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O janeiro de 2017 dos brasileiros na NBA – Como eles foram?
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Fábio Balassiano

Desde o início da temporada 2016/2017 estou colocando no blog o desempenho dos brasileiros na NBA. Os números, uma leve pincelada, os destaques, essas coisas. Vamos lá ao primeiro mês de 2017?

RELEMBRANDO NOVEMBRO/2016 & RELEMBRANDO DEZEMBRO/2016

O JANEIRO DE 2017 DOS BRASILEIROS

Janeiro

ACUMULADO DA TEMPORADA 2016/2017

Acumulado

a) Anderson Varejão -> Acho quase irrelevante falar do mês de janeiro de Anderson Varejão sabendo que no começo deste fevereiro o pivô foi dispensado do Golden State Warriors, né? Não dá pra dizer que é surpresa, porque o seu desempenho de fato não foi bom com a franquia de Oakland, mas é triste do mesmo jeito. Agora fica a pergunta: ele conseguirá outro time na NBA? Ou sua história na melhor liga de basquete do mundo terminou? Vamos esperar um pouco!

caboclo1b) Bruno Caboclo -> Caboclo praticamente não jogou na NBA, mas voltou a disputar muitos jogos na D-League pelo Toronto 905, onde é treinado por Jerry Stackhouse, um ótimo ala na NBA na década de 90. Foram 9 partidas pela filial do Raptors com 10,1 pontos de média, sendo em três oportunidades com o ala alcançando 14+ pontos e 7+ rebotes. Ainda é muito cedo pra projetar qualquer coisa sobre o jogador que completará 22 anos apenas em setembro de 2017. Bruno está sendo preparado pela franquia, que tem muita paciência com ele. Não é certeza que irá vingar, mas é um trabalho de longo prazo e convém esperar no mínimo até 2017/2018. Este é mais um ano de aprendizado para ele no Canadá.

felicio1c) Cristiano Felício -> Mais um mês de evolução para Felício no Bulls. É realmente o pivô reserva na caótica rotação do técnico Fred Hoiberg e tem uma qualidade que o seu titular, Robin Lopez, não possui – ele tem arremesso de média e longa distância, conseguindo espaçar muito bem a quadra e permitindo situações de infiltração de seus companheiros como Lopez não consegue fazer. Em janeiro, em três oportunidades, Felício passou dos 10 pontos e em duas conseguiu duplo-duplo (11+11 contra o Thunder e 12+10 contra o Magic. Em 7 jogos passou dos 20 minutos em quadra. Aos 24 anos e em seu último ano de contrato, o pivô vai mostrando que, sim, merece estar na liga. Ótimas chances de ele conseguir um novo, e gordo, contrato na próxima temporada.

d) Leandrinho -> O ano de Leandrinho começou com uma partida de 10 pontos em 13 minutos contra o Miami em casa. Poderia-se esperar que fosse dali pra melhor, mas não foi além, não. Ele mais uma vez jogou pouco, e apenas em 26 de janeiro, com 9 pontos em 16 minutos contra o Denver, teve algum destaque. Como Eric Bledsoe e Devin Booker, armadores titulares, têm ido muitíssimo bem, fica cada vez mais restrita a presença do brasileiro em quadra por muitos minutos.

lucas1e) Lucas Bebê -> Janeiro só não foi melhor para Lucas porque no jogo contra o Nets, no Brooklyn, em 17 de janeiro, ele teve uma concussão na cabeça. Estava sendo titular junto com Jonas Valanciunas, mas perdeu os dois jogos seguintes, fazendo com que sua performance não fosse ainda melhor (Patrick Patterson voltou para a posição quatro, e o brasileiro para o banco de reservas, de onde sai para ser o cadeado defensivo da segunda unidade). Bebê se firmou como pivô reserva e faz parte, de forma firme e consistente, da rotação do Toronto Raptors. Teve 13 pontos contra o Phoenix, 10 contra o Nets, 9 contra o Bucks e dois jogos com 4 tocos. Ah, e o cara agora está arriscando bolas de fora. Contra o Suns e Nets ele converteu duas.

f) Marcelinho Huertas -> Seis jogos, sempre com eles decididos e nada de relevante para Huertas em janeiro na NBA. É uma pena, torna-se repetitivo dizer isso aqui, mas a realidade é que já passou da hora de ele procurar novos ares. Ali, pelo visto, não vai acontecer nada pra ele mesmo. E digo isso com a certeza de que em alguma franquia com espaço para ele Huertas tem tudo para mostrar seu talento. O cara é muito, muito bom.

nene1g) Nenê -> Mês incrível para Nenê na NBA. Aproveitou cada segundo que esteve na quadra, teve atuações sensacionais como a contra o Sixers (21 pontos e 6 rebotes em 27 minutos) e contra o Bucks (17 pontos e 8 rebotes) e mostrou porque está há 14 temporadas no mercado de basquete mais difícil do mundo. Aos 34 anos, ele é uma peça pra lá de importante na rotação de Mike D’Antoni no Houston Rockets. Contra o Minnesota, em 11 de janeiro, ele inclusive matou uma bola de três pontos. Diante do Oklahoma, lá no começo de 2017, lances-livres fatais contra o OKC. Bem legal, Nenê! Arrebentou!

h) Raulzinho -> Outro que está em situação difícil na NBA. Passou pela D-League, quando esteve em quadra não foi muito bem e vê a concorrência (Shelvin Mack, Dante Exum e Alec Burk) comendo todo o tempo de quadra na armação que conta com o titular George Hill (este muitíssimo bem aliás). O mais complicado para Raulzinho deve ser segurar a ansiedade por querer mostrar serviço em pouco tempo de quadra sem parecer individualista. Torçamos para que ele ou encontre espaço em Utah ou que outra franquia aposte suas fichas no garoto de 24 anos.

i) Tiago Splitter -> Splitter ainda não estreou na NBA ainda. Deve retornar agora em fevereiro, depois do All-Star Game. Já faz trabalhos na quadra e treina normalmente com o seu time.

E você, o que achou do mês de janeiro dos brasileiros? Comente aí você também!


Projetando a temporada dos Brasileiros na NBA – comente você também!
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Fábio Balassiano

Rockets1Você já leu aqui a previsão para a temporada da NBA que começou ontem, né? Então vamos lá analisar todos os brasileiros que farão parte do campeonato.

Nenê -> Contratado pelo Houston Rockets, o brasileiro há mais tempo na NBA (o tempo passa rápido e pouca gente nota que ele está no melhor basquete do mundo desde 2002/2003) terá boa minutagem no time texano. Disputará tempo de quadra com o razoável Clint Capela com a vantagem de ter armas que melhor se adequam ao estilo de jogo de Mike D’Antoni, novo treinador da franquia. O camisa 42 passa melhor que Capela, o que é fundamental para um time que acelera o jogo até dizer chega, e apesar dos 34 anos ainda consegue fazer bloqueios e partir em direção a cesta para pontuar. Se pode lhe faltar o vigor físico devido a idade, sobra experiência para um elenco que está tentando encontrar a sua identidade. Gosto das possibilidades dele, que está totalmente recuperado da fascite plantar e que fez excelente Olimpíada.

Podcast BNC sobre o começo da temporada

barbosa1Leandrinho -> É óbvio que para Leandrinho o melhor que poderia ter acontecido em termos profissionais era mesmo ficar no Golden State. Mas a franquia de Oakland optou por seguir em outra direção e coube ao brasileiro saciar o seu lado, digamos, emocional. Ele vai para a sua terceira passagem em uma franquia que o venera, cujos torcedores o amam e conhecendo perfeitamente o ambiente. O agora camisa 19 vem, porém, com uma missão bem diferente das que anteriormente cumpriu no Arizona. Agora Leandrinho entra para ensinar ao jovem Devin Booker (19 anos) os atalhos da liga e para ser uma espécie de mentor do garoto. É natural, acontece com todos os atletas da liga e é uma função pra lá de respeitável. Se não chegará longe, como ocorreu ou ocorreria com os Warriors, que Leandrinho aproveite o momento para passar a sua experiência para Booker e para sentir o carinho dos fãs de Phoenix.

tiago1Tiago Splitter -> Não será um ano fácil para Tiago Splitter. Em primeiro lugar porque ele será reserva do principal reforço do Hawks para a temporada. Dwight Howard chegou e ele sabe que o camisa 12 “comerá” no mínimo 30 minutos/jogo. Depois porque ele vem de uma lesão séria no quadril – e a gente sabe que retornar de uma cirurgia nem sempre é fácil. Isso tudo em último ano de contrato. Ou seja: em um cenário não tão fácil o pivô precisará mostrar que está recuperado e que tem basquete (e eu acredito que tenha sobrando…) para permanecer na liga por mais e mais tempo. A vantagem disso tudo é que a cabeça de Tiago é muito boa e sua força mental será sem dúvida importante para superar este difícil recomeço.

O palpitão do blog para a temporada 2016/2017

felicio1Cristiano Felício -> Se tem alguém entre os brasileiros que pode surpreender nesta temporada, este alguém é Cristiano Felício. O pivô começará como reserva de Robin Lopez, mas quem acompanha o ex-jogador do Knicks sabe que ele está longe de ser confiável. Felício, então, poderá comer pelas beiradas e ganhar espaço da mesma maneira que já fez no campeonato passado – defendendo muito bem, saindo ferozmente dos picks para enterrar a bola na cesta e convertendo arremessos de média distância. Jogar com Dwyane Wade, pelo lado da experiência, e Rajon Rondo, armador que não tem muito arremesso e que por isso procura demais a seus companheiros para que estes finalizem, também será muito bom para o brasileiro. Que Felício mantenha a cabeça no lugar, porque as oportunidades de mostrar talento irão aparecer.

andy1Anderson Varejão -> Chegou enfim a hora de Anderson Varejão se sagrar campeão da NBA? Ele chegou perto duas vezes nas finais passadas (com o Cavs contra o Warriors e com o Warriors diante do Cavs), mas bateu na trave. Para sua sorte ele permaneceu no Golden State mesmo que seu rendimento não tenha sido tão brilhante assim no certame passado. Aparentemente, porém, a franquia confia nele para fazer o trabalho sujo na defesa e por ser uma ótima influência no vestiário. Em um elenco que pode, sim, ter problemas com os egos de Steph Curry, Klay Thompson e Kevin Durant (não acredito que isso ocorra, mas que é possível, é), uma figura carismática, experiente e tranquila como Anderson Varejão é uma grande vantagem. Que ele se mantenha saudável para tentar concretizar um de seus grandes sonhos – ganhar o anel de campeão da liga.

raul2Raulzinho -> Não será um ano fácil para Raulzinho, não. Se o começo de sua temporada de estreia no Utah foi animador, do meio para o final do campeonato passado não foi bem assim. Shelvin Mack chegou e seu tempo de quadra reduziu. Para 2016/2017, cenário ainda pior. George Hill chegou, Dante Exum se recuperou de lesão no joelho e Mack ficou. Se estava difícil arrumar minutos em Salt Lake City em 2016, o que dizer do atual panorama? Não consigo projetar o ano de Raulzinho justamente porque não se tem ideia, ainda, de quantos minutos ele terá por jogo, quais serão as suas reais funções e como serão os desempenhos dos dois que Quin Snyder, o treinador, mais confia para este início (Hill e Exum).

huertas9Marcelinho Huertas -> O titular da posição 1 do Lakers chama-se D’Angelo Russell. Não por esta temporada, mas aparentemente por muitos e muitos anos. D-Lo, como é conhecido, tem tudo para ser a cara da franquia e um dos melhores da liga em pouco tempo. Fiz essa introdução para explicar em que cenário se encontra Marcelinho Huertas, que disputará os minutos restantes de Russell com outro armador experiente (José Calderon). Pelo que vi na pré-temporada o brasileiro conta com a simpatia de Luke Walton, o técnico, e tem ótimo relacionamento com alguns dos caras que sairão do banco de reservas com ele (Larry Nance Jr. principalmente). Ele continuará jogando pouco e precisará mais uma vez se acostumar com isso. Não é nenhum problema ser reserva do Lakers, mas eu sinceramente acho que Huertas tem mais basquete do que o que será visto em Los Angeles em poucos minutos por noite.

cabocloBruno Caboclo -> Não é animador o panorama para Bruno Caboclo mais uma vez. O Toronto segue fortíssimo no Leste, não há a menor chance de entrar em reconstrução e com os contratos longos de DeMar DeRozan e DeMarre Carroll os minutos nas posições 2 e 3 ficam muito restritos no Raptors. Para piorar, o camisa 20 não foi muito bem na pré-temporada, quando o tempo de quadra dos titulares mais experientes é reduzido e os jogadores que precisam de espaço normalmente tentam mostrar algo. Caboclo continua baseando seu ataque apenas em bolas de fora e na defesa segue com dificuldade de leitura de jogo – potencializada por uma natural barreira de linguagem entre ele e os atletas. Seu contrato vence apenas ao final do campeonato de 2017/2018, mas é bom ele começar a mostrar à franquia o motivo pelo qual ele foi escolhido anos atrás no Draft.

bebeLucas Bebê -> Outro que não tem situação confortável no Toronto. Bebê foi bem em alguns momentos na temporada passada, esperava ter mais chances quando o congolês Bismack Biyombo assinou com o Orlando Magic, mas a franquia optou por trazer outro pivô no Draft. O austríaco Jakob Poeltl vem da Universidade de Utah, tem 21 anos, 2,13m e jogou bem e bons minutos na pré-temporada torontina. Todo mundo sabe que o dono da posição cinco dos Raptors é Jonas Valanciunas. Ficará entre o brasileiro e Poeltl a disputa pelos minutos restantes do lituano. Se Lucas Bebê ganhar esse confronto interno pode se dar muito bem e se estabilizar como reserva de Valanciunas e peça importante na rotação de Dwane Casey.

O que você acha? Concorda comigo? Comente você também!


O que esperar dos brasileiros na temporada 2015/2016 da NBA?
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Fábio Balassiano

Nos últimos dias falei sobre alguns dos times que deverão se destacar na temporada 2015/2016 da NBA (faltou o Memphis, na verdade, mas o Grizz estará aqui ainda esta semana, prometo). Agora é a hora de fazer um pequeno “esquenta” sobre os nove brasileiros que entrarão em quadra a partir de amanhã. Preparados? Vamos lá!

huertas3MARCELINHO HUERTAS (LAKERS) – Marcelinho Huertas demorou para assinar com a NBA, chegou ao Lakers e não entrou em quadra de cara na pré-temporada e deixou todo mundo preocupado porque seu contrato é não garantido. Foi só ele pisar na quadra que o “humor” mudou. Chamado de “Steve Nash brasileiro”, ele encantou a todos com seus passes incríveis e com sua rápida adaptação ao jogo e aos companheiros angelinos. Chamado de “mágico” por Nick Young (que vai ficar realmente feliz com os passes de Huertas), Huertas tem tudo não para ficar no elenco de Byron Scott até o final do campeonato, mas para fazer parte efetiva da rotação do Lakers neste certame. Como os garotos D’Angelo Russell e Jordan Clarkson poderão sentir a pressão em algum momento, é bem capaz de Scott confiar a armação em alguém mais experiente e que até agora não sentiu nenhum peso em estar na NBA. Resta saber como a parte física de Huertas reagirá ao cavalar calendário de 82 jogos da liga norte-americana. Da parte técnica, como venho falando há tempos, não dá pra falar nada – ele sabe jogar e com confiança quem sabe jogar atua em qualquer lugar.

nene1NENÊ (WIZARDS) – O ala-pivô do Washington Wizards, o brasileiro há mais tempo na NBA (está indo para a sua décima-quarta temporada, algo espetacular!), vai para o ano final de seu contrato com o Washington em uma situação não muito agradável. Seu tempo de quadra em 2014/2015 (25,2 minutos) foi o menor desde 2004/2005 (contando apenas os certames em que ele esteve em quadra – sem lesões graves) e a franquia acenou com a ideia de jogar com o famoso “quatro abertos”, ficando apenas com um pivô fixo (Gooden, Gortat, Humphries ou ele). Isso já seria preocupante. Mas tem mais. Com inúmeros problemas físicos, Nenê quase não foi visto em quadra na pré-temporada. Quando o campeonato começar, muita gente diz que ele tampouco será titular. Aos 33 anos e ganhando US$ 13 milhões (segundo maior salário da equipe), será necessário que o talentoso e dedicado camisa 42 encontre rápido a melhor forma para mostrar que pode, sim, receber boa proposta do time da capital norte-americana ao final da temporada.

tiago1TIAGO SPLITTER (HAWKS) – Tiago Splitter terá vida nova em Atlanta, disso não se tem dúvida. Trocado pelo San Antonio Spurs, ele reencontrará Mike Budenholzer (seu assistente no Texas) e deve começar o campeonato como reserva principal da dupla Paul Millsap e Al Horford no garrafão. Aos poucos, porém, é bem provável que Tiago ganhe minutos e a confiança para jogar até mais “solto” do que quando atuava para Gregg Popovich (e tinha limitadas ações ofensivas para executar) sem que isso necesariamente signifique que ele será titular (acho pouquíssimo provável). Será um ano de ajuste (nova cidade, novo time, novas funções, novos companheiros, nova conferência…), sem dúvida alguma, mas o cenário pós-troca lhe foi muito favorável (ele poderia ter “caído” em um time bem ruim…). Certamente ele estará na pós-temporada e terá bom tempo de quadra.

varejaoANDERSON VAREJÃO (CAVS) – O capixaba tem uma única meta (individual) para esta temporada: manter-se longe das lesões durante toda temporada. Pelos mais variados motivos tem sido assim nos últimos anos com o camisa 17. E sabemos quão importante, na quadra, ele é para o Cleveland. A boa notícia pra ele (e isso tira muito da pressão também) é que os Cavs, reconhecendo seu trabalho e sua importância dentro e fora da quadra para a franquia há 11 anos, renovaram seu contrato pelo menos até 2016/2017 (2017/2018 é opção da franquia). Para Varejão, que está no grande favorito para o título do Leste, ficar longe do departamento médico significa participar jogando de uma campanha que promete ser histórica para a turma de Ohio.

lb13LEANDRINHO (WARRIORS) – O atual campeão da NBA entra para a sua segunda temporada com o Golden State para repetir exatamente o que (muito bem) fez na temporada passada: descansar Steph Curry e Klay Thompson, manter a velocidade no ataque e passar um pouco de sua experiência aos mais jovens do elenco. É algo que Leandrinho conseguiu fazer no campeonato passado, quando conquistou o título com os Warriors, e que certamente continuará fazendo . Desta vez, ao lado de seu antigo fiel escudeiro em Phoenix – Steve Nash está em Oakland como “desenvolvedor de talentos” e para o brasileiro ter um cara como Nash, que tem um carinho todo especial por ele, é uma notícia pra lá de excelente. O GSW obviamente estará nos playoffs e o ala-armador seguirá com a sua importância (e provavelmente com o mesmo tempo de quadra de 2014/2015 – 15 minutos/jogo). Um detalhe interessante: será a primeira vez desde 2009/2010 que Leandrinho fará a pré-temporada inteira com o mesmo time do ano anterior. Para alguém que depende muito da velocidade, isso conta muito.

cabocloBRUNO CABOCLO (RAPTORS) – De número novo (o 5, utilizado por ele na temporada passada, a de estreia, estará com DeMarre Carroll, maior reforço do time), Caboclo começa o campeonato 2015/2015 com a expectativa não só de ser emprestado para a franquia canadense da D-League, mas também de ser aproveitado pelo técnico Dwane Casey no Raptors durante a temporada. Em cinco jogos da pré-temporada, o ala teve 12,4 minutos e bons momentos (como o toco no calouro Karl-Anthony Towns, do Minnesota), mas seus arremessos não caíram (26,7%) e sua insistência nas bolas longas (2/11) podem lhe custar a confiança de Casey e do restante da comissão técnica apesar da já anunciada renovação de seu contrato até o final da temporada 2016/2017. Quanto melhor aproveitar as chances que houver, mais minutos ele irá adicionar no percurso do campeonato de 2015/2016.

lucas2LUCAS BEBÊ (RAPTORS) – Eis uma situação preocupante. Lucas Bebê pouco foi aproveitado em sua temporada de estreia no Toronto e para este campeonato ganhou ainda mais concorrência – chegaram Luis Scola, Anthony Bennett e Bismack Biyombo para se juntar a Jonas Valanciunas (titular absoluto no pivô) e Patrick Patterson. Ou seja: se ganhar espaço na rotação era complicado em 2014/2015, para Bebê ficará ainda mais difícil em 2015/2016. Ele também teve seu contrato renovado com a franquia canadense até 2016/2017, mas não sei se isso é um ótimo sinal, não. É bem comum os times se garantirem com jogadores novos, mas não necessariamente isso garante aos atletas tempo de quadra e oportunidade no time principal. É bem provável que, tal qual Caboclo, o pivô brasileiro passe muito tempo na D-League. Torçamos para que, com a cabeça no lugar, ele ganhe confiança, evolua em seu jogo (principalmente na parte ofensiva), cresça fisicamente e mostre a equipe que ele pode, sim, fazer parte dos pensamentos de Dwane Casey.

felicioCRISTIANO FELÍCIO (BULLS) – Cristiano Felício será tema de um texto mais profundo aqui no blog mais tarde, mas desde já ele merece os parabéns. Saiu da reserva do Flamengo para fazer parte do elenco do Chicago Bulls que começará a temporada 2015/2016 da NBA. Foi muito bem na pré-temporada apesar do pouco tempo de quadra (menos de 10 minutos/jogo), ganhou elogios de toda comissão técnica do Bulls e fincou pé em um elenco fortíssimo e que conta com Pau Gasol, Joakim Noah e Taj Gibson como peças principais do garrafão. De todo modo, é um baita mérito para Cristiano se tornar o primeiro jogador brasileiro e vestir oficialmente a camisa do Chicago em um jogo de temporada regular da NBA. É muito difícil prever o que acontecerá daqui pra frente, pois (como disse acima) a concorrência é imensa no garrafão e de agora em diante o jogo é pra valer mesmo.

raulRAULZINHO (JAZZ) – Raulzinho começa a temporada de estreia na NBA com o Utah Jazz cercado de muita expectativa. Inicialmente contratado para ser o terceiro armador de uma franquia que sonha em dar o passo seguinte apesar do elenco muito jovem (leia-se chegar aos playoffs), o brasileiro acabou sendo “beneficiado” com a lesão no joelho de Dante Exum (o australiano rompeu os ligamentos em uma partida com a sua seleção – dá pra imaginar a “alegria” da equipe de Salt Lake City com isso…). Ganhou, de cara, a chance de ser o reserva de Trey Burke na pré-temporada. Mas não se contentou com isso e foi ganhando espaço jogo após jogo, terminando os amistosos como TITULAR do Jazz diante do Denver (1o pontos e 1 assistência contra o Denver) e deixando uma pulga atrás de todas as orelhas. Será que o técnico Quin Snyder confiará a armação de sua equipe para Raulzinho logo no começo de sua estrada na NBA? O técnico, aliás, tem elogiado bastante o brasileiro por sua mentalidade altruísta (pass-first), mas sabe lá como ele decidirá isso. Independente do começo, vale ficar de olho em Raulzinho, estreante no melhor basquete do mundo mas que conta com uma baita vantagem: ao contrário de muitos calouros que saem da universidade direto para o esporte profissional, ele já tem anos de experiência na Europa e também em competições com a seleção brasileira. Falando ótimo inglês e já atuando no basquete profissional há tempos, pode ser que a dificuldade na armação seja atenuada. Tempo de quadra já estamos vendo que ele terá. Agora é aguardar pelo seu desempenho – que foi bastante animador na pré-temporada.

E você, concorda comigo? O que você está esperando dos brasileiros?


Contra Wizards, de Nenê, Bauru faz 2º e último amistoso na NBA
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Fábio Balassiano

alex1Depois de ter feito bom papel contra o New York Knicks na quarta-feira em Nova Iorque, chegou a ver de Bauru medir forças com o Washington Wizards. Os comandados de Guerrinha entram em quadra hoje às 18h30 para enfrentar o bom time do brasileiro Nenê às 19h (Sportv2) no segundo e último amistoso na pré-temporada da NBA.

Falando especificamente da parte técnica, vale dizer o seguinte: se as dificuldades foram grandes contra os Knicks, devem ser ainda maiores contra o Washington. O Wizards é um time muito melhor que o New York, joga junto há mais tempo, foi bem no playoff da temporada passada (perdendo na semifinal para o Atlanta Hawks) e, apesar da perda de Paul Pierce, conseguiu se reforçar visando a próxima temporada com os úteis Jarde Dudley, Alan Anderson e Gary Neal. Não bastasse isso tudo, já terá jogado dois amistosos (Sixers e Knicks) e treinado por mais de uma semana – o que faz a diferença.

trio1Outro ponto importante: sei que a estratégia de Bauru é quase sempre espaçar a quadra para procurar os arremessos de fora. Se houver exagero e o percentual for baixo (como contra os Knicks com os 11/43 de longe e apenas 38 bolas dentro de dois pontos), o perigo é grande de levar pontos em contra-ataque. Do outro lado estará John Wall, um dos mais rápidos armadores da NBA, além da dupla de pivôs formada por Nenê e Marcin Gortat – ou seja, haverá gigantes para pegar as sobras um baixinho louco para correr com a bola antes de a defesa se armar. Não é pedir para os bauruenses não chutarem, pois esta é a sua característica maior, mas sim para dosar esta estratégia e usá-la da melhor maneira contra uma franquia muito boa. Perder bolas (21 no Garden) também será loucura e o resultado será ver Wall correndo loucamente para bandejas ou enterradas sem marcação.

bauru1Dos dois testes que Bauru fará nos Estados Unidos este contra o Wizards será certamente o mais difícil. É um estilo de jogo que pode causar danos aos bauruenses, o adversário é fortíssimo e tem, claro, o fator cansaço de uma partida absurdamente física, intensa e de 48 minutos como são as da NBA. O que menos vale, insisto, são as vitórias, mas para o time de Guerrinha fazer um papel tão bonito quanto o de quarta-feira neste domingo será necessário subir o nível em relação a partida contra os Knicks.


No ritmo de John Wall, Wizards prometem brigar pelo título do Leste
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Fábio Balassiano

wallConfesso a vocês que sempre tive muita dificuldade ao ver John Wall em quadra. Sua velocidade assustadora contrasta com um terrível aproveitamento de três pontos em sua carreira de cinco anos na NBA (30,8%) e uma marra nem sempre condizente com suas performances individuais (não é a toa que sempre quando o jogo aperta os adversários “pagam” para seus chutes de fora e via de regra se dão bem com isso). Mas o que o camisa 2 tem feito pelo Washington Wizards nesta temporada é realmente impressionante e não deixa muita dúvida.

wall2Aos 24 anos e rápido como nunca, Wall tem 17,1 pontos e 10 assistências de média (primeira vez na carreira que ele tem dígitos-duplos em passes) para guiar o bom time do Washington a 28-13 (vice-líder da conferência) exatamente na metade da temporada. São seis vitórias nos últimos oito jogos, o duelo contra o Philadelphia hoje na capital (17h de Brasília) e a óbvia constatação que os Wizards, que venceram o Bulls na primeira rodada do playoff passado, irão brigar muito fortes pelo título do Leste no mata-mata deste ano.

wall3A força do Washington não vem só de Wall, obviamente. O quinteto titular formado por ele, Bradley Beal (14,9 pontos), Paul Pierce (12,6), Nenê (10,6) e Marcin Gortat (12,1) é um dos mais fortes da NBA e consegue dominar os adversários com força no garrafão e também com arremessos de média e longa distância. É uma mescla que normalmente dá certo e neste time de Randy Wittman, com o amadurecimento de Wall e a chegada do experiente Pierce, a sensação que dá é que a combinação realmente se ajustou muito rápido.

wall4O time ainda pode defender melhor (principalmente no perímetro), o banco ainda pode produzir mais, mas na toada de John Wall os Wizards têm tudo para brigar pelo título do Leste (algo que eles não conseguem desde 1979). O ligeirinho continua marrento, mas dessa vez seu basquete enche os olhos, compensa quase tudo.

Torçamos para que ele e os Wizards mantenham o rendimento nos playoffs, porque até agora está belíssimo de ver a equipe.


Um pouco sobre os 7 brasileiros na temporada 2014/2015 da NBA
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Fábio Balassiano

rio1Coloquei mais cedo meus palpites para a temporada 2014/2015 da NBA que começa hoje, mas sei bem que é preciso falar dos brasileiros também. Vamos lá, um a um, falando do que eu espero deles a partir desta terça-feira no melhor basquete do planeta.

1) ANDERSON VAREJÃO -> Será o jogador com mais tempo de casa em um Cleveland absurdamente modificado em relação ao último ano. Você sabe bem o que aconteceu em Ohio, não preciso ficar repetindo, certo? Com LeBron James, Kevin Love e Kyrie Irving por lá é muito provável que o brasileiro vá fundo na pós-temporada, mas a grande interrogação para ele não é se o Cleveland será ou não campeão da NBA. Desde 2010 que Anderson não joga mais do que 70 jogos na temporada regular. Com problemas físicos ou de saúde, o brasileiro quase sempre deixa um gosto de “quero mais”, pois suas últimas atuações com o Cavs foram boas demais. Se ficar em quadra tem tudo para ser um dos destaques do elenco de apoio de David Blatt, que ainda não decidiu se Varejão será ou não titular (disputa posição com o canadense Tristan Thompson).

bruno2) BRUNO CABOCLO -> A melhor coisa que Caboclo e quem acompanha o garoto de 19 anos podem fazer é NÃO esperar absolutamente nada de seu ano de estreia no melhor basquete do mundo pelo Toronto Raptors. É óbvio que há uma expectativa imensa de todos em saber o que esse rapaz que foi escolhido na primeira rodada do Draft de 2014 sem ninguém imaginar pode fazer, mas o planejamento do Toronto para ele não é para agora – e isso SEMPRE ficou muito claro. Para Bruno, o principal é aproveitar o tempo de quadra que lhe for oferecido em todas as oportunidades. Suas funções serão reduzidas, principalmente porque o Toronto deixou de ser um franco-atirador para se tornar uma das forças do Leste. No banco de DeMar DeRozan e Terrence Ross, o brasileiro deve ter no máximo 15, 20 minutos por jogo (quando for escalar). Fora de quadra, será exigido para que melhore seu inglês, seu físico e seu arsenal ofensivo. Tentar evitar que seu jogo de ataque fique apenas focado nas bolas de três é uma boa.

3) LEANDRINHO -> O ala-armador terminou a temporada passada lesionado no Phoenix Suns e muita gente acreditava que ele não teria mais espaço na NBA. Mas aí ele tirou a sorte grande. Foi contratado pelo Golden State Warriors, e servirá de apoio a dupla Stephen Curry e Klay Thompson, uma das mais explosivas da NBA atual. Do lado de fora da quadra, Leandrinho será comandado pelo novato Steve Kerr, que chega com muita confiança para levar o Golden State longe. O estilo de jogo da equipe (rápido, fluído e muito baseado em bolas de fora) pode ajudar Leandrinho a ter bom tempo de quadra e números inflados. A perspectiva para ele é bem boa, viu. Seu contrato de um ano ao mesmo tempo que representa um risco pode ser uma grande oportunidade também, já que atuando no ritmo acelerado dos Warriors sempre há muitas oportunidades de aparecer no setor ofensivo.

nene14) NENÊ – Quem acompanha os jogos do Washington Wizards consegue ter uma boa noção de quão reverenciado é Nenê por torcedores e companheiros de time. O cara é uma lenda por lá, e suas atuações nos últimos playoffs contra o Chicago Bulls aumentaram ainda mais o seu conceito na franquia da capital dos Estados Unidos. Para este ano, suas funções defensivas continuam intactas, e importantes, mas é possível que o lado ofensivo fique um pouco de lado com a chegada de Paul Pierce, que formará com Bradley Beal e John Wall o trio exterior que “ama” ter a bola nas mãos. Para Nenê, no entanto, isso importa pouco. Levar os Wizards aos playoffs é uma meta pra lá de desafiadora, e ele é fundamental para que isso se concretize.

5) VITOR FAVERANI -> Está aí alguém que não tem muitos motivos para ficar tranquilo neste começo de temporada. Faverani começou bem seu campeonato de estreia ano passado com o Boston Celtics, mas aos poucos perdeu espaço e teve que operar o joelho nas férias. No começo da pré-temporada, outra vez o brasileiro foi parar na mesa de cirurgia. Ninguém sabe ao certo o que será de Faverani nos verdes nesta temporada – se terá tempo de quadra, se será dispensado, se será mandado para a D-League. É uma incógnita, e está longe de ser uma situação fácil de administrar…

splitter16) TIAGO SPLITTER -> Tiago começa a temporada como campeão da NBA, mas não terá vida fácil no Spurs, não. Apesar de seu talento ser reconhecido por Gregg Popovich, o francês Boris Diaw foi muito bem nas finais passadas (tanto no Oeste quanto contra o Miami) e fez um excepcional Mundial da Espanha. Não acredito que seu tempo de quadra sofra grandes alterações devido a isso, mas há boas chances de o francês levar vantagem na preferência de Pop para fechar as partidas, por exemplo. Para o brasileiro, aproveitar os últimos momentos na companhia de Manu Ginóbili e Tim Duncan me parece o mais recomendável. É muito provável que com a aposentadoria de Duncan ao final dessa temporada (o mais provável) no próximo ano o garrafão titular texano seja Splitter+Diaw.

bebe7) LUCAS BEBÊ -> Lucas Bebê começa a sua temporada de estreia no Toronto Raptors com a mesma cabeça de Bruno Caboclo – com o aprendizado na ordem do dia. Ao contrário de Caboclo, ele pode ter mais espaço na rotação, já que está mais pronto que o camisa 5 (atua há mais tempo no basquete adulto) e não há grandes opções para a reserva do excelente pivô Jonas Valanciunas, titular e dono da posição. Aproveitar as chances para fincar o pé na rotação de Dwane Casey mostrará a franquia que ela se deu bem na troca que fez com o Atlanta. Para Bebê, é fundamental manter a cabeça no lugar, a confiança lá no alto e a agressividade defensiva ligada o tempo inteiro. Ele tem tudo para se tornar um dos bons pivôs defensivos da NBA atuando por uma equipe que marca muitíssimo bem.

E você, o que está esperando dos brasileiros a partir de hoje na NBA? Comente!


Brasil precisa parar Scola para vencer – veja números dele contra seleção
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Fábio Balassiano

luis5Este é um texto que qualquer um que acompanha basquete no Brasil não gosta de escrever. Simplesmente porque a gente lembra de tudo o que o país já passou na mão dele. Mas é obrigação recordar do que Luis Scola, mítico camisa 4 da Argentina, já fez contra o Brasil justamente para tentar evitar o pior no jogo eliminatório de domingo valendo pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo da Espanha (17h).

Nos últimos anos quem viu partidas da seleção brasileira de basquete não pode nem ouvir falar no nome dele. Apresenta o diabo, mas não coloca o argentino diante de uma camisa amarela (ou verde, ou branca, sei lá).

Há jogo entre Brasil x Argentina e o roteiro é quase sempre o mesmo: bola no Scola, inúmeros picks para ele, muitos pontos do camisa 4, atuações memoráveis do ala-pivô, grau de dramaticidade para os brasileiros que beira a tortura e, no final, vitória platense (o pior). Além de algumas atuações memoráveis, como as do Mundial de 2010, na Turquia, e a do Pré-Olímpico de 2007, os números de Luifa, como é conhecido, contra os brasileiros são assustadores, vejam só:
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Não tem muito jeito, queridos leitores. Se quiser realmente vencer a Argentina, o Brasil só tem uma alternativa: parar Luis Scola de qualquer maneira. Com uma média dessas (quase 22 pontos), com uma participação dessas (quase 1/3 dos pontos totais dos hermanos), não dá para apelar à máxima de que o basquete é coletivo aqui, não.

luis4E parar o camisa 4 não é, necessariamente, “só” reduzir a sua pontuação do ala-pivô que na sexta-feira passou justamente um brasileiro, o não menos mítico Marcel de Souza, para tornar-se o quarto maior pontuador da história dos Mundiais (ele agora tem incríveis 553 pontos em quatro participações na competição e está atrás, apenas, do iugoslavo Dalipagic, do australiano Andrew Gaze e de Oscar Schmidt).

O ideal é colocar “volume” nas costas de Scola, obrigando-o a marcar Nenê, Tiago, Varejão e Hettsheimeir. Deixá-lo folgado, solto na defesa, como foram nos últimos duelos, é suicídio e dará ainda mais gás para o camisa 4 tentar decidir no outro extremo da quadra.  Atacá-lo, portanto, desde o começo (quem sabe carregando-o em faltas) é mais do que imperativo. Pelo lado técnico da coisa e pela questão física que certamente atormentará Scola, de 34 anos. Ele certamente terá dificuldade contra o jogo físico de Nenê ou Hettsheimeir (que já lhe causou problemas em 2011, no Pré-Olímpico de Mar del Plata).

scolaÉ hora de a comissão técnica do Brasil dormir e acordar pensando em como deter Luis Scola. Por mais racional que a gente tente ser neste momento, a verdade é uma só: ninguém por aqui aguenta mais levar tanto ponto de Luis Scola – e perder da Argentina em jogo decisivo por tabela.

Concorda comigo? Parar Scola é a chave mesmo para o Brasil vencer no domingo? Comente!


Contra Argentina em 3 vezes, Brasil não ganhou mata-mata neste século
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Fábio Balassiano

Todo mundo aí já sabe que no domingo, 7/9, às 17h (de Brasília) a seleção brasileira masculina enfrentará a Argentina nas oitavas-de-final da Copa do Mundo da Espanha em Madri, certo? O que não sei se vocês sabem é o seguinte: em competições Classe A (Mundial e Olimpíada), a equipe brasileira ainda não ganhou um jogo de mata-mata neste século (100% de eliminação em jogo de vida ou morte, é isso mesmo).

Para aumentar ainda mais o drama, temos o seguinte: em três confrontos, três derrotas. E adivinha quem foi o único algoz que o Brasil enfrentou nestas três ocasiões? Pois é, ela mesma, a Argentina. No Mundial de 2002, no Mundial de 2010 e na Olimpíada de 2012. As três vezes que houve duelo eliminatório do selecionado brasileiro no Século XXI, houve três insucessos (e sempre contra os hermanos). Confira os duelos abaixo:

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mark1Há o lado físico (favorável ao Brasil), há a parte técnica (que também, creio eu, favoreça ao Brasil que, com este elenco, tem mais armas que os rivais), mas sem dúvida se tem algo que os argentinos tentarão mexer no domingo, 7/9 (Dia da Independência, é sempre bom lembrar), é com o lado mental, com a parte psicológica. Esta, ninguém tem dúvida, é totalmente favorável aos comandados de Julio Lamas.

Para o Brasil, é a última (ou penúltima, dependendo do que pode acontecer nos Jogos Olímpicos de 2016) chance de essa geração de Nenê, Splitter, Varejão, Machado, Giovannoni, Alex, Huertas, Leandrinho e Marquinhos de vencer uma partida de mata-mata, algo que não aconteceu com este elenco até agora. De quebra, avançar no Mundial significa bater os argentinos, que desde sempre estiveram pelo caminho.

O retrospecto, como se vê, não é dos melhores, mas pode ter, enfim, chegado a hora de o Brasil virar o jogo contra os hermanos neste século. Agora vai? Comente!


Brasil marca muito mal, e perde da Espanha a primeira no Mundial
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Fábio Balassiano

splitterO Brasil acaba de conhecer a sua primeira derrota na Copa do Mundo. Em Granada, a seleção masculina perdeu da Espanha por 82-63 e agora luta com todas as suas forças para ficar com a segunda posição do Grupo A.

Para isso, precisa vencer a Sérvia na quarta-feira (13h). Nos outros jogos do dia por essa chave a França atropelou o Egito, e os sérvios passaram pelo Irã. Mais sobre os cenários aqui, pois os resultados de hoje não mudaram nada a situação.

Na Chave B, a que vai cruzar com a do Brasil, Senegal venceu a Croácia na maior zebra da competição até aqui, a Argentina sofreu horrores, mas ganhou das Filipinas e a Grécia derrotou Porto Rico, embolando completamente a classificação do grupo (veja mais aqui). Os gregos são os únicos invictos, com Senegal, Argentina e Croácia com 2-1. Tudo indefinido por lá, então.

Sobre a partida brasileira, acho que ficou claro para todo mundo quão imperativo é, neste nível de basquete, atuar com intensidade defensiva pelos 40 minutos. O Brasil cochilou por quatro, cinco minutos no primeiro período, defendeu muito mal, acelerou os ataques para tentar compensar (outro erro), não encaixou a marcação e viu o adversário abrir diferença de 30-14. Ali a peleja já estava decidida.

gasolNão há como negar isso, e o que o ataque fez foi reflexo da falta total de “pegada” na marcação. Levar 30 pontos em 10 minutos (3 por minuto, portanto) é um péssimo índice, e contra um adversário do nível da Espanha, a segunda melhor seleção do mundo, dificilmente você terá como se recuperar disso. No final, os europeus tiveram 51% nos tiros da quadra, e creio que não preciso dizer muito mais além disso.

Do outro lado, mesmo com uma distância absurda no placar, os ibéricos não amoleceram na defesa em momento algum. Atacar contra defesas ferozes assim, como você deve imaginar, é difícil e cansa bastante. O Brasil, portanto, não teve um segundo de tranquilidade e permitiu que a Espanha atuasse de forma muito calma, sem sofrimento, em grande parte da peleja. E assim, neste nível de competição, não se vence. O adversário era potente, fortíssimo, mas é uma questão de conceito/concepção de jogo (defender nos 40 minutos com MUITA força é OBRIGATÓRIO). Esta é a maior lição que deve ficar da derrota que o time de Magnano sofreu nesta tarde de segunda-feira.

trioAlgumas coisas, porém, não há como entender. Pau Gasol (foto à direita) arremessou de três em cinco ocasiões. Em todas, livre. Matou três bolas seguidas no terceiro período, algo que não acontecia com ele desde 2001 vestindo a camisa da seleção. Não consigo compreender o motivo de o Brasil ter deixado o agora jogador do Chicago Bulls tão livre assim. Pau é craque há séculos, e seus 26 pontos (incríveis 32 de eficiência) foram conquistados sem nenhuma dificuldade.

Em tempo: nego-me a falar sobre a arbitragem (péssima para os dois lados) e do recorrente problema nos lances-livres brasileiros (hoje 8/15). Falar disso é desvirtuar completamente o foco do que ocorreu em quadra. Por fim, uma observação: em três primeiros períodos (França, Irã e Espanha), saldo negativo de -24. Em todos o Brasil perdeu. Contra franceses e iranianos deu para recuperar. Em jogo eliminatório, começar tão devagar assim é perigoso demais (e Varejão disse isso em entrevista ao Sportv depois do jogo).

Viu o jogo? O que achou? Comente!


O jogo hoje é contra a Espanha, mas Brasil já deve olhar adiante
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Fábio Balassiano

timeHoje, primeiro dia de setembro de 2014, é a data da partida mais difícil da seleção masculina na fase inicial da Copa do Mundo da Espanha. Contra os donos da casa, em Granada, o Brasil enfrentará aquele que é considerado por todos como o segundo melhor time da competição (atrás apenas dos Estados Unidos, claro) diante de uma enfurecida e animada torcida.

É uma missão impossível? Não, não é. O Brasil tem um elenco fortíssimo, tem defendido muito bem e se do outro lado o garrafão é forte (com os irmãos Pau e Marc Gasol e o congo-ibérico Serge Ibaka), o de Rubén Magnano com Nenê, Splitter, Hettsheimeir e Varejão não fica muito atrás, não.

ruben30Difícil, seguramente é, principalmente devido à intensidade defensiva espanhola e a pequena queda de ritmo de jogo mesmo com as trocas que o treinador Juan Antonio Orenga faz. Mas não é algo impossível. Vencer é o óbvio que precisa ser tentado, perseguido, principalmente porque no Grupo B já houve uma zebra (Senegal praticamente tirou as chances de Porto Rico e deve avançar na quarta posição), mas a seleção brasileira precisa olhar os cenários com muita, muita calma. Ah, e vale ficar atento ao fato que, com a derrota diante da Croácia, a Argentina tem boas chances de sair em segundo ou terceiro (e não mais em primeiro). E explico.

Até que alguém prove o contrário, a Espanha vencerá todos os jogos desta primeira fase (França, Sérvia, Brasil e os já abatidos Irã e Egito). Ficariam da segunda a quarta colocações franceses, sérvios e brasileiros (lembrando que a França bateu a Sérvia neste domingo por 74-73 e havia perdido do Brasil por 65-63). Com os seguintes cenários:

chave1) Brasil ganha da Sérvia -> Brasil em segundo, França em 3 e Sérvia em quarto (melhor cenário!).

2) Brasil perde da Sérvia por 2 -> Sérvia em segundo (saldo +1), Brasil em terceiro (saldo 0) e França em quarto (saldo -1). É o pior cenário.

3) Brasil perde da Sérvia por 1 -> Brasil em segundo (saldo +1), Sérvia em terceiro (saldo 0) e França em quarto (saldo -1). Melhor cenário, mas com chance de parada cardíaca.

4) Brasil perde da Sérvia por mais de 4+ -> Sérvia em segundo, França em terceiro (saldo -1) e Brasil em quarto (saldo de -2 pra cima). Cenário ruim, mas não pior que o terceiro.

5) Brasil perde da Sérvia de 3 -> Sérvia em segundo e Brasil e França empatados com -1 de saldo (e aí entrariam os critérios de average)

lbOu seja do ou seja: o jogo, hoje, é contra a Espanha, mas a decisão é mesmo nesta quarta-feira contra a Sérvia. Ficar em segundo lugar é o melhor (pois evita a Espanha até a semifinal – veja chave ao lado). Em terceiro, muito ruim (Espanha em uma eventual quartas-de-final e chance reduzida de brigar por medalha). Em quarto, ruim mas menos pior que a terceira posição.

Vale a pena jogar contra a Espanha olhando no horizonte também. Se o objetivo é conseguir uma medalha, talvez não seja tão necessário queimar todos os cartuchos em uma partida, digamos, “perdível” na classificação.

Concorda com meu raciocínio? O Brasil tem chance hoje? Comente!