Bala na Cesta

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A volta por cima de Guerrinha e a consolidação de Mogi com o título Paulista
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Fábio Balassiano

mogi1Vocês sabem bem o que eu acho sobre os Estaduais de basquete (mais desnecessários do que necessários), mas em alguns casos a conquista tem um valor muito especial.

É o caso da de Mogi no Paulista de 2016. Os mogianos fizeram 69-61 contra Bauru ontem à noite em um ginásio Hugo Ramos completamente lotado, fecharam a decisão em 2-0 e conquistaram o primeiro caneco do time desde que regressou à elite do esporte no Brasil em 2011 e o segundo da história da cidade (o outro foi exatamente há 20 anos, em 1996!).

mogi5O troféu Paulista é um prêmio, sem dúvida alguma, a jogadores como Filipin, que estão desde o começo do projeto, Shamell, um baita jogador, Caio, Gerson, Tyrone, Larry, Vithinho, Jimmy, Elinho, entre outros, mas sobretudo uma reverência à torcida mogiana, uma das mais fanáticas e ativas do país (eles lideram as estatísticas de média de público do NBB sempre!!!), e também a uma diretoria que tem investido a cada ano mais não só no time, mas também em estrutura e também na modalidade – o que não é fácil quando as conquistas não vêm, como foi o caso nos últimos anos. Costumava dizer que para o bem do basquete e também para a continuidade do time profissional em Mogi um título se fazia necessário para sedimentar a semente plantada lá atrás. E assim foi feito.

guerra2Não posso terminar esse texto sem citar Jorge Guerra, o Guerrinha. Técnico de personalidade forte e bastante carismático, ele foi demitido de maneira bizarra antes do NBB passado por Bauru, ficou um ano estudando, tentando montar projetos, vendo a modalidade de longe. Era um desperdício para o basquete brasileiro tê-lo de fora por tanto tempo, mas sempre há um motivo para as coisas acontecerem, né?

Quando foi contratado por Mogi para essa temporada pelo gestor Nilo Guimarães pensei que poderia ser uma volta por cima para ele. Mogi é um clube de orçamento imenso, com ótimo elenco e que precisava apenas dar o próximo passo, ou seja, ganhar um título. E o caneco veio rápido e justamente contra a equipe que o dispensou antes do início da temporada 2015/2016 (deve haver alguma explicação psicanalítica para isso…). Guerrinha é um trabalhador incansável, autêntico e que sempre conseguiu fazer muito bem a sinergia entre clube, elenco e torcida. Foi assim em solo bauruense e acho que está claro que ele está conseguindo isso com os mogianos.

mogi400Títulos estaduais, insisto nisso, valem muito pouco. No caso de Mogi não é bem por aí. O time vem forte para Liga Sul-Americana e NBB, e a conquista do Paulista de ontem, em partida exibida pelo YouTube, serviu para que o time aumentasse a sua confiança para o restante da temporada, para Guerrinha voltar a sorrir e sobretudo para premiar uma fanática e fiel torcida.

Nem sempre a palavra ‘merecimento’ se faz presente no esporte. Nesta quinta-feira ela (a palavra) foi bem empregada. Mogi merecia demais uma conquista.


No Paulista, mais um caso do amadorismo do basquete brasileiro
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Fábio Balassiano

enyo1Então é isso. Estamos nos playoffs do Paulista Masculino (apesar de quase ninguém ligar pra isso…), e a melhor série envolvendo Mogi x Bauru ganhou as manchetes de uma hora pra outra. O motivo? A genial Federação Paulista, agora presidida por Enyo Correia (foto), já que Tony Chakmati faleceu esta semana, decidiu manter os jogos 3, 4 e 5 dos playoffs para 3, 4 e 8 de outubro, respectivamente.

O problema? Os bauruenses, que perdem por 0-2 (em embates realizados na semana do Mundial contra o Real Madrid, diga-se de passagem…), viaja para os dois amistosos na NBA (Wizards e Knicks) no próprio sábado (data do terceiro jogo). A diretoria de Bauru tentou trocar as datas, mas não teve sucesso (a Federação bateu o pé). No final da noite de ontem, de acordo com matéria do Globoesporte.com, a FPB cancelou o jogo 3 colocou Mogi direto na semifinal. Um escárnio.

rodrigo1Mas não um escárnio solitário. Em uma sequência de embrulhar o estômago, o que se viu foi: Bauru emitiu nota oficial. O patrocinador da equipe, Rodrigo Paschoalotto (foto), deu entrevista ao blog Canhota 10 e classificou o ato como “covarde”. Em seguida Mogi informou que não pressionou a Federação a manter as datas. Um verdadeiro festival de amadorismo. Pareciam crianças de cinco, seis anos discutindo com alto-falante pra todos ouvirem. Um show de horrores que mostra como agem (e pensam) quase todos os dirigentes do país. Alguns pontos:

fpb11) Será mesmo que a Federação Paulista não poderia agir de forma diferente? Colocar os jogos, e um agora possível W.O. na mesa, era a única solução possível para este caso? Será mesmo? Não custa lembrar que Bauru é o segundo time do Brasil a ir jogar nos EUA na pré-temporada da NBA. Segundo time do país e o… primeiro do Estado de São Paulo.

2) A Federação Paulista tem noção que está comprando uma briga absurda com dois dos melhores times do Estado? Qualquer decisão que tome, agora, vai desagradar a Bauru ou a Mogi, cujos elencos são caríssimos e os investidores, fortes pra caramba. Tão amadora que é, a entidade não conseguiu planejar o calendário da única competição adulta de razoável nível que organiza mesmo sabendo desde agosto que os bauruenses iriam jogar na NBA e que os mogianos tinham a Liga Sul-Americana pela frente. Fica a pergunta: planejamento, alguém na Federação conhece isso?

mogi12.1) E a postura de Mogi? Deveria, sim, pressionar. Mas pressionar a Federação para encontrar a melhor solução para os dois lados. Não que os mogianos tenham feito o contrário (para que as datas fossem mantidas), mas está claro que ninguém fez força para um entendimento amigável. Lamentável.

3) A Federação Paulista tem culpa, sim, mas e os clubes? Desde quando sabiam dessa possibilidade? Se não sabiam, falharam ao não checar todas as possibilidades. Se sabiam, também por negligência ou falta de acompanhamento e alinhamento. Por que não pensaram e protocolaram algo para lhes resguardar? Bauru, me parece, é o que tem menos culpa neste cartório, mas não dá para eximir o clube de tudo, não. E não dá porque fica sempre tudo na base da palavra e quase nada é documentado. Absurdo o nível de amadorismo por parte das agremiações também, vocês vão me desculpar. O Campeonato Paulista perdeu muito de sua força devido ao crescimento do NBB. Eu mesmo acho que os estaduais deveriam acabar porque não servem mais para nada. Quando eles (estaduais) aparecem, normalmente é por causa de uma bizarrice como esta. Vale mesmo colocar times caros, como Bauru e Mogi, para passar por essas e outras situações deprimentes, como jogar em ginásios sem a menor condição, por exemplo? Vejam as situações dos ginásios dos times que jogaram o Paulista (os que estão fora do NBB) em relação a aros, pisos, arquibancadas, acessos, entre outras coisas.

bauru13.1) Até quando os clubes vão ficar discutindo assuntos assim de forma pública? Será que eles não percebem que quanto mais fazem isso, mais expostos ao ridículo eles ficam? Pergunta boba aqui: por que motivo um patrocinador colocaria uma grana pesada (ainda mais com a situação atual no país) em uma agremiação hoje em dia no basquete brasileiro? Qual o retorno que está dando nos últimos anos? Respondam aí…

alex14) E falando em passividade, os atletas ficarão calados para sempre? Da Associação eu nem falo mais porque já sabemos que dali não sairá absolutamente nada de relevante. Será que eles (atletas) não percebem que a empregabilidade deles diminui sobremaneira a cada situação terrível que aparece? Será que eles não percebem que com tanto amadorismo assim é cada vez mais difícil viver do esporte no país? Talvez os mais velhos (e as cabeças pensantes da Associação) liguem pouco para isso, pois seus bons salários e seus status estão garantidos. Mas e a molecada, será que não percebe que isso tudo lhes coloca ainda mais pra baixo?

5) Por fim: a Confederação Brasileira ficará fingindo que não tem nada a ver com isso? A Federação Paulista é uma de suas afiliadas, né? Bauru representa o Brasil na NBA, certo? Mogi representa o Brasil na Liga Sul-Americana também, correto? Não vale Carlos Nunes pegar o telefone e falar com os responsáveis para tentar aparar as arestas? Duvido que ele vá fazer isso, até porque seu telhado é de vidro (se é que há telhado ainda…), mas esta seria, sim, uma atribuição dele.

ibira1Confesso a vocês que escrever sobre este tipo de assunto cansa. A semana passada foi tão legal em São Paulo com o Mundial que vocês não imaginam. Ginásio cheio, craques internacionais, dois jogos excepcionais. Você sai do Ibirapuera com a sensação que, sim, o basquete está evoluindo e que tudo vai caminhar. Pega o avião, volta pra casa, abre a internet, vê as notícias e percebe que: 1) você foi um idiota de crer em melhorias; e 2) Nada mudará tão cedo.

vergonha22Pode ser duro e pessimista dizer isso, mas o caminho que os clubes (a maioria deles) têm escolhido nos últimos anos é mesmo o do amadorismo, da passividade, do conformismo e da irresponsabilidade de gestão.

Não adianta muito que a Liga Nacional tenha colocado grande parte das coisas nos eixos. Enquanto os clubes continuarem a pensar de forma tão rasteira, tacanha até, o necessário salto qualitativo que o basquete precisa dar não vai acontecer, não.


Com o título Paulista, outro passo do brilhante projeto de Bauru
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Fábio Balassiano

bauruFalei aqui essa semana sobre quão escondido foi este Paulista masculino adulto. A Federação conseguiu esconder um bom produto (o seu principal!), mas não só isso.

Na noite desta sexta-feira Bauru venceu em casa Limeira por 80-62, conquistou o bicampeonato estadual ao fechar a decisão por 3-1 e se tornou o primeiro time desde Franca (2006 e 2007) a ganhar troféus de forma seguida para delírio de sua fanática torcida.

ric2A conquista coroa, qual acontecera em 2013, o brilhante projeto de basquete que Bauru tem principalmente desde que seu patrocinador (Paschoalotto) passou a investir pesado na modalidade de dois, três anos para cá.

A estrutura melhorou, o elenco é um dos melhores do país (Murilo, Fischer, Larry, Alex, Jefferson, Hettsheimeir, Robert Day, Gui Deodato etc.), o esforço em fazer programas inovadores de comunicação/marketing é elogiável, ginásio vive cheio (Panela de Pressão) e o trabalho de Guerrinha, o técnico, é um dos mais duradouros do país (ele é o ÚNICO a dirigir no NBB pela mesma equipe desde a fundação da Liga Nacional, há sete temporadas).

larryBauru não conquistou o campeonato Paulista nesta sexta-feira por uma obra do acaso, uma coincidência. O resultado é fruto de um planejamento sério, organizado e que tem crescido gradualmente ano após ano. E isso é o mais importante.

Os bauruenses são ousados e querem ir ainda mais longe (Liga Sul-Americana, Liga das Américas e NBB), mas independente dos troféus em quadra é bacana demais, para quem gosta e acompanha o basquete brasileiro, ver projetos tão sérios e bem pavimentados como este.

Que o título do Paulista entusiasme ainda mais a cidade, que apóia fortemente o seu time, e aos demais clubes do país, que podem se inspirar no atual bicampeão Paulista como um correto modelo de gestão em se tratando de pensar e operacionalizar a modalidade.


Escondido, Paulista tem 3º jogo da final entre Bauru e Limeira hoje
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Fábio Balassiano

rafa1Hoje, 20h, acontece o terceiro jogo da final do Paulista entre Bauru e Limeira (em Bauru). Com a série empatada, quem vencer abre vantagem e fica a um triunfo de conquistar o título da competição. Na segunda-feira os limeirenses, com o apoio de seu torcedor, venceram a primeira por 84-78, mas no segundo jogo os bauruenses reagiram e venceram por 78-74 na terça-feira. O quarto duelo será na sexta-feira também no Panela de Pressão às 20h.

Adoraria continuar a escrever sobre a final do Paulista que coloca frente a frente dois bons times do país, mas é impossível. No momento em que escrevo (quarta-feira na hora do meu almoço) ainda não é possível ver a estatística da segunda partida. Nenhum dos jogos da competição foi exibido na televisão ou na internet. Durante a fase de classificação era impossível ver as colocações das equipes, bem como os números de cada atleta/time. No site quase não há fotos ou bons relatos sobre o que está acontecendo. Tem horas que dá, até, para duvidar que o regional mais forte do país está realmente existindo de tão escondido que é/está (no do RJ o Flamengo venceu Macaé e conquistou o décimo campeonato seguido).

alex1Responda sinceramente: há como algum jornalista escrever um texto absurdamente relevante ou interessante sobre algo que não se vê e nem se lê (em texto ou estatísticas) direito? Creio que a sua resposta seja o motivo pelo qual o blogueiro tentou, mas não conseguiu escrever quase nada sobre o Paulista desta temporada. Quase sempre abri o publicador do Bala na Cesta e comecei a digitar algumas linhas, mas quando eu lia nem eu me sentia atraído pelo que estava na tela e apagava simplesmente porque estava tudo tão empírico, tão distante de uma realidade que pode estar ocorrendo que eu ficava com medo de parecer um lunático.

Este é mais um entre tantos casos que costumam acontecer com quem se atreve a escrever sobre basquete brasileiro. Não é fácil, creiam. E nem estou falando, ainda, sobre a “guerra” que há entre dirigentes que não querem ser cobrados e a imprensa independente que deve… cobrar sempre. Falo de quadra, de jogo, de como analisá-lo. A comparação principalmente com a NBA nunca é justa (nunca é em nenhuma hipótese mesmo), mas tente, você, escrever um artigo diferente, com dados, estudo, sobre a principal liga de basquete do planeta. Vai lá. Pode começar. Você não irá demorar mais do que meia hora. Será fácil, rápido, bem tranquilo. Há inúmeros sites de consulta, blogs (estatísticos do esporte, inclusive) e comentaristas especializados na sua cara prontos para te ajudar a formatar um pensamento.

kobe2O BolaPresa, para mim o melhor espaço analítico de NBA no Brasil, tem no Dênis e no Danilo as suas forças, mas acho que até eles concordam comigo que seria impossível ter a profundidade que eles têm se não fosse o volume de dados e jogos disponíveis para consulta diária sobre as partidas, jogadores, técnicos e táticas. Dênis e eu, aliás, assinamos serviços de estatísticas avançadas há anos e não é raro ficarmos horas conversando sobre elas para tentar desvendar algumas coisas sobre o que está acontecendo com determinada equipe ou atleta.

E por aqui, como ficamos? Com um jogo 3 da final do Paulista acontecendo hoje em Bauru e com uma pequena, e surpreendente, possibilidade de assistir (veja mais aqui) através de um “tiro no último segundo” desesperado para ao menos mostrar alguma coisa ao público. Dureza…


‘Esvaziado’, Paulista masculino começa hoje
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Fábio Balassiano

marcel4Pode não parecer, porque não há comunicação alguma, nenhuma emissora para transmissões, mas hoje começa o Paulista Adulto Masculino. Sem os jogadores que estão nas seleções que disputarão a Copa do Mundo da Espanha, o principal estadual do país tem início nesta noite com seis partidas: Palmeiras x Bauru, Rio Claro x Paulistano, Franca x Mogi, Liga Sorocabana x Pinheiros, Limeira x Lins (que joga como Basquete Cearense) e São José x Internacional. Será uma edição curta de um campeonato esvaziado pra caramba (e isso é triste pacas, podem ter certeza).

A grande atração, enquanto Bauru não consegue contar com todas as suas estrelas de primeira linha (Larry, Alex e Hettsheimeir estão com a seleção de Rubén Magnano) e Gustavo de Conti segue auxiliando a equipe nacional (longe do seu Paulistano, portanto), é mesmo a volta de Marcel de Souza às quadras.

Ele estreia como técnico logo mais diante da Liga Sorocabana pelo seu novo clube, o Pinheiros. Ele foi recentemente entrevistado aqui e quem gosta de basquete torce para que Marcel (foto) vá muito bem em sua empreitada.

toniO formato da competição é: as 12 equipes dividem-se em dois grupos, enfrentando-se dentro da chave em turno e returno. As 4 melhores de cada chave se classificam e passam a atuar no mata-mata (melhor de 5). No Grupo A: Bauru, Palmeiras, Mogi, Limeira, Lins e Franca. No Grupo B: estão: Pinheiros, Paulistano, Liga Sorocabana, São José, Internacional e Rio Claro. 

Sobre o Paulista Feminino, sinceramente não há muito o que se possa escrever (a foto à esquerda ajuda a compreender o cenário). Leia a matéria aqui e chore comigo. São apenas quatro times (Americana, Presidente Venceslau, Rio Claro e Santo André). E não há mais nada que possa ser falado depois disso.

Tags : Paulista


A consolidação de Ricardo Fischer, armador de Bauru
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Fábio Balassiano

dupla1Quando voltou ao Brasil depois de um período na Suíça em 2010, o armador Ricardo Fischer, então com 19 anos, era “apenas” o irmão de Fernando (ambos na foto), ala dos bons de Bauru. Procurou espaço, e encontrou no projeto de Barueri uma chance para recomeçar. Foi campeão Paulista Juvenil no mesmo ano, e logo contratado por São José, onde seria reserva de um dos melhores jogadores de sua posição no país (Fúlvio).

Foi lá, ganhou experiência, passou duas temporadas mais treinando do que jogando (médias de 10 e 12 minutos em 2010/2011 e 2011/2012) e decidiu unir forças com seu irmão Fernando em Bauru na temporada 2012/2013. Não achei, na época, que seria uma escolha boa, pois os bauruenses contavam com Larry Taylor na posição 1. Ídolo e craque do time, Larry comandava as ações, era o querido da torcida e aparentemente não daria espaço para Ricardo ter muito tempo em quadra. Mas houve uma correção de rota bem bacana na história.

EquipeBauru-640x360Ricardo Fischer foi crescendo, jogando muita bola nas partidas da LDB que participou (campeão na edição passada) e ao lado de Gui Deodato parecia inevitável que mais minutos não viessem no time adulto. E vieram. O técnico Guerrinha, em uma manobra bem acertada, decidiu deslocar Larry para a posição de ala-armador, onde o espevitado norte-americano naturalizado brasileiro se sente mais à vontade e sem tanta pressão de armar as jogadas. Com isso, abriu-se espaço para Fischer registrar consideráveis 11,7 pontos, 4,3 assistências, 29,3 minutos e 42% nos três pontos em sua primeira temporada efetiva como jogador do NBB.

Ricardo virou titular, mas se machucou com gravidade no NBB passado. Ficou longe das quadras, voltou no final dos playoffs e foi muito bem mesmo sem estar com 100% de suas condições físicas. Veio esta temporada de 2013/2014 e o rapaz, convocado para treinar com Rubén Magnano na seleção brasileira antes da Copa América da Venezuela, voltou ainda melhor.

ric1No título Paulista conquistado por Bauru ontem Ricardo não fez apenas parte do time campeão. O mais novo dos Fischer, que chorou horrores quando soou o apito final, foi fundamental, essencial, o condutor do jogo de um time talentoso. Mostrou coragem para decidir os jogos 5 da final contra Franca diante do argentino Figueroa (19 pontos, 3 assistências e 3 rebotes) e o primeiro da decisão contra o Paulistano diante do norte-americano Dawkins (19 pontos, 7 assistências e 5 rebotes), e frieza para sacramentar o título na noite de ontem com 15 pontos, 3 rebotes e 3 assistências.

Não sei se foi o melhor do campeonato (pouco importa), mas sem dúvida foi o jogador que mais gostei de ver jogar. Nos 12 jogos que os bauruenses fizeram nos playoffs do Paulista, o camisa 5 teve 14,4 pontos, 5,2 assistências e 3,2 rebotes por jogo. Em um basquete recheado de produtos prontos que vêm de fora e/ou veteranos que dão as cartas há anos, ver um rapaz de 22 anos como protagonista de um time campeão não deixa de ser uma estupenda notícia.

A conclusão é óbvia: Ricardo Fischer está pronto e é um dos melhores armadores do país. Que continue se desenvolvendo e que seja valorizado nas próximas convocações. Ainda pode melhorar muito (principalmente na defesa e na escolha dos momentos de arremessar ou passar a bola), mas já temos um novo grandíssimo armador jogando por aqui.


Título coroa o ótimo trabalho de Bauru
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Fábio Balassiano

bauru1

Terminou ontem o Campeonato Paulista. E terminou com um título mais do que justo. Com 23 pontos do argentino Fabian Barrios e 15 do estupendo Ricardo Fischer (seleção brasileira, sem dúvida alguma!), Bauru fez 79-68 no Paulistano na capital de São Paulo e conquistou o bicampeonato estadual (antes em 1999) em uma série que não foi boa em termos técnicos (principalmente pelo lado dos agora vice-campeões, que atuou de forma completamente diferente do que vinha jogando até a semifinal).

guerrinhaO troféu coroa um grandíssimo trabalho que tem sido feito em Bauru desde que o time voltou ao cenário nacional para o começo do NBB1. Sob o comando de Guerrinha (único técnico que comandou todas as edições do NBB na mesma equipe – foto à esquerda), os bauruenses tinham um patrocinador forte (Itabom), perderam este mas conseguiram repor à altura com a Paschoalotto, grupo que investe horrores no elenco, em comunicação, em estrutura, em tudo.

É um modelo de administração bacana e que merece os parabéns (tão diferente que o time renovou o contrato por três anos com Gui Deodato, Larry Taylor e Ricardo Fischer – e sabemos que contratos longos são raríssimos aqui no Brasil!). Ontem a gente viu o ginásio do Paulistano totalmente lotado por torcedores bauruenses, que viajaram do interior para a capital para assistir a terceira partida da final e vibrar com o título que não vinha há 14 anos.

Parabéns ao Paulistano, por ter chegado às finais do Paulista, e minhas felicitações a Bauru, cidade que ama basquete há anos e que agora vê novamente um time ser campeão. Que mantenha o fanatismo e os patrocinadores sigam investindo na modalidade.

 


Bauru pode conquistar Paulista hoje
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Fábio Balassiano

bauru1A longa espera de Bauru pode terminar hoje. Campeão Paulista em 1999, Bauru pode repetir o caneco 13 anos depois caso vença o Paulistano esta noite (20h, com promessa de transmissão da ESPN+) pela terceira vez seguida na série final. A partida será na capital paulista, e com 2-0 os bauruenses estão a um passo do título.

Pelo lado de Bauru, a ausência será Lucas Tischer, suspenso depois da briga com Pilar (também suspenso), mas a confiança deve estar altíssima. O time jogou bem nas duas primeiras partidas, conseguiu diminuir a sanha de Dawkins e Holloway e foi muito efetivo no jogo de garrafão. Caso consiga manter o controle do jogo nas mãos de Ricardo Fischer (grandíssimo jogador – na foto à direita) a chance de o caneco vir hoje mesmo é bem grande.

Pelo lado do Paulistano, estou curioso para ver quais ajustes táticos serão feitos pelo bom técnico Gustavo de Conti. Além da defesa, que não tem conseguido acompanhar Murilo e dá muita liberdade para Ricardo e Larry Taylor, há um problema grande de fazer a bola ficar mais nas mãos de Holloway, principal estrela do time e muito bem anulado por Gui Deodato, Larry e Barrios.

Será que Bauru consegue o segundo título Paulista do time? Ou o Paulistano consegue levar a série para o quarto duelo?


Vitória de Bauru e confusão no Paulista
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Fábio Balassiano

ricardo1O primeiro jogo da decisão do Paulista Masculino ontem em Bauru teve um primeiro tempo tenebroso, um segundo médio e a vitória de Bauru por 81-78. Foi uma vitória até certo ponto “na marra”, porque o Paulistano tinha o controle da peleja até o minuto final, quando os bauruenses, com decisiva atuação de Ricardo Fischer (19 pontos e 7 assistências deste que é um dos melhores do país sem dúvida alguma – na foto à direita), viraram e conseguiram importante triunfo na série. O jogo 2 será hoje às 20h, e a ESPN+ promete transmitir.

Estava com texto pronto para comentar sobre o paupérrimo nível técnico das duas equipes (e me admira muito que o Paulistano, do ortodoxo Gustavo de Conti, tenha chutado tanto de três pontos, com 29 para apenas 10 conversões, quanto de dois pontos, com 31 tentativas), mas não será possível. E não será possível por um motivo não muito nobre.

Durante a partida a torcida de Bauru (como todas desse país e em qualquer esporte, diga-se de passagem) provocou, xingou, tentou mexer com a cabeça dos atletas do Paulistano. Até aí, nenhum problema, chega a ser até normal, embora um estudo antropológico possa ser feito no Brasil pelo fascínio que torcedores por mães de atletas rivais. Alguns jogadores do time da capital, como Pilar (ex-atleta bauruense) e Kenny Dawkins (foto à esquerda) responderam às provocações, também sem violência. Aqui poderia ser aplicada falta técnica, como prevê o regulamento, mas é uma atitude comum na NBA (não é raro vermos atletas que matam os Knicks no Garden brincando com o provocador Spike Lee – veja um exemplo aqui).

dawkins1Tudo estava até certo ponto controlado até o final da transmissão da ESPN. Imaginei que os ânimos quentes ficariam só naquilo mesmo. Mas eis que li a nota que chegou da Assessoria do Paulistano. Reproduzirei de forma completa (e está no site do clube também):

“O Club Athletico Paulistano lamenta a agressão sofrida pelo atleta Kenny Dawkins ao final do Jogo 1 do playoff final do Campeonato Paulista 2013, no túnel de acesso entre a quadra e o vestiário do Ginásio ‘Panela de Pressão’, em Bauru. O atleta Lucas Tischer (foto à direita), do Bauru Basketball Team, agrediu Dawkins com um empurrão por trás e um tapa no rosto quando o jogador do Paulistano se dirigia ao vestiário ao fim da partida.

O jogador de Bauru correu em direção ao jogador e depois da agressão ainda o pressionou contra a parede, ameaçando um soco no rosto. Ele só foi parado quando o roupeiro do Paulistano, Djalma Silva, interveio entrando entre ambos, sendo também agredido de raspão na cabeça no processo.

O Club Athletico Paulistano continua com seu propósito de jogo limpo, na bola e decidido dentro da quadra, pelos atletas, que são os verdadeiros donos do espetáculo. Lamentamos e repudiamos veementemente atitudes anti-desportivas como a do atleta Lucas Tischer.  Torcemos e pregamos que a sequência do Campeonato Paulista seja de mais espírito esportivo. Club Athletico Paulistano”.

Falei nesta manhã com a assessoria de Bauru, que negou tudo. Agora há pouco recebi o Comunicado Oficial do Bauru Basketball Clube. Vamos lá:

lucas1

“O Paschoalotto/Bauru Basket declara que em nenhum momento o atleta da equipe bauruense, Lucas Daniel Tischer, agrediu o jogador do Paulistano, Kenny Dawkins. No túnel de acesso aos vestiários, Lucas e Kenny iniciaram uma discussão que foi logo apartada por membros da comissão técnica e diretoria da equipe bauruense.

O que lamentamos profundamente foi a atitude antidesportiva do atleta Kenny Dawkins que a todo o momento provocou a torcida bauruense, inclusive disparando uma cusparada em direção às arquibancadas. Outros atletas como César e Mineiro insultaram a torcida bauruense, provocando ainda mais e estimulando a violência. Ressaltamos que o Paschoalotto/Bauru preza pelo jogo limpo e acredita que o basquete se faz dentro de quadra e não com acusações sem fundamentos”.

Como se vê, são duas versões completamente diferentes de um único fato (razão pela qual não é possível tirar conclusão alguma e devemos tratar os dois esclarecimentos como ‘versões’). Não sei, sinceramente, se há circuito interno no ginásio Panela de Pressão para que alguma imagem apareça, mas fica a tristeza por mais um episódio triste no basquete brasileiro. Mais uma vez é ele, exclusivamente ele, o basquete, que sai perdendo nessa história toda.

Enquanto os atletas, técnicos e dirigentes não entenderem que este tipo de notícia ruim só atrapalha (o texto, aqui no blog, seria APENAS sobre a partida e teve que ser cortada pela metade…) o esporte não vai sair do buraco (sim, porque está no buraco há quase 20 anos!).

Alguns ainda tentarão culpar a imprensa (a série, a independente, não a “parceirinha”…), mas não adianta dourar a pílula. Aconteceu alguma coisa em Bauru, isso está bem claro pra mim. Há, portanto, que se divulgar as versões (mesmo que a conclusão não se possa tirar). E lamentar. Lamentar profundamente por uma ação absurdamente covarde de um atleta contra um companheiro de profissão.

Climão pro jogo 2 de logo mais, hein…


Bauru e Paulistano abrem final do Paulista
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Fábio Balassiano

guerra1Começa hoje, enfim, a final do Paulista Masculino entre Bauru e Paulistano. A partir das 20h (ESPN+ promete transmitir), o ginásio Panela de Pressão certamente estará cheio para o primeiro jogo da decisão. Os próximos jogos serão na terça-feira (em Bauru), dois em São Paulo (9 e 10/12) e o quinto, caso necessário, no interior do Estado em 16/12. A decisão, portanto, será em melhor de cinco jogos.

Pelo lado de Bauru, estou curioso para saber como estará a cabeça do time depois da derrota para o Aguada na Liga Sul-Americana. Não adianta querer dourar a pílula, pois foi realmente muito feio o que aconteceu no Uruguai. É inconcebível um elenco melhor, como é o bauruense, perder para um MUITO pior depois de abrir mais de 20 pontos. O lado psicológico vai ser trabalhado por Guerrinha (foto à esquerda), técnico da equipe que, sim, é favorita para a decisão que começa logo mais. Bauru tem mais investimento, mais elenco, mando de quadra e uma dupla de pivôs mais pesada (Lucas e Murilo) e que pode ser fundamental no duelo contra Pilar (que jogou até a temporada passada em solo bauruense) e Mineiro. A única coisa, deste canto, que eu realmente lamento é a falta de tempo de quadra que Gui Deodato está tendo neste começo de temporada 2013/2014. Para quem vinha em grande evolução, a perda de espaço não é bacana.

desmond1Pelo Paulistano, a esperança do técnico Gustavo de Conti (em sua primeira final) atende pelo nome de Desmond Holloway. Um dos cestinhas da competição, com 18,5, o magriça ala-armador foi contratado pelo time da capital justamente para ajudar na pontuação. E é o que vem fazendo. Holloway é talentoso pacas, infiltra muito bem e possui bom aproveitamento nas bolas longas (40% de três pontos no Paulista). Ao lado do baixinho Dawkins, armador que registra 15,9 pontos, é o principal responsável por carregar o piano no ataque. O Paulistano é um time organizado, bem treinado, com uma boa defesa e que conseguiu se reforçar muito bem para esta temporada. É bacana ver o bom trabalho ser recompensado, sem dúvida alguma.

Apenas como registro: esta será a terceira final paulista da história centenário Club Paulistano (perdeu em 2005 para o Ribeirão Preto e em 2009 para São José) e a terceira de Bauru (venceu Franca em 1999 e perdeu dos francanos em 2000). Este é o quinto ano consecutivo que a capital de São Paulo coloca um representante na decisão. O Pinheiros foi campeão em 2011, e vice em 2010 e 2012.

E aí, quem será que vence a final do Paulista? Comente!