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Mau momento dos brasileiros na NBA: Splitter e Huertas trocados, e Varejão sem time
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Fábio Balassiano

Terminou ontem à tarde a janela de transferências da NBA. Como quase sempre, cercada de muita expectativa, mas com apenas uma troca arrasa-quarteirão (a que levou DeMarcus Cousins para o New Orleans Pelicans). De resto, muitos rumores, jogadores medianos trocando de time e… os brasileiros não se dando nada, nada bem.

O Atlanta Hawks trocou Tiago Splitter para o Philadelphia 76ers para ter o turco Ersan Ilyasova e uma escolha de segunda rodada de Draft. Sem jogar desde janeiro de 2016 devido a uma grave lesão no quadril, o pivô espera recuperar a forma e mostrar que merece novo contrato pra próxima temporada (seu atual contrato termina ao final deste campeonato). Tal quando acontecia na Geórgia, onde jogava para o técnico Mike Budenholzer, ex-assistente no San Antonio Spurs, antigo time de Tiago, o mesmo ocorrerá agora na Filadélfia, onde o atual técnico Brett Brown foi, antes, auxiliar de Gregg Popovich no Texas, tendo conhecido o brasileiro por lá.

Aparentemente, portanto, não seria uma ideia ruim jogar no 76ers como reserva e tutor do carismático Joel Embiid, mas a verdade é que as coisas não são bem assim, não. Ontem mesmo a franquia da Pensilvânia conseguiu o também pivô Andrew Bogut em uma negociação, e agora seu elenco terá, além de Embiid e Tiago, Bogut e o jovem Jahili Okafor, que ficou na equipe apesar das especulações. Ninguém sabe ao certo o que irá acontecer, mas ter tempo de quadra no garrafão não será das coisas mais fáceis do mundo até o final da fase regular da NBA, não. Rumores davam conta que Bogut ou Tiago poderiam ser dispensados pelos Sixers, mas até o momento não há confirmação disso.

Outro que não se deu bem foi o armador Marcelinho Huertas. Pouquíssimo aproveitado pelo Los Angeles Lakers (apenas 23 jogos e 10 minutos por jogo de média), ele foi trocado para o Houston Rockets na segunda movimentação do novo presidente Magic Johnson. Pouco depois de anunciar a negociação, o jornalista Adrian Adrian Wojnarowski, do The Vertical, divulgou em seu Twitter que os Rockets dispensarão o brasileiro nesta sexta-feira. A franquia, porém, até o momento não fala na rescisão de contrato.

De todo modo, mesmo que fique em Houston o tempo de quadra de Marcelinho tende a continuar bastante reduzido, já que a armação texana é conduzida simplesmente por James Harden, o barba candidato a MVP, Patrick Beverley, excepcional defensor, e agora pelo reserva recém-chegado Lou Williams (também ex-Lakers). Se estava difícil atuar pelo time angelino, um dos piores da NBA na atual temporada, continuará complicado no Rockets, candidato ao título do Oeste. Caso permaneça no elenco, Huertas poderá sentir o gostinho de jogar um playoff do melhor basquete do mundo, já que o Houston se classificará para o mata-mata.

E não é só. Pivô reserva do Chicago Bulls, Cristiano Felício viu a franquia se movimentar. Trocou o ala Taj Gibson e o arremessador Doug McDermott para o Oklahoma City Thunder por Cameron Payne, Joffrey Lauvergne e Anthony Morrow. Dos que chegam, o que incomoda o brasileiro é Lauvergne, pivô bem razoável, com boa defesa e ótimo potencial físico. Não sei até que ponto isso atrapalha Felício em sua escalada para conseguir mais tempo de quadra ainda nesta segunda metade da temporada porque aparentemente o técnico Fred Hoiberg gosta e confia muito nele (tem 15,7 minutos/jogo no momento), mas a chegada do francês adiciona mais um concorrente entre os pivôs do Bulls.

Some-se a isso o fato de Anderson Varejão, dispensado do Golden State Warriors há cerca de 20 dias, estar ainda sem time. Conversei com algumas pessoas, e todos esperavam que o pivô tivesse propostas, convites, mas até agora nada. Há um risco grande de Varejão, um dos jogadores mais carismáticos da NBA nos últimos anos, terminar essa temporada sem time, o que seria lastimável para ele no presente e também para suas pretensões futuras na liga, já que será agente-livre ao final do campeonato.

Atualmente, apenas Nenê (Houston Rockets), Lucas Bebê (Toronto Raptors), Cristiano Felício (Chicago Bulls) e Leandrinho (Phoenix Suns) jogam com constância e com boas performances (análise completa aqui). Tiago Splitter, Marcelinho Huertas e Anderson Varejão, entre os principais nomes desta geração do basquete nacional, encontram-se em situação não muito confortável. Digamos que já foi melhor o momento dos brasileiros na NBA.


O janeiro de 2017 dos brasileiros na NBA – Como eles foram?
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Fábio Balassiano

Desde o início da temporada 2016/2017 estou colocando no blog o desempenho dos brasileiros na NBA. Os números, uma leve pincelada, os destaques, essas coisas. Vamos lá ao primeiro mês de 2017?

RELEMBRANDO NOVEMBRO/2016 & RELEMBRANDO DEZEMBRO/2016

O JANEIRO DE 2017 DOS BRASILEIROS

Janeiro

ACUMULADO DA TEMPORADA 2016/2017

Acumulado

a) Anderson Varejão -> Acho quase irrelevante falar do mês de janeiro de Anderson Varejão sabendo que no começo deste fevereiro o pivô foi dispensado do Golden State Warriors, né? Não dá pra dizer que é surpresa, porque o seu desempenho de fato não foi bom com a franquia de Oakland, mas é triste do mesmo jeito. Agora fica a pergunta: ele conseguirá outro time na NBA? Ou sua história na melhor liga de basquete do mundo terminou? Vamos esperar um pouco!

caboclo1b) Bruno Caboclo -> Caboclo praticamente não jogou na NBA, mas voltou a disputar muitos jogos na D-League pelo Toronto 905, onde é treinado por Jerry Stackhouse, um ótimo ala na NBA na década de 90. Foram 9 partidas pela filial do Raptors com 10,1 pontos de média, sendo em três oportunidades com o ala alcançando 14+ pontos e 7+ rebotes. Ainda é muito cedo pra projetar qualquer coisa sobre o jogador que completará 22 anos apenas em setembro de 2017. Bruno está sendo preparado pela franquia, que tem muita paciência com ele. Não é certeza que irá vingar, mas é um trabalho de longo prazo e convém esperar no mínimo até 2017/2018. Este é mais um ano de aprendizado para ele no Canadá.

felicio1c) Cristiano Felício -> Mais um mês de evolução para Felício no Bulls. É realmente o pivô reserva na caótica rotação do técnico Fred Hoiberg e tem uma qualidade que o seu titular, Robin Lopez, não possui – ele tem arremesso de média e longa distância, conseguindo espaçar muito bem a quadra e permitindo situações de infiltração de seus companheiros como Lopez não consegue fazer. Em janeiro, em três oportunidades, Felício passou dos 10 pontos e em duas conseguiu duplo-duplo (11+11 contra o Thunder e 12+10 contra o Magic. Em 7 jogos passou dos 20 minutos em quadra. Aos 24 anos e em seu último ano de contrato, o pivô vai mostrando que, sim, merece estar na liga. Ótimas chances de ele conseguir um novo, e gordo, contrato na próxima temporada.

d) Leandrinho -> O ano de Leandrinho começou com uma partida de 10 pontos em 13 minutos contra o Miami em casa. Poderia-se esperar que fosse dali pra melhor, mas não foi além, não. Ele mais uma vez jogou pouco, e apenas em 26 de janeiro, com 9 pontos em 16 minutos contra o Denver, teve algum destaque. Como Eric Bledsoe e Devin Booker, armadores titulares, têm ido muitíssimo bem, fica cada vez mais restrita a presença do brasileiro em quadra por muitos minutos.

lucas1e) Lucas Bebê -> Janeiro só não foi melhor para Lucas porque no jogo contra o Nets, no Brooklyn, em 17 de janeiro, ele teve uma concussão na cabeça. Estava sendo titular junto com Jonas Valanciunas, mas perdeu os dois jogos seguintes, fazendo com que sua performance não fosse ainda melhor (Patrick Patterson voltou para a posição quatro, e o brasileiro para o banco de reservas, de onde sai para ser o cadeado defensivo da segunda unidade). Bebê se firmou como pivô reserva e faz parte, de forma firme e consistente, da rotação do Toronto Raptors. Teve 13 pontos contra o Phoenix, 10 contra o Nets, 9 contra o Bucks e dois jogos com 4 tocos. Ah, e o cara agora está arriscando bolas de fora. Contra o Suns e Nets ele converteu duas.

f) Marcelinho Huertas -> Seis jogos, sempre com eles decididos e nada de relevante para Huertas em janeiro na NBA. É uma pena, torna-se repetitivo dizer isso aqui, mas a realidade é que já passou da hora de ele procurar novos ares. Ali, pelo visto, não vai acontecer nada pra ele mesmo. E digo isso com a certeza de que em alguma franquia com espaço para ele Huertas tem tudo para mostrar seu talento. O cara é muito, muito bom.

nene1g) Nenê -> Mês incrível para Nenê na NBA. Aproveitou cada segundo que esteve na quadra, teve atuações sensacionais como a contra o Sixers (21 pontos e 6 rebotes em 27 minutos) e contra o Bucks (17 pontos e 8 rebotes) e mostrou porque está há 14 temporadas no mercado de basquete mais difícil do mundo. Aos 34 anos, ele é uma peça pra lá de importante na rotação de Mike D’Antoni no Houston Rockets. Contra o Minnesota, em 11 de janeiro, ele inclusive matou uma bola de três pontos. Diante do Oklahoma, lá no começo de 2017, lances-livres fatais contra o OKC. Bem legal, Nenê! Arrebentou!

h) Raulzinho -> Outro que está em situação difícil na NBA. Passou pela D-League, quando esteve em quadra não foi muito bem e vê a concorrência (Shelvin Mack, Dante Exum e Alec Burk) comendo todo o tempo de quadra na armação que conta com o titular George Hill (este muitíssimo bem aliás). O mais complicado para Raulzinho deve ser segurar a ansiedade por querer mostrar serviço em pouco tempo de quadra sem parecer individualista. Torçamos para que ele ou encontre espaço em Utah ou que outra franquia aposte suas fichas no garoto de 24 anos.

i) Tiago Splitter -> Splitter ainda não estreou na NBA ainda. Deve retornar agora em fevereiro, depois do All-Star Game. Já faz trabalhos na quadra e treina normalmente com o seu time.

E você, o que achou do mês de janeiro dos brasileiros? Comente aí você também!


Projetando a temporada dos Brasileiros na NBA – comente você também!
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Fábio Balassiano

Rockets1Você já leu aqui a previsão para a temporada da NBA que começou ontem, né? Então vamos lá analisar todos os brasileiros que farão parte do campeonato.

Nenê -> Contratado pelo Houston Rockets, o brasileiro há mais tempo na NBA (o tempo passa rápido e pouca gente nota que ele está no melhor basquete do mundo desde 2002/2003) terá boa minutagem no time texano. Disputará tempo de quadra com o razoável Clint Capela com a vantagem de ter armas que melhor se adequam ao estilo de jogo de Mike D’Antoni, novo treinador da franquia. O camisa 42 passa melhor que Capela, o que é fundamental para um time que acelera o jogo até dizer chega, e apesar dos 34 anos ainda consegue fazer bloqueios e partir em direção a cesta para pontuar. Se pode lhe faltar o vigor físico devido a idade, sobra experiência para um elenco que está tentando encontrar a sua identidade. Gosto das possibilidades dele, que está totalmente recuperado da fascite plantar e que fez excelente Olimpíada.

Podcast BNC sobre o começo da temporada

barbosa1Leandrinho -> É óbvio que para Leandrinho o melhor que poderia ter acontecido em termos profissionais era mesmo ficar no Golden State. Mas a franquia de Oakland optou por seguir em outra direção e coube ao brasileiro saciar o seu lado, digamos, emocional. Ele vai para a sua terceira passagem em uma franquia que o venera, cujos torcedores o amam e conhecendo perfeitamente o ambiente. O agora camisa 19 vem, porém, com uma missão bem diferente das que anteriormente cumpriu no Arizona. Agora Leandrinho entra para ensinar ao jovem Devin Booker (19 anos) os atalhos da liga e para ser uma espécie de mentor do garoto. É natural, acontece com todos os atletas da liga e é uma função pra lá de respeitável. Se não chegará longe, como ocorreu ou ocorreria com os Warriors, que Leandrinho aproveite o momento para passar a sua experiência para Booker e para sentir o carinho dos fãs de Phoenix.

tiago1Tiago Splitter -> Não será um ano fácil para Tiago Splitter. Em primeiro lugar porque ele será reserva do principal reforço do Hawks para a temporada. Dwight Howard chegou e ele sabe que o camisa 12 “comerá” no mínimo 30 minutos/jogo. Depois porque ele vem de uma lesão séria no quadril – e a gente sabe que retornar de uma cirurgia nem sempre é fácil. Isso tudo em último ano de contrato. Ou seja: em um cenário não tão fácil o pivô precisará mostrar que está recuperado e que tem basquete (e eu acredito que tenha sobrando…) para permanecer na liga por mais e mais tempo. A vantagem disso tudo é que a cabeça de Tiago é muito boa e sua força mental será sem dúvida importante para superar este difícil recomeço.

O palpitão do blog para a temporada 2016/2017

felicio1Cristiano Felício -> Se tem alguém entre os brasileiros que pode surpreender nesta temporada, este alguém é Cristiano Felício. O pivô começará como reserva de Robin Lopez, mas quem acompanha o ex-jogador do Knicks sabe que ele está longe de ser confiável. Felício, então, poderá comer pelas beiradas e ganhar espaço da mesma maneira que já fez no campeonato passado – defendendo muito bem, saindo ferozmente dos picks para enterrar a bola na cesta e convertendo arremessos de média distância. Jogar com Dwyane Wade, pelo lado da experiência, e Rajon Rondo, armador que não tem muito arremesso e que por isso procura demais a seus companheiros para que estes finalizem, também será muito bom para o brasileiro. Que Felício mantenha a cabeça no lugar, porque as oportunidades de mostrar talento irão aparecer.

andy1Anderson Varejão -> Chegou enfim a hora de Anderson Varejão se sagrar campeão da NBA? Ele chegou perto duas vezes nas finais passadas (com o Cavs contra o Warriors e com o Warriors diante do Cavs), mas bateu na trave. Para sua sorte ele permaneceu no Golden State mesmo que seu rendimento não tenha sido tão brilhante assim no certame passado. Aparentemente, porém, a franquia confia nele para fazer o trabalho sujo na defesa e por ser uma ótima influência no vestiário. Em um elenco que pode, sim, ter problemas com os egos de Steph Curry, Klay Thompson e Kevin Durant (não acredito que isso ocorra, mas que é possível, é), uma figura carismática, experiente e tranquila como Anderson Varejão é uma grande vantagem. Que ele se mantenha saudável para tentar concretizar um de seus grandes sonhos – ganhar o anel de campeão da liga.

raul2Raulzinho -> Não será um ano fácil para Raulzinho, não. Se o começo de sua temporada de estreia no Utah foi animador, do meio para o final do campeonato passado não foi bem assim. Shelvin Mack chegou e seu tempo de quadra reduziu. Para 2016/2017, cenário ainda pior. George Hill chegou, Dante Exum se recuperou de lesão no joelho e Mack ficou. Se estava difícil arrumar minutos em Salt Lake City em 2016, o que dizer do atual panorama? Não consigo projetar o ano de Raulzinho justamente porque não se tem ideia, ainda, de quantos minutos ele terá por jogo, quais serão as suas reais funções e como serão os desempenhos dos dois que Quin Snyder, o treinador, mais confia para este início (Hill e Exum).

huertas9Marcelinho Huertas -> O titular da posição 1 do Lakers chama-se D’Angelo Russell. Não por esta temporada, mas aparentemente por muitos e muitos anos. D-Lo, como é conhecido, tem tudo para ser a cara da franquia e um dos melhores da liga em pouco tempo. Fiz essa introdução para explicar em que cenário se encontra Marcelinho Huertas, que disputará os minutos restantes de Russell com outro armador experiente (José Calderon). Pelo que vi na pré-temporada o brasileiro conta com a simpatia de Luke Walton, o técnico, e tem ótimo relacionamento com alguns dos caras que sairão do banco de reservas com ele (Larry Nance Jr. principalmente). Ele continuará jogando pouco e precisará mais uma vez se acostumar com isso. Não é nenhum problema ser reserva do Lakers, mas eu sinceramente acho que Huertas tem mais basquete do que o que será visto em Los Angeles em poucos minutos por noite.

cabocloBruno Caboclo -> Não é animador o panorama para Bruno Caboclo mais uma vez. O Toronto segue fortíssimo no Leste, não há a menor chance de entrar em reconstrução e com os contratos longos de DeMar DeRozan e DeMarre Carroll os minutos nas posições 2 e 3 ficam muito restritos no Raptors. Para piorar, o camisa 20 não foi muito bem na pré-temporada, quando o tempo de quadra dos titulares mais experientes é reduzido e os jogadores que precisam de espaço normalmente tentam mostrar algo. Caboclo continua baseando seu ataque apenas em bolas de fora e na defesa segue com dificuldade de leitura de jogo – potencializada por uma natural barreira de linguagem entre ele e os atletas. Seu contrato vence apenas ao final do campeonato de 2017/2018, mas é bom ele começar a mostrar à franquia o motivo pelo qual ele foi escolhido anos atrás no Draft.

bebeLucas Bebê -> Outro que não tem situação confortável no Toronto. Bebê foi bem em alguns momentos na temporada passada, esperava ter mais chances quando o congolês Bismack Biyombo assinou com o Orlando Magic, mas a franquia optou por trazer outro pivô no Draft. O austríaco Jakob Poeltl vem da Universidade de Utah, tem 21 anos, 2,13m e jogou bem e bons minutos na pré-temporada torontina. Todo mundo sabe que o dono da posição cinco dos Raptors é Jonas Valanciunas. Ficará entre o brasileiro e Poeltl a disputa pelos minutos restantes do lituano. Se Lucas Bebê ganhar esse confronto interno pode se dar muito bem e se estabilizar como reserva de Valanciunas e peça importante na rotação de Dwane Casey.

O que você acha? Concorda comigo? Comente você também!


As boas águas de março para Marcelinho Huertas no Lakers
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Fábio Balassiano

Começou assim o mês de março de Marcelinho Huertas no Los Angeles Lakers:
huertas1

huertas4É óbvio que a atuação de ontem chamou mais atenção. Foi contra o atual campeão, contra o melhor e mais badalado elenco da atual temporada, com Steph Curry do outro lado, em uma partida de TV aberta nos Estados Unidos (e o Sportv exibindo aqui) e uma oportunidade monstruosa de mostrar trabalho.

Seus números foram ótimos, obviamente, e sua liderança, elogiada pelo técnico Byron Scott: “Ele foi o nosso MVP neste domingo. Marcou pontos quando precisávamos, coordenou as ações ofensivas, ajudou no posicionamento do ataque e encontrou seus companheiros livres para arremessos. Não podemos pedir mais nada em relação a ele”, afirmou em entrevista coletiva.

huertas7É claro que está sendo apenas um começo de mês muito bom em uma temporada pra lá de difícil (em 64 jogos, Huertas só atuou em 34 – e com média de 12 minutos/jogo), mas ao menos cria um alento do que pode ser a próxima temporada (no Lakers ou não) e coloca um pouco de lado as bobagens que estavam sendo proferidas contra um dos melhores armadores que a Europa viu nos últimos anos (e ele jogou no poderoso Barcelona, não em um time de quinta categoria em uma liga pequena, não custa lembrar).

huertas2A principal crítica que se faz sobre Huertas é no setor defensivo de seu jogo. E isso me irrita um pouco. Primeiro porque ele não saiu do Velho Mundo para a NBA por ser um grande marcador. Se alguém esperava isso dele, esperava errado. Em segundo lugar, porque se é verdade que ele não é um professor de defesa (e não é mesmo), também é importante dizer que TODA marcação angelina no perímetro é ruim – com ou sem o brasileiro por lá. Lou Williams, Jordan Clarkson, D’Angelo Russell, Kobe Bryant e Nick Young fazem papel muito abaixo da crítica neste sentido. Em terceiro lugar, o basquete não pode ser dividido, fatiado. Você avalia se um atleta é bom pelo que ele produz dos dois lados da quadra, tira a média e pronto. Se o camisa 9 angelino marca não tão legal, que tal olhar quão brilhante ele pode ser do outro lado da quadra? Será que não compensa deixá-lo mais em quadra? Pelos últimos jogos, a resposta é um sonoro ‘sim’.

huertas9Por fim, parece meio claro, mas acho que vale dizer: você não traz Marcelinho Huertas para seu elenco pelo que ele não tem. Você o contrata, como o Los Angeles Lakers fez, pensando no que de bom ele pode trazer para a mesa. Neste mês de março talvez esteja mais claro na Califórnia o que ele tem a acrescentar em um elenco pra lá de jovem e que precisa de alguém com quilometragem na armação. Por mais que seja o seu primeiro ano na NBA, ele não é um calouro na armação de um time profissional de alto nível. É bem diferente isso.

Com Huertas (e seus maravilhosos passes) em quadra os angelinos parecem mais bem posicionados (ou inteligentes), mais sabedores do que devem fazer e menos “loucos” com a bola (em que pese uma necessidade normal de saber o momento de acelerar ou não as jogadas). Com o camisa 9 também é possível fazer uma dupla armação entre ele e D’Angelo Russell, liberando o camisa 1 da condução da bola e de chamar as jogadas, e uma formação baixinha com ele, Russell e Clarskon também (não me agrada muito, mas pode funcionar em alguns momentos).

NBA: Los Angeles Lakers at Utah JazzHuertas tem 32 anos e não precisa de um texto que explique quão bom ele pode ser em uma quadra de basquete. Seu talento, seu currículo na Europa e na seleção brasileira, sua vontade de evoluir ano após ano e o respeito que ele sempre teve de técnicos e companheiros falam por si só – e há muito tempo. Dá, por tudo o que a gente conhece dele, pra ficar triste pelo tempo que ele e o Lakers, com Byron Scott sendo bastante teimoso e punindo o brasileiro por algo que não é só ele que não tem neste elenco (uma defesa soberba no perímetro), perderam nessa chance de se conhecerem melhor, digamos assim.

huertas110Ao mesmo tempo, todos sabiam que essa temporada angelina seria de ajustes e de aprendizado (Kobe Bryant se aposentando, muita gente nova ao mesmo tempo, a necessidade urgente de buscar um pick alto no próximo Draft – e perder faz parte disso – e a ausência de alguém para assumir as partidas quando Kobe está fora). No final das contas, Marcelinho Huertas tem ainda 18 jogos para mostrar que ele pertence, sim, a melhor liga de basquete do mundo visando os próximos anos e para chegar ainda mais preparado para a Olimpíada do Rio.

Se até o começo de março o viés era negativo e de preocupação com o armador da seleção nacional nos últimos 10 anos, agora a esperança tem vez. As águas de março têm sido muito boas para Huertas. Que ele continue assim.


O que esperar dos brasileiros na temporada 2015/2016 da NBA?
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Fábio Balassiano

Nos últimos dias falei sobre alguns dos times que deverão se destacar na temporada 2015/2016 da NBA (faltou o Memphis, na verdade, mas o Grizz estará aqui ainda esta semana, prometo). Agora é a hora de fazer um pequeno “esquenta” sobre os nove brasileiros que entrarão em quadra a partir de amanhã. Preparados? Vamos lá!

huertas3MARCELINHO HUERTAS (LAKERS) – Marcelinho Huertas demorou para assinar com a NBA, chegou ao Lakers e não entrou em quadra de cara na pré-temporada e deixou todo mundo preocupado porque seu contrato é não garantido. Foi só ele pisar na quadra que o “humor” mudou. Chamado de “Steve Nash brasileiro”, ele encantou a todos com seus passes incríveis e com sua rápida adaptação ao jogo e aos companheiros angelinos. Chamado de “mágico” por Nick Young (que vai ficar realmente feliz com os passes de Huertas), Huertas tem tudo não para ficar no elenco de Byron Scott até o final do campeonato, mas para fazer parte efetiva da rotação do Lakers neste certame. Como os garotos D’Angelo Russell e Jordan Clarkson poderão sentir a pressão em algum momento, é bem capaz de Scott confiar a armação em alguém mais experiente e que até agora não sentiu nenhum peso em estar na NBA. Resta saber como a parte física de Huertas reagirá ao cavalar calendário de 82 jogos da liga norte-americana. Da parte técnica, como venho falando há tempos, não dá pra falar nada – ele sabe jogar e com confiança quem sabe jogar atua em qualquer lugar.

nene1NENÊ (WIZARDS) – O ala-pivô do Washington Wizards, o brasileiro há mais tempo na NBA (está indo para a sua décima-quarta temporada, algo espetacular!), vai para o ano final de seu contrato com o Washington em uma situação não muito agradável. Seu tempo de quadra em 2014/2015 (25,2 minutos) foi o menor desde 2004/2005 (contando apenas os certames em que ele esteve em quadra – sem lesões graves) e a franquia acenou com a ideia de jogar com o famoso “quatro abertos”, ficando apenas com um pivô fixo (Gooden, Gortat, Humphries ou ele). Isso já seria preocupante. Mas tem mais. Com inúmeros problemas físicos, Nenê quase não foi visto em quadra na pré-temporada. Quando o campeonato começar, muita gente diz que ele tampouco será titular. Aos 33 anos e ganhando US$ 13 milhões (segundo maior salário da equipe), será necessário que o talentoso e dedicado camisa 42 encontre rápido a melhor forma para mostrar que pode, sim, receber boa proposta do time da capital norte-americana ao final da temporada.

tiago1TIAGO SPLITTER (HAWKS) – Tiago Splitter terá vida nova em Atlanta, disso não se tem dúvida. Trocado pelo San Antonio Spurs, ele reencontrará Mike Budenholzer (seu assistente no Texas) e deve começar o campeonato como reserva principal da dupla Paul Millsap e Al Horford no garrafão. Aos poucos, porém, é bem provável que Tiago ganhe minutos e a confiança para jogar até mais “solto” do que quando atuava para Gregg Popovich (e tinha limitadas ações ofensivas para executar) sem que isso necesariamente signifique que ele será titular (acho pouquíssimo provável). Será um ano de ajuste (nova cidade, novo time, novas funções, novos companheiros, nova conferência…), sem dúvida alguma, mas o cenário pós-troca lhe foi muito favorável (ele poderia ter “caído” em um time bem ruim…). Certamente ele estará na pós-temporada e terá bom tempo de quadra.

varejaoANDERSON VAREJÃO (CAVS) – O capixaba tem uma única meta (individual) para esta temporada: manter-se longe das lesões durante toda temporada. Pelos mais variados motivos tem sido assim nos últimos anos com o camisa 17. E sabemos quão importante, na quadra, ele é para o Cleveland. A boa notícia pra ele (e isso tira muito da pressão também) é que os Cavs, reconhecendo seu trabalho e sua importância dentro e fora da quadra para a franquia há 11 anos, renovaram seu contrato pelo menos até 2016/2017 (2017/2018 é opção da franquia). Para Varejão, que está no grande favorito para o título do Leste, ficar longe do departamento médico significa participar jogando de uma campanha que promete ser histórica para a turma de Ohio.

lb13LEANDRINHO (WARRIORS) – O atual campeão da NBA entra para a sua segunda temporada com o Golden State para repetir exatamente o que (muito bem) fez na temporada passada: descansar Steph Curry e Klay Thompson, manter a velocidade no ataque e passar um pouco de sua experiência aos mais jovens do elenco. É algo que Leandrinho conseguiu fazer no campeonato passado, quando conquistou o título com os Warriors, e que certamente continuará fazendo . Desta vez, ao lado de seu antigo fiel escudeiro em Phoenix – Steve Nash está em Oakland como “desenvolvedor de talentos” e para o brasileiro ter um cara como Nash, que tem um carinho todo especial por ele, é uma notícia pra lá de excelente. O GSW obviamente estará nos playoffs e o ala-armador seguirá com a sua importância (e provavelmente com o mesmo tempo de quadra de 2014/2015 – 15 minutos/jogo). Um detalhe interessante: será a primeira vez desde 2009/2010 que Leandrinho fará a pré-temporada inteira com o mesmo time do ano anterior. Para alguém que depende muito da velocidade, isso conta muito.

cabocloBRUNO CABOCLO (RAPTORS) – De número novo (o 5, utilizado por ele na temporada passada, a de estreia, estará com DeMarre Carroll, maior reforço do time), Caboclo começa o campeonato 2015/2015 com a expectativa não só de ser emprestado para a franquia canadense da D-League, mas também de ser aproveitado pelo técnico Dwane Casey no Raptors durante a temporada. Em cinco jogos da pré-temporada, o ala teve 12,4 minutos e bons momentos (como o toco no calouro Karl-Anthony Towns, do Minnesota), mas seus arremessos não caíram (26,7%) e sua insistência nas bolas longas (2/11) podem lhe custar a confiança de Casey e do restante da comissão técnica apesar da já anunciada renovação de seu contrato até o final da temporada 2016/2017. Quanto melhor aproveitar as chances que houver, mais minutos ele irá adicionar no percurso do campeonato de 2015/2016.

lucas2LUCAS BEBÊ (RAPTORS) – Eis uma situação preocupante. Lucas Bebê pouco foi aproveitado em sua temporada de estreia no Toronto e para este campeonato ganhou ainda mais concorrência – chegaram Luis Scola, Anthony Bennett e Bismack Biyombo para se juntar a Jonas Valanciunas (titular absoluto no pivô) e Patrick Patterson. Ou seja: se ganhar espaço na rotação era complicado em 2014/2015, para Bebê ficará ainda mais difícil em 2015/2016. Ele também teve seu contrato renovado com a franquia canadense até 2016/2017, mas não sei se isso é um ótimo sinal, não. É bem comum os times se garantirem com jogadores novos, mas não necessariamente isso garante aos atletas tempo de quadra e oportunidade no time principal. É bem provável que, tal qual Caboclo, o pivô brasileiro passe muito tempo na D-League. Torçamos para que, com a cabeça no lugar, ele ganhe confiança, evolua em seu jogo (principalmente na parte ofensiva), cresça fisicamente e mostre a equipe que ele pode, sim, fazer parte dos pensamentos de Dwane Casey.

felicioCRISTIANO FELÍCIO (BULLS) – Cristiano Felício será tema de um texto mais profundo aqui no blog mais tarde, mas desde já ele merece os parabéns. Saiu da reserva do Flamengo para fazer parte do elenco do Chicago Bulls que começará a temporada 2015/2016 da NBA. Foi muito bem na pré-temporada apesar do pouco tempo de quadra (menos de 10 minutos/jogo), ganhou elogios de toda comissão técnica do Bulls e fincou pé em um elenco fortíssimo e que conta com Pau Gasol, Joakim Noah e Taj Gibson como peças principais do garrafão. De todo modo, é um baita mérito para Cristiano se tornar o primeiro jogador brasileiro e vestir oficialmente a camisa do Chicago em um jogo de temporada regular da NBA. É muito difícil prever o que acontecerá daqui pra frente, pois (como disse acima) a concorrência é imensa no garrafão e de agora em diante o jogo é pra valer mesmo.

raulRAULZINHO (JAZZ) – Raulzinho começa a temporada de estreia na NBA com o Utah Jazz cercado de muita expectativa. Inicialmente contratado para ser o terceiro armador de uma franquia que sonha em dar o passo seguinte apesar do elenco muito jovem (leia-se chegar aos playoffs), o brasileiro acabou sendo “beneficiado” com a lesão no joelho de Dante Exum (o australiano rompeu os ligamentos em uma partida com a sua seleção – dá pra imaginar a “alegria” da equipe de Salt Lake City com isso…). Ganhou, de cara, a chance de ser o reserva de Trey Burke na pré-temporada. Mas não se contentou com isso e foi ganhando espaço jogo após jogo, terminando os amistosos como TITULAR do Jazz diante do Denver (1o pontos e 1 assistência contra o Denver) e deixando uma pulga atrás de todas as orelhas. Será que o técnico Quin Snyder confiará a armação de sua equipe para Raulzinho logo no começo de sua estrada na NBA? O técnico, aliás, tem elogiado bastante o brasileiro por sua mentalidade altruísta (pass-first), mas sabe lá como ele decidirá isso. Independente do começo, vale ficar de olho em Raulzinho, estreante no melhor basquete do mundo mas que conta com uma baita vantagem: ao contrário de muitos calouros que saem da universidade direto para o esporte profissional, ele já tem anos de experiência na Europa e também em competições com a seleção brasileira. Falando ótimo inglês e já atuando no basquete profissional há tempos, pode ser que a dificuldade na armação seja atenuada. Tempo de quadra já estamos vendo que ele terá. Agora é aguardar pelo seu desempenho – que foi bastante animador na pré-temporada.

E você, concorda comigo? O que você está esperando dos brasileiros?


Na possível despedida de Kobe Bryant, é possível ver os Lakers no playoff?
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Fábio Balassiano

kobe1Ao que tudo indica, a temporada que se inicia para o Los Angeles Lakers será mesmo a última de Kobe Bryant. O ala de 37 anos, que volta de duas lesões consecutivas (tendão e ombro), não admite, mas pessoas próximas falam que esta será a dança derradeira de um dos melhores de todos os tempos. A questão que fica é: conseguirá Kobe jogar o playoff em 2016?

O histórico não ajuda muito a responder isso. Os Lakers vêm de duas campanhas vexatórias (48 vitórias somadas e eliminação na primeira fase), mas melhorou seu elenco para a temporada 2015/2016. Melhorar não significa muito, obviamente, porque o que se via antes era tenebroso, mas agora estão lá Roy Hibbert no pivô (se jogar como dois ou três anos atrás no Indiana…), o ala-armador Lou Williams para sair do banco e os jovens D’Angelo Russell, Julius Randle e Jordan Clarkson para dar velocidade e talento ao time.

huertas1O quinteto titular deve ser formado por Russell e Clarkson na armação, Kobe na ala e Randle e Hibbert no garrafão, com Williams, Marcelinho Huertas (recém-chegado e sem contrato garantido), Brandon Bass, Ron Artest (sem comentários), Tarik Black e Larry Nance Jr como peças de rotação. Já é MUITO melhor do que o que se viu nos últimos anos nos Lakers. Ao menos há peças para o camisa 24 angelino dialogar na quadra. Noves fora a patacoada que foi a missão angelina no mercado de agentes-livres, onde saiu com as mãos vazias, o saldo para entrar no próximo campeonato me parece positivo principalmente porque os jovens parecem ter de fato muito futuro.

dupla1O futuro, porém, não garante nada em 2015/2016, e quase todos os times do Oeste continuam muito bons ou evoluíram. A missão, como se vê, não é tão fácil assim e é possível citar, brincando, dez times no Oeste em melhor situação que a dos Lakers – Spurs, Warriors, Clippers, Rockets, Mavs, Grizzlies, Pelicans, Kings, Suns e Thunder. Ter saído do buraco em termos de elenco não garante nada na conferência mais forte da NBA como vocês podem ver. Ficar entre os oito é uma tarefa pra lá de árdua.

kobeMarcelinho Huertas, em conferência com jornalistas recentemente, disse que não descartaria as chances angelinas pois a química de um novo elenco ainda não foi testada. Pode ser que o camisa 24 ainda experimente o gosto de jogar novamente uma pós-temporada antes de enfim se despedir do basquete. Hoje (06/10/2015), porém, não dá pra apostar que Kobe Bryant conseguirá levar os Lakers ao playoff da NBA em 2016. Que aproveitemos, aparentemente, seus últimos 82 jogos profissionais com a camisa do Lakers então.


Podcast BNC: o fiasco da seleção na Copa América e Huertas no Lakers
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Fábio Balassiano

No Podcast desta semana Pedro Rodrigues e eu falamos da campanha terrível da seleção brasileira masculina na Copa América, da chegada de Marcelinho Huertas ao Los Angeles Lakers e do novo caso de amor envolvendo Shaquille O’Neal e Kobe Bryant, antigos desafetos e que agora juram amor eterno.

Se preferir, o link direto está aqui. Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e bom programa!


A preocupação com o contrato não garantido de Huertas com o Lakers
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Fábio Balassiano

huertas1A quarta-feira começou feliz para quem gosta de basquete por aqui. Marcelinho Huertas desembarcou na Califórnia, assinou seu contrato de um ano (US$ 525 mil) com o Los Angeles Lakers e logo foi para a quadra treinar. A imagem dele com o gerente-geral Mitch Kupchak é bacana e está ao lado.

A análise da ida do armador brasileiro para a franquia angelina já fora feita por mim na semana passada, quando a informação de sua contratação fora divulgada pelo Woj, no Yahoo. Tudo certo então, né? Nem tanto.

huertas2O problema é que ali pelo meio da tarde o que era só animação tornou-se (ao menos para mim) uma preocupação. Foi a partir de um tuíte de Eric Pincus, jornalista de Los Angeles (LA Times e Basketball Insiders) que algumas coisas não fizeram total sentido para mim. De acordo com Pincus, Huertas assinou contrato NÃO GARANTIDO por uma temporada apenas. Em português claro: o brasileiro pode ser dispensado do Lakers a qualquer momento a partir da pré-temporada que começará em poucos dias. Caso não seja (dispensado) e fique com o elenco até o final do campeonato, embolsa os US$ 525 mil (mínimo de novato).

huertas3É difícil saber o que se passa em uma negociação entre agentes e franquias, porque pode ser que este termo não garantido seja apenas uma prevenção para as duas partes, mas olhando para a situação da franquia angelina eu fico um pouco preocupado. E explico. Uma equipe da NBA precisa ter no mínimo 13 jogadores sob contrato (no máximo 15). Atualmente os Lakers têm 12 atletas com contratos garantidos.

Trabalhando com os 15 (do máximo) sobram, portanto, três espaços para serem preenchidos. Na mesma situação de Huertas (vencimentos não garantidos) estão Jabari Brown (ala), Tarik Black (ala-pivô), Michael Frazier (ala) e Jonathan Holmes (ala). Não seria ruim se não fosse o fato de os Lakers terem em seu elenco os seguintes armadores: Lou Williams, D’Angelo Russell e Jordan Clarskon. Em que pese o fato de o técnico Byron Scott ter dito que a equipe atuará com dois jogadores da posição 1 ao mesmo tempo (algo não usual, mas que faz sentido pelo fato de Russell e Clarkson serem altos e pela ausência de bom fator humano na posição 3 para a qual Kobe Bryant será deslocado), normalmente as franquias têm mesmo ter atletas desta natureza em seus elencos.

Los Angeles Lakers forward Ron Artest reacts in the first half against the Phoenix Suns during Game 6 of the NBA Western Conference finals in PhoenixPara piorar, na semana passada começou a circular na internet a notícia que Ron Artest poderia ser contratado para ajudar (!!!!!!) no desenvolvimento do calouro Julius Randle. Se o Lakers cometer a insanidade de negociar a sua vinda, a luta por três vagas no elenco ficaria não entre quatro, mas sim entre cinco atletas – sendo que Artest é experiente pacas e tem um título com a equipe.

huertas4Algo não muito confortável assim para quem tem 32 anos e é dono de uma carreira de bastante sucesso na Europa (vide a proposta duas vezes maior, em termos financeiros, da Turquia que ele abriu mão para jogar na NBA), não é mesmo? Não se trata, aqui, de botar água no chope de Huertas, que obviamente sabe mais do que todos nós o que está fazendo. Só acho pertinente, neste espaço, colocar que há, sim, o risco de o brasileiro não ser aproveitado pela franquia angelina até o final do certame que se inicia no dia 28 de outubro para os Lakers.

huertas1Por enquanto vivemos, ele e nós aqui do Brasil, o sonho de ver mais um do país chegando à NBA (podem ser nove na próxima temporada caso o armador, no Lakers, e Cristiano Felício, no Bulls, emplaquem). Isso é ótimo e deveria servir de mais motivação para as pessoas se aproximarem da modalidade por aqui. Quanto a isso não há a menor dúvida.

Resta, agora, torcer para o dia a dia de treinamentos de Marcelinho Huertas na pré-temporada angelina ser satisfatório para que sua vida na melhor liga de basquete do planeta seja longa (ou não abreviada por um corte). Parabéns para ele por realizar um sonho. E que ele (o sonho) seja duradouro.


A caminho do Lakers, o que esperar de Huertas na NBA?
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Fábio Balassiano

huertas1O dia de ontem começou agitado. No meu celular pipocava a notícia que Marcelinho Huertas iria, enfim, assinar com a NBA. Fui apurando, apurando, tinha a informação ali pelo meio-dia (como mostrei no Instagram), mas para “reter a fonte” não poderia divulgar o fato que acabou levando a “comunidade brasileira do basquete” à loucura. O Woj, do Yahoo, soltou a certeira bomba cinco horas depois: “Huertas no Lakers”, como está no Yahoo.

Woj divulgou que Huertas assina com o Los Angeles Lakers por apenas um ano. A informação que tenho é que o contrato é garantido no primeiro ano, com o segundo opcional por parte da franquia. Os valores ainda não foram revelados, o que deve acontecer até sexta-feira. Até lá o armador brasileiro fará exames médicos e assinará os papéis para falar oficialmente como jogador de uma das mais tradicionais equipes do basquete mundial.

huertas4Dá pra analisar a informação de três maneiras. A primeira é o impacto que mais um brasileiro na liga norte-americana traz. Agora são 9 jogadores que podem começar a temporada 2015/2016 e isso é relevante pacas. Além de Huertas, provavelmente estarão lá Leandrinho, Varejão, Splitter, Nenê, Caboclo, Bebê, Cristiano Felício e Raulzinho. Para um país que não tem um trabalho de base tão bom assim (como demonstram os fiascos em sequência da Confederação Brasileira), dá pra imaginar quão forte o Brasil seria se as coisas andassem realmente na linha. De todo modo, é quase uma dezena de atletas no melhor basquete do planeta e este número certamente impulsionará a modalidade localmente.

huertas4O segundo atende pelo lado, digamos, emocional de Marcelinho Huertas. Entrevistei o armador brasileiro de 32 anos em fevereiro deste ano e, como sempre faço quando nos falamos, perguntei a ele sobre NBA. Sua resposta foi: “Sempre existe essa possibilidade e nunca descartarei. (…) Resta esperar e ver o que acontece no futuro“. Por mais que ele não criasse expectativa (talvez para não se frustrar caso não acontecesse), é óbvio que TODOS os jogadores sonham em chegar ao melhor basquete do planeta. É natural, compreensível e explica muito bem o fato de ele ter segurado até o último segundo a sua decisão (ignorando, inclusive, os insistentes chamados da Turquia, que o queria com uma proposta que financeiramente pode, sim, ser até melhor que a do Lakers). Todos que acompanham a sua carreira torciam por isso (e é só ver a comemoração que ocorreu ontem nas redes sociais quando o fato foi divulgado, tamanho é o carinho dos brasileiros com ele).

huertas3Podem chamá-lo de “cabeça-dura” por ter esperado uma oportunidade da NBA que poderia não vir depois do Dallas ter desistido dele quando DeAndre Jordan mudou de ideia (conforme divulguei aqui) ao ficar no Clippers, mas o fato é que Huertas conseguiu sucesso em sua carreira na Europa e na seleção brasileira mesmo com todo mundo apontando seus defeitos como “irremediáveis” justamente porque confiava muito em sua capacidade de se adaptar às situações menos favoráveis (e este talvez seja seu maior mérito em sua trajetória profissional). “Ele não marca”, “Ele é fraco em termos físicos” e “Seu chute não cai” foram algumas das críticas (por vezes injustas) que ele recebeu. Como Huertas respondeu? Evoluindo ano após ano e acreditando em si mesmo para se fortalecer. Chegar ao Lakers, ao incrível Los Angeles Lakers de tantos e tantos títulos como o segundo brasileiro (o primeiro foi Jefferson Sobral, que disputou duas partidas de pré-temporada em 2002), é, sim, uma vitória pessoal para uma carreira que começou lá atrás no Paulistano.

huertas1Em termos técnicos, é óbvio que há, sim, preocupação em relação a sua adaptação a um basquete totalmente diferente do europeu em que ele estava há mais de uma década. O jogo nos Estados Unidos é bem mais rápido, muito mais físico, os armadores que ele terá pela frente são brutalmente atléticos (Russell Westbrook é o maior expoente dos cavalos da posição 1) e o elenco do Lakers é bem fraco. Além disso, a franquia, uma das mais tradicionais da NBA, está pressionada pelos últimos anos de fiasco e conta com um líder (Kobe Bryant) pra lá de exigente. Isso tudo, sem dúvida alguma, é uma verdade, mas é apenas uma maneira de ver as coisas.

huertas3O principal ponto ao meu ver é: Huertas sabe jogar basquete. Além das funções que ele poderá desempenhar em, digamos, “causa própria”, ele poderá ajudar muito aos jovens D’Angelo Russell e Jordan Clarskon com sua experiência, passando aos “recém-chegados” à idade adulta tudo aquilo que aprendeu jogando na Liga ACB e também na Euroliga (principalmente naquilo que ele faz melhor, ou seja, nos pick-and-rolls). Dá, portanto, para conseguir bons 15, 20 minutos por jogo e se tornar uma peça importante não só na rotação, mas principalmente no vestiário e no dia a dia da equipe. Experiente, o brasileiro também tem inglês fluente, o que ajuda na adaptação de um armador que precisa loucamente se comunicar com os companheiros e comissão técnica.

huertas2É claro, também, que os Lakers estão longe de ser um esquadrão e que o técnico Byron Scott terá que cortar um dobrado para conseguir conjugar velocidade, sobriedade, técnica e defesa na mesma quadra com Russell, Clarskon, Nick Young, Lou Williams e Huertas, jogadores que devem formar o perímetro angelino e que nem de longe têm na marcação a característica principal.

Estes são pontos que iremos avaliar aos poucos e ao longo da próxima temporada da NBA. Qualquer análise maior neste momento me parece prematura, principalmente porque os Lakers têm um elenco praticamente novo para o campeonato que está por vir.

rubioNo momento vale dar, novamente, os parabéns a Marcelinho Huertas, que atingiu o seu objetivo pessoal e profissional de jogar na melhor liga de basquete do planeta. Chegar à NBA é motivo de comemoração para qualquer atleta. Jogar nos Lakers, ainda mais. Participar daquele que provavelmente será o último ano da vida profissional de Kobe Bryant parece um sonho.

Sonho que Huertas realizará a partir de 28 de outubro, quando os Lakers receberão o Minnesota Timberwolves. Será o reencontro dele com Ricky Rubio, seu antigo companheiro na Espanha. Será o primeiro encontro do camisa 9 da seleção brasileira com a realidade, a NBA, que ele imaginava conhecer há tempos. Parabéns a ele!


Mudança de DeAndre Jordan tirou de Huertas contrato com o Dallas
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Fábio Balassiano

huertas1A mudança de rumo na negociação que levaria o pivô DeAndre Jordan (mais aqui) para o Dallas Mavs acabou tendo impacto direto na vida do brasileiro Marcelinho Huertas na NBA.

De acordo com três fontes ouvidas pelo blog entre ontem à noite e hoje de manhã, o armador já tinha tudo acertado com o Dallas para fazer parte do elenco texano com um contrato de dois anos (o segundo não garantido). Sem o pivô e com um punhado de grana para investir sem “machucar” o teto salarial, o Mavs teve que correr para se reforçar pesadamente (dando, também, uma resposta a sua torcida).

deronE teve sucesso: está fechando com Deron Williams, que rescindiu com o Brooklyn Nets para fechar com o Mavs nos próximos dias. Com isso, o time terá Williams, Raymond Felton e Devin Harris na posição 1 e não terá mais a necessidade de acertar com o brasileiro.

Em três dias, portanto, a situação do armador brasileiro mudou completamente. Huertas, agora, está ouvindo novas propostas e, também pelo que apurei, tem duas opções (ambas da conferência Leste) para chegar à NBA na próxima temporada.