Bala na Cesta

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Seleção feminina joga muito mal, leva surra do Japão e se complica no Rio-2016
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Fábio Balassiano

japa2Uma tragédia. Uma grande tragédia. Dá pra definir assim a segunda partida da seleção feminina na Olimpíada do Rio de Janeiro nesta segunda-feira. O time de Antonio Carlos Barbosa até que começou bem, abriu 20-19 no primeiro período, mas depois fez absolutamente TUDO errado, somou apenas 46 pontos nos três quartos seguintes e viu as japonesas reagirem para vencer com imensa tranqulidade. No placar final, os 82-66 dão exatamente a medida do domínio nipônico na tarde de hoje. Amanhã, menos de 24h depois desse vexame, as brasileiras medem forças com a Bielorrússia, que também tem 0-2 no torneio, às 15h30 em Deodoro. Derrota praticamente elimina a equipe.

japa4O jogo começou e o Brasil dominava as ações. Colocava Érika, Damiris e Clarissa em condições de pontuar perto da cesta, negava as infiltrações japonesas e parecia que controlaria totalmente a partida. Abriu vantagem de cinco pontos logo de cara, mas aos poucos as asiáticas foram entrando no jogo, ganhando confiança e fecharam a parcial perdendo de apenas um ponto (20-19).

A partir daí o domínio japonês começou. O segundo período foi um massacre de 28-13. O ataque brasileiro se precipitava (2/15 de três pontos, um terror!), a defesa não conseguia parar as rivais nem por decreto e o descontrole emocional fez com que os desperdícios de bola se acumulassem (ao todo foram 20 erros). No intervalo, sonoros 47-33 para as japonesas.

japa1O que era ruim ficou ainda pior na volta do vestiário. Barbosa não conseguiu fazer nada de diferente do que o apresentado na primeira etapa, e a repetição de erros e problemas fez com que a diferença das japonesas chegasse a quase 30 pontos. Iziane ainda tentava colocar o Brasil na partida, mas era muito pouco. No final do terceiro período, 73-52. Nos dez minutos finais o Brasil tentou, lutou, batalhou, mas a diferença não baixava da casa dos 15 pontos de modo algum. As japonesas, brilhantes em termos táticos e de disciplina tática, mantiveram a compostura, segurando a onda nos momentos mais complicados e fechando todas as portas de reação brasileira. No final, 82-66 e segunda vitória seguida no Rio-2016 para as asiáticas, que não venciam um jogo olímpico desde 2004.

japa3Amanhã o Brasil enfrenta a Bielorrússia às 15h30. Se perder, estará praticamente eliminado. Se vencer, terá ainda que bater Turquia e França para passar de fase. O otimismo depois da boa exibição contra a Austrália na estreia dá lugar, agora, ao pânico pela chance cada vez mais real de uma eliminação precoce na primeira fase. Como referência: nos últimos 14 jogos de Olimpíada o Brasil PERDEU 12 (1-4 em 2008 e 2012, derrotas em semifinal e jogo do bronze em 2004 e agora 0-2), algo absurdo.

Viu o jogo? Está chocado com a qualidade ruim da exibição brasileira?


Após boa estreia, seleção feminina tem primeira ‘decisão’ contra o Japão
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Fábio Balassiano

izi2No sábado a seleção brasileira feminina estreou no Rio-2016 contra a forte equipe da Austrália. Se não venceu (e no esporte não existem vitórias morais, sabemos bem), ao menos fez uma ótima exibição no primeiro tempo, quando chegou a vencer por mais de 10 pontos jogando um basquete solto, agressivo na defesa e recheado de contra-ataques provenientes da boa marcação imposta nas australianas. No final, as pernas cansaram, a intensidade caiu na segunda etapa e a derrota veio por 84-66 (último período desastroso de 13-27) apesar de magnífica atuação de Iziane, que fez 25 pontos (estava realmente em outra dimensão a ala!).

erika1Dá pra tirar, pelo lado positivo da coisa, o fato de o time de Antonio Carlos Barbosa ter jogado de igual pra igual contra a potente Austrália, algo que pouca gente acreditava tendo em vista os últimos resultados internacionais e a fase de preparação, mas aconteceu e dá confiança para as meninas que hoje enfrentam o Japão às 17h30 na Arena da Juventude, em Deodoro, na primeira decisão da Olimpíada do Rio de Janeiro.

Como as asiáticas venceram a Bielorrússia na estreia (primeira vitória japonesa em Olimpíada desde 2004), ao Brasil só resta realmente passar pelas nipônicas se quiserem avançar de fase. Neste grupo em que França e Austrália deverão disputar a primeira colocação e ninguém pode se dar ao luxo de ficar no quarto lugar (EUA do outro lado da chave), lutar pela terceira posição para sonhar com medalhas é praticamente imperativo.

damiris1E brigam por isso o Brasil, o Japão, a Turquia, que no sábado conseguiu ter dois períodos de menos de cinco pontos contra a França em sua estreia olímpica (três no segundo e quatro no último, algo bizarro), e a própria Bielorrússia.

A boa notícia para o Brasil é que as japonesas que estarão pela frente logo mais foram derrotadas duas vezes seguidas há menos de duas semanas em amistosos em Campinas (SP). A má é que nas duas últimas Olimpíadas (2008 e 2012) a seleção feminina perdeu seus dois primeiros jogos – e nos dois torneios foi eliminada na primeira fase.

izi3Para sonhar em passar para o mata-mata é imperativo que o time de Antonio Carlos Barbosa mantenha, por 40 minutos, a intensidade que apresentou contra a Austrália por três períodos e que conte com melhores atuações de jogadoras fundamentais, como é o caso de Érika, que fez apenas 3 pontos em 27 minutos (ela mesma admitiu que não foi bem). Se conseguir isso, se colocará muito perto de vencer o Japão, vencendo o primeiro jogo na competição.

Será que as meninas conseguem? Comentem!


Há 20 anos Seleção Feminina conquistava prata em Atlanta e se despedia da genial Hortência
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Fábio Balassiano

selecao2Como vocês podem notar, a Olimpíada de Atlanta foi especial para o basquete brasileiro. Em 1996 Oscar Schmidt se aposentou da seleção, e foi neste mesmo ano que a equipe nacional feminina conquistou a sua primeira medalha olímpica. Vindo do título mundial em 1994, na Austrália, o time de Miguel Angelo da Luz teve uma campanha incrível (7 vitórias em 8 jogos), venceu a Ucrânia na semifinal por 81-60, perdeu apenas a final para os Estados Unidos e ficou com a prata 20 anos atrás. Veja um pouquinho:

Aquele torneio olímpico de Atlanta também marcou a despedida de Hortência do basquete (e consequentemente da seleção brasileira. Veja no vídeo abaixo:

hortencia1Integrante do Hall da Fama, Hortência foi cestinha de quatro mundiais, campeã do mundo (1994), Pan-Americana (1991), medalha de prata em Atlanta e fazia de tudo na quadra com a bola nas mãos.

Era leve para perfurar as defesas nas infiltrações, cerebral no um-contra-um, letal nos arremessos longos, concentrada nos lances-livres (seu ritual é conhecido até hoje…) e fria nos momentos cruciais dos jogos.

Pouca gente lembra, mas na Olimpíada de 1996 ela tinha acabado de ser mãe de João Victor, que, 20 anos depois, disputará as provas de adestramento no Rio-2016. Mesmo assim teve 13,3 pontos de média (dois jogos de 20 pontos, inclusive o da semifinal contra a Ucrânia, quando não deu a menor chance para Maryna Tkachenko). Dois anos antes, no Mundial de 1994, Hortência teve 27,7 pontos de média, anotando 20+ pontos em TODOS os oito jogos daquela competição (foi eleita a melhor do campeonato, claro).

hortencia2Por fim, faço também uma mea-culpa importante. No período em que esteve à frente do departamento feminino da Confederação, fui, sem sombra de dúvida, o maior crítico do trabalho dela. Acho de fato que ela não fez um bom trabalho (sobretudo na troca de técnicos), mas olhando hoje o cenário do basquete brasileiro e comparando com a sua passagem dá pra dizer: 1) Com este modelo atual de “gestão” da CBB é impossível que qualquer ser-humano faça um bom trabalho. A falta de competência de Carlos Nunes e companhia é tão surreal que impede qualquer mínimo avanço; 2) Se Hortência errava como Diretora, ao menos ela tentava fazer algo pelo feminino. Hoje em dia, lá dentro da entidade máxima, a modalidade está literalmente largada, jogada às traças, o que é uma pena absoluta; e 3) Como personagem forte do esporte, ela conseguia trazer patrocinadores, mídia e respeito às meninas, algo tão pouco visto atualmente na seleção.

hort4Nada, porém do que aconteceu fora das quadras, mais especificamente na CBB, diminui o tamanho do mito esportivo que foi Hortência, craque até dizer chega (quem não a viu jogar, é possível encontrar alguns de seus ótimos momentos no YouTube).

Hortência é sem dúvida alguma uma das melhores atletas que o basquete já viu em todos os tempos. Uma das mais completas, uma das mais complexas de se desvendar dentro de uma quadra de basquete. Uma das mais imarcáveis de todos os tempos. Daqueles gênios que surgem de 100 em 100 anos. Ela saiu da seleção há 20 anos. O basquete brasileiro nunca mais foi o mesmo.


As 12 de Barbosa e a preocupante preparação olímpica da seleção feminina
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Fábio Balassiano

barbosa1O técnico Antonio Carlos Barbosa, que nesta semana carregou a tocha em Americana, divulgou as 12 atletas que representarão o país no Rio-2016 (Patricia e Karina foram as últimas cortadas). Vamos à lista:

Armadoras: Adrianinha e Tainá
Alas: Tati, Iziane, Palmira, Ramona e Joice
Pivôs: Érika, Clarissa, Damiris, Nádia e Kelly

dupla1Antes de falar do elenco, quero dizer apenas o seguinte: teve MUITA gente sabendo MUITO antes das atletas cortadas a lista final. É um desrespeito muito grande, muito grande mesmo com as jogadoras.

Sobre o elenco final de Barbosa, há duas constatações: 1) Não há motivo algum para sermos otimistas com a seleção feminina, pois o grupo não inspira a menor confiança; 2) Se está ruim hoje, ficará pior amanhã. E explico: a média de idade de quase 30 anos evidencia um basquete feminino envelhecido. Seria ruim se fosse “só” isso, mas a verdade é que além da data de nascimento avançada este é, com uma ou outra opção, o melhor que o treinador poderia chamar. Sem divisões de base fortes, sem clubes formadores desenvolvendo atletas, sem times da LBF abrindo espaço para as mais jovens, era o que realmente tinha na mesa para o veterano técnico escolher. Ou seja do ou seja: após 2016 será um sufoco maior do que o que estamos vivendo atualmente (se é que isso é possível).

isa1Se um elenco não muito forte e envelhecido não fossem pra lá de preocupantes por si só, o que dizer da preparação feminina visando a Olimpíada do Rio de Janeiro? Até agora foram 654 amistosos contra times masculinos de divisões de base (achei que este tipo de expediente tivesse se encerrado na década de 80…), três jogos (e derrotas acachapantes) na França (sem Érika e Clarissa, que se apresentaram no começo desta semana….) e virão mais dois amistosos contra o Japão e um contra Sérvia e China.

rio2016Na boa, vamos ser sinceros: alguém acha isso suficiente? Talvez alguém lá da CBB creia que está tudo muito bem. Desculpem, não está. Barbosa assumiu a seleção antes do evento-teste. Pegou um grupo esfacelado devido a briga entre clubes da LBF e Confederação. Agora, quando poderia colocar as meninas em ritmo, terá apenas três amistosos válidos (os contra a França em que não teve o elenco completo).

O time não inspira confiança, a torcida não encherá os ginásios (ainda há ingressos disponíveis para todos os jogos da seleção feminina) e a preparação está longe da ideal. Dá pra confiar que a seleção feminina fará um bom papel no Rio-2016? Torço pra estar redondamente enganado, mas até o momento a resposta é um sonoro não…


Brasil segue vencendo no Sul-Americano feminino da Venezuela
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Fábio Balassiano

iziane2Quase ninguém está acompanhando (uma pena!), mas a seleção brasileira está em Barquisimeto, na Venezuela, disputando o Sul-Americano Feminino adulto (a ESPN está exibindo). Venceu o Uruguai na 6a feira (115-42), o Chile no sábado (104-54) e agora há pouco bateu a Colômbia por 76-55 com 22 pontos de Iziane (17 na segunda etapa) em uma exibição bastante irregular (alternou momentos muito bons, como o do terceiro período, com lapsos, como o do primeiro quarto).

nadia1A verdade é que o Sul-Americano serve apenas para o técnico Antonio Carlos Barbosa dar ritmo de jogo às atletas. Mais do que isso, não. Os adversários são todos bem fraquíssimos (Argentina e Venezuela, os melhores, nunca ofereceram resistência). Tanto é assim que o nível de concentração das atletas brasileiras fica bem abaixo do que é aceitável em alguns momentos. É natural, é do ser humano isso.

izi3O Brasil tem, portanto, usado o torneio para testar ações, formações e evoluir em termos técnicos e físicos. Algumas atletas têm aproveitado para ganhar a confiança da comissão técnica, como Nádia (foto acima – 15 pontos e 11 rebotes hoje) e Kelly (14 pontos e 8 rebotes neste domingo).

O Brasil enfrenta o Paraguai na terça-feira (20h) para fechar a fase de classificação. Logo depois jogará a semifinal e provavelmente a final. Vamos tentar ver a melhora do elenco de Antonio Carlos Barbosa, mas não dá para traçar uma análise mais forte em relação a que posto este time irá postular na Olimpíada de 2016 quando os adversários deste Sul-Americano são tão fracos assim. Aguardemos os amistosos preparatórios de ótimo nível (se é que virão) ou o próprio torneio olímpico do Rio de Janeiro.


Barbosa cumpre promessa, e seleção será ‘cascuda’ na Olimpíada
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Fábio Balassiano

adri2Saiu na última sexta-feira a convocação olímpica do técnico Antônio Carlos Barbosa para a seleção brasileira feminina.

Com 15 atletas e média de idade de 30,2 anos, vieram todos os nomes esperados, inclusive o da armadora Adrianinha, que anunciou duas vezes a sua despedida do time nacional mas que está de volta para, aparentemente, encerrar a sua carreira na equipe nacional no Rio de Janeiro.

trio1Aqui já cabe a primeira explicação. Barbosa convocou as meninas para o Sul-Americano, mas chamo de lista olímpica porque de alteração mesmo só haverá a entrada (já certa) das três atletas que estão na WNBA (Damiris, Erika e Clarissa) e que se apresentam perto dos Jogos Olímpicos (as duas ultimas, como ele antecipou ao blog, com uma semana antes da regra da liga norte-americana).

nadia1Temos, então, 9 vagas em disputa para as 15 meninas que treinarão a partir de maio com a comissão técnica em Campinas, São Paulo. As pivôs (Êga, Gil, Kelly, Karina e Nadia – na foto) são as que correm mais risco de não ficarem, pois as 3 da WNBA jogam no garrafão. Vale dizer, desde já, que o Sul-Americano será o único torneio oficial de Barbosa com a seleção em seu retorno a equipe nacional. Convocar um grupo para esta competição e outro para a Olimpíada não faria sentido algum.

barbosa20Em segundo lugar, vocês sabem que desde sempre defendo uma renovação na seleção brasileira feminina. Defendo, mas em uma Olimpíada (em casa e com a situação deplorável do basquete feminino) não é o momento para experiências. A renovação pedida por mim deveria ter COMEÇADO em 2012, pós-Londres, e culminado no Rio de Janeiro quatro anos depois com atletas já tendo passado por Mundial, Pan-Americano, clínicas, treinos específicos, tempo de quadra no clube e muito mais.

barbosa3O Rio-2016 seria, portanto, o ponto final de um processo de amadurecimento e fortalecimento dessas jovens que teria iniciado quatro anos atrás. Como isso não aconteceu devido ao péssimo trabalho da Confederação e também graças à teimosia dos clubes, que insistem em dar espaço às veteranas, pouquíssimas jovens de até 23/24 anos estão aptas a disputar uma Olimpíada no Rio em um momento tão crítico da modalidade.

Em terceiro lugar há uma palavrinha mágica chamada “sustentabilidade”. Sustentabilidade do negócio chamado basquete feminino. Vivemos um momento péssimo no basquete feminino (momento, diga-se, de mais de uma década). Clubes brigando com CBB, CBB andando pra modalidade e nenhuma nova ideia surgindo. Chegar lá embaixo em uma Olimpíada em casa poderia ser a pá de cal em um esporte que morre lentamente há anos. Isso, aliás, não deve ser tirado do contexto.

barbosa1E Barbosa não é doido ao ponto de achar que pode dar provavelmente a sua última grande tacada com a seleção feminina com um grupo verde, cru, sem rodagem. O veterano treinador tem um currículo de conquistas, não quer manchá-lo (disse isso aqui no blog) e confia plenamente que pode colocar o Brasil entre os melhores com as atletas disponíveis (as mais experientes). O pessoal da CBB o trouxe de volta já sabendo disso – e provavelmente esperando isso também. Pedir a convocação de meninas de 17/18 anos que mal conhecem o jogo adulto é não só ingênuo como não coloca o momento (citado acima) na equação.

barbosa8Colocando tudo dentro do processador (técnico que confia ser possível ir longe com um grupo rodado, má fase da modalidade e meninas jovens sem força alguma para liderar uma equipe em uma Olimpíada em casa) entende-se a convocação e encontramos coerência nela. Existe obviamente essa chance (de ir muito mal) com as veteranas que lá estarão, embora o técnico Antonio Carlos Barbosa esteja pra lá de otimista, mas o risco disso acontecer é naturalmente menor do que em se apostando em um grupo de média de idade de 20, 21 anos.

Pode-se discutir o momento (eu esperaria acabar a LBF para não gerar frustração em quem ainda está atuando e acabou ficando fora da lista), um nome ou outro (eu levaria Izabella Sangalli, titular e em boa fase em Americana), mas no fundo, no fundo, o veterano treinador, cujo objetivo é chegar a uma (até agora) surpreendente medalha, não tinha muito pra onde correr.


Barbosa afirma que Érika e Clarissa serão liberadas antes da WNBA
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Fábio Balassiano

A Parte I você leu aqui ontem

erika1BALA NA CESTA: Como vai ficar a questão da WNBA? As meninas serão liberadas antes?
ANTONIO CALROS BARBOSA: Aí uma notícia que lhe dou em primeira mão. A Adriana Santos (Supervisora) está sendo uma grande parceira neste sentido. Equilibrada, de ação e muito responsável. Ela conversou com o Fábio Jardine, empresário da Érika e Clarissa, e conseguiu que ambas joguem até o dia 15, chegando para se integrar ao grupo no dia seguinte e uma semana antes do previsto. Já são 21 dias antes e com elas vindo de ritmo de jogo. A questão da Damiris ainda está em aberto, mas estamos tentando a mesmíssima coisa. Quando eu fui pro Mundial da China, em 2002 e fomos sétimos lugares, a Janeth e a Helen encontraram comigo sabe aonde? Em Guarulhos, no Aeroporto. Não treinaram nada comigo. A Érika jogava no Los Angeles Sparks foi encontrar comigo no meio do caminho. Fui ter as 12 que jogariam a competição uma semana antes de começar o torneio. Já foi bem pior, viu…

barbosa3BNC: Sobre a preparação, como vai ser? O que já temos de certo?
BARBOSA: A CBB tinha um esboço de programação já há muito tempo. Só que não dá culpar a Confederação por tudo porque o convênio só foi assinado recentemente. Com a confirmação da verba podemos planejar melhor. Agora a Adriana contatou Espanha, França e outras seleções para fazermos amistosos. Teremos um Sul-Americano de 21 a 27 de julho na Venezuela, iremos completos, mas sem as da WNBA. Jogaremos com Cuba, provavelmente, e estamos programando amistosos na Europa. Nós não podemos contar só com os times que chegam uma semana antes aqui. Precisa de jogo, jogo mesmo, com arbitragem, torcida, imprensa, pressão. Nós iremos acertar, pode ter certeza disso. Iremos acertar isso no Pré-Olímpico Mundial que irei com a Adriana na França. Iremos acompanhar os nossos rivais, mas também para acertar esses amistosos.

barbosa1BNC: Dá pra perceber um otimismo muito grande em você com relação a esta equipe.
BARBOSA: Essas meninas não desaprenderam a jogar basquete, Bala. Temos uma base. Você não pode dizer que um time com Iziane, Adrianinha, Clarissa, Damiris, Érika e Nádia não seja uma equipe altamente competitiva. E tem mais, Bala. Você sabe disso. Eu acompanhei os últimos campeonatos aí, e na Olimpíada passada a França ficou com o vice-campeonato. Não é um timaço de bola, uma equipe brilhante, não. É um time, sim, bem treinado, organizado, que joga junto há muito tempo, que faz sempre amistosos de bom nível e que tem uma confiança muito grande. Se nós trabalharmos bem, temos chance. E o grande trabalho que temos que fazer com elas não é o técnico ou tático, não, mas sim o de resgate da confiança delas. É o resgate da autoestima delas.

barbosa2BNC: Podemos esperar um Barbosa ainda mais falante, passando confiança para este grupo então?
BARBOSA: Creio que sim. Mulher é diferente de homem. Tratá-las da mesma maneira, no sentido de liderá-las, é um equívoco. O nível de sair do ponto, de sair do ponto de equilíbrio, é muito sutil. Então não adianta você perder um jogo que não estava no seu programa perder e virar um caminhão de bronca em cima das meninas. Não adianta nada, nada mesmo. Eu, por exemplo, acabo o jogo e não entro em vestiário nem pra elogiar e nem pra dar bronca. Entro no ônibus, fico lá esperando e vou falando uma a uma. Se perdemos, falo um “parabéns, você foi muito bem. Não deu hoje, mas amanhã nós vamos melhorar” e tento mostrar a elas, sutilmente, o que podemos fazer de diferente no dia seguinte no treinamento. Elas sabem que eu sou um cara que segura a bronca, e não que as expõe perante a opinião pública. Talvez estivesse faltando um pouco disso antes.

barbosa4BNC: Nas suas entrevistas você mais do que as entrevistas tem dado recados às meninas. É assim mesmo, mais a parte psicológica do que a técnica?
BARBOSA: Olha, Bala, a qualidade técnica delas é indiscutível. A parte técnica delas é boa. Elas não são jogadoras ruins, não. Bem longe disso. A minha filosofia de jogo, você sabe como é, eu faço de acordo com as jogadoras que tenho – e não o contrário. Eu preciso me adaptar ao que terei em mão, e não fazer com que elas se adaptem ao que eu penso de basquete. Isso não faço. Se você voltar aos meus tempos de técnico, a Janeth arremessava basicamente em duas posições. Era tudo planejado para isso. As pivôs sempre recebiam bolas, muitas bolas. É algo que olho muito para este elenco. Nós temos quatro, cinco pivôs de alto nível. Qual seleção tem isso hoje em dia no mundo?

trio1BNC: Você fala dessa questão de pivôs, e de fato uma das grandes críticas que se fazia a seleção é que não havia jogo com as meninas perto da cesta. É por aí que passa o sucesso da equipe na Olimpíada?
BARBOSA: Na Olimpíada de 2000, inclusive, a Alessandra foi uma das cestinhas. A Alessandra sempre foi muito municiada, como acredito que teremos que fazer com estas meninas. No evento-teste a Érika fez 20 pontos contra a Austrália. Há quanto tempo ela não fazia isso? O sistema precisa fazer sentido para a jogadora.

barbosa6BNC: Uma coisa me chamou a atenção é que deu pra sentir a seleção feminina mais confiante em quadra no evento-teste. Por mais que não seja o time que irá a Olimpíada…
BARBOSA: Foi um catado aquilo ali, né?

BNC: Pois é. Mas tirando toda confusão que houve, qual a sua emoção de retornar à seleção depois de quase nove anos?
BARBOSA: Foi extremamente gratificante retornar. Primeiro porque eu não imaginava a aceitação imensa que eu tive das meninas e da própria imprensa. Não houve crítica, não houve barulho. O grande negócio é você ir de encontro à expectativa que se cria. O Feminino tentou inúmeras coisas: um que veio de fora, um do masculino, novo, velho e nada certo. Então eu volto sem nenhuma expectativa por resultado. Costumo dizer que um homem maduro é aquele diminui a distância entre os momentos tristes e os alegres. Hoje em sinto assim.

barbosa8BNC: Eu sempre apoiei a renovação na seleção feminina, mas não simplesmente trocar a mais velha pela mais nova. O que sempre achei certo era colocar as mais jovens, dando subsídios a elas para crescer com a equipe nacional. Isso não aconteceu e pelo que vejo de você não tem essa mais de levar novinha, né? Vão as 12 melhores, mesmo que estas 12 tenham 45, 50 anos, certo?
BARBOSA: É por aí mesmo. Primeiro: a mulher, com exceção das grandes gênios que conhecemos (Hortência, Paula, Janeth etc.), chega a um amadurecimento técnico ali pelos 26, 27 anos. Então as coisas demoram. A renovação não foi mal sucedida, algumas jovens eu irei aproveitar, mas é preciso ter calma com elas. As que não foram no evento-teste perderam uma chance, não serão retaliadas, mas quem veio obviamente sai na frente. A Isabela Ramona foi muito bem, por exemplo. Estou de olho em algumas que gosto muito, como Paty, Taty Pacheco e Tainá também. Olimpíada é momento.

barbosa20BNC: Por fim, qual a sua expectativa real para a Olimpíada?
BARBOSA: A gente não pode ter medo de pensar grande, de ter expectativas positivas. Se a gente não chegar ao pódio, nós iremos chegar próximos. Na minha cabeça não aceitaria ficar fora dos oito. E ali, entre os oito, é um jogo que define se você irá brigar por medalha ou não. Você lembra o que aconteceu conosco na Olimpíada de 2000? Perdemos um jogo na fase de classificação contra o Canadá que não era pra perder. Fomos cruzar contra a Rússia, segunda colocada do outro grupo, nas quartas-de-final. Ganhamos delas e depois ficamos com o bronze. Temos que ter isso em mente. Nos posicionar da melhor maneira entre os oito e, ali sim, fazermos um jogo muito bom para quem sabe almejar a medalha.


Sem medo, Barbosa ignora passado ruim da seleção feminina e mira pódio
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Fábio Balassiano

Antonio Carlos Barbosa está otimista. Está otimista que, aos 70 anos, conseguirá colocar o basquete feminino nos trilhos nesta nova passagem no comando técnico da seleção brasileira feminina adulta nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. O blog conversou com ele sobre todos os aspectos dos Jogos de 2016, seu passado, sua chegada, o Evento-Teste que serviu muito pouco pra ele e como a equipe nacional tentará voltar a disputar uma competição como protagonista. O papo com Barbosa foi de uma sinceridade incrível, fluiu bastante e será dividido em duas partes. A segunda será divulgada amanhã.

barbosa1BALA NA CESTA: Os grupos olímpicos foram sorteados há duas semanas. O que você achou da chave do Brasil? Ainda faltam três seleções, mas já dá pra começar a pensar nos adversários, não?
ANTONIO CARLOS BARBOSA BARBOSA: Eu penso assim: em Olimpíada você não tem muita opção, escolha. Fugir dos Estados Unidos na primeira fase, como aconteceu conosco agora, pode significar, em caso de uma primeira fase ruim, encontrar com as americanas logo nas quartas-de-final. E isso é algo que ninguém quer, né? Isso pra mim não me passa pela cabeça. No nosso grupo ainda virão três times que serão sorteados. Podem cair Espanha ou França conosco. É um grupo bom com Japão e Austrália. A Austrália é um time com algumas jogadoras veteranas (Nota do Editor: a experiente Lauren Jackson anunciou ontem a sua aposentadoria). Nosso foco tem que ser estarmos preparados da melhor maneira possível, isso sim. Continuo confiante.

barbosa5BNC: Queria retornar um pouco, antes de começar a falar do seu time para a Olimpíada. Você esperava voltar a ser técnico da seleção brasileira feminina de basquete, cargo que exerceu até o Pan-Americano de 2007?
BARBOSA: Não, sendo bem sincero para você eu não esperava. Eu imaginava que poderiam me chamar para uma ajuda a seleção como Coordenador, Supervisor, algo que eu poderia colaborar. Aqui no Brasil comete-se um equívoco muito grande de pegar a experiência que o técnico adquire ao longo da sua vida e jogar no lixo. Tudo aquilo que o treinador aprendeu durante a sua carreira fica com ele. Mas de repente, principalmente quando acirrou aquela briga entre os clubes e a Confederação, eu imaginei, sim, que poderia voltar a ser lembrado para o cargo de técnico.

barbosa1BNC: Foi quando o Vanderlei, no meio daquela confusão toda entre clubes e CBB, te telefonou, certo?
BARBOSA: Quando o Vanderlei me ligou, eu estava em Bauru e ele me disse: “Eu preciso de você”. Não entendi exatamente em que função, e respondi a ele: “OK, mas de mim exatamente em que posição?”. No que ele disse: “De técnico”. Acabei topando um dia depois, mas pedi alguns minutos para pensar e te explico o motivo. Não preciso provar mais nada pra ninguém, mas você tem que mensurar o que uma nova experiência pode te causar de dissabor. Estou numa idade que não quero mais aborrecimento. Aborrecimento, neste caso, é ouvir críticas de anônimos colocando bobagens a seu respeito, por exemplo. Não tenho mais saco pra isso. Só que acabei pesando tudo aquilo que eu já passei pelo basquete e pensei: “Preciso encarar essa”. Já passei por tantas, e uma a mais ou uma a menos não faria tanta diferença no meu histórico. Acompanhei todos os jogos da seleção brasileira feminina desde que saí do cargo em 2008 e não acho, sinceramente, que o basquete feminino brasileiro seja uma causa perdida.

barbosa4BNC: Você falou sobre a questão do dissabor. Não preciso falar do seu currículo, mas no barato do barato você tem uma medalha de bronze na Olimpíada de 2000, na Austrália, e isso já é coisa pra cacete. Você está preparado para o caso do Brasil não ir bem na Olimpíada de 2016, algo que é extremamente possível?
BARBOSA: Vou dizer uma coisa pra você com toda sinceridade do mundo. Eu sou do interior. Sou de Bauru, vivo em Bauru e não creio que sairei daqui. E o cara do interior não pincela, não enrola muito, vai direto ao ponto. Duro pra mim foi assumir a seleção no lugar do Miguel Ângelo da Luz em 1996. Ali foi difícil, porque estava no topo, no auge. Ali foi fogo. Nós fomos quarto colocados no Mundial de 1998 na Alemanha, perdendo por cinco pontos sem Hortência e Marta e as pessoas ficaram insatisfeitas – no que estavam certas porque tinham se acostumado com medalhas recentes. Agora, hoje em dia, como diz o Tiririca, pior do que está não fica, não. Então eu não posso ter dissabor. Se melhorei, ótimo. Se não for bem, só não consegui tirar do lugar em que se encontra. Então minha responsabilidade é relativa. Se quisesse me esconder atrás do meu passado eu não assumiria. O que nunca tive em minha vida foi medo de correr atrás de resultados. Estou voltando a seleção para tentar levar essas meninas ao pódio olímpico. Simples.

trio1BNC: Bacana também a frase e você dizer que não acha o feminino uma causa perdida. Mas aí te faço uma pergunta: o basquete feminino não é uma causa perdida, a seleção não é uma causa perdida ou os dois não são uma causa perdida?
BARBOSA: Olha, eu vou contar uma história. Com a idade que eu cheguei, você armazena muita experiência e tem muita coisa pra passar a jovens como você. Quando o Brasil foi campeão do mundo em 1994, o campeonato paulista tinha cinco equipes. A CBB fazia uma Taça, na época, que era a Taça Brasil. Vou utilizar o termo “catação”, que era o que a Confederação fazia na equipe para agregar times femininos ao torneio. Juntava-se o que era possível nos Estados para se fazer a competição. E fomos campeões do mundo. No ano seguinte o campeonato paulista teve 10 equipes. O primeiro nacional feminino, em 1998, tinham oito equipes, mas a Confederação bancava quase tudo. Os resultados positivos da seleção é que proporcionaram o crescimento da modalidade. É tudo muito cíclico e instável, não há dúvida disso.

trio1BNC: Mas não te deixa assustado o atual momento da modalidade? Antes tinham Paula, Hortência e Janeth, né? Por pior que fosse a estrutura as craques salvavam…
BARBOSA: Preocupa muito, mas não me assusta, sinceramente falando a você. Seria leviano dizer que a situação é confortável. Estou vendo, é verdade, que de uns tempos pra cá o feminino está muito dependente do poder público. Poder público é prefeitura, que ajuda a manter a maioria dos times. No masculino alguns times já conseguiram se libertar disso. Essa dependência de prefeitura me preocupa no feminino. A prefeitura vai tirando o pé e a equipe acaba sofrendo as consequências. Aconteceu lá em Americana, em Santo André, São Caetano, São Bernardo, um monte de cidade. Agora, em termos de seleção, eu não vejo esse cenário de terra arrasada, não. Ao contrário de alguns colegas meus, que quando estava na seleção pegavam o microfone para tacar pedra em mim, nunca fiz isso quando os outros estavam lá. Eu não posso te dizer o que os outros fizeram ou deixaram de fazer, mas te falo o seguinte: não éramos para ficar onde acabamos ficando em Mundiais e Olimpíadas. Não mesmo. Este não é o nosso lugar no cenário do basquete feminino.

barbosa6BNC: Desde 2006 é nono pra baixo, você sabe disso, né?
BARBOSA: Sim. Eu saí em 2007 no Pan-Americano do Rio de Janeiro e depois não aconteceu mais nada. O que acho que atrapalhou muito foi uma falta imensa de sequência de trabalho. Um ano era um técnico, no outro era outro. Nenhum treinador conseguiu dar uma cara. Porque por mais que seja uma cara feia, quando você fica por algum tempo em um time você acaba moldando a equipe de alguma maneira. E ninguém conseguiu isso. Então eu acho assim: nós temos sete jogadoras que ou estão ou que já passaram pela WNBA. E a WNBA, você sabe, Bala, é a nata total do esporte, um círculo mais fechado até do que a NBA. Então não é possível que em um elenco de 12 atletas, com sete deste nível a gente fique tão lá embaixo.

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Ao menos no sorteio olímpico seleção brasileira feminina se deu bem
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Fábio Balassiano

femininoOntem analisei aqui o cenário que ficou preparado para a seleção masculina após o sorteio olímpico realizado na sexta-feira. Mas o que aconteceu para a equipe nacional feminina dirigida por Antonio Carlos Barbosa? Em uma primeira vista, as meninas se deram até que bem. Antes de explicar, ressalto que, tal qual com os rapazes, os cinco times que sairão do Pré-Olímpico Mundial serão sorteados (três pro grupo brasileiro, dois para o dos Estados Unidos).

franca1Para as meninas a dificuldade será claramente menor do que a que poderia acontecer. Ainda há três equipes que entrarão na chave, e pode ser que ali entrem, por exemplo, Turquia, Espanha e França (atual vice-campeã olímpica e na foto ao lado), o que torna tudo mais difícil. Mas pelo que já temos, é possível comemorar que a Sérvia, campeã europeia, não está na chave brasileira – e muito menos os Estados Unidos. Com isso, entraram de cara Austrália (com o final de sua melhor geração – em viés de queda, é bom que se fale isso) e o Japão, país que o Brasil historicamente sempre se deu bem devido ao potencial físico maior.

barbosa1Se não é o melhor dos mundos, pois em Olimpíada não há nada tranquilo, ao menos não há bicho de sete cabeças no grupo, embora a ordem dos primeiros jogos (Austrália em 6/8 e Japão no dia 7 ou 8) pudesse ser invertida. Sorte maior seria apenas se Senegal viesse no lugar do Japão, mas aí seria pedir demais.

O problema da seleção feminina, portanto, não está na chave que será formada. O problema, e isso sabemos bem, é o dentro de quadra (a parte técnica e tática mesmo). Com o aporte do Ministério do Esporte espera-se que a CBB dê a Barbosa e ao elenco ótimos amistosos e uma preparação impecável. Se isso acontecer, e se o treinador conseguir dar um bom padrão de jogo para um grupo que, diga-se, não é lá muito forte, aquele mico colossal que todos esperavam pode ser que não aconteça.

barbosa1Mantenho meus dois pés atrás em relação a seleção feminina nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A diferença é que depois de sexta-feira creio que a eliminação não acontecerá na primeira fase – como muita gente estava projetando.

Creio que a equipe avance às quartas-de-final, e aí vai depender do cruzamento para chegar a uma semifinal. Tem muita coisa para acontecer ainda, mas o começo de 2016 para Barbosa e companhia está sendo razoavelmente animador. O foco, agora, é treinar – e treinar bem – para entrosar o grupo até a estreia olímpica.


WNBA lança calendário, e preparação do Brasil será ‘testada’
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Fábio Balassiano

mayaA WNBA divulgou ontem o calendário da temporada 2016. A liga norte-americana começará no dia 14 de maio, e terá seu final em outubro. Até aí, nada demais, né?

Mas há uma observação interessante. Como sempre acontece em ano olímpico, o campeonato vai parar entre 23 de julho e 25 de agosto. Vale lembrar que além das 12 atletas dos EUA, como Maya Moore e Diana Taurasi, que estão na foto ao lado, serão mais de 25 jogadoras internacionais do campeonato no Rio de Janeiro entre 5 e 21 de agosto para a disputa das medalhas.

IMG_8828Aí a preparação da seleção feminina será testada. E explico. Até o momento, as três melhores jogadoras do país em atividade jogam na WNBA. Clarissa e Érika, no Chicago Sky. Damiris, no Atlanta Dream. Ainda não se sabe se as três jogarão a temporada da liga norte-americana, mas tudo leva a crer que sim (e é bom que a Confederação Brasileira trabalhe sempre com este cenário – o menos positivo, ou o mais provável que aconteça). Nádia e Iziane, que já passaram por lá, aparentemente não voltam.

barbosa1Como disse acima, a preparação será testada mais uma vez, só que dessa vez com um agravante – o fato da equipe nacional ter um novo treinador. Recém-chegado, Antonio Carlos Barbosa, que não teve o evento-teste para entrosar absolutamente nada, como disse aqui anteriormente, deve coçar os cabelos com força. Em uma rápida olhada no calendário vemos o seguinte: Atlanta Dream e Chicago Sky, o time das brasileiras, jogam no dia 22 de julho. Caso elas peguem o primeiro avião, chegam ao Rio de Janeiro no dia 23. A estreia na Olimpíada está marcada para o dia 6 de agosto. Menos de 15 dias de preparação com o elenco completo então. Preocupante, né?

erika1Aqui, aliás, cabe uma importante reflexão. As duas atletas (Érika e Clarissa) que usaram a palavra ‘patriotismo’ para falar do amor em defender a seleção da péssima CBB no evento-teste do Rio de Janeiro usarão o mesmo expediente agora, na véspera da Olimpíada mas ao mesmo tempo trabalhando para seus clubes na WNBA? Será que elas sairão da liga norte-americana para treinar por mais tempo com o time de Antonio Carlos Barbosa, ou chegarão na véspera dos Jogos começarem? Não custa lembrar que a LBF terminará no máximo no final de maio, com as meninas em atividade no país à disposição do treinador no mínimo três meses antes da estreia. Vale, desde já, ficar atento a este movimento (de palavras e de atitudes) de Érika e Clarissa. Ficaremos de olho na coerência de seus atos.

barbosa1Pelo sim ou pelo não, a preparação da CBB será testada. Será que não vale enviar a equipe para a Europa, onde será disputado o Pré-Olímpico Mundial, e enchê-las de amistosos contra seleções de bom nível? Seria uma boa alternativa, imagino. Não custa perguntar: o que será que a Confederação tem em mente para o período de preparação das meninas? Ninguém viu ainda o calendário de treinos e jogos. Não seria transparente e inteligente divulgar, se é que há algo pronto em relação a isso?

É bem provável que Barbosa faça uma convocação ampla, abrangente, e faça seus últimos cortes quando as atletas da WNBA chegarem (algo bem cruel para quem estará treinando há mais tempo, mas infelizmente é assim que as coisas funcionam).  O problema, com isso tudo, é que com ou sem a tesoura do experiente treinador a seleção feminina, cuja parte técnica é abaixo da crítica, estará absolutamente sem conjunto para os Jogos Olímpicos. Se treinando 45, 60 dias junta a equipe já não teria muita chance, o que dizer das chances do time com menos de um mês com o grupo completo?