Bala na Cesta

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Ao menos no sorteio olímpico seleção brasileira feminina se deu bem
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Fábio Balassiano

femininoOntem analisei aqui o cenário que ficou preparado para a seleção masculina após o sorteio olímpico realizado na sexta-feira. Mas o que aconteceu para a equipe nacional feminina dirigida por Antonio Carlos Barbosa? Em uma primeira vista, as meninas se deram até que bem. Antes de explicar, ressalto que, tal qual com os rapazes, os cinco times que sairão do Pré-Olímpico Mundial serão sorteados (três pro grupo brasileiro, dois para o dos Estados Unidos).

franca1Para as meninas a dificuldade será claramente menor do que a que poderia acontecer. Ainda há três equipes que entrarão na chave, e pode ser que ali entrem, por exemplo, Turquia, Espanha e França (atual vice-campeã olímpica e na foto ao lado), o que torna tudo mais difícil. Mas pelo que já temos, é possível comemorar que a Sérvia, campeã europeia, não está na chave brasileira – e muito menos os Estados Unidos. Com isso, entraram de cara Austrália (com o final de sua melhor geração – em viés de queda, é bom que se fale isso) e o Japão, país que o Brasil historicamente sempre se deu bem devido ao potencial físico maior.

barbosa1Se não é o melhor dos mundos, pois em Olimpíada não há nada tranquilo, ao menos não há bicho de sete cabeças no grupo, embora a ordem dos primeiros jogos (Austrália em 6/8 e Japão no dia 7 ou 8) pudesse ser invertida. Sorte maior seria apenas se Senegal viesse no lugar do Japão, mas aí seria pedir demais.

O problema da seleção feminina, portanto, não está na chave que será formada. O problema, e isso sabemos bem, é o dentro de quadra (a parte técnica e tática mesmo). Com o aporte do Ministério do Esporte espera-se que a CBB dê a Barbosa e ao elenco ótimos amistosos e uma preparação impecável. Se isso acontecer, e se o treinador conseguir dar um bom padrão de jogo para um grupo que, diga-se, não é lá muito forte, aquele mico colossal que todos esperavam pode ser que não aconteça.

barbosa1Mantenho meus dois pés atrás em relação a seleção feminina nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A diferença é que depois de sexta-feira creio que a eliminação não acontecerá na primeira fase – como muita gente estava projetando.

Creio que a equipe avance às quartas-de-final, e aí vai depender do cruzamento para chegar a uma semifinal. Tem muita coisa para acontecer ainda, mas o começo de 2016 para Barbosa e companhia está sendo razoavelmente animador. O foco, agora, é treinar – e treinar bem – para entrosar o grupo até a estreia olímpica.


Tudo ou nada – o caminho da seleção masculina no Rio-2016
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Fábio Balassiano

fiba1Saiu ontem o sorteio dos grupos das Olimpíadas de 2016. E não foi nada bom para a seleção brasileira masculina. Sei que ainda há muita coisa até os Jogos começarem em agosto, mas a primeira vista o que se viu não foi muito agradável, não. As chaves estão aqui ao lado, e os quatro primeiros se classificam para as quartas-de-final. Antes de começar, vamos esclarecer aqui: as posições dos Pré-Olímpicos serão definidas em outros sorteios. Além disso, dias e horários ainda não foram definidos pela FIBA e nem pelo Comitê Organizador.

ruben1Para a seleção brasileira, é o grupo da morte mesmo. Dá para “ler” isso de duas maneiras: 1) O sorteio foi muito ruim, pois essa chave é complicada e passar de fase será muito difícil; 2) A chave difícil não é ruim, pois se passar o grupo de Rubén Magnano ganha confiança para as quartas-de-final e para a luta por medalhas. Não há, ao menos na minha cabeça, um meio termo entre ir muito bem e ir muito mal (em termos de resultado) portanto. Cair na primeira fase é o pesadelo. Passar de fase traz a chance de enfrentar alguém do outro grupo com REAL oportunidade de avançar a uma semifinal olímpica (duas chances para conquistar uma medalha portanto).

jonas1Pelo lado otimista ou pelo menos animado, a verdade é que, tirando um pouco a Nigéria de lado, serão cinco países de alto nível (Espanha, Lituânia, de Jonas Valanciunas – na foto -, Argentina, com Ginóbili, Scola e companhia, Brasil e quem vier do Pré-Olímpico Mundial) brigando por quatro vagas. Na real, por três vagas, pois quem passar em quarto lugar deve pegar os Estados Unidos. Quem quiser fugir do elenco forte de Coach K até a decisão do ouro, aliás, deve ter isso aqui em mente: passar em primeiro ou terceiro é imperativo (a Espanha, em 2012, lembra bem, né?).

gasol2Para dificultar ainda mais as coisas para o Brasil, o calendário de jogos prevê, de cara, Lituânia (vice-campeã européia), Espanha (prata em 2008 e 2012, campeã européia), o time do Pré-Olímpico Mundial e Argentina, com a Nigéria sendo a última a enfrentar a equipe nacional. Ou seja: da estreia a quarta rodada não haverá um segundo de respiro, de jogo mais tranquilo. A grande vantagem disso tudo é que se passar da primeira fase (algo que acredito) terá o quinto jogo contra um rival menos forte e depois dois eventuais dias de descanso até as quartas-de-final – esta, sim, O jogo da geração, pois é o que leva a partida das medalhas.

bra1Então é isso: a chance derradeira desta geração de Anderson Varejão, Huertas, Leandrinho, Nenê e Alex Garcia conquistar uma medalha pela seleção brasileira será no melhor estilo “tudo ou nada” (All-In, no jargão do Poker) desde quando a bola quicar no Rio de Janeiro.

E você, o que achou? Está mais animado depois do sorteio de ontem? Ou complicou para a seleção brasileira masculina? Comente aí!


Rio-2016, a Olimpíada que o Brasil já perdeu
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Fábio Balassiano

ogloboNo dia seguinte à derrota da seleção brasileira para a Holanda na disputa do terceiro lugar da Copa do Mundo de futebol o jornal O Globo, um dos maiores do país, surgiu com a capa: “Faltam 754 dias para as Olimpíadas” (imagem ao lado).

A publicação falava dos cronogramas, dos prazos para conclusão das instalações (ginásios/arenas) e das obras de mobilidade urbana já atrasadas, mas sequer tocava em um ponto fundamental – a herança esportiva que os Jogos de 2016 deixarão, ou não, para o Brasil.

Três dias depois, o foco mudou. Voltou a se falar de futebol (que surpresa!). Com o perdão da palavra, mas as discussões que eu vi, com raríssimas exceções, beiram a mediocridade tão rasteiras/tacanhas (intelectualmente) que são. Discute-se o periférico, mas não a essência do problema (que é sistêmico, e não pontual ou exclusivo da seleção). Discute-se o boné usado em apoio ao Neymar, discute-se a forma de falar do Dunga, discute-se o bigode do Gilmar Rinaldi. Com todo respeito, este não é o motivo central pelo qual o futebol brasileiro está na lama há, brincando, uma década. E todos que pisam em um estádio sabem. É o Mito da Caverna, de Platão, nos dias de hoje. Não se falar o que deve ser falado TODOS os dias só ajuda a turma da CBF a permanecer com as mesmas ideias. Se não há incômodo (no sentido de incomodar quem está no poder) não há evolução. Meio óbvio isso, não?

dilmaE aí, no meio deste furacão alguém, ou algum jornal, lembra que haverá uma Olimpíada em pouco mais de dois anos no Brasil (o Meligeni falou disso muito bem também). Caramba, agora é que descobriram? Quando foi mesmo que o país foi escolhido como sede? Foi em 2009, certo? Por aqui o atraso (em qualquer esfera) é tão grande que até as cobranças são… atrasadas. Fiscalizar agora, ou a partir de agora, é justo, é lícito, mas não é o mais bacana a se fazer. Todos deveriam estar de olho há justamente cinco anos.

Já são, desde a confirmação do Rio de Janeiro como cidade-sede, cinco anos para arrumar ginásios e obras de infraestrutura, mas há algo maior que sequer está sendo mencionado: como o país está se preparando esportivamente para receber o evento olímpico? Ou melhor: o Brasil se preparou para receber a Olimpíada de 2016 devidamente? Porque agora, com todo respeito, já era, já passou. Hoje, exatamente hoje, restam apenas dois (anos) para que os Jogos comecem (menos de 750 dias portanto).

rio1Desculpe, mas se você está PENSANDO em cobrar resultados (medalhas) dos atletas, esqueça. É pouco sincero e inteligente de sua parte. Você, nos últimos meses, sabe como a turma da esgrima tem treinado? E o pessoal do remo? Como está o time de tiro com arco? E o handebol, campeão do mundo, ganhou a força tão prometida para ter uma liga decente? Como estão os irmãos Falcão depois da brilhante Olimpíada de 2012? Você sabe quais são os feitos de Robert Scheidt nos últimos 20 anos? Tem noção do que a galera do judô consegue sem ter 30 segundos/centímetros de espaço para divulgação?

Vale a pena cobrar dos atletas, que treinam muito mesmo em condições precárias, ou de quem não lhes dá o necessário subsídio para que eles duelem em condição de igualdade contra americanos, australianos ou chineses ?

dilma4Medalhas em Olimpíadas são conseguidas por atletas de ponta, atletas da elite do esporte mundial. Não é algo que cai do céu da noite para o dia, não. Qual é a condição (de treinamento, psicológica e financeira) que um atleta brasileiro tem hoje? Esqueça o vôlei, até mesmo o basquete, e pense em todos os esportes que compõem a Olimpíada. Veja o exemplo da abnegada do pentatlo moderno que conquistou uma medalha de bronze heroica em 2012. Hoje NINGUÉM lembra da menina. O Google tem menos menções (143 mil) a Yane Marques (lembrava do nome dela?), um mito brasileiro por ter conseguido algo tão improvável dentro de um dificílimo esporte, do que qualquer jogador ruim que atua no seu time de futebol. Sintomático isso, não?

Sem querer ser ainda mais chato, sem querer colocar água no chope desde já, mas não se formam equipes olímpicas em dois anos. Não se formam equipes olímpicas se duvidar nem em dez anos. Não se forma uma nação esportivamente olímpica (e não só futeboleira) em menos de duas décadas de trabalho esportivo sério, responsável e minucioso (algo que definitivamente não é feito aqui desde sempre – ou seja, a culpa não é exclusiva dos que agora estão no poder).

BAdoraria terminar este texto de forma diferente, mas não é possível. Infelizmente o Brasil já perdeu a chance de se transformar em uma potência esportiva (dos esportes olímpicos, claro) com a vinda dos Jogos para cá em 2016. Pode ser que vire algum dia, com uma mentalidade diferente, mas para daqui a menos de 800 dias é IMPOSSÍVEL.

O Brasil (como um todo) perdeu a chance de modificar a relação de poder que há nas Confederações (quase todas elas corroídas com gestões tenebrosas – e quem acompanha este espaço sabe da de Basquete, a CBB…). Perdeu a chance de colocar o atleta como figura central e respeitada na sociedade esportiva. O Brasil, mais do que isso, perdeu a chance de mudar a sua (inexistente) política esportiva como um todo, conciliando (e massificando) esporte e educação como os países mais desenvolvidos do mundo sabem fazer há séculos (Austrália e Estados Unidos, por exemplo). Colocar o esporte na escola, com as Olimpíadas no horizonte, deveria ter virado a ordem do dia, deveria ter virado o objetivo número um (objetivo anterior à conquista de medalhas, por exemplo).

brasil1Mas, bobagem, nada disso foi feito. O Governo/Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro pensaram apenas nas medalhas (e é só ver aqui, aqui e aqui o que o COB falou na semana passada). Mirou-se, portanto, no resultado imediato e não na preparação para deixar algo plantado para o longo prazo. Mirou-se apenas no objetivo final, e não no caminho que leva a um objetivo (algo mais trabalhoso).

O Governo investiu milhões e milhões nas Confederações (nunca jorrou tanta grana no esporte, isso é inegável), os resultados podem até vir (e torcerei por eles, diga-se), mas não há nada idealizado para a base da pirâmide, para meninas e meninos deste país que começam a praticar esporte com 10, 11 anos. Erro bobo, mas esperado de quem só pensa no tiro curto, na medalha, em vencer rápido e não em COMO se preparar para vencer por muito tempo (sustentabilidade). E todos têm culpa nisso (Governo, Confederações, Atletas, sociedade mesmo).

brasil1Para quem ama esporte (meu caso, seu caso), é doído, duro, é chato dizer isso, mas só um lunático acredita no contrário. O fato é: hoje é dia 5 de agosto de 2014, faltam exatamente dois anos para os Jogos e o Brasil já perdeu a chance que tinha com a Olimpíada de 2016.

A chance de se transformar em um país que faz esporte de alto nível já foi pro ralo. E isso não tem mais volta.


Sem surpresa, EUA batem França e conquistam ouro no feminino; Austrália fica com o bronze
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Fábio Balassiano

Terminou há pouco o torneio de basquete feminino da Olimpíada de Londres. Os Estados Unidos não tiveram muito trabalho, bateram a França por 86-50, conquistando o quinto ouro consecutivo (1996, 2000, 2004, 2008 e 2012) e a vitória de número 41 de forma seguida.

No começo, até que as francesas tentaram equilibrar a peleja (20-15), mas no segundo tempo não tiveram forças para segurar a onda. Perdiam por 43-32, mas ficaram seis minutos sem pontuar e levaram 19 pontos seguidos. A desvantagem que era de 11 saltou para 30 (62-32) rápido, e depois foi só ver a comemoração das norte-americanas. Candace Parker, em noite inspiradíssima (sua filha e marido estavam na plateia), anotou 21 pontos e 11 rebotes, e além dela, apenas Sue Bird (11) teve dígitos duplos.

Prêmio máximo para as americanas, mas a França merece um parabéns especial também. Não “só” pela prata conquistada neste sábado, mas sim pela continuidade de seu trabalho com uma geração muito boa. Para se ter uma ideia, em 2003 as francesas foram medalha de bronze no Mundial Sub-21 da Croácia. Daquele time, cinco estiveram em Londres, na Olimpíada (Godin, Gomis, Dumerc, Ndongue e Lepron). Ou seja, houve sequência de trabalho. Ah, sabe quem ficou com a medalha de prata naquele Mundial de 2003? O Brasil. Sabe quantas meninas de nove anos atrás estavam nos Jogos de 2012? Apenas Érika e Silvia de um elenco com muitas atletas que, com menos de 30 anos, já PARARAM de jogar. Explica muita coisa, não?

No jogo do bronze, a veterana Kristi Harrower queria que sua despedida da seleção australiana fosse em grande estilo. E ela conseguiu. Teve 21 pontos, quatro assistências e três rebotes na vitória de sua equipe por 83-74 contra a Rússia. Além dela, outras duas veteranas foram muitíssimo bem. Lauren Jackson teve 25+11, e Suzy Batkovic saiu-se com 17-8.

Foi a quinta medalha consecutiva para a Austrália (1996 e 2012 de bronze, e 2000, 2004 e 2008 de prata), e uma despedida de gala para Harrower, craque de 37 anos que foi carregada por suas companheiras ao final da partida (foto à esquerda).

Viu os jogos de basquete neste sábado? Comente!


Julio Lamas explica: ‘Nossa intenção era fazer Huertas não passar a bola. Deu certo’
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Fábio Balassiano

“Nossa execução tática foi muito boa. Tratava simplesmente de fazer com que Huertas não passasse a bola, não fizesse seus companheiros jogar. O objetivo era claro: queria que o Brasil não usasse os pivôs de NBA que tinham para poder fazer um interior (de garrafão) mais igual, menos traumático para nós. Fomos impecáveis nisso. Ainda que tivéssemos levado 17 pontos dele no primeiro tempo, insisti para que a estratégia fosse mantida. Confiamos, deu certo e vencemos”, Julio Lamas na entrevista coletiva depois do jogo contra o Brasil (obrigado, Fábio Aleixo!).

“A Argentina teve uma excelente postura tática, centrada na idéia de que Marcelinho fosse o protagonista sem que envolvesse a todos. A função básica de um armador é alimentar seu time, mas para Huertas custa pouco assumir o protagonismo e pensar apenas em pontuar, esquecendo do básico para sua equipe. Grave erro da equipe de Magnano, que custou o jogo. Além disso, o Brasil apostou, na minha opinião de maneira equivocada, no jogo interior e na individualidade de Marcelinho e Leandrinho. Este tipo de ataque quebrou a equipe em duas. Ou bola para dentro, ou um contra um dos dois citados. Assim, a equipe brasileira perdeu a fluidez. E eu digo que foi errado porque o interior do Brasil é composto de grandes jogadores, mas grandes jogadores defensivos. Nenê Hilário, Anderson Varejão e Tiago Splitter são marcadores excelentes, mas falta a eles capacidade de liderar um jogo dessa magnitude ofensivamente. Algumas vezes eles conseguem, mas em curtos períodos apenas. Com constância e por muito tempo, não. Por fim, eles foram péssimos nos momentos decisivos. Nota-se uma falta de liderança e de convicção absurdas na hora de decidir, na hora de buscar uma medalha. Se ficaram a dois pontos da vitória em um momento, foi porque tinham mais pernas, mais rotação e muito talento individual. Mas aí vem o lado psicológico, que destrói o Brasil”, Pepe Sanchez, armador titular da Argentina campeã olímpica, em sua coluna no site da ESPN (leia aqui)

“Contra o Brasil os jogadores defenderam muito bem, acreditando e respeitando o plano, embora no início tenhamos levado algumas cestas que não estavam no roteiro. A idéia era Huertas não permitir que os pivôs grandes deles entrassem no jogo. Não conseguiríamos marcar, todo mundo sabe. Os jogadores foram muito inteligentes, embora Marcelinho tenha marcado 17 pontos na primeira metade e nos assustado um pouco”, Julio Lamas a ESPN da Argentina.

Coloquei acima declarações de Julio Lamas, técnico da seleção argentina, e de Pepe Sanchez, armador campeão olímpico com os hermanos em 2004 (análise bem dura, mas impossível discordar do cara). Não gosto muito de ficar remoendo jogo, revendo partidas, mas ainda estou chocado com a leseira tática do Brasil nas quartas-de-final da Olimpíada. Falei aqui sobre a estratégia de Lamas de literalmente deixar Marcelinho Huertas jogar, pontuar, ser o protagonista das ações com arremessos, e muita gente acabou duvidando. Pois bem, está ai o que aconteceu. Huertas sem acionar os pivôs, pontuando como se não houvesse amanhã e sua principal função esquecida.

É óbvio que a responsabilidade da derrota é dividida, mas é inadmissível que um técnico da categoria de Rubén Magnano tenha caído duas vezes na rudimentar estratégia de Lamas (coisa boba, gente). Em 2010, Huertas teve 16 arremessos de quadra, 32 pontos e nenhum erro (marcação de longe). Os pivôs, naquele 7 de setembro, 14 arremessos e 20 pontos. Em 2012, 17 arremessos, um erro e 22 pontos. Os gigantes (Nenê não estava no Mundial da Turquia), 13 arremessos e 17 pontos. Será que ninguém percebia o que se passava ali? Magnano, Demétrius, Neto, Duró, atletas, ninguém?

E aí entra o segundo fator importante. Via de regra, falta leitura de jogo a atleta brasileiro, e talvez seja por isso que os argentinos, com um elenco envelhecido, sem o mesmo potencial físico e vivendo de uma tática simples, bobinha, tenham vencido o Brasil mais uma vez (com mais talento, é verdade, mas com, insisto, uma tática ridícula). Magnano errou ao não informar aos seus atletas o que estava acontecendo em quadra, mas os jogadores também deveriam ter o discernimento de entender o que rolava em quadra. É o mínimo que se esperar de atletas de alto nível.

Por fim, o mais trágico, ao menos pra mim, é saber que esta geração, cantada em verso e prosa como a melhor do país em muitos anos, provavelmente nunca terá atingido, junta, o máximo, em termos técnicos e táticos, que poderia atingir. É uma pena.


Brasil repete erros de 2010, perde da Argentina e está fora da Olimpíada de Londres
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Fábio Balassiano

No dia 7 de setembro de 2010, Pablo Prigioni foi perguntado sobre a altíssima pontuação de Marcelinho Huertas (32 pontos e 10/16 nos arremessos) na partida em que os hermanos venceram o Brasil por 93-89 no Mundial da Turquia: “Essa era a tática mesmo. Deixá-lo pontuar, para que os outros atletas não ficassem muito envolvidos nao jogo”.

Pois bem. Isso foi há quase dois anos, e a tática de Julio Lamas se repetiu nesta quarta-feira (confesso que quando vi isso com um minuto de jogo mandei um SMS para o companheiro Gian, que também se surpreendeu). Pablo Prigioni “pagou” para os chutes de Marcelinho Huertas no começo, o brasileiro “caiu” na armadilha e começou a pontuar sem parar (sem, céus, envolver seus companheiros na partida). Anotou 13 pontos no primeiro período, mas a chave da vitória argentina estava lá. Nem Rubén Magnano nem o armador repararam, e Lamas viu sua velha estratégia dar certo (de novo).

Cercado na segunda etapa, Huertas começou a passar, mas as bolas não caíram. Com isso a vantagem argentina chegou a 15 pontos, e embora reduzida no final (caiu para dois a quatro do fim), os hermanos não foram superados em momento algum (e aí entra não o a experiência, mas também a capacidade que os platenses têm de assimilar os golpes e encontrar soluções dentro de situações complicadas). Tiveram cinco jogadores com 11 ou mais pontos (e Luis Scola, quase sempre genial, teve “apenas” 17), venceram por 82-77 (números aqui), eliminaram o Brasil e se classificaram para a terceira semifinal olímpica seguida.

Talvez seja difícil admitir, mas o Brasil perdeu para um time melhor, para um time que vem chegando e conquistando tudo há uma década. Cabe a tristeza, mas não a revolta, portanto. Se houve/havia chance de bater a Argentina, e a frustração se explique por isso, é importante ressaltar que os mesmos erros de outrora se repetiram (muito básico, não?).

Viu o jogo? Muito triste com a eliminação? Comente!


Os outros três jogos do dia no mata-mata da Olimpíada de Londres – confira duelos!
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Fábio Balassiano

Engraçado, né. O foco para nós que estamos aqui está tão “viciado” neste Brasil x Argentina que nem todo mundo se lembra que há outros três jogos pelas quartas-de-final da Olimpíada de Londres nesta quarta-feira. Vamos aos duelos:

Rússia x Lituânia (10h) – A Rússia jogou muito bem a primeira fase (perdeu da Austrália apenas, na última rodada, e poupando suas feras), e enfrenta esta “bipolar” Lituânia, que levou uma surra da Argentina, fez jogo duro contra os EUA e sofreu, pasmem, para derrotar a Tunísia no último jogo do Grupo A. Ao que tudo indica, Andrei Kirilenko levará vantagem, mas são escolas com identidade de basquete bem parecida, o que torna o jogo de daqui a pouco bem equilibrado (e travado também).
Quem avança: Rússia

França x Espanha (12h15) – Será, sem dúvida, o jogo mais nervoso do dia junto com Brasil x Argentina, principalmente pelo que cercou a partida desde segunda-feira, quando os franceses entraram com uma representação no COI alegando que os espanhóis teriam amolecido contra o Brasil. Não deu em nada, mas está obviamente todo mundo mordido. Tony Parker x José Calderón (foto) promete ser um baita confronto individual, mas acho que o garrafão espanhol pode ser determinante (os Gasol e Ibaka são muito superiores aos franceses).
Quem avança: Espanha (gostaria de escrever o contrário…)

Estados Unidos x Austrália (18h15) – Acho que aqui não há nem muito o que comentar, né. Patrick Mills é um bom armador, os alas australianos são bem razoáveis, mas do outro lado estará um time que tem Kevin Durant, LeBron James, Kobe Bryant, Carmelo Anthony etc. . É mata-mata, os nervos normalmente se acirram um pouco, mas não creio haver problemas para os Estados Unidos por aqui.
Quem avança: EUA (aqui não tem nenhuma dúvida, certo?)

Concorda comigo? Tem palpites pra hoje? Comente na caixinha!


Nada mais importa: Brasil faz hoje o jogo mais importante da década contra a Argentina
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Fábio Balassiano

São os dois times que menos erram na Olimpíada (os EUA não contam), são dois brilhantes treinadores (e do lado argentino ainda há um Sergio Hernandez como assistente) e um punhado de jogadores espetaculares.

Sobre os duelos individuais, acabei me antecipando lá atrás, quando imaginava um Brasil x Argentina em Londres e já escrevi bastante (leia aqui), mas a partida de hoje é muito mais um “simples” jogo olímpico (se é que existe jogo simples neste tipo de torneio).

Vale bastante para a Argentina, claro, que deseja dar um fim belíssimo a um dos mais vitoriosos e sensacionais times de basquete de todos os tempos. Conquistar uma terceira medalha olímpica de forma seguida colocaria Manu Ginóbili, Luis Scola, Andres Nocioni, Carlos Delfino e Pablo Prigioni em um patamar de idolatria ainda maior no país vizinho. Motivação para os platenses, como se vê, não falta. Pode, é bom ficar esperto quanto a isso, ser o último jogo de Manu com a camisa da seleção.

Mas do lado brasileiro há muita coisa em jogo também. Assim como os hermanos, muita gente que entrará em quadra hoje pode começar a se despedir da seleção nacional (Giovannoni, Alex, Marcelinho e Larry Taylor não são mais garotos) e a impressão que eles vão querer deixar não é, evidentemente, a de ter ido a uma Olimpíada apenas e ter ficado entre os oito. Além disso,

Não é só isso, no entanto. Vale, para o basquete brasileiro, a oportunidade de voltar a ficar entre os quatro melhores times de uma Olimpíada (fato que não acontece desde 1968), a oportunidade de recomeçar a febre por um esporte que estava adormecido há quase 20 anos e a chance de o país começar a plantar coisas muito boas para uma modalidade que, vamos combinar, é pra lá de emocionante e belíssima.

Um pouco disso tudo já pôde ser visto desde segunda-feira, quando muita gente que nunca falou da bola laranja se interessou, comparou Magnano a Mano Menezes, traçou paralelo entre Oscar (o meia) e Huertas e trocou ideias sobre BASQUETE em bares de todo país.

Que o Brasil tenha muita cabeça no lugar para um jogo que pode mudar o rumo do basquete neste país a partir de hoje. Não serei louco de dizer que é a partida mais importante da história de uma nação que já tem campeonato mundial, medalha olímpica e muito mais. Mas seguramente Huertas, Splitter, Varejão, Nenê, Alex, Machado, Caio, Raulzinho, Larry, Giovannoni, Leandrinho e Marquinhos não estarão sozinhos em quadra logo mais.

Quarenta minutos, 12 jogadores, uma grande chance de fazer do basquete um esporte de respeito novamente. Será?


Brasil e Argentina se enfrentaram uma vez em Olimpíadas – relembre aqui
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Fábio Balassiano

A história de duelos entre Brasil e Argentina tem uma série quase infinita de capítulos, você deve saber bem (o Gian escreveu sobre alguns deles, veja aqui), mas por incrível que pareça, apenas um na história olímpica. Aconteceu há 60 anos, em 27 de julho de 1952, nos Jogos de Helsinque (Finlândia) e a vitória ficou com os hermanos por 72-56.

Naqueles Jogos, o Uruguai conquistou a sua única medalha olímpica, e brasileiros e argentinos duelaram ainda na fase de grupos. Com 13 pontos de Juan Carlos Uder e nove de Juan Gazso, os platenses, que ainda tinham Oscar Furlong (campeão mundial no Mundial de 1950e maior ídolo do basquete local até o surgimento da geração dourada – na foto), venceram o primeiro tempo por 31-21 e não deram muita chance ao Brasil na segunda etapa.

Do lado brasileiro, que terminou as Olimpíadas de 1952 na sexta colocação, faziam parte do elenco comandado por Manoel Pitanga os seguintes jogadores: Alfredo Motta, Almir de Almeida, Angelim, Godinho, João Francisco Bráz, Zé Luiz, Mayr Facci, Mário Jorge da Fonseca Hermes, Raymundo Carvalho dos Santos, Ruy de Freitas, “Tião”, Thales Monteiro e “Algodão”. Naquele jogo, Zé Luiz teve 13 pontos e Alfredo Motta, nove, mas não conseguiram deter os hermanos.

Será que a história será diferente nesta quarta-feira? Comente na caixinha!


Antes de Brasil x Argentina, a pergunta: vale a pena torcer contra a seleção da CBB amanhã?
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Fábio Balassiano

Liguei para um amigo ontem e ele perguntou na lata: “Bala, você vai torcer contra o Brasil, não vai?”. Meio hesitante, não entendendo o porquê da pergunta, balancei a cabeça, mas ele emendou: “Você é o um dos maiores críticos da Confederação, e se vier uma medalha tudo de ruim que está aí tende a continuar”, disse-me com alguma sabedoria. Batemos um longo papo, sobre basquete e principalmente sobre jornalismo (ai minha conta de celular…), e concluí dizendo acho isso tudo uma bobagem.

Primeiro porque jornalista não torce, e acho este o principal ponto de todos. Desde que passei a acompanhar basquete como blogueiro, minha paixão pelo jogo só aumentou (acho que vocês devem imaginar que consumo tudo sobre a modalidade de uma maneira até doentia), mas passei a não ter, digamos, contato emocional algum com qualquer time que seja. Clube no Brasil, seleção nacional, franquia da NBA, nada (nesses anos todos, eu só comemorei uma vitória, confesso a vocês). Se isso não bastasse, eu cito o exemplo do futebol para mostrar que resultados esportivos quase nunca mudam os rumos estruturais do esporte (talvez o que o Guga fez com a CBT seja mais exceção do que regra).

Entrou ano, saiu ano, e o comando do esporte mais popular do Brasil não mudou por causa dos resultados obtidos no campo. Muito jornalista afirmava que, vencendo, o regime de Ricardo Teixeira tendia a continuar, mas eu nunca enxerguei assim. Teixeira saiu quando as denúncias o sufocaram, e não porque o futebol praticado pelo time nacional piorou terrivelmente nos últimos cinco, dez anos. A mesma analogia é possível fazer com o basquete.

Sou muito cético (já deu pra perceber, né) em relação a qualquer melhora profunda no basquete brasileiro (ficaremos nesta draga técnica e estrutural por um bom tempo, não tenho dúvida disso), e vocês que acompanham este espaço sabem bem o que sinto por esta desastrosa gestão do basquete brasileiro. Carlos Nunes é um péssimo presidente da Confederação, mas no final das contas Rubén Magnano e seus atletas têm muito pouco a ver com o estado em que a modalidade encontra-se aqui no país (na verdade, os atletas, como agentes políticos de qualquer mudança, poderiam ser mais críticos, atuantes, menos passivos, mas deixemos esta discussão para outro momento).

Em 2007, um então amigo viu a semifinal do Pré-Olímpico de Las Vegas na minha casa. Assistiu ao show de Luis Scola e no final parecia feliz com a não classificação da equipe de Lula Ferreira aos Jogos de Pequim. No final, entendi a mensagem que ele quis passar. Enquanto Grego estivesse no comando, ele torceria contra. Quem sou eu pra ficar julgando as pessoas, mas não consigo ser assim.

Jornalista não torce (quem torce, distorce), jornalista não usa a primeira pessoa do plural (os jogadores ganharam/perderam, e não ganhamos/perdemos) e sinceramente não creio que alguma coisa mude no basquete deste país por causa de um resultado olímpico (seja por causa de um começo de mudança por causa de derrota ou por começo de ciclo virtuoso de planejamento e gestão em caso de triunfo).

Nesta quarta-feira, serei mais um espectador. Sem torcer contra ou a favor, eu só espero que seja um grande jogo de basquete. Nada mais do que isso.