Bala na Cesta

Arquivo : LBF

Com Hortência e Paula como embaixadoras, LBF começa nesta quinta-feira
Comentários Comente

Fábio Balassiano

lbf1Começa nesta quinta-feira a Liga de Basquete Feminino. Corinthians / Americana e Presidente Venceslau abrem a competição em Americana a partir das 20h, que terá uma grande novidade: Magic Paula (na foto com o presidente da Liga Nacional de Basquete, João Fernando Rossi) e Hortência serão as embaixadoras do torneio a partir de agora.

Serão, tal qual na temporada passada, seis clubes que jogarão quatro vezes entre si na primeira fase (20 jogos), classificando os quatro melhores para a semifinal (melhor de três) e desta qualificando os vencedores para a decisão (melhor de cinco). Saiu o Maranhão Basquete e entrou (de novo) Blumenau. Ficam Santo André, o campeão paulista, Presidente Venceslau, Corinthians, Uninassau (Recife) e o atual campeão, Sampaio Basquete, que não terá três de suas principais estrelas (Iziane, aposentada, Isabela Ramona e Nádia Colhado, que foram jogar na Espanha).

paulahortEntendo perfeitamente os motivos e gosto bastante da ideia da Liga de Basquete Feminino, cada vez mais incorporada à boa gestão da Liga Nacional de Basquete (LNB), trazer os nomes de Paula e Hortência de volta ao esporte como embaixadoras. Na ausência de grandes ídolos e referências na atualidade, sem contar o fato de os últimos resultados internacionais não terem sido bons por parte da seleção feminina (no Rio-2016 a equipe de Antonio Carlos Barbosa saiu sem vitória alguma…), ter dois mitos do esporte por perto é um sinal de credibilidade, de respeito ao produto e a chance de trazer de volta os fãs da antiga e capturar os novos consumidores / clientes. Se não é o ideal, porque o melhor mesmo é vender os atletas do presente, aqueles que entram em quadra, aqueles que fazem o espetáculo, na lacuna que há atualmente na modalidade é o melhor a se fazer realmente.

lbf2Espero que cada vez mais outros nomes do basquete sejam trazidos para perto da LBF. Há muita gente boa que pode ser aproveitada na Liga (Alessandra, Janeth, Maria Helena, Borracha, Vania, Vanira, Marta). O presente não é muito bonito, mas vale dizer que em um passado nem muito longo foram elas que deram as últimas glórias do basquete brasileiro (duas medalhas olímpicas em 1996 e 2000, um título mundial em 1994 e três quartos lugares – nos Jogos Olímpicos de 2000 e nos Mundiais de 1998 e 2006).

 

Tags : LBF


Basquete feminino segue agonizando, mas LBF sai do papel e começa em dezembro
Comentários Comente

Fábio Balassiano

lbf1Dos males (literalmente) o menor. Após dias, semanas e meses de silêncio, muita gente já imaginava que nem aconteceria mais a Liga de Basquete Feminino nesta temporada.

No final da tarde de ontem, porém, a LBF foi confirmada, tendo início no dia 15/12 (!!!) às 20h com Corinthians / Americana x Presidente Venscelau. Ufa, teremos então campeonato. Mas este é o lado bom (e talvez o único).

LBf2Serão de novo seis clubes que jogarão quatro vezes entre si na primeira fase (20 jogos), classificando os quatro melhores para a semifinal (melhor de três) e desta qualificando os vencedores para a decisão (melhor de cinco). Saiu o Maranhão Basquete e entrou (de novo) Blumenau. Ficam Santo André, o campeão paulista, Presidente Venceslau, Corinthians, Uninassau (Recife) e o atual campeão, Sampaio Basquete, que não terá duas de suas principais estrelas (Iziane, aposentada, e Nádia Colhado, que foi jogar na Espanha).

LBf1Ter a LBF é uma notícia boa (a que ponto chegamos ficando felizes com a EXISTÊNCIA de um campeonato), sem dúvida, mas pensar que temos apenas 72 postos de trabalho (12 jogadoras em cada um dos seis times) em uma modalidade é bizarro. Imaginar que o certame começa em 15/12, parando no Natal, voltando ali pelo dia 10 de janeiro, parando novamente para o Carnaval e terminando ali no final de abril/maio (menos de 150 dias para uma atividade que deseja ser profissional) é triste demais. Saber que o nível técnico será entre o horrível e o lamentável dá um desânimo danado. Observar que os times estão de pires na mão, pagando cada vez menos e muito mais perto de fechar as portas do que de conseguirem novos patrocinadores, fala muito sobre o atual estágio de um esporte que já foi glorioso mas que hoje em dia só passa vergonha.

O basquete feminino brasileiro já passou da CTI. Hoje ele é um ser humano decrépito a espera da extrema unção. A não ser que nada mude muito rápido, os próximos anos serão ainda mais nebulosos.

Tags : LBF


Passado, presente e uma boa perspectiva de futuro na LBF
Comentários Comente

Fábio Balassiano

ponte1

lbf2Foi um sábado pra lá de emocionante no ginásio Taquaral, em Campinas. As 2.500 pessoas que esgotaram os ingressos em menos de duas horas viram uma festa lindíssima do Jogo das Estrelas da Liga de Basquete Feminino que contou com belíssima homenagem ao time de 1993 da Ponte Preta campeão mundial (na foto acima estão Hermes Balbino, preparador físico, Maria Helena Cardoso, a técnica, Eleninha, sua assistente, e as atletas Paula, Hortência, Silvinha, Helen, Ruth, Roseli e Claudinha), com a vitória do Time Rainha Hortência contra o de Magic Paula (Nádia, na foto ao lado, foi a MVP) e com as de Tati Pacheco nos três pontos e Babi no Desafio de Habilidades.

ginasio1Mais do que isso: foi um sábado maravilhoso em que todas as últimas gerações do basquete feminino se encontraram no ginásio Taquaral em Campinas. Vale dizer, desde já, que a cidade não tem um time profissional de basquete feminino há tempos e que os torcedores foram à festa em peso. Que eu me lembre, vi Micaela, Mamá, Geisa, Katia, Claudinha, Adriana Santos, Silvinha, Marta (jogava demais, nossa mãe!), Hortência, Paula, Ruth, Borracha, Lais Elena, Antonio Carlos Vendramini, Paulo Bassul e tantos outros que ajudaram a modalidade a crescer horrores nas décadas de 70, 80 e 90 (principalmente). Gente com conhecimento, com talento, com vontade de ainda auxiliar em alguma coisa no esporte.

lena2Um dos momentos mais emocionantes pra mim foi quando vi Maria Helena Cardoso chegando ao ginásio com Eleninha, sua fiel escudeiro por mais de 50 anos. Faltava pouco tempo pro Desafio de Habilidades começar, as duas se encaminhavam aos seus lugares, mas algo aconteceu quando as duas pisaram no Taquaral e foram vistas por suas ex-atletas. Não andaram mais cinco metros. TODAS, sem exceção, saíram de seus lugares para falar com as esplêndidas treinadores. A isso se dá o nome de gratidão, não?

dupla1A gente não sabe exatamente quais serão os próximos passos da Liga de Basquete Feminino. Se ela (LBF) irá mesmo para dentro, em definitivo, da estrutura da Liga Nacional de Basquete (LNB) ou se tomará seu próprio rumo. Pelo que se viu neste sábado no ginásio Taquaral e pela necessidade urgente de renascer das cinzas, me parece bem óbvio que a Liga feminina precisa, sim, de um empurrão para sair da inércia e voltar a encontrar o bom caminho. Se hoje está na estaca zero em termos de desenvolvimento, organização e parte técnica, a modalidade das meninas pode olhar para a dos rapazes e ver o que no NBB conseguiu se transformar em tão pouco tempo.

iziane1O abraço da foto ao lado acaba sendo simbólico: Iziane, campeã da última LBF pelo Sampaio Corrêa e MVP das finais, foi formada pela brilhante Maria Helena Cardoso em seu antigo clube, o BCN. O abraço carinhoso e pra lá de respeitoso, visto do fundo por uma feliz Carina Felippus, representa as duas faces boas do basquete vistas nas duas últimas semanas – o time que colocou 13 mil pessoas em dois jogos finais do campeonato e uma das maiores formadoras de talentos (e de seres humanos) do basquete brasileiro. Precisa-se, urgentemente, que elas (estas boas faces) sejam mais vistas – e não ignoradas.

taina1Quem gosta do basquete feminino precisa que as finais em São Luís (ginásio lotado) e o que vimos no Jogo das Estrelas deste sábado sejam mais regra do que exceção. E que nomes tão importantes da história do esporte (Paula, Hortência, Maria Helena Cardoso, Eleninha, Adriana Santos, Marta etc.) estejam inseridas na modalidade (e não marginalizadas). Quanto antes entender que precisa ser mais inclusivo, moderno e relembrando a memória de quem tanto fez pelo feminino, mais rápido sairá do estado em que se encontra.

O pulso, inacreditavelmente, ainda pulsa no basquete feminino.


Jogo das Estrelas da LBF reúne Hortência, Paula e Maria Helena Cardoso hoje
Comentários Comente

Fábio Balassiano

sampaio1Normalmente o Jogo das Estrelas acontece durante a temporada. Por motivos burocráticos (e financeiros), o da LBF este ano vai acontecer neste sábado, mais de uma semana depois do Sampaio Corrêa ter fechado o campeonato com o inédito título em cima do Corinthians / Americana. O evento só vai rolar, mesmo, porque a grana referente ao patrocínio da Caixa Econômica entrou, e no contrato está previsto SEMPRE a realização da partida. Ser após a decisão do título, porém, não necessariamente é ruim.

hortencia1E explico a vocês. A partir das 16h (Sportv exibe) em Campinas o ginásio Taquaral recebe as melhores atletas do país, que serão comandadas por Paula e Hortência, dois dos maiores nomes da modalidade de todos os tempos e cujas presenças chamam a atenção. É só por uma tarde, é só uma brincadeira, mas nenhuma das duas jamais treinou uma equipe depois de terem parado de jogar. Os elencos foram definidos para o Jogo em si e para os Desafios de Habilidades e Torneio de 3 pontos e estão aqui. Informações sobre ingressos, aqui. Eu estarei presente ao local e vocês sabem bem como este tipo de cobertura funciona (atualizações constantes em Twitter , Instagram e Facebook durante todo dia).

mariahelenaAlém delas duas estará em Campinas ninguém menos que Maria Helena Cardoso, uma das melhores técnica do basquete brasileiro em todos os tempos. Ela e a sua Ponte Preta de 1993 serão homenageadas no evento pelo título mundial conquistado 23 anos atrás. Maria Helena é uma lenda do esporte e toda reverência que se faz a ela é muito pouca. Será, sem dúvida alguma, um dos momentos mais emocionantes do Jogo das Estrelas.

Quem for de Campinas tem um bom programa para esta tarde no ginásio Taquaral. Quem não for, vale a pena ficar ligado no Sportv


Podcast BNC: Spurs x OKC na NBA, o título do Sampaio na LBF e NBB
Comentários Comente

Fábio Balassiano

nba1O que esperar de San Antonio Spurs x Oklahoma City Thunder no playoff da NBA? Como explicar a saída de Byron Scott do Los Angeles? Como analisar o título maravilhoso do Sampaio Corrêa na Liga de Basquete Feminino? E os playoffs do NBB, o que tem de bom? O que tem de mais ou menos? Falamos de Mark Cuban, o dono do Dallas, também. Ouve aí!

Caso você prefira, o link direto está aqui . Caso queira, também está disponível no iTunes ! O código RSS está aqui. Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e divirtam-se!


Com Paula, Hortência e homenagem a Ponte Preta, o Jogo das Estrelas da LBF
Comentários Comente

Fábio Balassiano

dupla1Acontecerá no próximo sábado (07/05) em Campinas, no ginásio Taquaral, o Jogo das Estrelas da Liga de Basquete Feminino às 16h. E com presenças pra lá de especiais. Além das atletas da LBF (todas as convocadas para a seleção de Antonio Carlos Barbosa estarão) e dos dois técnicos dos finalistas da competição (Lisdeivi e Antonio Carlos Vendramini), os elencos serão divididos para serem comandados por ninguém menos que Paula e Hortência, dois dos maiores ícones da modalidade no planeta em todos os tempos.

Se isso não fosse o bastante, a organização do evento (LBF e Liga Nacional de Basquete) promoverá uma homenagem ao time campeão mundial da Ponte Preta, que em 1993 venceu o Primizie Parma (ITA), por 102 a 86, tinha Paula e Hortência juntas na quadra e o comando da esplêndida Maria Helena Cardoso.

caixa3Muita gente pode (e deve) se perguntar o porquê do Jogo das Estrelas não ter sido realizado antes (como eu mesmo o fiz neste espaço) mas sim agora – com a competição já terminada e sem a presença conjunta dos rapazes do NBB. A resposta é uma só: verba. Verba e obrigação contratual (do acordo com a Caixa Econômica Federal). Antes não havia (grana). Agora que foi finalizado o acordo com o banco estatal, há – e é preciso fazer a festa anual. Tão simples quanto isso.

mariahelenaAgora é aguardar as cenas dos próximos capítulos. E falo isso porque além do Jogo das Estrelas haverá dois amistosos da seleção feminina adulta contra Cuba na mesma cidade (em 14 e 15 de maio) e que a preparação da equipe também acontecerá em Campinas entre 2 e 17 de maio.

Tentando ligar um pouco os pontos: como a tendência da LBF (assim como a do NBB) é crescer com a chegada do investimento da Caixa (e dos demais patrocinadores que por lá estão), talvez esteja pintando uma nova equipe aí – em Campinas, polo tradicional da modalidade. Quem sabe (sonho meu) até com Maria Helena Cardoso (foto), técnica histórica deste esporte, auxiliando em algo neste novo projeto.

Vamos aguardar – primeiro a festa e depois o desenvolvimento da modalidade (tão necessário, tão urgente, tão sonhado e tão cobrado neste espaço).


Sampaio Corrêa, Iziane, Lisdeivi e a força do basquete no Nordeste
Comentários Comente

Fábio Balassiano

sampaio3

sampaio1Talvez devesse fazer uma análise tática / técnica do jogo 4 da final da LBF de ontem à noite. Mas não é necessário quando você olha o placar de 78-50 a favor do Sampaio Corrêa contra o Corinthians / Americana, né? Com o triunfo, o time de São Luis fechou o confronto em 3-1, sagrou-se campeão pela primeira vez da LBF e levou à loucura as 7 mil pessoas que lotaram o ginásio Castelinho (que festa linda!).

Antes de seguir, alguns detalhes:

sampaio2a) Americana só teve chance quando o Sampaio Correa jogou mal. Quando o Sampaio Corrêa subiu o nível, Americana não alcançou. No ataque, o Sampaio envolveu TODAS as atletas e mesmo com as ótimas Iziane e Wheeler mostrou jogo coletivo, ficando difícil para as rivais marcarem. Na defesa, sufocou as adversárias desde o princípio da série, tornando as ações ofensivas muito complicadas para o time de Antonio Carlos Vendramini, treinador que não fez nenhum ajuste durante a série inteira (não consegui compreender o motivo).

lbf5b) Saldo nas vitórias do Sampaio: Jogo 1 -> +23; Jogo 2 -> +17; Jogo 4 -> +28. Média -> +23

c) Americana: 4 jogos nas finais, 16 quartos de 10 minutos jogados e apenas DOIS períodos com o time fazendo 17+ pontos. MUITO pouco, né?

d) Feitos alcançados pelo Sampaio com o caneco: Lisdeivi tornou-se a primeira técnica estrangeira campeã nacional no feminino, foi o primeiro Título Nacional pro Estado do Maranhão e foi o primeiro título de Iziane como protagonista (havia ganho em 2008, foi até cestinha daquele Nacional da CBB, mas nas finais não foi tão decisiva devido à lesão que tinha na clavícula).

Agora, bem, dá pra falar um pouco de alguns personagens desta campanha:

izi21) Iziane, claro. É preciso falar da ala de 33 anos que enfim conseguiu dar a sua cidade-natal o tão sonhado título nacional. Iziane, desde sempre, joga muita bola. Desde sempre também foi atrevida – e seu atrevimento nem sempre encontrou “eco” entre os que a dirigiram. Com personalidade forte, ela amadureceu e encontrou na técnica Lisdeivi alguém com estofo e coragem necessárias não para bater de frente com ela, mas sim para ensiná-la uma nova forma de jogar basquete. Não fazendo menos ponto, mas sim sendo mais líder e participativa em quadra. Sua capacidade técnica é indiscutível, invejável e capaz de colocá-la entre as melhores do país. Quando ela une sua técnica, sua explosão (como ela está bem fisicamente, hein!) e sua força mental para o bem de sua equipe (e não para o seu único bem), o resultado é que seu time inteiro fica muito perigoso. Muito bom que ela amadureceu nesta temporada – e uma temporada de Olimpíada.

lis102) Conheço a treinadora cubana Lisdeivi há quase uma década. Craque como jogadora, ela tem trilhado um caminho interessante como técnica. Começou em Ourinhos, depois passou pelo Maranhão e agora está no Sampaio Corrêa. Sempre fez trabalhos consistentes, corretos, bem razoáveis. Nunca havia tido um time com calibre para ser campeão. Teve agora. E levou a equipe ao título. Venceu dois rivais fortíssimos (o América-PE indiscutivelmente o elenco mais forte da LBF), deu uma verdadeira aula de ajustes táticos na decisão (evitando os pontos do rival perto da cesta), conseguiu construir um senso cubanamente coletivo na equipe em um time cuja líder técnica era taxada como individualista. E isso não é pouco. Lis montou uma comissão técnica de primeiro nível (Virgil, seu assistente, e Vita, preparador físico, são fantásticos) e colhe os frutos em sua primeira conquista.

sampaio203) O que dizer da torcida do Sampaio? O que dizer de uma região que viu dois dos últimos quatro campeões nacionais femininos? O que dizer de um povo (o do Nordeste) que AMA o basquete feminino como se a modalidade ainda fosse a última joia da coroa (algo que não é faz tempo)? Se a Confederação Brasileira de Basketball fosse minimamente interessada em desenvolver a modalidade, começaria por lá uma urgente e necessária massificação do basquete feminino. Como não está, vamos ficar sonhando com isso. Ou, na realidade, torcendo para que a Liga Nacional ou a Liga de Basquete Feminino encontre mais e mais polos na mesma região (quem sabe Fortaleza, Rio Grande do Norte, Salvador, entre outros, também se animem) para integrar as próximas edições da LBF.

sampaio3Parabéns ao Corinthians / Americana, que chegou à final com inteira justiça. E muitos, mas muitos parabéns mesmo ao Sampaio Corrêa, às atletas e a sua fanática torcida.

O basquete feminino brasileiro precisa fazer com que o que aconteceu nesta terça-feira em São Luís (ginásio lotado, atmosfera incrível, bom jogo) seja mais regra do que exceção (como tem acontecido nos últimos anos). O pulso ainda pulsa. Não se sabe até quando e nem como. Mas ainda pulsa.


Sampaio Corrêa tem nova chance pra conquistar LBF em casa contra Americana
Comentários Comente

Fábio Balassiano

lbf8O Sampaio Corrêa tinha a faca, o queijo e seis mil pessoas lotando o Castelinho no domingo para ganhar a LBF diante do Corinthians / Americana. Após ter vencido os dois primeiros jogos na casa do adversário, as maranhenses precisavam apenas de mais um triunfo para conquistar o título inédito.

Do outro lado, porém, estava um valente time de Antonio Carlos Vendramini. Time que não mudou mudou a sua estratégia para marcar a norte-americana Wheeler e a ala Iziane, mas que viu as duas terem péssimo aproveitamento (5/25 e 4 desperdícios de bola). Assim a vitória por 60-52 veio, diminuindo o prejuízo e tornando o jogo de logo mais (19h30 no mesmo Castelinho e com transmissão do Sportv) pra lá de fundamental.

lbf10Sobre o jogo de domingo, vale fazer duas observações. A primeira, positiva: como está jogando a ala Damiris, de Americana. Ela teve 20 pontos e 9 rebotes, sendo esplêndida para seu time principalmente nos momentos críticos do último período. Em que pese as suas bolas longas não terem caído (0/5 de três), sua capacidade para dominar Karina Jacob e Nádia perto da cesta fez a diferença para a vitória.

lbf1O lado negativo fica para a qualidade técnica da peleja de domingo. O jogo foi MUITO sofrível, muito sofrível mesmo. Foram 6/33 de fora, 26 desperdícios de bola e menos de 40% de aproveitamento nas bolas de dois pontos. É clichê dizer isso, mas parecia que a bola queimava loucamente na mão de todas as meninas desde o minuto 1 até o minuto 40. Sei bem que o fato de ser um jogo de título / eliminação faz a diferença psicológica para as atletas, mas não é possível que uma decisão de torneio adulto profissional no Brasil tenha um nível tão baixo assim. As seis mil pessoas que lotaram o Castelinho e as que viram de casa mereciam um espetáculo muito menos errático.

lbf100O fato, agora, é que Americana entra com muita confiança para o jogo 4 desta noite. Não houve nenhum grande ajuste tático no jogo 3, mas isso não elimina o fato de Lisdeivi ter tido menos de 48h para desvendar o que aconteceu com as suas atletas – concentradas e disciplinadas jogando fora de casa e perdidas atuando diante de seus torcedores.

É com este enredo que teremos a partir das 19h30 o jogo 4 da decisão da LBF. Se o Sampaio vencer será o campeão. Se Americana ganhar, haverá jogo 5 no interior de São Paulo no sábado às 10h.


Sampaio Correa pode se tornar hoje 2º time do Nordeste campeão nacional
Comentários Comente

Fábio Balassiano

sampaio111Este domingo, 24 de abril, pode se tornar uma data histórica para o basquete do país. A partir das 14h30 se enfrentam, no ginásio Castelinho, em São Luis (Maranhão), Sampaio Correa e Corinthians / Americana (Sportv exibe).

Com 2-0 na série, o Sampaio precisa de apenas mais uma vitória para se tornar o segundo time do Nordeste a conquistar um título adulto em âmbito nacional no basquete brasileiro. Até o momento, apenas o Sport-PE, na temporada 2012/2013 da LBF, conseguiu o feito. No ano passado o Basquete Cearense conseguiu o feito, mas foi na Liga de Desenvolvimento (Sub-22).

sampaio1.1jpgAlém disso há dois fatos interessantes: o primeiro, já dito pelo blogueiro, vem do fato de Lisdeivi poder se tornar a primeira técnica estrangeira a obter um título em âmbito nacional. No feminino nunca houve. No masculino, Flor Melendez, com o Corinhtians em 1996, é até então o único gringo a levantar um caneco por aqui. A cubana Lis, aliás, merece elogios seguidos por conseguir fazer seu time jogar de maneira coletiva, com uma defesa fortíssima e conseguindo colocar os nervos da experiente Iziane no lugar.

izi1Outro ponto interessante é que Iziane pode, enfim, trazer para a sua cidade natal o tão sonhado título nacional que prometeu desde que voltou ao Brasil. A ala, aliás, só tem um Nacional em seu currículo (2007/2008 por Ourinhos), e naquela final atuou muito pouco contra Catanduva (no jogo 5, inclusive, esteve em quadra por menos de 12 minutos). Talentosa, ela, que passou quase uma década jogando na Europa antes de regressar ao Brasil em 2012, poderá conquistar o primeiro título nacional de sua carreira como grande protagonista.

sampaio3Até o momento o domínio na final é totalmente do Sampaio Correa, que não tem dado a menor chance ao Corinthians / Americana. Para o time de Lisdeivi, é continuar anulando o jogo forte de garrafão do rival e, no ataque, seguir explorando as infiltrações da norte-americana Wheeler e de Iziane. Para a equipe de Americana, só há uma chance: concentrar esforços nas duas atletas citadas (Wheeler e Iziane), dobrar a marcação nelas (nem que isso implique em ter alguma jogadora do Sampaio livre em alguns momentos) e diminuir o ritmo, evitando desperdícios de bola e pontos do rival em contra-ataque.

Pelo que se viu na série até agora, o Sampaio tem todas as chances do mundo de conquistar o primeiro título de uma equipe do Nordeste diante do seu torcedor.


Não tentar, o erro de Americana, que perde do Sampaio por 2-0 na final
Comentários Comente

Fábio Balassiano

sampaio4Ontem cedo escrevi aqui que Corinthians / Americana deveria mudar a marcação em Wheeler, armadora do Sampaio Corrêa, pra ter alguma chance no jogo 2 da final da LBF. Vocês lembram, né? Falei inclusive de uma tentativa de colocar Gilmara (alta, atlética e razoavelmente rápida para uma atleta de sua posição – pivô) em cima da armadora Wheeler (foto à direita), que é quem começava, pensava, armava, comandava, dava todas as direções da equipe muito bem treinada pela cubana Lisdeivi. Foi uma ideia de fazer algo diferente, algo que não constava no arsenal estudado por Lisdeivi, técnica maranhense.

sampaio111Aí o que vimos na terça-feira no Centro Cívico? Americana repetiu o expediente do jogo 1. Exatamente igual. Tudo, tudo mesmo. Marcação muito ruim, Wheeler bailando solta, Iziane imarcável (32 pontos em 12/20 nos arremessos, 7 rebotes e 3 assistências), nenhuma dobra ou troca para coibir suas investidas. E vocês sabem como é: quando a marcação não funciona, o ataque acelera tentando compensar e invariavelmente faz besteira. O Sampaio não se conteve apenas em atacar com inteligência. Sobrando no setor ofensivo, ainda triturou as rivais “exigindo” que elas chutassem de longe (afastadas do jogo de garrafão que sempre fez muito bem a Gilmara, por exemplo). Os 14 desperdícios de bola e os 31% nas bolas de dois pontos de Americana falam por si.

sampaio3Resultado do jogo: 83-66 pro Sampaio, 2-0 na série final da LBF e o time do Maranhão a uma vitória do título inédito com dois jogos em casa por fazer. A vantagem passou dos 30 pontos, só sendo reduzida ali nos 4 últimos do período derradeiro graças a uma Damiris inspirada (28 pontos e 11 rebotes).

Sobre Iziane, aqui cabe uma palavra carinhosa de novo a ela (vou repetir o mantra do jornalismo: quando precisa, elogia-se; quando se deve criticar, critica-se), que acabou com o jogo atuando com uma intensidade absurda (como é bom vê-la jogar desta maneira, hein!), mas elogios sobretudo devem ir na direção sobretudo da sua técnica, Lisdeivi, que comanda a comissão do Sampaio (de longe consegui ver Vita, preparador físico, e Virgil Lopez – os dois que eram de Americana inclusive). Lis consegue fazer Iziane marcar, passar a bola e jogar coletivamente. Sempre insisti: problema de Iziane nunca foi “só” ela (embora a própria atleta saiba que precisava amadurecer, tornar-se uma líder mais efetiva), mas sim ter técnico que conseguisse passar os conceitos e que ela “comprasse” o barulho. A maturidade ajuda, claro, mas Lisdeivi conseguiu isso.

vendra1Então ficamos assim. Americana não tentou absolutamente nada de diferente para conter Wheeler ou Iziane. Isso pra mim é muito inadmissível. Pior do que perder foi ter perdido sem tentar nada de diferente.

Em playoff se vence com: 1- Defesa; 2- Ajustes táticos; e 3- Disciplina pra seguir 2 e 3. Sampaio pratica os 3. Americana, nenhum dos 3. Michael Jordan uma vez disse: “Eu não admito não tentar”. Pois é.