ldb3f) Liga de Desenvolvimento – Segue sendo, pra mim, o que mais gosto desde a criação da Liga Nacional. O Campeonato Sub-22 tem uma série de ajustes que precisam ser feitos (desde o número e quais os times até o ajuste na idade limite), mas é o maior torneio de base dos esportes olímpicos do país. Tem “corpo'', ótimo número de atletas, ações de capacitação com técnicos e atletas, acompanhamento por parte do Departamento Técnico da Liga Nacional e ótimos jogadores surgindo. Não é coincidência que Lucas Dias, do Pinheiros, foi MVP da última LDB da qual o seu clube foi o campeão e meses depois foi selecionado para atuar no Jogo das Estrelas. Uma coisa (o tempo de quadra, a confiança e os jogos em sequência na LDB) gera uma série de outras coisas muito boas para atletas, agremiações e pra própria Liga mesmo.

PONTOS A MELHORAR

nbb5a) Arbitragem – Preciso começar por isso, né? Desculpem, mas aqui não dá pra dourar a pílula. É bem verdade que atletas e sobretudo técnicos causam o CAOS aos árbitros durante os jogos com simulações, discussões, reclamações em TODOS os lances do jogo. Para uma atividade que não é fácil de se fazer (marcações de juízes são complicadas e muitas vezes subjetivas mesmo), ter os envolvidos buzinando no ouvido a todo instante não é a coisa mais tranquila do mundo, concordam? De todo modo, não dá pra julgar a culpa de uma deficiência deles (dos árbitros) nas partes que sofrem (ou acham que sofrem com isso). O playoff do NBB foi desesperador em termos de marcações de arbitragem, culminando com aquela tenebrosa do jogo 3 da final no Rio de Janeiro (a tal bola presa envolvendo Hettsheimeir, de Bauru, e Rafael Luz, do Flamengo). Ali, na verdade, foi o caldo entornando de algo que já estávamos vendo acontecer há muito tempo. Insisto: as arbitragens do NBB são MUITO ruins, muito ruins mesmo. E por uma série de razões: a) a formação dos árbitros depende da CBB mais do que de qualquer entidade (e não preciso me alongar muito mais quando cito isso, certo?); b) o número de juízes no país é muito pequeno; e c) a reciclagem ainda é lenta. Tem um ponto muito meu, mas muito meu mesmo, que é achar (e é só um achismo) que a Liga Nacional não pensa que o nível das arbitragens é péssimo. Com isso, não ataca o problema com o senso de urgência que ele (o problema) merece. Pode ser um engano meu, mas me parece algo plausível pois, ao contrário de demais áreas do produto NBB (marketing, comunicação, arenas, parte técnica etc.), não vemos evoluções neste campo nem a curto e nem a longo prazo.

nbb8b) Gestão dos clubes – Não é um ponto exatamente que a LNB tenha responsabilidade, mas cabe a ela gerenciar isso melhor. De novo tivemos casos de salários atrasados, crises estruturais durante a competição, ginásios muito vazios e pouquíssimas ações de engajamento envolvendo times e suas comunidades. A ausência de um calendário anual que envolva clubes, Liga e torcedores é algo que me incomoda. A Liga, sim, tem culpa de não cobrar mais das equipes, mas as equipes (grande parte delas – com Mogi e Bauru sendo honrosas exceções) também são pra lá de acomodadas por enxergar o basquete como esporte, quadra, jogos e atletas. A parceria com a NBA deveria servir também para isso, não? Para trazer a experiência de mais de meio século da melhor liga de basquete do planeta e adaptar ao que podemos fazer por aqui. Muito pouco ainda é feito. A saída do patrocinador de Bauru (Paschoalotto) na semana passada, com o time quase todo sendo desmontado, é um reflexo disso. As gestões das agremiações são muito pouco planejadas, ficando sempre tentando montar times e estruturas de um ano para o outro. Vai dar errado – sempre…

franca2c) Ginásios – O que aconteceu em Rio Claro nos playoffs foi um verdadeiro absurdo (assalto a atletas de Franca) e isso não pode mais ocorrer. Sei que o problema dos ginásios é muito mais brasileiro do que do basquete em si, mas a Liga Nacional de Basquete precisa, também neste ponto, agir com rigor. Se o ginásio é ruim, que os clubes sejam OBRIGADOS a dar condições mínimas a atletas, técnicos, torcedores e imprensa dentro daquilo que a arena oferece. No caso específico de Rio Claro, confesso que fiquei menos chocado com o assalto em si e mais com a qualidade do vestiário do ginásio Felipe Karam – espaço pequeno, com bancos de madeira e cadeiras velhas de plástico. A parte de banheiros, setor de imprensa, acessos aos torcedores e áreas de alimentação precisam urgentemente ser melhoradas.

nbb2d) A qualidade do produto NBB – A parte técnica do NBB ainda é ruim – de ruim pra baixo sendo muito sincero. Nas finais o nível sobe um pouco, mas nada de tão assustador assim. Para melhorar só há uma maneira: capacitar os técnicos das divisões de base. É um processo longo, eu sei disso, mas algo precisa ser feito, agora, para que a qualidade suba um pouco. Não é coincidência que quase todos os “jogadores-franquia'' estejam na faixa dos 30 anos (Ricardo Fischer, de Bauru, é a exceção que confirma a regra).

bauru2e) Desequilíbrio – Todo mundo que acompanha o NBB sabia que a final seria entre Bauru e Flamengo. A não ser que houvesse uma catástrofe era isso que estava previsto para acontecer. E aconteceu. E só rola porque há um desequilíbrio imenso, gritante, galopante entre as equipes que mais e as que menos investem. Sinceramente não sei como resolver isso, porque não dá pra pedir para os times que contam com mais verbas de seus patrocinadores, para reduzir seus investimentos, mas ter um campeonato inteiro direcionado (no sentido de sabermos exatamente quais os dois clubes que chegarão às finais dentro de seis meses) não me parece algo bom para a Liga Nacional e muito menos para quem acompanha.

lbf1f) O vai, não vai da LBF – Afinal, a estrutura da Liga de Basquete Feminino foi ou não incorporada à da Liga Nacional de Basquete. Serão dois órgãos que irão caminhar juntos dentro do mesmo corpo, ou ficarão separados? A ausência das meninas no Jogo das Estrelas em Mogi foi um problema seríssimo e até agora não está claro para as pessoas que acompanham o basquete se será uma gestão compartilhada ou se a LBF seguirá o seu caminho sozinha. Torço para que a LBF seja definitivamente um dos produtos da LNB, mas não é alto que está muito tranquilo para quem está de fora entender, não.

CONCLUSÃO

nbb1Sigo achando o produto NBB bom, mas tal qual disse aqui neste espaço o dirigente Alexandre Póvoa, do Flamengo, eu penso que falta uma subida de patamar urgente para tornar um produto de nicho em algo maior, em algo potencializado.

Chegou a hora (ou já está passando da hora) do basquete crescer, alçar vôos maiores, comprar boas brigas e não ter mais medo de correr riscos (a relação com a TV Globo, que ainda apita em muitas coisas, é um bom exemplo disso). E para isso acontecer é preciso investir pesado em gestão, em capacitação e cobrar pesadamente os clubes que estão no NBB para caminhar na mesmíssima direção. Não é mais tolerável termos assalto em vestiário, briga (como foi em Marília) ou ações de comunicação mal exploradas como foi a da Festa da Uva, em Caxias do Sul.

nbb6O NBB já não é mais um bebê. É uma criança que chegará em menos de dois anos a uma década de existência. Seus ganhos são imensos e estão aí pra todo mundo ver, mas para crescer a turma da Liga Nacional vai precisar se reinventar em si mesma em todos os campos – parte técnica, marketing, comunicação, arbitragem, gestão dos clubes, capacitação etc. .

Quem sou eu pra querer alguma coisa, mas queria ter chegado a 2016 vendo grandes evoluções do produto (como um todo) NBB em relação a 2015. Não foi o que aconteceu. Foi mais um ano de consolidação do que de crescimento em si. Torço para, em 2017, estar aqui neste espaço exaltando grandes inovações, e não para basicamente dizer que a Liga Nacional se manteve no patamar em que se encontrava 12 meses antes.

Tags : LNB NBB


Podcast BNC: Analisando o Cleveland Cavs campeão da NBA
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Fábio Balassiano

lebron11O que fez o Cleveland ser campeão da NBA pela primeira vez? Quão mitológica foi a performance de LeBron James no jogo 7? O que não deu certo para o Golden State Warriors dessa vez?

Caso você prefira, o link direto está aqui. Caso queira, também está disponível no iTunes ! O código RSS está aqui. Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e divirtam-se!


Fala, Leitor – A proeza de LeBron James e dos Cavs
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Fábio Balassiano

lebron7* Por Josué Seixas

Me falta a capacidade de declarar alguma coisa realmente significativa ao fim do grande jogo que foi a sétima partida da final da NBA. Hora de tentar.

O Cleveland Cavaliers é o novo campeão da NBA. LeBron cumpriu a sua promessa quando não mais se esperava ser possível. Curry não comprovou a sua escolha como MVP unânime. LeBron ainda é o melhor jogador do mundo. O mais completo. Os números comprovam isso. Nossas lembranças comprovam isso.

mitos1O jogo foi o melhor da série, sem dúvidas. Prevaleceram os dois melhores jogadores de até então: LeBron James e Kyrie Irving. As lágrimas de alegria na comemoração, somadas aos gritos em euforia, demonstram o quão grande foi o estímulo do Cleveland Cavaliers. Cinquenta e dois anos. Cinquenta e dois anos. Um Rei precisa trazer orgulho ao seu Reino e é extremamente importante frisar que LeBron James conseguiu.

lue1Como a maioria dos campeões, os detalhes mais importantes são clichês: garra, desejo, instiga, força, conquista, superação. Em uma frase: nenhum time, numa final, havia conseguido se recuperar de um déficit de 3-1. Se houve história na temporada regular, há história na final.

A temporada 2015-2016 serviu para desestruturar alguns dos recordes e amarras no basquetebol como era conhecido há muitos anos. Desestabilizou a imagem de LeBron James (quem poderá chamá-lo de pipoqueiro agora?) e lhe trouxe ao pódio dos melhores aos olhos de todos. Ser o MVP das finais foi o mínimo. Ele alcançou o máximo. A conquista da temporada regular não deve ser desmerecida. O recorde significa algo, apesar da ausência do anel. Aconteceu num momento díspar do atual, apenas.

lebron3A final, entretanto, deve ser exaltada. Seus fatores foram supracitados e talvez palavras sejam incapazes de exaltá-la na intensidade devida. Não há o que se falar sobre a ausência de Draymond Green no quinto jogo ou de um sumiço repentino dos Splash Brothers. Isso deve ser diminuído se comparado à proeza de LeBron James, Kyrie Irving, Lue e companhia. Já havia escrito antes, falando sobre o Golden State Warriors: a história foi feita.

Dedico aqui os meus parabéns ao Cleveland Cavaliers. A equipe, a cidade, aos jogadores, aos torcedores. Aos que torceram pelo Golden State Warriors, lembrem-se: no fim do dia, somos todos os seres humanos. Todos sujeitos à falhas.

Tags : Cavs NBA


Troca que levou Ibaka ao Orlando foi a surpresa da noite do Draft da NBA
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Fábio Balassiano

ben1Foi aquela noite agitada de sempre. Sessenta escolhas para times da NBA no Draft realizado ontem, com Ben Simmons (Sixers – na foto), Brandon Ingram (Lakers), Jaylen Brown (Celtics) nas três primeiras posições, e um punhado de negociações (10 não nascidos nos Estados Unidos entre os 16 primeiros aliás, coisa impressionante). O Minnesota tentou loucamente enviar o seu quinto pick para o Chicago Bulls por Jimmy Butler, mas (até agora) nada feito. O Utah, por sua vez, recebeu o armador George Hill e enviou o pick 12 (o ala-pivô Taurean Prince) ao Atlanta, que repassou Jeff Teague ao Pacers.

ibaka1O maior movimento, mesmo, veio com a troca que levou o ala-pivô congo-ibérico Serge Ibaka ao Orlando Magic (notícia divulgada em primeira mão pelo Woj, que novamente saiu na frente de todos em quase todas as informações de ontem). Indo para o seu último ano de contrato, Ibaka foi trocado pelo Oklahoma City Thunder, que recebeu o calouro Domantas Sabonis (sim, ele mesmo, o ala-pivô que teve 17 pontos e 11 rebotes de média na temporada passada por Gonzaga é filho do lendário pivô Arvydas Sabonis) e os alas Victor Oladipo e Ersan Ilyasova (o OKC tem a opção de ficar ou não com o turco).

gordon1Em primeiro lugar, não deu pra entender o movimento do Orlando Magic. O time, agora, tem novo técnico (o excepcional Frank Vogel, vindo do Indiana Pacers) e poderia abrir espaço para Aaron Gordon (foto) se desenvolver na ala, algo que não tinha acontecido com Scott Skiles. Ainda teria Sabonis, ótimo projeto de jogador (ainda muito cru, mas com bastante potencial) e a chance de, enfim, fazer dar certo o duo envolvendo Victor Oladipo e Elfrid Payton. O que fez o Magic? Despachou Oladipo e Sabonis ao OKC, pegou o contrato expirante de Ibaka, que poderá sair ao final da temporada 2016/2017 e é o cara que será o dono da posição 4 – a mesma de Gordon. Ibaka é excelente, muito bom mesmo. Todos falam de seu comprometimento, de seu ótimo profissionalismo, mas para um time em reconstrução perder duas peças jovens por alguém que pode ficar por lá por apenas um campeonato me parece arriscado demais.

sabonis1Do lado do OKC a troca faz sentido, mas precisa ser analisada com frieza. Pelo lado positivo temos: Dion Waiters, reserva do perímetro, pode sair neste mercado caso não aceite a proposta da franquia. Victor Oladipo, portanto, seria um bom substituto (caso Billy Donovan mantenha Andre Roberson de titular na posição 2). Domantas Sabonis (foto) é uma (de novo) ótima promessa e com a evolução de Enes Kanter (sobretudo na defesa) e Steven Adams no garrafão (este deve receber uma bolada de dinheiro caso continue evoluindo ao fim do seu primeiro contrato, em 2016/2017, aliás) foi possível se desfazer de Ibaka sem tantos problemas. Como curiosidade, vale dizer que com Sabonis (Lituânia), Kanter (Turquia), Adams (Nova Zelândia) e Ilyasova (Turquia) o Thunder terá um garrafão 100% internacional pra próxima temporada.

okc2Pelo lado negativo, essa notícia da troca de Serge Ibaka pode influenciar decisivamente na vida de Kevin Durant. Agente-livre, Durant sempre elogiou a Victor Oladipo, que agora chega para reforçar o Thunder. O problema, para o OKC, é que KD adora desde muito tempo a Ibaka, com quem, ao lado de Russell Westbrook, forma o núcleo do Oklahoma desde 2010. Os três cresceram juntos na liga, evoluíram, perderam, ganharam e criaram fortes relações não só profissionais. Pelo que a imprensa americana disse, o camisa 35 não foi consultado sobre a troca de ontem envolvendo Ibaka e Oladipo.

okc3Para sabermos se realmente a troca que levou Oladipo, Ilyasova e Sabonis (estes, dois alas-pivôs que sabem arremessar de fora – a nova grande tendência da NBA aliás…) deu certo para o Thunder temos que esperar um pouco mais. Se Kevin Durant renovar por longo tempo, o OKC se deu muito bem. Se da foto ao lado só restar Russell Westbrook após o mercado de agentes-livres, é melhor o GM Sam Presti colocar as barbas de molho. Não só porque terá perdido Durant (o Knicks, agora com Derrick Rose, tema de post no blog na próxima semana, virá babando em cima do cara…), mas sobretudo porque poderá, também, se ver sem Westbrook, que pode sair na janela de 2017.

Esperemos um pouco mais. A tacada do Orlando foi muito ruim. A do Thunder até ontem parece ter sido muito boa. Em uma ou duas semanas ela poderá parecer trágica.


A superação de Tyronn Lue, técnico campeão pelo Cavs
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Fábio Balassiano

lue2“Não vou dizer nada sobre isso, me desculpe. Meus jogadores sabem o que precisamos fazer para ganhar essa série. Os dois últimos treinos foram apenas sobre isso''.

Foi assim, seco porém com respeito ao repórter, que Tyronn Lue, técnico do Cavs, respondeu a uma questão da imprensa americana antes do jogo 5. Contra a parede com o famoso 1-3 da decisão contra o Warriors, Lue decidiu ir pro tudo ou nada colocando em prática um plano de jogo que exigia que seus atletas atacassem a Stephen Curry em todas as posses de bola do Cleveland. O resto da história vocês já sabem, né?

lue4Visto com desconfiança por 11 entre 10 analistas de basquete (eu me incluo aqui) quando da saída de David Blatt, Lue tinha muito mais a perder, no longo prazo e pensando em sua trajetória, do que a ganhar como treinador do Cleveland. Inexperiente, capacho de LeBron, sem voz no vestiário e cumpridor de ordem dos atletas. Foram alguns dos “adjetivos'' que ouviu para receber a oferta de emprego após a saída de Blatt. Ademais, se ganhasse, muito bem. Se não levasse o Cleveland ao título, ouviria todos os elogios possíveis e imagináveis. Ele não só ouviu quieto como recusou a proposta de 3 anos e US$ 3 milhões/ano que a diretoria do Cavs lhe fez. Preferiu ficar como interino até o final da temporada. Foi uma aposta em si mesmo e também sincero de sua parte. Lue sabia que de fato era algo temporário (até o final do campeonato) que depois poderia se prolongar – e não algo que deveria ser duradouro de cara, pois a franquia não o conhecia como técnico principal.

lue1O fato cristalino e analisado agora é que Lue fez um playoff muito bom como técnico. Noves fora a fragilidade do Leste, não se desesperou quando o Toronto fez 2-2 e poderia ter empurrado o Cleveland para o precipício naquele jogo 5 em Ohio. Manteve o pulso firme e a mesma tática dos dois duelos iniciais da série e fechou no sexto jogo no Canadá sem tanto susto assim. Na decisão, abriu a sua caixa de ferramentas.

Fez com que seus atletas atacassem Steph Curry loucamente, trocou as marcações em Curry e Klay (eles não arremessariam livres em NENHUM momento) e no sétimo jogo fez questão de diminuir o ritmo (foram menos de 100 posses de bola para cada lado pela primeira vez na série). Lue foi tão maduro, que depois de perder Kevin Love por uma concussão no jogo 3 deixou o camisa 0 no banco para o confronto seguinte e trouxe Love de volta ao quinteto titular para a quinta partida mesmo com Richard Jefferson, seu substituto, indo muitíssimo bem. Também foi inteligente ao encurtar a rotação e deixar Channing Frye (péssimo nas finais) e Matthew Dellavedova fora da rotação nos jogos 5, 6 e 7 por necessidade tática e por queda de rendimento dos atletas.

lue5Se do outro lado Steve Kerr não estava muito inspirado nas pranchetas, o técnico calouro, o mais novo a ganhar um título da NBA (39 anos) e outro no seleto grupo a ganhar como atleta e treinador, não tinha o menor medo de ousar, de fazer diferente. Foi bacana de ver na verdade.

De todo modo, é cedo pra dizer quão bom Tyronn Lue será em sua carreira. Independente do que aconteça, ele já tem e sempre terá um título em seu currículo, o que não é pouco. Lue tem o respeito dos atletas, mostrou ótimo conhecimento e muita calma para administrar as situações difíceis que o Cleveland passou nessa pós-temporada. No teste de fogo, o técnico passou com louvor. Agora é sentar com o anel de campeão com Dan Gilbert, o dono da franquia Cavs, e David Griffin, o gerente-geral, e exigir um polpudo aumento em relação aos US$ 3 milhões anteriormente oferecidos.


A frustração existe, mas não deve apagar outro passo histórico do Warriors
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Fábio Balassiano

curry1O Golden State Warriors não conquistou o tão sonhado bicampeonato da NBA. Abriu 3-1 contra o Cleveland, viu o Cavs virar para 4-3 e frustrou (a melhor palavra é essa mesmo) a sua torcida. É triste, vai doer por muito tempo, mas creio ser fundamental que ninguém esqueça quão fantástico foi o campeonato que esses caras que ganharam 73 vezes na fase regular tiveram. Faltam adjetivos para descrever a grandeza do que estamos vendo acontecer na nossa frente e ignorar isso por um fim de certame ruim não é o melhor a se fazer.

curry2Antes de começar os elogios, vamos ao óbvio: está muito claro que alguma coisa não deu certo para o Warriors nesta decisão. Assim como algumas situações precisam ser corrigidas pelo Cleveland também. Não existe time perfeito (nunca houve). Só não concordo, agora, com as críticas que tenho visto ao estilo do Golden State. Muita gente diz que a franquia não tem jogo de garrafão e que por isso perde. Não lembro de ter visto este tipo de argumento ano passado quando a equipe foi campeã. É uma análise em cima de resultados apenas e só isso? Sem querer comparar nada, mas já comparando, o Chicago de 1996 tinha no garrafão Luc Longley e Dennis Rodman, que somavam 15 dos 106 pontos por jogo da equipe 20 anos atrás (menos de 15% portanto). Não falta ao Warriors jogo perto da cesta, mas talvez um pouco mais de consciência para arremessar o melhor arremesso possível do ataque. E mesmo assim tendo a discordar disso que acabei de escrever, pois o que faz desses caras um time já histórico é a imprevisibilidade, o alto número de posses de bola e o jogo rápido, muito rápido. De todo modo, para um playoff me parece importante saber jogar em uma marcha menor em alguns momentos.

green1Aqui, de novo, vale aquele alerta: o jogo mudou, o jogo está mudando, e assiti-lo como se assistia há 20, 30 anos é um erro colossal. Para ver o esporte da bola laranja da atualidade a melhor coisa, mesmo, é se despir de todos os conceitos e aprender com o que está acontecendo. Já falei algumas vezes sobre o Warriors (aqui , aqui e aqui ) neste espaço, mas obviamente vale a pena ressaltar o que esses caras comandados pelo ótimo Steve Kerr (teve falhas na decisão da NBA e também na final do Oeste, mas segue sendo um grandíssimo treinador) têm conseguido fazer no basquete. Não por chutarem loucamente de três pontos, algo que irrita a muita gente, mas por conseguir quebrar freneticamente os conceitos arraigados do jogo.

kerr1Isso, aliás, é algo que merece ser explicado com um pouco mais de cuidado. Quando assumiu a equipe, Steve Kerr sabia que tinha em mãos dois dos melhores arremessadores desta geração (Klay Thompson e Steph Curry). Ele sabia, portanto, que para vencer não poderia jogar da maneira habitual, da maneira “regular'' dos outros times. Ritmo de meia quadra, dois pivôs perto da cesta, chutes de dois pontos em profusão e vamos ver no que dá. Nada disso. Kerr tem noção, também, que a melhor arma do seu time (o chute de três pontos), vale mais do que os tiros de dois pontos (50% a mais, né…).

numerosCom um pouco mais de estatística neste texto: os estudiosos do jogo dizem que, atualmente, existem três tipos de chutes “confiáveis'' no basquete atual: bolas de três pontos (vale mais, insisto…), bolas em contra-ataque (a maioridade numérica gera alto potencial de conversão) e bolas perto da cesta (mais de 60% de aproveitamento). O Golden State Warriors tem, minimamente, armas bastante letais nos dois primeiros itens dos gênios dos analytics (chutes de três e contra-ataque). Se tem isso tudo, por qual razão atuar de maneira ortodoxa? Não havia razão de fato. A saída foi realmente quebrar a banca, desafiar status quo e criar uma maneira única de jogar basquete – o seu basquete.

kerr1A questão foi, é e cada vez mais será COMO fazer com que Steph e Klay chutassem BEM para fazer com que a arma fosse potencializada. A preparação para os arremessos, com trocas de passes e bloqueios constantes para Steph e Klay, são tão importantes quanto as bombas lançadas por eles em si. Em uma matemática boba, em um espaço de 10 arremessos, 9 bolas convertidas de dois pontos (90% de aproveitamento) por um time qualquer valem exatamente a mesma coisa (18 pontos) que os Splash Brothers podem conseguir acertando 6 em 10 (60%). É, como diria aquele personagem da televisão, aritmética.

green1A grande graça para o mundo basqueteiro é tentar entender os conceitos, admirar a franquia de Oakland, mas saber que o que eles se propõem a fazer é quase que impossível de ser “copiado'' simplesmente porque as peças que estão ali são bastante heterogêneas. Quem no planeta possui jogadores tão multidisciplinares e capazes de exercer tantas FUNÇÕES ao mesmo tempo em quadra como Andre Iguodala, Leandrinho, Shaun Livingston, Draymond Green, Festus Ezeli, Anderson Varejão e Harrison Barnes? Ninguém, né? Por essa singela razão nem todo time pode jogar igual ao Golden State Warriors. Ninguém tem chutadores tão confiáveis assim quanto eles e peças tão diferentes entre si em um elenco de 15 jogadores. Peças tão diferentes, tão distintas, mas que encaixadas fazem com que pareçam uma coisa só. Dentro da álgebra, a geometria para achar os melhores ângulos e a química, para achar as melhores formações, são importantes também.

iggy1Para o Golden State importa pouco a altura dos atletas que estarão em quadra. Importa mais a combinação do que eles conseguirão fazer, juntos, contra as formações dos rivais. Importa, sobretudo, que os cinco caras saibam realmente jogar basquete (é quase o que Pep Guardiola faz em seus times de futebol, trazendo volantes para jogar na zaga e povoando o meio-campo, onde se pensa e se cria o jogo…).

Klay2Vimos neste playoff várias vezes o Warriors sem os “pivôs''. Vimos, também, o GSW com Curry e Livingston, armador principal e seu reserva, juntos. Vimos defesas impressionantes e dominando os rebotes com Draymond Green, “gigante'' de 2,01m como o rapaz mais perto da cesta. Mais que isso: como evitar cestas dos rivais não tendo necessariamente um pivozão grudado no aro? Ter peças com braços longos, rapidez nas pernas e capazes de marcar rivais de diferentes posições (Iguodala, Green, Barnes e Livingston principalmente) ajuda o GSW a ter uma das melhores marcações da NBA atual. Boas defesas permitem contra-ataques. Boas defesas permitem que, no contra-ataque, Curry e Klay já se posicionem nas extremidades (corner-shots) para chutar sem marcação (spot-up shots). Se marcados eles já têm conversões altas (mais de 40%), imaginem livres (mais de 50% nos tiros longos…). Como é um time bastante leve, as movimentações são frequentes e frenéticas, deixando os adversários MALUCOS para acompanhar os ritmos e deslocamentos. Isso conta. Isso conta e cansa também. Vimos infinitas maneiras de se chegar a cesta com diferentes atletas em quadra. Dava para pontuar com as bombas de Curry ou Klay do perímetro. Mas dava, também, para ver jogo de costas para a cesta de Livingston, infiltrações de Leandrinho, picks com Draymond Green, ponte-aéreas para Ezeli e Bogut, isolações para Andre Iguodala e Harrison Barnes. O arsenal construído é praticamente imarcável.

gsw4Não torço pelo Warriors, mas torço para vê-los jogar assim por muito, muito tempo. Se fica a frustração, pra eles, de não ter conquistado o sonhado bicampeonato, vale lembrar que alguns times históricos, como o Lakers da década de 80, demoraram anos para conseguir títulos consecutivos. Outros, nunca chegaram lá (o Spurs atual e o Boston Celtics mesmo da década de 80 não conseguiram). O que estamos vendo é um time que venceu 67 vitórias em 2015, 73 em 2016 e que conseguiu avançar às finais por duas vezes seguidas. Não é pouco. Com uma diferença bem incrível que o Golden State consegue fazer isso com um núcleo ainda muito jovem (Curry é o mais velho e tem módicos 28 anos), que pode conquistar ainda muita coisa, e mudando os conceitos do jogo (como não querer que isso se prolongue por muito e muito, gente?).

warriors1Muita gente ainda teima em não colocá-los no panteão dos melhores times da história. Não só os coloco lá entre os melhores, mas também na classe das equipes que conseguiram modificar a curva da modalidade. Houve o Celtics da década de 60 com Bill Russell e seu jogo pesado de defesa. Depois o Lakers em 1980 com o estilo incrível de transição. Tivemos, também, o Detroit Pistons, máquina de moer adversários com seu estilo físico na mesma década de 80. Logo depois, o Bulls com o seu sistema de triângulos incrível. Anos depois vieram os altruístas San Antonio Spurs e o Detroit-2004 (este por menor espaço de tempo) e o Lakers com o duo Shaq e Kobe (o último, até agora, a conseguir 3 títulos seguidos). Agora é a Era Warriors. Basquete rápido, baseado em arremessos longos, trocas de marcação constantes e armas ofensivas infinitas. E vencendo muito.

Quando este esporte for estudado daqui a 50, 60 anos, este Golden State Warriors (até agora) campeão de 2015 e vice de 2016 precisará de um capítulo a parte. Único. Único como seu lindo e sorridente basquete.


O título que muda o patamar de LeBron James na história do basquete
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Fábio Balassiano

lebron20LeBron James anunciou a volta a Cleveland em 2014 com uma singela frase: “Estou voltando pra casa''. Bem diferente do que, quatro anos antes, ele fez para informar ao mundo que levaria seus talentos para South Beach (Miami Heat). Com o retorno ao Cavs, um maduro LeBron tinha uma única missão – dar o inédito título a Ohio.

lebron11E foi o que ele conseguiu neste domingo. Após a frustração de 2015, quando tentou praticamente sozinho (Kyrie Irving e Kevin Love se machucaram) contra um esplêndido Golden State Warriors, LeBron enfim cumpriu a sua promessa diante do mesmo adversário que o havia derrotado na temporada anterior. Cumpriu em grande estilo. Venceu o time de melhor campanha da história da NBA (73 vitórias), saiu de 1-3 para se tornar o primeiro a virar para 4-3 e assinalou no jogo 7 um surreal triplo-duplo (27-11-11), algo que apenas James Worthy e Jerry West haviam conseguido. A comemoração dele depois dos 48 minutos da batalha épica na Oracle Arena, em Oakland, deram bem a dimensão do que ele estava sentindo e do que ele havia alcançado.

lebron9Se em Miami LeBron James aparentava até uma certa arrogância quando ganhou os dois canecos (parecia dizer: “Eu vim aqui pra ganhar e ganhei mesmo. Não tinha dúvida que aconteceria''), o choro e a forma como ele desabou no solo após concretizar a conquista pelo Cavs dão outra dimensão para o seu terceiro título de NBA. Pelo Heat era quase “pró-forma'', um rito quase que escrito. Pelo Cleveland, o fim de uma penitência que ele mesmo havia se colocado desde que chegou à liga. Não era ganhar. Era liderar uma cidade inteira que aguardou mais de 50 anos por um título nas principais ligas esportivas americanas. São situações bem diferentes – e por isso mesmo a emoção se justifica. Se jogar no chão era uma forma, também, de dizer um “ufa, acabou, eu consegui o que mais queria nessa vida'' que deixou todos bem mexidos. Não era a conquista de um troféu. Era a realização de um sonho de criança. E como protagonista.

lebron3O choro, o beijo na taça, as lágrimas, os abraços incontidos nos filhos se justificam, também, porque o camisa 23 ouviu muita coisa (escreveu isso inclusive em seu Instagram) de um ano pra cá. Ouviu muito quando David Blatt foi demitido pela franquia Cavs ali antes do All-Star Game. Ouviu, também, muito sobre como os Warriors eram fantásticos e como, vejam só vocês, Steph Curry tomaria o lugar dele de melhor atleta do planeta. As finais vieram e James não provou apenas quem ainda manda no pedaço, mas sobretudo a grande diferença entre o verbo estar e o verbo ser. Curry ESTÁ o melhor do mundo para ser o MVP unânime. LeBron É o melhor do mundo há bons cinco anos (no mínimo). E quem É há tanto tempo não é craque a toa, do nada, como se fazer o que ele faz fosse fácil. Antes da decisão eu disse no Podcast que o fator “ego'' poderia fazer a diferença. Fez. LBJ jogou pela cidade de Cleveland, mas também porque sua reputação estava em jogo (e muito em jogo). Um possível 2-5 em finais seria trágico. Um 3-4, com um título pelo Cavs, muda muita coisa, embora o cuidado com as palavras seja necessário também.

lebron4E digo isso porque nessas horas os exageros aparecem. Creio ser leviano dizer que LeBron James agora se coloca no mesmo nível do Michael Jordan. Leviano e até certo ponto “resultadista'', algo que não sou. LeBron e os Cavs estavam a um minuto (no domingo) de perderem o título da NBA. Poderia perfeitamente acontecer caso Andre Iguodala, por exemplo, tivesse cravado uma bola em que levou um dos tocos mais sensacionais da história do basquete do camisa 23 do Cavs. LBJ saltou 615m, desceu com a bola e no ataque seguinte Kyrie Irving matou uma bola de três fundamental. A comemoração em Ohio poderia não ter acontecido. E mesmo assim a sua performance assustadora nesta final permaneceria intacta.

lebron5Ao mesmo tempo, vencer (e da maneira que foi) coloca James em outro patamar, em outro nível, em outra dimensão, bem mais acima no panteão dos melhores de todos os tempos. Não dá pra afirmar, neste momento, em qual grupo ele vai se colocar (Top-5, Top-10, Top-15 de todos os tempos) porque o cidadão ainda tem 31 anos e muita lenha pra queimar. Já pararam pra pensar que nesta mesma altura dos acontecimentos em 2017 provavelmente estaremos aqui de novo falando do Cavs em outra final da NBA e de quão fantástico James estará sendo para dar o bicampeonato ao Cleveland? Tem muita estrada, pra ele e pros Cavs percorrerem, nos próximos anos ainda. O que dá pra dizer sem dúvida alguma é que ele passou da categoria 'grande craque' para a dos grandes gênios do basquete (Magic Johnson, Isiah Thomas e outros bambas falaram a mesmíssima coisa ontem…). E neste segmento não são muitos os que frequentam, não. Isso todos podem afirmar sem o menor problema, sem o menor medo de errar.

lebron2Ontem revi boa parte do jogo. No domingo você fica no calor das emoções, tentando entender taticamente o que está acontecendo. Nesta segunda-feira, não. Olhei apenas pra LeBron. Suas reações, cansaço, intensidade, liderança, emoções. Era visível o que estava acontecendo ali. Um leão procurando suas presas (Curry, Iguodala, Leandrinho) e buscando um filé macio (no caso o anel de campeão).

Se você chegou até aqui, já dá pra dizer: este foi um dos textos mais difíceis que escrevi em mais de oito anos de blog. O motivo é simples: o que LeBron fez nesta final da NBA é algo quase impossível de “mensurar'', transformar, transportar, para palavras. As imagens falam por si. Com 1-3 na série o cara conseguiu 41 pontos, 41 pontos e um triplo-duplo fora de casa no jogo 7 para dar o inédito título a franquia, a sua cidade-natal. “Só'' isso, né?

lebron50O Rei segue sendo o Rei. O Rei da selva. O rei do basquete. Disparado o melhor jogador desta década. Disparado o cara (no geral) mais preparado dos dois lados da quadra. Disparado aquele que faz os seus companheiros melhor. Se houve erros no passado, serviram para transformá-lo no que vemos hoje – o atleta da bola laranja mais espetacular do planeta. Seu comprometimento, seu profissionalismo, sua forma de querer evoluir chegaram a níveis absurdos. O toco em Iguodala, com ele indo pro banco espumando de tanta intensidade, comprova isso. Ninguém queria mais o título do que ele. Ninguém lutou mais por esse título do que ele. Ninguém sofreu tanto por este título quanto ele. Ninguém, ali, MERECIA mais o título do que LeBron James.

Vida longa ao rei.


LeBron e Irving brilham, Cavs batem Warriors e ganham inédito título da NBA
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Fábio Balassiano

mitos1Fim da temporada 2015/2016. E se as finais da NBA deste ano estavam devendo um jogo equilibrado, neste domingo o desejo foi atendido (20 trocas de liderança, 11 empates no placar). Disputado do começo ao fim, o jogo 7 da decisão foi um primor, espetacular, e coroou o Cleveland Cavs, que venceu o Golden State Warriors por 93-89 , fechou a final em 4-3 (tornou-se o primeiro a sair de 1-3 pra ganhar o título) e conquistou o primeiro campeonato da história da franquia (o primeiro da cidade de Cleveland em TODOS os esportes americanos desde 1964).

lebron50Mais uma vez o cidadão LeBron James, eleito o MVP das finais sem surpresa alguma (talvez fosse mesmo se o Cavs não tivesse ficado com o título…), foi fantástico, anotando um triplo-duplo com 27 pontos, 11 rebotes e 11 assistências (terceiro jogador da história da NBA a conseguir isso em um jogo 7 de final – Jerry West e James Worthy foram os outros). No final, obviamente LeBron estava muito emocionado por dar o prometido título a sua cidade. Além dele, Kyrie Irving, que matou uma bola no minuto final de forma incrível, foi muitíssimo bem com 26 pontos. Méritos, também, para Tyronn Lue, o técnico estreante (o mais novo a ser campeão na NBA!), que soube construir situações estratégicas que beneficiaram seus atletas quando quase ninguém mais acreditava na equipe.

lebron1O jogo começou e deu pra perceber que, ao contrário dos seis primeiros, seria equilibrado até o final. Houve sete trocas de liderança nos primeiros 12 minutos em que o Golden State Warriors acertou 5 bolas de três pontos. O Cavs, constante, mantendo o seu plano de jogo, não ligou muito pra isso. Defendeu muito bem perto da cesta, pontuou no garrafão (13 pontos ali) e venceu a parcial por 23-22.

green20No segundo período foi um recital de Draymond Green. Brilhante, o camisa 23 acertou TUDO de fora (5/5) no primeiro tempo, pegou seis rebotes, deu cinco assistências e terminou com 22 pontos. Ou seja: o ala-pivô teve 22 dos 49 pontos do seu time, que fez 27-19 no segundo quarto. Com isso o Warriors terminou bem a primeira etapa, foi para o vestiário vencendo por 49-42 e deu esperanças para o torcedor californiano que o bicampeonato viria apesar dos Splash Brothers estarem chutando apenas 5/17 (e Curry tendo três faltas…).

irving1O terceiro período veio e o Cleveland fez questão de trazer o equilíbrio de volta. JR Smith fez oito pontos seguidos (duas bolas de três rápidas) e deixou a partida empatada em 54. Aproveitando o nervosismo do Golden State o Cavs foi abrindo diferença. Kyrie Irving fez oito pontos seguidos, liderou uma sequência de 11 -0 do seu time. Naquele momento Steve Kerr decidiu retirar seus pivôs de vez (Anderson Varejão e Festus Ezeli), indo com sua formação de “baixinhos''. Deu certo, e o Warriors reagiu. No final, 33-27 no terceiro período pro Cleveland, mas a liderança foi mantida pelo GSW, que foi para o período derradeiro vencendo por 76-75.

lebron3Os 12 minutos finais de jogo vieram, o Cleveland começou melhor, mas Steph Curry (cinco pontos seguidos) e Draymond Green vieram para o resgate do Golden State Warriors. Green chegou aos 30 pontos logo no começo do período derradeiro, ajudando o seu time a abrir importante vantagem de cinco pontos quando restavam seis minutos. Ali apareceram LeBron James e Kyrie Irving (26 pontos ao todo). A dupla comandou a reação da franquia de Ohio, que virou o placar quando restavam três minutos. Com o placar empatado no minuto final, Tyronn Lue chamou a jogada para Irving, que fintou Steph Curry e matou de três pontos, sacramentando o título.

Título em boas mãos, né? O que achou do jogo? Comente!


Três anos depois, NBA volta a ter jogo 7 em final com Cavs e Warriors hoje
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Fábio Balassiano

lebron1Após três anos a NBA volta a ver uma final decidida em um jogo 7 (o delírio máximo para quem gosta do esporte). Em 2013, o Miami Heat, que tinha LeBron James no elenco (e como MVP das finais daquele ano), bateria o San Antonio Spurs por 95-88 na última vez que isso ocorreu.

FACEBOOK LIVE ÀS 20h15, HEIN.

Na história da liga já houve 18 Jogos 7 em finais, com o time mandante vencendo 15 e perdendo três. A última vez que uma franquia visitante venceu foi em 1978 com o Washington Bullets fazendo 105-99 no Sonics em Seattle diante de 19 mil pessoas. Desde então, seis jogos 7 em finais da NBA (um a cada seis temporadas quase…), com o Los Angeles Lakers participando de três deles (perdendo do Celtics em 1984 e vencendo do Detroit em 1988 e do próprio Boston em 2010). Mais que isso: nos últimos quatro duelos desta natureza a equipe visitante não conseguiu chegar nem aos 90 pontos.

lebron2Nesta noite em Oakland (21h, com ESPN) Golden State Warriors e Cleveland Cavs fazem o sétimo confronto de uma série que até agora teve 610 pontos para cada lado (fato inédito dois times chegarem ao derradeiro duelo assim), nenhuma partida com margem MENOR que dez pontos (nada de embate apertado) e um nome acima de todos – LeBron James.

RELEMBRE OS ÚLTIMOS 5 JOGOS 7 DAS FINAIS DA NBA

O cidadão, que mostra a cada dia que ainda é o melhor jogador deste planeta (e ser o melhor do mundo não é ESTAR o melhor do planeta, motivo pelo qual Steph Curry ganhou o MVP, diga-se), tem média de 30,2 pontos, 11,3 rebotes, 8,5 assistências, 2,7 roubos, 2,2 tocos nesta decisão (algo surreal!) e que está a 48 minutos de: 1) dar o inédito título para a sua cidade-natal; 2) em caso de vitória, mudar de patamar na categoria dos grandes ídolos do basquete (de, sei lá, gênio para ultra-hiper-mega-gênio). LeBron, aliás, pode entrar para a história da liga ao se tornar um dos raros atletas a ganhar dois jogos 7 de final (tirando a turma do Boston da década de 60, apenas Robert Horry, com o Rockets em 1994 e com o Spurs em 2005, está nessa lista). Não é pra qualquer um portanto.

curry1Pelo lado do Golden State, há uma preocupação grande com a queda de qualidade, ou de intensidade, do time nos dois últimos jogos (derrotas). Para o Warriors, porém, há quatro dados que são interessantes a seu favor: 1) Desde que Steve Kerr assumiu o time ainda não perdeu três jogos seguidos; 2) Nunca na história da NBA um time saiu de 1-3 e virou a final para 4-3, algo que o Cavs busca contra o GSW; 3) Times com o MVP da temporada regular ganharam os últimos jogos 7 em playoff da NBA. 4) MVP's jogaram partidas 7 de final em 7 ocasiões. Em seis delas também ganhou o campeonato (Kareem Abdul-Jabbar, em 1974 contra o Celtics, é o único que não saiu com o título). Desde então, Larry Bird (1984 contra o Lakers), Hakeem Olajuwon (1994 contra o Knicks) e LeBron James (2013 contra o Spurs) foram os MVP's da fase regular e ganharam os jogos 7 por seus times (os três, aliás, também obtiveram o MVP dos playoffs).

kerr3Steve Kerr, Steph Curry (ambos multados por reclamarem horrores da arbitragem após o jogo 6) e o elenco todo do Warriors sabem que para vencer logo mais precisarão encontrar uma forma de segurar LeBron James e Kyrie Irving (este quase sempre atacando a Curry, algo que tem dado certo – Kyrie inclusive chuta com aproveitamento de mais de 50% contra Steph), que têm conseguido pontuar com extrema facilidade nesta final da NBA (ambos estão com mais de 1,22 pontos por posse de bola nesta final, algo altíssimo). Mais que isso: o GSW, que teve 114,9 pontos e 41% de fora na temporada regular, não conseguiu chegar aos 110 nos dois últimos jogos e não tão agradáveis 32% em bolas de três pontos.

lebron6Alguns dados sobre LeBron James, por exemplo: 1) Pontuou ou deu assistências em 70 dos 115 pontos do Cavs no jogo 6; 2) Está chutando 50% em jogadas de um-contra-um, 52% em pick-and-roll (quase sempre com Tristan Thompson abrindo espaços para ele) e 68% (!!!!) em jogadas de transição); 3) Criticado durante a temporada por não estar arremessando bem, LBJ tem 48% em arremessos nos últimos quatro jogos dessa decisão.

Palpites para o jogo 7 de logo mais? Quem vocês acham que vence? Comentem aí!


Os últimos 5 jogos 7 das finais NBA – relembre com os vídeos!
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Fábio Balassiano

De amanhã não passa, né? Você já sabe: Golden State Warriors e Cleveland Cavs decidem a NBA neste domingo às 21h (ESPN) no sétimo e decisivo jogo. Já houve 18 jogos 7 na final da NBA. Em 13 deles, o time da casa venceu (o último visitante campeão foi o Washington batendo o Sonics em Seattle em 1978). Vamos relembrar os últimos cinco?

Los Angeles Lakers 108-105 Detrois Pistons (1988)

Houston Rockets 90-84 New York Knicks (1994)

San Antonio Spurs 81-74 Detroit Pistons (2005)

Los Angeles Lakers 83-79 Boston Celtics (2010)

Miami Heat 95-88 San Antonio Spurs (2013) 

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