Bala na Cesta

Arquivo : CBB

Comitiva da CBB se reúne com a FIBA para tentar retirar suspensão do país
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Acontece nesta semana em Mies, na Suíca, uma série de reuniões envolvendo a cúpula da Confederação Brasileira de Basketball e a da Federação Internacional, órgão máximo da modalidade no planeta. Entre hoje e quarta-feira a diretoria da CBB mostrará aos mandatários da FIBA o que foi feito nestes primeiros 40 dias da gestão comandada por Guy Peixoto e o que está sendo pensado para os próximos momentos do basquete nacional.

O objetivo final do encontro é único e bem claro: retirar a suspensão ao basquete brasileiro imposta pela FIBA no final do ano passado e que impede que clubes e seleções disputem competições internacionais.

“Vamos fazer apresentações e reuniões com integrantes da FIBA e demais presentes, mostrando o que fizemos nestes primeiros 40 dias de gestão, das iniciativas que já que tomamos para iniciar a recuperação financeira da entidade, além do trabalho para trazer de volta a credibilidade da Confederação Brasileira”, divulgou Guy Peixoto no site da CBB.

Embora exista otimismo em relação às ações tomadas pela gestão Guy Peixoto, principalmente em relação à auditoria, dificilmente a CBB retornará da Suíça com o basquete brasileiro livre para disputar competições tanto de clubes quanto de seleções. Não por competência ou falta dela, mas sim porque a decisão sobre a manutenção ou retirada da suspensão acontecerá apenas em maio durante reunião do Comitê Central da FIBA.

Essa reunião em Mies, na verdade, é o primeiro, e talvez o mais importante, passo para suavizar os corações e mentes da diretoria da FIBA em relação ao basquete brasileiro. A ideia de Guy Peixoto e seu corpo diretivo é mostrar que a CBB vive uma nova fase. Vamos ver como a Federação Internacional interpretará isso.


Contas abertas: nova gestão da CBB fará auditoria dos últimos oito anos da entidade
Comentários Comente

Fábio Balassiano

O blog teve acesso em primeira mão que em breve será anunciada por parte do recém-eleito presidente Guy Peixoto, da Confederação Brasileira de Basketball, que a entidade fará uma verdadeira varredura em suas contas.

Uma empresa internacional de auditoria, cujo nome será também divulgado nas próximas horas, irá verificar as contas dos últimos anos, o período em que Carlos Nunes foi presidente da entidade, diga-se de passagem.

A ação está em conformidade com os desejos da Federação Internacional (FIBA), que desde o anúncio da suspensão da modalidade brasileira pede que a caixa-preta do basquete nacional seja aberta para que todos conheçam exatamente em que estado se encontra o esporte no país.

Cabe salientar que houve anuência da FIBA para a auditoria acontecer, e que este pode ser um passo importantíssimo para que o basquete nacional volte a jogar competições internacionais, inclusive os Mundiais Sub-19 deste ano e as eliminatórias para os Mundiais Adultos de 2018, o feminino, e o masculino, de 2019. Este também foi um dos compromissos de campanha de Guy Peixoto, aliás (mais uma promessa cumprida, o que é ótimo).

Desde já vale dizer que blog aguarda com ansiedade o relatório desta empresa de auditoria. Algo me diz que há muita coisa interessante a ser descoberta, hein…


Por nova fase, Confederação divulga marca e camisa da seleção
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Está bem claro que Guy Peixoto tenta mudar a CBB desde que assumiu a presidência. Após fazer um roteiro de visitas que incluiu NBA, Ministério do Esporte, Comitê Olímpico, entre outras casas (só não foi ainda a Liga Nacional, mas tudo bem…), nesta semana foi a vez de o novo mandatário da Confederação Brasileira anunciar a nova logomarca da entidade máxima do basquete brasileiro. A imagem está aqui ao lado.

“Esta nova logomarca remete ao período das nossas maiores gerações e enaltece as principais conquistas do basquete brasileiro, os dois mundiais masculinos e um feminino, simbolizadas pelas três estrelas. Além disso, traz o nome ‘Basquete Brasil’, que adotaremos a partir de agora, por sermos o órgão representativo da modalidade no País”, explicou.

É muito comum, na NBA, quando as franquias querem demonstrar uma nova era, uma nova fase, um novo momento, que elas mudem a logomarca e também as suas camisas. É um recado à liga, aos torcedores, ao mercado de que ali existe um pensamento diferente daquele que acontecia anteriormente. A nova marca da entidade máxima do basquete brasileiro tem este objetivo sobretudo. Mostrar a sociedade que a diretoria recém-eleita tem o objetivo de fazer tudo diferente me parece ser um recado bem claro. E a nova marca é um dos primeiros passos para tal.

Vale dizer também que em uma primeira análise o “Basquete Brasil” também é um recado bem claro e que Guy Peixoto faz questão de colocar no centro da discussão. Acuada por uma série de problemas recentes, a CBB perdeu espaço no cenário nacional e passou a representar o que há de pior em termos de gestão graças a anos sombrios de Grego e Carlos Nunes, os dois últimos (terríveis) presidentes. O novo mote tenta resgatar o fato de que, na concepção da Confederação Brasileira, é ela que no final das contas dita as regras sobre a modalidade no país.

Por fim, Guy aproveitou a semana e foi mostrar em primeira mão a camisa da seleção a dois dos melhores jogadores de todos os tempos do basquete do país. Utilizando a mesma tipologia listrada das décadas mais gloriosas do esporte nacional, Marquinhos Abdalla e Wlamir Marques receberam do presidente da entidade em primeira mão a nova camisa, que eu, em minha modesta opinião, gosto muito bastante.

O blog segue acompanhando os movimentos da gestão Guy Peixoto à frente da CBB. Muito a ser feito, principalmente em relação a retirada da suspensão, divisão de base, feminino, diminuição da dívida, mas o começo, insisto neste ponto, me parece animador.

Tags : CBB


Guy Peixoto cumpre primeira promessa como presidente e começa a ‘enxugar’ contas da CBB
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Nós, brasileiros, estamos acostumados a esperar de políticos eleitos coisas diferentes do que eles prometeram nas campanhas. A julgar pelo começo de Guy Peixoto, presidente recém-empossado na Confederação Brasileira de Basketball no começo do mês, a história pode ser diferente.

Enxugar as contas da endividada CBB era uma das bandeiras mais fortes de sua campanha. E na sexta-feira Guy divulgou suas quatro medidas iniciais: a) devolução de duas salas subutilizadas da sede da entidade; b) devolução do apartamento funcional utilizado pelo presidente anterior; c) cancelamento dos celulares corporativos; d) Eliminação dos gastos do dia a dia do presidente incluindo viagens, alimentação e outros gastos de representação, custos alocados diretamente à Confederação nos últimos anos. Obrigação total, algo bem básico, mas promessa inicial cumprida.

As informações estão no site da entidade, em uma rara e até certo ponto não usual prática de transparente para uma CBB que era, até pouco tempo atrás, de uma obscuridade incrível.

“Com estas quatro medidas teremos uma economia anual de cerca de R$ 2 milhões, o que nos quatro anos de nossa gestão trarão uma economia de R$ 8 milhões. E, dentro do compromisso assumido de trabalhar sempre de forma transparente, anunciando todas as nossas medidas e ações, estamos notificando a comunidade do basquetebol sobre essas importantes e necessárias iniciativas, que são apenas as primeiras de uma série a serem implementadas, buscando trazer de volta o equilíbrio econômico/financeiro da entidade”, disse Peixoto ao site.

Nesta semana Guy também se encontrou com Arnon de Mello, responsável pelo escritório da NBA no Brasil (falta a conversa com a Liga Nacional), e visitou o Museu da CBF, na sede da entidade do futebol (uma de suas ideias é criar algo parecido para o basquete). A julgar pelo começo, a CBB passará por um “banho de loja”, embora seja óbvio que algumas coisas, como a situação do basquete feminino e a retirada da suspensão (quando será a reunião com a Federação Internacional afinal?), sejam muito elementares de serem resolvidas, antes mesmo do museu.

É necessário cautela, obviamente e porque se trata de um começo de gestão de uma Confederação que está muito atrasada em todas as frentes. Por isso aguardamos ansiosos e esperançosos por mais bons próximos passos de uma entidade que precisa sem dúvida alguma ser forte para que a modalidade seja plenamente e completamente desenvolvida por aqui. Liga Nacional, NBA e CBB são complementares, e não excludentes. Quando as três estiverem caminhando juntas, e bem, o basquete brasileiro terá novamente protagonismo nacional e internacional.


Interventor sai da FIBA, reunião é adiada novamente e CBB segue suspensa
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Inesperada mudança de panorama no basquete mundial na tarde de ontem. Em lacônico e-mail, a Federação Internacional informou que o espanhol Jose Luis Saez não faz mais parte do quadro de funcionários da entidade. Saez, para quem não lembra, seria simplesmente o interventor da FIBA para em teoria comandar a força-tarefa da suspensa Confederação Brasileira de Basketball.

EVENTO BALA NA CESTA EM SP– 27/03

O resultado prático disso é que a reunião que estava marcada nesta semana entre a nova gestão da CBB comandada por Guy Peixoto e a FIBA em San Juan, Porto Rico, está cancelada. O principal objetivo de Guy e seu time era encontrar com o alto escalão do basquete mundial para mostrar o plano emergencial deste começo de mandato (chamado de “Plano de 100 dias”). Caso tivesse boa recepção da Federação Internacional, a suspensão da Confederação poderia até ser retirada imediatamente. Mas nada feito.

Como não haverá a reunião em San Juan, até que novo encontro seja marcado (e aconteça) o Brasil segue fora de competições internacionais até maio deste ano. Vale lembrar que as duas seleções Sub-19 aguardam a retirada da suspensão para saber se poderão jogar nos Mundiais da categoria que acontecem neste ano.

A informação foi confirmada ao blog por membros do alto escalão tanto da FIBA quanto da nova gestão da CBB, que aguarda o desfecho da saída de Saez e a possível entrada de um novo dirigente neste tabuleiro de xadrez político.

Tags : CBB


Sob nova direção, Atletas reprovam contas da CBB pela 1ª vez e avisam: ‘Estamos atentos’
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Na eleição de semana passada da Confederação Brasileira de Basketball uma postura em particular chamou a atenção. Foi a da Associação de Atletas (AAPB), que ajudou a eleger o agora presidente Guy Peixoto e que logo depois teve a coragem de, ao contrário dos demais eleitores de Guy, reprovar as endividadas contas da CBB de 2016.

Para uma Associação que sob o comando de Guilherme Giovannoni, atleta de Brasília, aprovava sempre os desmandos financeiros de Carlos Nunes (foi assim por quatro anos consecutivos) e chancelava uma gestão tenebrosa como a dele foi uma surpresa e tanto a mudança de postura. E ela (a mudança) atende pela mudança na presidência da Associação.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Saiu Giovannoni e entrou Guilherme Teichmann (indicado pelo antecessor inclusive). Pivô do Pinheiros e dono de senso crítico acima do normal, o jogador de 33 anos anos e seu vice, Bruno Fiorotto (do Vasco), adotou uma postura muito menos contemplativa e começou a sua gestão dando um recado claro: “A reprovação destas contas manda um recado de que estamos atentos à próxima gestão”.

O blog conversou com a Teichmann de forma exclusiva e as respostas do presidente da Associação chamam a atenção pela clareza e sobretudo por uma forma bem diferente de ver a situação do basquete brasileiro.

BALA NA CESTA: Gostaria que você explicasse o voto em Guy Peixoto. O que pesou para que a Associação votasse nele e não no outro candidato?
GUILHERME TEICHMANN: Nosso voto foi baseado nos compromissos que o candidato assumiu. Entre eles, um plano de governo emergencial para os 100 primeiros dias visando reverter a suspensão imposta pela FIBA ao basquete brasileiro. Consideramos isso prioridade. A criação da Universidade do Basquete é outro compromisso que nós acreditamos que pode impactar muito no futuro da modalidade, capacitando técnicos, árbitros, dirigentes e jogadores.
A maioria dos atletas consultados por mim citou o perfil gestor do Guy Peixoto e o planejamento apresentado por ele como a melhor opção para solucionar os problemas que a CBB enfrenta e liderar um futuro mais organizado da Confederação. Por isso, cobraremos uma gestão competente e responsável. Outro fator que influenciou muito foram os grandes nomes do basquete que se colocaram ao lado do Guy, como Amaury Pasos, Hélio Rubens e Marcel, por exemplo. Pelo respeito e admiração que temos por essas pessoas que fizeram a historia do nosso esporte, esse apoio tinha que ser levado em consideração.

BNC: Um fato que chamou a atenção positivamente foi a reprovação das contas, algo que não acontecia com a antiga gestão anterior da Associação. Como foi o processo de reprovação das finanças de 2016 da gestão passada da CBB?
TEICHMANN: Nós atletas estamos muito insatisfeitos com a situação financeira da CBB. Nos últimos anos a Confederação recebeu um valor considerável de dinheiro, mesmo assim não honrou suas obrigações e dívidas foram criadas. A reprovação destas contas manda um recado de que estamos atentos à próxima gestão.

BNC: Qual o recado que a Associação quis deixar nesta eleição? O de que a gestão mudou e que agora todos serão mais cobrados?
TEICHMANN: Nosso recado é que confiamos no projeto, mas que estaremos atentos e cobrando. Faremos o que estiver ao nosso alcance para melhorar o nosso esporte e as condições de trabalho dos atletas. Nós atletas precisamos ser mais participativos e ativos nesse processo. Um bom exemplo para nós foi justamente o resultado da eleição da CBB. O apoio dos atletas, ex-atletas e técnicos foi muito importante para o resultado do pleito.

BNC: O que podemos esperar desta nova gestão liderada por você e pelo Bruno Fiorotto, pivô do Vasco?
TEICHMANN: Nossa missão é que os atletas participem mais. Nos esforçaremos por uma maior interação entre jogadores de times diferentes para solucionar problemas em comum. Também queremos diminuir a distância entre os atletas e quem comanda nosso esporte. Uma marca importante da nossa gestão será mostrar a preocupação que já existe por parte de nós, atletas, com as comunidades. Queremos fortalecer a imagem do jogador de basquete como um personagem importante e um influenciador dentro da sua comunidade. Vamos promover mais ações sociais. Inclusive já estamos fazendo algumas e acho que vale a pena usar o espaço para detalhar. Na última semana fizemos doação de cestas básicas através dos jogadores dos times de São Paulo para moradores de uma favela que foi vítima de incêndio.

BNC: Como foi o processo de comunicação de você para com os demais atletas da Associação? Eles apoiaram a decisão de votar no Guy Peixoto?
TEICHMANN: Falamos por telefone e mensagens. A decisão do voto da AAPB foi baseada nessas conversas.
Tentei me comunicar com o máximo de atletas, mas é claro que faltou conversar com muitos. Esse processo de comunicação dos atletas também é uma das coisas que precisamos melhorar. Estamos analisando qual será a melhor plataforma para isso.


Podcast: mico da NBA com Warriors x Spurs, Jogo das Estrelas do NBB e eleição na CBB
Comentários Comente

Fábio Balassiano

No programa dessa semana falamos muito sobre o mico da NBA envolvendo a parida Spurs x Warriors. A liga tem como fazer alguma coisa para evitar a frustração dos fãs do ginásio e também de casa? Falamos também sobre o Jogo das Estrelas do NBB, que promete um espetáculo de entretenimento com direto a show do intervalo do Jota Quest e tudo. Por fim, explicamos o que a chegada de Guy Peixoto a CBB significa.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Caso prefira, link direto aqui. Também estamos no iTunes ! O código RSS aqui. E-mails para podcastbalanacesta@gmail.com . Aproveitem e divirtam-se!


Analisando a eleição de Guy Peixoto e mais uma aprovação de contas da CBB
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Guy Peixoto é o novo presidente da Confederação Brasileira. Eleito com 17 votos (seu oponente Amarildo Rosa teve 9, houve uma abstenção e o Tocantins não pode votar), Guy assume uma CBB dívida de mais de R$ 17 milhões e suspensa pela Federação Internacional.

Seu primeiro (e corretíssimo) ato foi pegar um avião rumo a Suíça para, nesta semana, tentar mostrar aos dirigentes do alto escalão do basquete mundial que uma estratégia emergencial, chamada por ele e seu time de “Plano de 100 dias”, estará em curso a partir de agora. O objetivo: retirar a suspensão que impede clubes e seleções brasileiros de jogar competições internacionais.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Está claro que os desafios de Guy Peixoto serão imensos. Estarei como sempre vigilante a esta nova gestão da Confederação Brasileira, mas obviamente sabendo que a nova gestão precisará de tempo para analisar o cenário de terra arrasada da entidade (mesmo tempo que dei a Carlos Nunes em 2009 e que concederia em qualquer novo mandatário da CBB). Alguns fatos, ainda sobre a eleição, merecem ser levados em consideração e analisados por aqui. Vamos lá:

1) Além da votação no presidente em si, os 27 votantes liberados para o pleito (todas as Federações menos Tocantins e Associação de Atletas) tinham uma coisinha importante a fazer na sexta-feira no Comitê Olímpico Brasileiro: aprovar ou reprovar as contas de 2016 do (agora) ex-presidente Carlos Nunes. Os resultados (eleição e contas) encontram-se ao lado e estão claríssimos. Quinze presidentes de Federação aprovaram os resultados financeiros da CBB em 2016, 11 reprovaram e outra se absteve.

2) As aberturas encontram-se na figura ao lado (clique para ampliá-la). Apurei e coloco no blog como os presidentes de Federação e a Associação de Atletas votaram tanto para o presidente quanto para a aprovação ou reprovação das finanças da CBB em 2016. Em uma olhadinha rápida, todos os que elegeram Guy Peixoto chancelaram o balanço de Nunes em 2016 com exceção de MG, que se absteve. Os que reprovaram votaram em Amarildo. Não é coincidência. Vale dizer também que Rio Grande do Norte, que não votou para presidente, reprovou as contas. Pela primeira vez os Atletas votaram contra (analisarei adiante).

3) Presidentes de Federação normalmente são políticos, e até para analisar balanços financeiros votam… politicamente (e não financeiramente, como deveria ser). Para se ter uma ideia da coerência, ou falta dela, em relação a estes rapazes, em 2016 apenas três reprovaram o Balanço recheado de dívidas da CBB (Maranhão, Goiás e Pará). Estes agora aprovaram – e a situação piorou terrivelmente, sabemos. Os que antes chancelaram o trabalho de Carlos Nunes agora… reprovaram. O que mudou? Estes descobriram agora, só agora, que a situação da entidade é falimentar? Os que antes reprovavam passaram a aprovar por qual motivo?

4) Para responder a pergunta acima eu fui conversar com 4 presidentes de Federação. Dois que aprovaram e dois que reprovaram. Todos foram na mesma linha: o grupo de choque de Guy Peixoto aprovou as contas para ter acesso livre a todas as informações da CBB de Carlos Nunes.

Não é a maneira que eu lidaria com isso, mas foi uma estratégia em conjunto de quem sabe que terá muita coisa para tirar dos porões da Confederação. Os que reprovaram o fizeram porque já sabiam que perderiam a eleição e seria uma forma de retaliar o agora ex-presidente da entidade.

5) Sobre a votação para presidente em si, chamam a atenção os votos de Rio de Janeiro e São Paulo. As duas maiores Federações do país votaram em Amarildo Rosa. Têm representatividade, sem dúvida alguma, mas juro que gostaria de entender as razões do voto. Nada contra Amarildo, pelo contrário, mas houve algum motivo especial para que especificamente SP e RJ optassem pelo lado que acabou saindo derrotado? Ademais, como Guy Peixoto lidará com seu, digamos, grupo de eleitores e não eleitores? Seus votos vieram, em sua grande maioria, de Norte e Nordeste, antigos centros eleitorais que elegeram Grego no final do século passado.

6) Não poderia deixar de elogiar a postura da nova gestão da Associação de Atletas. Não pelo voto em Guy Peixoto em si, porque aí é uma questão de análise dos candidatos e eu não posso dizer quem está certo ou errado, mas sim pela coerente reprovação das contas. As contas da CBB são tenebrosas, e não faz o menor sentido aprová-las (nenhum motivo!). Vale dizer que o mandatário anterior, Guilherme Giovannoni, jogador de Brasília, aprovou TODAS as contas de Carlos Nunes desde que passou a votar. Em seu primeiro ato como novo mandatário da Associação, Guilherme Teichmann, bom ala-pivô do Pinheiros, optou por reprovar algo que está muito ruim. Mesmos nomes, posturas completamente diferentes, né? Ainda bem!


Suspensa, CBB realiza eleição a portas fechadas na sede do Comitê Olímpico Brasileiro
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Chega ao fim hoje a Era Carlos Nunes. Presidente da Confederação Brasileira por longos 8 anos, Nunes é o responsável maior por colocar na lama o nome da modalidade no país. Assolada por uma dívida de R$ 17 milhões ao final de 2015, com credibilidade negativa e culminando com a suspensão da Federação Internacional (FIBA) no mínimo até o final de maio deste ano, o mandatário põe um ponto final na pior gestão que a CBB já viu (e olha que ele teve a concorrência de Gerasime Bozikis, seu antecessor).

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Como fecho de “ouro”, Nunes realiza o pleito desta sexta-feira que tem como candidatos Guy Peixoto (o favorito) e Amarildo Rosa, ambos entrevistados neste espaço esta semana, mais uma vez a portas fechadas. Ou seja: ninguém, com exceção dos eleitores (presidentes de Federação e Associação de Atletas) e candidatos, terá acesso a mais esperada eleição da CBB dos últimos anos. A FIBA pedia transparência, seriedade e credibilidade. A Confederação, em seu último ato de uma gestão tenebrosa, reage assim. Incrível!

Nem um pouco adepta a liberdade de imprensa e da difusão da informação, a Confederação sequer faz questão de esconder o seu lado censor, colocando no site a seguinte atrocidade: “Os profissionais credenciados da imprensa somente terão acesso ao recinto da Assembleia para o momento de apuração de votos no processo eletivo, conforme consta do Edital de convocação”. Se não podemos (jornalistas) acompanhar o processo eleitoral de forma completa, vale a pena fazer o que lá então? Nada, né? Vale dizer que antes de eleger o novo mandatário os presidentes de Federação e a Associação de Atletas vão aprovar ou reprovar as contas de Carlos Nunes referente ao ano de 2016 (minha curiosidade é imensa em relação às justificativas dos votantes neste quesito e sobretudo com os números que do Balanço Financeiro sairão).

O mais bizarro de tudo é que o pleito acontece na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que indiretamente acaba concordando com um sistema de eleição deprimente, retrógrado, arcaico e que lembra os piores tempos da ditadura. Triste, pra dizer o mínimo. Mas fica a pergunta: se o Comitê chancela isso abrindo as suas dependências para uma eleição a portas fechadas, sem que a imprensa possa exercer livremente o trabalho de informar o que se passa, o que esperar do COB?

Vamos acompanhar os movimentos que esta sexta-feira nos reserva. Ficarei bastante surpreso se Guy Peixoto não for eleito. Em todas as conversas que tive o empresário, que tem o apoio de muitos ex-jogadores, aparece como grande favorito a presidir a CBB nos próximos quatro anos. Torçamos para que ele ou Amarildo Rosa não tragam somente cores novas em termos de gestão, mas sobretudo ares de transparência, credibilidade e abertura ao público. Já seria um excelente começo em uma entidade que se acostumou a tentar censurar o trabalho de quem deve sempre fiscalizar o poder – ainda mais uma entidade pessimamente gerenciada como esta que Carlos Nunes e seus colegas administraram por oito anos.

Fechar uma eleição é o cúmulo do absurdo. Mas segue acontecendo no basquete. Desta vez nas barbas do Comitê Olímpico Brasileiro. Nada mais triste.


Entrevista com o candidato a presidência da CBB Guy Peixoto
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Ontem você leu aqui a entrevista com o candidato Amarildo Rosa. Hoje é a vez de ler as propostas de Guy Peixoto nos mesmos moldes de ontem – 10 perguntas iniciais iguais às respondidas por Amarildo e as 2 finais únicas para ele.

Nascido em Belém (Pará), Guy completará 56 anos no dia 13 de março, é empresário renomado no ramo de logística, foi atleta profissional e defendeu a seleção brasileira nas décadas de 70 e 80. Tem como apoiadores de campanha nomes de peso como Tiago Splitter, Marta Sobral, Marcel de Souza, Amaury Pasos, Guerrinha, Marquinhos Abdalla, entre outros. Vamos a entrevista completa.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

BALA NA CESTA: Para quem não conhece o senhor, como o senhor se apresentaria para a comunidade do basquete? Quem é o candidato Guy Peixoto?
GUY PEIXOTO: Sou um ex-jogador nascido em Belém (PA) e que tem muito a agradecer ao basquete, que me ensinou muita coisa e me deu a chance de conseguir êxito em outros setores da minha vida. Tive o orgulho de defender a camisa de clubes importantes do cenário nacional, além de envergar a camisa da Seleção Brasileira. Neste momento, atendendo ao clamor de grande parte da comunidade do basquete, tomei a decisão de concorrer à presidência da Confederação Brasileira de Basketball (CBB) com a meta de implantar uma gestão profissional e transparente, buscando reconduzir o basquete nacional ao seu lugar de direito.

BNC: O que leva alguém a querer assumir uma entidade que tem R$ 17 milhões de dívida, credibilidade zero e uma suspensão da FIBA a cumprir? Não é muita loucura?
GUY: Eu aceitei lançar candidatura à presidência da Confederação Brasileira de Basketball (CBB) por entender que, junto com um grupo de pessoas que comungam do mesmo ideal, amam a modalidade e que formam a nossa chapa, posso implantar uma gestão profissional, com metas claras e pré-estabelecidas, funcionando, verdadeiramente, como uma empresa. É, sem dúvida alguma, um desafio, mas acredito fortemente que com um modelo de gestão profissional e diferenciado, que é o que nos propomos, podemos reverter o cenário onde nos encontramos atualmente.

BNC: Você tem divulgado através das redes sociais um pouco sobre seu plano de governo, caso seja eleito. Quais são as prioridades do Governor Guy Peixoto caso o senhor vença o pleito em 10/03?
GUY: Assim que assumirmos, caso vençamos as eleições, será anunciado o plano de 100 dias, ou seja, um conjunto de ações emergenciais que julgamos essenciais para o nosso início de trabalho. Alguns dos itens mais importantes são: retirar a suspensão imposta à CBB, reativar os campeonatos de Base de Seleções Estaduais nas faixas etárias sub-13, sub-15, sub-17 e sub-19, implementar o Centro de Treinamento de Excelência para seleções de Base e Adultas, dar transparência total às informações financeiras, administrativas e técnicas da Confederação, implementar a Universidade do Basquetebol para atender a todos os segmentos do basquete (Técnica, Arbitragem, Saúde do Esporte, Gestores esportivos e Atletas e ex-atletas) e criar o Conselho de Notáveis. Outra coisa que considero importante relatar é que toda a remuneração destinada a presidência será revertida em caráter de doação a Confederação Brasileira de Basketball (CBB).

BNC: Como o senhor avalia a gestão do presidente Carlos Nunes ao longo dos últimos 8 anos? Há solução para a Confederação Brasileira sair da lama, ou no atual estágio o mais correto a se afirmar é mesmo que o novo presidente deverá praticamente estancar um sangue imenso provocado por Nunes e seu grupo gestor?
GUY: Os resultados, dentro e fora de quadra, mostram que a atual gestão da CBB deixou muito a desejar, fazendo com que o basquete nacional perdesse a credibilidade e o espaço nos cenários nacional e internacional. Com certeza existe solução para sairmos dessa crise, e por este motivo desenvolvemos um plano de gestão inovador e abrangente, buscando solucionar os problemas existentes e trazer modernidade à gestão da confederação.

BNC: Uma das grandes dúvidas sobre o novo presidente é a tal força-tarefa proposta pela FIBA. O senhor assinará isso? Ou mantém de que não irá assinar? Caso assine ou não, quais são as consequências para para a CBB e clubes brasileiros?
GUY: Creio que a FIBA está fazendo o seu papel de buscar soluções para basquete brasileiro, que é um dos seus filiados e dono de uma história riquíssima. Nós já fizemos contato com a entidade maior do basquete mundial para mostrar as nossas intenções, metas e ideais, e caso venhamos a vencer a eleição já temos uma reunião agendada na Suíça para apresentar nosso plano detalhado para os primeiros 100 dias. Neste momento oportuno iremos também abordar este tema.

BNC: O senhor pode ser eleito pelas Federações, mas me parece claro que este modelo federativo, com pouca gente votando e gerenciando o basquete brasileiro, é arcaico e precisa de mudanças. O senhor concorda com isso? Pretende fazer mudanças estatutárias neste sentido? Ademais, como você fará para lidar com Federações que não fazem basquete de base (quase todas)? Qual será a cobrança de você, que será eleito por elas, para elas em relação à massificação da modalidade?
GUY: Dentro do nosso plano de gestão existe um item específico sobre as federações estaduais e a nossa ideia é fazer um trabalho de fortalecimento destas entidades, passando conhecimento e dando condições para que eles evoluam em vários sentidos e setores, auxiliando na formação de atletas e realizando o basquetebol por todo o país.

BNC: As duas seleções brasileiras adultas estão sem técnico no momento. Quem seriam seus nomes preferenciais caso assuma a Confederação Brasileira?
GUY: Em caso de vitória do nosso grupo iremos informar a composição da nossa diretoria e teremos os responsáveis técnicos. Estes profissionais habilitados, ao lado da diretoria e do grupo de notáveis, chegarão aos nomes certos para estas funções.

BNC: Outro ponto importante diz respeito às categorias de base, abandonadas a própria sorte há anos. Qual o seu plano especificamente para trazer mais jovens atletas para o basquete, desenvolvendo estes jovens atletas para o futuro da modalidade?
GUY: A base é muito importante para o futuro do nosso basquete, pois é a formação que dá a sustentação para a modalidade no futuro. Vamos dar uma atenção mais do que especial à base, já que ela foi totalmente esquecida nos últimos anos. Além do que já falei em relação às federações, vamos fazer eventos e ações que fortaleçam a base e possam elevar os níveis dos nossos atletas e treinadores. Como mencionado, vamos realizar os campeonatos de base de Seleções Estaduais nas faixas etárias sub-13, sub-15, sub-17 e 19. Saliento que alguns destes campeonatos foram interrompidos nos últimos anos (Sub-15 e Sub-17), traremos de volta o Sub-19 (que por muitos anos não foi promovido) e criaremos o Sub-13, paralisado há mais de 30 anos.

BNC: Recentemente houve uma série de rumores envolvendo a relação entre CBB e Liga Nacional. Alguns presidentes de Federações são contra o NBB, afirmando que o campeonato nacional deve voltar a ser gerido pela Confederação Brasileira. O que o senhor acha disso? Pretende realmente acabar com o NBB? Como será a sua relação com a entidade?
GUY: Mantenho um relacionamento cordial com a Liga Nacional de Basquete (LNB) e não vejo motivo para mudar isto. Eu não sei qual foi o tipo de acordo firmado com eles, mas caso vença a eleição vou verificar. Sobre Federações contra a LNB e coisas similares, acredito existirem posições das mais diversas sobre o assunto. Isto não vai afetar em nada nosso futuro trabalho de gestão de todas as partes interessadas em nosso esporte: federações, atletas, técnicos, arbitragem, ligas, etc.

BNC: Qual o seu plano para equacionar as dívidas da CBB? Qual é, exatamente, o tamanho do rombo da Confederação?
GUY: O primeiro passo é conhecer o montante da dívida da CBB. Vemos pelos balanços financeiros o número, mas é preciso se debruçar na situação toda e entendê-la completa. Depois disso, junto com a minha equipe de trabalho, traçaremos planos de recuperação da sua saúde financeira, usando para isso, profissionais competentes e atuando sempre com transparência para recuperar, em primeiro plano, a credibilidade da entidade.

BNC: É de conhecimento de todos que o senhor apoiou Carlos Nunes na primeira eleição dele. Agora o senhor surge como oposição. Não é contraditório? O que mudou de lá pra cá? Se arrepende de ter apoiado um cara que se mostrou um presidente tão ruim?
GUY: Consigo explicar isso tranquilamente e assumindo tudo o que fiz. Há oito anos o senhor Carlos Nunes apareceu com um nome novo, que dentro de sua campanha se propunha a trabalhar diferente do que fez. Naquele momento, precisávamos de uma mudança, pois estávamos há vários anos com o Grego na presidência e o basquete nacional clamava por algo novo. Foi por isso que, sim, o apoiei, pois desde aquela época já havia um clamor imenso por mudanças no rumo do basquete. Mas infelizmente ele não fez nada daquilo a que estava se propondo e tão logo começou a sua gestão eu rompi com ele.

BNC: Pra fechar. O senhor tem muitos apoios da comunidade do basquete. Ex-jogadores, técnicos, muita gente chancela a sua candidatura. Como o senhor fará para dirigir a Confederação Brasileira mesmo tendo uma vida empresarial de sucesso? Quantos % do seu dia será tomado por assuntos de basquete e quantos % pela sua vida empresarial?
GUY: Essa é uma boa pergunta e vou te responder da maneira mais sincera possível. Farei da mesma forma que faço com as minhas empresas, que são compostas por profissionais competentes em suas áreas. Com esse formato que planejamos para a CBB, a entidade funcionará como uma empresa e creio que os resultados serão amplamente favoráveis. Quero reafirmar que o foco total será na recuperação do basquete. Este ponto guiará minhas ações durante todo o mandato, caso sejamos vencedores. Outro fator importante de se colocar é que não vou receber um centavo da CBB se vier a ser eleito. Não quero um café da CBB. Nada. Compromisso assumido meu: a CBB não paga uma passagem do senhor Guy Peixoto, hotel, absolutamente nada. Não preciso disso e só quero ajudar o basquete. Vai ser uma grandíssima mudança de gestão, com transparência total. Todo dinheiro que entrar vai ser publicado. As pessoas que estão se propondo a me ajudar sabem que é um momento de sacrifício pelo bem maior, que é o basquete. Pode me cobrar. Será uma gestão de meritocracia total sempre. Onde houver gente querendo fazer basquete nós vamos estar juntos.