Bala na Cesta

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Mais do mesmo: seleção volta a jogar mal e perde do México
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Fábio Balassiano

bra1Infelizmente é um filme repetido este que estamos vendo na Copa América masculina. Em mais uma atuação muito ruim, a seleção de Rubén Magnano perdeu ontem à noite para o México por 65-58 e agora soma duas derrotas em três encontros na competição. Hoje o time está de folga e amanhã, caso perca do possante Panamá, pode até mesmo ser eliminado do torneio na primeira fase, repetindo o fiasco de 2013 na Venezuela.

bra3Antes de falar do jogo em si, vale reiterar a observação feita aqui depois do jogo contra a República Dominicana: dos 12 períodos jogados pela seleção brasileira na Copa América em apenas um (o segundo do jogo de ontem) a equipe conseguiu anotar mais do que 17 pontos. Diante dos mexicanos, que estão longe de ser uma potência do basquete e bastante longe de terem jogado bem nesta quarta-feira em casa, foram surreais 41 pontos nos três últimos períodos, algo completamente fora dos padrões e que coloca a média de pontos dos comandados de Magnano em 62 por jogo, com a terrível média de 1,55 ponto por minuto.

bra2Sobre a partida de ontem, sinceramente não consigo entender a liberdade que Gustavo Ayon, melhor e mais reconhecido jogador do México, teve em quadra. O pivô do Real Madrid teve 12/19 nos chutes, 27 pontos, 13 rebotes e foi pouco incomodado. Será que ninguém sabia que o jogo mexicano se baseava quase que integralmente nele? Não era o caso de dobrar a marcação no cara e sufocá-lo com jogadas seguidas de corta-luz no ataque para cansá-lo? Além disso, o que dizer de um time que contra um adversário do segundo (ou terceiro) escalão acerta tantos arremessos (18) quanto desperdiça bolas (as mesmas 18)? Não pode dar certo, não é mesmo?

bra4Odeio fazer análises subjetivas, falando em lado psicológico, algo tão empírico assim, mas me parece claro que o time que vimos no Pan-Americano com 9 dos 12 jogadores que estão no México não existe mais (ou ao menos não se apresentou para a Copa América). Aquele basquete solidário, recheado de passes, que fazia e acontecia com a bola nas mãos e deixava sempre um companheiro livre, isso não consegue-se ver nas quadras da Cidade do México. O ataque está travado, a defesa age para tentar corrigir os problemas do outro lado da quadra e assim o jogo não flui de maneira alguma. Já são três jogos assim e nenhuma evolução de uma partida para outra.

bra1Conversei ontem com um treinador muito experiente, e ele me disse o seguinte: “Vocês falam muito em defesa, mas jogador brasileiro ganha confiança mesmo é quando está bem no ataque, quando as coisas vão fluindo direitinho no setor ofensivo. Não sei se isso é certo ou errado, pode ser um defeito de formação do basquete daqui, mas é assim que funciona no Brasil há tempos. E o que vemos com este time do Magnano é uma total falta de confiança dos atletas porque quando estão com a bola na mão eles não sabem mais o que, quando e como fazer”.

O analista em questão não deixa de ter razão, né? O que você tem achado do Brasil nesta Copa América? Muito abaixo do esperado? Comente aí!


Brasil vence República Dominicana, mas ainda não convenceu na Copa América
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Fábio Balassiano

bra1Acabou que devido a notícia de Marcelinho Huertas eu não comentei no blog a derrota da seleção brasileira para o Uruguai na estreia da Copa América na segunda-feira (71-57). E nem tinha muito para ser dito mesmo pois o time de Rubén Magnano não jogou muito bem (pra ser educado).

Tentei ser paciente, pois tem o tal nervosismo da estreia que acomete às seleções de basquete há 250 anos, mas o panorama não mudou muito na vitória de ontem contra a República Dominicana. O Brasil até venceu, mas segue sem jogar bem e o placar de 71-65 mostra razoavelmente como foi a partida.

bra4Com exceção do segundo período (vencido por 29-16), o Brasil não apresentou bom basquete. Aliás, aqui uma observação: dos oito períodos jogados na competição, em apenas um (o segundo da segunda partida) a seleção de Magnano fez mais de 18 pontos. Ou seja, em 7 dos 8 períodos disputados a equipe fez menos de 2 pontos por minuto, índice baixíssimo.

Mas, bem, voltando, com ataque muito estático (o principal problema até o momento), com uma defesa combativa mas ao mesmo tempo menos intensa que a do Pan-Americano e forçando demais as ações nos tiros longos e de um-contra-um (7/25 de longe), a equipe nacional concentrou muito o ataque em Marquinhos (17 pontos) e também em Vitor Benite (13 pontos apesar dos 5/17 nos chutes), dois dos alas que conseguem criar os seus próprios arremessos.

bra3E aí o Brasil sempre terá problemas. Não porque Marquinhos ou Benite não sejam bons para pontuar, mas porque fica fácil de dobrar ou sufocar a marcação em cima deles com um ou outro estudo. Em nível FIBA, é quase impossível se virar (a não ser que você seja um Luis Scola, capaz de lotar a cesta canadense de genialidade com 35+15 na vitória argentina de ontem). Muitíssimo bem no Pan-Americano, Benite mesmo tem sido vigiado loucamente nesta Copa América. Para encontrar espaço está, mas mesmo assim a bola teima em terminar em suas mãos porque o ataque travado, parado e sem grande movimentações faz com que seus demais companheiros quase nunca estejam em boas condições de arremessar menos marcados que ele.

bra2É uma reação, digamos, em cadeia. Como nada parece fluir (principalmente) no ataque, o jogo fica travado, a defesa tem a obrigação de deter o adversário e os principais jogadores do Brasil acabam tendo a obrigação de pontuar de forma individualizada porque o sistema de jogo não tem funcionado. É, sem dúvida alguma, uma diferença e tanto para o que vimos no Pan-Americano, quando tudo parecia tão bem ensaiado que nós, pouco acostumados a ver isso na seleção brasileira, estranhávamos com sorriso no rosto.

bra6O filme, como se vê, não é muito bom até o momento na competição. Mas nem há muito tempo a se lamentar. O Brasil volta a jogar pela Copa América hoje às 22h30 contra o México, dono da casa. Será, até o momento, o jogo mais difícil da seleção brasileira na competição.

Entrar concentrado, portanto, é fundamental. Fazer a bola rodar no ataque, facilitando os chutes menos marcados e gerando mais movimentação inclusive da defesa adversária, também. Seria muito bom se a gente visse, na Cidade do México, um pouco do que vimos no Pan-Americano de Toronto.

Ainda dá tempo e é o que todos esperamos.


Jovem, seleção tenta dar fim a jejum de 6 anos sem título na Copa América
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Fábio Balassiano

bra3Começa hoje às 16h30 contra o Uruguai (Sportv exibe) a Copa América para a seleção brasileira masculina no México. Com um grupo pra lá de jovem (apenas Marquinhos, JP Batista, Olivinha e Guilherme Giovannoni têm mais de 30 anos), a equipe de Rubén Magnano, que cortou o ala Danilo Fuzaro (Minas) ontem, não tem obrigação de conquistar uma das vagas olímpicas em disputa (campeão e vice carimbam o passaporte para o Rio-2016, e o Pré-Olímpico Mundial é o destino do terceiro ao quinto), mas pode conseguir um feito que não alcança desde 2009.

brasil1Vice-campeã em 2011 em Mar del Plata (no Pré-Olímpico que garantiu a vaga olímpica para 2012) e penúltima em 2013 na Venezuela (naquela Copa América em que deu tudo errado…), o país foi conquistar o caneco da competição pela última vez mesmo em 2009 em San Juan, Porto Rico, contra os donos da casa. A vitória de 61-60 veio com 24 pontos de Leandrinho, e naquele grupo estavam Olivinha, Guilherme Giovannoni e JP Batista, presentes agora com Magnano na Cidade do México.

benite2Pelo lado brasileiro, é mais uma chance para vermos como se sairão principalmente os mais jovens (além dos 4 com mais de 30 anos, Marcus Toledo e Rafael Mineiro têm experiência de sobra). Vitor Benite (foto), Augusto Lima, Rafael Luz, Leo Meindl, Ricardo Fischer e Deryk Ramos jogarão pela seleção masculina a competição com nível mais alto de suas carreiras (nível muito mais alto que o Pan-Americano, por exemplo) e um bom desempenho pode colocá-los na rota da Olimpíada do Rio-2016, mas principalmente no radar para figurarem na equipe nacional depois dos Jogos Olímpicos do próximo ano, quando a renovação se fará mais do que necessária. Falei sobre isso tanto em texto na semana passada quanto no Podcast.

scola2O regulamento da competição é aquele bem conhecido. Na primeira fase as dez seleções foram divididas em duas chaves que jogam entre si nos seus respectivos grupos. No A estão Brasil, México, Panamá, República Dominicana e Uruguai. No B, Argentina (de Luis Scola – na foto), Canadá, Cuba, Porto Rico e Venezuela. Os quatro primeiros colocados de cada chave se classificam para a segunda fase, quando os quatro primeiros colocados de “A” enfrentam os de “B”. Ao final das quatro rodadas da segunda fase as quatro primeiras equipes, na soma de pontos das duas fases, disputam a semifinal: 1º x 4º e 2º x 3º.

wigginsEntre as equipes que estarão no México olho bem ligado com o Canadá, que coloca a sua renovação a toda prova a partir de amanhã, quando estreia às 16h30 contra a Argentina (promessa de jogão de bola!). O projeto da Federação Canadense é ótimo, tem gerado muita gente boa, e lá na Cidade do México estarão simplesmente Cory Joseph, Andrew Nicholson, Andrew Wiggins (o explosivo ala do Minnesota tem tudo para brilhar na competição), Nik Stauskas, Anthony Bennett, Robert Sacre (ui!), Dwight Powell e Kelly Olynik, todos os 8 jogadores da NBA sob comando de Jay Triano, experiente ex-assistente do Raptors na liga também. Os elencos completos estão aqui.

Está confiante para esta Copa América? O que esperar do time de Rubén Magnano? Comente aí!


Flamengo domina de novo, vence Bauru e conquista quarto título do NBB
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Fábio Balassiano

fla3

fla1Foi quase uma repetição da primeira partida (mais aqui). Dominando Bauru desde o começo e jogando com autoridade, o Flamengo fez 77-67 em Marília (destaques para Olivinha, autor de 17 pontos, e Laprovittola, com 19 e MVP das finais), venceu o forte rival novamente, fez 2-0 na final, conquistou com inteira justiça o NBB pela quarta vez (a terceira consecutiva e a primeira na casa do adversário) e se tornou o maior campeão da história do maior campeonato do país (Brasília tem três).

jerome1Logo de cara foi possível ver que o segundo jogo não seria muito diferente do primeiro. Com um início avassalador, o Flamengo pressionou na defesa, rodou a bola no ataque, arremessou sem muitos problemas e fechou o primeiro período em fáceis 25-11. Nos dez minutos seguintes, Bauru equilibrou um pouco mais as ações, chegou a reduzir a diferença para 8 pontos, mas Vitor Benite, em uma sequência de um roubo e uma bola de três pontos (ele terminou com 15 pontos e foi fundamental também na defesa), recolocou a vantagem rubro-negra na casa dos dois dígitos (40-25) no final do segundo período e deixou os bauruenses, que arremessaram muito mal (2/12 de 3 e 8/23 de 2).

fla2O panorama não se alterou na segunda etapa, apesar da tentativa de reação de Bauru. O time de Guerrinha, cansado até a alma (foram assustadores 84 jogos em uma temporada fabulosa que teve os títulos do Paulista, da Liga das Américas e da Sul-Americana) até que tentou, mas não conseguiu em nenhum momento ameaçar a liderança rubro-negra. Correu, lutou, melhorou um pouco a defesa, mas a diferença do placar parecia nem se mexer. O Flamengo, jogando com muita tranquilidade, manteve o pé no acelerador, abriu ainda mais vantagem e fechou o terceiro período em 62-39 (22-14 na parcial).

fla4Nos dez minutos finais o Flamengo seguiu controlando as ações (nos 80 minutos da série foi assim, diga-se de passagem), viu o adversário ainda tentar uma breve reação, mas não abriu margem alguma para Bauru diminui a diferença para menos de 10 pontos e sacramentou a conquista ao fechar o duelo em 77-67. Foi o quarto título de NBB para o rubro-negro, o terceiro da Era José Neto (o treinador tem 100% de aproveitamento na competição nacional com o clube) e o fecho de ouro para uma temporada que começou, lá atrás, com o título Mundial Interclubes contra o Maccabi Tel-Aviv.

flamengo3Ou seja: a caminhada da turma da Gávea se iniciou e terminou com troféu na temporada 2014/2015. O carinhoso apelido da torcida, que chama o time de “Orgulho da Nação”, continua fazendo todo sentido para uma equipe que de fato enche os rubro-negros de alegria há anos. O basquete do Flamengo continua no topo graças a uma comissão técnica muito forte liderada por José Neto e por um elenco cada vez mais completo. Parabéns ao clube!

Viu o jogo? Título justíssimo para o Flamengo, né? Comente aí!


Marquinhos x Alex, o confronto que pode decidir o NBB a partir de amanhã
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Fábio Balassiano

dupla

A final do NBB entre Flamengo e Bauru que começa nesta terça-feira (21h30, na HSBC Arena e transmissão do Sportv – amanhã no blog texto mais amplo a respeito do duelo) colocará frente a frente dois dos melhores alas brasileiros deste século. Alex Garcia, pelo lado bauruense, e Marqunhos, pelos rubro-negros, companheiros na seleção brasileira há tempos, têm tudo para ser fatores fundamentais no duelo entre as duas melhores equipes do Brasil.

alex1Contratado esta temporada por Bauru, Alex, para mim o melhor jogador da temporada (MVP), é um dos líderes e o “capitão defensivo” da equipe do técnico Guerrinha. Tricampeão do NBB por Brasília (média de 16,5 pontos em finais), o ala de 35 anos é um dos caras mais intensos do país dentro de quadra, não gosta de cara feia (seu apelido, Brabo, explica muito bem quem ele é) e faz uma temporada brilhante (foi o MVP da Liga das Américas e da Liga Sul-Americana). Tem experiência, comando no grupo e uma vontade descomunal de vencer (para quem já ganhou tudo isso é admirável).

mark1Do outro lado estará Marquinhos. Um dos alas mais talentosos dessa geração, ele chega a sua terceira final seguida de NBB (dois títulos com o Flamengo) ciente que mais do que nunca o rubro-negro precisa dele em ponto de bala para vencer um adversário até então não batido nesta temporada. Aos 31 anos e valorizado ao extremo depois de um ótimo Mundial com a seleção brasileira e títulos importantes com o clube (principalmente o Mundial Interclubes contra o Maccabi Tel-Aviv e a Liga das Américas passada), o camisa 11 registra incríveis 48% nas bolas de três nos playoffs, poucos desperdícios de bola (1,5 por partida, menor índice de sua carreira) e consegue ser dominante mesmo com seu menor número de arremessos por jogo em pós-temporada na sua carreira (11,6/jogo), prova de sua maturidade e também da confiança dele neste ótimo elenco do técnico José Neto.

dupla2Os dois craques brigam pelo troféu de MVP da temporada e creio que Alex e Marquinhos terão papéis essenciais para Bauru e Flamengo, respectivamente, a partir de amanhã (inclusive com um marcando o outro em alguns momentos) nesta que promete ser uma das melhores finais desde o surgimento do NBB sete temporadas atrás (final esta que fazer o primeiro campeão do Estafo de São Paulo na história da competição). Quem será que leva a melhor?


Personagens do Basquete Brasileiro: Marquinhos
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Fábio Balassiano

mark2Filho de Arides e Eleide, casado com Sigrid e pai de Maria Eduarda (9 anos) e Beatriz (6 anos), Marcus Vinicius Vieira de Souza, 30 anos, é um dos melhores jogadores brasileiros da atualidade.

Nascido no Rio de Janeiro, criado em São Paulo, Marquinhos começou a carreira no Monte Líbano e hoje brilha por Flamengo e seleção. Campeão Paulista pelo Pinheiros, Nacional por Bauru e do NBB, Liga das Américas e Mundial pelo rubro-negro, ele é um “Personagem do Basquete Brasileiro”.

mark1BALA NA CESTA: Já se recuperaram do trauma que foi ter perdido a Liga das Américas, ou ainda está difícil de esquecer?
MARQUINHOS: Agora zera tudo para as finais do NBB. Vamos ter essa pausa antes do começo dos playoffs e isso será muito importante para nós. Foi uma tristeza ter perdido a Liga das Américas em casa, mas passou e temos o título do NBB pela frente. É o que vamos buscar. Acho que de dois anos pra cá, e principalmente com a chegada do técnico Rubén Magnano a seleção, meu basquete cresceu muito. Jogando e treinando diariamente no Flamengo, com grandes jogadores e uma comissão técnica fantástica, ajudou muito a desenvolver meu jogo também. Atuar pelo Flamengo é aquilo que você sabe. Uma torcida incrível, com os caras sempre nos apoiando. Você joga em lugar legal, viaja e fica em lugar legal. Isso ajuda muito.

marcus1BNC: Agora, sim, entrando um pouco na sua carreira de forma mais ampla. Você está com 30 anos e queria saber como você começou com o basquete.
MARQUINHOS: Sou natural do Rio de Janeiro, mas com 9 anos eu me mudei com a família para São Paulo pois meu pai foi transferido do emprego. Comecei na escola mesmo a me destacar e foi indo. Fui jogar um torneio no Centro Olímpico de São Paulo, que era do outro lado da rua onde era meu colégio, e me destaquei. Lá eu fui meio que descoberto pelo Andre Germano, que hoje está em Bauru mas que na época era do Monte Líbano. Ele me convidou para um teste, comecei a jogar, mas logo depois o clube terminou as suas atividades. Fui para o Corinthians ainda na base, fiz um bom ano e logo em seguida me convidaram para jogar em Bauru. Eu estava começando e já era daquele time que foi campeão nacional. Era uma equipe que tinha Vanderlei, Leandrinho e eu iniciando a carreira em 2002. Logo depois eu fui chamado para a seleção brasileira para um torneio na Venezuela, me destaquei muito naquela equipe que tinha o Alberto Bial como técnico e fui chamado por muitas faculdades dos EUA para jogar na NCAA. Não tinha 20 anos e muitas coisas já começavam a acontecer para mim.

marcus2BNC: E mesmo assim você preferiu não ir para a NCAA?
MARQUINHOS: Tive convites de muitas faculdades dos EUA, mas preferi ir para a Europa. Em 2005 fui para o Pesaro, trilhei meu caminho lá, fiz um contrato de quatro anos, tinha uma projeção de seguir por muito tempo lá, mas não poderia jogar logo de cara pois havia três estrangeiros no elenco já. A ideia era de me usarem no segundo ano, mas logo que começou a temporada mudou toda a diretoria e a forma de gerenciar a equipe. Foram contratadas estrelas da Europa na época e falaram que o objetivo não era investir na molecada. Fui para a segunda divisão emprestado, fiz um campeonato muito bom pelo Montegranaro e me destaquei bastante. Foi ali que a NBA começou a me olhar…

mark10BNC: Então foi por causa da segunda divisão da Itália que você foi parar no New Orleans (NBA), é isso?
MARQUINHOS: Foi na Itália que estava jogando muito bem e os olheiros começaram a prestar atenção em mim. Fiz aqueles treinamentos na NBA (work-outs), fui selecionado pelo Hornets, atuei lá dois anos, mas fui trocado pelo time no final da temporada 2007-2008. Voltei para o Pinheiros e joguei um restinho de SuperCopa que havia na época. Atuei no primeiro NBB pelo clube e logo em seguida eu voltei para a Europa. Tive um bom ano no Montegranaro, mas meus três meses finais foram de salários atrasados devido a crise na Europa. Deixei dinheiro pra trás lá inclusive. Quando eu vi que o NBB estava começando a bombar decidi voltar e desde 2010, quando o Pinheiros me trouxe de volta, estou aqui.

oscarBNC: Quando você começou a jogar, quem eram seus ídolos?
MARQUINHOS: Oscar, era o Oscar mesmo. Comecei a me apaixonar mesmo por basquete sabe como? Na escola a gente teve uma palestra com o Oscar, ele desceu de helicóptero e ali fiquei vidrado no cara, nas coisas que ele dizia. Ele era o Michael Jordan do Brasil. Acabou incentivando muito a minha carreira e é um dos motivos que eu uso a 14 na seleção brasileira até hoje. Era apaixonado pelo estilo de jogo dele, pelo amor dele a seleção e certamente ele é um dos motivos pelos quais eu me apaixonei pelo basquete.

romarioBNC: Na seleção está claro que você joga com a 14 por causa do Oscar. E no clube, por que o 11?
MARQUINHOS: A camisa 11 é por causa do Romário. Sou muito fã do Romário. Na Copa de 1994 ele era o cara do time, o melhor jogador. Por causa dele que comecei a adotar o número. Gosto muito dele e da personalidade que ele sempre teve.

marquinhos1BNC: Eu lembro bem da sua primeira passagem pelo Pinheiros em 2009 e hoje você é um cara completamente diferente. Na época você não era fácil, né?
MARQUINHOS: Não, não era mesmo. Peguei uma fase meio Bad-Boy. Hoje eu aprendi a controlar isso, falava tudo o que vinha na cabeça e pagava por isso. Hoje, não. Se eu via que não estava funcionando alguma coisa, falava mesmo. Eu amadureci muito depois que fui aos Estados Unidos e Europa. Ser também mexeu muito comigo, me criou mais responsabilidade. Essa fase de ser mais protagonista, mais líder dos times, fez com que eu crescesse muito também não só na quadra, mas fora dela principalmente.

rossi1BNC: Teve alguém que te serviu como segundo pai, digamos assim?
MARQUINHOS: Ah, sim, com certeza. Vou te contar uma coisa aqui. Teve uma época que eu estava meio mal, pra baixo mesmo. E um dos caras que fez com que eu não desistisse do basquete se chama João Fernando Rossi (foto à direita), diretor do Pinheiros e atualmente também Vice-Presidente da Liga Nacional. É um dos caras que tenho uma relação muito forte até hoje. Me dá conselhos até os dias de hoje, é um cara que toda vez que fala eu paro para escutar, tento sempre ouvir e aprender muito. Quando vim da NBA para o Brasil em 2008, 2009, eu voltei muito desmotivado, derrubado mesmo. E ele me ajudou muito a me redescobrir, a acreditar em mim. Sou grato a ele até hoje, e ele sabe disso.

pejaBNC: Você, hoje mais velho, consegue detectar o que houve para não ter dado certo na NBA?
MARQUINHOS: Achava que indo para a NBA teria uma carreira longa por lá, que teria algumas chances de mostrar meu jogo. Tanto que as oportunidades que tive eu fui bem. Mas NBA, você sabe, é aquilo – além de você ser bom tem que ter sorte de estar no time certo, no momento certo, essas coisas. Infelizmente quando fui escolhido no Draft de 2006 eles contrataram o Peja Stojakovic, que acabou pegando todos os meus minutos. Não jogava, mas aprendi muito com ele. Em relação a arremesso, trabalho de fundamento, preparação para os jogos, como jogar bem todas as noites. Acabou não acontecendo na NBA da maneira que eu sonhava.

markBNC: Você chegou mesmo a pensar em desistir do basquete?
MARQUINHOS: Ah, sim, com certeza eu pensei em parar de jogar. Foi frustrante demais ter ido para a NBA e não ter rolado da maneira que eu imaginava. Aquele sonho acaba se tornando um pesadelo. Para você ter uma ideia, estava em casa com minha esposa jantando, vi na televisão o meu nome e meu agente logo me ligou avisando que tinha sido trocado (Nota do Editor: em 21 de fevereiro de 2008, Marquinhos foi enviado para o Memphis Grizzlies, onde acabou não atuando). Foi frustrante demais para mim. Foi um golpe muito duro.

BNC: Nessa época você deu uma declaração naquele Pré-Olímpico de 2007 afirmando algumas coisas sobre o grupo que não foram muito bem recebidas, lembra?
MARQUINHOS: O que houve ali realmente aconteceu…

lulaBNC: E o que aconteceu, conte aí…
MARQUINHOS: Eu falei que o Lula Ferreira havia perdido o controle, que os jogadores meio que tinham assumido o controle da situação e que o time estava meio perdido. Alguém me perguntou e eu falei a verdade. Só que acabei expondo uma situação interna que deveria ficar entre nós, jogadores e comissão técnica. Ali quebrei um dedo na mão, liguei para o meu time. O New Orleans disse para eu tratar lá, antes de começar a pré-temporada, e foi isso que eu fiz. Fui muito impulsivo, e hoje na seleção eu já pedi desculpas por esse caso para a maioria dos jogadores.

BNC: Chegou a pedir desculpas ao Lula?
MARQUINHOS: Fui pedir desculpas ao Lula muito depois, em um jogo meu. Quando eu falei aquilo não ficou legal nem para mim e nem para ele. E o Lula aceitou tranquilo, a vida seguiu.

markBNC: Uma pergunta que é na verdade uma curiosidade. Como funciona entre os jogadores, ali no vestiário, quando alguém acaba expondo uma situação que deveria mesmo ficar apenas entre vocês? Gera um clima ruim?
MARQUINHOS: Na verdade, quem me ajudou muito nessa história toda foi o Leandrinho. Ele, com quem havia jogado em Bauru, me ajudou muito. E ele disse: “O que você falou estava certo, mas o que você disse deveria ter sido mantido dentro do grupo, exposto apenas para nós”. Este foi o meu erro mesmo. Fui perguntado por um repórter, e eu disse que estava acontecendo uma situação mesmo. Eu não menti, mas acabei abrindo. Mas isso passa. Depois, quando voltei para a seleção com o Magnano em 2010, os jogadores me receberam muito bem. O que passou, passou.

mark1BNC: Essa sua mudança de temperamento que estamos falando. Você consegue ver exatamente que teria feito diferente anos antes, quando era mais explosivo?
MARQUINHOS: Ah, sim, em várias ocasiões. Hoje acontece alguma jogada, eu respiro fundo e passo adiante. Não xingo, não faço nada. Aprendi a me controlar. Dois, três anos atrás certamente eu poderia falar com árbitro, reclamar até cansar. Você que me conheceu naquela época sabe que estou muito mais calmo hoje em dia mesmo. A vida mesmo te ensina coisas que ficam.

BNC: Você sabe que é um dos melhores jogadores do país, foi sondado pela NBA recentemente e certamente recebe convite da Europa com constância. Tem horas que você assiste às partidas de fora e pensa um “Poxa vida, eu poderia estar lá”?
MARQUINHOS: Eu sou um cara apaixonado por basquete e vejo tudo. Minha esposa até brinca que só tem canal de basquete na nossa casa. Meu estilo de jogo é muito parecido com a NBA, mas não me iludo muito mais, não. Recentemente tive essa sondagem de lá, do próprio New Orleans, e é óbvio que jogar lá é uma honra, um privilégio. Mas hoje deixo acontecer.

mark1BNC: Você fala isso porque para você não adianta só estar lá, mas sim que precisa ir lá para jogar?
MARQUINHOS: Sem dúvida que sim. Acho que eu falei isso com você mesmo na época que eu recebi a sondagem da NBA. Cheguei a um ponto da minha carreira que quero jogar, quero estar em quadra me divertindo e jogando bem. Atuo em um clube maravilhoso, vivo em uma cidade linda, tenho minha família por perto. Não há porque ir pra lá e ser um daqueles caras que vai entrar cinco, dez minutos. Sem desmerecer ninguém, claro. Não me acho uma estrela, mas não me vejo o cara que vou ficar no banco para alguém que considero que sou melhor, entende? É uma visão minha, um jeito meu de pensar.

neto1BNC: Dos técnicos que você teve, quais são suas maiores influências?
MARQUINHOS: Tive três grandes técnicos. O Claudio Mortari, o Magnano na seleção e o José Neto no Flamengo. Ele é um paizão para mim no Flamengo, eu mesmo tentei levá-lo para o Pinheiros. O motivo de eu ter vindo para o Flamengo foi ele mesmo. Entendo a filosofia dele, gosto e consigo passar tudo o que ele quer adiante também. Aprendo diariamente com ele.

mark1BNC: Falando de seleção brasileira agora. Bate um pouco de frustração por você fazer parte de uma geração muito talentosa mas que ainda não conquistou nenhum título grande, nenhuma medalha relevante?
MARQUINHOS: Acho que primeiro a gente tem que entender o momento do basquete brasileiro. Desde que o Magnano assumiu a seleção subiu de nível, subiu de patamar. Principalmente do lado tático. Hoje a gente parece uma seleção europeia. Tem uma esquema ali, a bola roda no ataque, tem muita defesa…

mark3BNC: Pô, até você defende, cara…
MARQUINHOS: (Risos) É verdade! Mas, respondendo a sua pergunta, a maior frustração mesmo foi naquele jogo contra a Sérvia no Mundial de 2014 na Espanha. A gente fez um Mundial excelente, estava sendo apontado como o time que iria brigar com EUA e Espanha e caímos. Basquete é duro por causa disso. Você dá uma bobeada, esquece, perde. Ninguém imaginava que a gente iria perder da Sérvia daquele jeito, daquela maneira. Foi um momento, um lapso e já era. Ganhamos deles muito bem na primeira fase. Mas o esporte te dá chances, te dá oportunidades. Teremos os Jogos Olímpicos em casa e quem sabe poderemos fechar o ciclo dessa geração com uma medalha diante da nossa torcida. Estamos maduros e será um tudo ou nada para nosso time. Não é o meu caso, pois espero seguir jogando pela seleção, mas muita gente sairá da equipe após os Jogos do Rio-2016.

mark14BNC: Foi a maior frustração sua com a camisa da seleção?
MARQUINHOS: Certamente que sim. É bem difícil de engolir. Até porque ganhamos dos caras na primeira fase. Achávamos que seria um jogo duro, mas que teríamos chance de vencer, de ir adiante. Aquelas faltas técnicas ali foram cruciais não para perdermos a cabeça e sairmos do jogo. Nosso plano tático foi errado. Até o próprio Magnano assumiu na época. Fica o aprendizado. O nível mundial é fortíssimo. Do segundo ao décimo é todo mundo muito parecido. Veja a França. Fez um Mundial excelente mesmo toda desfalcada. Nesse nível, deu uma bobeada é difícil de recuperar. Foi uma oportunidade que perdemos.

mark2BNC: Para fechar. Você é um cara reconhecido, e certamente pôde realizar alguns sonhos para sua família. O que te dá mais emoção quando você olha pra trás e vê que conseguiu propiciar para as pessoas que te cercam?
MARQUINHOS: Olha, formar uma família como a que tenho é gratificante, é lindo. Mas poder ter dado uma casa para meu pai e outra para minha mãe é maravilhoso, é lindo mesmo. Lembro muito que meu pai cruzava a cidade de São Paulo para me levar e me apanhar nos treinos. E hoje poder dar um pouco mais de conforto para ele não tem preço. Ele saía do ABC, rodava a cidade inteira, esperava eu acabar os treinos e voltava. Isso por longos meses, um período imenso. É um orgulho para mim ter conseguido proporcionar isso a eles.


Cestinha, Marquinhos enaltece lado coletivo do Flamengo por título Mundial
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Fábio Balassiano

markQuando chegou ao Flamengo em 2012 Marquinhos já era um dos melhores alas do país. Duas temporadas se passaram, a habilidade continua lá e o camisa 11 se tornou um dos maiores ídolos recentes do Flamengo. Melhor jogador e campeão do NBB5, ele foi fundamental na conquista do NBB e da Liga das Américas da temporada passada. Mas ele quer mais. A começar pelo Mundial de Clubes contra o Maccabi Tel-Aviv na sexta-feira (21h30) e no domingo (meio-dia – ambos com Sportv e FoxSports), o jogador de 30 anos sabe que, junto com o grupo comandado por José Neto, está muito próximo de marcar seu nome de vez na história do basquete rubro-negro. Conversei com ele sobre isso e, claro, sobre a participação dele e da seleção brasileira na Copa do Mundo da Espanha.

BALA NA CESTA: Você acaba de voltar de um Mundial com a seleção e logo no começo da temporada 2013/2014 já tem outro pela frente. Como está a sua cabeça para estes dois duelos contra o Maccabi Tel-Aviv? Está conseguindo dormir direito?
MARQUINHOS: Olha, dormir não tenho conseguido mesmo, mas por causa dessa troca de fuso horário que tivemos recentemente. Estávamos na Espanha e voltamos tem uma semana. Mas, sim, estou ansioso com essa possibilidade de ser campeão do mundo pelo Flamengo. É uma chance maravilhosa de marcar nosso nome na história. Vai ser um desafio muito grande pra gente, mas estamos nos preparando da melhor maneira possível. São treinamentos em dois períodos, o máximo que podemos fazer estamos fazendo.

WALTER HERRMANN SUPERA DRAMA FAMILIAR E ESPERA COROAR BRILHANTE CARREIRA COM TÍTULO MUNDIAL

mark2BNC: Desde que você chegou ao Flamengo o clube entrou em um ciclo de títulos incrível, tendo vencido os dois NBB’s mais recentes e a Liga das Américas passada. Qual é a perspectiva para essa temporada que tem, além do NBB e Liga das Américas, o Mundial e também os três amistosos da NBA?
MARQUINHOS: Essa é uma temporada bem especial, sabemos disso. Há muita coisa envolvida, há muita coisa grande em jogo. Temos a oportunidade de jogar, logo de cara, contra o campeão europeu, algo que poucos times vão ter. Ainda por cima vale uma taça mundial. Poucos atletas possuem um título mundial na carreira. E todos queremos ter isso no currículo. Depois há os amistosos na NBA, que vão ser importantes individualmente para cada atleta e, sobretudo, para o nome do Flamengo. Depois disso virão duas etapas difíceis. Defender os títulos de Liga das Américas e NBB será bastante complicado, mas estamos preparados.

flaBNC: Como está o clima no time, já que o grupo é praticamente igual ao da temporada passada? Vi que vocês já estão pegando no pé do argentino Walter Herrmann e tudo…
MARQUINHOS: (Risos) É o Olivinha, é o Olivinha que já colocou um monte de apelido no cara. Mas tudo dentro de uma brincadeira sadia, de um ambiente maravilhoso que se criou aqui no Flamengo. Este é um dos fatores importantes para termos chegado ao patamar que chegamos. Aqui todos se dão muito bem. A sede dos jogadores por vitórias está muito grande. Todos estão treinando muito forte, defensivamente está todo mundo brigando, ajudando o outro. Coletivamente estamos muito entrosados, focados mesmo. Esse núcleo que está indo para a terceira temporada só perdeu uma competição que disputou (a Liga das Américas de 2012/2013) e continua com uma vontade impressionante de seguir vencendo. Isso é maravilhoso. Temos um tempo muito curto de treino antes de jogar os dois jogos mais importantes do nosso ano e esse entrosamento, esse conhecimento que um tem do outro é essencial para conseguirmos nossos objetivos.

ARMADOR NICOLAS LAPROVITTOLA PEDE 110% DE DISPOSIÇÃO POR TÍTULO MUNDIAL

mark4BNC: Já é a terceira vez que você, um cara de pontuação muito forte, fala em defesa, em coletivo. Esse modelo, digamos, tático e mental de pensar muito em marcação e pouco no individual é algo que o técnico Neto trouxe do Rubén Magnano, ou não tem nenhuma relação? Você consegue perceber semelhanças entre as duas filosofias de trabalho?
MARQUINHOS: Há grande semelhança entre o que jogamos e o que o Magnano aplica na seleção. Isso com certeza. É o jogo moderno, né. Muita defesa, velocidade, troca de passes e o maior esforço coletivo possível. Defensiva e ofensivamente têm dado certo pra gente. Desde que o Neto assumiu ganhamos quase tudo. Acho que isso prova que os sistemas adotados por ele têm dado muito certo.

markBNC: Você já conseguiu engolir o que aconteceu naquela derrota contra a Sérvia, na Espanha, ou ainda não desceu direito?
MARQUINHOS: Ah, cara, se você analisar no geral o Brasil fez uma campanha. Tirando o último jogo e o primeiro período contra a Espanha a gente sempre esteve ali disputando, duelando de igual para igual. Demos o nosso máximo, mas infelizmente não conseguimos ir mais longe. O baque fica maior pela forma como perdemos da Sérvia no terceiro e no quarto períodos porque sabemos que aquela não é a realidade, ou disparidade, que há entre as duas equipes e também que aquela não foi a nossa realidade no campeonato.

BNC: Fica um gosto amargo então?
MARQUINHOS: Fica um gosto amargo porque sabemos que poderíamos, agora, estar com uma medalha no peito.


Brasil marca muito mal, e perde da Espanha a primeira no Mundial
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Fábio Balassiano

splitterO Brasil acaba de conhecer a sua primeira derrota na Copa do Mundo. Em Granada, a seleção masculina perdeu da Espanha por 82-63 e agora luta com todas as suas forças para ficar com a segunda posição do Grupo A.

Para isso, precisa vencer a Sérvia na quarta-feira (13h). Nos outros jogos do dia por essa chave a França atropelou o Egito, e os sérvios passaram pelo Irã. Mais sobre os cenários aqui, pois os resultados de hoje não mudaram nada a situação.

Na Chave B, a que vai cruzar com a do Brasil, Senegal venceu a Croácia na maior zebra da competição até aqui, a Argentina sofreu horrores, mas ganhou das Filipinas e a Grécia derrotou Porto Rico, embolando completamente a classificação do grupo (veja mais aqui). Os gregos são os únicos invictos, com Senegal, Argentina e Croácia com 2-1. Tudo indefinido por lá, então.

Sobre a partida brasileira, acho que ficou claro para todo mundo quão imperativo é, neste nível de basquete, atuar com intensidade defensiva pelos 40 minutos. O Brasil cochilou por quatro, cinco minutos no primeiro período, defendeu muito mal, acelerou os ataques para tentar compensar (outro erro), não encaixou a marcação e viu o adversário abrir diferença de 30-14. Ali a peleja já estava decidida.

gasolNão há como negar isso, e o que o ataque fez foi reflexo da falta total de “pegada” na marcação. Levar 30 pontos em 10 minutos (3 por minuto, portanto) é um péssimo índice, e contra um adversário do nível da Espanha, a segunda melhor seleção do mundo, dificilmente você terá como se recuperar disso. No final, os europeus tiveram 51% nos tiros da quadra, e creio que não preciso dizer muito mais além disso.

Do outro lado, mesmo com uma distância absurda no placar, os ibéricos não amoleceram na defesa em momento algum. Atacar contra defesas ferozes assim, como você deve imaginar, é difícil e cansa bastante. O Brasil, portanto, não teve um segundo de tranquilidade e permitiu que a Espanha atuasse de forma muito calma, sem sofrimento, em grande parte da peleja. E assim, neste nível de competição, não se vence. O adversário era potente, fortíssimo, mas é uma questão de conceito/concepção de jogo (defender nos 40 minutos com MUITA força é OBRIGATÓRIO). Esta é a maior lição que deve ficar da derrota que o time de Magnano sofreu nesta tarde de segunda-feira.

trioAlgumas coisas, porém, não há como entender. Pau Gasol (foto à direita) arremessou de três em cinco ocasiões. Em todas, livre. Matou três bolas seguidas no terceiro período, algo que não acontecia com ele desde 2001 vestindo a camisa da seleção. Não consigo compreender o motivo de o Brasil ter deixado o agora jogador do Chicago Bulls tão livre assim. Pau é craque há séculos, e seus 26 pontos (incríveis 32 de eficiência) foram conquistados sem nenhuma dificuldade.

Em tempo: nego-me a falar sobre a arbitragem (péssima para os dois lados) e do recorrente problema nos lances-livres brasileiros (hoje 8/15). Falar disso é desvirtuar completamente o foco do que ocorreu em quadra. Por fim, uma observação: em três primeiros períodos (França, Irã e Espanha), saldo negativo de -24. Em todos o Brasil perdeu. Contra franceses e iranianos deu para recuperar. Em jogo eliminatório, começar tão devagar assim é perigoso demais (e Varejão disse isso em entrevista ao Sportv depois do jogo).

Viu o jogo? O que achou? Comente!


O jogo hoje é contra a Espanha, mas Brasil já deve olhar adiante
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Fábio Balassiano

timeHoje, primeiro dia de setembro de 2014, é a data da partida mais difícil da seleção masculina na fase inicial da Copa do Mundo da Espanha. Contra os donos da casa, em Granada, o Brasil enfrentará aquele que é considerado por todos como o segundo melhor time da competição (atrás apenas dos Estados Unidos, claro) diante de uma enfurecida e animada torcida.

É uma missão impossível? Não, não é. O Brasil tem um elenco fortíssimo, tem defendido muito bem e se do outro lado o garrafão é forte (com os irmãos Pau e Marc Gasol e o congo-ibérico Serge Ibaka), o de Rubén Magnano com Nenê, Splitter, Hettsheimeir e Varejão não fica muito atrás, não.

ruben30Difícil, seguramente é, principalmente devido à intensidade defensiva espanhola e a pequena queda de ritmo de jogo mesmo com as trocas que o treinador Juan Antonio Orenga faz. Mas não é algo impossível. Vencer é o óbvio que precisa ser tentado, perseguido, principalmente porque no Grupo B já houve uma zebra (Senegal praticamente tirou as chances de Porto Rico e deve avançar na quarta posição), mas a seleção brasileira precisa olhar os cenários com muita, muita calma. Ah, e vale ficar atento ao fato que, com a derrota diante da Croácia, a Argentina tem boas chances de sair em segundo ou terceiro (e não mais em primeiro). E explico.

Até que alguém prove o contrário, a Espanha vencerá todos os jogos desta primeira fase (França, Sérvia, Brasil e os já abatidos Irã e Egito). Ficariam da segunda a quarta colocações franceses, sérvios e brasileiros (lembrando que a França bateu a Sérvia neste domingo por 74-73 e havia perdido do Brasil por 65-63). Com os seguintes cenários:

chave1) Brasil ganha da Sérvia -> Brasil em segundo, França em 3 e Sérvia em quarto (melhor cenário!).

2) Brasil perde da Sérvia por 2 -> Sérvia em segundo (saldo +1), Brasil em terceiro (saldo 0) e França em quarto (saldo -1). É o pior cenário.

3) Brasil perde da Sérvia por 1 -> Brasil em segundo (saldo +1), Sérvia em terceiro (saldo 0) e França em quarto (saldo -1). Melhor cenário, mas com chance de parada cardíaca.

4) Brasil perde da Sérvia por mais de 4+ -> Sérvia em segundo, França em terceiro (saldo -1) e Brasil em quarto (saldo de -2 pra cima). Cenário ruim, mas não pior que o terceiro.

5) Brasil perde da Sérvia de 3 -> Sérvia em segundo e Brasil e França empatados com -1 de saldo (e aí entrariam os critérios de average)

lbOu seja do ou seja: o jogo, hoje, é contra a Espanha, mas a decisão é mesmo nesta quarta-feira contra a Sérvia. Ficar em segundo lugar é o melhor (pois evita a Espanha até a semifinal – veja chave ao lado). Em terceiro, muito ruim (Espanha em uma eventual quartas-de-final e chance reduzida de brigar por medalha). Em quarto, ruim mas menos pior que a terceira posição.

Vale a pena jogar contra a Espanha olhando no horizonte também. Se o objetivo é conseguir uma medalha, talvez não seja tão necessário queimar todos os cartuchos em uma partida, digamos, “perdível” na classificação.

Concorda com meu raciocínio? O Brasil tem chance hoje? Comente!


Brasil sofre no começo, mas atropela o Irã e enfrenta Espanha amanhã
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Fábio Balassiano

neneO começou assustou (bastante). O Brasil começou o jogo sonolento, viu o Irã abrir 13-5 e viu Rubén Magnano pedir tempo com cara de poucos amigos (com razão). Cheguei a temer pelo pior (uma partida dura), mas o panorama mudou após a conversa na parada técnica (ainda bem).

A partir dali, com cinco minutos do primeiro período, a seleção brasileira masculina jogou como tem que ser  (marcando muito, saindo rápido para bandejas e sufocando o rival), teve ótimos momentos, como no que Nenê (foto à direita) enterrou na cabeça do pivô Hamer Haddadi (tal qual já havia feito em 2012), bateu um adversário fraquíssimo por 79-50 e se manteve invicto no Mundial da Espanha após duas rodadas.

Nesta segunda-feira, às 17h, o jogo mais difícil desta primeira fase, a Espanha (falarei disso amanhã mesmo, ok). No confronto que abriu os trabalhos do Grupo A, a França, que perdeu durante 39 dos 40 minutos do duelo, venceu a Sérvia por 74-73, e embolou a chave (prometo trazer as contas mais apuradas nesta segunda-feira, hein, fiquem de olho).

alexDepois do hesitante primeiro período, o Brasil fez exatamente o que deve ser feito contra times bem mais fracos – rodou todo o elenco, poupou suas principais peças e atuou de forma segura, sem sustos. Foram 28 dos 79 pontos em contra-ataque, 17 roubos de bola e 24 erros forçados do adversário.

Não há, portanto, análise tática alguma que se possa fazer desta partida. O adversário é muito deficiente, teve um lampejo apenas quando o Brasil dormiu no começo do jogo e depois caiu de produção (algo até natural). A se lamentar, mais uma vez, o não mais que regular aproveitamento nos lances-livres (10/15). Já disse e repito: que o Brasil aprenda a vencer mesmo sem ser bom (não disse ‘muito bom’, notem) da linha fatal.

Viu o jogo? Se assustou no começo, né? Deixo, aqui, uma provocação: é possível vencer a Espanha amanhã? Comente aí o que você achou da peleja deste domingo e da partida de amanhã contra os donos da casa!