Bala na Cesta

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Com a saída de Zanon, o caos completo na seleção feminina
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Fábio Balassiano

zanon2Não há dia calmo no basquete brasileiro nos últimos tempos. A sexta-feira parecia que caminharia tranquila quando ali pelas 14h chegou o E-mail da Confederação Brasileira. Zanon não é mais o técnico da seleção feminina adulta. O (até certo ponto surpreendente) pedido de demissão foi feito pelo próprio técnico, que alegou problemas de saúde para não pode continuar no cargo (a nota completa está aqui). Há várias maneiras de analisar essa situação. Vamos lá:

zanon21) Em primeiro lugar, chama a atenção que em uma mensagem institucional se encontre isso aqui: “Conheci todas as dificuldades que as pessoas que lá trabalham têm na condução da modalidade e pude comprovar que todo o trabalho é limitado exclusivamente pela falta de recursos e não por falta de conhecimento ou comprometimento“. Ou seja: a CBB expõe, sem o menor pudor, que tem problemas financeiros graves, é isso mesmo? Notem: não foi um jornalista que perguntou isso a Zanon, que puxou a informação do (agora ex-) técnico, mas sim o texto que está na própria nota oficial da entidade. Realmente bizarro.

zanon22) Longe de mim desconfiar de alguma coisa quando o assunto é Confederação Brasileira, mas a entidade tem um grave histórico de tratar o basquete nacional sem nenhuma transparência e credibilidade. Não sou apto a dizer que Zanon não tem problema de saúde (e até onde apurei de fato há uma questão na coluna dele gravíssima), mas é muita coincidência que o treinador, que fez a convocação para o evento-teste de janeiro de 2016 há uma semana, peça demissão no auge da confusão envolvendo o Colegiado dos 6 clubes da LBF e a entidade máxima da modalidade no país, como bem apontou a matéria do UOL. De todo modo, se ele está com um problema na coluna, que o trate e se recupere rapidamente.

zanon13) Não custa lembrar, obviamente, que a presença do técnico Zanon sempre foi motivo de desconforto por parte do tal Colegiado de clubes. Os times da LBF reclamavam com razão que o agora ex-treinador da seleção não acompanhava a modalidade como deveria, no que eles têm razão e assunto que também toquei aqui ontem (antes dos acontecimentos).

4) Vale lembrar que estamos a exatos 238 dias da estreia da seleção feminina nos Jogos Olímpicos de 2016. No atual momento a equipe não tem técnico, e para o evento-teste de janeiro do próximo ano (apresentação no dia 6 no Rio de Janeiro) as meninas ainda não garantiram que se apresentarão. Como diz o Romulo Mendonça, da ESPN, isso é o CAOS, o CAOS.

nunes14.1) Desde 2008 a seleção já teve cinco treinadores: Paulo Bassul, Luiz Claudio Tarallo, Carlos Colinas, Enio Vecchi e Zanon, treinador há mais tempo no cargo nos últimos tempos (desde março de 2013). A palavra ‘continuidade’, como se vê, não é apreciada nos corredores da Confederação Brasileira, né? Como a atenção para as meninas é quase ou igual a zero, Carlos Nunes e (de uns tempos pra cá) Vanderlei agem como se isso tudo fosse normal – e não é, não.

vanderlei5) Sendo bem pragmático, a saída de Zanon (vamos continuar partindo do pressuposto que a opção foi do técnico) abre uma oportunidade de ouro para que, enfim, clubes e Confederação Brasileira se alinhem. E explico. O objetivo do tal Colegiado era indicar o técnico da equipe nacional. A CBB não queria, porque Zanon estava lá. Agora não há mais a figura do treinador. Que as duas partes sentem em uma mesa com a intenção de RESOLVER a questão, e não de brigar mais. Quem sabe um meio do caminho, com um treinador indicado pela Confederação, e assistentes dos times da LBF, resolva isso.

nunes36) Pelo que apurei, porém, a Confederação não tem muita intenção de conversar com o tal Colegiado para aparar as arestas e caminhar com menos turbulência tanto no evento-teste quanto nas Olimpíadas. Três nomes já estão sendo analisados, esperando apenas o regresso do presidente Carlos Nunes, que estava viajando, para fechar a questão. Um deles, inclusive, era antigo adversário político de Nunes, mas de uns tempos pra cá tornou-se fiel escudeiro do atual presidente em clínicas e eventos da entidade. O mundo dá voltas, não é mesmo?

nunes27) Se continuar sem abrir mão de absolutamente nada, escolhendo o técnico que vier à cabeça (sem minimamente sentar para falar com os clubes), a Confederação Brasileira dará outro péssimo recado às agremiações, que têm se mostrado unidas e prontas para o embate até a última ponta. O que é mais inteligente, politicamente, neste momento? Que as duas partes cedam um pouco, ou que a entidade máxima ache que está tudo bem e que não deve seguir o que o outro lado lhe solicita?

grego1Estamos, como disse acima, vivendo o caos no basquete feminino brasileiro graças a uma gestão tenebrosa de Grego e Carlos Nunes, os dois últimos presidentes que parecem (ou são) exatamente a mesma coisa.

No dia 11 de dezembro de 2015 estamos sem técnico, com atletas ameaçando não jogar o evento-teste, com as divisões de base sucateadas, com clubes e CBB discutindo publicamente e sem a MENOR perspectiva de melhora. Tem tudo para dar errado nos Jogos Olímpicos, não é mesmo? Mas há algo pior: depois do Rio-2016 a tendência (com menos verba, menos atenção, menos tudo) é piorar – e muito. O fundo do poço basquete feminino brasileiro parece que ainda não foi cavado (infelizmente).


Sem jogos da LBF na TV, várias dúvidas sobre a convocação para a seleção
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Fábio Balassiano

LBF1Fui navegar no site da Liga de Basquete Feminino esta manhã e me acabei parando na Tabela de Jogos da temporada 2015/2016 do torneio. Queria ver alguma data para assistir partidas, mas acabei me chocando mesmo ao notar que não há NENHUM jogo previsto para ser exibido pelo Sportv na fase de classificação (a imagem ao lado é meramente ilustrativa e refere-se apenas aos jogos de 2015). Não é uma imensa surpresa, pois o mesmo acontece com o NBB, né?

Atualização às 15h20: Duas horas depois da divulgação deste post a CBB emitiu Nota Oficial informando que Zanon pediu demissão do cargo de técnico da seleção feminina, tema que será abordado neste espaço amanhã (12/12/2015)

Aí, sem querer entrar muito no mérito das questões da briga imensa envolvendo o tal Colegiado de Clubes e a Confederação, fiquei com algumas dúvidas. Vamos lá:

vanderleiDúvida 1: Se NUNCA não vai a ginásio e se nesta temporada não há jogo na TV na temporada regular, como a Confederação Brasileira, formada pelo treinador Zanon e pelo Diretor-Técnico Vanderlei (ambos na foto), fará para analisar e monitorar as meninas para convocá-las em seguida? O último duelo exibido na televisão, aliás, foi a final da última LBF. A data? Em 27 de abril de 2015. Faz tempo, né?

Dúvida 2: Há quanto tempo Zanon ou Vanderlei não entram em um ginásio para ver um jogo de basquete feminino ou um treino das meninas?

zanon1Dúvida 3: Há quanto tempo Zanon ou Vanderlei não CONVERSAM com os técnicos da LBF sobre as meninas? O presidente Carlos Nunes acha mesmo isso normal, plausível, aceitável? Pelo visto sim… O Bert, em ótimo artigo no seu PBF, escreveu sobre isso também.

Dúvida 4: Há quanto tempo Zanon ou Vanderlei não CONVERSAM com as meninas “convocáveis” para saber como estão carga de treinamento, jogos, desempenho ou coisas do gênero? E quando falo em conversar não quero dizer sobre as eventuais ameaças que têm sido feitas às atletas, como divulgado ontem pelo blog Cestinha (algo gravíssimo se comprovado). Será que eles sabem (repito isso) que Damiris está lesionada, que Adrianinha estava com problemas físicos e que Tati Pacheco, a ótima ala, voltou apenas recentemente às atividades?

erika1Dúvida 5: Não tem necessariamente a ver com a LBF, mas cabe o questionamento (sobre o fundamental monitoramento das atletas): melhor jogadora desta geração, Érika de Souza é a ÚNICA jogando no exterior no momento (está na Turquia). Zanon ou Vanderlei têm mantido contato com ela? Como está a temporada da pivô na Liga Turca? Alguém sabe?

São questões que eu sinceramente não sei responder. E se não sei responder é justamente porque as respostas não estão claras. Insisto que não concordo com tudo que o tal Colegiado de Clubes pede, mas pra mim está muito claro (e digo isso HÁ MUITO TEMPO) que a Confederação Brasileira, no caso Vanderlei e Zanon mesmo, praticamente não acompanha o dia a dia do basquete feminino brasileiro, gerando revolta nas agremiações, dúvidas sobre a coerência das listas apresentadas nos últimos anos e, o pior, uma série de imperfeições nas convocações (como no caso da lesionada Damiris).


Carlos Nunes, CBB, verbas e a estrutura esportiva brasileira
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Fábio Balassiano

nunes1Lucio de Castro explodiu uma bomba de proporções imensas ontem no UOL. Em mais um trabalho esplêndido de apuração (e documentação), ele divulgou um ótimo exemplo da falta de cuidado com a verba (seja ela pública ou não) por parte do presidente da CBB, Carlos Nunes (para dizer o mínimo). Há de tudo um muito no texto do Lúcio – de viagens, passando por compras e culminando com jantares. É de ler, reler (eu li umas vinte vezes para tentar capturar tudo), refletir e, o pior, se entristecer pra caramba. A Confederação emitiu, aliás, Nota Oficial em seu site no final da tarde (veja mais aqui).

cbb3Pode parecer que estou tentando lamber a própria cria, mas a verdade é que quem acompanha este espaço não se surpreendeu com a notícia desta quarta-feira. Pode ter, como aconteceu comigo, se chocado, indignado, entristecido. Mas surpresa, surpresa mesmo? Talvez pela desfaçatez da documentação apresentada na matéria, pode ser que pelos absurdos que estão detalhados no texto, mas não pelo fato em si. Que fique claro: e não digo isso por saber de algo em relação a Carlos Nunes na Confederação (se soubesse, com provas, teria divulgado), mas porque nos últimos anos o desempenho financeiro da entidade é uma verdadeira atrocidade que, se fuçada mais a fundo, sairia algo de estranho (como saiu). As análises dos Balanços Financeiros estão aqui do lado e são insanidades aprovadas, chanceladas e não contestadas por Federações e Associação de Atleta que agora (com o perdão da palavra) passam vergonha por não terem exigido mínimas explicações de algo errado que poderia estar ocorrendo – como estava.

cbbO problema, ao meu ver, está justamente no sistema e é preciso ampliar o olhar para analisar a situação toda (situação que é revoltante, obviamente). O sistema político que elege Nunes e afins nas Confederações brasileiras é arcaico, equivocado e “permite” que situações bizarras assim surjam. São 26 cidadãos que sentam em volta de uma mesa para definir os destinos de um esporte e o presidente NÃO remunerado de uma Confederação. Primeira pergunta boba: de que vive um presidente de Confederação? Se ele possui emprego ou negócios particulares, como irá se dedicar ao esporte da maneira profissional e integral exigida atualmente? Se ele não possui negócios particulares ou emprego, como paga suas contas? E sabemos que há presidentes de Confederação há anos em seus cargos, não? Nunes está na CBB, para citar um exemplo, desde 2009, não custa lembrar.

nunes1São estes mesmos 26 Presidentes de Federação que, depois da eleição, precisam ser cobrados pelo presidente da Confederação para desenvolver a modalidade em sua unidade federativa. Peraí, vou explicar de novo: o cidadão A, presidente da Federação X, decide votar em Y por acreditar que Y possui o melhor plano para estruturar e desenvolver o esporte. Eleito, Y passa a cobrar (vejam só vocês) ações e trabalho do cidadão A, que por sua vez pede verbas para Y para massificar o esporte na região X. Pode dar certo? Com todo respeito, não pode. A estrutura é deprimente, corroída, feita pra dar errado. Carlos Nunes, a quem respeito (sempre me tratou com o máximo de educação possível apesar de minhas severas críticas a sua gestão), está errado, muito errado. Fez algo que não deveria, mas fica uma pergunta singela: e os presidentes de Federação, que deveriam fiscalizar, cobrar, minimamente investigar os motivos de a conta da CBB estar alucinadamente endividada, como se sentem neste momento?

nunes1Será que Ministério do Esporte ou Comitê Olímpico Brasileiro (COB) não poderiam fazer algo em relação a melhor estruturação de Federações e Confederações deste país? Já vimos problemas desta natureza no futebol, no vôlei e agora no basquete (que eu me lembre de cabeça). Muito provavelmente não são as únicas. Não vou chegar ao ponto de dizer que o meio “proporciona” este tipo de situação, porque aí já seria demais (creio que a palavra ‘ética’ deva ser evocada por aqui), mas está muito claro para mim que as entidades esportivas deste país precisam ter um mecanismo mais profissional para eleger e manter seus dirigentes no cargo, e uma área de fiscalização eficiente e sobretudo independente,

aapb1Outra ponta importante que poderia fazer com que a situação não chegasse a este nível ridículo seria a dos atletas (atletas e técnicos). Como sempre a classe menos atuante no que tange a qualquer assunto fora das quadras, os jogadores, cuja Associação de Atletas aprovou as contas de 2013 da CBB mas se absteve de votar em 2014 (emitiu uma Nota lacônica ontem à tarde também), pouco fazem para mudar os rumos da modalidade – seja na forma estrutural precária como as coisas são feitas, seja para entender o porquê das dívidas crescentes, seja para exigir condições melhores para o esporte do país. Os veteranos estão satisfeitos com suas situações. Os jovens acham que não podem se expor. E aí, misturando as duas coisas, temos um deserto de ações que trava qualquer chance de mudança por aqui.

nunes2Gostaria de fechar este texto dizendo o contrário, que tudo vai melhorar mas não é possível. Infelizmente continuo achando que nada mudará no basquete brasileiro (ou no esporte daqui se quisermos aprofundar o debate). Já havia abordado isso aqui duas semanas atrás (e a bomba máxima do Lucio não tinha sido explodida), mas o silêncio de quem pode mover esta roda (atletas, dirigentes, clubes, técnicos, Ligas etc.) permite que Nunes e a turma que vêm levando a modalidade à bancarrota há tempos se perpetue no poder. Se perpetue no poder sem fazer absolutamente nada pelo esporte e ainda usufruindo das verbas, que deveriam ser usadas para investir exclusivamente no basquete do país, de maneira pouco recomendável.


As ideias de Ricardo Molina com os clubes comandando a seleção feminina
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Fábio Balassiano

molina3O dia de ontem foi agitado para o basquete feminino. Depois de colocar mensagens em seu Facebook pessoal, Ricardo Molina (foto), presidente do Corinthians/Americana (atual campeão Sul-Americano e da Liga de Basquete Feminino), divulgou de forma oficial que os seis clubes da LBF não cederão suas atletas para o evento-teste da seleção brasileira feminina que acontecerá em janeiro de 2016 no Rio de Janeiro. O motivo, segundo Molina, é a falta de (segundo ele) comprometimento da Confederação Brasileira de Basketball com as meninas (o UOL fez uma reportagem ampla sobre tema e você pode ler aqui). O blog foi ouvir um dos líderes deste importante movimento. Amanhã eu faço a análise sobre o que penso disso tudo.

molina3BALA NA CESTA: Afinal, qual o objetivo deste movimento dos clubes?
RICARDO MOLINA: É simples, Bala. Que a CBB aprove o modelo de gestão onde será implementado o planejamento feito por ela, CBB, e executado pelo colegiado dos seis clubes da LBF de agora até os Jogos Olímpicos. É simples. Este colegiado tomará as decisões referentes à parte técnica sempre com a chancela do presidente Carlos Nunes, isso precisa estar claro. Desde a nova comissão técnica, culminando com as convocações ficariam com este colegiado. Se estas equipes estão na Liga é porque representam a elite do feminino, né? Temos os melhores técnicos, as melhores atletas e, principalmente, o comprometimento com a modalidade. Todos os clubes estarão na composição da comissão técnica. Assim, a possibilidade de errar se reduz muito. Não teremos vaidades e sim compromisso.

molina6BNC: Deixe-me entender uma coisa. Estes mesmos clubes não elegem os presidentes de federação, que por sua vez não elegem o presidente da CBB? Como votaram os clubes na última eleição? E o presidente da respectiva federação? Não considera este o melhor meio para promover mudanças no basquete brasileiro?
MOLINA: Seria se houvesse tempo. O feminino não tem representatividade nenhuma na Confederação. Nosso objetivo é o agora, é o já. É ter responsabilidade com a Seleção Brasileira que irá nos representar nas Olimpíadas para evitarmos um vexame. Você, que acompanha o Feminino, responda aí: quantos amistosos as meninas terão até os Jogos? Contra quem? Quando? Queremos ver este planejamento para executá-lo da melhor maneira possível pelo bem do nosso esporte. Não é pedir muito, é?

molina4BNC: Sendo bem sincero comigo, desculpe perguntar, mas vamos lá: existe alguma aspiração política neste grupo que está sendo formado pelos times da LBF?
MOLINA: Nenhuma, nenhuma mesmo. Não queremos cargo, salário e muito menos gestão administrativa na CBB. Quanto a isso pode ficar tranquilo. Só queremos, e isso não é muita coisa, que a seleção brasileira feminina seja representada pelas melhores atletas e pelos melhores técnicos, evitando convocações direcionadas.

nunes2BNC: Você acha mesmo que a CBB aceitará essa proposta?
MOLINA: Sinceramente desejo que o Presidente Carlos Nunes, o qual respeito, aceite essa proposta. É pelo bem do basquete feminino. Só que a sua pergunta deveria ser outra: “Por que não aceitar?”. É um modelo que pode ser replicado para outras modalidades, categorias. O presidente Carlos Nunes é inteligente e sabe que a proposta de “renovação” foi vexatória e que ele não deveria ter permitido isso.

molina1BNC: A decisão de não ceder as atletas para a seleção será mantida mesmo? Como garantir que este movimento não mude de direção?
MOLINA: Que fique claro. O ofício enviado à Confederação fala não somente nas atletas, mas principalmente de todos os profissionais vinculados aos nossos clubes. Fiquei muito feliz que todas as outras equipes estão finalizando o mesmo documento enviado pelo Corinthians/Americana à CBB, o que representa união ainda maior dos clubes que ainda fazem o basquete feminino deste país. Não temos o mínimo interesse em prejudicar nossos clubes, nossas atletas, mas também não temos mais tempo. Precisamos mostrar à torcida brasileira, patrocinadores, imprensa e entidades internacionais que temos, sim, basquete feminino no Brasil. Basquete feminino de qualidade, não este que foi feito nestes últimos dois anos. Vamos manter o movimento até que nossas demandas sejam atendidas.

molina1BNC: Os clubes temem ser prejudicados de alguma maneira por essa atitude? Como estão se preparando para isso?
MOLINA: Mais do que já foram? Perdermos parceiros, torcedores, equipes, atletas e principalmente o respeito. O que mais podemos perder?

BNC: Não sei. Por fim, e as atletas, como reagiram? Elas concordam com essa atitude?
MOLINA: No feminino, as atletas não se sentem seguras para se manifestar por medo que algo aconteça. E quando digo algo, é ter o nome cortado da seleção brasileira. Entendo a posição delas e esse movimento tem o objetivo de protegê-las.


Com ausência na apresentação da LBF, o desprezo da CBB com o feminino
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Fábio Balassiano

lbf3

lbf1Repaginada, a Liga de Basquete Feminino foi lançada com festa na terça-feira em São Paulo. No ginásio do Corinthians, a LBF, que pela primeira vez será organizada pela Liga Nacional de Basquete (LNB), viu os seis times (América, Corinthians/Americana, Sampaio Corrêa, Maranhão, Santo André e Presidente Venceslau) enviando suas representantes, lendas da modalidade compareceram (Hortência, Marta, Alessandra, Adriana Santos, Lilian e Helen Luz, todas medalhistas olímpicas) e um bom número de jornalistas também esteve por lá. A LBF só não viu os principais representantes da Confederação Brasileira de Basketball.

lbf4É verdade que, sim, José Medalha, hoje Diretor de Relações Institucionais da CBB, esteve por lá, mas Carlos Nunes, o presidente, Vanderlei, o Coordenador Técnico, e Luiz Augusto Zanon, o técnico (atualmente sem time no NBB ou no cenário feminino), não estiveram em São Paulo. O desprezo com o basquete feminino é tão grande, mas tão grande, que o modorrento site oficial da entidade máxima ignora solenemente o lançamento da LBF. Não comparecer ao evento pode não significar muito na prática, nos eventuais benefícios do dia a dia, mas existe, sim, um simbolismo em não prestigiar algo novo que está nascendo. Pergunta boba: o que andam fazendo Nunes, Vanderlei e Zanon para não ir a São Paulo na cerimônia de abertura da competição? Tento encontrar uma boa justificativa, mas não consigo.

lbf2Quem acompanha este espaço sabe que este tipo de, digamos, atitude da Confederação não surpreende em nada. É só dar uma olhada em textos antigos (como estes aqui , aqui e aqui ) que você, leitor atento, verifica que é apenas a continuidade de atos absurdos de Nunes e sua trupe contra o basquete feminino. Nunes e sua trupe que anunciam, com a maior tranquilidade do mundo, 10 amistosos para a seleção masculina visando os Jogos Olímpicos de 2016 e ignoram solenemente a preparação olímpica das meninas. Como irão se preparar as atletas que também estarão no Rio-2016? Vão jogar amistosos contra Chiles e Paraguais de novo? Se isso não é desprezo, não sei mais como se chama isso.

nunes3Poderia, ou até deveria, repetir os motivos que levaram a situação a este estado (extrema desunião dos envolvidos, incrível passividade das meninas, dirigentes pra lá de omissos, número diminuto de clubes e atletas, falta de atenção de grande parte da imprensa, ex-ídolos longe da modalidade etc.), mas creio não ser o essencial neste texto. A situação do basquete feminino no país, com o perdão do termo, é degradante, tenebrosa, horripilante. Dizer qualquer coisa de diferente é mentira – embora quisesse que fosse o contrário.

nunes2Como sopro de esperança agora temos a Liga Nacional de Basquete para tentar tirá-lo do buraco, mas o problema me parece bem mais profundo do que aquele enfrentado por ela oito anos atrás quando surgiu o NBB. E é maior porque o foco da Confederação Brasileira de Basketball em querer que dê certo, em gerar mão de obra para dar certo, em criar soluções para dar certo, em tratar as atletas com um mínimo de respeito e dignidade, é inexistente com as meninas.

trio1É uma lástima, principalmente pelo fato das maiores conquistas da modalidade nos últimos 20 anos terem vindo justamente com quem é, agora, ignorado por Carlos Nunes e companhia – as meninas.

Ninguém na Avenida Rio Branco, sede da entidade máxima, deve se lembrar de quão importantes foram Hortência, Paula, Janeth e demais participantes da geração mais vitoriosa do esporte nos últimos anos. O dia que se lembrarem que o basquete feminino existe por aqui poderá ser tarde demais. Que pena, né?


A dificuldade em ampliar o olhar no basquete brasileiro
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Fábio Balassiano

bra2Terminou mais uma temporada de seleções para o basquete brasileiro. Com aquele martírio que conhecemos bem (e explorado no texto de ontem), e com dois gostos bem amargos – a seleção feminina pagou vexame no Canadá e a masculina, no México. Apesar do ouro dos rapazes no Pan-Americano de Toronto, o saldo ficou longe de ser extremamente positivo na soma das duas equipes nacionais.

As performances não foram boas, mas me chamou a atenção mais uma vez o coro que se fez nas redes sociais pedindo as cabeças tanto de Zanon na feminina quanto de Rubén Magnano na masculina. Era muita gente (muita gente mesmo!). E aí eu me assustei bastante.

zanon2Acho que vocês devem saber quão crítico eu sou do trabalho de ambos em seus respectivos times. Sabem, ou imaginam, que ambos estão longe de serem os técnicos que considero excepcionais para os cargos que ocupam – e com o agravante de Magnano ter problemas de comunicação/liderança bem graves.

Quanto a isso, ponto pacífico. Partir, depois de insucessos na quadra, para a análise pura e simples do “não ganhou troca” eu não posso compactuar, porém. Por três singelos motivos:

zanon11) Na seleção feminina, pode colocar o Coach K, o Gregg Popovich, o Steve Kerr e o Phil Jackson que não vai dar certo. O problema é muito maior, muito maior mesmo que apenas técnico e tático em relação a uma pessoa (no caso o técnico). Quantos times jogarão a próxima LBF? Com que elencos? Na próxima temporada as meninas que estavam na seleção continuarão no banco das veteranas que dominam o cenário interno há duas décadas? Como se vê, o problema é maior, mais amplo. E tem uma coisinha interessante que precisa ser colocada: no último ciclo olímpico o Brasil teve QUATRO técnicos entre 2008 e 2012 – Paulo Bassul, Carlos Colinas, Enio Vecchi e Tarallo. Deu no que deu, né? Um vexame atrás do outro, culminando com a péssima Olimpíada de 2012 em Londres. Trocar de técnico a menos de um ano dos Jogos do Rio-2016 não resolve absolutamente nada, em que pese o desempenho não tão bom de Zanon principalmente do último ano pra cá.

magnano2) Cheguei a ler gente chamando Rubén Magnano de “ruim“. Gente, com todo respeito, mas NINGUÉM neste planeta consegue ser campeão olímpico e vice-campeão mundial como técnico sendo RUIM. Pode ter Ginóbili, Michael Jordan ou Kobe Bryant no elenco. Se for (para usar a palavra que eu vi) ‘RUIM’ não vai rolar. Magnano tem problemas, é óbvio, mas a seleção brasileira evoluiu muito sob seu comando. Se eu acho que ele faz um bom trabalho? Sim, um bom trabalho. Se é um excelente trabalho? Não, não é excelente. Perder de Jamaica, Uruguai (duas vezes) e Panamá em um período de dois anos não é bacana, e ele sabe disso. De todo modo, vejam a transformação da equipe de cinco anos para cá. A defesa melhorou muito, o ataque está cada vez mais paciente e o estilo de jogo é homogêneo. Há defeitos? Óbvio. Há muitos problemas para serem corrigidos para o Rio-2016? É claro. Mas alguém em sã consciência acredita que trocando Magnano por outro treinador (seja ele do país ou gringo) o Brasil sairá ganhando? Eu duvido muito. Sobre o fato de ele ser estrangeiro, por favor me incluam fora dessa. Estamos em 2015. Não dá pra ficar analisando ‘trabalho’ de alguém pela cor do passaporte. Não em um esporte cada vez mais globalizado.

nunes23) Li há alguns anos o ótimo livro “A Bola não entra por Acaso“. Fala da transformação do quebrado Barcelona do final do século passado na potência que se tornou hoje em dia e como as decisões administrativas fizeram com que o clube começasse a ganhar muito mais em campo quando tudo passou a caminhar de maneira organizada. Peguem um avião da Catalunha para a nossa realidade e é meio óbvio o que quero dizer, não? A Confederação Brasileira é (com o perdão da palavra) tenebrosa. Em gestão financeira, massificação, transparência, parte técnica, dia a dia com as Federações, “meio-campo” político, tudo. Será mesmo que dá para cobrar de Magnano e Zanon mais do que eles vêm fazendo tendo um presidente como Carlos Nunes? Carlos Nunes, o cara que conseguiu elevar a dívida da CBB para R$ 13 milhões no período de seis anos de mandato. Será que não vale lembrar que a seleção feminina enfrentou o possante Chile (único rival) antes da Copa América feminina? Não é recomendável refrescar a memória da turma que Magnano não sabia 4 semanas antes da Copa América se a vaga olímpica estava garantida justamente por causa do calote da Confederação na FIBA? Seleção, portanto, é reflexo do que se faz (ou não se faz) de trabalho no dia a dia da modalidade. Não dá para descolar uma coisa da outra, não. Performances boas das equipes nacionais devem se PRECEDIDAS de organização, planejamento e seriedade da entidade máxima do basquete do país – e não o contrário (resultados primeiro, organização depois).

nunes1Está claro, né? Magnano, Zanon e qualquer técnico que dirija a seleção devem ser cobrados, sim, pelos seus desempenhos à beira da quadra. É justo que se mantenha um olhar crítico para com seus trabalhos. É justo e eu exerço isso sempre que as equipes deles entram em quadra.

Aos que acham, no entanto, que o problema do basquete brasileiro está somente na quadra recomenda-se um olhar ampliado, um olhar menos complacente, menos benevolente com a Confederação Brasileira. CBB de tantas e todas as mazelas possíveis. Aos que pedem a cabeça de Magnano e Zanon com imensa força nas redes sociais, que tal dar uma olhadinha no que os chefes deles (Vanderlei, o diretor técnico, e Carlos Nunes, o presidente) andam (ou não) fazendo pela modalidade?

Creio ser mais justo cobrar de todos do que ficar apontando o dedo para uma parte (a da quadra) dos problemas do basquete do Brasil. Concordam comigo?


O muro das lamentações chamado basquete feminino brasileiro
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Fábio Balassiano

bra2Terminou ontem a Copa América de Edmonton. E terminou justamente da maneira que (infelizmente) imaginava. Com o Canadá campeão (e classificado para os Jogos Olímicos de 2016), com Argentina, Cuba e Venezuela indo para o Pré-Olímpico Mundial e com o Brasil na péssima quarta colocação do campeonato ao ganhar dos insossos times de Equador, Venezuela e Ilhas Virgens e perder para Cuba e Argentina (duas vezes em uma semana para uma equipe que não era derrotada há 60 anos), duas equipes minimamente organizadas (algo que a seleção feminina não é).

bra4Na quadra o que vimos foi literalmente mais do mesmo. E é mais do mesmo simplesmente porque seleção, em qualquer esporte, é reflexo do que a modalidade faz no dia a dia (ou vice-versa). Na Copa América a seleção feminina mostrou pobreza absurda de fundamentos, um técnico totalmente perdido (Zanon foi expulso na semifinal contra o Canadá justamente quando o Brasil estava “no jogo” ali no terceiro período), meninas sem saber o que fazer em quadra tanto no ataque quanto na defesa (apenas Iziane – na foto à esquerda – tentava algo diferente), adversários explorando muito bem as deficiências da seleção (o Canadá, sabendo que as bolas longas da equipe brasileira não estava caindo na competição, literalmente “pagou” pro chute – e o Brasil acertou 2/20 na semifinal, algo bem bizarro) e nenhuma variação tática que justifique os dois meses de treino que este grupo teve entre Pan-Americano e Copa América. Em resumo: foi um desastre de proporções jamais vistas e que tende a piorar quando o nível da competição subir na Olimpíada de 2016.

trio1Nada que surpreenda a quem acompanha este espaço ou que siga o basquete feminino de forma razoável (e não a cada dois, quatro anos). É verdade que para a Olimpíada de 2016 (o Brasil está classificado tanto com meninas quanto com meninos após a CBB pagar o que devia à FIBA) haverá as presenças de Clarissa, Érika e Damiris (que estão na WNBA – na foto ao lado), o que qualifica o garrafão, mas alguém em sã consciência consegue dormir mais tranquilo com a chegada do (bom) trio da liga norte-americana? Será que efetivamente isso será refletido em resultado dentro de quadra? Duvido muito. Com elas em quadra o Brasil foi nono nos Jogos Olímpicos de Londres. Com elas em quadra o Brasil foi décimo-primeiro no Mundial de 2014. Foram apenas duas vitórias em nove partidas oficiais nestes últimos dois últimos Torneios Classe A (algo tenebroso). Elas de fato são ótimas, mas o problema é MUITO maior do que trazer três, quatro novas peças para o tabuleiro. E insisto nisso há tempos.

bra1O basquete feminino brasileiro, jogado a própria sorte, é um muro da lamentação imenso, constante e sem possibilidade de melhora. Tudo joga contra. As atletas são absurdamente passivas e quase sempre pouco preocupadas com grandes conquistas internacionais (como elas conseguem sorrir tanto, alguém me explica?), Liga de Basquete Feminino sem poder financeiro e de ideias para grandes mudanças, Confederação Brasileira que simplesmente ignora o que pode fazer pelas meninas e clubes fechando as portas a cada dia (principalmente na base, onde o custo é imenso e o retorno de imagem, nem tão grande assim).

trio1A verdade é que os gênios (Paula, Hortência, Janeth, entre outras) sumiram, a fonte milagrosa do talento secou e aí o trabalho passou a ser testado. Testado e reprovado. Há como melhorar? Há, há sim. Como sempre digo, qualquer mínimo movimento certeiro no basquete feminino reflete-se em resultado no âmbito internacional em quatro, cinco anos (rápido, bem rápido). É só ver o que fazem Canadá, cujo elenco é bom mas sem nenhuma craque (joga de forma organizada, com apreço aos fundamentos básicos do jogo e tem 10 atletas em condição de fazer a rotação), e França, citada inúmeras vezes (mais aqui).

bra5O problema está em sair da inércia, em querer fazer algo diferente do que (não) vem sendo feito há 20 anos. Fazendo tudo igual, como alguém espera resultados práticos diferentes? Desculpe avisar (se é que precisa), mas não haverá evolução nunca se a “pedra fundamental” do basquete feminino não for redesenhada rapidamente.

Se a filosofia (de ensino, de ver as coisas, de não querer fazer diferente) continuar igual, a tendência não é nem ficar da mesma maneira, mas sim de piorar. Piorar porque há equipes do mundo evoluindo e os bons trabalhos do país vão fechando a porta dia após dia. É triste, mas esta é a verdade que alguém precisa dizer de vez em quando. Ficar passando a mão na cabeça (de atletas, técnicos e dirigentes) não resolve o problema. Sentar todos em volta de uma mesa (jogadoras, imprensa, treinadores, clubes e LBF) talvez faça com que o momento do basquete feminino brasileiro se modifique. Quem se habilita a dar o primeiro passo?


Brasil enfrenta Canadá na semifinal da Copa América feminina
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Fábio Balassiano

brasilNo dia 19 de julho deste ano Brasil e Canadá se enfrentaram em Toronto na semifinal do Pan-Americano. O placar disse muito: 91-63 a favor das donas da casa. Um mês se passou e as duas seleções voltam a se encontrar hoje às 21h (Sportv e ESPN exibem). Desta vez será em Edmonton, no mesmo Canadá, em duelo válido pela semifinal da Copa América Feminina. E não quase nada que nos faça acreditar que o resultado será diferente do confronto Pan, não.

argentinaJogando um basquete abaixo da crítica (em todos os sentidos do basquete – fundamentos, tática, técnica, mental, comportamental, tudo!), o time de Zanon conseguiu perder para a Argentina em uma competição oficial pela primeira vez desde 1956. Venceu os horríveis times de Equador, Venezuela e Ilhas Virgens, e caiu justamente para um que pratica a modalidade de forma razoável (nem boa equipe é, mas sim razoável). O que temos visto na Copa América é um arremedo de time que se baseia nas jogadas individuais de Iziane (de novo jogando sozinha, um filme que vemos há quase uma década na equipe nacional) e que não controla suas emoções e ações em momento algum da peleja. Circo dos horrores total.

canadaDo outro lado estará o Canadá, que venceu todos os seus jogos na primeira fase, que contará com uma torcida inteira a apoiá-lo e contra um adversário que mudou muito pouco do Pan-Americano para a Copa América em termos de atletas (entraram apenas Iziane e Nádia Colhado). E não custa lembrar que esse time aí do Canadá não consegue chegar entre os quatro primeiros de um Mundial Feminino ou de uma Olimpíada nem por decreto. Está claro, né? Não se trata de um esquadrão, mas sim de um time mediano. Time mediano que ganha do Brasil de quase 30 pontos.

brasil2Por isso este sábado pode ser histórico para o basquete feminino. E não falo pela (mínima) chance de vitória contra o Canadá, adversário facilmente batido pelo Brasil anos atrás (o que mostra a quantas anda está a modalidade das meninas há 15 anos…).

Tenho medo do Brasil levar uma daquelas surras inesquecíveis. Torço para estar enganado, mas pelo basquete que vem apresentando o medo é mais do que justificável, né?


Sem jogar bem, seleção feminina segue invicta na Copa América
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Fábio Balassiano

zanon2Não tem sido fácil ver os jogos da seleção feminina na Copa América de Edmonton, no Canadá. O horário não ajuda (partidas às 23h45), os adversários são fraquíssimos, os duelos não têm emoção e (o pior de tudo) o Brasil não tem jogado absolutamente nada (e é só ver as declarações do técnico Zanon no site da CBB para constatar isso).

Independente disso tudo (e não é pouca coisa, obviamente), as vitórias têm vindo (e a classificação para a semifinal já está garantida). Na abertura, 86-71 contra a Venezuela. Na terça-feira, 83-44 contra a República Dominicana. Ontem à noite, 72-58 contra o tenebroso time das Ilhas Virgens (apenas 14 pontos de diferença, algo totalmente inimaginável 5, 10 anos atrás, quando esta margem era atingida em cinco minutos de jogo contra um adversário de tão pouca qualidade). Os de sempre irão comemorar a invencibilidade, mas olhar apenas para os resultados não é o melhor (e nem o mais honesto) a se fazer.

nadia1O triunfo desta quarta-feira chama a atenção pela quantidade de erros (19, 8 a mais que o rival), pelos 42% na conversão dos tiros de quadra e pela pontaria terrível nas bolas de fora (30,2%). Quer outro indício de como tem sido difícil ver essa seleção feminina jogar? Ao todo na Copa América foram 55 assistências em três jogos, mas ao mesmo tempo 59 desperdícios de bola. Ou seja: a equipe perde mais ataques do que passa para converter arremessos. Sintomático do pobre nível técnico, não?

zanon1O Brasil enfrenta hoje a Argentina (23h45) em partida que vale o primeiro lugar na chave B. Quem ganhar enfrenta o perdedor de Canadá ou Cuba, que medem forças às 21h30, na semifinal de sábado. Mais do que os números em si, a evolução que se esperava do time de Zanon infelizmente não tem sido vista. Se não dava para esperar um esquadrão (seria injusto isso), desejava-se um mínimo de organização, de padrão de jogo e apreço aos fundamentos básicos do jogo. Algo que infelizmente não conseguimos ver do time feminino há muito tempo.


Brasil não joga bem, mas bate Venezuela na estreia da Copa América Feminina
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Fábio Balassiano

ramona1Isabela Ramona (foto) teve 16 pontos, 4 rebotes e 4 assistências, Iziane saiu-se com 13, Nádia Colhado somou um duplo-duplo “gordo” (15+14 rebotes) e o Brasil ganhou da Venezuela por 86-70 na abertura da Copa América feminina que está sendo disputada em Edmonton, no Canadá. Já foi mais fácil bater times tenebrosos no feminino, né?

E o resultado mostra bem o que foi o jogo: o time de Zanon voltou a apresentar graves defeitos de fundamento (foram 20 desperdícios de bola), pontaria muito falha (6/20 de fora) e pouquíssimos passes trocados no ataque. Na marcação, a equipe brasileira fez a venezuelana Yosimar Corrales, ala de 25 anos e sem tanto brilho assim, parecer Diana Taurasi, tamanha a facilidade que ela teve para fazer seus 17 pontos.

nadia1Os 16 pontos de diferença estão aí, claros e cristalinos denotando que houve, sim, bastante sofrimento para bater, vejam só vocês, até mesmo uma seleção terrível como é a da Venezuela. Para apresentar um basquete razoável (minimamente razoável) Zanon e suas comandadas precisarão evoluir assustadoramente até os Jogos Olímpicos de 2016 caso queiram brigar por algo relevante no próximo ano (e algo relevante não é ficar entre a nona e a décima-segunda colocações, como tem sido nos últimos anos).

iza1Mas nem só de notícia ruim foi a estreia do Brasil ontem. A partida também marcou a estreia da jovem Izabela Nicoletti (foto à direita), de 16 anos (completados ontem inclusive), na seleção brasileira adulta (jogou seus primeiros 3 minutos e deve ter sido uma baita emoção pra ela, hein). Destaque da equipe que ganhou a prata na Copa América Sub-16 recentemente e dona de futuro promissor pela frente, ela foi convocada por Zanon para o time principal para a sua primeira chance (algo que é motivo de aplauso para o treinador).

Nesta terça-feira, no mesmo horário (23h45, com Sportv e ESPN), a equipe de Zanon mede forças com a não menos fraca seleção do Equador