Bala na Cesta

Arquivo : LeBron James

A magia do basquete no partidaço vencido pelo Cavs contra o Warriors
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Fábio Balassiano

cavs10Aí você se prepara para a rodada natalina, dispensa a família, se tranca no quarto e já se empolga com o Knicks e Celtics do Garden. Vitória do Boston (119-114), bom e jogo e tals. Se arruma na cadeira, pega uma água, se acomoda e começa a ver uma AULA de basquete. Golden State Warriors e Cleveland Cavs fazem em Ohio tudo aquilo que a gente espera encontrar em uma partida do esporte que a gente tanto curte: ataques ferozes, defesas tentando encontrar soluções, técnicos buscando vantagens com substituições, estrelas aparecendo, coadjuvantes buscando espaço e drama, muito drama.

warriors1Se o nível, de intensidade, técnico, tático, mental, físico, do primeiro tempo fosse mantido para o segundo já seria sensacional, mas os caras queriam mais. O Golden State foi pro intervalo vencendo por 55-52, chegou a abrir dígitos duplos no terceiro período, colocou 14 de vantagem nos 12 minutos derradeiros, mas o Cavs não desistiu.

Na verdade, aqui vale um registro desde já. O Cleveland em nenhum momento deixou de seguir o seu plano de jogo: fechar loucamente os espaços para tiros de três pontos no perímetro (Warriors tiveram “apenas” 9/30 de fora), nem que para isso significasse um garrafão mais aberto e disponível para infiltrações (50 pontos da franquia da Califórnia vieram assim). O problema é que para passar adiante não bastavam 16 pontos de LeBron James no terceiro período (ele teve 31 no total), 20 no total de Kevin Love e nem 7 roubos ou 10 assistências de Kyrie Irving. As peças de apoio precisavam aparecer. E naquela altura o banco não ajudava. Richard Jefferson e Iman Shumpert tinham, somados, 0/14 nos chutes. Só que, pessoal, isso se chama basquete e basta uma fagulha para a fogueira acender.

cavs1Jefferson, no alto de seus 36 anos, tomou a fonte da juventude e até enterrou. Shump matou bola de três. Channing Frye converteu duas. O banco acabou com 25 pontos, quase o dobro dos 13 do Warriors, e acabou sendo o responsável por colocar o Cleveland no jogo.

Nos minutos finais, mais drama. Steph Curry, mal no jogo (4/11 e 15 pontos “apenas”), recebeu em contra-ataque e matou de três. O Warriors lideraria por 1 ponto. O Cavs tinha a bola com 10 segundos de jogo. E aí Kyrie Irving, então com 23 pontos, 10 assistências, 7 roubos e 6 rebotes, mandou um Feliz Natal para o Golden State.

cavs3É isso. Vitória do Cavs por 109-108 em um dos melhores jogos deste esporte chamado basquete dos últimos tempos. Vale dizer que no último lance Kevin Durant, autor de 36 pontos e 15 rebotes (cracaço de bola!), tropeçou em Richard Jefferson (acharam falta ou normal?), não rolou arremesso e o Cleveland venceu com bastante justiça. Soube manter a cabeça fria mesmo perdendo durante toda a partida, colocou a bola nas mãos de Irving e LeBron nos momentos cruciais e ainda viu os coadjuvantes aparecerem para ajudar as principais estrelas. Manual de resiliência e de como grandes times encontram sempre formas de vencer partidas em que parecem estar sendo dominados pelos adversários. Insisto: uma aula de basquete por parte da franquia de Ohio.

cavs2Ressalto que foi certamente a melhor partida da temporada. Intensa, física, com rivalidade pulsando, técnica e tática ao extremo. Arrisco-me a dizer que não haverá 5 deste nível de intensidade e qualidade até o final de 2017.

Quem trocou a rabanada pelo jogo de ontem ouviu lamúrias da família, mas certamente não se arrependeu. Vimos, neste domingo, um show de basquete. Um show do que é o esporte em seu mais alto nível. Um show de Kyrie Irving. Quero apenas dizer que em junho podemos ter mais cinco, seis, sete jogos deste nível entre estes dois timaços de basquete. Que venham!


Rodada de Natal da NBA tem reedição de final e Westbrook podendo bater outro recorde
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Fábio Balassiano

knicks1Já é tradição. Realizada desde 1947, quando o New York Knicks venceu o Providence Steamrollers no Madison Square Garden por 89–75, a rodada de Natal da NBA terá cinco jogos hoje. E com a melhor notícia pra quem gosta de basquete: todos exibidos pelos canais ESPN a partir das 15h (de Brasília).

Entre os destaques, além das camisas que são confeccionadas (e bastante vendidas) especialmente para a data de hoje (a da foto ao lado é a do Knicks, lindíssima), estão a reedição das duas últimas finais entre Cavs e Warriors, Russell Westbrook podendo bater outra marca relacionada a triplos-duplos, Dwyane Wade jogando partida natalina com camisa que não a do Miami Heat e muito mais. Vamos ao resumo das partidas deste domingo!

thomas1New York Knicks x Boston Celtics (15h – ESPN) – São dois times que melhoraram muito nas últimas semanas e que têm campanhas idênticas (Celtics com 17-13; Knicks com 16-13). Na quadra veremos duelos vários confrontos individuais interessantes em posições-chave. Na armação, Derrick Rose x Isaiah Thomas. Na ala, Carmelo Anthony x Jae Crowder (ótimo marcador). No pivô, Joakim Noah x Al Horford. Vai ser bem interessante ver o comportamento do letão Kritstaps Porzingis, cada vez mais habituado aos holofotes, como a torcida do Knicks, que viu seu time vencer 11 das 15 vezes atuando no Garden, reagirá diante de um ótimo rival e como os Celtics farão os ajustes necessários para defender um time que tem 105 pontos por jogo de média e ótimas armas no jogo exterior para pontuar.

lebron2Cleveland Cavs x Golden State Warriors (17h30 – ESPN) – O jogo mais aguardado não só da rodada natalina, mas provavelmente um dos cinco mais esperados de toda temporada regular. É a reedição das duas mais recentes finais, o décimo-oitavo encontro dos dois times nos últimos 24 meses, os dois líderes de suas conferências (no Leste, o Cavs tem 22-6; No Oeste, Warriors possui 27-4) e mais uma chance de vermos dois dos melhores times do planeta dividindo a mesma quadra de basquete. Pelo lado do Cavs, desfalque de JR Smith, que, lesionado, ficará de fora muito provavelmente do restante da temporada regular.

durant1Pelo Warriors, deve ser muito bacana poder dizer que você vai para uma revanche contra o adversário que o venceu na última final com um nome diferente no quinteto inicial quando esta peça chama-se Kevin Durant. Cada vez mais adaptado ao esquema do Golden State, Durant lidera a equipe que possui três atletas com 20+ pontos (ele tem 25,9; Steph Curry, 24,4; e Klay Thompson, 21,4) e que tem tentado defender melhor nas últimas semanas. Não tem sido fácil, porque o estilo acelerado do ataque faz com que a defesa fique sempre exposta a contra-ataques ferozes dos adversários, mas até o camisa 35, não um especialista em marcação, se esforça para conter arremessos dos rivais. Vai ser muito interessante ver como Durant, como protagonista de um timaço que tem Curry, Klay e também Draymond Green, se sairá logo mais contra LeBron James.

kawhi1San Antonio Spurs x Chicago Bulls (20h – ESPN) – É o confronto do time mais regular das últimas duas décadas contra o mais inconstantes deste campeonato. O San Antonio é a melhor franquia da NBA desde o final do século passado, se mantém forte há 20 anos e joga o basquete que o mundo inteiro aplaude desde sempre. O Chicago, por sua vez, é um dos cinco times a já ter batido o San Antonio nesta temporada. O Chicago, porém, é de uma instabilidade atroz e hoje está fora da zona de playoff do Leste (tem 14-15 e sete derrotas nos últimos dez jogos). O alto (triunfas contra o Spurs) e o baixo (derrotas em sequência) se misturam na temporada do Bulls e é justamente por isso que é impossível prever o que irá acontecer logo mais.

wade1Se o time do (não menos instável) técnico Fred Hoiberg jogar com todo o potencial que o elenco que possui Jimmy Butler, Dwyane Wade, que jogará a partida de Natal com a camisa do Bulls pela primeira vez, e Rajon Rondo possui, teremos uma ótima partida no Texas. Do contrário, o San Antonio, tema de texto aqui esta semana, e seu jogo de passes maravilhoso terão imensas chances de sair com vitória no duelo natalino. Vale dizer que o Spurs venceu o Portland na última sexta-feira jogando muitíssimo bem (110-90) mesmo tendo poupado Pau Gasol, Manu Ginóbili e Tony Parker, três de seus veteranos mais importantes.

westbrook1Oklahoma City Thunder x Minnesota Timberwolves (23h – ESPN+) – Apenas cinco jogadores conseguiram anotar triplos-duplos na história da rodada de Natal: Oscar Robertson, LeBron James, Russell Westbrook, Billy Cunningham e John Havlicek. Apenas Robertson (1960, 1961, 1963 e 1967) conseguiu o feito em mais de uma oportunidade. É bem verdade que LeBron também estará em quadra neste 25 de dezembro, mas se tem alguém que poderá dizer que terá mais de um triplo-duplo na rodada de Natal da NBA este é Russell Westbrook. Vivendo temporada magnífica, com 31,8 pontos, 10,8 assistências e 10,5 rebotes, o armador do Thunder, que não terá de novo Victor Oladipo (lesionado), já atingiu dígitos duplos em três fundamentos em 14 ocasiões nesta temporada da NBA (inclusive o animalesco contra o Boston na sexta-feira fora de casa com 45-11-11). Com sua força física descomunal, é bem provável que ele atinja o feito logo mais contra um Minnesota que defende terrivelmente mal (cede 106 pontos por noite aos rivais) e que tem na armação um cara (Ricky Rubio) que tem um potencial físico e uma defesa bem abaixo daquilo que se espera para deter Westbrook. Vale a pena, pelo lado do Wolves, ficar de olho na molecada formada por Andrew Wiggins, Zach LaVine e Karl-Anthony Towns. Eles jogarão o primeiro jogo natalino de suas carreiras. Os três já são muito, muito bons e quando encontrarem o meio termo entre serem ousados e responsáveis serão excepcionais.

russel1Los Angeles Lakers x Los Angeles Clippers (01h30 – ESPN+) – O Clippers perdeu (de novo!) Blake Griffin por lesão (de três a seis semanas), mas é absurdamente favorito contra um Lakers que começou bem a temporada, mas que com suas lesões e inconstância acabou se perdendo (são quatro derrotas seguidas, 9 nos últimos 10 jogos e a amarga campanha de 11-22). Para quem sonhava em brigar pelo playoff, o Lakers está talvez vivendo a (sua) realidade e terá do outro lado da quadra um rival que não vence desde a abertura de 2013/2014 (faz tempo, hein!). O Clippers (22-9), por sua vez, tem tentado se adaptar ao jogo sem Griffin, que vinha fazendo excelente campeonato, mas vê o Houston Rockets coladinho na luta pela terceira posição do Oeste. Quem conseguir ficar acordado até tarde deve ficar atento ao duelo entre Chris Paul, um dos melhores armadores da liga (CP3 não está 100% mas deve atuar), e D’Angelo Russell, um dos mais jovens e talentosos titulares da posição 1 da NBA.

Meus palpites pra hoje? Knicks, Warriors, Spurs, Thunder e Clippers. E o de vocês? Comentem!


O título que muda o patamar de LeBron James na história do basquete
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Fábio Balassiano

lebron20LeBron James anunciou a volta a Cleveland em 2014 com uma singela frase: “Estou voltando pra casa”. Bem diferente do que, quatro anos antes, ele fez para informar ao mundo que levaria seus talentos para South Beach (Miami Heat). Com o retorno ao Cavs, um maduro LeBron tinha uma única missão – dar o inédito título a Ohio.

lebron11E foi o que ele conseguiu neste domingo. Após a frustração de 2015, quando tentou praticamente sozinho (Kyrie Irving e Kevin Love se machucaram) contra um esplêndido Golden State Warriors, LeBron enfim cumpriu a sua promessa diante do mesmo adversário que o havia derrotado na temporada anterior. Cumpriu em grande estilo. Venceu o time de melhor campanha da história da NBA (73 vitórias), saiu de 1-3 para se tornar o primeiro a virar para 4-3 e assinalou no jogo 7 um surreal triplo-duplo (27-11-11), algo que apenas James Worthy e Jerry West haviam conseguido. A comemoração dele depois dos 48 minutos da batalha épica na Oracle Arena, em Oakland, deram bem a dimensão do que ele estava sentindo e do que ele havia alcançado.

lebron9Se em Miami LeBron James aparentava até uma certa arrogância quando ganhou os dois canecos (parecia dizer: “Eu vim aqui pra ganhar e ganhei mesmo. Não tinha dúvida que aconteceria”), o choro e a forma como ele desabou no solo após concretizar a conquista pelo Cavs dão outra dimensão para o seu terceiro título de NBA. Pelo Heat era quase “pró-forma”, um rito quase que escrito. Pelo Cleveland, o fim de uma penitência que ele mesmo havia se colocado desde que chegou à liga. Não era ganhar. Era liderar uma cidade inteira que aguardou mais de 50 anos por um título nas principais ligas esportivas americanas. São situações bem diferentes – e por isso mesmo a emoção se justifica. Se jogar no chão era uma forma, também, de dizer um “ufa, acabou, eu consegui o que mais queria nessa vida” que deixou todos bem mexidos. Não era a conquista de um troféu. Era a realização de um sonho de criança. E como protagonista.

lebron3O choro, o beijo na taça, as lágrimas, os abraços incontidos nos filhos se justificam, também, porque o camisa 23 ouviu muita coisa (escreveu isso inclusive em seu Instagram) de um ano pra cá. Ouviu muito quando David Blatt foi demitido pela franquia Cavs ali antes do All-Star Game. Ouviu, também, muito sobre como os Warriors eram fantásticos e como, vejam só vocês, Steph Curry tomaria o lugar dele de melhor atleta do planeta. As finais vieram e James não provou apenas quem ainda manda no pedaço, mas sobretudo a grande diferença entre o verbo estar e o verbo ser. Curry ESTÁ o melhor do mundo para ser o MVP unânime. LeBron É o melhor do mundo há bons cinco anos (no mínimo). E quem É há tanto tempo não é craque a toa, do nada, como se fazer o que ele faz fosse fácil. Antes da decisão eu disse no Podcast que o fator “ego” poderia fazer a diferença. Fez. LBJ jogou pela cidade de Cleveland, mas também porque sua reputação estava em jogo (e muito em jogo). Um possível 2-5 em finais seria trágico. Um 3-4, com um título pelo Cavs, muda muita coisa, embora o cuidado com as palavras seja necessário também.

lebron4E digo isso porque nessas horas os exageros aparecem. Creio ser leviano dizer que LeBron James agora se coloca no mesmo nível do Michael Jordan. Leviano e até certo ponto “resultadista”, algo que não sou. LeBron e os Cavs estavam a um minuto (no domingo) de perderem o título da NBA. Poderia perfeitamente acontecer caso Andre Iguodala, por exemplo, tivesse cravado uma bola em que levou um dos tocos mais sensacionais da história do basquete do camisa 23 do Cavs. LBJ saltou 615m, desceu com a bola e no ataque seguinte Kyrie Irving matou uma bola de três fundamental. A comemoração em Ohio poderia não ter acontecido. E mesmo assim a sua performance assustadora nesta final permaneceria intacta.

lebron5Ao mesmo tempo, vencer (e da maneira que foi) coloca James em outro patamar, em outro nível, em outra dimensão, bem mais acima no panteão dos melhores de todos os tempos. Não dá pra afirmar, neste momento, em qual grupo ele vai se colocar (Top-5, Top-10, Top-15 de todos os tempos) porque o cidadão ainda tem 31 anos e muita lenha pra queimar. Já pararam pra pensar que nesta mesma altura dos acontecimentos em 2017 provavelmente estaremos aqui de novo falando do Cavs em outra final da NBA e de quão fantástico James estará sendo para dar o bicampeonato ao Cleveland? Tem muita estrada, pra ele e pros Cavs percorrerem, nos próximos anos ainda. O que dá pra dizer sem dúvida alguma é que ele passou da categoria ‘grande craque’ para a dos grandes gênios do basquete (Magic Johnson, Isiah Thomas e outros bambas falaram a mesmíssima coisa ontem…). E neste segmento não são muitos os que frequentam, não. Isso todos podem afirmar sem o menor problema, sem o menor medo de errar.

lebron2Ontem revi boa parte do jogo. No domingo você fica no calor das emoções, tentando entender taticamente o que está acontecendo. Nesta segunda-feira, não. Olhei apenas pra LeBron. Suas reações, cansaço, intensidade, liderança, emoções. Era visível o que estava acontecendo ali. Um leão procurando suas presas (Curry, Iguodala, Leandrinho) e buscando um filé macio (no caso o anel de campeão).

Se você chegou até aqui, já dá pra dizer: este foi um dos textos mais difíceis que escrevi em mais de oito anos de blog. O motivo é simples: o que LeBron fez nesta final da NBA é algo quase impossível de “mensurar”, transformar, transportar, para palavras. As imagens falam por si. Com 1-3 na série o cara conseguiu 41 pontos, 41 pontos e um triplo-duplo fora de casa no jogo 7 para dar o inédito título a franquia, a sua cidade-natal. “Só” isso, né?

lebron50O Rei segue sendo o Rei. O Rei da selva. O rei do basquete. Disparado o melhor jogador desta década. Disparado o cara (no geral) mais preparado dos dois lados da quadra. Disparado aquele que faz os seus companheiros melhor. Se houve erros no passado, serviram para transformá-lo no que vemos hoje – o atleta da bola laranja mais espetacular do planeta. Seu comprometimento, seu profissionalismo, sua forma de querer evoluir chegaram a níveis absurdos. O toco em Iguodala, com ele indo pro banco espumando de tanta intensidade, comprova isso. Ninguém queria mais o título do que ele. Ninguém lutou mais por esse título do que ele. Ninguém sofreu tanto por este título quanto ele. Ninguém, ali, MERECIA mais o título do que LeBron James.

Vida longa ao rei.


Cavs bate Raptors, volta a final da NBA e LeBron amplia domínio no Leste
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Fábio Balassiano

lbj3Fim de papo no playoff do Leste. Em Toronto o Cleveland Cavs bateu o Raptors por 113-87, fechou o confronto em 4-2 e se classificou para a segunda final de NBA consecutiva (a terceira da história da franquia).

Os Torontinos brigaram, lutaram muito, mas caíram de pé para um time bem melhor (bem melhor mesmo). Ao Cavs, parabéns. O time não tem a menor culpa da conferência ter times tão abaixo, em termos técnicos, assim (em relação a equipe de Ohio). LeBron James (autor de 33 pontos, cestinha da equipe) e companhia fizeram o que tinham que fazer e de novo estão a 4 vitórias do inédito título (decisão começa no is 2/6).

lbj1Se for contra o Oklahoma City Thunder, o Cavs terá mando de quadra e fará com que LeBron James jogue contra a equipe contra a qual conquistou seu primeiro anel de campeão (em 2012 pelo Miami). Contra o Golden State Warriors, sem mando de quadra mas a revanche do ano passado – só que desta vez com a turma de Ohio completa. O Thunder tem 3-2 e faz o sexto jogo em casa neste sábado às 22h (com Sportv).

lbj2Atenção aqui agora.

Finais Consecutivas de NBA:
Bill Russell (10)
Sam Jones e Tom Heinsohn (9)
Frank Ramsey e K.C. Jones (8)
Bob Cousy (7)
Tom Sanders (6)
LeBron James e James Jones (6)

Todos os que estão acima de LeBron (e James Jones) são do Boston campeoníssimo da década de 60. Apenas LBJ (e Jones) conseguem chegar em tantas decisões assim de forma consecutiva por duas franquias distintas (2011 a 2014 pelo Heat; 2015 e 2016 pelo Cavs).

lbj5Ah, e pra fechar. LeBron James em séries contra times do Leste desde 2010/2011: 18-0. Seis vitórias seguidas em confrontos de primeiras rodadas, seis consecutivas em semifinais e seis em sequência em decisões do Leste.

Parabéns ao Cavs, campeão novamente do Leste. O sonho do inédito título pra sua cidade está perto para LeBron James. Será que agora vai?


Tempos difíceis em Cleveland – como os Cavs não inspiram confiança na NBA?
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Fábio Balassiano

cavs1Ainda não chegamos aos playoffs e o Cleveland está em crise. Está em crise porque mesmo com a desejada (pelos atletas e pela diretoria) troca de técnico as coisas não engrenaram.

Se com David Blatt o retrospecto foi de 30-11 , com Tyronn Lue as coisas não estão muito diferentes (22-10). Com a singela diferença que David Griffin, o Gerente-Geral, e o elenco acreditavam que o problema era apenas o Blatt.

cavs2Não era. Na verdade nunca foi. O Cleveland é um ótimo time, mas que faz uma temporada regular muito abaixo do que poderia. Tanto é assim que está, faltando menos de duas semanas para acabar a fase de classificação, brigando com o Toronto Raptors pela liderança do Leste. Se, é bom dizer desde já, chegar à final da NBA, é bem provável que não tenha mando de quadra (Warriors e Spurs, têm campanhas melhores).

cavs3O ataque tem sido baseado cada vez mais em jogadas de isolação de LeBron James (que chuta terrivelmente mal da linha dos três pontos nesta temporada com 29% e tem 25 pontos por jogo, sua pior marca desde o ano de novato), em infiltrações e arremessos de Kyrie Irving e em bolas de três pontos de Kevin Love (o ex-ala do Minnesota quase não chega mais perto da cesta, contentando-se com os tiros do corner após cortes de LeBron ou Irving). Pontuar, assim, tem sido muito difícil e deixa a marcação adversária bem confortável para segurar o Cavs, que tem apenas 46% de conversão nos arremessos, o nono melhor índice da temporada). Passes em sequência praticamente inexistem em Ohio. Em uma NBA que estuda os mínimos detalhes de absolutamente tudo, ter um ataque tão estático e previsível assim não é um bom sinal. Na verdade é um péssimo sinal para qualquer franquia. Para quem tem as peças que o Cleveland tem, é um sinal pior ainda. Não custa lembrar que o Spurs outro dia relegou o Golden State Warriors, que dá uma aula de espaçamento na quadra, a módicos 74 pontos.

lue1Do outro lado, a defesa, uma das marcas registradas de Blatt e um dos trunfos do Cleveland desde que o “novato”, para usar o termo que os jogadores utilizavam para se referir ao cara, parece confusa para fazer as rotações e muito pouco ativa quando falamos em como ela (marcação) pode (deve?) agredir os adversários com a bola. Se em uma conferência Leste cujos melhores times estão longe de ser uma potência da NBA os Cavs estão tendo dificuldade, o que imaginar em uma decisão da liga contra Spurs ou Golden State, cujos ataques são ferozes perto ou longe da cesta? Os 45% de conversão nos arremessos dos rivais falam por si.

andy4Outro número interessante é o do retrospecto do time após a saída de Anderson Varejão. Os 13-7 acabam falando muito sobre a importância do brasileiro no elenco. Não que Anderson fosse responsável por trazer 20 pontos e 15 rebotes em todos os jogos, mas era um cara que estava na franquia há mais de uma década, que os jogadores mais jovens respeitavam muito e que conseguia acalmar os jogadores de rotação que a todo momento anseiam por mais minutos. Não ter um líder assim fora de quadra atrapalha muito. Pode parecer bobagem, mas olhem a importância de Derek Fisher nos títulos do Lakers, do trio Duncan, Ginóbili e Parker no Spurs, de Udonis Haslem no Miami e dos Jasons (Terry e Kidd) no título mais recente do Dallas. Ter um cara que tem o respeito do vestiário ajuda muito.

lue2Como se percebe, o busílis do Cavs é bem mais embaixo. Não era, como todos ali imaginavam, só tirar David Blatt que o anel de campeão viria. O busílis é tão mais embaixo que na semana passada LeBron James deixou de seguir o perfil do Cavs no Twitter. Pode ser uma atitude boba, até certo ponto candinha de se mencionar neste post, mas sabemos bem como funciona a cabeça de LBJ. Quase tudo o que ele faz há um motivo por trás, uma razão, uma motivação. No jogo seguinte, derrota para o Nets com LeBron, que teve 13/16 nos arremessos e 30 pontos, reclamou de seus companheiros para o ginásio inteiro ver (de fato as rotações defensivas foram uma tragédia).

cavs10Não dá pra prever o que acontecerá na pós-temporada do Cleveland. Mas que o clima em Ohio já foi mais agradável perto de um mata-mata, isso foi. A impressão que dá é que a franquia é uma bomba prestes a explodir a qualquer momento. Vale lembrar que LeBron pode se tornar agente-livre ao final do certame. Como a gente sabe que qualquer coisa que não o título não interessa ao Cavs, é bom ficar de olho nas animadas cenas dos próximos capítulos.


A esperada e discordável demissão de David Blatt do Cleveland
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Fábio Balassiano

blatt2“Eu vi de perto (…) LeBron essencialmente pedindo tempos e fazendo substituições. LeBron abertamente gritando com Blatt após decisões que ele não gostava. LeBron se reunindo com os assistentes e olhando para todos, menos para Blatt. Teve LeBron, em um caso que testemunhei atrás do banco, balançando a cabeça intensamente de forma negativa depois de uma jogada que Blatt desenhou no jogo 5, juntando a reação mais alta não verbal que você possa imaginar. E que forçou Blatt, em frente do time todo, a apagar o que estava escrito na prancheta e desenhar outra coisa“. Este relato é do dia 14 de julho, e foi escrito pelo ótimo Marc Stein, da ESPN americana (detalhes em inglês aqui e em português, aqui).

blatt1Começo este texto assim porque não causou espanto, ontem, a demissão de David Blatt do comando técnico do Cleveland Cavs. Não causou espanto o fato (a saída do técnico), que isso fique claro, mas sim o momento (este tópico deixo mais pra frente). Ainda mais pela declaração de LeBron James depois da derrota vexatória em Ohio para o Warriors nesta semana: “Foi um exemplo de quão longe estamos de ganhar um título. Contra os melhores times você quer jogar bem, e nós não fizemos isso ainda. Estamos com 0-3 contra Warriors (0-2) e Spurs (0-1)”. Eu cheguei a escrever isso aqui inclusive no Twitter depois da vitória do Golden State: “Algo me diz que o caldo do Blatt vai entornar depois dessa“.

blatt3Para tentar entender bem o que se passou para David Blatt sair do Cleveland é fundamental “esquecer” (se é que é possível) a campanha de 30-11 nesta temporada e a de 53-29 em 2014/2015. Blatt, educadíssimo com todos (relembre a entrevista que fiz com ele) e com inúmeros méritos de ter chegado à final passada, podia cravar a melhor marca da história, mas para seus jogadores ele era visto como um cara inexperiente na NBA por ter iniciado sua trajetória na liga apenas em 2014. Soa ridículo, mas era assim.

blatt4E aí há dois pontos que não se encontram nesta curva: 1) Os Cavs o trouxeram da Europa para Ohio não apenas para treinar uma equipe que à época estaria em formação com o primeiro pick do Draft (depois é que veio a contratação de LeBron James e a troca de Andrew Wiggins por Kevin Love), mas também para tentar uma mudança de cultura, para tentar mostrar aos atletas uma nova forma de ver e jogar o esporte; 2)Para o elenco, só valia mesmo chegar à final e ganhar o título. De aprender coisas novas de basquete, do jogo em si, eles não queriam saber muito. E, pra eles, Blatt inacreditavelmente era um calouro. Por mais que isso seja uma aberração, um acinte, um disparate, uma prova de falta de conhecimento até (o cara tem 20 anos treinando em alto nível, uma medalha olímpica, títulos importantes), é óbvio que isso faria com que houvesse vários choques, né?

blatt5Querem um exemplo? A surreal declaração de Kyrie Irving depois da vitória de 31 de outubro de 2014 em Chicago está aí para quem quiser consultar: “Fizemos uma festa para ele no vestiário agora há pouco. Demos a bola do jogo pra ele, porque foi a sua primeira vitória na liga. Chamo o Coach Blatt de o Virgem da NBA entre nós. Para nós, atletas, ele é um calouro mesmo“. Os jogadores não escondiam de ninguém isso – nem da imprensa.

blatt6Há, ainda, um fator complicador nisso tudo. Ele atende pelo nome de LeBron James e todo mundo sabe disso. O cara voltou a Cleveland para ser campeão. Voltou a Cleveland para ser campeão e com a chave do time para dar pitaco em qualquer coisa (vide o que ele disse recentemente de James Jones – “Enquanto eu estiver jogando ele estará ao meu lado”). E ponto. Qualquer coisa menor que isso não servirá para ele. Não o culpo, e seu objetivo profissional sempre ficou claro para todos. Tanto foi assim que a diretoria trocou Andrew Wiggins por um jogador experiente logo de cara. O recado foi claro: “Ganhemos logo, não importa o amanhã”. Por essa, digamos, perspectiva histórica o camisa 23 não “comprou o barulho” de David Blatt desde sempre. Para ele, o melhor jogador do mundo, era absurdo ser treinado por alguém que estaria aprendendo com a NBA, deixando seu sonho de ganhar pelo time de seu Estado o tão sonhado título mais longe. No final da temporada passada, LeBron completaria 12 anos na liga. Blatt, seis meses. Por mais triste que isso seja, é assim que funciona a cabeça de LBJ.

riley1Cabeça de LBJ que, diga-se, não tem em Cleveland um Pat Riley por trás como havia em Miami. Erik Spoelstra, técnico do Heat, era tão (ou mais) inexperiente que David Blatt. Dando amparo a Spo e conselhos a LeBron, porém, estava Riley, dono de 715 títulos e com currículo e moral suficientes para segurar qualquer cara feia de sua maior estrela. Houve, claro, momentos complicados na relação de um elenco estelar com um treinador que iniciara a sua trajetória como técnico em 2008 (dois anos antes de LBJ e Chris Bosh chegarem). Em todos o bombeiro veio com seu gel no cabelo e terno bem cortado para aparar as arestas. Fez a diferença – quatro finais, dois títulos e um dos melhores times da história.

lue1Isso não acontecia em Cleveland. Não era incomum ver LeBron James conversando Tyronn Lue (agora contratado como técnico principal até o final desta e da próxima temporadas) durante os jogos e fazendo elogios públicos a ele (“Lue está pronto para ser treinador de uma grande franquia”, dizia LBJ). David Griffin, o gerente-geral (na teoria), nada fez. Para o ala, ter alguém com estofo, com milhagem de NBA, era essencial (e eu não concordo com isso, obviamente). Blatt não tinha isso, e nunca recebeu, internamente, apoio de LeBron para seguir com o que achava correto. E se o principal soldado da esquadra não chancela as decisões do chefe da missão, sabemos que a faísca está pronta para virar uma explosão na primeira curva mais difícil, né?

griffinDo meu canto eu só não entendo porque a medida não foi tomada antes da temporada 2015/2016 começar. Se havia uma animosidade no vestiário entre jogadores e treinador (e havia), por que não dar tempo ao novo comandante com uma pré-temporada inteira e um campeonato completo para ajustar o time até os playoffs, quando o Cleveland será realmente testado? Do jeito que foi feito, Tyronn Lue terá menos de três meses de trabalho com a sua filosofia até o playoff (com uma All-Star Weekend no meio – e ele será o técnico do Leste, por mais bizarro que isso seja) e será cobrado como foi David Blatt caso não consiga levantar o troféu. Qual o motivo da insistência de David Griffin, o gerente-geral (na teoria) do Cavs? Os jogadores iriam mudar de ideia, tratando Blatt melhor? Não iriam (como não mudaram). Nas primeiras quedas (derrotas para Warriors, Spurs e de novo Warriors em menos de 30 dias), os problemas iriam voltar (como voltaram). Faltou, ao meu ver, uma análise mais minuciosa de cenário, um planejamento um pouco mais adequado com as pretensões do que a franquia quer (título, título e só título). Talvez em junho de 2016 Griffin se arrependa do movimento que não fez em agosto de 2015.

blatt20Por isso tudo digo que a situação de David Blatt não deve ser analisada pelo lado técnico da coisa. Por mais que tenha cometido erros (e nesta temporada o retrospecto de 30-11 explica-se muito mais pela grandíssima superioridade que o Cleveland tem no Leste do que por uma melhora em relação ao campeonato passado), seu calcanhar de aquiles em Ohio não era sua bagagem tática que ele trazia consigo. O problema de Blatt, mesmo, era o fato de ele ser visto pelos jogadores como um cara que ainda estava aprendendo com a NBA, sendo (na visão dos atletas) incapaz de, com instruções importantes, levá-los ao próximo nível (título).

blatt25Por fim, digo que para mim isso que os jogadores do Cleveland pensam é uma bobagem. Há grandes técnicos que nunca jogaram profissionalmente (Gregg Popovich) e outros que foram craques atuando e não tão bons na prancheta (Isiah Thomas, por exemplo). David Blatt é um excepcional treinador e pode muito bem continuar treinando na NBA (se fosse ele, optaria por um time em reconstrução, o que lhe daria tempo para colocar em prática as ideias e o basquete que ele acredita). No Cavs, a máxima de que quem manda prender e manda soltar na liga profissional norte-americana são os jogadores mais do que nunca está válida. Quando neste grupo de jogadores encontra-se o melhor do planeta então…

E você, o que achou da demissão de David Blatt? Comente aí!


‘Milionário’, Cleveland abre o cofre para enfim conseguir título da NBA
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Fábio Balassiano

tristan1Se tem um quesito que o Cleveland ganha de todos os times antes mesmo da temporada 2015/2016 da NBA começar é o da folha de pagamento. Ninguém tem um orçamento maior para o pagamento dos atletas que os Cavs, que ligaram o fo… dane-se para o teto salarial da liga, optaram por, sim, pagar a taxa de luxo (quando você fica acima do teto) e terão aproximadamente US$ 110 milhões comprometidos para o campeonato que está por vir (aí já contando com a incrível renovação de Tristan Thompson – foto – de US$ 82 milhões por cinco anos).

Dan GilbertO dono, Dan Gilbert (foto), não é totalmente maluco, mas sim obcecado por dar à cidade o inédito título da melhor liga de basquete do planeta. Como se vê, o patrão abriu a carteira para contratar quem fosse possível.

Pagou caro por Kevin Love e Tristan Thompson na posição quatro, não mediu (obviamente) esforços para segurar sua estrela maior (LeBron James) e ainda teve fôlego para obter os experientes Sasha Kaun (pivô), JR Smith, Mo Williams e Richard Jefferson. Nesta equação toda ainda estão os nomes de Kyrie Irving (lesionado, ele só retorna ao time mais pra frente), Anderson Varejão, Timofey Mozgov, James Jones e Matthew Dellavedova. Se havia algum possível buraco na composição do elenco da turma de Ohio, David Griffin, o gerente-geral, fez questão de tapá-lo.

lebron1Muita gente (inclusive eu, antecipando desde já o palpitão da temporada) acredita que chegou a hora de LeBron James e do Cleveland na NBA. Elenco, como se vê, há (de sobra). O núcleo é basicamente o mesmo que na temporada passada chegou à decisão (e perdeu do Golden State sem os lesionados Kevin Love, Anderson Varejão e Kyrie Irving, não custa lembrar), mas ir longe passa obviamente por LBJ estar em ótima condição física (ele mal entrou em quadra até agora devido a dores nas costas).

lebronNem ia, mas vale mencionar o bom trabalho defensivo de David Blatt do meio para o final da temporada. O treinador ficou muito nas manchetes quando a ESPN americana divulgou que LeBron não dava ouvidos para ele, mas isso não impede que falemos bem de seu trabalho, né? Por menor que seja o controle dele no vestiário (e pelo visto é mesmo LBJ que dá as cartas em quase tudo em Cleveland – até na renovação de Thompson ele influenciou ao colocar nas redes sociais que o cara era o futuro da franquia…), bagagem tática sabemos que Blatt tem e a melhora coletiva do Cavs durante a temporada foi muito significativa.

andyÉ assim que chega o ‘milionário’ Cleveland, que terá mais uma vez Anderson Varejão em busca de continuidade (já são quatro campeonatos seguidos com lesão, motivo pelo qual David Blatt disse que seu tempo de quadra será mais do que monitorado), para a temporada que começa na terça-feira. Como grandíssimo favorito ao título do Leste e na minha modesta opinião como eventual campeão da NBA. Seria a coroação de LeBron James e a realização do sonho do dono Dan Gilbert. Dinheiro não compra a felicidade, sabemos bem. Mas no Cavs os cheques do patrão fazem com que ela (felicidade) fique mais próxima de acontecer.


A saia-justa entre LeBron James e David Blatt no Cleveland
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Fábio Balassiano

blatt2A final da NBA terminou na terça-feira, mas ao que parece a cicatriz da derrota ainda não foi fechada no Cleveland. Um dos mais conceitudados e confiáveis jornalistas dos Estados Unidos, Marc Stein publicou uma coluna mostrando o que viu na decisão.

Credenciado pela ESPN Radio, Stein ficou ao lado da quadra e escancarou (segundo o que ele ouviu) a péssima relação entre LeBron James, astro da equipe, e David Blatt, o técnico. O link em inglês está aqui e o traduzido, aqui. Notem bem: não foi uma coluna de opinião, análise ou argumentativa, mas sim um relato com o que ele viu e ouviu. São coisas diferentes.

blatt4Eu vi de perto (…) LeBron essencialmente pedindo tempos e fazendo substituições. LeBron abertamente gritando com Blatt após decisões que ele não gostava. LeBron se reunindo com os assistentes e olhando para todos, menos para Blatt. Teve LeBron, em um caso que testemunhei atrás do banco, balançando a cabeça intensamente de forma negativa depois de uma jogada que Blatt desenhou no jogo 5, juntando a reação mais alta não verbal que você possa imaginar. E que forçou Blatt, em frente do time todo, a apagar o que estava escrito na prancheta e desenhar outra coisa“, disse Stein.

blatt2Em que pese isso não ser exatamente uma novidade na relação tortuosa de LeBron James com Blatt (o jornalista Briand Windhorst, bem próximo a LeBron e também da ESPN, já havia divulgado algo parecido duas ou três vezes na temporada), chama a atenção no relato de Stein a riqueza de detalhes (gerou um debate bem interessante lá no Facebook do Bala na Cesta, veja só). E também por isso ter acontecido em uma final da NBA, onde a confiança do jogador no técnico já, em teoria, deveria estar nas alturas devido aos resultados alcançados. Mas pelo visto não foi o que isso aconteceu.

blatt1Na tarde de ontem, na coletiva final da temporada em Ohio, David Griffin, o gerente-geral, e David Blatt, o técnico, obviamente negaram tudo (e ninguém esperava que fosse diferente) e tentaram minimizar a saia-justa. Mas Marc Stein é fonte pra lá de confiável e (insisto nisso) sua riqueza de detalhes de fato assusta pois ele estava muito perto do banco do Cleveland. Por isso é mais do que pertinente perguntar quatro coisinhas: 1) Há clima, ainda, para Blatt continuar como técnico do Cavs?; 2) Será mesmo que um técnico tão respeitado na Europa como é o norte-americano precisa passar por isso?; 3) Será que Blatt quer mesmo passar por isso?; e 4) Que tipo de técnico LeBron James quer ter comandando o seu time?

"100514 BKN LeBron Blatt"São questões difíceis de responder daqui. Estamos longe e há uma série de situações internas da franquia, mas está claro que algo precisa ser feito rapidamente para acabar de vez com esta saia-justa. É um caso chatíssimo para um time que acabou de terminar com o vice-campeonato da NBA e que quer ganhar um título logo, logo. Convém, portanto, que os manda-chuvas de Ohio resolvam rápido que caminhos querem seguir – seja ele qual for.

blatt11Não custa lembrar: LeBron James pode não renovar por mais uma temporada com os Cavs (embora não acredite que isso vá acontecer) e isso se torna um trunfo do camisa 23 em relação aos dirigentes do time nesta queda de braço pra lá de desconfortável. Desconfortável porque além do constrangimento relatado por Stein LeBron joga muita bola e ninguém gostaria de perdê-lo e por mostrar uma faceta que nenhum atleta/técnico gosta de ver – se achar o dono de tudo de um lado, submissão do outro.

O cenário, com o que se configura, então é: a corda tende a arrebentar para o lado mais fraco mesmo. Dono de brilhante currículo, David Blatt não tem, agora, muitos motivos para permanecer no Cleveland – a não ser que aceite se curvar aos desejos de LeBron.

lebron1Caso saia, ao Cavs não custa perguntar a sua estrela que tipo de técnico ele gostaria de ter nos próximos anos de sua carreira antes de efetivamente fazer a contratação. Tendo sido treinado por Mike Brown, Erik Spoelstra e David Blatt, técnicos com quem ele sempre teve liberdade para fazer o que queria, talvez falte um nome de muito peso na NBA para mostrar a LeBron James uma outra face do jogo, uma outra face do basquete. Uma face, digamos, mais real da modalidade (menos mimada, talvez).

A de que jogador, joga. Treinador, treina. E dirigente, dirige. Algo bem básico e que pelo visto não tem se aplicado nos últimos momentos profissionais do camisa 23.


Não criemos pânico – o Cleveland foi ao máximo que poderia
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Fábio Balassiano

lebron4“O Cleveland é um time fraquíssimo”. “LeBron James amarelou de novo”. “David Blatt é um péssimo técnico”. “Como esses caras chegaram à final?”. “O elenco é terrível”. Foi o que ouvi/li após o vice-campeonato do Cavs na NBA. E não posso discordar mais.

Em primeiro lugar: ser finalista da NBA está longe de ser um mico. Mesmo que leve uma varrida na decisão não significa que você tenha um time de quinta categoria. Pra ficar em um exemplo: quando o Lakers aplicou 4-0 no Nets, de Jason Kidd (2002), o New Jersey jogava um basquete belíssimo, lembram? Pois é.

lebron1Sobre LeBron James ser “amarelão” nem vale se alongar muito. Beira o bizarro que alguém com mais de 35 pontos de média receba a alcunha nas tais redes sociais. Arrogante por ter dito que era o melhor do mundo? Talvez. Prepotente por dizer isso a beira de um vice-campeonato seguido (que acabaria acontecendo)? Provável. Mas colocá-lo em um patamar menor por ter perdido o título jogando praticamente sozinho beira o surrealismo. No basquete ganha-se e perde-se em grupo. E ponto final. Não há indivíduo no mundo que tenha ganho um título da maior liga do planeta sem ter sido cercado por no mínimo outro fora de série. E nesta decisão, com Kyrie Irving e Kevin Love de fora, LBJ jogou com companheiros de nível médio (pra baixo). Isso pesa.

shumpO que chama a atenção é a continuidade do Cleveland. Cheguei a escrever durante as finais que o elenco não era ruim. Ele só estava desfalcado. Três jogadores foram ao chão (Kyrie Irving, Kevin Love e Anderson Varejão) e nenhuma franquia conseguiria caminhar tranquilamente com isso. Nenhuma! Tire Steph Curry, Draymond Green e, vá lá, Andrew Bogut do Warriors. O Golden State não passaria da primeira rodada do Oeste. Os Cavs, muito por causa de uma conferência Leste abaixo da crítica, ainda conseguiram chegar à decisão (e não custa lembrar que Kyrie Irving ficou de fora de boa parte da decisão do Leste e dos últimos cinco jogos das finais da NBA). No final desta temporada JR Smith, Kevin Love, LeBron James (sim, LeBron), Mike Miller, James Jones e Matthew Dellavedova podem sair. Manter todos (com exceção, talvez, de JR Smith) é fundamental para a franquia se manter forte. Se conseguir um ou dois reforços (um para a rotação de garrafão e outro para as bolas de fora) seria ótimo também.

lebron3A conclusão, portanto, é óbvia: com o elenco quebrado, ter levado a final da NBA a seis jogos contra o Golden State (um timaço de bola e na ponta dos cascos) foi o máximo que poderia ter acontecido com este Cleveland mesmo. Um título seria algo fora dos padrões, bem improvável mesmo.

O mérito por ter prolongado o duelo vai para LeBron James por ter tido uma atuação descomunal, liderando a série em pontos, rebotes e assistências (merecia, obviamente, o MVP, um prêmio individual e não para o melhor do time campeão), mas não dá para ignorar David Blatt, o técnico, também. Contestado ao extremo, ele armou um necessário ferrolho para, com as armas que tinha, minimamente fazer da decisão uma disputa parelha contra um elenco infinitamente superior (àquela altura e com os desfalques).

blattNo mais, um pouco de frieza para analisar as coisas não faz mal a ninguém, né? Como diria aquele personagem famoso: não criemos pânico. A franquia tem um futuro brilhante pela frente e é bem provável que com o Leste sem grandes mudanças na final do próximo ano tenhamos os Cavs de novo brigando pelo troféu.