Bala na Cesta

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No playoff da WNBA, o último passo das carreiras de Penny Taylor e Tamika Catchings
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Fábio Balassiano

penny2A morna fase regular da temporada 2016 da WNBA chega ao seu final hoje com todos os oito times classificados (o regulamento mudou e você pode ver aqui como será).

Mais do que ver como serão os confrontos do playoff, a liga norte-americana e o basquete mundial se preparam para o adeus de dois mitos do esporte ao final do certame. Craques de bola, Tamika Catchings, do Indiana Fever, e a australiana Penny Taylor, do Phoenix Mercury, sairão de cena tão logo seus times terminem as suas participações no campeonato. As duas têm recebido justíssimas homenagens de suas franquias, da liga e também dos torcedores por onde passam.

tamika1Tamika, por exemplo, recebeu uma homenagem de um fã incondicional. Ala do Indiana Pacers, Paul George não quis dar a menor chance para o azar, comprou 5 mil ingressos (sim, cinco mil ingressos!) e distribuiu para os torcedores da cidade não perderem a despedida de Tamika em uma partida de temporada regular no ginásio Bankers Life Fieldhouse.

O jogo contra o Dallas Wings será neste domingo às 17h (de Brasília), e certamente George estará na primeira fila para aplaudir a craque dona de quatro medalhas de ouro, um título de WNBA e 14 temporadas na mesma franquia Fever com a qual ela encerrará a sua brilhante carreira como a segunda maior em pontos (atrás apenas de Tina Thompson) e a primeira em rebotes da liga.

george1A idolatria de Paul George por ela é tanta que ele afirma que o motivo de ter trocado de número (do 24 para o 13) foi justamente Tamika Catchings. Segundo o craque do Pacers, a cidade de Indianápolis só pode ter um único atleta profissional a ser lembrado com o número 24 – e esse alguém, segundo o jogador, é Tamika. Dá bem a dimensão do que ela representa para o basquete dos EUA, para o Estado, para a comunidade e sobretudo para a WNBA. Uma pena que o Indiana Fever tenha remotas chances de avançar pesado nesse playoff, fazendo com que realmente não se prolongue muito mais a brilhante carreira de Catchings, uma das atletas mais profissionais, comprometidas e exigentes da história do jogo.

penny1Se a despedida em casa para Tamika será neste domingo, a de Penny Taylor já aconteceu. Os mais de 10 mil torcedores que foram ao Talking Stick Resort Arena aplaudiram de pé a excepcional ala australiana que defende o Phoenix Mercury desde 2004 na vitória fácil contra o Seattle Storm.

Melhor jogadora do Mundial de 2006 conquistado pela sua Austrália no Brasil, Penny ainda tem duas medalhas de prata olímpicas (2004 e 2008), três títulos da WNBA com a franquia Mercury (2007, 2009 e 2014) e a média de mais de 13 pontos em sua carreira na liga norte-americana.

Penny, cujo comprometimento profissional sempre é elogiado por suas companheiras, se despede do basquete como uma das melhores alas a terem entrado em uma quadra de basquete. Ao contrário de Tamika, o elenco do Phoenix Merucry é muito bom e pode, mesmo com uma irregular campanha na fase regular (15-18 até o momento), avançar um pouco mais na pós-temporada.

Independente do time que você torce, quem gosta de basquete sabe que Tamika Catchings e Penny Taylor farão muita falta ao jogo. Duas craques de bola!


Melhor time da WNBA, Sparks vê suas cestinhas fora da Olimpíada
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Fábio Balassiano

candace2O Los Angeles Sparks enfrentou ontem o Indiana Fever e na sexta-feira o Washington Mystics fora de casa na WNBA. São os dois últimos jogos da liga norte-americana antes do hiato previsto no calendário para a Olimpíada (o campeonato retorna apenas no final de agosto). Líder do Oeste e com a melhor campanha da fase regular até o momento (20 vitórias em 23 jogos), surpreendentemente o LA Sparks não terá problemas neste período. As duas principais cestinhas do time, Candace Parker e Nneka Ogwumike foram solenemente ignoradas pelo técnico Geno Auriemma e não virão ao Rio de Janeiro (o elenco completo está aqui).

candace1Embora seja a segunda cestinha do time com 16,1 pontos (ainda tem 7,4 rebotes), Candace Parker, duas vezes medalhista de ouro olímpica (2008 e 2012), é presença constante nas seleções americanas desde 2004, quando ainda era uma promessa. Vem, sim, tendo uma queda de rendimento devido a idade (chegou aos 30 anos) e a uma série incrível de lesões, mas quando foi cortada da equipe nacional por Geno não fez questão de esconder sua frustração no Twitter (imagem ao lado e link aqui), ao mesmo tempo desejando sorte ao elenco norte-americano e demonstrando sua frustração.

nneka1O caso mais emblemático, porém, é o de Nneka. Ala fortíssima de 1,88m, 26 anos e em seu quinto ano na liga, ela tem simplesmente 19,2 pontos e 8,6 rebotes de média por jogo. Forma com Candace Parker o melhor garrafão da liga e faz, de novo, do Sparks uma franquia respeitada. Do último dia de junho até hoje foram seis partidas, e em todas ela teve 20+ pontos. No dia 30 de junho, inclusive, surreais 38 contra o Atlanta Dream em uma partida em que acertou 13 arremessos dos 14 tentados (quase perfeita portanto…).

candace4Todos sabemos que no final das contas isso não terá ligação com o resultado final das norte-americanas aqui no Rio de Janeiro. Os EUA deverão, de novo, ganhar a Olimpíada com facilidade, mantendo assim uma invencibilidade olímpica de 20 anos (desde 1996 que não perde um joguinho sequer…), mas não deixa de ser surpreendente que das 9 primeiras cestinhas da WNBA no momento, apenas três não estejam na convocação para os Jogos que começam em 5 de agosto (Candace Parker e Nneka Ogwumike, do Sparks, o melhor time da WNBA, e a ala do San Antonio Silver Stars, Kayla McBride). O melhor time da temporada até o momento, o LA Sparks, poderá descansar as suas estrelas e preparar o elenco para o restante do campeonato. O técnico Brian Agler agradece.


A cerimônia que aposentou a camisa 15 de Lauren Jackson em Seattle
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Fábio Balassiano

lauren1A sexta-feira passada foi pra lá de emocionante para Lauren Jackson. Uma das melhores pivôs de todos os tempos, a australiana que se aposentou das quadras de basquete há menos de três meses devido a uma sequência interminável de lesões teve a sua camisa 15 aposentada pela única equipe da qual fez parte na WNBA.

O Seattle Storm recebeu mais de 14 mil pessoas para homenagear a atleta que, em 12 temporadas, teve 18 pontos de média, 2 títulos, 3 MVP’s e sete convocações para o All-Star Game. Lauren fez questão de receber a honraria ao lado de sua eterna companheira de Storm, a armadora Sue Bird, uma das remanescentes dos anos dourados da franquia. Clique abaixo pra ver, porque foi pra lá de emocionante.


WNBA lança calendário, e preparação do Brasil será ‘testada’
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Fábio Balassiano

mayaA WNBA divulgou ontem o calendário da temporada 2016. A liga norte-americana começará no dia 14 de maio, e terá seu final em outubro. Até aí, nada demais, né?

Mas há uma observação interessante. Como sempre acontece em ano olímpico, o campeonato vai parar entre 23 de julho e 25 de agosto. Vale lembrar que além das 12 atletas dos EUA, como Maya Moore e Diana Taurasi, que estão na foto ao lado, serão mais de 25 jogadoras internacionais do campeonato no Rio de Janeiro entre 5 e 21 de agosto para a disputa das medalhas.

IMG_8828Aí a preparação da seleção feminina será testada. E explico. Até o momento, as três melhores jogadoras do país em atividade jogam na WNBA. Clarissa e Érika, no Chicago Sky. Damiris, no Atlanta Dream. Ainda não se sabe se as três jogarão a temporada da liga norte-americana, mas tudo leva a crer que sim (e é bom que a Confederação Brasileira trabalhe sempre com este cenário – o menos positivo, ou o mais provável que aconteça). Nádia e Iziane, que já passaram por lá, aparentemente não voltam.

barbosa1Como disse acima, a preparação será testada mais uma vez, só que dessa vez com um agravante – o fato da equipe nacional ter um novo treinador. Recém-chegado, Antonio Carlos Barbosa, que não teve o evento-teste para entrosar absolutamente nada, como disse aqui anteriormente, deve coçar os cabelos com força. Em uma rápida olhada no calendário vemos o seguinte: Atlanta Dream e Chicago Sky, o time das brasileiras, jogam no dia 22 de julho. Caso elas peguem o primeiro avião, chegam ao Rio de Janeiro no dia 23. A estreia na Olimpíada está marcada para o dia 6 de agosto. Menos de 15 dias de preparação com o elenco completo então. Preocupante, né?

erika1Aqui, aliás, cabe uma importante reflexão. As duas atletas (Érika e Clarissa) que usaram a palavra ‘patriotismo’ para falar do amor em defender a seleção da péssima CBB no evento-teste do Rio de Janeiro usarão o mesmo expediente agora, na véspera da Olimpíada mas ao mesmo tempo trabalhando para seus clubes na WNBA? Será que elas sairão da liga norte-americana para treinar por mais tempo com o time de Antonio Carlos Barbosa, ou chegarão na véspera dos Jogos começarem? Não custa lembrar que a LBF terminará no máximo no final de maio, com as meninas em atividade no país à disposição do treinador no mínimo três meses antes da estreia. Vale, desde já, ficar atento a este movimento (de palavras e de atitudes) de Érika e Clarissa. Ficaremos de olho na coerência de seus atos.

barbosa1Pelo sim ou pelo não, a preparação da CBB será testada. Será que não vale enviar a equipe para a Europa, onde será disputado o Pré-Olímpico Mundial, e enchê-las de amistosos contra seleções de bom nível? Seria uma boa alternativa, imagino. Não custa perguntar: o que será que a Confederação tem em mente para o período de preparação das meninas? Ninguém viu ainda o calendário de treinos e jogos. Não seria transparente e inteligente divulgar, se é que há algo pronto em relação a isso?

É bem provável que Barbosa faça uma convocação ampla, abrangente, e faça seus últimos cortes quando as atletas da WNBA chegarem (algo bem cruel para quem estará treinando há mais tempo, mas infelizmente é assim que as coisas funcionam).  O problema, com isso tudo, é que com ou sem a tesoura do experiente treinador a seleção feminina, cuja parte técnica é abaixo da crítica, estará absolutamente sem conjunto para os Jogos Olímpicos. Se treinando 45, 60 dias junta a equipe já não teria muita chance, o que dizer das chances do time com menos de um mês com o grupo completo?


Todas as faces da jovem Damiris – seleção, WNBA, LBF e dramas familiares
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Fábio Balassiano

dam5Damiris Dantas do Amaral é uma dessas joias que surgem no esporte brasileiro sem a gente entender muito bem como. Nascida em Ferraz de Vasconcelos (SP) há 22 anos, começou no basquete quase que por acaso no Instituto Janeth Arcain e não parou mais. Foi escolhida a melhor jogadora do Mundial Sub19 de 2011 levando o Brasil ao bronze da competição, jogou sua primeira Olimpíada com 19 anos em Londres-2012, se tornou peça efetiva da seleção adulta desde então, estreou, pelo fortíssimo Minnesota Lynx, na WNBA em 2014 e foi campeã da LBF por Americana na temporada passada como titular.

dam2Esta é a parte, digamos, florida da história. Mas há muito espinho na vida e na carreira da ala-pivô de 1,92m também. Damiris perdeu a mãe quando tinha 9 anos e passou a ser a “dona” da casa que conta com mais duas irmãs – Tauany, que sofre de paralisia cerebral, e Daiany. Há 2 anos, a avó faleceu. Em agosto de 2014, quando estreava como titular da WNBA pelo então atual campeão Lynx, a tia que a criou foi internada. Diante da gravidade da situação a jogadora saiu dos EUA, ficou no hospital, voltou pra Minnesota, mas a tia não resistiu.

dam4Pouco depois do falecimento de sua tia ela jogou o Mundial da Turquia com a seleção, mas sua preparação e a parte psicológica não estavam no lugar. Seu rendimento (3,5 pontos) não foi bom. Nesta temporada, a penúltima antes da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro (um de seus sonhos), seu jogo volta a dar sinais de melhora (seus arremessos estão caindo com mais frequência, seu físico melhorou e os fundamentos estão mais lapidados) e ela parece cada vez mais preparada para assumir a lacuna que será deixada por Érika de Souza (a melhor jogadora do país e líder da seleção) nos próximos anos.

Conversei com ela sobre seu jogo e sua vida depois do Jogo das Estrelas de sábado em Franca.

dam12BALA NA CESTA: O jogo de vocês, da LBF Brasil, contra a LBF Mundo, foi mais pegado do que o esperado para uma festa ou estou enganado?
DAMIRIS: Foi mesmo. Estava engasgado desde o ano passado, essa é a verdade. Esperávamos ganhar em São José em 2014 e não iríamos deixar passar essa oportunidade aqui em Franca, não. Era uma festa, foi um evento lindo, mas nós queríamos vencer de qualquer maneira. Ainda bem que conseguimos.

BNC: E o evento em si, te chamou a atenção, né?
DAMIRIS: Ah, sim. Muitas pessoas comentando, minhas amigas todas falando disso e assistindo a partida também. Tomara que, depois dessa festa, o basquete feminino do Brasil cresça muito.

dam8BNC: Acabando esta temporada 2014/2015 com Americana na Liga de Basquete Feminino (LBF) você volta para sua segunda temporada com o Minnesota? Ou há algo diferente em vista que você esteja planejando?
DAMIRIS: Não, não. Já está totalmente decidido isso em minha cabeça e com meus agentes. Volto para a WNBA. Só estou esperando a definição de datas em relação ao Sul-Americano Feminino de Clubes que Americana irá disputar para saber exatamente quando voltarei aos EUA.

dam9BNC: Você continua muito novinha, mas já tem muita estrada…
DAMIRIS: (Risos) Faz tempo que eu deixei de ser promessa, né? E tenho consciência disso. Sinto que estou amadurecendo a cada ano e essa ida para os Estados Unidos ano passado ajudou muito também. Lá cresci bastante como pessoa, ganhei bastante responsabilidade e tinha que corresponder. Não havia outra opção. Estava sozinha em um ambiente diferente, não conhecia ninguém. Foi difícil, mas hoje vejo que aquela experiência foi muito benéfica para mim. Tive bastante tempo de quadra, voltei mais confiante e ganhei muito em termos técnicos também.

damirisBNC: E seus próximos passos com a seleção? Temos Pan-Americano e Pré-Olímpico este ano, ano que vem Olimpíadas…
DAMIRIS: Vou te ser muito sincera: não fiquei satisfeita com meu desempenho no Mundial passado. Sei que poderia ter rendido muito mais. Posso ir muito melhor do que fui. Fiquei muito chateada que cheguei e já viajei para o Mundial. É algo que espero que nunca mais aconteça, pois a preparação é fundamental e preciso muito dela (preparação). Espero que no Pan e no Pré-Olímpico a gente possa treinar muito para ir bem. Temos uma boa equipe e tenho certeza que podemos jogar melhor do que jogamos no Mundial do ano passado. Em 2016 há as Olimpíadas, é um sonho que espero alcançar também.

dam10BNC: A gente conversa muito, você teve um período pessoal muito conturbado com o falecimento da sua tia e o Mundial acabou não sendo muito bom como você disse. Você falou em amadurecimento nos Estados Unidos, mas com 22 anos você já passou por muita coisa familiarmente falando, já que sua mãe também faleceu. Há momentos em que você pensa que vai faltar força?
DAMIRIS: De verdade ainda estou me recuperando de tudo aquilo que passei em 2014. Foi muito difícil para mim. É algo pessoal, não gosto de ficar falando, mas foi realmente complicado. Estava no meio de temporada, jogando bem, quando chegou a notícia que minha tia havia sido internada. Foi a pessoa que me criou, um elo familiar importantíssimo para mim. Arrisquei perder meu contrato com a WNBA, mas não vi outra opção que não voltar para ficar um pouco com ela no hospital. O tempo que estive foi ótimo, perfeito, ela melhorou muito enquanto estivemos juntas. Só que aí voltei, passaram dois dias e ela veio a falecer. Não foi só o falecimento da minha tia, mas tudo o que cercou aquele momento. Eu ter que consolar e cuidar dos meus primos, minhas irmãs, meu tio também. Isso foi pesado. Mais uma vez tive que ser muito forte. Quando minha mãe faleceu, tive que cuidar das minhas irmãs. Agora, de meus primos e tios. Nem sei de onde tiro tanta força para te ser sincera. Só sei que tento me manter firme.

dam6BNC: No que você acredita? Algumas pessoas pensam que quando a gente passa por muito sofrimento ao mesmo tempo há coisas boas guardadas…
DAMIRIS: Todos os dias me pergunto: “Por que eu?”. Todo dia. Pergunto, principalmente, sobre a morte da minha mãe com a gente tão nova. Depois minha avó. Dois anos depois a minha tia. Olha, quando recebi a notícia da minha tia eu fiquei muito brava com D’s. Mal, mal mesmo. Queria saber o motivo pelo qual a minha família estava passando por isso tudo. Mas depois, com mais calma, a gente reflete e agradeço por tudo o que Ele vem fazendo por mim, pelas minhas irmãs. Se está acontecendo isso comigo é por algum motivo. Alguma razão que ainda desconheço há, e sei que está em boas mãos.

dam3BNC: O basquete, então, acabou sendo o seu grande refúgio, sua grande válvula de escape?
DAMIRIS: Disso não tenho a menor dúvida. Quando estou na quadra estou feliz, esqueço de tudo. Não consigo ver problema algum enquanto estou treinando ou jogando. A maioria das alegrias que tive foram dentro da quadra e por causa do esporte consegui dar uma condição melhor para minhas irmãs. Vim de uma comunidade carente de São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, tive muita dificuldade na infância e tinha tudo, tudo mesmo para ir para o lugar errado, para o caminho não muito bom. Não sei se já te contei isso, mas convivi com muitas pessoas, quando era criança, que foram pro caminho errado, acabaram morrendo. O esporte me livrou de muitas coisas ruins e me colocou em condição de proporcionar coisas boas para os que me cercam. Principalmente para minha irmã menor, que é a mais especial. Tenho muita sorte em relação a isso.

dam1BNC: Falando um pouco de basquete agora. Você foi MVP do Mundial Sub-19 em 2011, já está na WNBA, é campeã nacional por Americana. Veio e tem vindo tudo muito rápido, mas seu jogo ainda precisa melhorar e você mesma sabe disso. Em que aspectos você considera mais importante evoluir? Parte técnica, física, psicológica?
DAMIRIS: (Risos) Nunca estou satisfeita. Isso é o mais importante. Com nada. O dia que achar que estou bem está errado. Mas na parte física creio que possa ir além, possa evoluir mais. Não só nela, mas meus arremessos de média e longa distância podem cair um pouco mais. Em Americana e Minnesota tenho profissionais muito bons que me ajudam e ajudarão nisso. Torço para que os resultados sejam vistos em breve.


Recuperada, Elena Delle Donne mira temporada ‘saudável’ e Olimpíada no Rio
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Fábio Balassiano

* O Blogueiro viajou a convite do Canal Space

Elena Delle Donne, Scottie PippenNa quinta-feira, véspera do começo das atividades do All-Star Game, uma mesa em especial estava muito cheia. Era a de Scottie Pippen. O espaço reservado ao cracaço campeão pelo Chicago Bulls tinha, brincando, mais de 150 jornalistas amontoados para ouvir as suas palavras, em um frenesi comparado ao de bambas da atualidade como LeBron James e Kevin Durant.

Na cadeira ao lado de Pip, porém, era possível chegar. E lá estava Elena Delle Donne, que jogaria com eterno camisa 33 dos Bulls no desafio de arremessos de sábado. Conversei com a ala do Chicago Sky de 25 anos rapidamente sobre sua carreira, a desistência de Diana Taurasi em jogar a temporada da WNBA e, claro, as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro.

elena2BALA NA CESTA: Emocionante jogar nem que seja em uma festa com essa fera aqui do lado (Scottie Pippen)?
ELENA DELLE DONE: Bastante! Estou muito feliz e honrada com o convite para vir a essa festa novamente. Quando soube que estaria no mesmo time do Pippen eu realmente surtei de emoção. Ele é uma referência para mim, um ídolo na cidade em que atuo (Chicago) e um dos caras com quem eu mais aprendi enquanto via os jogos da NBA. Já pedi até foto com o Pippen. Ele é um fenômeno.

ekena3BNC: No ano passado perguntei sobre sua opção de não jogar no exterior nas férias da WNBA e você me disse que era importante para você ficar nos Estados Unidos. Pelo visto você manteve isso, pois os campeonatos europeus, da China e do Brasil estão rolando e você está aqui novamente. Não acha que é muito tempo parada para uma atleta tão jovem?
DELLE DONE: Entendo o que você diz, mas os casos são diferentes. Em 2013/2014 eu realmente optei por não sair dos Estados Unidos para ter meu nome conhecido por aqui e devido a alguns compromissos profissionais importantes também. Nesta temporada foi simplesmente físico. Você deve ter visto que me machuquei bastante no final do campeonato passado e ficar nos EUA foi uma opção minha para começar a WNBA de 2015 na melhor forma possível. Ano passado te disse que não descartava jogar no exterior. Agora a mesma coisa. Estou aberta e quem sabe para o próximo ciclo isso ocorra.

elena4BNC: E como você está em termos físicos? No final da temporada você teve uma contusão complicada na coluna, a Doença de Lyme (infecção bacteriana) que a limitou bastante…
DELLE DONE: A temporada passada foi uma tortura para mim. Não o jogo, em si, mas tudo o que cercou a minha participação. Nunca havia me machucado tanto na vida. Desde os tempos de colégio. O caso da Lyme foi terrível, mas as dores na coluna, acredite, foram a pior coisa da minha vida simplesmente porque não sabia o que fazer para resolver. Houve dias em que eu ficava no vestiário depois das partidas sem conseguir me mover de tanta dor que eu tinha nas costas. Me preparei bastante para esta temporada para suportar o ritmo do campeonato. Todo tipo de tratamento físico eu tenho feito para fazer uma ótima WNBA.

diana1BNC: Sobre a WNBA, é inevitável falar na decisão da Diana Taurasi. Atual campeã, MVP das finais e certamente uma das melhores jogadoras, ela optou por não jogar pelo Phoenix Mercury. O que você achou disso e no que a WNBA deve refletir a respeito dessa atitude dela?
DELLE DONE: Foi um choque. Não há como dizer o contrário para você porque seria mentira. A WNBA sentirá muito a falta dela, o Phoenix também e nós, rivais, a mesma coisa. Uma atleta excepcional, que eleva o nível das partidas. A liga deve estar vendo algumas fórmulas para isso acontecer nos próximos anos. É algo realmente ruim para o nosso esporte, para o nosso produto aqui. Sobre a decisão dela, é algo profissional, totalmente dela e não creio que alguém possa falar algo. Ela joga há 10 anos sem parar na WNBA, Europa e seleção, e certamente seu corpo necessita de algum descanso.

elena6BNC: Você não esteve na Copa do Mundo Feminina vencida pelos Estados Unidos devido às lesões que você mencionou. No próximo ano teremos as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Você pretende atuar em 2016 no Rio
DELLE DONE: Sim. Definitivamente é um dos meus objetivos jogar as Olimpíadas no Rio de Janeiro e já estou me preparando para isso. Haverá uma série de treinamentos até lá, e vou participar para que a comissão técnica possa me avaliar e, quem sabe, convocar. É uma das minhas metas profissionais para o próximo ano, sim.


Por Olimpíada no Rio, Diana Taurasi opta por não jogar na WNBA este ano
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Fábio Balassiano

dianaConfesso que quando li a notícia achei que era trote, alguma brincadeira. Mas não, não era (mais aqui). A ala Diana Taurasi (foto à direita), melhor jogadora em atividade do planeta, anunciou que não jogará a próxima temporada da WNBA pelo Phoenix Mercury pelo qual foi campeã e a MVP das finais em 2014. Um choque.

O motivo: ela quer descansar para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Como o calendário do basquete feminino castiga as principais atletas (que jogam parte do ano em algum local do mundo e outro na WNBA), Diana alegou que não tinha férias há tempos, escreveu uma bela carta em seu Facebook (aqui a reprodução) e optou por relaxar seu combalido corpo de 32 anos.

taurasi3Quem se deu bem mesmo foi o clube russo Ekaterinburg, casa da craque desde 2012. A equipe ganhou uma queda de braço com a WNBA, manterá sua principal estrela descansada para a próxima temporada e terá apenas que pagar o que ela ganharia na liga norte-americana a camisa 32. E para os milionários russos, dono do time, isso não deve ser problema, vamos combinar.

Pelo lado da WNBA, é um duro golpe e mostra que a situação da liga está longe da ideal mesmo com quase duas décadas de criação. O produto ainda não é consolidado, ainda não é reconhecido, seu calendário é absurdamente espremido e os salários estão longe do que pagam os clubes da Europa e China. Foi, digamos, um soco no estômago da liga.

taurasi2O que Diana Taurasi acabou expondo com sua decisão é que a WNBA está longe de ser indispensável para os atletas de alto nível. Alguém do seu quilate simplesmente decidindo descansar, abrindo mão de defender o título conquistado em 2014, é impactante e a turma da liga norte-americana deve refletir bastante no que este ato  significa.

diana2Ninguém pode recriminar Taurasi por estar optando por poupar seu instrumento de trabalho. Seu objetivo é prolongar sua carreira, chegar bem para sua quarta Olimpíada (onde pode ganhar o quarto ouro!) e se livrar de dores que a incomodam há tempos.

Que a WNBA pense no que isso quer dizer e proponha mudanças para os próximos anos. Colocar a liga o ano inteiro, deixando as atletas por 7, 8 meses nos EUA é mais que fundamental. É imperativo para se ter um bom produto, fidelizar o público e criar uma tão necessária cultura de basquete feminino por lá. Já passou da hora de isso acontecer.


O mérito de Érika, All-Star da WNBA pela 3ª vez
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Fábio Balassiano

erika3Na terça-feira à noite a WNBA anunciou os reservas para o All-Star Game que acontecerá no sábado em Phoenix, Arizona. As titulares, em votação popular, foram divulgadas uma semana antes.

Na lista final, apareceu, sem surpresa alguma, o nome da brasileira Érika de Souza (pelo público ela foi a quarta entre alas e pivôs com quase 12 mil votos). Foi a terceira vez que a pivô do Atlanta Dream foi selecionada para representar o Leste (2009 e 2013 as outras), mas dessa vez tem um gosto todo especial.

Na temporada passada Érika foi para o All-Star em Connecticut substituindo a Elena Delle Donne, que se machucara uma semana antes. A brasileira, à época já a melhor pivô (5) em atividade no planeta, estava jogando bem (12,9 pontos, 9,9 rebotes e 1,8 toco), mas ela literalmente guardou o seu melhor para o campeonato de 2014.

Nesta temporada a jogadora de 32 anos é peça ainda mais fundamental no Atlanta Dream, líder do Leste com 15-5 (é o único time da conferência que tem campanha positiva, aliás…). Além da incrível presença defensiva (seu técnico, Michael Cooper, o motor da marcação do Lakers na década de 80, não para de elogiá-la por sua “fúria” na defesa), a camisa 14 está jogando um basquete absurdo, acima de qualquer expectativa. Em seu oitavo ano na WNBA, ela tem 15,2 pontos (nona na liga), 9,7 rebotes (3ª), 1,8 toco (3ª), 57,5% de aproveitamento nos arremessos (4ª) e 21,4 de eficiência (4ª).

erika1Ninguém nos Estados Unidos tem dúvida que Érika é uma atleta de elite, do mais alto nível e essencial no sucesso de seu time (um time que chegou a três finais de WNBA desde que ela por lá desembarcou). Todo reconhecimento, portanto, é pouco nos EUA (e lá eles a valorizam muito).

Torço, apenas, para que ela seja mais valorizada/reconhecida no Brasil, onde certamente passam despercebidos seus feitos, conquistas e expressivos resultados. Passa muito por um machismo terrível que há no basquete (escrevi disso recentemente aqui). Passa também pelo péssimo momento da modalidade há anos. Passa, inclusive, pela comunicação tenebrosa que é feita pela CBB sobre seus principais ativos (os atletas).

Nada disso, no entanto, deve ofuscar o principal. Érika é a melhor pivô do planeta e está de novo entre as melhores da WNBA. Para ela, que tem todos os méritos por cada conquista, só devemos aplausos.


O brilhante começo de Érika na WNBA
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Fábio Balassiano

erika1Na noite de ontem, na Geórgia, o Atlanta Dream resolveu fazer o Brazilian Day. Seria antes do jogo entre o time local, que tem Érika de Souza e Nádia Colhado, e o Minnesota Lynx, que possui Damiris em suas fileiras. Música, comidas típicas, morenas sambando, tudo mais o que se podia fazer fora de quadra.

Na quadra, o que se viu foi mais um show da pivô Érika. Ela anotou 16 pontos, pegou 11 rebotes e ainda deu 3 tocos em 32 minutos de uma atuação fundamental para seu time bater o fortíssimo Minnesota Lynx por 85-82 na reedição da final da temporada passada. Nádia não entrou no jogo, e Damiris saiu-se com 6 pontos e 4 rebotes em 26 minutos.

Para quem acompanha um pouquinho de WNBA não é nenhuma surpresa que Érika seja uma das principais estrelas da liga (gosto sempre de dizer que ela é a melhor pivô do mundo – e os brasileiros deveriam saber e se orgulhar bastante disso). Mas o começo deste campeonato é espetacularmente brilhante para ela, e a coloca em uma posição de ainda mais destaque.

erika2Melhor defensora de seu time (e quem diz isso não sou eu, mas seu técnico, o ex-jogador do Lakers na década de 1980, e especialista no ramo, Michael Cooper), Érika guia o Atlanta a liderança do Leste (6-3, com três triunfos consecutivos) com as incríveis médias de 18,2 pontos, 64,2% de aproveitamento nos arremessos (surreal!), 9,7 rebotes, 1,4 roubo, 1,4 assistência e 1,8 toco por jogo. Para se ter uma noção, sua pontuação é 50% maior que a registrada na temporada passada, quando seus 12,8 por noite já eram a sua maior marca de sua carreira de 8 anos na WNBA. Seus 64% nos chutes, por sua vez, registram recorde pessoal com 6% de diferença em relação ao patamar de 58% atingido em 2008, quando estava em seu primeiro ano com o Atlanta Dream. Na temporada toda a camisa 14 do Dream teve dígitos-duplos em pontos em TODAS as partidas e duplo-duplo em quatro das nove pelejas (em outras duas faltou apenas um rebote para chegar a dez…).

erika14Em relação à constelação da WNBA, Érika é a sétima em pontos (a líder é Maya Moore, do Minnesota, com 22,7), a terceira em % de arremessos convertidos (a primeira é Courtney Paris, do Tulsa, com 65,2%), a terceira em tocos (Brittney Griner, do Phoenix, lidera com 3,1) e a quinta em rebotes (Paris lidera aqui também com 11,1). Números que já seriam ótimos, né.

Mas e se eu te dissesse que Érika é a melhor do melhor campeonato de basquete do planeta em eficiência, aquela estatística que contabiliza tudo de bom que um atleta faz em quadra? Pois é o que vem acontecendo. A pivô brasileira tem 25 de eficiência por jogo, e é a primeira no quesito, seguida de perto pelas bambas Maya Moore e Candace Parker (no cálculo de eficiência por 40 minutos, uma base para comparação apenas, ela também lideraria…). Um feito e tanto, sem dúvida alguma.

erikafinalAll-Star por duas vezes em sua carreira (2013 e 2009), Érika de Souza está na lista de votação no site da WNBA. Votar nela porque ela é brasileira é uma bobagem. Não se faz isso por patriotismo ou coisa que o valha. Érika deve ser votada para o jogo que será disputado em Phoenix em 19 de julho simplesmente porque é a melhor pivô do mundo.


Musa, Elena Delle Donne se diz pronta para mudar patamar da WNBA nos EUA
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Fábio Balassiano

* O blogueiro viajou a convite do Canal Space

donnecapaNascida em Dellaware, a simpática e educadíssima Elena Delle Donne tem um rosto tão bonito quanto seu basquete. Olhos cor de diamante (ou verde, ou qualquer cor clara), técnica invejável, voz suave, envergadura perfeita para uma atleta, cabelos loiros lisos, 1,96m de pura beleza, Delle Donne surgiu para o basquete feminino norte-americano em um momento delicado. A WNBA ainda não decolou, as atletas precisam se dividir em dois “turnos”(metade da temporada nos Estados Unidos, metade fora em Europa/China/Brasil) e a remuneração não chega perto da que é oferecida para os rapazes da NBA. Um rosto jovem (24 anos), um olhar bonito (ou lindo), uma personalidade carismática, um talento absurdo (18,1 pontos e quase MVP em sua temporada de estreia na WNBA, a liga profissional) é o que Eleninha, musa do blog, tem a oferecer para tentar mudar os rumos do basquete feminino nos Estados Unidos. Conversei com a ala do Chicago Sky em Nova Orleans, onde ela participou do Desafio das Estrelas, sobre este, digamos, pacote completo.

BNC: Como é pra você, jogadora da WNBA, participar de uma festa da NBA?
DELLE DONNE: Ah, é bem bacana, né. Ver uma festa tão grandiosa, de uma liga tão grandiosa como é a NBA, é muito legal. É uma honra e um prazer participar de uma festa que eu sempre acompanhei de casa, sempre acompanhei com minha família. Estar ao lado de tantos jogadores talentosos, de tantas pessoas legais me deixa muito feliz.

nba_cares1BNC: É um contraponto interessante ao que acontece na WNBA, que vive um momento delicado, não?
DELLE DONNE: Olha, não considero problemático o momento da WNBA, mas sim uma situação de transição de um momento em teve Lisa Leslie, Tina Thompson, entre outras feras, para uma geração mais nova que tenta buscar seu espaço. É difícil, mas é natural também. O que faz a diferença, também, é que a oferta financeira hoje na Europa e na China é tão grande, mas tão grande que o próprio mercado impõe que os calendários meio que sejam divididos. A NBA já se estabeleceu, já se consolidou como a maior e melhor liga de basquete do mundo no masculino. No feminino a WNBA tem concorrência mais pesada e isso faz com que até o próprio marketing do campeonato tenha mais dificuldade de se vender, de vender o produto em si. É quase uma lei de mercado. As meninas saem dos Estados Unidos para receber uma grana que lhes é merecida, que ajuda bastante na renda. E, o principal, que nos EUA não é possível receber por 9, 10 meses do ano. Se é fácil? Não, não. Mas é o cenário atual. Eu adoraria não ter que sair do meu país e jogar um campeonato longo, com mais partidas, mas isso ainda não é possível. De todo modo, tenho esperança que aos poucos a WNBA cresça e atinja o número de fãs necessários para chegar ao ponto que a NBA já chegou.

BNC: A entrada de Magic Johnson e seu grupo de investidores, que compraram o Los Angeles Sparks, traz uma esperança de que os dias serão melhores?
DELLE DONNE: Sim, sem dúvida que sim. Quando soube, juro que gritei de felicidade, porque é algo tão bom, mas tão bom para a nossa liga que você não tem ideia. Ele é uma personalidade mundial e certamente vai trazer investimentos, patrocinadores e mídia para a nossa liga. Nós, atletas, só podemos estar honradas de atuar na mesma liga em que Magic Johnson, ídolo de todas nós, possui um time. O Sparks é de uma cidade importante, tem tradição e estava passando por dificuldades. Não seria bom que ele tivesse desaparecido. Tê-lo na WNBA é ótimo. Com Magic Johnson, ainda melhor.

trio1BNC: E você sabe que, ao lado da Skylar Diggins (da ponta direita) e Brittney Griner (com a camisa 1), a WNBA conta muito com você para dar uma rejuvenescida no produto para poder vendê-lo internacionalmente, né…
DELLE DONNE: Sim, sabemos disso tudo e estamos sendo preparadas para assumir as funções não só de atletas, mas de embaixadoras da liga também. Quando entramos na WNBA ano passado sabíamos que teríamos um papel muito importante na divulgação, na aproximação com o público, na parte fora de quadra também. Não me assusta, pelo contrário. Me dá mais força para evoluir, para seguir desenvolvendo meu jogo.

BNC: É por essa questão de ser uma das embaixadoras da WNBA que você decidiu não jogar fora dos Estados Unidos nesta temporada? A grana, como você disse acima, deve ter sido bem forte… Você recebeu proposta de onde? Rússia? China?
DELLE DONNE: Olha, sim e não. Eu tinha alguns problemas físicos, algumas lesões que não tinham ficado 100% ao final da temporada. Por isso, e para promover minha marca, o nome da WNBA, eu decidi ficar aqui neste primeiro ano meu como profissional. Além disso, aqui eu treino duas, três vezes por dia e posso melhorar minhas habilidades, meu arremesso e meu físico, três deficiências do meu jogo. Recebi proposta da Rússia, da China, mas decidi ficar dessa vez. Não descarto nada, mas achei para que para mim, pessoal e profissionalmente, o melhor a se fazer era ficar.

skyBNC: Uma das coisas que mais me impressionaram em sua temporada de estreia na WNBA foi a sua frieza em quadra. Você teve a incrível média de 18 pontos por jogo, decidiu algumas partidas no final e em nenhum momento pareceu sentir o peso das partidas em uma liga pesada, forte. É a força mental que faz mais a diferença do que a técnica no esporte de alto nível?
DELLE DONNE: Boa pergunta, boa questão essa. É algo que minha família sempre destacou em mim, sabe. Meu foco, minha cabeça fria para tomar decisões em momentos complicados – seja na vida pessoal, seja em uma quadra de basquete. Talvez por tudo o que passamos em família eu seja assim, forte. Sou jovem, mas sei que meu time já dependia de mim. E eu precisava corresponder. Tínhamos o objetivo de chegar aos playoffs, e eu só iria sossegar se conseguíssemos. Quando vi que estava à vontade com o sistema tático e que minhas companheiras já confiavam em mim consegui elevar o nível do meu jogo e atuar com ainda mais confiança. E conseguimos jogar a pós-temporada pela primeira vez na história do Chicago Sky. É uma questão de força mental e de se adaptar o mais rápido possível às novas situações que o basquete te oferece. Quanto menos traumática é a transição Universidade-WNBA melhor será a sua carreira no circuito profissional. Por isso eu fiz de tudo para me adaptar de forma breve, sem tantos problemas.

donne2BNC: E você foi convocada para jogar a Copa do Mundo desde ano, iniciando, assim, a sua carreira na seleção adulta dos Estados Unidos. Imagino que você deva estar no Rio de Janeiro, certo? O que você conhece do nosso basquete?
DELLE DONNE: É meu objetivo, claro. Um dos maiores objetivos da minha carreira certamente. Terei 26, 27 anos quando acontecerem os Jogos Olímpicos e nada melhor do que estrear em uma competição assim como no Rio de Janeiro, um lugar lindo, que todos falam bem. Não sei se existiria maneira melhor de conhecer a cidade, né. Para ser sincera conheço pouco do basquete brasileiro. Sei que vocês têm uma história, ganharam títulos e medalhas importantes, mas atualmente não conheço muito. A Érika de Souza joga na WNBA e está entre as melhores pivôs do mundo, sem dúvida alguma. Ela é titular do Atlanta Dream, nos deu um trabalho danado na temporada passada e é uma força incrível dentro do garrafão, uma jogadora fenomenal. Admiro a sua (dela) história e sua perseverança em quadra. É uma jogadora sensacional.

familiaBNC: Você tem uma história de vida familiar muito bonita. Sua irmã, Lizzie, sofre de paralisia cerebral, é cega e surda, e você sempre fala com ela com um carinho incrível. Sua família parece muito unida em torno dela, inclusive (na foto está seu irmão, Gene). Participar dos eventos sociais da NBA (NBA Care) imagino que devam fazer com que você lembre dela…
DELLE DONNE: (Ela sorri e me interrompe) Elizabeth é o meu sexto sentido, minha razão de viver, minha luz mesmo. É uma espécie de anjo da guarda, uma irmã que amo demais. Através de uma comunicação não-verbal temos uma relação muito forte, e complementando sua pergunta anterior posso dizer que uma das razões de eu não ter saído do país é a Lizzie. Quando ficamos dois, três dias sem se ver já é um martírio, muito ruim. Imagina morar tão longe. Os eventos sociais da NBA são realmente muito lindos, e no que eu puder estou aqui para ajudar. Sempre que participo de ações assim eu me lembro do sorriso dela.

2013 WNBA DraftBNC: Por fim, uma pergunta que não poderia deixar de fazer. Desculpe lhe dizer isso, mas você é uma mulher muito, muito bonita…
DELLE DONNE: Obrigada pelas palavras.

BNC: Sim. Incomoda que as pessoas falem tanto da sua beleza quanto do que do seu basquete, que também é lindíssimo?
DELLE DONNE: Olha, sinceramente não. Se estão falando bem de mim, tudo bem. E chama a atenção para o nosso esporte, então é uma coisa bacana para todas nós. Precisamos de todos os torcedores que podemos ter para fazer a WNBA crescer. E estão me elogiando. Como vou ficar triste? É óbvio que quero ser conhecida como jogadora de basquete, uma atleta, mas não posso ficar chateada quando falam bem de mim. Sou mulher, né. Faz bem ouvir elogios…