Bala na Cesta

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Interventor sai da FIBA, reunião é adiada novamente e CBB segue suspensa
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Fábio Balassiano

Inesperada mudança de panorama no basquete mundial na tarde de ontem. Em lacônico e-mail, a Federação Internacional informou que o espanhol Jose Luis Saez não faz mais parte do quadro de funcionários da entidade. Saez, para quem não lembra, seria simplesmente o interventor da FIBA para em teoria comandar a força-tarefa da suspensa Confederação Brasileira de Basketball.

EVENTO BALA NA CESTA EM SP– 27/03

O resultado prático disso é que a reunião que estava marcada nesta semana entre a nova gestão da CBB comandada por Guy Peixoto e a FIBA em San Juan, Porto Rico, está cancelada. O principal objetivo de Guy e seu time era encontrar com o alto escalão do basquete mundial para mostrar o plano emergencial deste começo de mandato (chamado de “Plano de 100 dias”). Caso tivesse boa recepção da Federação Internacional, a suspensão da Confederação poderia até ser retirada imediatamente. Mas nada feito.

Como não haverá a reunião em San Juan, até que novo encontro seja marcado (e aconteça) o Brasil segue fora de competições internacionais até maio deste ano. Vale lembrar que as duas seleções Sub-19 aguardam a retirada da suspensão para saber se poderão jogar nos Mundiais da categoria que acontecem neste ano.

A informação foi confirmada ao blog por membros do alto escalão tanto da FIBA quanto da nova gestão da CBB, que aguarda o desfecho da saída de Saez e a possível entrada de um novo dirigente neste tabuleiro de xadrez político.

Tags : CBB


Sob nova direção, Atletas reprovam contas da CBB pela 1ª vez e avisam: ‘Estamos atentos’
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Fábio Balassiano

Na eleição de semana passada da Confederação Brasileira de Basketball uma postura em particular chamou a atenção. Foi a da Associação de Atletas (AAPB), que ajudou a eleger o agora presidente Guy Peixoto e que logo depois teve a coragem de, ao contrário dos demais eleitores de Guy, reprovar as endividadas contas da CBB de 2016.

Para uma Associação que sob o comando de Guilherme Giovannoni, atleta de Brasília, aprovava sempre os desmandos financeiros de Carlos Nunes (foi assim por quatro anos consecutivos) e chancelava uma gestão tenebrosa como a dele foi uma surpresa e tanto a mudança de postura. E ela (a mudança) atende pela mudança na presidência da Associação.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Saiu Giovannoni e entrou Guilherme Teichmann (indicado pelo antecessor inclusive). Pivô do Pinheiros e dono de senso crítico acima do normal, o jogador de 33 anos anos e seu vice, Bruno Fiorotto (do Vasco), adotou uma postura muito menos contemplativa e começou a sua gestão dando um recado claro: “A reprovação destas contas manda um recado de que estamos atentos à próxima gestão”.

O blog conversou com a Teichmann de forma exclusiva e as respostas do presidente da Associação chamam a atenção pela clareza e sobretudo por uma forma bem diferente de ver a situação do basquete brasileiro.

BALA NA CESTA: Gostaria que você explicasse o voto em Guy Peixoto. O que pesou para que a Associação votasse nele e não no outro candidato?
GUILHERME TEICHMANN: Nosso voto foi baseado nos compromissos que o candidato assumiu. Entre eles, um plano de governo emergencial para os 100 primeiros dias visando reverter a suspensão imposta pela FIBA ao basquete brasileiro. Consideramos isso prioridade. A criação da Universidade do Basquete é outro compromisso que nós acreditamos que pode impactar muito no futuro da modalidade, capacitando técnicos, árbitros, dirigentes e jogadores.
A maioria dos atletas consultados por mim citou o perfil gestor do Guy Peixoto e o planejamento apresentado por ele como a melhor opção para solucionar os problemas que a CBB enfrenta e liderar um futuro mais organizado da Confederação. Por isso, cobraremos uma gestão competente e responsável. Outro fator que influenciou muito foram os grandes nomes do basquete que se colocaram ao lado do Guy, como Amaury Pasos, Hélio Rubens e Marcel, por exemplo. Pelo respeito e admiração que temos por essas pessoas que fizeram a historia do nosso esporte, esse apoio tinha que ser levado em consideração.

BNC: Um fato que chamou a atenção positivamente foi a reprovação das contas, algo que não acontecia com a antiga gestão anterior da Associação. Como foi o processo de reprovação das finanças de 2016 da gestão passada da CBB?
TEICHMANN: Nós atletas estamos muito insatisfeitos com a situação financeira da CBB. Nos últimos anos a Confederação recebeu um valor considerável de dinheiro, mesmo assim não honrou suas obrigações e dívidas foram criadas. A reprovação destas contas manda um recado de que estamos atentos à próxima gestão.

BNC: Qual o recado que a Associação quis deixar nesta eleição? O de que a gestão mudou e que agora todos serão mais cobrados?
TEICHMANN: Nosso recado é que confiamos no projeto, mas que estaremos atentos e cobrando. Faremos o que estiver ao nosso alcance para melhorar o nosso esporte e as condições de trabalho dos atletas. Nós atletas precisamos ser mais participativos e ativos nesse processo. Um bom exemplo para nós foi justamente o resultado da eleição da CBB. O apoio dos atletas, ex-atletas e técnicos foi muito importante para o resultado do pleito.

BNC: O que podemos esperar desta nova gestão liderada por você e pelo Bruno Fiorotto, pivô do Vasco?
TEICHMANN: Nossa missão é que os atletas participem mais. Nos esforçaremos por uma maior interação entre jogadores de times diferentes para solucionar problemas em comum. Também queremos diminuir a distância entre os atletas e quem comanda nosso esporte. Uma marca importante da nossa gestão será mostrar a preocupação que já existe por parte de nós, atletas, com as comunidades. Queremos fortalecer a imagem do jogador de basquete como um personagem importante e um influenciador dentro da sua comunidade. Vamos promover mais ações sociais. Inclusive já estamos fazendo algumas e acho que vale a pena usar o espaço para detalhar. Na última semana fizemos doação de cestas básicas através dos jogadores dos times de São Paulo para moradores de uma favela que foi vítima de incêndio.

BNC: Como foi o processo de comunicação de você para com os demais atletas da Associação? Eles apoiaram a decisão de votar no Guy Peixoto?
TEICHMANN: Falamos por telefone e mensagens. A decisão do voto da AAPB foi baseada nessas conversas.
Tentei me comunicar com o máximo de atletas, mas é claro que faltou conversar com muitos. Esse processo de comunicação dos atletas também é uma das coisas que precisamos melhorar. Estamos analisando qual será a melhor plataforma para isso.


Podcast: mico da NBA com Warriors x Spurs, Jogo das Estrelas do NBB e eleição na CBB
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Fábio Balassiano

No programa dessa semana falamos muito sobre o mico da NBA envolvendo a parida Spurs x Warriors. A liga tem como fazer alguma coisa para evitar a frustração dos fãs do ginásio e também de casa? Falamos também sobre o Jogo das Estrelas do NBB, que promete um espetáculo de entretenimento com direto a show do intervalo do Jota Quest e tudo. Por fim, explicamos o que a chegada de Guy Peixoto a CBB significa.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

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Analisando a eleição de Guy Peixoto e mais uma aprovação de contas da CBB
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Fábio Balassiano

Guy Peixoto é o novo presidente da Confederação Brasileira. Eleito com 17 votos (seu oponente Amarildo Rosa teve 9, houve uma abstenção e o Tocantins não pode votar), Guy assume uma CBB dívida de mais de R$ 17 milhões e suspensa pela Federação Internacional.

Seu primeiro (e corretíssimo) ato foi pegar um avião rumo a Suíça para, nesta semana, tentar mostrar aos dirigentes do alto escalão do basquete mundial que uma estratégia emergencial, chamada por ele e seu time de “Plano de 100 dias”, estará em curso a partir de agora. O objetivo: retirar a suspensão que impede clubes e seleções brasileiros de jogar competições internacionais.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Está claro que os desafios de Guy Peixoto serão imensos. Estarei como sempre vigilante a esta nova gestão da Confederação Brasileira, mas obviamente sabendo que a nova gestão precisará de tempo para analisar o cenário de terra arrasada da entidade (mesmo tempo que dei a Carlos Nunes em 2009 e que concederia em qualquer novo mandatário da CBB). Alguns fatos, ainda sobre a eleição, merecem ser levados em consideração e analisados por aqui. Vamos lá:

1) Além da votação no presidente em si, os 27 votantes liberados para o pleito (todas as Federações menos Tocantins e Associação de Atletas) tinham uma coisinha importante a fazer na sexta-feira no Comitê Olímpico Brasileiro: aprovar ou reprovar as contas de 2016 do (agora) ex-presidente Carlos Nunes. Os resultados (eleição e contas) encontram-se ao lado e estão claríssimos. Quinze presidentes de Federação aprovaram os resultados financeiros da CBB em 2016, 11 reprovaram e outra se absteve.

2) As aberturas encontram-se na figura ao lado (clique para ampliá-la). Apurei e coloco no blog como os presidentes de Federação e a Associação de Atletas votaram tanto para o presidente quanto para a aprovação ou reprovação das finanças da CBB em 2016. Em uma olhadinha rápida, todos os que elegeram Guy Peixoto chancelaram o balanço de Nunes em 2016 com exceção de MG, que se absteve. Os que reprovaram votaram em Amarildo. Não é coincidência. Vale dizer também que Rio Grande do Norte, que não votou para presidente, reprovou as contas. Pela primeira vez os Atletas votaram contra (analisarei adiante).

3) Presidentes de Federação normalmente são políticos, e até para analisar balanços financeiros votam… politicamente (e não financeiramente, como deveria ser). Para se ter uma ideia da coerência, ou falta dela, em relação a estes rapazes, em 2016 apenas três reprovaram o Balanço recheado de dívidas da CBB (Maranhão, Goiás e Pará). Estes agora aprovaram – e a situação piorou terrivelmente, sabemos. Os que antes chancelaram o trabalho de Carlos Nunes agora… reprovaram. O que mudou? Estes descobriram agora, só agora, que a situação da entidade é falimentar? Os que antes reprovavam passaram a aprovar por qual motivo?

4) Para responder a pergunta acima eu fui conversar com 4 presidentes de Federação. Dois que aprovaram e dois que reprovaram. Todos foram na mesma linha: o grupo de choque de Guy Peixoto aprovou as contas para ter acesso livre a todas as informações da CBB de Carlos Nunes.

Não é a maneira que eu lidaria com isso, mas foi uma estratégia em conjunto de quem sabe que terá muita coisa para tirar dos porões da Confederação. Os que reprovaram o fizeram porque já sabiam que perderiam a eleição e seria uma forma de retaliar o agora ex-presidente da entidade.

5) Sobre a votação para presidente em si, chamam a atenção os votos de Rio de Janeiro e São Paulo. As duas maiores Federações do país votaram em Amarildo Rosa. Têm representatividade, sem dúvida alguma, mas juro que gostaria de entender as razões do voto. Nada contra Amarildo, pelo contrário, mas houve algum motivo especial para que especificamente SP e RJ optassem pelo lado que acabou saindo derrotado? Ademais, como Guy Peixoto lidará com seu, digamos, grupo de eleitores e não eleitores? Seus votos vieram, em sua grande maioria, de Norte e Nordeste, antigos centros eleitorais que elegeram Grego no final do século passado.

6) Não poderia deixar de elogiar a postura da nova gestão da Associação de Atletas. Não pelo voto em Guy Peixoto em si, porque aí é uma questão de análise dos candidatos e eu não posso dizer quem está certo ou errado, mas sim pela coerente reprovação das contas. As contas da CBB são tenebrosas, e não faz o menor sentido aprová-las (nenhum motivo!). Vale dizer que o mandatário anterior, Guilherme Giovannoni, jogador de Brasília, aprovou TODAS as contas de Carlos Nunes desde que passou a votar. Em seu primeiro ato como novo mandatário da Associação, Guilherme Teichmann, bom ala-pivô do Pinheiros, optou por reprovar algo que está muito ruim. Mesmos nomes, posturas completamente diferentes, né? Ainda bem!


Suspensa, CBB realiza eleição a portas fechadas na sede do Comitê Olímpico Brasileiro
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Fábio Balassiano

Chega ao fim hoje a Era Carlos Nunes. Presidente da Confederação Brasileira por longos 8 anos, Nunes é o responsável maior por colocar na lama o nome da modalidade no país. Assolada por uma dívida de R$ 17 milhões ao final de 2015, com credibilidade negativa e culminando com a suspensão da Federação Internacional (FIBA) no mínimo até o final de maio deste ano, o mandatário põe um ponto final na pior gestão que a CBB já viu (e olha que ele teve a concorrência de Gerasime Bozikis, seu antecessor).

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Como fecho de “ouro”, Nunes realiza o pleito desta sexta-feira que tem como candidatos Guy Peixoto (o favorito) e Amarildo Rosa, ambos entrevistados neste espaço esta semana, mais uma vez a portas fechadas. Ou seja: ninguém, com exceção dos eleitores (presidentes de Federação e Associação de Atletas) e candidatos, terá acesso a mais esperada eleição da CBB dos últimos anos. A FIBA pedia transparência, seriedade e credibilidade. A Confederação, em seu último ato de uma gestão tenebrosa, reage assim. Incrível!

Nem um pouco adepta a liberdade de imprensa e da difusão da informação, a Confederação sequer faz questão de esconder o seu lado censor, colocando no site a seguinte atrocidade: “Os profissionais credenciados da imprensa somente terão acesso ao recinto da Assembleia para o momento de apuração de votos no processo eletivo, conforme consta do Edital de convocação”. Se não podemos (jornalistas) acompanhar o processo eleitoral de forma completa, vale a pena fazer o que lá então? Nada, né? Vale dizer que antes de eleger o novo mandatário os presidentes de Federação e a Associação de Atletas vão aprovar ou reprovar as contas de Carlos Nunes referente ao ano de 2016 (minha curiosidade é imensa em relação às justificativas dos votantes neste quesito e sobretudo com os números que do Balanço Financeiro sairão).

O mais bizarro de tudo é que o pleito acontece na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que indiretamente acaba concordando com um sistema de eleição deprimente, retrógrado, arcaico e que lembra os piores tempos da ditadura. Triste, pra dizer o mínimo. Mas fica a pergunta: se o Comitê chancela isso abrindo as suas dependências para uma eleição a portas fechadas, sem que a imprensa possa exercer livremente o trabalho de informar o que se passa, o que esperar do COB?

Vamos acompanhar os movimentos que esta sexta-feira nos reserva. Ficarei bastante surpreso se Guy Peixoto não for eleito. Em todas as conversas que tive o empresário, que tem o apoio de muitos ex-jogadores, aparece como grande favorito a presidir a CBB nos próximos quatro anos. Torçamos para que ele ou Amarildo Rosa não tragam somente cores novas em termos de gestão, mas sobretudo ares de transparência, credibilidade e abertura ao público. Já seria um excelente começo em uma entidade que se acostumou a tentar censurar o trabalho de quem deve sempre fiscalizar o poder – ainda mais uma entidade pessimamente gerenciada como esta que Carlos Nunes e seus colegas administraram por oito anos.

Fechar uma eleição é o cúmulo do absurdo. Mas segue acontecendo no basquete. Desta vez nas barbas do Comitê Olímpico Brasileiro. Nada mais triste.


Entrevista com o candidato a presidência da CBB Guy Peixoto
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Fábio Balassiano

Ontem você leu aqui a entrevista com o candidato Amarildo Rosa. Hoje é a vez de ler as propostas de Guy Peixoto nos mesmos moldes de ontem – 10 perguntas iniciais iguais às respondidas por Amarildo e as 2 finais únicas para ele.

Nascido em Belém (Pará), Guy completará 56 anos no dia 13 de março, é empresário renomado no ramo de logística, foi atleta profissional e defendeu a seleção brasileira nas décadas de 70 e 80. Tem como apoiadores de campanha nomes de peso como Tiago Splitter, Marta Sobral, Marcel de Souza, Amaury Pasos, Guerrinha, Marquinhos Abdalla, entre outros. Vamos a entrevista completa.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

BALA NA CESTA: Para quem não conhece o senhor, como o senhor se apresentaria para a comunidade do basquete? Quem é o candidato Guy Peixoto?
GUY PEIXOTO: Sou um ex-jogador nascido em Belém (PA) e que tem muito a agradecer ao basquete, que me ensinou muita coisa e me deu a chance de conseguir êxito em outros setores da minha vida. Tive o orgulho de defender a camisa de clubes importantes do cenário nacional, além de envergar a camisa da Seleção Brasileira. Neste momento, atendendo ao clamor de grande parte da comunidade do basquete, tomei a decisão de concorrer à presidência da Confederação Brasileira de Basketball (CBB) com a meta de implantar uma gestão profissional e transparente, buscando reconduzir o basquete nacional ao seu lugar de direito.

BNC: O que leva alguém a querer assumir uma entidade que tem R$ 17 milhões de dívida, credibilidade zero e uma suspensão da FIBA a cumprir? Não é muita loucura?
GUY: Eu aceitei lançar candidatura à presidência da Confederação Brasileira de Basketball (CBB) por entender que, junto com um grupo de pessoas que comungam do mesmo ideal, amam a modalidade e que formam a nossa chapa, posso implantar uma gestão profissional, com metas claras e pré-estabelecidas, funcionando, verdadeiramente, como uma empresa. É, sem dúvida alguma, um desafio, mas acredito fortemente que com um modelo de gestão profissional e diferenciado, que é o que nos propomos, podemos reverter o cenário onde nos encontramos atualmente.

BNC: Você tem divulgado através das redes sociais um pouco sobre seu plano de governo, caso seja eleito. Quais são as prioridades do Governor Guy Peixoto caso o senhor vença o pleito em 10/03?
GUY: Assim que assumirmos, caso vençamos as eleições, será anunciado o plano de 100 dias, ou seja, um conjunto de ações emergenciais que julgamos essenciais para o nosso início de trabalho. Alguns dos itens mais importantes são: retirar a suspensão imposta à CBB, reativar os campeonatos de Base de Seleções Estaduais nas faixas etárias sub-13, sub-15, sub-17 e sub-19, implementar o Centro de Treinamento de Excelência para seleções de Base e Adultas, dar transparência total às informações financeiras, administrativas e técnicas da Confederação, implementar a Universidade do Basquetebol para atender a todos os segmentos do basquete (Técnica, Arbitragem, Saúde do Esporte, Gestores esportivos e Atletas e ex-atletas) e criar o Conselho de Notáveis. Outra coisa que considero importante relatar é que toda a remuneração destinada a presidência será revertida em caráter de doação a Confederação Brasileira de Basketball (CBB).

BNC: Como o senhor avalia a gestão do presidente Carlos Nunes ao longo dos últimos 8 anos? Há solução para a Confederação Brasileira sair da lama, ou no atual estágio o mais correto a se afirmar é mesmo que o novo presidente deverá praticamente estancar um sangue imenso provocado por Nunes e seu grupo gestor?
GUY: Os resultados, dentro e fora de quadra, mostram que a atual gestão da CBB deixou muito a desejar, fazendo com que o basquete nacional perdesse a credibilidade e o espaço nos cenários nacional e internacional. Com certeza existe solução para sairmos dessa crise, e por este motivo desenvolvemos um plano de gestão inovador e abrangente, buscando solucionar os problemas existentes e trazer modernidade à gestão da confederação.

BNC: Uma das grandes dúvidas sobre o novo presidente é a tal força-tarefa proposta pela FIBA. O senhor assinará isso? Ou mantém de que não irá assinar? Caso assine ou não, quais são as consequências para para a CBB e clubes brasileiros?
GUY: Creio que a FIBA está fazendo o seu papel de buscar soluções para basquete brasileiro, que é um dos seus filiados e dono de uma história riquíssima. Nós já fizemos contato com a entidade maior do basquete mundial para mostrar as nossas intenções, metas e ideais, e caso venhamos a vencer a eleição já temos uma reunião agendada na Suíça para apresentar nosso plano detalhado para os primeiros 100 dias. Neste momento oportuno iremos também abordar este tema.

BNC: O senhor pode ser eleito pelas Federações, mas me parece claro que este modelo federativo, com pouca gente votando e gerenciando o basquete brasileiro, é arcaico e precisa de mudanças. O senhor concorda com isso? Pretende fazer mudanças estatutárias neste sentido? Ademais, como você fará para lidar com Federações que não fazem basquete de base (quase todas)? Qual será a cobrança de você, que será eleito por elas, para elas em relação à massificação da modalidade?
GUY: Dentro do nosso plano de gestão existe um item específico sobre as federações estaduais e a nossa ideia é fazer um trabalho de fortalecimento destas entidades, passando conhecimento e dando condições para que eles evoluam em vários sentidos e setores, auxiliando na formação de atletas e realizando o basquetebol por todo o país.

BNC: As duas seleções brasileiras adultas estão sem técnico no momento. Quem seriam seus nomes preferenciais caso assuma a Confederação Brasileira?
GUY: Em caso de vitória do nosso grupo iremos informar a composição da nossa diretoria e teremos os responsáveis técnicos. Estes profissionais habilitados, ao lado da diretoria e do grupo de notáveis, chegarão aos nomes certos para estas funções.

BNC: Outro ponto importante diz respeito às categorias de base, abandonadas a própria sorte há anos. Qual o seu plano especificamente para trazer mais jovens atletas para o basquete, desenvolvendo estes jovens atletas para o futuro da modalidade?
GUY: A base é muito importante para o futuro do nosso basquete, pois é a formação que dá a sustentação para a modalidade no futuro. Vamos dar uma atenção mais do que especial à base, já que ela foi totalmente esquecida nos últimos anos. Além do que já falei em relação às federações, vamos fazer eventos e ações que fortaleçam a base e possam elevar os níveis dos nossos atletas e treinadores. Como mencionado, vamos realizar os campeonatos de base de Seleções Estaduais nas faixas etárias sub-13, sub-15, sub-17 e 19. Saliento que alguns destes campeonatos foram interrompidos nos últimos anos (Sub-15 e Sub-17), traremos de volta o Sub-19 (que por muitos anos não foi promovido) e criaremos o Sub-13, paralisado há mais de 30 anos.

BNC: Recentemente houve uma série de rumores envolvendo a relação entre CBB e Liga Nacional. Alguns presidentes de Federações são contra o NBB, afirmando que o campeonato nacional deve voltar a ser gerido pela Confederação Brasileira. O que o senhor acha disso? Pretende realmente acabar com o NBB? Como será a sua relação com a entidade?
GUY: Mantenho um relacionamento cordial com a Liga Nacional de Basquete (LNB) e não vejo motivo para mudar isto. Eu não sei qual foi o tipo de acordo firmado com eles, mas caso vença a eleição vou verificar. Sobre Federações contra a LNB e coisas similares, acredito existirem posições das mais diversas sobre o assunto. Isto não vai afetar em nada nosso futuro trabalho de gestão de todas as partes interessadas em nosso esporte: federações, atletas, técnicos, arbitragem, ligas, etc.

BNC: Qual o seu plano para equacionar as dívidas da CBB? Qual é, exatamente, o tamanho do rombo da Confederação?
GUY: O primeiro passo é conhecer o montante da dívida da CBB. Vemos pelos balanços financeiros o número, mas é preciso se debruçar na situação toda e entendê-la completa. Depois disso, junto com a minha equipe de trabalho, traçaremos planos de recuperação da sua saúde financeira, usando para isso, profissionais competentes e atuando sempre com transparência para recuperar, em primeiro plano, a credibilidade da entidade.

BNC: É de conhecimento de todos que o senhor apoiou Carlos Nunes na primeira eleição dele. Agora o senhor surge como oposição. Não é contraditório? O que mudou de lá pra cá? Se arrepende de ter apoiado um cara que se mostrou um presidente tão ruim?
GUY: Consigo explicar isso tranquilamente e assumindo tudo o que fiz. Há oito anos o senhor Carlos Nunes apareceu com um nome novo, que dentro de sua campanha se propunha a trabalhar diferente do que fez. Naquele momento, precisávamos de uma mudança, pois estávamos há vários anos com o Grego na presidência e o basquete nacional clamava por algo novo. Foi por isso que, sim, o apoiei, pois desde aquela época já havia um clamor imenso por mudanças no rumo do basquete. Mas infelizmente ele não fez nada daquilo a que estava se propondo e tão logo começou a sua gestão eu rompi com ele.

BNC: Pra fechar. O senhor tem muitos apoios da comunidade do basquete. Ex-jogadores, técnicos, muita gente chancela a sua candidatura. Como o senhor fará para dirigir a Confederação Brasileira mesmo tendo uma vida empresarial de sucesso? Quantos % do seu dia será tomado por assuntos de basquete e quantos % pela sua vida empresarial?
GUY: Essa é uma boa pergunta e vou te responder da maneira mais sincera possível. Farei da mesma forma que faço com as minhas empresas, que são compostas por profissionais competentes em suas áreas. Com esse formato que planejamos para a CBB, a entidade funcionará como uma empresa e creio que os resultados serão amplamente favoráveis. Quero reafirmar que o foco total será na recuperação do basquete. Este ponto guiará minhas ações durante todo o mandato, caso sejamos vencedores. Outro fator importante de se colocar é que não vou receber um centavo da CBB se vier a ser eleito. Não quero um café da CBB. Nada. Compromisso assumido meu: a CBB não paga uma passagem do senhor Guy Peixoto, hotel, absolutamente nada. Não preciso disso e só quero ajudar o basquete. Vai ser uma grandíssima mudança de gestão, com transparência total. Todo dinheiro que entrar vai ser publicado. As pessoas que estão se propondo a me ajudar sabem que é um momento de sacrifício pelo bem maior, que é o basquete. Pode me cobrar. Será uma gestão de meritocracia total sempre. Onde houver gente querendo fazer basquete nós vamos estar juntos.


Entrevista com o candidato a presidência da CBB Amarildo Rosa
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Fábio Balassiano

Como este blog faz desde a eleição de 2009, fui conversar com os candidatos a presidência da Confederação Brasileira de Basketball. O pleito acontece na sexta-feira, 10 de março, e por isso fui ouvir os dois elegíveis ao cargo máximo do basquete brasileiro. Amarildo Rosa ou Guy Peixoto assumirá uma entidade com R$ 17 milhões em dívida (número até o final de 2015), suspensa de competições internacionais e com credibilidade beirando a zero.

O primeiro a ser entrevistado é Amarildo Rosa (a ordem foi definida por sorteio). Há 12 anos como presidente da Federação do Paraná, o bacharel em teologia de 52 respondeu às mesmas 10 perguntas iniciais que seus oponente (Guy Peixoto estará aqui amanhã com sua visão) e duas (números 11 e 12) diferenciadas para ele.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

BALA NA CESTA: Para quem não conhece o senhor, como o senhor se apresentaria para a comunidade do basquete? Quem é o candidato Amarildo Rosa?
AMARILDO ROSA: Fui Secretário de Esporte em São José dos Pinhais durante 12 anos da minha vida e também estou há 12 anos (1997 a 2008) à frente da Federação Paranaense. Nosso lema de trabalho sempre se baseou na gestão participativa, com espaço para atletas, árbitros, dirigentes e entidades opinarem e contribuírem. Com isso formamos uma família do basquete aqui no Paraná. Sempre aprendi que um gestor deve ser avaliado pelos resultados que obteve com seu trabalho, e aqui no Paraná tivemos conquistas importantes nesses anos: a descentralização dos eventos esportivos e promoção da modalidade em outros municípios, aumento significativo de competições e captação de recurso para o Basquete Paranaense com patrocinadores de renome nacional e internacional como Coca-Cola, Wilson, Unimed e Frigorífico Argus, o Programa de Desenvolvimento do Atleta, a Clínica Anual de Atualização e Reciclagem da Arbitragem, o Centro de Excelência do Basquete e o Sul Brasileiro de Seleções Sub-13 e Sub-14. Defendo também que o bom Gestor é aquele que permite a participação, mas sobretudo participa, está presente. Seja nos eventos, pessoalmente se reunindo com aqueles que se importam. Faz parte do seu trabalho e isso não pode ser delegado. Convido aqueles que ainda não conhecem o meu trabalho no Estado do Paraná que acessem nosso vídeo (aqui)  ou conversem com qualquer dos atletas, árbitros, técnicos ou patrocinadores da Federação do Paraná. Temos uma história de construção e experiência, nossas propostas não estão baseadas em “deduções”.

BNC: O que leva alguém a querer assumir uma entidade que tem R$ 17 milhões de dívida, credibilidade zero e uma suspensão da FIBA a cumprir? Não é muita loucura?
AMARILDO: Dentro das devidas proporções eu assumi a Federação Paranaense em 2005 também com dívida, também sem credibilidade e sem estrutura. Conseguimos reverter e colocar o Basquete no Paraná onde está hoje. A nossa gestão conseguiu patrocínios do setor privado e a verba do Poder Público. Sempre recebemos o recurso destinado e nunca tivemos qualquer questionamento do Tribunal de Contas. Vejo a dívida da CBB, a falta de credibilidade e a suspensão como desafios. Na minha vida tudo veio sempre com muito trabalho e determinação. Para os desafios tenho muita motivação, determinação e experiência. E a minha motivação é poder fazer um bom trabalho e deixar um legado para o Basquete Brasileiro, assim como eu fiz no Paraná. Uma coisa é certa: o novo Presidente não poderá mais errar, não existe tempo para isso, seja nas decisões financeiras, seja nos relacionamentos com entidades como a FIBA. Loucura é recusar o acompanhamento da FIBA/COB/MINISTÉRIO DO ESPORTE neste momento tão delicado para o basquete brasileiro.

BNC: Você tem divulgado através das redes sociais um pouco sobre seu plano de governo, caso seja eleito. Quais são as prioridades do Governor Amarildo Rosa caso o senhor vença o pleito em 10/03?
AMARILDO: A minha prioridade é retirar a suspensão da FIBA. Precisamos urgente fazer com que a CBB volte a ser membro com plenos direitos junto a FIBA. Sem isso não há como a entidade voltar a receber recursos. Tornamos público o nosso Plano de Governo em setembro de 2016, e o executaremos dando prioridade a um “choque de gestão” através da severa redução de despesas e renegociando dívidas com fornecedores, prestadores de serviços, funcionários e a própria FIBA. Buscaremos patrocinadores, construiremos novas relações com COB e Ministério do Esporte, mas também descentralizar os eventos da CBB através do apoio de Estados e Municípios de todo Brasil. Priorizarei as categorias de base com os Campeonatos de Base de Seleção Sub-13, Sub-15 e Sub-17 e de Campeonatos de Clubes Sub-13 até Sub-19. Buscaremos apoio nos treinamentos de seleções de base e adulto, mini-basquete, 3×3, Escola Nacional de Treinadores e Clínicas de Arbitragem. Ajudaremos todas as Federações Estaduais com um patrocínio exclusivo e elaboraremos um Projeto Incentivado para custear as taxas de arbitragens na categoria de base nos campeonatos estaduais das Federações para o aumento de participação das equipes nas categorias menores.

BNC: Como o senhor avalia a gestão do presidente Carlos Nunes ao longo dos últimos 8 anos? Há solução para a Confederação Brasileira sair da lama, ou no atual estágio o mais correto a se afirmar é mesmo que o novo presidente deverá praticamente estancar um sangue imenso provocado por Nunes e seu grupo gestor?
AMARILDO: Eu não tenho dúvida de que o problema da CBB não foi a falta de verba de órgãos públicos ou falta de patrocínios. O problema foi de gestão. Tem muito enrosco que foi causado por uma ineficiente prestação de contas as entidades patrocinadoras. Por esta razão digo que o novo Presidente não poderá mais errar e para isso precisa ter experiência com a tratativa deste tipo de recurso. É necessário colocar a casa em ordem e a matemática é muito simples – gastar menos do que se arrecada. Vamos estreitar o relacionamento com os órgãos que tem ajudado o basquete, como o COB e o Ministério do Esporte para continuarmos a receber essas verbas. Além de buscar novos patrocínios, conquistar junto ao Governo Federal o apoio de uma Estatal e retomar o nosso patrocinador máster (Bradesco) também está nos nossos planos.

BNC: Uma das grandes dúvidas sobre o novo presidente é a tal força-tarefa proposta pela FIBA. O senhor assinará isso? Ou mudará de opinião e não irá assinar? Caso assine ou não, quais são as consequências para para a CBB e clubes brasileiros?
AMARILDO: Vou assinar, sim, e não mudo de opinião. É bom para o basquete e é bom para a Confederação. E essa não é uma opinião somente minha ou do nosso jurídico. Todos aqueles que leram o termo de compromisso proposto pela FIBA e conhecem o Estatuto da entidade conseguem entender com bastante clareza de que o proposto não é nada mais do que um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). A FIBA quer comprometimento por escrito, documentado. Ela está cansada de promessas não cumpridas. Por isso veio a suspensão e ela permanecerá caso não se assuma este compromisso. Precisamos retirar o mais rápido possível esta suspensão pois quanto mais tempo levar, mais tempo os clubes e seus patrocinadores serão prejudicados e mais tempo os recursos no COB e no Ministério do Esporte ficarão retidos. Isso sem falar no tempo para retomar a credibilidade na conquista por novos patrocinadores. Na reunião em Genebra, o Secretário Geral da FIBA alertou a todos os presentes que a CBB será desfiliada da FIBA caso o novo Presidente não aceite a Força Tarefa. Precisamos acabar com as barganhas e fazer crescer a modalidade. Não posso ser IRRESPONSÁVEL em não assumir esse compromisso e rejeitar o acompanhamento de entidades como a FIBA, COB e Ministério do Esporte especialmente em um momento tão delicado. Como já disse, sou um gestor que valoriza a participação, não tenho nada a esconder, não tenho a pretensão de resolver os problemas sozinho. Juntos vamos mais longe. Nestes moldes, a Força Tarefa é um grupo que virá somar através das maiores instituições nacionais do esporte (COB e Ministério).

BNC: O senhor pode ser eleito pelas Federações, da qual faz parte inclusive, mas me parece claro que este modelo federativo, com pouca gente votando e gerenciando o basquete brasileiro, é arcaico e precisa de mudanças. O senhor concorda com isso? Pretende fazer mudanças estatutárias neste sentido? Ademais, como você fará para lidar com Federações que não fazem basquete de base (quase todas)? Qual será a cobrança de você, que será eleito por elas, para elas em relação à massificação da modalidade?
AMARILDO: Concordo. Vamos fazer mudanças no Estatuto da CBB, especialmente no que se refere ao sistema de votação. Não resta dúvida de que o colégio eleitoral é muito pequeno para eleger o Presidente e que não representa todas as áreas que fazem, vivem e dependem da Confederação. Acredito que Associações e Clubes que participam das Competições da CBB poderiam ter direito a voto. No entanto, para haver uma REAL mudança neste sistema arcaico de eleição é necessário algo mais, porque hoje para muitos a decisão pelo voto não se baseia na experiência de gestão no basquete, mas sim na amizade ou na promessa de algum cargo ou vantagem pessoal. Eu me propus a não fazer o jogo. Apresento ideias e propostas. Quem está conosco é porque compartilha da nossa visão e acredita no nosso trabalho. Nesse velho sistema ou você “rifa” a CBB ou você não cumpre as promessas. Há algo além de mudanças estatutárias: é necessário dar exemplo de mudanças o que eu não vejo nesta eleição. Vamos implantar na CBB uma GESTÃO POR RESULTADO. Teremos um projeto incentivado para ajudar os Estados com despesas de arbitragens e fomentar a participação de equipes nas competições de base em todos os Estados. Toda ajuda da Confederação para as Federações Estaduais será em dinheiro mensal e material esportivo ou troféus/medalhas. Essa ajuda será proporcional a alguns critérios como quantidade de filiados, quantidade de campeonatos e quantidade de equipes participantes. As Federações precisam de incentivo e motivação para ampliar seus resultados. E a minha visão em relação a essa situação é resultado do que ouvimos e discutimos nas reuniões que fizemos em 2015-2016 pelo Brasil conhecendo a realidade de cada uma das Federações.

BNC: As duas seleções brasileiras adultas estão sem técnico no momento. Quem seriam seus nomes preferenciais caso assuma a Confederação Brasileira?
AMARILDO: Primeiro vamos nomear um Diretor Técnico e seus coordenadores (Masculino e Feminino). Então, vou ouvi-los, mas já adianto que a escolha do técnico tem critérios: estar participando em competições nacionais, ter tido bons resultados nos últimos anos, ser um técnico moderno que procure sempre se atualizar, e estar em concordância com a filosofia da nova gestão, que será de preservar a ética e o respeito profissional entre atletas, dirigentes, árbitros, entidades e imprensa. Este profissional deverá preservar o bom comportamento dentro e fora de quadra.

BNC: Outro ponto importante diz respeito às categorias de base, abandonadas a própria sorte há anos. Qual o seu plano especificamente para trazer mais jovens atletas para o basquete, desenvolvendo estes jovens atletas para o futuro da modalidade?
AMARILDO: No nosso plano de Governo, além reativar e melhorar a realização dos Campeonatos Brasileiro de Base de seleções Sub-15 e Sub-17, realizaremos também na categoria Sub-13 para incentivar a participação de mais equipes nos campeonatos estaduais nestas categorias. Assim como fizemos no Paraná, quando há 6 anos criamos o Campeonato Sul Brasileiro de Seleções Sub-13 e Sub-14, que tem gerado um crescimento da participação e um aumento também do nível técnico. As seleções paranaenses está sempre entre as quatro melhores equipes nos Brasileiros de Base realizados pela CBB. Tem sido um grande diferencial, tanto que na última edição em 2015 fomos campeões Brasileiros do Sub-15 Masculino, um feito inédito. Também vamos criar a Copa Brasil de Clubes (Sub-13, 14 ,15, 17 e Sub-19) na qual vamos fazer com que as Federações tenham mais participação das suas equipes nos seus campeonatos estaduais também nessas categorias, para seguirem em uma fase regional e uma fase final e certamente teremos mais atletas praticando o basquete em todo Brasil.

BNC: Recentemente houve uma série de rumores envolvendo a relação entre CBB e Liga Nacional. Alguns presidentes de Federações são contra o NBB, afirmando que o campeonato nacional deve voltar a ser gerido pela Confederação Brasileira. O que o senhor acha disso? Pretende realmente acabar com o NBB? Como será a sua relação com a entidade?
AMARILDO: A minha visão e postura sobre a Liga Nacional é uma só: nós reconhecemos o importante e relevante trabalho que as Ligas LNB/LBF fazem. O que deve ficar claro é que a CBB deve e vai realizar na minha gestão as Categorias de Base (Sub-13 até Sub-19) e a Copa Brasil Adulta, tal como está no nosso Plano de Governo. As Ligas Nacionais continuarão realizando os seus campeonatos. E nós alinharemos isso logo após a eleição para afinarmos as ações e competências de cada entidade. Gostaria de deixar claro de que esse compromisso de acabar com o contrato das ligas LNB/LBF não é meu e nem dos Presidentes do Grupo “Bola na Cesta, Brasil!¨. Essa é uma promessa de campanha da chapa adversária e das Federações que a apoiam, que assumiram o compromisso público de acabar com esses contratos, conforme nota oficial divulgada pela Federação Cearense de Basquetebol.

BNC: Qual o seu plano para equacionar as dívidas da CBB? Qual é, exatamente, o tamanho do rombo da Confederação?
AMARILDO: Nos balanços fornecidos pela CBB nas Assembleias a dívida estaria em torno de R$ 17 milhões, mas já calcula-se que ultrapassa esse valor. Como falei anteriormente, essa é uma prioridade. Implantaremos um ¨choque de gestão¨, renegociaremos as dívidas, reduziremos as despesas, buscaremos junto a ¨Força Tarefa¨ toda ajuda possível do COB, Ministério do Esporte e FIBA, renegociaremos com a Estatal Eletrobrás, buscaremos retomar o patrocínio do Bradesco e outros co-patrocinadores que já nos assinalaram confiança e interesse.

BNC: O senhor não só aprova as contas do presidente Carlos Nunes há anos mas também fez parte de um governo (o dele) que praticamente afundou o basquete brasileiro na lama. Não é um contrassenso que o nome do senhor surja agora como uma espécie de oposição a um modelo que o senhor chancelou a participou por tanto tempo? O que me leva a acreditar que o senhor fará algo de diferente do que tem sido feito nos últimos 8 anos de Carlos Nunes?
AMARILDO: Certamente você lembra, mas o Carlos Nunes era o candidato de oposição ao Grego. Votei em Nunes intencionado em apoiar uma oposição para mudança. Inclusive procurei ajudar a sua primeira gestão através da minha participação no Conselho Consultivo de Presidentes. Foram inúmeras as reivindicações que levei as reuniões do Conselho, mas tudo que se tratava neste Conselho era pouco levado a sério. Na segunda eleição não tivemos escolha, novamente eram os mesmos candidatos: Carlos Nunes e Grego, mas Carlos Nunes mantinha as promessas de atender nossas solicitações de mudanças, especialmente a respeito da gestão financeira da CBB. É sempre bom lembrar, conforme foi noticiado em agosto de 2012: naquela ocasião quem apoiou a campanha de Grego foi o atual candidato Guy Peixoto, que também teria apoiado anteriormente a campanha de Carlos Nunes para a primeira gestão. Logo, fica fácil entender que SE EU NÃO FOSSE CANDIDATO EU NÃO VOTARIA NO GUY PEIXOTO, muito menos tendo como vice Manoel de Castro (Presidente da Federação do Maranhão), que sempre deu suporte a gestão do Grego. Quando Carlos Nunes foi eleito pela segunda vez em 2013, ele não cumpriu e não realizou as mudanças prometidas e necessárias. Eu não tive dúvida, e solicitei a saída do Conselho, conforme sua matéria noticiada em julho de 2013. Sobre a aprovação de contas, na Assembleia de 2014 eu não aprovei. E nas Assembleias de 2015 e 2016, período pré-olímpico e ano olímpico, respectivamente, a maioria dos Presidentes decidiu aprovar para não respingar nas quadras e equipes técnicas. Ou seja: mais desgastes em um momento delicado para a imagem da modalidade e para os patrocinadores.

BNC: Pra fechar. O senhor é Presidente de Federação, mas não tem sequer um clube jogando a LBF e apenas agora, com Campo Mourão, participa do NBB. Se seu estado não faz um trabalho muito bom no basquete profissional, como acreditar que o senhor conseguirá fortalecer as instituições para fazer da CBB forte para todos?
AMARILDO: No Paraná realizamos dois Campeonatos Estaduais: Estadual com 5 ou 6 equipes e a Taça Paraná regionalizada com participação de 08 a 12 equipes. Esse trabalho fez com que os Clubes tivessem crescimento, como a Equipe de Campo Mourão, que já está na Liga Ouro há 4 anos e agora na primeira divisão. Não menos importante, a Equipe de Ponta Grossa está há 4 anos na Copa Brasil e na última edição ficou em terceiro lugar na Supercopa. Além, é claro, da equipe Basquete Curitiba que tem participado das últimas 3 edições e feito ótimas Campanhas na Liga de Desenvolvimento. Importante não confundir, não ter time no campeonato Brasileiro não é demérito de nenhuma Federação. Não é atribuição da Federação montar time para jogar campeonatos Nacionais e sim dos Clubes, Associações ou Municípios. A atribuição das Federações é montar as Seleções Estaduais de Base e como relatado acima o Paraná possui todas as categorias e naipes na primeira divisão. Quando estive a frente da Secretaria de Esporte na cidade de São José dos Pinhais-PR, fomos a Capital Paranaense do Basquete. Tivemos a equipe feminina, que entre outros títulos, foi campeã Brasileira em 2000, e a equipe masculina foi terceiro lugar na primeira edição do Campeonato Nacional da Liga (Nossa Liga). Espere e verá, vamos realizar a COPA DO BRASIL. Vai ser a maior atração e sensação das equipes intermediárias desse país!


Começa o mês da eleição presidencial da Confederação – o que esperar do pleito?
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Fábio Balassiano

Chegou o mês de março. Antes das águas fecharem o verão há uma eleição da suspensa Confederação Brasileira por vir. Ela acontecerá no dia 10 de março, no Rio de Janeiro, e terá dois candidatos – Amarildo Rosa, presidente da Federação do Paraná, e o empresário Guy Peixoto. Os dois, aliás, receberam perguntas do blogueiro e, caso respondam, estarão aqui na próxima semana com seus argumentos.

Sobre o pleito, alguns pontos importantes merecem ser levantados. No modelo arcaico em que vivemos, 27 presidentes de Federação (Estados + Distrito Federal) e Associação de jogadores têm direito a voto e decidirão os destinos do basquete do país nos próximos 4 anos (o novo presidente precisa, portanto, de 15 para ser eleito). Só isso e mais nada.

Vale dizer que, pouco antes da votação começar, são estes mesmos rapazes que aprovam ou não as contas de 2016 do ainda presidente Carlos Nunes (Pará, Maranhão e Goiás surgem como boas exceções, batendo de frente contra o sistema e reprovando os buracos cebebianos com frequência). Não custa lembrar que nos últimos anos essa galerinha gente boa tem aprovado tudo o que Nunes fez. E tudo o que Nunes fez, no caso, é colocar a dívida da entidade em R$ 17 milhões, gerar uma suspensão internacional e fazer o basquete brasileiro ser motivo de chacota (mais informações aqui e aqui). Aqui vale detalhar um pouco os atletas, no nome do senhor Guilherme Giovannoni, que até o final de 2016 presidia uma Associação de Atletas que deveria brigar por condições melhores para os jogadores – e não para chancelar coisas tenebrosas como ele fez. Desde que passou a ter direito a voto nas Assembleias, Giovannoni e seus representantes (Douglas Viegas, seu vice) aprovaram TODAS (vou repetir: TODAS) as contas de Carlos Nunes. Vai entender…

Mas, bem, voltando. Como toda confusão no basquete brasileiro é bobagem e sempre cabe mais loucura, um dia antes da eleição e da aprovação das contas haverá uma assembleia em que será votada a efetivação da força-tarefa proposta pela Federação Internacional no final do mês de janeiro. Guy Peixoto é contra. Amarildo Rosa (foto), por sua vez, aceita a força-tarefa. Não consigo entender bem o motivo dessa votação prévia, mas é assim que será e ainda preciso entender para que ela serve. No momento é suspense total.

Vale lembrar que a CBB está suspensa no mínimo até o final de maio de 2017, com a FIBA tendo que rever a situação da entidade máxima do basquete brasileiro após isso. As duas seleções Sub-19 (masculina e feminina) atualmente estão fora de seus Mundiais. Caso o novo presidente consiga reverter a situação / suspensão, as duas equipes poderão atuar, mas é algo improvável. O olhar, porém, deve estar até mais à frente. Caso a FIBA mantenha o pulso firme, o basquete brasileiro pode até mesmo ser desfiliado, ficando fora das Eliminatórias para os próximos Mundiais (Feminino em 2018 e Masculino em 2019) e os clubes nacionais mais uma vez fora de competições continentais.

Pelas conversas que tenho tido, Guy Peixoto surge como favorito a vencer a eleição do dia 10 de março. Seu plano de gestão de fato parece ser muito bom pelo que puder ler (está disponível aqui, algo raro em termos de transparência e credibilidade – e que fique claro que aqui não há NENHUM apoio a candidato algum, mas apenas análise de cenário), mas a gente sabe que em eleição de Confederação votam 27 presidentes de Federação e estes caras não ligam exatamente para o bem do basquete. São muito mais afeitos a vaidades e tapinhas nas costas do que qualquer outra coisa.

O dia 10 de março marcará a saída de Carlos Nunes da Confederação. Sai de cena o pior presidente da história da CBB (conseguiu superar Grego neste sentido, o que é um feito e tanto) e entrará alguém para literalmente limpar as atrocidades que Nunes cometeu durante 8 anos. Guy ou Amarildo assumirá uma entidade endividada, sem credibilidade, suspensa e com patrocinadores escassos. O cenário é de terra arrasada, não há a menor dúvida.


Candidato na eleição da CBB dispara contra FIBA e rechaça força-tarefa: ‘Iremos declinar’
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Fábio Balassiano

guy2100Candidato da oposição pela Chapa Transparência na eleição de uma endividada e suspensa Confederação Brasileira no pleito que acontece em 10 de março, Guy Peixoto esteve na semana passada na Suíça na reunião convocada pela Federação Internacional para discutir os rumos da CBB. E não gostou do que viu e ouviu. “Fiquei bastante chateado. Estava no Brasil, peguei um voo para uma reunião de uma tarde e não tive oportunidade alguma de falar sobre meu plano para reestruturar a entidade. Uma decepção imensa”, afirmou o empresário, que promete um modelo profissional ao extremo caso seja eleito.

Peixoto, de pulso firme, afirma que não assinará nenhuma carta de intenções, como queria a FIBA, autorizando a criação da força-tarefa e que reforçará a sua posição nesta terça-feira, quando seu grupo de trabalho irá se encontrar com Comitê Olímpico Brasileiro e Ministério do Esporte no Rio de Janeiro. “Não concordamos com isso de forma alguma. Iremos declinar. Se a FIBA quiser ajudar a nossa gestão, estamos de braços abertos, mas o restante não podemos concordar”. Confira a entrevista com Guy, que disputará a presidência da CBB contra Amarildo Rosa, da Federação Paranense, em pouco mais de 60 dias.

guy21BALA NA CESTA: Entre o que você esperava e o que aconteceu na reunião da FIBA, qual o tamanho real da sua frustração?
GUY PEIXOTO: Vamos lá. Eu esperava que na reunião me dessem oportunidade para mostrarmos propostas de solução para o basquete brasileiro, mas não foi isso que aconteceu. Os dirigentes da FIBA se resumiram a falar com o Carlos Nunes, cobrando dele ações que sabemos que ele não tomou. Eles acharam que o Nunes, depois da suspensão de novembro do ano passado, faria um plano de ação para reverter a situação, mas o presidente da CBB dizia o tempo inteiro que estava esperando as soluções da Federação Internacional. É tudo tão difícil quando o assunto é a CBB que a gente não tem conhecimento exato se a dívida é de 10, 15, 20, 30 ou 50 milhões. Ninguém sabe exatamente o tamanho do rombo, mas queria deixar claro que nós temos uma proposta para revertermos o panorama. Principalmente de dinheiro. Levamos tudo pra lá, em inglês e espanhol, mas não conseguimos apresentá-lo. Foi frustrante. Fiquei bastante chateado. Estava no Brasil, peguei um voo, levei dois companheiros de equipe para uma reunião de uma tarde e não tive oportunidade de falar sobre meu plano para reestruturar a entidade. Uma decepção imensa.

guy41BNC: Você chegou a conversar com o presidente da FIBA, Horacio Muratore?
GUY: Vou ser transparente com você, Fábio. O senhor Muratore foi muito cordial, muito solícito, bem gentil mesmo, e disse que compromissos foram assumidos e não cumpridos. Disse a ele que nunca tive nada a ver com essa gestão. Ao meu ver o erro é que eles (FIBA) colocaram em um grupo só a administração atual e os querem fazer a mudança, o nosso caso. Colocou todos no mesmo lado da moeda. Chegaram a falar coisas até pesadas. Deixei claro ao senhor Muratore que são linhas diferentes. Temos propostas, ideias e apoio da comunidade do basquete.

BNC: De longe eu tinha feito uma análise que a FIBA tentou, sem sucesso, implantar a força-tarefa no Brasil, mas não deu muito certo. É por aí mesmo?
GUY: Olha, o que eu entendi ali é que o senhor Jose Luiz Saez, o enviado pela FIBA para verificar a situação da CBB recentemente, queria fazer a força-tarefa via Comitê Olímpico Brasileiro e Ministério do Esporte, tal qual aconteceu no Japão e no México. Para eles da FIBA, na minha concepção, a solução seria esta. Tanto que depois eles apresentaram um documento para garantir a força-tarefa já agora. Em minha opinião, um pouco fora de propósito.

guy1001BNC: Você assinou este documento?
GUY: Bala, a eleição já está marcada. Somos independentes, é algo novo no meio do basquete, mas é a nossa postura. Não vamos seguir o comboio. Mandaram documento para todos assinarem clamando por uma força-tarefa antes da eleição. Não concordamos com isso, não dava pra assinar o documento. Nesta terça-feira há uma reunião no Comitê Olímpico, nossa equipe estará presente e iremos declinar disso novamente. Força-tarefa depois da eleição a gente também não concorda. Se a FIBA quiser fazer uma parceria para nos ajudar, estamos à disposição. Mas, caso vençamos a eleição, a gestão será de todo grupo formado pela chapa Transparência. Coloco uma mesa na CBB para que eles acompanhem a nossa administração sem problema algum. Se eles quiserem acompanhar, que fiquem à vontade, mas a responsabilidade será de quem for eleito. Tão simples quanto isso. Que fique claro: COB, Ministério, Liga Nacional e todos os demais são nossos parceiros. Mas a CBB precisa sair sozinha de onde se encontra.

guy31BNC: De verdade, me responda: o que leva um empresário com carreira bem sucedida a querer assumir uma CBB que tem quase R$ 20 milhões de dívida e uma situação de credibilidade abaixo do aceitável?
GUY: Você tem razão. Eu pensei muito antes de aceitar o desafio de me candidatar a presidência da CBB. Volto a falar. Não é o Guy Peixoto que vai resolver a situação da CBB. O que acontece é que nós formamos um grupo. É uma equipe. Assim se vence no basquete na quadra. Assim se vence fora dela. Nós montamos um grupo, uma equipe que vai trabalhar pelo basquete brasileiro. Eu apenas vou capitanear essa turma. É óbvio que a palavra final será minha, como funciona nas minhas empresas. Outro dia aliás eu fiz um comparativo. Hoje tenho 17, 18 unidades. É igual a Federação, não é? No final das contas a decisão é minha. Tudo o que tenho na vida veio do basquete. Aprendi muito, muito mesmo. Hierarquia, trabalho em equipe, liderança, raciocínio rápido. Hoje eu posso fazer o inverso. Transformar o basquete com o que aprendi no mundo empresarial. E de forma profissional, Bala. Tem que ser profissional. Não só dinheiro, mas qualidade, transparência, gestão.

guy10Quero deixar uma coisa bem clara pra você: não vou receber um centavo da CBB se vier a ser eleito. Não quero um café da CBB. Nada. Compromisso assumido meu: a CBB não paga uma passagem do senhor Guy Peixoto, hotel, absolutamente nada. Nem da FIBA eu não quis nada. Não quero. Não preciso disso e quero ajudar o basquete. Vai ser uma grandíssima mudança de gestão. Transparência total, Bala. Todo dinheiro que entrar vai ser publicado. Precisa estar aberto e com muito esforço individual e coletivo. As pessoas que estão se propondo a me ajudar sabem que é um momento de sacrifício. Precisamos voltar a fazer basquete de qualidade no país. Trem da alegria, essas coisas, acabou. Pode me cobrar. Será uma gestão de meritocracia total sempre. Onde houver gente querendo fazer basquete nós vamos estar juntos.


Na reunião da FIBA, o óbvio ululante – Brasil segue suspenso e esperando solução
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Fábio Balassiano

fiba

Quando você olha esta foto pode imaginar que a turma toda que esteve na reunião organizada pela Federação Internacional para (aparentemente) salvar o basquete brasileiro saiu com alguma solução prática do encontro desta sexta-feira em Lausanne, Suíça. Não é bem assim, não. Aqui está a solução da FIBA (em inglês o texto completo): manter a suspensão até no mínimo maio deste ano (reportagem completa do UOL aqui). Na prática mesmo a seleção feminina Sub-19 acaba sendo afetada, não jogando o Mundial da categoria que será disputado na Itália. Os grupos foram sorteados na última semana e, com a CBB suspensa, a equipe não poderá atuar.

fiba1Mas, hein, como é que é? A FIBA suspende o basquete brasileiro em 14 de novembro de 2016, os clubes acabam pagando o pato ao não jogarem a Liga das América devido única e exclusivamente a falta de competência da CBB, e três meses depois e sem NENHUMA mudança na Confederação a Federação Internacional simplesmente prorroga a suspensão? Faz uma reunião de duas, três horinhas, tira uma foto com quase 20 pessoas e fica tudo por isso mesmo? É assim que se faz mesmo? A eleição está mantida, o que do ponto de vista moral e legal (de legalidade), me parece muito bom, mas será que não valia a pena uma punição mais severa, uma reestruturação real e profunda no basquete brasileiro, uma proposta de fazer diferente a gestão do esporte profissional por aqui?

Ou será que o encontro de ontem na Suíça é simplesmente a resultante de uma tentativa frustrada dela (FIBA) em fazer a tal força-tarefa? Força-tarefa que ela, FIBA, reitera como sendo importante para o basquete brasileiro a partir de maio (pós-suspensão) e já com uma nova gestão.

Sigo achando que minha tese dita aqui anteriormente faz sentido: a tentativa inicial da Federação Internacional não deu certo devido a não concordância de Ministério do Esporte e Comitê Olímpico Brasileiro, e nesta sexta-feira a entidade máxima do basquete no planeta simplesmente lavou as suas mãos, colocando todos os elementos na mesa meio que como testemunhas. Pelo que apurei, haverá na próxima semana no Rio de Janeiro encontro envolvendo Ministério, COB e os dois candidatos da próxima eleição para alinhavar a tal força-tarefa que tanto deseja a FIBA. O esforço em conjunto teria a duração de 18 anos.

gregoNão dá pra dizer que estou decepcionado com o que ocorreu nesta sexta-feira em Lausanne porque eu realmente não esperava nada de um encontro que contém na mesma sala Grego e Carlos Nunes, mas confesso que uma ponta de esperança bateu em mim de que veria algo de mais profundo, algo mais sério, algo menos político e mais prático. Nada disso ocorreu.

Confuso, né? Sim, bastante confuso. A única certeza que tenho é que  no jogo de xadrez disputado pela FIBA, CBB e demais segmentos do esporte mundial, o único que sai perdendo é mesmo o basquete brasileiro, cada vez mais perto do fundo do poço. Perto do fundo do poço e esperando o próximo passo que será jogado na mesa do tabuleiro. Teremos mais novidades em breve? Ou não?

No final das contas, no final do jogo mesmo, dá pra cravar: o basquete é tão mais lindo quando apenas disputado na quadra, não é?