Bala na Cesta

Arquivo : Pinheiros

Com vitória do seu Paulistano, o alegre retorno de Georginho ao Pinheiros
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Fábio Balassiano

george1Aconteceu na noite desta quarta-feira em São Paulo o primeiro encontro entre Georginho e seu ex-clube, o Pinheiros, em um jogo de NBB. E foi um retorno feliz o do agora armador do Paulistano ao ginásio Henrique Vilaboim.

O camisa 32, cada vez mais líder de seu time, despejou 20 pontos, 7 rebotes, 7 roubos de bola e 4 assistências (26 de eficiência) e ajudou o Paulistano, que agora tem 5-4 (quatro vitórias nos últimos cinco jogos), a vencer o Pinheiros fora de casa por 92-77 em partida válida pelo turno do NBB. Recuperando-se de lesão no joelho, Lucas Dias, ex-pinheirense também, jogou por 11 minutos e teve cinco pontos.

george1Já havia escrito aqui sobre o começo esplêndido de Georginho neste NBB (o primeiro em que é protagonista e tem real tempo de quadra em sua vida). Aos 20 anos, ele agora tem as médias de 13,8 pontos, 5,9 rebotes, 4,8 assistências e 1,5 roubos de bola por partida. Em nove embates, já foram seis confrontos registrando dígitos-duplos em pontos e o mesmo número de vezes com 4 ou mais assistências, numa prova de que ele está conseguindo exercer bem as duas funções (pontuar e distribuir a bola).

Sob o comando do ótimo Gustavo de Conti, Georginho tem tudo para seguir crescendo (o mesmo irá acontecer com Lucas Dias quando estiver bem fisicamente também). O seu retorno ao Pinheiros foi feliz. Os próximos passos, quem sabe até com seu nome colocado nos próximos Drafts da NBA, pelo visto também serão.

 


A personalidade de Humberto, armador do Pinheiros que está em fase espetacular
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Fábio Balassiano

humbertoHumberto foi apresentado “ao mundo do basquete” na Liga das Américas de 2014. Aos 18 anos e na reserva de Joe Smith no Pinheiros, o armador teve participação fundamental no Final Four do Rio de Janeiro (seu time ficou com o vice-campeonato, perdendo a decisão para o Flamengo em um Maracanazinho apinhado) e chamou a atenção de todos. Quem era aquele armador de 1,94m que era ao mesmo tempo rápido, tinha bom chute e ótima postura defensiva? Era Humberto Gomes da Silva, e seus passos seriam vigiados não só por quem acompanha a modalidade por aqui mas também por olheiros da NBA e do restante do mundo.

humberto4Assim como aconteceu com seu companheiro Lucas Dias, que começou bem e deu uma caída, Humberto não foi bem na temporada 2014/2015. Ao contrário do que se esperava, reduziu sua média de minutos (de 9,8 para 6,5 minutos/jogo). Quase foi parar no Flamengo antes de começar o NBB de 2015/2016, mas a negociação não foi concretizada. Na reserva do americano Bennett, contratado pouco antes do certame, pouca gente poderia dizer como, e quais, seriam seus próximos passos – e quão rápida seria a sua evolução.

humberto3Sua média de minutos mais que dobrou na temporada regular do NBB (foi para 20,2 minutos/jogo), mas eu esperava bem mais principalmente porque o Pinheiros não tem mais o elenco estelar que tinha nos últimos anos (ou seja, as chances de aparecer seriam maiores em um clube sem tantas pretensões assim).

Fiquei preocupado quando vi que mesmo com um grupo modesto Humberto, uma das revelações que eu tenho em mais alta conta no basquete brasileiro há anos, não conseguia ser titular e nem dono de números consistentes.

humberto5O playoff veio e tudo mudou. Após perder as duas primeiras partidas contra o Minas o técnico César Guidetti resolveu “dar o carro” para Humberto dirigir. Deslocou Benett para as ala, onde jogaria com Holloway mais solto, e abriu literalmente Lucas Dias (fazendo a posição quatro aberta). Humberto, portanto, teria liberdade para infiltrações e opções de três bons arremessadores de fora. O resultado disso? O Pinheiros virou contra o Minas, e neste domingo foi valente para, mesmo com novo 0-2, bater Bauru fora de casa, diminuindo o déficit para 1-2 e forçando o quarto jogo na quarta-feira em São Paulo.

humberto1E quem foi o principal responsável pela guinada do time de São Paulo? Humberto, não há a menor dúvida disso. Nas três vitórias contra o Minas ele teve 13 pontos e quatro assistências de média. Contra Bauru, 16 pontos e três assistências nestes três duelos. Neste domingo, aliás, foi uma exibição de gala com 27 pontos, 3 assistências e 5 rebotes. Além das estatísticas, chamam a atenção a sua intensidade, a sua defesa bastante agressiva, a sua liderança e a sua personalidade para tomar decisões pouco comuns para jogadores de 21 anos.

humberto2Do começo animador em 2014 a uma temporada de 2015/2016 não tão boa assim, ele certamente amadureceu, passou a compreender melhor como as coisas funcionam e tem mostrado em quadra as qualidades que quem viu aquele jogo no Maracanazinho dois anos atrás se encantou. Basquete, sem dúvida alguma, ele tem. Agora é preciso um pouco mais de consistência, tempo de quadra e evolução em alguns pontos (sua bola de três pode ter percentual de conversão maior – 33% no NBB atual).

O mais bacana de tudo é a recuperação de Humberto dentro da própria competição, dando a sua carreira uma nova perspectiva para os próximos anos. Que ele siga se desenvolvendo, pois seu potencial atlético e sua técnica são imensos.


O poder da auto cobrança – como Lucas Dias cresceu e tornou-se protagonista
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Fábio Balassiano

ld3O ala Lucas Dias, de 2,07m, é um jogador diferente na temporada 2015/2016 do NBB. Titular do Pinheiros, ele está entre os dez melhores da liga em pontos (15,4 pontos), eficiência (15,6), rebotes (5,5) e percentual de arremessos de dois (50%) e três pontos (43%). Evoluindo a cada dia, o ala de 20 anos participou do Jogo das Estrelas pela primeira vez em sua carreira no último fim de semana e conversou com o blog sobre a experiência de jogar entre os protagonistas do campeonato, de sua mudança absurda de um certame para o outro (saltou de 11 para 31 minutos por jogo), de quão importante foi o título da Liga de Desenvolvimento para a sua evolução e de como a auto cobrança faz dele um atleta melhor a cada dia.

ld1BALA NA CESTA: Lucas, em primeiro lugar, qual a sua emoção ao participar pela primeira vez do Jogo das Estrelas? Você já havia disputado o Torneio de 3 Pontos, fez o mesmo este ano, mas o Jogo, jogo mesmo, é a sua estreia.
LUCAS DIAS: É muito gratificante, sem dúvida alguma. Venho treinando muito no Pinheiros, treinando duro mesmo, e estar em um Jogo das Estrelas é o reflexo do que tenho feito no dia a dia com a minha equipe. Estou tendo essa oportunidade de jogar mais no adulto, e o trabalho tem aparecido. Nesta temporada tenho jogado mais, com mais minutos em quadra e com papel de mais destaque. Creio que ter ganho o título da Liga de Desenvolvimento (LDB) me ajudou muito a ter mais confiança, a acreditar mais em mim.

lucas1BNC: O que mudou mais em você desde aquele MVP que você ganhou no Jordan Classic em 2012 para hoje?
LD: Com certeza o amadurecimento. A gente cresce na adversidade, né. Muita gente já havia me descartado, mas eu tive personalidade e força para crescer, amadurecer com tudo o que passei. Isso mexeu bastante comigo, me motivou a treinar mais e mais. Muitas pessoas me ajudaram a seguir acreditando em mim também, principalmente minha namorada, meus familiares e amigos mais próximos. O Humberto mesmo, meu companheiro de Pinheiros há tanto tempo, me deu muita força. Quando estava desanimado, me puxava pra cima. Vinha treinar comigo, me levantava mesmo. O próprio Shamell, que hoje não está mais conosco no Pinheiros, sempre que pode me dá um toque, me dá conselhos. Agora eu acho que chegou a minha vez.

lucas14BNC: Pergunta difícil: você está jogando bem e por isso está tendo mais tempo de quadra ou está tendo mais tempo de quadra e por isso está jogando bem?
LD: A quadra, ter minutos de jogo, ajuda muito, sem dúvida. Lembro que quando comecei muita gente falava: “Ah, o Lucas é diferente”. Isso me chateou um pouco mas tive força para me recuperar. Agora chegou meu momento e vou fazer de tudo para manter neste nível e subir mais e mais. Estou me sentindo muito bem no Pinheiros com as funções que tenho atualmente, e sou muito grato por todos os que me ajudaram desde que cheguei ao clube também.

ld2BNC: Sobre sua personalidade que você tem falado, o que mais mudou?
LD: Certamente estou cobrando mais de mim mesmo. Antes eu me cobrava, mas eu mesmo não acreditava tanto em mim. Desde que assumi o papel de líder na LDB, quando fomos campeões, eu me sinto mais preparado para ir bem, jogar melhor ainda. Nesses três anos de LDB a gente sempre ficou batendo na trave de ser campeão, e nesta temporada conseguimos. Coloquei na minha cabeça que teria que ser, me preparei e junto dos meus companheiros consegui o objetivo de levantar o troféu como capitão. Outra coisa que mexeu muito comigo foi o período de treinos que tive nos Estados Unidos. Voltei muito mais forte fisicamente, tecnicamente e sobretudo mentalmente. Lá eu vi como deveria continuar a trilhar a minha carreira. No Paulista eu comecei alguns jogos no banco e fiquei muito bravo. Antes eu ficaria bravo com o clube, com o técnico, mas dessa vez eu fiquei muito chateado é comigo mesmo. Passei a me cobrar mais, a treinar muito mais e tem dado certo.

lucasdiasBNC: Você hoje em dia está com média de mais de 16 pontos no NBB, mas não só isso. Você está no Top-10 de pontos, eficiência, percentual de conversão de arremessos e rebotes no NBB. Você está no Jogo das Estrelas, mas como é sair de um estágio em que você quase não jogava, como nos últimos anos, para ser um dos protagonistas do NBB na temporada?
LD: Prova que o trabalho dá certo, Bala. E tenho que voltar a falar da LDB. O papel de protagonista que tive no time foi fundamental para eu entender quão longe eu posso ir, quão longe eu posso chegar. Cada ano que passa, agora, eu me coloco um desafio maior na minha carreira. Vou me adaptando, evoluindo e estou colhendo os resultados disso. Lembro da final da LDB contra o Minas. Havíamos perdido deles na fase anterior. Cheguei no vestiário antes do jogo, fiz o meu papel de líder, motivei a galera e saímos com o título. Era minha função (de líder) e assumi isso. Ter assumido isso me ajudou muito. Quando não jogava com o adulto ficava muito mal de cabeça, mas eu só consegui sair disso quando entendi que dependia muito mais de mim do que de qualquer outra pessoa. Este vai ser o meu ano.

ld6BNC: O que você está pensando para este final do seu ano então? Olimpíada, Europa, NBA?
LD: Bala, eu aprendi. Tem que ser passo a passo. Qual o meu foco atualmente? O playoff do NBB. Depois do mata-mata do NBB a gente vê o que vai fazer. Somos uma equipe jovem, e temos um caminho muito bom para seguir no Pinheiros. Conquistar uma vaga em uma competição internacional para o clube seria muito legal. Sobre seleção, é óbvio que desejo jogar uma Olimpíada, ainda mais em casa, mas não depende exclusivamente de mim. Vou fazer de tudo, vou lutar muito para que isso aconteça, mas sei que tem muitos jogadores que pensam a mesma coisa e que pode não acontecer pra mim. Vou ficar muito contente se eu for, mas não vou cair se eu não for, não. Tudo vem pelo que você faz na quadra. Tenho um caminho e vou seguir focado nele.

ld8BNC: Lembro que quando eu comecei a ver o seu jogo era muito claro pra mim que a parte física você precisava evoluir. Nos jogos de contato você sentia muito, era nítido. Hoje em dia isso mudou e você, em português claro, vai pra briga e pra disputa física sem medo algum. Onde mais você precisa evoluir?
LD: Desde que eu cheguei no adulto as pessoas falam que eu chuto muito de três, né? Mas isso não é necessariamente um defeito. A questão é como fazer – e quando fazer. Nesta temporada minhas médias aumentaram e ninguém mais fala disso. E por quê? Porque eu não faço mais só isso. Antes de cada jogo eu visualizo contra quem irei jogar e tento analisar como posso ter vantagem em cima do adversário. Se é um cara menor, vou pra perto da cesta (poste baixo). Se for mais alto, tento jogar um contra um pra infiltrar e bater pra cesta. Mas o que acho que preciso melhorar muito, muito mesmo é a defesa. Defesa não é só treino, mas sim querer. Eu tenho que querer marcar o melhor pontuador do outro time, dificultar a vida dele. Já melhorei bastante nisso, mas preciso e posso melhorar mais. Morro, que é o paizão lá do clube, ele fala muito sobre essa parte de marcação e eu ouço muito o que ele tem pra me dizer.

kd2BNC: Sei que o Steph Curry é de outro mundo, mas quem você olha, seja na NBA ou aqui no Brasil mesmo, que te inspira a ser melhor do que você já é hoje?
LD: O Curry é incrível mesmo. A fase dele é espetacular e admiro muito o que ele tem feito para o seu time e pela NBA. Mas pra mim, o que devo olhar, sempre vai ser sempre o Kevin Durant mesmo. Pelo biótipo, pela semelhança física que tenho. O cara faz tudo – arremessa, dribla, passa, marca bem. É em quem me espelho muito.


A consolidação de Lucas Dias, cada vez mais pronto para o jogo adulto
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Fábio Balassiano

lucas1Em abril de 2012 Lucas Dias entrou no radar do planeta basquete ao, de forma surpreendente, conquistar o troféu de MVP do Jordan Classic, evento que reúne a nata dos jovens de todo planeta (teve 18 pontos, 8/12 nos chutes, 12 rebotes e quatro tocos). Foi aos Estados Unidos, treinou pouco contra os melhores da sua idade, não titubeou e voltou com o troféu pra casa (a foto é com o tênis da época). Então com 16 anos, o ala do Pinheiros, entrevistado por mim meses depois (outra vez aqui em 2013), chamava a atenção pela boa técnica e sobretudo pelo potencial físico de alguém que tem 2,07m e que joga com tranquilidade nas posições três e quatro (ala-pivô). Era um começo animador.

lucas4Só que os passos seguintes geraram mais dúvidas do que certeza sobre a sua carreira. Cobrado por boa parte da imprensa para ter mais espaço no time adulto do Pinheiros, Lucas Dias brilhava nos jogos da Liga de Desenvolvimento, mas amargava boa parte das temporadas 2012/2013, 2013/2014 e 2014/2015 no banco de reservas mesmo (seus minutos variaram de 11 a 14 minutos). Suas passagens pelas seleções brasileiras de base tampouco foram animadoras. Foram, então, colocados vários pontos de interrogação sobre o que aconteceria com ele, não resta a menor dúvida. Quando Bruno Caboclo, seu companheiro de time, foi escolhido no Draft de 2014, aliás, muita gente chegou a dizer que Lucas não mais brilharia no time adulto.

ecp7O tempo passou rápido, o ala não desanimou e (o ainda tímido) Lucas está melhor do que nunca (que ótimo!). Ele fez 24 pontos, apanhou 10 rebotes, foi eleito ontem o MVP da LDB e guiou o seu Pinheiros ao inédito título da competição. Isso é bacana, mas não o mais legal dessa história.

Aos 20 anos e tendo passado por muita coisa desde que brilhou no Jordan Classic ele parece cada vez mais pronto para o jogo adulto e principalmente para ser protagonista das partidas pinheirenses no NBB. Terceiro que mais atua na equipe de César Guidetti, técnico que acompanha seu desenvolvimento há anos, registra 14 pontos, 6,3 rebotes, 2,2 assistências, 33% nas bolas longas e 54% nos tiros de dois pontos. Números expressivos e que o colocam entre os 15 mais eficientes da temporada 2015/2016.

lucas14Seu talento, obviamente, é descomunal e merece ser acompanhado pelos profissionais da seleção brasileira de perto (chamá-lo para treinar com a equipe adulta me parece o mínimo aliás). Seu potencial físico é incrível e ainda em crescimento (ele está mais forte para esta temporada). Vê-lo jogar bem tem sido uma alegria este ano.

Apesar disso tudo, seu jogo carece de melhorias fundamentais para que os próximos passos sejam dados como ele merece. Pode parecer duro, mas ler apenas elogios não é algo que eu faça e muito menos algo que Lucas gostaria de ler (sei bem que ele se cobra muito). Como exemplos de pontos a desenvolver eu cito seu controle de bola ainda é muito “longo” (a bola fica muito distante do corpo, facilitando que o adversário consiga a roubada), seu arremesso de três pontos, que pode ser ainda melhor, sua leitura de jogo para tomada de decisão no ataque (ele NÃO pode basear seu jogo apenas nas bolas longas) e uma maior agressividade para defender seus rivais. O saldo, que isso fique claro, é bem positivo para alguém de 20 anos e que só agora joga a primeira temporada no adulto de forma efetiva chamando a responsabilidade cada vez mais.

ld2Foi ótimo ver o Pinheiros, clube tão importante na formação dos novos valores do basquete brasileiro, vencer a LDB como forma de coroar o trabalho feito pelo clube (disse isso no texto anterior). Tão bom quanto foi notar que aquele garoto que ganhou o MVP do Jordan Classic lá atrás, três anos atrás, não desistiu, não baixou a guarda, não se abateu com todos os problemas que surgiram.

Seu caminho é longo para que ele alcance tudo aquilo que deseja, mas aparentemente a espiral de situações negativas deu lugar a um animador ciclo virtuoso de grandes atuações, tempo de quadra, evolução constante e liderança. Continue voando, Lucas Dias!


Título da LDB coroa brilhante trabalho de base do Pinheiros
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Fábio Balassiano

ecp1

ecp5Foi a final, digamos, mais justa possível da Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB). Se o objetivo da competição Sub-22 é estimular o surgimento de novos atletas, nada mais bacana que a decisão que vimos ontem à noite. Em duelo envolvendo dois dos melhores clubes formadores do basquete brasileiro, o Pinheiros venceu o Minas por 81-78, sagrou-se campeão de forma inédita da competição em uma partida bem disputada, mas não tão bem jogada assim (tema para outro texto, prometo). Ganhar torneios de base nunca é algo que veja como essencial e/ou fundamental, mas a conquista de ontem merece um capítulo especial.

minas1Antes de falar do Pinheiros, vale citar o Sport-PE, que ganhou o bronze ao vencer o Brasília por 69-58, e mantém ótimo projeto de basquete (da base ao adulto, que na temporada passada jogou a Liga Ouro inclusive), e o próprio Minas, cujo núcleo principal formado por Danilo Fuzaro, Léo Demétrio e Henrique Coelho (eles na foto) já tem tempo de quadra no time adulto inclusive (29,4, 22,2 e 31,9 minutos por partida na temporada 2015/2016 do NBB). Time adulto, do Minas, que é dirigido também pelo bom técnico Cristiano Grama (bem promissor aliás). São agremiações que fazem bom trabalho de base (o do Minas é excepcional) e que merecem os parabéns também.

ecp1Mas, bem, voltando a falar do campeão Pinheiros, que viu todo seu grupo de atletas jogar muito bem principalmente as duas fases finais. Pode parecer clichê, mas a conquista deste domingo não começou há pouco tempo, não. Vem lá de trás, vem de muitos anos, de um projeto de formação muito bem planejado e que revelou, entre outros, Bruno Caboclo (hoje na NBA) e os agora campeões Lucas Dias (MVP do torneio, pronto para voos mais altos no jogo adulto inclusive e tema de texto logo mais), Humberto, Georginho, Leo Bispo, entre outros (o outro titular, Gustavo Scaglia, bom jogador, foi contratado para esta temporada).

cesar1Mérito da, à época, diretoria liderada por João Fernando Rossi, atualmente presidente da Liga Nacional e que tinha, com ele, um grupo de profissionais de primeira linha. Naquela época ele buscou de todas as maneiras investir nos atletas e sobretudo na capacitação dos técnicos (algo esquecido por aqui, infelizmente). Entre eles cito (e certamente esquecerei de alguém) o técnico César Guidetti (foto), treinador também da equipe adulta, e Thelma Tavernari, uma das melhores formadoras de jogadores deste país (se este fosse um país que visasse a melhor formação do país o nome dela deveria estar em TODAS as rodas de discussão do tema).

ecp3Por isso o título do Pinheiros merece ser comemorado pelos atletas e aplaudido por nós, que acompanhamos e gostamos da modalidade. Não pela taça em si, que, insisto, na base vale muito pouco quando o assunto é basquete de base (o que vale, vale mesmo, é revelar garotos para o time de cima), mas sim por representar a coroação de um trabalho belíssimo, estruturado, planejado e coerente iniciado lá atrás, há quase uma década para ser mais preciso e justo.

O time pinheirense foi muito bem na LDB. A torcida, agora, é que essa garotada tenha espaço maior no time de cima (apenas Lucas Dias joga mais de 20 minutos no NBB) e que o brilhante plano de formação de atletas do clube continue de vento em popa.


Após 4.234 dias, basquete volta a ter jogo de temporada em TV Aberta
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Fábio Balassiano

tv1Conforme divulguei aqui nesta semana, depois de 4.234 dias teremos um jogo de temporada regular de basquete nacional em TV Aberta a partir das 17h30 entre Paulistano e Pinheiros na Rede TV (o acordo foi oficialmente assinado ontem em cerimônia na sede da emissora).

O último jogo de temporada regular exibido em TV Aberta foi, em minhas contas, realizado no dia 2 de maio de 2004 (um domingo quente no Tijuca – e eu estava lá) entre Flamengo, de Emmanuel Bomfim, e Araraquara, do agora falecido e saudoso Tom Zé, (ficha no link aqui), com vitória rubro-negra por 95-82 e exibido pela mesma Rede TV.

redetv1O engraçado é que daquele último jogo ainda estão em atividade Olivinha (Flamengo), Duda (Basquete Cearense), Guto (Caxias do Sul), Diego (Brasília), Dedé (Rio Claro) e Marcão (Caxias).

Depois disso, apenas TV Fechada e/ou finais (de NBB) na TV Globo. Que seja longo o casamento do NBB com a Rede TV portanto.


Apesar da vitória, o sinal amarelo no Pinheiros
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Fábio Balassiano

ecp1No dia 8 de agosto escrevi aqui que o Pinheiros entraria em uma nova fase de sua história no NBB. Sem o aporte financeiro da Sky, o tradicional clube de São Paulo voltaria “às origens”, ou seja, investiria na base e daria tempo de quadra aos garotos formados em sua ótima divisão de base. Por isso ontem à noite voltei pra casa animado. Era a hora da estreia da molecada contra o (também jovem elenco do) Minas e que colocaria frente a frente dois dos melhores trabalhos de formação do país.

ecp3Pelo time mineiro, o técnico Cristiano Grama (há anos na base) colocou pra jogar Henrique Coelho (foto), Danilo Fuzaro e Léo Demétrio (todos com pelo menos 20 minutos na estreia desta quarta-feira). Os jogadores com menos de 23 anos somaram 84 minutos, 42% dos 200 disponíveis. Um número expressivo e que mostra qual filosofia será adotada pelo clube de Belo Horizonte nesta temporada (algo que já acontecera em 2014/2015 com Demétrius também). É bacana acompanhar um time recheado de jovens assim.

ecp4Pelo lado pinheirense não foi nada disso que aconteceu apesar da boa vitória por 75-63. O trio de jovens formado por Georginho, Lucas Dias e Humberto (foto), cantado em verso e prosa como um dos mais promissores do país, teve módicos 45 minutos (somado). Pior do que isso: além de Holloway, ala norte-americano autor de 18 pontos em 30 minutos, assumiram o protagonismo da equipe o também recém-chegado armador Corderro Bennett com 17 pontos em 26 minutos (ex-América de São José do Rio Preto e de 27 anos), o pivô Renan (25 anos), o que mais jogou com 34 minutos, Arthur (23 e 19 minutos) e Andrezão (24 anos e 14 minutos em quadra). Lucas Dias, mesmo indo muito bem com 15 pontos e cinco rebotes, teve apenas 22 minutos…

ecp2E aí eu não entendi nada. Uma coisa, ao meu ver, é mesclar jovens peças a jogadores mais experientes, fazendo com que os garotos sintam menos a pressão de uma competição adulta como é o NBB. A outra é relegá-los novamente a um espaço diminuto na rotação de uma equipe que, com orçamento dito enxuto, não chegará a lugar algum com estes veteranos. É o famoso meio do caminho do meio – não abre tempo de quadra pros atletas formados na base e tampouco vai longe no torneio porque os mais velhos não são tão bons assim. Afinal de contas, qual era a filosofia do Pinheiros? Não era investir na molecada? O que mudou de dois, três meses pra cá?

trioecpCabe mais questionamento, aliás. Qual o objetivo disso? Quando Georginho, Wesley, Lucas Dias e Humberto irão jogar? Será que eles não merecem uma chance para ao menos serem testados e, aí sim, avaliados realmente? O que o clube está fazendo para DESENVOLVÊ-LOS? Está realizando trabalhos específicos com Lucas para tirar seu vício de basear seu jogo ofensivo apenas nas bolas de três pontos? Como está a evolução física de Georginho, cotado este ano para entrar no Draft da NBA inclusive? E Humberto, que depois de aparecer muito bem duas temporadas atrás na Liga das Américas, será que não crescerá mais?

felicioQuerem mais perguntas? Então vamos lá, porque creio que vale. Quando o exemplo de Cristiano Felício, reserva do Flamengo e hoje na NBA, será aprendido por aqui? Onde está exatamente o nosso problema? Nos técnicos, que muitas vezes não têm coragem de colocar os jovens por medo de os garotos errarem e eles (treinadores) perderem partidas (e consequentemente seus empregos)? Nos clubes como um todo, que não possuem a menor aptidão para desenvolver, lapidar, transformar esses talentos que aparecem em atletas melhores? Nos dirigentes, que pensam apenas no presente, em vencer jogos, e não no futuro? Nos atletas, que se acomodam em não “chutar a porta” para entrar na elite do esporte rápido? No conjunto disso tudo? Confesso não saber responder. No caso do Pinheiros, se o negócio é investir nos mais velhos (que não levar a equipe a lugar algum), qual o sentido de ter uma formação tão forte assim? Não é, no mínimo, desperdício de dinheiro (times de base custam muito caro…) e um contrassenso?

fiba1Recentemente a FIBA divulgou um estudo extenso sobre o esporte. Nele está lá para quem quiser ver (clique na imagem para ampliar): no Brasil, apesar de 24,7% do elenco estar preenchido com jovens abaixo de 21 anos, esses garotos atuaram, na média, em 3,8 minutos por jogo na temporada 2014/2015 do NBB . A média mundial nas 16 ligas estudadas está 18,8% de Sub-21 e em 5,3 minutos/jogo. Dos 10 primeiros times que mais utilizaram os garotos, não há NENHUM brasileiro (o décimo, o polonês Prokom Trefl Sopot, deu 13,8’/jogo aos garotos). Pouco animador, não?

Este texto termina com muito mais perguntas do que com conclusões. São indagações que, creio, devam ser respondidas não pelo Pinheiros, que não está sozinho neste problema de utilização de jovens no Brasil, mas sim por toda Liga Nacional e pelo basquete brasileiro de forma mais ampla. Que isso fique bem claro: este não é um problema (ou uma questão) de um outro clube, mas sim da modalidade como um todo. O tema, creio, merece ser refletido em todas as esferas, encontrando a melhor solução possível o quanto antes.

duvida1Vale lembrar, aliás, que uma das melhores gerações do país (esta de Nenê, Varejão, Tiago, Leandrinho, Huertas etc.) deve sair de cena da equipe nacional exatamente daqui a um ano, quando acabar as Olimpíadas. Não sei se as pessoas ficam atentas a isso, mas a sustentabilidade (e a vitalidade) do basquete brasileiro só será enxergada quando os jovens tiverem espaço e notoriedade nos times de cima, algo que não vemos nos dias atuais.

Será que não vale repensar um pouco o modelo atual? Será mesmo que não vale parar para analisar o que está acontecendo com essa molecada que, via de regra, sai do juvenil e quase nunca tem espaço nos times profissionais? Em cinco anos, quão bom o produto NBB será se hoje 90% dos que brilham na competição têm mais de 30 anos (Giovannoni, Machado, Marquinhos, Shamell, Alex, Nezinho etc.)? Quantos jovens com menos de 25 anos brilham atualmente no NBB com regularidade? Ricardo Fischer, Leo Meindl, Henrique Coelho, quem mais?

caminhoSão questões que, creio eu, deveriam ser pensadas por quem dirige e comanda no basquete daqui, né? Da CBB sabemos que não sairá nada mesmo, mas será que a turma da Liga Nacional não poderia entrar nessa? Por enquanto eu não vejo nenhum movimento (nem o de ideias) para mudar o panorama. Se nem no campo da discussão do problema a modalidade está, quanto tempo demorará para colocar algum plano de mudança em prática? O cenário, pouco animador no presente, é bem preocupante para o futuro.


Segunda etapa da LDB começa hoje em três cidades
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Fábio Balassiano

ldb1Tem início hoje a segunda etapa da Liga de Desenvolvimento de Basquete, a LDB. Com três sedes simultâneas (São Paulo, Bauru e Minas), as 24 equipes que disputam a temporada 2015 da maior competição de base do país estarão divididas nestas localidades e farão, cada uma, mais quatro jogos entre esta terça e sexta-feira.

Como falei aqui da vez passada, ainda são três as equipes invictas – Pinheiros, Minas (estas duas agremiações atuarão em casa aliás) e Limeira (7-0). Logo depois, com 6-1, figuram Basquete Curitiba e Brasília. Fechando o grupo dos 8 que avançariam à fase final estão, com 5-2, Franca e Pequeninos Rhema (o time da Paraíba uma das surpresas do torneio até o momento), e Rio Claro (4-3).

germanoLembrando que entre os 24 participantes da LDB está a seleção brasileira Sub-17 que se prepara para o Sul-Americano de Resistência, Argentina (13 a 19 de setembro). Em Bauru, o grupo de André Germano (também assistente-técnico de Guerrinha na equipe adulta bauruense) enfrentará Franca, Limeira, Bauru e Rio Claro, adversários bem fortes sem dúvida alguma. O torneio em solo argentino classifica os três primeiros para o Pré-Mundial de 2016, que por sua vez qualifica quatro seleções para o Campeonato Mundial Sub-19 de 2017.

minas1Vale, mais uma vez, ficar de olho na molecada Sub-22 que participa do torneio (o maior de base do país e o “xodó” do blog, vocês sabem bem). Seria muito interessante se a Confederação Brasileira monitorasse de perto os jovens que estão surgindo nesta edição da LDB (algo que duvido que fará, mas não custa relembrar que esta deveria ser obrigação da entidade máxima…) e, também, que boa parte destes garotos fosse aproveitada na próxima temporada do NBB ou da Liga Ouro.

limeira1Uma boa alternativa para isso, aliás, poderia ser a criação, como existe na Espanha, de equipes B nas divisões de acesso. Times como Minas B, Paulistano B, Limeira B, Flamengo B, Pinheiros B, entre outros, poderiam aumentar a quantidade de participantes da Liga Ouro, fazendo com que o certame fosse mais longo, e faria com que boa parte dessa molecada jogasse mais vezes em um nível mais alto que apenas os torneios regionais de base (que em sua maioria são bem fracos).


‘De volta às origens’, Pinheiros aposta na molecada para o NBB
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Fábio Balassiano

ecpNos últimos anos o Pinheiros se notabilizou por montar times fortíssimos. Foi assim que, com o aporte de grana pesada da Sky, o clube teve Marquinhos, Shamell, Marcus Toledo, entre outros atletas. Foi com eles e com uma forte organização que conquistou a Liga das Américas em 2013, o Paulista de 2011 e alcançou uma série de finais recentemente (Liga Sul-Americana, Interligas etc.). Com a saída da patrocinadora, porém, uma nova etapa se abriu no clube.

ECP Basquete Temporada 2015 ApresentacaoSem estrelas e com o técnico César Guidetti (ex-assistente do Pinheiros nos últimos cinco anos e um grande estudioso da modalidade – foto) no lugar de Marcel de Souza, a agremiação voltou, literalmente, às origens. Grupo renovado, cheio de garotos promissores querendo aparecer e alguns experientes (o pivô Morro e o ala norte-americano Desmond Holloway, ex-Paulistano) para dar sustentação à garotada.

trioecpChama a atenção neste momento que os jovens Georginho, Lucas Dias e Humberto (os três na foto) ganharão muito tempo de quadra nesta temporada. Lançados há mais de dois anos no time adulto, Humberto e Lucas Dias (ambos de 20 anos) sempre foram vistos como promessas, mas nunca tiveram minutos consideráveis no NBB (6 e 11 minutos respectivamente na temporada passada). Agora terão. Georginho, armador promissor de 19 anos e que quase foi selecionado no Draft da NBA este ano, será o titular da armação e tem tudo para, em caso de bom desempenho, ganhar experiência em um campeonato profissional para subir ainda mais nas projeções dos próximos anos.

george1Para quem sempre cansou de pedir (como eu) espaço para a molecada do Pinheiros se desenvolver a chance de aparecer com brilho está na mesa como nunca esteve. Eles (os garotos) vão sofrer um pouco, pois a transição da base para o adulto não é fácil, mas a saída do investimento pesado do antigo patrocinador acabou se tornando uma grande oportunidade não só para as revelações que saem das categorias inferiores da agremiação.

Colocar os garotos para jogar tornou-se, também, uma baita janela para o Pinheiros mostrar a todos quão bom é o seu trabalho de base e quão bacana pode ser investir na formação de atletas. Para quem gosta de basquete, da base ao adulto, é impossível não salivar com o que Georginho, Lucas e Humberto, entre outros jovens que terão mais chance a partir de agora, poderão fazer no próximo NBB pelo time da capital de São Paulo.


O tamanho da façanha do Basquete Cearense, campeão invicto da LDB
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Fábio Balassiano

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Terminou ontem a quarta edição da Liga de Desenvolvimento de basquete, maior campeonato de base deste país. Organizada pela Liga Nacional, a LDB (Sub-22) viu, no ginásio Paulo Sarasate em Fortaleza, um campeão inédito. Campeão inédito e invicto (28-0).

cearense1O local Basquete Cearense suou sangue, não jogou bem, ficou atrás em boa parte do duelo, mas encontrou saídas para derrotar o Flamengo por 63-58 para conquistar o primeiro título de sua recente história. Na partida do bronze, Limeira bateu o Pinheiros por 70-60. Além do troféu da LDB, o Basquete Cearense quebra uma série de conquistas do eixo Capital-SP-RJ em todas as competições organizadas pela Liga Nacional. Entre NBB, Liga Ouro e LDB, apenas Brasília, Flamengo, Bauru e Rio Claro haviam ganho troféu.

davi1Este é o tamanho do feito de Espiga, o técnico, Alberto Bial, o artífice do projeto cearense, Davi Rossetto (MVP, armador, cestinha da final com 29 pontos e líder da equipe em quadra – na foto à direita) e demais atletas da equipe. Sem dúvida uma façanha e tanto, não?

Sempre digo que na base o menos importante é o título, o troféu, a conquista em si. O que vale mesmo é formar a molecada. O trajeto, nesta fase, vale muito mais do que a chegada, e isso precisa estar sempre em mente de quem faz parte da LDB (talvez valha uma grande reflexão sobre como algumas equipes têm disputado a competição, mas aí é tema para outro texto).

cearense3Mas neste caso precisamos entender o que o título da LDB representa para o basquete do país, para o projeto local e para o esporte da região, que ganhou um troféu nacional relevante depois de muito tempo.

É uma conquista para um projeto novo (3 anos) e que perdeu um patrocinador forte recentemente (a Sky), para dois caras que lutam bravamente para manter a chama acesa do basquete por lá (Bial e Espiga – este na foto abaixo à direita) e para uma região quase sempre esquecida na maioria das modalidades do país.

espiga1Normalmente títulos valem muito pouco na base (quase sempre na verdade). Este, do Basquete Cearense, vale. E vale muito pelo símbolo do que ele representa para a modalidade, para a própria Liga Nacional (que tem a chance de ver um polo importante crescer ainda mais), para os personagens e para a região.

Parabéns a todos do Basquete Cearense! Troféu mais do que merecido.