Bala na Cesta

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O janeiro de 2017 dos brasileiros na NBA – Como eles foram?
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Fábio Balassiano

Desde o início da temporada 2016/2017 estou colocando no blog o desempenho dos brasileiros na NBA. Os números, uma leve pincelada, os destaques, essas coisas. Vamos lá ao primeiro mês de 2017?

RELEMBRANDO NOVEMBRO/2016 & RELEMBRANDO DEZEMBRO/2016

O JANEIRO DE 2017 DOS BRASILEIROS

Janeiro

ACUMULADO DA TEMPORADA 2016/2017

Acumulado

a) Anderson Varejão -> Acho quase irrelevante falar do mês de janeiro de Anderson Varejão sabendo que no começo deste fevereiro o pivô foi dispensado do Golden State Warriors, né? Não dá pra dizer que é surpresa, porque o seu desempenho de fato não foi bom com a franquia de Oakland, mas é triste do mesmo jeito. Agora fica a pergunta: ele conseguirá outro time na NBA? Ou sua história na melhor liga de basquete do mundo terminou? Vamos esperar um pouco!

caboclo1b) Bruno Caboclo -> Caboclo praticamente não jogou na NBA, mas voltou a disputar muitos jogos na D-League pelo Toronto 905, onde é treinado por Jerry Stackhouse, um ótimo ala na NBA na década de 90. Foram 9 partidas pela filial do Raptors com 10,1 pontos de média, sendo em três oportunidades com o ala alcançando 14+ pontos e 7+ rebotes. Ainda é muito cedo pra projetar qualquer coisa sobre o jogador que completará 22 anos apenas em setembro de 2017. Bruno está sendo preparado pela franquia, que tem muita paciência com ele. Não é certeza que irá vingar, mas é um trabalho de longo prazo e convém esperar no mínimo até 2017/2018. Este é mais um ano de aprendizado para ele no Canadá.

felicio1c) Cristiano Felício -> Mais um mês de evolução para Felício no Bulls. É realmente o pivô reserva na caótica rotação do técnico Fred Hoiberg e tem uma qualidade que o seu titular, Robin Lopez, não possui – ele tem arremesso de média e longa distância, conseguindo espaçar muito bem a quadra e permitindo situações de infiltração de seus companheiros como Lopez não consegue fazer. Em janeiro, em três oportunidades, Felício passou dos 10 pontos e em duas conseguiu duplo-duplo (11+11 contra o Thunder e 12+10 contra o Magic. Em 7 jogos passou dos 20 minutos em quadra. Aos 24 anos e em seu último ano de contrato, o pivô vai mostrando que, sim, merece estar na liga. Ótimas chances de ele conseguir um novo, e gordo, contrato na próxima temporada.

d) Leandrinho -> O ano de Leandrinho começou com uma partida de 10 pontos em 13 minutos contra o Miami em casa. Poderia-se esperar que fosse dali pra melhor, mas não foi além, não. Ele mais uma vez jogou pouco, e apenas em 26 de janeiro, com 9 pontos em 16 minutos contra o Denver, teve algum destaque. Como Eric Bledsoe e Devin Booker, armadores titulares, têm ido muitíssimo bem, fica cada vez mais restrita a presença do brasileiro em quadra por muitos minutos.

lucas1e) Lucas Bebê -> Janeiro só não foi melhor para Lucas porque no jogo contra o Nets, no Brooklyn, em 17 de janeiro, ele teve uma concussão na cabeça. Estava sendo titular junto com Jonas Valanciunas, mas perdeu os dois jogos seguintes, fazendo com que sua performance não fosse ainda melhor (Patrick Patterson voltou para a posição quatro, e o brasileiro para o banco de reservas, de onde sai para ser o cadeado defensivo da segunda unidade). Bebê se firmou como pivô reserva e faz parte, de forma firme e consistente, da rotação do Toronto Raptors. Teve 13 pontos contra o Phoenix, 10 contra o Nets, 9 contra o Bucks e dois jogos com 4 tocos. Ah, e o cara agora está arriscando bolas de fora. Contra o Suns e Nets ele converteu duas.

f) Marcelinho Huertas -> Seis jogos, sempre com eles decididos e nada de relevante para Huertas em janeiro na NBA. É uma pena, torna-se repetitivo dizer isso aqui, mas a realidade é que já passou da hora de ele procurar novos ares. Ali, pelo visto, não vai acontecer nada pra ele mesmo. E digo isso com a certeza de que em alguma franquia com espaço para ele Huertas tem tudo para mostrar seu talento. O cara é muito, muito bom.

nene1g) Nenê -> Mês incrível para Nenê na NBA. Aproveitou cada segundo que esteve na quadra, teve atuações sensacionais como a contra o Sixers (21 pontos e 6 rebotes em 27 minutos) e contra o Bucks (17 pontos e 8 rebotes) e mostrou porque está há 14 temporadas no mercado de basquete mais difícil do mundo. Aos 34 anos, ele é uma peça pra lá de importante na rotação de Mike D’Antoni no Houston Rockets. Contra o Minnesota, em 11 de janeiro, ele inclusive matou uma bola de três pontos. Diante do Oklahoma, lá no começo de 2017, lances-livres fatais contra o OKC. Bem legal, Nenê! Arrebentou!

h) Raulzinho -> Outro que está em situação difícil na NBA. Passou pela D-League, quando esteve em quadra não foi muito bem e vê a concorrência (Shelvin Mack, Dante Exum e Alec Burk) comendo todo o tempo de quadra na armação que conta com o titular George Hill (este muitíssimo bem aliás). O mais complicado para Raulzinho deve ser segurar a ansiedade por querer mostrar serviço em pouco tempo de quadra sem parecer individualista. Torçamos para que ele ou encontre espaço em Utah ou que outra franquia aposte suas fichas no garoto de 24 anos.

i) Tiago Splitter -> Splitter ainda não estreou na NBA ainda. Deve retornar agora em fevereiro, depois do All-Star Game. Já faz trabalhos na quadra e treina normalmente com o seu time.

E você, o que achou do mês de janeiro dos brasileiros? Comente aí você também!


Leandrinho lança aplicativo e fala sobre retorno ao Phoenix Suns na NBA
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Fábio Balassiano

app_leandrinho1Dono de carreira vitoriosa na NBA, Leandrinho, campeão com o Golden State Warriors em 2015 e eleito o melhor reserva da liga em 2007, quando registrou a média de 18,1 pontos por jogo (a maior entre a dos atletas brasileiros), fecha o ano de 2016 com uma novidade para seus fãs: o ala do Phoenix Suns lançou esta semana o “Blurbosa”, aplicativo que tem o objetivo de estreitar ainda mais seu relacionamento com o público através de conteúdos diários e exclusivos acessíveis a todos. O App está disponível na Google Play (clique aqui) e na App Store (aqui) e já pode ser baixado. Conversei com o atleta que completou 34 anos no último dia 28 de novembro sobre isso, seu retorno ao Phoenix, a recepção emocionante que ele teve recentemente da torcida do Warriors, a mudança do jogo, cada vez mais rápido, e também da crise no basquete brasileiro. Confira o papo exclusivo com ele.

leandrinho2BALA NA CESTA: Você está lançando o seu aplicativo neste final de 2016. Qual o principal objetivo desta tecnologia? O que seus fãs podem esperar acessando o App?
LEANDRINHO: Meu principal objetivo é estreitar os laços de relacionamento com meus fãs, principalmente com os brasileiros. Nem todos os meus jogos são transmitidos para Brasil e às vezes a pessoa não tem condição de me acompanhar no dia a dia. Através do ‘Blurbosa’, desenvolvido em parceria com a empresa FanHero, vou me aproximar desses fãs com um conteúdo totalmente exclusivo. Vai ser legal para as pessoas acompanharem meu cotidiano de treinos, jogos, bastidores e momentos com a família e os amigos.

leandrinho5BNC: Como está sendo esse seu retorno ao Phoenix Suns? Esta é a sua terceira passagem pela franquia (de 2003 a 2010 e depois em 2014), e você está com uma função diferente, de passar muito da sua experiência para o garoto Devin Booker (ambos na foto). É algo novo pra você, não?
LEANDRINHO: Sim, é algo novo. Estou no papel de ser o lado experiente agora. Mas lá atrás, quando eu estava começando, eu passei pelo que o Devin Booker tem passado. Então posso garantir que sei bem o que é necessário e o que é fundamental no processo de evolução e maturação de um jovem atleta. Para mim é de fato uma nova função, mas estou gostando da forma como tenho ajudado a ele e sobretudo o time.

leandrinho1BNC: Uma coisa que é impressionante é que a cada jogo que você entra o carinho da torcida do Phoenix só faz aumentar. Neste estágio da sua carreira, receber esse amor chega a ser o mais importante em sua vida profissional?
LEANDRINHO: Felizmente eu tenho a alegria e o orgulho em falar que já recebi muito carinho e amor ao longo da minha carreira tanto no Brasil como nos Estados Unidos, além dos torneios pela Seleção. É sempre diferente, especial, algo que me motiva demais. É lógico que os fãs em Phoenix têm um lugar cativo no meu coração e eu serei grato eternamente a eles por tudo que vivi e ainda vivo com a camiseta do Suns.

leandrinho10BNC: Outro ponto bacana de se falar é que recentemente você voltou a Oakland e a torcida do Golden State Warriors, time pelo qual você foi campeão em 2015 e vice-campeão em 2016, também se levantou para aplaudi-lo de forma bastante efusiva. Antes do jogo todos vieram falar com você, brincaram, te abraçaram. O que você sentiu quando, depois de 2 anos, pisou na arena como visitante?
LEANDRINHO: Um misto de saudade, orgulho por tudo que conquistamos e a incrível sensação de ter deixado um legado como jogador e como pessoa. Ver bandeiras do Brasil nas arquibancadas e ser aplaudido de pé me deixou realmente emocionado. Confesso que não esperava tamanho carinho.

leandrinho11BNC: Você está há mais de uma década na NBA e acho que dá pra perceber quão rápido está o jogo agora em relação aquele que você jogou tempos atrás. É possível explicar isso? Este tipo de jogo mais aberto, mais acelerado, te agrada, certo? Falta defesa hoje em dia, você acha? Os times têm pontuado demais, diferente do que víamos no começo dos anos 2000…
LEANDRINHO: Pelas minhas características e pelo meu estilo de jogo essa rapidez me agrada, sim. Eu acabo me encaixando com mais facilidade nas partidas. Mas não acho que falte defesa. Embora enxergue a parte tática como algo decisiva, hoje o potencial físico e técnico dos atletas é ainda maior do que era na década passada, quando comecei a jogar na NBA pelo mesmo Phoenix Suns. A diferença é esta mesmo que você citou. O jogo é menos cadenciado, mas ainda é muito forte, técnico e tático. Creio que vivemos o auge do basquete em todos os sentidos.

leandrinho100BNC: Recentemente a FIBA suspendeu a CBB devido a problemas de gestão e vimos poucas manifestações dos atletas em relação a isso. O que você tem a dizer sobre o ocorrido? Não chegou a hora de os jogadores, entre eles os mais importantes, dentre os quais você se inclui, participarem e cobrarem mais?
LEANDRINHO: Ideologicamente nem sempre todos os jogadores e dirigentes irão pensar igual. Todos queremos o melhor para o basquete brasileiro, mas nem tudo pode ser resolvido na base da cobrança. É preciso haver diálogo, planejamento, para que, enfim, possamos retomar os melhores dias do nosso basquete. Eu vejo evoluções, vejo um campeonato consolidado nacionalmente que é o NBB, times crescendo, jogadores surgindo, mas sem dúvida ainda há muito o que melhorar. E precisamos disso.


Projetando a temporada dos Brasileiros na NBA – comente você também!
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Fábio Balassiano

Rockets1Você já leu aqui a previsão para a temporada da NBA que começou ontem, né? Então vamos lá analisar todos os brasileiros que farão parte do campeonato.

Nenê -> Contratado pelo Houston Rockets, o brasileiro há mais tempo na NBA (o tempo passa rápido e pouca gente nota que ele está no melhor basquete do mundo desde 2002/2003) terá boa minutagem no time texano. Disputará tempo de quadra com o razoável Clint Capela com a vantagem de ter armas que melhor se adequam ao estilo de jogo de Mike D’Antoni, novo treinador da franquia. O camisa 42 passa melhor que Capela, o que é fundamental para um time que acelera o jogo até dizer chega, e apesar dos 34 anos ainda consegue fazer bloqueios e partir em direção a cesta para pontuar. Se pode lhe faltar o vigor físico devido a idade, sobra experiência para um elenco que está tentando encontrar a sua identidade. Gosto das possibilidades dele, que está totalmente recuperado da fascite plantar e que fez excelente Olimpíada.

Podcast BNC sobre o começo da temporada

barbosa1Leandrinho -> É óbvio que para Leandrinho o melhor que poderia ter acontecido em termos profissionais era mesmo ficar no Golden State. Mas a franquia de Oakland optou por seguir em outra direção e coube ao brasileiro saciar o seu lado, digamos, emocional. Ele vai para a sua terceira passagem em uma franquia que o venera, cujos torcedores o amam e conhecendo perfeitamente o ambiente. O agora camisa 19 vem, porém, com uma missão bem diferente das que anteriormente cumpriu no Arizona. Agora Leandrinho entra para ensinar ao jovem Devin Booker (19 anos) os atalhos da liga e para ser uma espécie de mentor do garoto. É natural, acontece com todos os atletas da liga e é uma função pra lá de respeitável. Se não chegará longe, como ocorreu ou ocorreria com os Warriors, que Leandrinho aproveite o momento para passar a sua experiência para Booker e para sentir o carinho dos fãs de Phoenix.

tiago1Tiago Splitter -> Não será um ano fácil para Tiago Splitter. Em primeiro lugar porque ele será reserva do principal reforço do Hawks para a temporada. Dwight Howard chegou e ele sabe que o camisa 12 “comerá” no mínimo 30 minutos/jogo. Depois porque ele vem de uma lesão séria no quadril – e a gente sabe que retornar de uma cirurgia nem sempre é fácil. Isso tudo em último ano de contrato. Ou seja: em um cenário não tão fácil o pivô precisará mostrar que está recuperado e que tem basquete (e eu acredito que tenha sobrando…) para permanecer na liga por mais e mais tempo. A vantagem disso tudo é que a cabeça de Tiago é muito boa e sua força mental será sem dúvida importante para superar este difícil recomeço.

O palpitão do blog para a temporada 2016/2017

felicio1Cristiano Felício -> Se tem alguém entre os brasileiros que pode surpreender nesta temporada, este alguém é Cristiano Felício. O pivô começará como reserva de Robin Lopez, mas quem acompanha o ex-jogador do Knicks sabe que ele está longe de ser confiável. Felício, então, poderá comer pelas beiradas e ganhar espaço da mesma maneira que já fez no campeonato passado – defendendo muito bem, saindo ferozmente dos picks para enterrar a bola na cesta e convertendo arremessos de média distância. Jogar com Dwyane Wade, pelo lado da experiência, e Rajon Rondo, armador que não tem muito arremesso e que por isso procura demais a seus companheiros para que estes finalizem, também será muito bom para o brasileiro. Que Felício mantenha a cabeça no lugar, porque as oportunidades de mostrar talento irão aparecer.

andy1Anderson Varejão -> Chegou enfim a hora de Anderson Varejão se sagrar campeão da NBA? Ele chegou perto duas vezes nas finais passadas (com o Cavs contra o Warriors e com o Warriors diante do Cavs), mas bateu na trave. Para sua sorte ele permaneceu no Golden State mesmo que seu rendimento não tenha sido tão brilhante assim no certame passado. Aparentemente, porém, a franquia confia nele para fazer o trabalho sujo na defesa e por ser uma ótima influência no vestiário. Em um elenco que pode, sim, ter problemas com os egos de Steph Curry, Klay Thompson e Kevin Durant (não acredito que isso ocorra, mas que é possível, é), uma figura carismática, experiente e tranquila como Anderson Varejão é uma grande vantagem. Que ele se mantenha saudável para tentar concretizar um de seus grandes sonhos – ganhar o anel de campeão da liga.

raul2Raulzinho -> Não será um ano fácil para Raulzinho, não. Se o começo de sua temporada de estreia no Utah foi animador, do meio para o final do campeonato passado não foi bem assim. Shelvin Mack chegou e seu tempo de quadra reduziu. Para 2016/2017, cenário ainda pior. George Hill chegou, Dante Exum se recuperou de lesão no joelho e Mack ficou. Se estava difícil arrumar minutos em Salt Lake City em 2016, o que dizer do atual panorama? Não consigo projetar o ano de Raulzinho justamente porque não se tem ideia, ainda, de quantos minutos ele terá por jogo, quais serão as suas reais funções e como serão os desempenhos dos dois que Quin Snyder, o treinador, mais confia para este início (Hill e Exum).

huertas9Marcelinho Huertas -> O titular da posição 1 do Lakers chama-se D’Angelo Russell. Não por esta temporada, mas aparentemente por muitos e muitos anos. D-Lo, como é conhecido, tem tudo para ser a cara da franquia e um dos melhores da liga em pouco tempo. Fiz essa introdução para explicar em que cenário se encontra Marcelinho Huertas, que disputará os minutos restantes de Russell com outro armador experiente (José Calderon). Pelo que vi na pré-temporada o brasileiro conta com a simpatia de Luke Walton, o técnico, e tem ótimo relacionamento com alguns dos caras que sairão do banco de reservas com ele (Larry Nance Jr. principalmente). Ele continuará jogando pouco e precisará mais uma vez se acostumar com isso. Não é nenhum problema ser reserva do Lakers, mas eu sinceramente acho que Huertas tem mais basquete do que o que será visto em Los Angeles em poucos minutos por noite.

cabocloBruno Caboclo -> Não é animador o panorama para Bruno Caboclo mais uma vez. O Toronto segue fortíssimo no Leste, não há a menor chance de entrar em reconstrução e com os contratos longos de DeMar DeRozan e DeMarre Carroll os minutos nas posições 2 e 3 ficam muito restritos no Raptors. Para piorar, o camisa 20 não foi muito bem na pré-temporada, quando o tempo de quadra dos titulares mais experientes é reduzido e os jogadores que precisam de espaço normalmente tentam mostrar algo. Caboclo continua baseando seu ataque apenas em bolas de fora e na defesa segue com dificuldade de leitura de jogo – potencializada por uma natural barreira de linguagem entre ele e os atletas. Seu contrato vence apenas ao final do campeonato de 2017/2018, mas é bom ele começar a mostrar à franquia o motivo pelo qual ele foi escolhido anos atrás no Draft.

bebeLucas Bebê -> Outro que não tem situação confortável no Toronto. Bebê foi bem em alguns momentos na temporada passada, esperava ter mais chances quando o congolês Bismack Biyombo assinou com o Orlando Magic, mas a franquia optou por trazer outro pivô no Draft. O austríaco Jakob Poeltl vem da Universidade de Utah, tem 21 anos, 2,13m e jogou bem e bons minutos na pré-temporada torontina. Todo mundo sabe que o dono da posição cinco dos Raptors é Jonas Valanciunas. Ficará entre o brasileiro e Poeltl a disputa pelos minutos restantes do lituano. Se Lucas Bebê ganhar esse confronto interno pode se dar muito bem e se estabilizar como reserva de Valanciunas e peça importante na rotação de Dwane Casey.

O que você acha? Concorda comigo? Comente você também!


Promoção BNC: concorra a camisa do Leandrinho, ala do Warriors, da NBA
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Fábio Balassiano

lb5Tava com saudade de uma promoção bacana aqui no blog? Então voltamos em grande estilo. Quer ganhar a camisa de Leandrinho, ala brasileiro atual campeão pelo Golden State Warriors? É MUITO fácil.

Para isso, CURTA e COMPARTILHE o post no Facebook (ele está fixo no topo da página ou clicando aqui no link) em sua página no Face e marque NO MÍNIMO TRÊS amigos nos comentários (podem ser mais de três, hein!).

Promoção Válida até 23h59 de 29/03/2016. Boa sorte a todos.


Warriors iniciam série de 7 jogos fora de casa – cairá a invencibilidade?
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Fábio Balassiano

dray1A grande história da temporada 2015/2016 da NBA até o momento atende pela invencibilidade (e melhor começo da história da liga) do Golden State Warriors. No sábado em casa o time contou com o segundo triplo-duplo seguido (13 pontos, 11 rebotes e 12 assistências) do excelente Draymond Green (na foto) para chegar a 18ª seguida ao bater o Sacramento por 120-101, conseguindo descansar suas feras (Steph Curry e Klay Thompson tiveram menos de 30′, Harrison Barnes foi poupado e Andre Iguodala e Andrew Bogut jogaram menos de 25′) em outra performance incrível na linha dos três pontos (16/30) e 32 assistências nos 39 arremessos convertidos.

gsw1Não custa lembrar que a maior sequência de vitórias da história da NBA em uma mesma temporada foi a do Los Angeles Lakers em 1971-1972 com 33, mas isso ainda está um pouco longe para Steph Curry e companhia. A pergunta que fica, agora, é: quando o Golden State Warriors vai perder? Na foto ao lado (se for preciso clique nela para ampliar) separei todos os jogos até o final de 2015. E o perigo para a queda da invencibilidade pode estar mesmo nos próximos duelos.

curry1Depois de sábado os Warriors embarcaram para uma série de sete partidas fora de casa que começa hoje (seis no Leste). Os atuais campeões terão Jazz (nesta segunda-feira), Hornets (quarta-feira), Raptors (sábado), Nets (domingo), Pacers (8/12), Celtics (11/12) e Bucks (12/12) em uma turnê que, se não é tão complicada quanto medir forças com bambas do Oeste longe do lar (Spurs, Grizzlies, Rockets ou Clippers, por exemplo), sempre mexe com as estruturas de qualquer equipe porque há, além dos rivais virem babando querendo acabar com a festa do GSW, um enorme desgaste com viagens, hotéis e fusos diferentes.

klay1Caso saia ileso desta série de sete partidas longe do lar o Golden State volta pra casa para cinco dos sete últimos jogos de 2015 diante de sua torcida (para a NBA seria muito genial se a sequência invicta se mantivesse até o Natal, com a reedição da final contra o Cleveland Cavs em Oakland no dia 25/12). Por enquanto, porém, vale a pena ficar de olho nesta turnê dos Warriors longe da sua torcida antes de projetarmos os passos seguintes.

Será que Curry, Klay, Leandrinho, Green e companhia voltam para a Califórnia com 25-0? Ou a invencibilidade cai antes? Comente aí!


Será que o Golden State conseguirá repetir o caneco da NBA nesta temporda?
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Fábio Balassiano

gsw5Não dá pra dizer que todo mundo esperava que o Golden State Warriors ganhasse o título da NBA na temporada passada como acabou acontecendo em 16 de junho. Antes do campeonato pensar tínhamos apenas um bom elenco no papel com dois ótimos jogadores (Steph Curry e Klay Thompson), mas um técnico estreante (Steve Kerr), uma dúvida no pivô (Andre Bogut e suas lesões em sequência), um ala-pivô “baixinho” que despontava (Draymond Green) e uma filosofia de jogo que tirava as “posições” e colocava as “funções” como principal característica (como escrevi aqui).

gsw3A transformação deu certo e o Golden State conquistou o título da NBA após 40 anos. Foi uma linda festa em Oakland, com a torcida lotando a praça da cidade para ver o desfile do time que bateu o Cleveland Cavs em seis jogos na decisão da NBA. O tempo passou, o elenco que tem o brasileiro Leandrinho (foto ao lado) é basicamente o mesmo (saiu David Lee mas chegou o útil Jason Thompson para o seu lugar) e a pergunta fica: será que os Warriors conseguem, em 2015/2016, repetir o feito do campeonato passado?

gsw1A resposta disso não passa pelo lado físico. Quatro dos cinco titulares do time na campanha passada (Curry, Thompson, Green e Harrison Barnes) não têm nem 27 anos e possuem muito “gás” para queimar em alto nível por mais seis, sete anos (no mínimo). O elenco de apoio (incluindo aí Andre Iguodala, MVP das finais, Andrew Bogut, Leandrinho e o ala-pivô Festus Ezeli, que deve ganhar mais e mais espaço com a saída de David Lee) tem no jogador mais velho justamente o brasileiro (32 anos e com uma velocidade descomunal, sabemos bem). Ou seja: está longe de ser um problema a parte física.

gswA questão principal para o Golden State continuar reinando reside, ao menos para mim, em quais ajustes os outros times farão para segurar o jogo forte de transição e de bolas de três pontos dos Warriors. A defesa do GSW é muito boa, foi muito ativa em toda temporada passada e não deverá ser modificada (deve, pelo contrário, aumentar ainda mais a intensidade com os desenvolvimentos de Draymond  Green e Ezeli), mas certamente os oponentes trarão novidades na marcação para frear Curry, Thompson e Green (principalmente no perímetro). Os Warriors chutaram quase 40% de três pontos na temporada passada inteira e os dois principais jogadores (Curry + Thompson) atingiram 44,3% e 43,9% de aproveitamento nas bolas longas, respectivamente. Um absurdo de percentual de acerto, sem dúvida alguma (e completamente fora dos padrões do, digamos, normal).

gsw9Se conseguirem manter este ritmo (ou este aproveitamento), é bem provável que os californianos consigam se manter no topo do Oeste e da NBA para esta temporada (em que pese a ausência inicial do técnico Steve Kerr, que operou a coluna – poderá perder os jogos iniciais da equipe, sendo substituído pelo assistente Luke Walton). Caso os adversários forcem os Warriors a jogar de outra maneira, será testado o arsenal ofensivo dos comandados de Kerr e aí sim Curry e companhia poderão ter problemas (jogos mais travados e físicos, como foram os contra os Grizzlies, enrolam os Warriors, por exemplo). O técnico, que não é bobo, tem testado formações diferentes na pré-temporada, algumas vezes atundo sem NENHUM pivô inclusive (com Iguodala sendo o atleta mais perto da cesta).

gswEntre um (o ponto ótimo da temporada passada) e o outro (não conseguir sair das armadilhas dos adversários), creio que o Golden State conseguirá se manter lá no topo do Oeste.

Se vai ganhar a conferência e retornar à final da NBA é bem difícil de dizer pois há quatro outros times de mesmo nível brigando pelo título (Spurs, Clippers, Grizzlies e Rockets). Mas para mim parece claro que os Warriors brigarão sempre pelo caneco sempre que tiverem este excepcional núcleo junto.


Com o título da NBA, a mais bela página da carreira de Leandrinho
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Fábio Balassiano

lb13A noite de 16 de junho de 2015 não será esquecida pelos jogadores do Golden State Warriors. Todos conquistando o título da NBA pela primeira vez. Nenhum com tanta “estrada” na maior liga de basquete do planeta quanto Leandrinho.

Cheguei a escrever um pouco sobre a trajetória de superação do brasileiro antes da final da NBA (mais aqui), mas não custa nada lembrar que o cara que abocanhou o segundo troféu da liga para o Brasil está em sua 12ª temporada (a maior experiência de um grupo de garotos), que operou o joelho em fevereiro de 2013 e que assinou dois contratos temporários com o Phoenix Suns no meio da temporada passada. Isso tudo, lembremos, com uma passagem de 8 jogos pelo Pinheiros no final de 2014 para recuperar a forma física.

lb10A história da carreira (e da vida de um modo mais amplo) de Leandrinho foi coroada na terça-feira com um troféu conquistado com muita luta. Reserva dos dois melhores jogadores de um timaço (Steph Curry e Klay Thompson), ele teve que lutar por cada minuto de quadra contra Shaun Livingston e foi ganhando a confiança do técnico Steve Kerr aos poucos. Nos playoffs, viveu ótimos momentos contra o Houston Rockets marcando o candidato a MVP James Harden, mas o melhor mesmo viria no jogo 5 contra o Cleveland na final. Foram 13 pontos e o ginásio inteiro a aplaudir a sua atuação. Veja só.

lb12Dá pra entender bem a emoção de Leandrinho nas entrevistas pós-jogo em Cleveland, né? Qualquer ser humano que tenha passado pelo que ele passou se sentiria nas nuvens, fora do controle. É uma sensação diferente para qualquer um. Pelo que ele passou e pela incerteza sobre seu futuro (seu contrato fora apenas para esta temporada), ainda mais, vamos combinar.

gsw3De carta fora do baralho na melhor liga de basquete deste planeta, o ala-armador de 32 anos tornou-se o primeiro jogador a conquistar um nacional do Brasil (por Bauru em 2002) e um título da NBA e o primeiro a ter atuado pelo NBB e por um time campeão da NBA, escrevendo, assim, a mais bela página de sua vida profissional.

Nada é garantido nessa vida, mas valorizado pelas últimas atuações no mata-mata e por ser ótimo de grupo é bem provável que Leandrinho volte aos Warriors para a próxima temporada ou encontre espaço em outra franquia. Seria outro prêmio pelo seu esforço, mas  independente do que aconteça, seu lugar já está na história do basquete brasileiro.

Que o país valorize esta conquista, colocando-o no patamar que ele merece. Ninguém joga 12 anos na NBA sem ter muito merecimento. É o caso de Leandrinho.


O basquete das funções, o segredo do campeão Golden State Warriors
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Fábio Balassiano

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gsw11“Os Warriors mudaram a forma como o basquete é jogado. Exatamente como o meu Lakers do Showtime (década de 80) fez quando fomos campeões. Na próxima temporada da NBA todos os times tentarão contratar jogadores verstáveis como os Warriors têm” . Foi assim que Magic Johnson definiu a conquista do Golden State ontem à noite em sua conta no Twitter. Desnecessário dizer que trata-se de um dos maiores nomes do esporte mundial em todos os tempos, de alguém que de fato modificou o jogo com o Los Angeles Lakers (como ele mesmo cita) e que, por ser um empolgado por natureza, de vez em quando ele exagera (principalmente no calor das emoções de uma final).

gsw3Mas neste caso consigo entender e concordar com Magic Johnson, sim. Ainda estamos literalmente no calor do feito de ontem e muita coisa irá acontecer com esta equipe e com o próprio técnico Steve Kerr. Certamente o Golden State será mais visado por todos (adversários, imprensa, torcedores, patrocinadores etc.) e nem sempre é fácil lidar com isso. Mas a maneira como os Warriors jogaram esta temporada merece ser estudada com um pouco mais de calma. O time terminou com 67 vitórias, o MVP da fase regular (Steph Curry) e das finais (Andre Iguodala), o melhor ataque da NBA, a segunda melhor defesa, 11 jogadores jogando 10+ minutos por noite e um basquete lindíssimo, daqueles que enchem os olhos de todos. Não é, digamos, algo normal, usual, comum, visto por aí a cada esquina (ou quadra).

gsw7Um basquete de velocidade, de arremessos de três, de cortes, mas sobretudo de funções. Ao contrário do que estamos acostumados a ver, Steve Kerr teve a inteligência (e escrevi isso aqui antes da final) de verificar que a grande qualidade do seu elenco não era “só” a atribuição técnica de seu esplêndido grupo de atletas. O básico seria que o novo treinador utilizasse um sistema de jogo (no ataque e na defesa) que o agradasse e que o adaptasse ao Golden State. Golden State que, de mais a mais, já estava evoluindo nas mãos de Mark Jackson nos anos anteriores a chegada de Kerr.

kerr10Mas o novato fez diferente. E fez diferente por notar que ali havia algo mais, algo diferente de se encontrar em um punhado de atletas: uma heterogeneidade incrível no elenco, uma maneira que faria com que o jogo fosse disputado em outra dimensão. Parece simples dizer isso agora, mas requer estudo, humildade para conviver com o erro e muita persistência. Mas acabou dando certo (muito certo, obviamente). Com os 12, 15 atletas do Golden State o técnico-alquimista experimentou mais de 100 formações diferentes na temporada. Em nenhuma delas deixou claro ao adversário como se fazia para marcá-lo. Com todas elas explorou ao máximo o espaçamento em quadra, possibilitando que a maior arma (os chutes de três) fosse desferida quase sempre em liberdade e que, com a quadra aberta, os pontos de contra-ataques saíssem com naturalidade. A capacidade atlética de seu time, um dos pontos fracos apontados por todo mundo, não foi notada porque Steve Kerr conseguiu “escondê-la” brilhantemente.

gsw9Era muito mais fácil para qualquer técnico que estivesse chegando no Golden State (e para um novato ainda mais) que não ousasse. Era o básico, o caminho mais fácil e até natural. Mas Steve Kerr e os jogadores queriam, e até precisavam, de mais. Steph Curry não PODE jogar de maneira simples, no meia-quadra habitual justamente pelo seu físico e pela maneira como chuta após os dribles (algo completamente fora dos padrões). Pedir que Klay Thompson atue de maneira cerebral, travada, é castrar a sua principal habilidade (os arremessos rápidos). Cogitar que Draymond Green bata de frente com alas mais altos e fortes perto da cesta seria uma sandice.

gsw5A maneira, portanto e de modo a fazer com que este trio funcionasse da melhor maneira, foi testar, ousar, esquecer das posições e pensar apenas em funções. Na defesa, ao invés do mano a mano tradicional, um exército que marcava coletivamente e pressionando a bola a cada segundo foi a melhor solução. No ataque foi mais complexo. Pensar apenas na polivalência de um elenco que poderia fazer mais do que uma… posição ao mesmo tempo. O ala Harrison Barnes jogando perto da cesta para abrir espaço para o ala-pivô Green chutar de fora? Foi feito. Andre Iguodala, Barnes e Green nas alas JUNTOS para tirar os pivôs rivais de perto da cesta ou deixá-los totalmente confusos? Foi feito (e muito). Steph Curry liberado da condução de bola, com Shaun Livingston armando o ataque? Idem. Como parar um time assim? Fica quase impossível justamente porque é difícil prever o que estará do outro lado a cada posse de bola. O arsenal ofensivo é enorme, o talento é também muito grande e (palavrinha mágica) as variações tendem ao infinito.

gsw1E aqui, aliás, cabe uma recomendação a quem assiste basquete aqui no Brasil (de torcedores, passando por imprensa, dirigentes e técnicos): vamos esquecer de uma vez por todas essa bobagem de definir jogador pela posição em que, teoricamente, ele atua. LeBron James é o ARMADOR de seus times desde que entrou na NBA. Joakim Noah, em teoria o pivô do Chicago, exercia em muitos momentos a alcunha de armador da equipe ano passado. Steph Curry é armador e finalizador. Pivôs, hoje, chutam de três com facilidade. Armadores, atualmente, pegam muitos rebotes. Há alas que beiram as 8, 10 assistências de média. Sendo mais claro: não existe mais essa de “pré-definir” um atleta pela sua altura ou pela forma como as escalações figuram. Há uma histeria, um fricote, um ridículo espírito candinha de se ver as coisas de maneira atrasada por aqui que chegam a chocar em alguns momentos (principalmente na imprensa especializada, que deveria estudar mais ao invés de ficar presas a definições fáceis). Olhemos todos para as funções, para as maneiras como estes atletas agem dentro de quadra para avaliá-los. O basquete mudou muito de 15, 20 anos pra cá e ficar analisando a modalidade como se fosse o mesmo jogo de 40, 50 anos é um erro absurdo e que diminui absurdamente a capacidade de ver a beleza do NOVO jogo.

gsw12Mas, bem, voltando. O Golden State é, digamos assim, uma obra ainda em progresso. Pode ser que este núcleo aí formado por Steph Curry, Draymond Green, Klay Thompson, Andre Iguodala, Harrison Barnes e Andrew Bogut (os que têm contratos mais longos) nunca mais ganhe nada. Pode ser, até, que daqui a 10 anos a gente olhe para a conquista de 2015 e verifique que ela foi um sonho de uma noite de verão apenas. Aconteça o que acontecer, os Warriors deixam, desde já, um legado de como o basquete pode ser praticado de forma mais veloz, divertida, sem grandes preocupações com “nomes” de posições pré-estabelecidas e utilizando ao máximo os números ao seu favor (os tais analytics, como se costuma dizer nos Estados Unidos).

E isso já é coisa pra caramba.


Brilhante, Warriors bate Cavs e conquista título da NBA após 40 anos
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Fábio Balassiano

gsw1

curry4Acabou a espera do Golden State Warriors. E acabou em grande e belíssimo estilo. Em Cleveland, os Warriors jogaram uma barbaridade, venceram o Cleveland com autoridade por 105-97, fecharam a final da NBA em 4-2 e conquistaram o título pela primeira vez em 40 anos (a outra conquista havia sido em 1975) coroando uma temporada perfeita.

O troféu faz do fantástico Steve Kerr um técnico a ser campeão da principal liga de basquete do mundo em seu ano de estreia, aliás. Além disso, Kerr entra em um grupo de, entre outros Phil Jackson e Pat Riley, personagens que foram campeões como técnicos e como jogadores também (aqui a lista completa). Brilhante nos últimos três duelos desta final, Steph Curry, o MVP da temporada regular, terminou com 25 pontos e 8 assistências. Do outro lado, mais uma atuação fenomenal de LeBron James (32 pontos, 18 rebotes e 9 assistências) não foi suficiente. Outro fundamental, Andre Iguodala, terminou com 25-5-5 em mais uma atuação fantástica e foi justamente eleito o MVP das finais (lembrando que o cara não começou uma partida sequer entre os titulares até as finais).

lebron1O camisa 23 do Cavs, que perdeu a sua terceira final em casa aliás, terá que esperar para conseguir o seu objetivo desde que retornou a Ohio – dar o inédito título a uma cidade que nunca conquistou troféu nas principais ligas do esporte americano. E antes que as críticas surjam, é bom deixar o mais claro possível: LeBron não tem culpa de nada. Quem viu os jogos ou verifica seus números nesta decisão vê que o cara era o exército de um homem só brigando contra um time que tinha um punhado de armas em todas as posições. Criticá-lo por este vice-campeonato (o quarto em sua carreira) é, desde já uma sandice.

barbosa1Com o título, o ala-armador brasileiro Leandrinho, que teve participação bem importante nesta decisão, se tornou o segundo jogador do país a conquistar o troféu da NBA (o primeiro havia sido Tiago Splitter, em 2014, pelo San Antonio Spurs contra o Miami Heat). Mais do que isso: desacreditado dois anos atrás quando lesionou o seu joelho, o camisa 19 do Golden State Warriors deu uma incrível volta por cima e acaba de escrever o mais bonito capítulo de seu livro recheado de páginas de superação (como falei aqui antes da decisão, aliás). Aos 32 anos, ele acaba de levantar o caneco mais importante da modalidade, e acho que nada mais precisa ser dito depois disso, né?

andre1O primeiro período foi um verdadeiro baile de basquete por parte do Golden State Warriors. O placar de 28-15 diz muito, mas não tudo. Os californianos amassaram o Cleveland na defesa, forçando o rival a 6 desperdícios de bola, foram brilhantes no ataque com um jogo de passes surreal de bom (11 assistências em 12 chutes convertidos) e cirúrgicos nas bolas de fora (4 tiros longos em 12 minutos). Àquela altura, Steph Curry tinha 9 pontos e 3 assistências. Andre Iguodala, 10 em mais uma atuação espetacular. Foi a senha para uma noite histórica.

curry1No segundo período o Cleveland esteve bem mais ativo na defesa, concentrado no ataque (apenas 3 desperdícios de bola) e chegou a encostar no placar. Mas toda vez que a torcida se animava vinha uma bola certeira de fora do Golden State para calar o ginásio (como foi a de Harrison Barnes ali pela metade do quarto) até que nos dois minutos finais LeBron James foi dominante com a bola nas mãos, Tristan Thompson fez brilhante trabalho perto da cesta e os Cavs foram para o garrafão com apenas dois pontos de desvantagem (43-45).

ezeliO segundo tempo começou e mais uma vez a força do elenco do Golden State foi fundamental. O pivô nigeriano Fetsus Ezeli (foto), que na temporada regular foi reserva de Andrew Bogut (o australiano nem entrou, aliás), saiu do banco e converteu dez pontos para aumentar ainda mais a diferença para os Warriors. Do outro lado, LeBron James, cansado ao extremo (natural devido a sua excessiva minutagem nesta final), desperdiçava arremessos (terminaria o período com 8/21) e muitas bolas (eram 5 os erros dele naquele momento), dando ao Golden State a tranquilidade para atacar e ampliar a liderança e a auto-estima visando o quarto período. Com 36 minutos jogados, os 73-61 mostravam bem a grande superioridade do Golden State na noite desta terça-feira em Cleveland.

doisNo último suspiro e buscando gás sabe-se lá de onde, LeBron James e os Cavs abriram o período derradeiro com 7-2 na parcial e reduziram a diferença para 68-75, mas depois do pedido de tempo de Steve Kerr o Golden State Warriors voltou a jogar melhor, impedindo que a reação fosse maior por parte do Cleveland. A vantagem dos californianos voltou a cada dos dois dígitos, e com o cronômetro apertando o desespero da franquia de Ohio foi ficando maior. No final, a vitória de 105-97 acabou por coroar a melhor equipe da temporada com o título.

lb1Não custa lembrar: este timaço de bola do Golden State Warriors conquistou 67 vitórias na temporada regular, perdeu apenas cinco jogos nos playoffs, teve o MVP do campeonato e das finais, um elenco de jogadores absurdamente talentosos, jovens e versáteis, o melhor ataque e a segunda melhor defesa do certame. Não sei se poderia haver um título com maior merecimento como este do campeonato de 2014/2015. Foi a melhor equipe de ponta a ponta do certame sem dúvida alguma.

Viu o jogo? Título justíssimo do Golden State Warriors, né? O Cleveland decepcionou, ou até o ponto máximo com o elenco que restou após as lesões? Que grande história do Leandrinho, hein! Comente aí esta conquista da turma da Califórnia!


A volta por cima de Leandrinho, pela 1ª vez na final da NBA
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Fábio Balassiano

Leandro Barbosa, Kobe BryantNo dia 6 de maio de 2006 lembro que fiquei até tarde no centro de Salamanca, Espanha, onde morava, pra ver a sétima partida entre Phoenix e Lakers do playoff do Oeste da NBA. Era a temporada alucinante do Kobe Bryant (35,4 pontos), o mata-mata que ele havia matado duas bolas surreais no jogo 4 e um duelo que chegou a estar 3-1 para os angelinos. Naquele dia, porém, não teve Kobe, não teve Steve Nash (o MVP), não teve pra ninguém.

Leandrinho Barbosa saiu do banco e converteu 26 pontos (cestinha) em uma partida praticamente perfeita (10/12 nos arremessos). Foi o protagonista da classificação do Suns e um dos mais ovacionados pela torcida que lotou a America West Arena, no Arizona. No final da partida o brasileiro foi entrevistado pela TV dos EUA e comentei com os amigos que me acompanhavam naquela madrugada salmantina: “Cacete, esta é a terceira temporada dele. Olha o barulho que o cara já está causando. O futuro pode ser mágico”.

lb2O tempo passou e muita coisa mudou na carreira de Leandrinho. Na sequência daquele playoff de 2006 ele seguiu crescendo em termos técnicos, táticos, físicos e mentais, alcançou a incrível marca de 18,1 pontos na temporada seguinte (a maior média entre os brasileiros que já jogaram na NBA), foi eleito o melhor reserva da temporada 2006/2007 (único prêmio individual de um atleta do país na melhor liga do planeta) e com 25 anos muita gente apostava que ele seria não só titular do Phoenix, mas estrela da franquia.

Toronto Raptors v Cleveland CavaliersNão dá pra saber muito bem onde as coisas deixaram de caminhar como a gente (e ele também) esperava, mas o fato é que Leandrinho teve uma das trajetórias mais malucas da NBA nos anos seguintes ao prêmio recebido em 2007. O ala manteve boas médias em 2008 (15,6 pontos) e 2009 (14,2), mas caiu de produção em 2010 (9,5 pontos) e foi trocado para o Toronto. A partir disso sua vida virou um périplo.

Jogou até bem na franquia canadense (13,3 e 12,2 pontos de média em 2010/2011 e 2011/2012), mas foi trocado para o Indiana Pacers no meio da temporada de 2011/2012. Foi bem (8,9 pontos), mas seus minutos caíram ao menor nível (19,9) desde seu segundo ano na liga. Era um momento difícil, obviamente, e que ficaria ainda mais complicado quando ele não teve seu contrato renovado pelo Indiana.

lb4Chegou a ficar sem fazer a pré-temporada da NBA, penou horrores para conseguir um contrato, mas enfim chegou uma proposta do Celtics em outubro de 2012. Pegou o avião e desembarcou em Boston com o campeonato prestes a começar. Teve que recuperar a forma física rápido e quando ganhava minutos e a confiança de Doc Rivers foi ao chão. No dia 12 de fevereiro de 2013 (carnaval no Brasil, se não me equivoco) Leandrinho rompeu os ligamentos do joelho esquerdo e muita gente duvidava que ele voltaria a jogar na liga norte-americana (no Brasil houve quem tivesse decretado inclusive o fim da carreira dele).

lb5Mas ele não desistiu. Prestes a completar 30 anos Leandrinho teve que recomeçar. A recuperação física de uma lesão no joelho é lenta, difícil e mexe não só com o corpo, mas com a cabeça. Como seriam os próximos passos? O Pinheiros, de São Paulo, lhe abriu as portas e em novembro de 2013 ele estrearia pelo clube em um jogo de NBB (vitória contra o Flamengo com 16 pontos dele) na primeira partida em 9 meses. Após 8 jogos suas médias foram de 20,7 pontos, 3,3 assistências e 3,2 rebotes, com 68% de acerto em tiros de dois pontos e 36% nas bolas de fora. Ele estava recuperado. E a NBA veria isso. O Phoenix lhe ofereceu um contrato de 10 dias. Depois outro de 10 dias. E por fim uma assinatura de contrato até o final da temporada 2013/2014. Era um prêmio a sua luta, uma volta ao lugar onde ele havia sido muito feliz por quase uma década.

lb12Já seria uma história bonita de superação a de Leandrinho, mas ele ainda escreveria outra página. No final daquela temporada o Phoenix decidiu não renovar com ele. De novo com o nome disponível no mercado ele teria que procurar clube. Isso aos 31 anos e com joelho recém-operado. Não seria fácil. Alvin Gentry, hoje assistente no Golden State Warriors e anos antes auxiliar de Mike D’Antoni no Suns, sugeriu o nome do brasileiro ao novo técnico Steve Kerr (que fora gerente-geral do brasileiro no Suns entre 2007 e 2010). Nome aceito, novo lar, novos companheiros, novas funções. Acostumado a sair do banco com a obrigação de pontuar, em Oakland ele teria que ensinar aos mais jovens e também defender quando solicitado por Kerr.

lb2Tudo correu muito bem na temporada do Golden State (67 vitórias) e a primeira final da NBA na carreira de Leandrinho chegou. Com papel reduzido (7,1 pontos em 14 minutos), mas ao mesmo tempo muito importante (o de substituir os dois melhores jogadores da equipe – Stephen Curry e Klay Thompson), como ele mesmo disse a este blog em entrevista exclusiva .

Na verdade o “tamanho” de seu protagonismo importa bem pouco agora. O fato é que Leandrinho deu a volta por cima de maneira incrível, jogando na NBA em alto nível e tendo funções importantes em momentos cruciais destes playoffs (como quando, mesmo longe de suas principais características, marcou muitíssimo bem James Harden, do Houston Rockets, quando Klay Thompson não conseguia segurar a onda na defesa).

lb8Jogador mais querido do vestiário do Warriors, como disseram Alvin Gentry e Steve Kerr no All-Star Game de Nova Iorque, aos 32 anos Leandrinho Barbosa é responsável também por passar um pouco da experiência que adquiriu aos jovens Curry, Thompson e Draymond Green. De acordo com Kerr, “os mais jovens ouvem, riem e trocam ideias com o brasileiro com naturalidade”.

Brasileiro que, a partir da final que começa na quinta-feira às 22h, está a apenas quatro vitórias de se tornar campeão da NBA e escrever a mais bela página de sua trajetória na NBA.