Bala na Cesta

Arquivo : Thunder

Reis do triplo-duplo, ex-companheiros Harden e Westbrook se candidatam a MVP na NBA
Comentários Comente

Fábio Balassiano

brogdonA NBA não para em fim de ano. No Natal foram cinco confrontos. Ontem, no primeiro dia do ano, 6 jogos. No dia 31 de dezembro, 5 partidas.

E no derradeiro dia de 2016, três triplos-duplos. O primeiro ocorreu em Chicago, quando o novato do Bucks Malcolm Brogdon (foto), jogando de titular no lugar do lesionado Matthew Dellavedova, registrou o primeiro da sua vida com 15 pontos, 12 assistências e 11 rebotes na vitória do seu time por 116-96 contra um Bulls cada vez mais em crise (veja mais aqui sobre a briga entre Rajon Rondo o técnico Fred Hoiberg).

westbrook1Agora, show, show mesmo, deram Russell Westbrook e James Harden no dia 31 de dezembro. Em Oklahoma, Westbrook precisou de apenas 19 minutos para conseguir um triplo-duplo. No final do jogo terminou com 17 pontos, 14 assistências (apenas um desperdício de bola) e 12 rebotes em 29′ na vitória do seu Thunder contra um desfalcado Los Angeles Clippers (Chris Paul e Blake Griffin fora por lesão) por 114-88. Foi o quarto dele em cinco jogos e o décimo-sexto triplo-duplo do cara no campeonato. Campeonato em que Russ tem “só” as médias de 30,9 pontos, 10,7 assistências e 10,5 rebotes, se aproximando do feito de Oscar Robertson em 1961/1962. Big-O é o único ser humano do planeta até o momento a conseguir terminar uma temporada da NBA com MÉDIA de triplo-duplo. Mais do que bons números, Westbrook carrega o OKC em seus ombros com a campanha de 21-13 que coloca o time na surpreendente e honrosa quinta colocação do Oeste.

harden10E o que dizer de James Harden pra fechar 2016? Senhores, muita atenção ao que escreverei agora. No jogo contra o Knicks (vitória do Rockets por 129-122) o Barba saiu-se simplesmente com 53 pontos, 17 assistências e 16 rebotes, uma performance assustadora, surreal, incrível, sublime. Foi a primeira vez na história da NBA que um atleta terminou com triplo-duplo com mais de 50 pontos, 15 assistências e 15 rebotes. “Só” este é o tamanho do feito do camisa 13 do Houston, que chegou ao seu oitavo triplo-duplo na temporada obtendo recordes pessoais em assistências, bolas de três convertidas (9) e pontos no sábado – ficou a um rebote de igualar a melhor marca. Pelas mãos de Harden, cujas médias também são espetaculares (28,5 pontos, 12 assistências e 8,1 rebotes), o Rockets também vai escalando o Oeste. Já está em terceiro com 26-9 e tenta encostar no Spurs (27-6) e Warriors (29-5).

harden100Não são só pelos triplos-duplos, mas principalmente por levarem seus times tão pro alto assim que Russell Westbrook e James Harden, que jogaram juntos em Oklahoma por três temporadas entre 2009 e 2012 (dá pra imaginar o que seria do OKC se tivesse conseguido manter os dois e mais Kevin Durant por mais tempo?), são os maiores candidatos a MVP neste campeonato de 2016/2017 da NBA. Nenhum dos dois é o famoso “armador de ofício”, como se convencionou chamar por aqui sabe-se lá o motivo, mas lideram a liga em assistências e têm conseguido mais do que nunca envolver seus companheiros. Ambos têm dado shows em sequência e estão conseguindo resultados coletivos não menos sublimes.

westbrook1000Abaixo coloco os números de Russell Westbrook e James Harden na temporada até o momento. É óbvio que não é possível descartar nomes como LeBron James, do líder Cavs no Leste, Kevin Durant, do Warriors que tem a melhor campanha da NBA até agora, Kawhi Leonard, craque do Spurs, e até mesmo DeMar DeRozan, que tem jogado demais pelo Toronto, mas me parece claro que a disputa está polarizada mesmo entre Russ e o Barba. Difícil escolher, muito difícil, mas pelo fato de ter a MÉDIA de triplo-duplo e levar a zona de playoff um time com elenco de apoio muito pior do que aquele que Harden tem a seu lado eu ficaria com o camisa 0 do Thunder como o melhor do campeonato. Isso tudo, claro, falo com menos da metade da fase regular percorrida.

numeros1

Diga lá: até o momento, quem seria seu MVP da temporada regular da NBA?


O sublime começo de temporada de Russell Westbrook, o rei do triplo-duplo na NBA
Comentários Comente

Fábio Balassiano

russ3Seis triplos-duplos seguidos (o último veio ontem na vitória contra o Atlanta Hawks fora de casa por 102-99 com 32 pontos, 12 assistências e 13 rebotes). Na temporada já são 11 em 22 duelos (a soma de TODOS os demais atletas é de 12). Com exceção de Oscar Robertson, o jogador mais rápido a chegar a dez triplos-duplos em uma temporada (fez em 21 partidas; Big O em 12). Média de triplo-duplo. Superou LeBron James na lista dos atletas com o maior número de triplos-duplos (48), já está em sexto e tem tudo para passar Larry Bird, o quinto com 59, ainda em 2016/2017. Dezenove deles foram conseguidos em três períodos ou menos, uma insanidade. Oklahoma City Thunder na zona do playoff no Oeste (e em quinto lugar com 14-8 e seis vitórias seguidas). Se quisesse poderia continuar a enumerar a série de feitos do, até agora, melhor jogador da temporada da NBA. Vocês sabem de quem eu estou falando, certo?

russ4Logo que Kevin Durant assinou com o Golden State Warriors eu cravei aqui e também no Podcast BNC que Russell Westbrook teria, ou tangenciaria, uma média de triplos-duplos na temporada 2016/2017 da NBA, feito alcançado apenas uma vez na história da liga. Foi com Oscar Robertson, um dos gênios supremos do basquete, em 1961/1962. O que eu sinceramente não imaginava é que Russ teria tantos triplos-duplos “gordos” com mais de 25, 30 pontos (dez de seus onze TD’s foram assim), e que o Oklahoma fosse se adaptar tão bem a sua nova (e difícil) realidade. Ninguém perde um dos dez (cinco?) melhores atletas de basquete desse planeta e passa a ter uma nova vida normal, né?

russ1000É muito claro o que acontece em Oklahoma. A bola é de Russell Westbrook e ele toma as redes ofensivas – se isso já acontecia com Kevin Durant, dava pra crer que isso ocorreria agora sem KD por lá. Dois anos atrás, quando Durant teve uma série de lesões, foi uma espécie de preâmbulo do que aconteceria em 2016/2017. Ninguém que acompanha a NBA com afinco e há algum tempo pode dizer que está surpreso. Os números dele e o quinto lugar do Oeste estão aí pra provar que o resultado é extremamente positivo. São 31 pontos (atrás apenas de Anthony Davis), 11,3 assistências (o segundo, logo atrás de James Harden) e 10,9 rebotes (o único entre os quinze primeiros que não é ala ou pivô). Minimamente o rapaz produz 53 dos 107 pontos do Oklahoma por noite (a metade portanto). Isso sem falar nos passes indiretos e no que seus rebotes produzem. É um verdadeiro absurdo o que ele vem fazendo. Westbrook domina as ações de ataque, força lances-livres (10,4 por jogo) e tenta envolver seus companheiros na medida do possível. Quando não dá, ele decide sozinho e acaba se dando bem.

russ100Isso tudo explica, claro, o número excessivo de desperdícios de bola (5,7) que ele registra por noite (o maior índice da NBA atual). Não considero, sinceramente, isso um problema. Para quem fica muito tempo com a pelota na mão, a chance de desperdiçá-la é maior mesmo. Não admirá-lo por isso é um erro e uma perseguição que beira a loucura. Na temporada 1988/1989 o armador que seria eleito MVP teve 4,1 erros por noite. Em 2016/2017, Russ tem 5,7. O nome do MVP em 1989? Magic Johnson. Errar não é o problema. Não tentar, como ensinou Michael Jordan, sim. O equilíbrio é sempre o melhor dos remédios, mas quem tem o camisa 0 no elenco deve saber conviver com suas vantagens competitivas (seu físico descomunal ENGOLE o dos armadores rivais), com sua intensidade (o time fica incendiado com seu espírito) e também com seus problemas.

russ5Também dava pra supor que seu volume de arremessos subiria. Mas não é nada de tão assustador assim. Em 2014/2015 foram 22 chutes por noites. Em 2015/2016, 18,1. Em 2016/2017, são 24,2. É claro que seu percentual de conversão diminuiria (caiu de 45 para 42%), porque as defesas dobram, triplicam e se amontoam em cima do cara para evitar uma catástrofe maior do que a já aplicada pelo armador (sim, armador…) do OKC, mas a queda do percentual de arremessos corretos do camisa 0 acaba sendo também um dos motivos pelos quais seus companheiros têm brilhado. E explico.

west2Com exceção de Russ, no elenco do Thunder não há nenhum craque, mas todos estão se saindo muito bem e se aproveitando do fato de que a marcação fica concentrada em Westbrook em 99% dos casos. Se isso não é melhorar os companheiros, algo que muita gente usa como argumento para criticar o rapaz, eu não sei mais o que é. Victor Oladipo foi contratado em uma troca pra lá de polêmica envolvendo Serge Ibaka, o ala vai se acomodando e registrando 17,1 pontos por jogo. Andre Roberson é o melhor marcador do time desde a temporada retrasada, e agora tem se arriscado mais no ataque (6,4 arremessos por noite contra 3,9 em 2015/2016). O calouro Domantas Sabonis em vários momentos lembra a habilidade do pai (Arvydas) nos passes e tem se esforçado loucamente para marcar bem no garrafão, algo difícil para quem chega e tem que trombar contra Blake Griffin, Draymond Green e afins. Steven Adams está cada vez mais seguro como pivô titular do time e já tem 10,7 pontos e 7,8 rebotes de média. No banco, Enes Kanter está se saindo bem com 13 pontos e Anthony Morrow, Jerami Grant, Alex Abrines e Joffrey Lauverne completam bem a rotação.

russ6Vale destacar o técnico Billy Donovan, que em seu segundo ano na NBA deu carta branca para Russell Westbrook (quem não daria?). Ao mesmo tempo Donovan encorajou seus atletas a subir o nível para manter o Thunder na zona de playoff mesmo sem Kevin Durant. No ano passado o Thunder tinha três no elenco com dígitos-duplos em pontos. Nesta temporada, quatro. Em 2015/2016, 5 jogadores arremessavam 6+ bolas por partida. Em 2016/2017, 7 chutam ao menos 7 vezes. Isso não é coincidência.

Está muito claro que o Thunder vai tão longe quanto o físico e a habilidade de Russell Westbrook aguentarem. Muita gente tem falado que nos playoffs ambos (time e Russ) chegarão mortos de cansados, mas a verdade é que para uma franquia que perdeu Kevin Durant abruptamente chegar à pós-temporada já é um baita mérito.

russ2Por incrível que pareça, registrar a média de triplo-duplo, ou ficar muito perto dela, é exatamente o que o OKC precisa para jogar o mata-mata da NBA. Quer ver exatamente isso aí na prática? Simples: quando Russ chegou a dígitos duplos nos três fundamentos o Thunder venceu 9 vezes e perdeu apenas duas. Com a benção de Michael Jordan, que recentemente foi a Oklahoma para a cerimônia que colocou o armador de 28 anos no Hall da Fama local e encheu o rapaz de elogios pela sua coragem e audácia, o camisa 0 vestiu o uniforme de líder genial e promete não tirar mais.

Toda franquia da NBA queria ter um craque assim para chamar de seu. Sorte do Thunder.


Os 30 da NBA: Sem Durant, Thunder depositam todas as fichas em Westbrook
Comentários Comente

Fábio Balassiano

russ1Nesta altura dos acontecimentos você já sabe que Kevin Durant se foi de Oklahoma, né? A franquia perdeu uma de suas principais estrelas, mas ficou com a outra no mínimo até 2017/2018.

Trata-se de Russell Westbrook, armador da equipe que renovou o seu contrato por mais um ano e que tem a opção de também ficar em 2018/2019. Não há a menor dúvida: o Thunder, agora, é o time do camisa 0 e não se fala mais nisso.

Lakers evolui, mas conseguirá playoff?
Clippers e a provável última-dança de seu talentoso núcleo
Com Wade, Rondo e Butler, Chicago sonha alto
Knicks voltarão ao playoff com D-Rose

Wolves tentam iniciar nova Era
Boston não tem O cara, mas pode subir outro degrau
Indiana cerca Paul George com reforços para brigar no topo do Leste

oladipoSe na temporada passada faltaram cinco minutos para o Thunder eliminar o Golden State Warriors na final do Oeste, para 2016/2017 a perspectiva é outra: tentar ir ao playoff. E tentar é um termo bem apropriado porque ninguém tem a menor ideia do que poderá ocorrer com a franquia. É muita gente nova ao mesmo tempo, um único líder pra lá de exigente (Russell Westbrook) e alguns jogadores sem nenhuma experiência de NBA pelas costas. Se o quinteto titular pode ser formado por Russ, Victor Oladipo (foto), que chegou em troca por Serge Ibaka, Andre Roberson, Enes Kanter e Steven Adams é bem razoável, no banco as opções se resumem a Cameron Payne, Ronnie Price, Domantas Sabonis e Alex Abrines vindo para seus anos de estreia na liga, Joffrey Lauvergne e Ersan Ilyasova. Não é o fim do mundo, mas tampouco é o melhor dos cenários, né?

Mavs se reforça para dar fim de carreira digno à Nowitzki
Mike D’Antoni assume e Rockets vai pro tudo ou nada

Portland quer provar que não é mais surpresa
Como será o Sixers de Ben Simmons?
Pistons querem seguir evoluindo
Phoenix e a difícil administração de elenco
Pelicans conseguirá cercar Anthony Davis com talento?
Há vida em Miami sem Dwyane Wade?

donovan1Outro bom nome para ficarmos atentos é o do ótimo Billy Donovan. O técnico fez um excepcional trabalho principalmente no playoff da temporada passada, deu maior variação a uma franquia que vivia sendo criticada pelo arsenal pouco animador dos tempos de Scott Brooks e ficou a pouquíssimo de ir à final em seu ano de estreia (e sabe lá o que isso impactaria na decisão de Kevin Durant). Agora a figura é diferente. Donovan sabe que terá que dar ainda mais carta-branca para Westbrook e deverá criar um outro modelo de jogo para suas novas peças. Como fazer com que tudo gire em torno do camisa 0 sem ao mesmo tempo o sistema ofensivo não ficar muito previsível? Como manter o garrafão pontuando como foi com Kanter e Adams em boa parte da pós-temporada por toda fase regular? Como dar protagonismo a Oladipo? São questões que todos em Oklahoma buscam respostas.

Wizards tem novo técnico para mudar de patamar
Grizzlies e sua profissão de fé para a temporada
O longo caminho do Nets para ter um time
Sacramento e a casa da Mãe Joana
Denver segue em busca de identidade
Orlando esquece reconstrução e vai pra ação
Bucks entregam chave da franquia a Antetokounmpo
Jazz mira volta ao playoff com elenco mais experiente
Charlotte perde força – e agora?

O ano-chave para a franquia Hawks tem Dwight Howard como líder

russ10Consigo apostar em uma média perto de triplo-duplo para Russell Westbrook e jogadas absurdas entrando no Top-10 da semana por parte do líder do Thunder. Mais do que isso é impossível prever agora. Não falo nem por causa das dificuldades enfrentadas nos dois amistosos contra times de fora da NBA (derrota pro Real Madrid e vitória apertada contra o Barcelona), mas sim pelo número imenso de novos atletas no elenco e pela perda de Kevin Durant. Há várias lacunas por lá (técnica, tática, de carisma, de liderança etc.) que só saberemos como serão preenchidas ao longo do campeonato. No final das contas acho que o OKC vai ao playoff. Mais do que isso, agora, é exercício de adivinhação.

Campanha em 2015/2016: 55-27
Projeção para 2016/2017: Briga por playoff (entre 42 e 48 vitórias).
Olho em: Russell Westbrook


A corajosa renovação de contrato de Russell Westbrook com o Thunder na NBA
Comentários Comente

Fábio Balassiano

west3Acabou que durante as Olimpíadas rolou uma das notícias mais surpreendentes e também legais na NBA: Russell Westbrook renegociou o seu contrato com o Oklahoma City Thunder, que terminaria ao final de 2016/2017, renovou com a franquia até 2018/2019 por US$ 85 milhões até lá (nesta última temporada aparentemente o jogador tem a opção de pedir rescisão – o famoso player-option) e deixou a torcida local totalmente enlouquecida.

Foi um recado rápido, da equipe e do atleta, à saída de Kevin Durant, que pouco antes anunciara a sua ida para o Golden State Warriors.

westA atitude de Westbrook foi elogiada por gente como Michael Jordan, que viu no camisa 0 do Oklahoma um cara tão faminto, tão obstinado, tão “cabeça-dura” quanto ele, Jordan, foi em sua carreira. Mais do que isso, mostra bastante como pensa, age e joga o mais do que nunca dono da franquia Thunder.

Westbrook tem um jeito meio intempestivo, explosivo, meio fora dos padrões dos armadores que a galera da década de 80/90 viu e que ainda gostaria de ver (embora, perdão que eu diga isso, não verá mais com tanta frequência…), mas é admirável a sua coragem e parece muito claro que ele deseja ganhar do seu jeito, da sua maneira, nos seus termos. Ele tem uma rota, uma maneira de ver as coisas e aparentemente não irá mudar assim tão rápido.

westbrookNão foi a intenção dele, e na verdade nem é mesmo pois na prática ele pode se tornar agente-livre ao final da temporada 2017/2018, ficando em Oklahoma apenas por um ano a mais do que o seu contrato anterior previa, mas a sua renovação e o voto de confiança para a direção do Thunder acabaram mostrando bem as diferenças de pensamento dele e de Kevin Durant (notem que não há crítica aqui, mas sim uma óbvia forma diferente de encarar as suas carreiras).

west11É muito improvável que Westbrook, o rei dos triplos-duplos da NBA nas últimas temporadas (ao lado o crescimento de suas médias na carreira), ganhe um anel de campeão rapidamente (algo que pode, sim, acontecer com Durant em junho de 2017), mas ele aceitou aceitou jogar em um elenco claramente menos forte com a saída de Durant. A propósito: se muita gente achava que seus 18 arremessos/jogo eram muita coisa em 2015/2016, podem ficar tranquilos que este índice deverá subir horrores em 2016/2017, pois as decisões serão quase todas com ele mesmo. Russ aceitou colocar o seu prestígio em jogo para atuar em um time que pode ser que nem playoff pegue no final da fase regular de 2016/2017. Aceitou, aos 27 anos, dar no mínimo mais dois campeonatos para a diretoria voltar a colocar um time forte a seu redor. Aceitou, no final das contas, ser a única face de uma franquia que parecia perder a sua identidade.

O Oklahoma City Thundwest10er não ganhou o sonhado troféu de campeão da NBA em 2016. Ficou, logo depois, sem Kevin Durant, estrela da equipe por uma década. Parecia ver o mundo desmoronar. Não é que o cenário agora seja maravilhoso, lindo, perfeito. Não é. Mas ao menos existe uma pedra fundamental chamada Russell Westbrook para a franquia planejar os seus próximos passos.

Ao seu lado estarão na missão de colocar o Thunder nos trilhos Victor Oladipo, Enes Kanter, Steven Adams, Domantas Sabonis, Andre Roberson, Ersan Ilyasova, Alex Abrines, Kyle Singler, Anthony Morrow e Nick Collison. Que eles saibam, desde já, que a liderança de Russ é beeeeem diferente da de Kevin Durant, mais amistosa, mais tranquila, menos “cobradora”.

west8Russell Westbrook está mais para Kobe Bryant que LeBron James ou Kevin Durant neste sentido de liderança. Se antes ele já demandava trabalho pesado de seus companheiros, não aceitando menos horas de ginásio do que a que ele aplica a si mesmo (totalmente “Kobe Bryant” isso), agora mais do que nunca isso estará na ordem do dia. É algo, aliás, que Sam Presti, gerente-geral do Thunder, disse que conta desde o início da pré-temporada.

O camisa 0 do Oklahoma não será apenas o melhor jogador e a cara da franquia nas ações de marketing pela cidade. Todos na diretoria esperam, mesmo, que ele dite o ritmo, em termos de comportamento e atitudes, dentro e fora do vestiário. Sem o menor medo, Russ aceitou a missão. Em tempos cada vez mais politicamente corretos, é legal ver a coragem de Westbrook para nadar contra a corrente de aceitar o mais fácil (que seria pegar a sua mala em 2017 e ir para um time mais perto de ser campeão).


Kevin Durant, Warriors, Thunder, atalhos e o século XXI
Comentários Comente

Fábio Balassiano

durant2Faltavam, naquele sábado, 28 de maio de 2016, cinco minutos para o Oklahoma retornar à final da NBA. Kevin Durant acertara um arremesso, o placar apontava 96-89 para o Thunder, a torcida delirava com a possibilidade de eliminar o time de melhor campanha da história e o champanhe da comemoração do título do Oeste já estava no gelo. Cinco voltas no ponteiro e a celebração começaria.

O relógio andou, o Thunder parou e o Warriors voou. Klay Thompson acertou bolas improváveis e seu time terminou a partida com uma sequência de 19-5, fechando a peleja em 108-101. O Golden State Warriors levou a decisão do Oeste para o sétimo jogo em Oakland e aí vocês já sabem do restante da história.

durant1Faço esse preâmbulo todo para tentar entender o que se passou na cabeça de Kevin Durant para ter escolhido (e anunciado) o Golden State como o seu novo time. O ala informou ao mundo todo ontem no Players Tribune que depois de nove temporadas sairia do Oklahoma City Thunder justamente para jogar no time que acabara de eliminá-lo na final do Oeste. Seu contrato será de dois anos e US$ 54 milhões, com a possibilidade de renegociação após o primeiro ano, quando o teto salarial da NBA deverá aumentar ainda mais.

durantula1Antes de falar do Golden State Warriors e de Durant, vamos entender as coisas pelo lado do Thunder. Não há outra palavra para este momento que não reconstrução. Havia dito aqui na semana passada que a troca que levou Serge Ibaka ao Orlando Magic só poderia ser avaliada depois da decisão do (agora ex-)camisa 35. KD se foi, Ibaka também, é impossível pensar que Russell Westbrook ficará após o final do seu contrato em 2016/2017 (muita gente aposta que Russ será trocado o quanto antes e pelo que vier pela franquia de OKC) e temos o famoso rebuild em curso.

west1As coisas na NBA mudam rápido, né? Há quatro anos o Oklahoma chegara a uma final da NBA com Durant, Westbrook, James Harden e Ibaka. Trocou o barba para ficar com o congolês porque na época o teto salarial não permitia três salários máximos (algo que Harden desejava). O tempo passou, e na semana passada Ibaka foi trocado por um calouro (Domantas Sabonis) e por um jogador promissor só que não mais do que mediano até o momento (Victor Oladipo). Ontem Durant se foi e em menos de 12 meses sairá Westbrook. Ou seja: após construir muito bem o elenco em quase uma década, o Thunder terá que reconstruir sem as suas principais estrelas.

gsw1Para o Golden State Warriors, foi o melhor dos mundos. Em que pese a engenharia que deve ser feita agora (perder Harrison Barnes, Andrew Bogut e Festus Ezeli a preço de banana), a franquia literalmente conseguiu o prêmio máximo do mercado da NBA. Vai formar um quarteto fantástico com Steph Curry, Klay Thompson, Kevin Durant e Draymond Green, tornando-se assim o maior favorito ao título na próxima temporada (estão aí seguramente quatro dos 30 melhores atletas de basquete do planeta no mesmo latifúndio, caras que tiveram a média de 94 pontos/jogo em 2015/2016). Isso, claro, sem falar em Andre Iguodala e no elenco de apoio que estará por aí a cercá-los. A não ser que aconteça uma grande catástrofe (tipo os caras não se darem bem no vestiário) eu acho muito impossível não vermos de novo o GSW na decisão em junho de 2017.

paul1Muita gente está fazendo beiço e relembrando o veto que a liga fez à troca que levaria Chris Paul, na época no New Orleans, ao Lakers em 2011. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Cinco anos atrás a NBA era a DONA do Hornets. Foi, sim, pressionada pelos demais 29 times porque estávamos em uma época de discussão sobre tetos salariais, mas a sua decisão foi tomada porque ela, enquanto proprietária do New Orleans, acreditou que não seria a melhor negociação. Tão simples quanto isso. Em 2016, além de não ter sido uma troca, Kevin Durant simplesmente escolheu o melhor lugar pra jogar basquete – e quanto a isso a NBA não tem o menor dos poderes.

gsw2Bem, vocês já leram demais e agora querem saber a minha opinião sobre a ida de Kevin Durant para o Golden State, certo? Então vamos lá. Respeito totalmente a decisão do ala, um dos melhores atletas do mundo. Está claro, também, que o fato de ele ir para o Golden State não teve nenhum peso financeiro. Se fosse pela quantidade de dólares que receberia ele aceitaria uma bolada do Thunder que chegaria certamente perto dos US$ 40 milhões anuais por cinco anos (algo em torno dos US$ 200 milhões – sim, é isso mesmo!!!).

durant3Se a questão não é grana, vamos só falar de basquete então. Em primeiro lugar, vamos ao óbvio. É muito difícil você dizer não para um time que tem os caras aí da foto ao lado, que chegou a duas finais seguidas (no Oeste) e que bateu o recorde de vitórias em uma temporada (73). É muito duro você ouvir de Jerry West, hoje consultor do Warriors, como Durant ouviu, quão complicado foi digerir derrotas seguidas para o Boston na década de 60. É impactante você ouvir de Bob Myers, Gerente-Geral do GSW, a frase: “Sem você podemos ganhar mais um ou dois títulos. Sem a gente você pode levar um ou dois anéis de campeão. Nós juntos podemos ganhar aos montes“.

okc1E aí (e isso NÃO é errado) Kevin Durant pegou o atalho para tentar ser campeão rapidamente. Ele não quer mais esperar por um título que, a bem da verdade, poderia nunca chegar se ele ficasse em Oklahoma ou se mudasse para Boston ou Nova Iorque. Mas este é um atalho BEM maior (ou pior) do que aquele que LeBron James pegou lá atrás quando decidiu sair de Cleveland para montar um time em Miami. Bem pior porque querendo ou não LeBron chegou ao Heat com um elenco que NUNCA tinha jogado junto. Lá, ao lado de Dwyane Wade e Chris Bosh, eles criaram uma identidade nova para a franquia. Durant, agora, ENTRA não para ser o piloto principal de um navio que já está em percurso, mas sim para co-dirigir (notem o “co”) uma embarcação que há menos de dois meses o derrotou na final da Conferência Oeste.

durant20Poderia fazer uma série de tratados, lembrar que Michael Jordan, Isiah Thomas e David Robinson apanharam loucamente sem nunca virar as coisas para suas franquias para ganhar um título de campeão a qualquer preço, mas acho que a questão é um pouco maior que isso. Estamos falando de uma geração, esta do século XXI, de garotos muito mimados desde sempre. De garotos que, como diz o genial Larry Bird, não estão acostumados a ir ao supermercado e a falar com pessoas que discordam de suas atitudes (normalmente há um séquito de puxa-sacos a aplaudir por todas as coisas). De garotos que não gostam de sofrer, que não entendem que só há valor na glória quando há muita derrota por trás. De garotos que miram no objetivo final, mas que dificilmente compreendem que a beleza desse negócio todo chamado vida está justamente na jornada, no percurso, no meio para se chegar ao final. Entenderia, portanto, se ele tivesse não só optado por ficar em Oklahoma, mas também se fosse para Nova Iorque ou para Boston, onde seria o piloto chefe das franquias onde teria que CONSTRUIR algo praticamente do zero.

durantulaNão custa lembrar, como disse lá em cima, que Kevin Durant, os seus agora ex-companheiros de Thunder e a cidade de Oklahoma estavam a cinco minutos de voltar à final da NBA. Por causa de cinco minutos mal jogados em uma série em que o Thunder dominou amplamente o Warriors KD decidiu levar os seus imensos talentos justamente para o lado do time que o derrotou. Kevin Durant que, aos 27 anos, ainda está no auge técnico, físico, tático e mental. Ou seja: poderia, sim, tentar mais um, dois, três anos com o Thunder antes de, aí sim, partir de cabeça para o “projeto título de qualquer maneira”. Seria, digamos, compreendido caso fizesse isso com 31, 33, 33 anos. Aos 27, não muito. Por isso é difícil não ficar desapontado com uma atitude assim, vocês vão me desculpar. Não porque ele acabou “se traindo”, como a gente vê agora nos milhões de tuítes antigos do cara, mas porque a história de Durant se encaminhava para ser uma das mais bonitas do esporte (recheada de dificuldades, superações, sua mãe figuraça que passou um perrengue danado para criá-lo e, quem sabe lá na frente, uma épica conquista).

durant3535Agora tudo mudou. Kevin Durant provavelmente colocará um anel de campeão em sua mão em junho de 2017. A lógica diz isso agora e negá-la é uma loucura que eu não farei. Não estou criticando a sua decisão, mas sim analisando-a. De todo modo, dá pra dizer que no dia 4 de julho ele sai como um cara muito menor, em termos de perspectiva histórica, do que era no dia 3 de julho (como LeBron também saiu após aquele programa “The Decision” na ESPN aliás).

Sinceramente não esperava isso dele, e se este texto está um pouco mais pesado que a maioria poderia supor é justamente por carregar a decepção de ver alguém que estava construindo tão bem a sua carreira se deixar levar (na minha opinião) pela opção mais fácil.

Concorda comigo? Gostou da decisão de Kevin Durant? Comente aí!


Warriors vence Thunder, faz história de novo e repetirá final contra o Cavs
Comentários Comente

Fábio Balassiano

nba6Foi um dos melhores jogos da temporada 2015/2016 da NBA. Nervoso, como toda partida 7 foi, é e sempre será. No final das contas, o Golden State Warriors, impulsionado por um terceiro período fabuloso (29-12), fez 96-88, tornou-se o décimo time da história da liga a sair de 1-3 para vencer o confronto em 4-3, se classificou para a decisão pelo segundo ano seguido e na finalíssima repetirá o duelo de 2015 contra o Cleveland Cavs (a diferença é que a franquia de Ohio desta vez estará completa). O jogo 1 da finalíssima será na quinta-feira, 22h, em Oakland.

As últimas finais que se repetiram em anos seguidos foram em 1988 e 1989 com Lakers e Pistons (Los Angeles ganhou em 88 e Detroit no ano seguinte), 1997 e 1998 com Bulls x Jazz (dois títulos para Chicago), em 2013 e 2014 com Heat x Spurs (Miami em 2013 e San Antonio em 2014) e 2015 e 2016 com Warriors e Cavs (ano passado deu Golden State).

nba7Brilhante, o ala-armador Klay Thompson (foto) saiu-se com 21 pontos e 6 bolas de três em mais uma atuação feroz (que mão a deste rapaz, hein!). Mas o grande nome do Warriors foi mesmo Steph Curry. O unânime MVP da temporada regular teve 36 pontos e 7 de fora, o máximo em um jogo 7 de playoff (em alguns momentos ele parecia estar em transe, em outro planeta, tão confiante que estava para chutar). O domínio dos Splash Brothers foi tão imenso que NENHUM outro atleta do Golden State chegou a 11+ pontos (incrível). Do outro lado, Russell Westbrook, pelo Thunder, obteve 19 pontos e 13 assistências e Kevin Durant, gênio do basquete, 27. Vale dizer, desde já, que Anderson Varejão torna-se o primeiro brasileiro a disputar três finais (2X pelo Cleveland e esta agora pelo Warriors) e a ganhar as duas conferências, e Leandrinho tem a chance de se tornar o primeiro do país a conseguir dois anéis de campeão da NBA.

nba1O jogo começou e parecia a repetição dos primeiros duelos da série (com exceção dos seis minutos finais do jogo 6 em Oklahoma). O Thunder forçou o ataque com Steven Adams e Serge Ibaka no garrafão, dominou os primeiros minutos e fez 24-19. Seguiu bem a cartilha para vencer um jogo 7 fora de casa (marcando bem, evitando cestas fáceis dos rivais e envolvendo os cinco atletas em quadra no ataque), venceu o período seguinte por 24-23 e foi para o vestiário com 48-42. A vantagem só não foi maior porque, nos instantes derradeiros, Steph Curry fez seis pontos (improváveis) de forma consecutiva e diminuiu o déficit para seu time.

nba5A volta do intervalo mostrou a força do Warriors. O Golden State começou a matar bola loucamente (foram sete ataques SEGUIDOS acertando), teve quatro bolas de três CONSECUTIVAS, virou o jogo, incendiou o ginásio, deixou o OKC nas cordas (mentalmente o Thunder apresentou os mesmos problemas dos últimos anos, quando ruía terrivelmente a toda dificuldade), fez 29-12 (23-6 da metade pro final do período) e levou margem de 11 pontos para os 12 minutos finais (71-6). No período final, Kevin Durant tentou comandar a reação do Thunder, a diferença chegou a cair para quatro pontos, mas ali no minuto final Steph Curry cobrou, e acertou, três lances-livres seguidos e fez uma bola de três pontos improvável para selar a vitória por 96-88.

O Oklahoma lutou muito, mas ficou pelo caminho. O Warriors está de novo em uma final da NBA. Gostou do jogo? Ficou em ótimas mãos o título do Oeste, né?


Após jogo magnífico, Warriors e Thunder decidem campeão do Oeste hoje
Comentários Comente

Fábio Balassiano

klay1Em português claro: a partida de sábado à noite entre Golden State Warriors e Oklahoma City Thunder, disputada em Oklahoma, foi uma das melhores que vi nos últimos anos.

ÀS 21h15 ESTAREI NO FACEBOOK FALANDO DA PELEJA. ACOMPANHE

Magnífica, intensa, pegada até o final e com uma atuação genial de um Klay Thompson pegando fogo (41 pontos, 11 bolas de três pontos). No final, 108-101 para o Warriors. Os vídeos abaixo são bons para os olhos e a alma. Divirtam-se!

foto1Com um final de jogo fabuloso (veja foto ao lado) para o Warriors e errático para o Thunder, temos 3-3 na série e decisão do campeão da conferência Oeste nesta noite (22h, com Sportv). Ou seja: Klay Thompson e Steph Curry (31 pontos, 10 rebotes e 9 assistências) fizeram o que fizeram em um jogo de eliminação, em um jogo onde o atual campeão estava prestes a entrar de férias. O brilhantismo de Klay foi tão grande que o dono da franquia, o magnata Joe Lacob, literalmente se ajoelhou aos seus pés, vejam só:

foto7O Warriors, após estar perdendo por 1-3, pode se tornar o décimo time da história dos playoffs a virar para um 4-3 neste tipo de situação. Tudo isso graças a sua dupla de armador e ala-armador. Klay Thompson e Steph Curry não marcaram “apenas” 72 dos 108 pontos do time no sábado. Eles acertaram 23 dos 36 arremessos de quadra da equipe (quase todos portanto…). Mas falar apenas da dupla, cujos números na série estão na figura ao lado, é um erro, um erro imenso. Antes de passar para Andre, o animal da marcação, Iguodala, deixo aqui uma pensata: o maior maior erro do GSW pra mim nesta série é deixar Curry chutar sempre no um-contra-um. Não entendo o motivo de Steph não chamar sempre um bloqueio pra chutar menos vigiado. Quando fez isso no último período, principalmente com Iggy, se deu bem. Se mantiver essa ideia do 1-1 diante de marcadores físicos pode não se dar bem.

foto2Klay e Curry foram muito bem coadjuvados por um espetacular Andre Iguodala, este ser de outro planeta que consegue marcar de LeBron James a Kobe Bryant, passando por Kevin Durant, Chris Paul e Russell Westbrook. No último período, foram dele os botes em Russ e Durantula, forçando erros e arremessos fora dos padrões, para impulsionar a reação do Warriors que viria através dos furiosos arremessos dos Splash Brothers (vide figura ao lado). Sem Iguodala, provavelmente a vitória não teria vindo. Veja só o que ele fez contra os camisa 35 e 0 do Thunder.

foto4Para o Thunder, a estatística de quem tinha o jogo em casa e 3-2 na série, perdeu no lar e enfrentou o jogo 7 fora de casa nem é tão péssima assim (12-24), mas o problema para Kevin Durant, Russell Westbrook e companhia é mental, psicológico, de tentar esquecer em 48h que a série esteve em suas mãos para tentar vencer o GSW em Oakland pela segunda vez no confronto. Mais do que isso: como compreender que após dominar 90% da série em termos táticos, técnicos e físicos a série encontre-se, após seis partidas, em 3-3? Para cabeça de um atleta do Warriors, é ótimo – “caramba, não jogamos tudo o que sabemos e ainda estamos vivos”. Para os do Thunder, é o oposto – “caceta, castigamos os caras, dominamos a tábua, aniquilamos nos rebotes jogando com dois pivôs ou quatro abertos, e eles ainda não foram eliminados. Será que dá pra eliminar essa turma mesmo?”. Não é fácil gerar compreensão neste momento, mas há algumas explicações para o que o OKC fez de errado no sábado à noite.

russ1O que aconteceu no último período (33-18 pro Golden State) foi a volta da versão antiga do Oklahoma (a que individualiza tudo, a que não gostamos de ver). Quando percebeu que Klay e Curry estavam pegando o fogo, o OKC simplesmente entrou em pânico. Quem precisava correr, quem precisava ligar o botão de alerta, era o Golden State. Quem ficou desesperado? O Thunder. Aí, pessoal, um abraço.

Tudo o que construíram neste playoff ruiu muito rápido. Billy Donovan pediu três tempos em menos de dois minutos, mas as cabeças de Russell Westbrook e Kevin Durant já tinham ido para a lua. Ambos só atacaram no um-contra-um, desistiram até mesmo dos bloqueios de Ibaka, Adams ou Kanter e tentarm decidir sozinhos. Isso não tem funcionado, e os números desta pós-temporada mostram isso. Do outro lado, ainda por cima, tinha um Andre Iguodala a marcá-los. Lembrando: esse cara foi MVP das finais em 2015 não porque fez 715 pontos por jogo, mas por ter diminuído a sanha de LeBron James, um dos melhores de todos os tempos, nos três últimos jogos da série (3 vitórias do Warriors).

klay2É neste cenário que chegamos ao jogo 7 de hoje que promete também ser épico. O Oklahoma tem time, técnico e bagagem tática para desafiar o Warriors em Oakland. Eu só não sei se terá cabeça para tirar sábado da mente. Isso é muito difícil de prever. Caso consiga, pode vencer um jogo 7 fora de casa, algo sempre difícil. O Golden State entra mais confiante do que nunca. Sabe que estava sendo dominado por um adversário fortíssimo e que mesmo com quase tudo contra encontrou uma forma de chegar ao último duelo com chances de retornar à final (“grandes times sempre encontram fórmulas de vencer mesmo jogando mal”, diz o filósofo…).

Quem será que vence hoje? Você tem palpite? Comente aí!


A sustentável beleza do jogo coletivo do Thunder no playoff da NBA
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Não houve jogo de basquete no domingo à noite em Oklahoma. Foi uma clínica, uma aula, uma amostra do que se pode fazer de excepcional tanto em ataque quanto em defesa. Pra azar do Warriors, só quem fez isso mesmo foi o Thunder, aplicando uma surra daquelas (133-105) em um Golden State atônito, sem saber como agir, como reagir, como transgredir – algo que eles sempre fizeram tão bem.

O lance que melhor evidencia o que aconteceu no domingo, pra mim, é este aqui em que Steven Adams segue marcando Steph Curry após um bloqueio de Andrew Bogut para o MVP. Quase 100% dos pivôs não tem rapidez para acompanhar Steph e seus dribles mirabolantes. Adams, com seus 456m de braço e ótima velocidade para um gigante de 2,13m, não só conseguiu impedir que Curry infiltrasse em um garrafão pouco povoado como teve impulsão para bloquear o arremesso de três pontos do camisa 30. Algo inimaginável nos dois últimos anos. Mas aconteceu no domingo e mostra bem o que tem rolado nesta série com razoável frequência.

A qualidade do Oklahoma para estar vencendo o Warriors por 2-1 até o momento não se resume, porém, ao setor defensivo. Se é verdade que Adams, Andre Roberson, Serge Ibaka, Kevin Durant e Russell Westbrook têm feito um esforço descomunal para segurar as armas ofensivas do Golden State, não ver como melhorou ofensivamente o Thunder neste playoff é um erro. Cheguei a falar isso aqui outro dia, citando os “Cavalos de Raça” do técnico Billy Donovan. Mas aí me debrucei nos números. Vejam só quanta coisa interessante:

foto50

west1a) Desde os playoffs da temporada 2009/2010 o volume de pontos dos jogadores de apoio (não Russell Westbrook e Kevin Durant) não era tão grande. Em 2010 havia James Harden, que acabou se tornando uma estrela da NBA. Agora, “apenas” ótimos coadjuvantes que ganharam do técnico Billy Donovan carta-branca pra atacar a cesta e a confiança de Russ e Durant. No playoff deste ano 56 pontos por jogo (51% do total) saem de um atleta do Thunder que não se chama Westrook ou Durantula – e isso é coisa pra caramba. Em relação a 2014, última vez que o OKC esteve em playoff, o percentual de pontos totais das estrelas do Thunder caiu de 55 para 49% e o do restante do elenco, por sua vez, cresceu de 45 para 51% (queda e subida idêntica, de 6%, nos dois casos).

okc200b) Outro ponto interessante: a variação entre os pontos de Westbrook + Durant e o do restante do elenco entre fase regular e playoff sempre apresentou discrepâncias absurdas. Em 2012/2013, o duo produziu 15% a mais daquilo que fizera na temporada regular. Em 2014, 5% a mais. O que acontece em 2016? O camisa 0 e o 35 somaram 51,7 pontos/jogo na fase de classificação. Nos playoffs, 53,1 (crescimento de apenas 4%, menor variação desde 2012). Os demais companheiros, saíram de 58,5 na temporada para 56 no mata-mata (queda de apenas 4%, a menor desde 2012). Confiantes, os jogadores do elenco de apoio fazem a queda de pontos entre temporada regular e playoff ser a menor (apenas 1%) desde 2009.
foto10

thunderup1c) Outro dado chama bastante atenção: Nunca desde que Kevin Durant e Russell Westbrook lá chegaram o número de assistências por arremesso convertido foi tão alto quanto em 2016 (0,58). Crescimento de 12% em relação a 2014 e de 3% em relação à temporada regular (normalmente este índice diminui muito nos playoffs, quando as marcações e os ajustes fazem as pontuações diminuírem). Ter melhores “atacantes” e bolas com alto potencial de conversão nas mãos de Steven Adams ajuda muito, sem dúvida alguma (só há assistência quando o passe sai da mão de alguém e a bola entra na cesta, né…). Saber que o passador do time (Westbrook) confia cada vez mais nos companheiros é um indicativo ainda mais bacana de se ver.

russ1d) Russell Westbrook também foi tema de texto meu recentemente. Pretendo não tecer loas novamente ao camisa 0. Ele é um cracaço de bola e só quem não vê isso é muito implicante. Chama, porém, muita atenção que neste playoff o cidadão tenha a média de 11,1 assistências (nos últimos 8 jogos em seis ele teve 10+ assistências – nos outros dois, 9 e 8 passes). Na temporada regular, 10,4 assistências por jogo. No mata-mata, 11,1. Em relação a 2014, último ano com Kevin Durant na linha de tiro, crescimento de 51% na fase de classificação e de 37% na pós-temporada. Ter Durantula pegando fogo é muito bom. Saber que Ibaka, Kanter e Adams estão pertinho da cesta preparados para concluir suas infiltrações em cestas (ou enterradas) é tão saboroso quanto.

adams30Está claro o que está acontecendo neste playoff, né? O Oklahoma City Thunder, que abre o seu ginásio para o jogo 4 da série logo mais (22h, com Sportv), tem duas estrelas de primeira grandeza, mas tem conseguido aliar as habilidades de Westbrook e Durant a um jogo cada vez menos concentrado neles. Foi assim que o time bateu Mavs, Spurs e tem 2-1 contra o timaço do Warriors, que terá Draymond Green logo mais (o ala NÃO foi suspenso pela NBA após terrível chute em Steven Adams). Aí fica bom pra todo mundo – para os coadjuvantes, que aparecem a torto e a direito, e também para Russ e KD, que vêem as marcações dobrarem cada vez menos.

curry1Para o Warriors, há duas coisas que eles podem se apegar para o jogo desta noite em Oklahoma: a) até o momento a franquia não perdeu duas partidas consecutivas na temporada; b) Em 2015 o cenário foi parecido contra Grizzlies e Cavs. Em ambos os casos o time de Steve Kerr perdia de 2-1 e tinha o jogo 4 fora de casa. Venceu, empatou a série e fechou os duelos em 4-2. Não sei se serve de algo, mas o fato é que este time do Golden State consegue se recuperar bem após reveses.

curry20A dúvida é como os Warriors pretendem diminuir o ritmo do Thunder. A confiança do Oklahoma está lá no alto, bem como as peças cada vez mais ajustadas. O problema do Golden State, ao meu ver, não está em seu ataque, mas em como a sua defesa não tem tido respostas para o setor ofensivo do OKC – principalmente contra Adams, Ibaka e Kanter no garrafão. O Thunder, melhor time da NBA neste playoff (junto com o Cavs, que quase não foi testado), parece não ter limites em seu arsenal (já jogou com duas torres perto da cesta, com quatro abertos, com Waiters armando o jogo, com Durant perto da cesta, com Ibaka espaçando a quadra…). Se não conseguir resolver isso até mais tarde, há boas chances do GSW retornar a Oakland com um desagradável 3-1 na bagagem.


O jogo 3 da final do Oeste – quem vence logo mais em Oklahoma?
Comentários Comente

Fábio Balassiano

O Golden State Warriors sabia que não poderia nem pensar em perder na última quarta-feira e venceu o Oklahoma City Thunder por 118-91, empatando a final do Oeste e jogando de forma bem mais física para duelar contra os ‘Cavalos de Raça‘ do OKC.

thunder1O jogo 3 acontece hoje (21h, Sportv) em Oklahoma e é um dos mais importantes da série. O Thunder sabe que esteve muito abaixo na segunda partida e certamente este tempo entre os duelos foi bom para recuperar Steven Adams e Serge Ibaka, que sentem dores grandes desde o começo da pós-temporada. Se quiser vencer, é fundamental não só que seus dois cracaços (Russell Westbrook e Kevin Durant) estejam inspirados mas também que as peças de apoio (Adams, Ibaka, Andre Roberson, Dion Waiters e Enes Kanter contribuam – no jogo 2 nenhum deles conseguiu 10+ pontos).

curry1Pelo lado do Warriors, um ótimo sinal no jogo 2: o Thunder não pegou tantos rebotes ofensivos assim. Foram 7 do OKC contra (atenção) 14 do Golden State. Para um time que precisa de muito volume de jogo (Thunder) devido ao elevado número de desperdícios de bola, reduzir as posses de bola do rival é um ótimo sinal para Steph Curry e companhia. Curry, aliás, esteve ótimo no segundo duelo (28 pontos) e viu seus companheiros contribuírem com 10+ pontos (Klay Thompson, Andre Iguodala, Draymond Green, Harrison Barnes, Festus Ezeli e Marreese Speights).

O que acontece logo mais? Pro Thunder, abrir 2-1 significa manter o mando de quadra a seu favor. Para o Warriors, o triunfo dá tranquilidade para jogar os próximos duelos com o fator casa.


Com ‘cavalos de raça’, Billy Donovan eleva qualidade do Thunder no playoff
Comentários Comente

Fábio Balassiano

billy1Billy Donovan coçava o cabelo desde o primeiro minuto. O Oklahoma City Thunder não começava mal a primeira partida da final do Oeste contra o Warriors em Oakland, mas o treinador do OKC parecia não gostar do que estava vendo. Orientou uma vez, orientou a segunda e ali com quatro minutos pediu um tempo. Balançou a cabeça, falou algo com Maurice Cheeks (seu assistente) e puxou Russell Westbrook em um canto. O placar marcava 9-8 para o Golden State. Nada fora do comum, mas o estreante treinador precisava falar com seu time. Só que a conversa não adiantou muito. O GSW atropelou no final do primeiro período (27-21), aumentou ainda mais a diferença na segunda parcial (33-26) e foi para o intervalo com confortáveis 60-47.

thunderNo vestiário, Westbrook foi o que mais ouviu: “Billy estava chateado. Não estávamos seguindo o nosso plano de jogo. Era claro: ele me disse para ser agressivo e executar o que estava combinado. Ou eu atacava a cesta ou a gente seria aniquilado. Me deu carta branca para agir e foi isso que fiz”. Russ não teve dúvida. Fez, literalmente, o que mais gosta – atacar o seu marcador e destroçar a cesta. Fez 19 dos 38 pontos do Thunder, que venceu o período por 38-28 e se recolocou no jogo. Mesclou ataques simples a Steph Curry e Klay Thompson a passes para Steven Adams (16 pontos, 12 rebotes e 2 tocos), ajudando o seu time a vencer por 108-102, abrindo 1-0 na série e invertendo o mando de quadra logo de cara. “Jogamos como devemos jogar. Com nosso físico. Não vamos mudar isso. Se mudarmos, vamos perder”, afirmou Donovan ao final da partida.

billy2Está sendo fantástico ver o que o estreante treinador na NBA tem feito neste playoff (embora não seja um calouro na função, é o seu primeiro ano na NBA, onde o mundo em relação a NCAA, de onde ele veio, é bem diferente). Se na temporada regular o Thunder entregou a paçoca em um punhado de jogos, na pós-temporada o time se mantém firme mesmo em momentos críticos – depois de perder o jogo 1 contra o Spurs por 765 pontos, quando o mesmo San Antonio tentou se recuperar após estar perdendo por 30 pontos e contra o Warriors, quando o time das 73 vitórias abriu mais de 15 e parecia já estar com a vitória nas mãos. Se ainda é um time muito inconstante (normal para quem tem o genial imperfeito Russell Westbrook na armação – e isso não é uma crítica, mas sim uma constatação), ao menos dá pra ver que Billy Donovan tem conseguido explorar perfeitamente as habilidades dos seus jogadores, levando este mesmo OKC a um nível jamais visto nos anos de Scott Brooks (a comparação é inevitável).

billy4Donovan não mudou o estilo do Oklahoma. Não transformou um time de “cavalos físicos” em um equinos amestrados que só correm em caso de extrema necessidade. Temos Russell Westbrook? Então que ele corra e ultrapasse seu rival. Há Kevin Durant no elenco? Que ele domine o seu adversário, mesmo que seja no quase sempre difícil um-contra-um. Há Serge Ibaka, Enes Kanter e Steven Adams no garrafão? Que os gigantões se matem para pegar rebotes ofensivos, gerando mais oportunidades de cesta para um time que vira e mexe desperdiça posses de bola (na segunda-feira foram 11 erros e 10 rebotes ofensivos – um compensando o outro), e pontuem o máximo que conseguirem. Ciente que liga não se há outro trio de pivôs que combine força física, técnica, formas diferentes de pontuar (ganchos, tiros longos, arremessos de média distância e enterradas pós-picks), Donovan deu carta-branca para os jogadores das posições quatro e cinco para atacar a cesta sempre que possível. Com cavalos puro-sangue, ainda dá para conjugar um ataque veloz (embora estático na maioria dos momentos) com uma defesa sufocante de dar gosto. O OKC não marca tão bem como o San Antonio Spurs, mas nos momentos essenciais e quando precisa tem conseguido usar o físico do seu elenco para conseguir deter os rivais (o que os americanos chamam de “stops”).

west1O que acontece quando todos os itens acima vão para o liquidificador de Billy Donovan? Todo mundo sabe que o Thunder é o time de Westbrook e Durant. São os dois que irão decidir a maioria dos ataques. Mas não dá mais para deixar as outras peças livres – nem Andre Roberson, que tem se colocado cada vez melhor nas extremidades para matar os arremessos do corner. Se dobrar em Russ ou Durantula o resultado será o mesmo que Spurs e Warriors experimentaram – os gigantes e os demais alas vão punir as defesas com cestas de alto potencial de conversão e cada vez mais lances-livres (Adams cobrava 2,5 lances-livres/jogo na fase regular; no playoff o número saltou para 4,1). O que era previsível continua previsível (o armador e o camisa 35 irão pontuar horrores), mas nem tanto assim, causando confusão nas defesas adversárias até dizer chega. Se dobrarem em Westbrook e Durant, Adams, Ibaka, Kanter, Waiters e Roberson irão pontuar. Se marcarem individualmente, as duas estrelas barbarizam em cima de seus oponentes.

durantula1Ainda acho que o Golden State é o grande favorito a ganhar esta série. Mas o potencial físico do Oklahoma causou estragos no jogo 1 e deixou uma série de dúvidas na cabeça de Steve Kerr, técnico do Warriors. Muita gente (inclusive eu) tinha dúvidas sobre como o Thunder jogaria diante do GSW, que ama as formações baixinhas. O OKC não teve dúvida – manteve seu estilo e pagou pra ver como ficariam as rotações. Fez 40 dos seus 108 pontos no garrafão, defendeu muito bem e provou que o que aconteceu contra o Spurs não foi um golpe de sorte. Foi um golpe, mesmo, de estratégia de Billy Donovan, que tem conseguido potencializar as habilidades de Russell Westbrook e Kevin Durant não a favor deles próprios, mas para benefício do time.

San Antonio Spurs v Oklahoma City ThunderHá anos a gente queria ver como os dois atuariam, juntos, muitíssimo bem e em quanto seria impactado o restante do elenco com essa mentalidade mais altruísta da dupla. Spurs e Golden State, que perderam somados, três vezes em casa na fase regular, sentiram isso diante do Thunder. O OKC venceu os dois melhores times do Oeste três vezes neste playoff em quatro oportunidades. Como disse Russell Westbrook, “o trabalho ainda não acabou”. É muito prudente que o Golden State Warriors traga algo diferente para a mesa no jogo 2 de logo mais (22h). Voltar com 2-0 para Oklahoma é um sonho que nem o dono do OKC tinha até o começo da série.