Bala na Cesta

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Lei do Ex e rede de TV ‘levam’ Bulls a improvável 2-0 contra o Celtics na NBA
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Fábio Balassiano

A rodada de ontem dos playoffs da NBA teve três times que perderam as primeiras partidas jogando em casa nesta terça-feira para tentar evitar o 2-0 do rival e a consequente chance do oponente fechar a série em 4-0 nos próximos duelos.

E a maior surpresa acabou acontecendo em Boston, onde o Celtics foi atingido pela Lei do Ex e sobretudo pela rede norte-americana TNT. Armador do Chicago, Rajon Rondo (foto) foi titular do Celtics campeão em 2008. Ídolo da franquia, foi trocado em 2014, nunca engoliu a negociação e ontem deu o troco em grande estilo. O camisa 9 comandou as ações do seu time, fez 11 pontos, apanhou 9 rebotes, distribuiu 14 assistências e ainda roubou 5 bolas para liderar o Bulls a uma importante vitória de 111-97 para abrir 2-0 na série. Os próximos dois jogos serão no United Center, em Chicago, na sexta-feira e no domingo.

Além da Lei do Ex aplicada por Rondo foi combinada a um fator até certo ponto engraçado e que agitou a internet durante a partida de ontem. O motivo é simples: o Chicago venceu os seus últimos 22 jogos transmitidos pela rede norte-americana TNT. Foi com a emissora exibindo, por exemplo, que a equipe bateu o Cavs três vezes durante a temporada regular. Os dois primeiros dois jogos dessa série contra o Boston foram da TNT e… houve dois triunfos do Bulls. Já há na internet uma logomarca da emissora com as cores do Chicago (vermelha e preta – veja ao lado). Pra sorte do Celtics, o jogo de sexta-feira será exibido pela ESPN, embora o de domingo, o quarto duelo, tenha a mesma TNT transmitindo.

Vale lembra que na história da NBA apenas em cinco oportunidades o cabeça-de-chave 8 (caso do Bulls agora) venceu uma série contra o número 1 (Celtics em 2017). A última vez que isso ocorreu inclusive foi em 2012 contra o Bulls (o Sixers fez 4-2 naquele ano em que Derrick Rose se lesionou).

Em Los Angeles o Clippers também suou horrores, mas contou com 63 pontos do seu trio formado por Blake Griffin, DeAndre Jordan e Chris Paul para igualar a série contra o Utah Jazz ao fazer 99-91. O duelo agora também está 1-1 e os próximos dois confrontos serão em Salt Lake City.

No Canadá o Toronto Raptors foi inconstante e permitiu a reação do Bucks em alguns momentos mas prevaleceu no final ao vencer por 106-100 apesar da grandíssima atuação de Giannis Antetokunmpo, que somou 24 pontos, 15 rebotes e 7 assistências. Kyle Lowry se recuperou da partida inicial horrível que teve (4 pontos) e saiu-se com 22 e uma bola final nos últimos segundos que sacramentou o triunfo torontino. A série agora viaja para duas partidas em Milwaukee com 1-1.

Tags : Bulls NBA


Dez fatos sobre Jerry Krause, o ‘arquiteto’ do Bulls 6X campeão que faleceu nesta semana
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Fábio Balassiano

Na terça-feira um dos maiores gênios da história do basquete faleceu aos 77 anos. Nunca fez uma cesta, nunca desenhou uma jogada na prancheta, nunca pegou um rebote. Mas Jerry Krause criou o mítico Chicago Bulls da década de 90.

Manda-chuva do esquadrão que tinha Michael Jordan, Scottie Pippen e Dennis Rodman, além do comando de Phil Jackson, Krause foi o arquiteto simplesmente de um dos melhores times da história do basquete (o Chicago campeão de 1996). O que nem todo mundo sabe sobre a vida dele? Separei dez fatos bem diferentes. Vamos lá:

1) Relação horrível com Michael Jordan -> Turrão, viciado em trabalho, frio e pulso firme, Jerry Krause liderou o Chicago Bulls entre 1985 e 2003. Chegou a Illinois, portanto, um ano depois da franquia ter escolhido Michael Jordan no Draft de 1984. A relação de Krause com o melhor de todos os tempos sempre foi péssima. Jordan queria ditar as regras. Krause brecava. Jordan queria mais que o máximo dos salários. Krause não pagava. Jordan queria indicar todos os jogadores de North Carolina. Krause não ouvia. Jordan se irritou quando soube que Doug Collins, o técnico, seria demitido. Krause fingiu que não era com ele e mandou o treinador embora. Para se ter uma ideia de como os dois não se bicavam, Krause ordenou que MJ não jogasse mais na temporada de 1985 pois o camisa 23 tinha sofrido uma grave lesão no pé. Jordan peitou o gerente-geral e voltou na marra. Se tivesse seguido a ordem de Krause o mundo não teria visto o jogo de 63 pontos contra os Celtics nos playoffs. Aquele duelo que o Larry Bird disse “Eu vi Deus disfarçado de Michael Jordan.”

2) A troca incrível para ter Scottie Pippen e a irritação de Jordan -> Michael Jordan dizia aos quatro ventos que só seria campeão quando tivesse companheiros do seu nível. E Jerry Krause sabia disso. Por isso no Draft de 1987 ele fez de tudo para selecionar um garoto esguio de Little Arkansas. Cedeu Olden Polynice e picks futuros para o Sacramento em troca de Scottie Pippen, a quem ele considerava o par perfeito para o futuro de Jordan. Muita gente estranhou, porque Pippen jogava em um circuito universitário de menos fama, menos força, e sua capacidade de se adaptar a NBA era bastante questionada por outros olheiros. O camisa 23, por sua vez, também não gostou nada e no dia seguinte da seleção do Draft encontrou Krause no Centro de Treinamento. Jordan virou-se para o chefe e disse: “Espero sinceramente que ele seja forte o suficiente para jogar aqui”. Krause estava certo.

3) Relação pior ainda com Scottie Pippen -> Se com Michael Jordan o dia a dia era péssimo, com Pippen era ainda pior (e muitas vezes Jordan tinha que interceder a favor de seu companheiro). Pippen considerava que era subestimado por todos na organização, que não recebia o quanto merecia e quando MJ foi jogar baseball ninguém da franquia acreditava que ele poderia ser o grande líder que ele, Pip, pensava que era. Em 1994, em uma série de playoff contra o Knicks, Phil Jackson chamou a jogada final para final para Toni Kukoc, deixando Pippen enfurecido. O camisa 33 se negou a retornar para a quadra, o Bulls perdeu a série e o clima no vestiário azedou. Krause virou-se para o treinador no final da temporada e disse: “Ele nunca será (o líder que pensa que é)”.

4) Visionário da Europa contratando Toni Kukoc -> Era o ano de 1988 quando um ex-jogador do Chicago ligou para Krause e disse: “Tenho um garoto jogando contra mim na Europa que você precisa conhecer. Altura de ala-pivô, habilidade de armador e arremesso de um ala-armador. Venha vê-lo”. Krause foi e conheceu Toni Kukoc, ala que seria peça fundamental no segundo tricampeonato do Chicago Bulls. Hoje em dia a gente vê milhares de estrangeiros na NBA e acha normal. No Draft de 1990, houve apenas quatro gringos entre os 54 escolhidos. Chamado de Magic Johnson branco, Kukoc só chegou à NBA em 1993, mas com reputação surreal de incrível (três títulos da Euroliga, medalha de prata em Barcelona-1992 e 3 MVP’s de Final Four da Euroliga no bolso). Com uma relação pouco amistosa com Michael Jordan, que achava que Krause o tratava melhor que o restante do elenco, Kukoc impressionava a todos na organização porque não reagia ou reclamava de nada. Krause conta que quando trocou o croata em 1999/2000 chorou pela primeira vez em uma negociação. Mandar embora um de seus atletas preferidos mexeu com o gelado coração do manda-chuva do Bulls.

5) Primeira chance de Phil jackson -> No verão de 1987 Krause queria mexer na comissão técnica do Chicago Bulls. Queria, na época, sangue novo, uma visão diferente de basquete. Chamou Phil Jackson para uma entrevista de emprego, mas não se animou muito quando o então técnico da CBA, liga menor dos Estados Unidos, chegou a sua sala com uma calça de linho branca, chapéu Panamá e camisa com botões abertos. Mesmo assim optou por contratá-lo. Dois anos depois, bancou Phil Jackson como técnico principal da franquia. Mesmo com seis títulos conquistados a relação com Phil era de tapas e beijos. Antes da temporada 1997/1998 havia rumores que o treinador não voltaria ao cargo. Krause conseguiu renovar, mas apenas por um ano. Na coletiva disse na frente da imprensa: “Mesmo se conseguirmos a campanha de 82-0 será a nossa última temporada juntos”. Não foi a toa que Phil Jackson descrevia aquele campeonato como “A última dança”.

6) Dennis Rodman mudo no primeiro contato -> Contratar Dennis Rodman para o time que acabou ganhando o segundo tricampeonato do Chicago Bulls parece uma jogada genial, mas foi muito arriscada. Dono de temperamento forte e figura daquele Detroit Pistons que amassava os Bulls na década de 80, Rodman foi trocado pelo San Antonio Spurs por dois pacotes de mariola e Will Perdue. Krause achava que tinha feito o melhor emprego do mundo até que o ala-pivô se apresentou para o primeiro contato com a franquia e ficou mudo. Krause falou por duas horas e Dennis Rodman apenas ouvia, ouvia e ouvia (ou fingia ouvir). No final, Phil Jackson, o Mestre Zen, foi convidado a interceder. Chamou Rodman no canto, trocou cinco palavras e deu a confirmação para Krause de que estava tudo ok. Rodman saía da sala quando virou-se para o gerente-geral e disse: “Eu sei porque eu vim para cá. Não precisava falar por tanto tempo se o meu negócio aqui será pegar rebotes para o Michael Jordan arremessar”.

7) Técnico “cortejado” em pleno casamento da filha -> Em 1997 uma das filhas de Krause se casou. Toda a comissão técnica do Chicago foi convidada, com exceção de Phil Jackson. A relação era péssima entre ambos. Chegando a festa os assistentes do Bulls se chocaram quando viram Tim Floyd, técnico da Universidade de Iowa, entre os presentes. Depois das fotos Krause pegou uma bebida e se sentou na mesa da família de Floyd. A conversa para o técnico suceder a Phil Jackson no começo da temporada seguinte estava sendo desenhada em um evento pessoal e na frente dos comandados de Phil Jackson. Era a cara de Krause, mas a taca deu errado. Três temporadas e 45 vitórias depois, Floyd foi demitido e é até hoje considerado um dos piores treinadores que passaram pelo Bulls (era o pós-Jordan, lembremos).

8) Começo dele no baseball -> Krause ficou conhecido no Chicago, mas era scout (olheiro) no baseball também. Dono de olho clínico para recrutar talentos, ele trabalhava para Jerry Reinsdorf, do Chicago White Sox, quando recebeu do patrão o convite para fazer a mesma coisa no seu time de basquete. Já havia feito isso na década de 70, inclusive para o Bulls, e decidiu topar. Meses depois ele foi alçado a condição de gerente-geral da franquia, conseguindo negociações, trocas e movimentações incríveis no final da década de 80.

9) A frase que “matava” Michael Jordan por dentro -> “Quem ganha o jogo não é jogador. É a organização da franquia”. Krause pregava essa frase no Centro de Treinamento do Chicago Bulls e muita gente diz que quando Michael Jordan passava por isso sempre dava um tapa na parede. Era a filosofia do chefe, mas contrastava com ego e talento de Jordan. No final das contas, os dois estavam errados e certos. O Chicago Bulls, complicado e perfeitinho, é que fazia com que Michael Jordan brilhasse. E era Michael Jordan, genial, que levava o Chicago aos títulos.

10) Tex Winter, o único “Coach” -> O único técnico da vida que Jerry Krause chamava de Coach era Tex Winter, o inventor do Sistema de Triângulos que “gerou” 11 títulos na NBA (seis em Chicago e cinco no Los Angeles Lakers). Havia momentos que Krause não conversava com Phil Jackson, mas sim com Winter, a quem considerava um mentor, um gênio, um mito do basquete. Por causa da não indicação de Winter para o Hall da Fama Krause afirmou que não compareceria a nenhuma cerimônia de indução dos novos Hall da Fama enquanto Tex não fosse homenageado. Em 2009 Michael Jordan foi condecorado. Jerry Krause não estava na cerimônia.


Podcast BNC: Furacão no Bulls, rumores sobre Carmelo e o Vasco x Flamengo
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Fábio Balassiano

SuperIngressos

melo3No programa desta semana falamos sobre a grande crise que envolve o Chicago Bulls, os rumores envolvendo Carmelo Anthony e sua provável saída do New York Knicks, os reservas do All-Star Game e, claro, o clássico envolvendo Vasco x Flamengo que enfim aconteceu pelo NBB.

Caso prefira, o link direto está aqui. Caso queira, também estamos no iTunes ! O código RSS está aqui. Críticas, perguntas ou sugestões ou é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e divirtam-se!


Infância sem pai e mãe viciada em drogas – como Dwyane Wade se tornou ídolo na NBA
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Fábio Balassiano

wade1Três vezes campeão da NBA pelo Miami Heat, MVP dos playoffs em 2006, 12 vezes All-Star, cinco vezes finalista, vezes medalhista de ouro com a seleção norte-americana (2008), jogando no time de sua cidade natal (o Chicago), considerado um dos melhores de todos os tempos e com mais de US$ 150 milhões recebidos em salários em mais de uma década no melhor basquete do mundo. Dwyane Wade comemora 35 anos hoje, mas sua vida nem sempre foi fácil. O craque do Bulls, que enfrenta nesta noite o Dallas Mavs em casa, teve uma infância sofrida ao ser abandonado pelo pai logo depois de nascer e ter a mãe, presa diversas vezes, viciada em heroína, álcool e cocaína. O esporte literalmente foi a sua tábua de salvação.

wade20Nascido em Chicago em 17 de janeiro de 1982 no South Side de Chicago, Dwyane Tyrone Wade é filho da conturbada relação de JoLinda e Dwyane Wade Sr. Aos 18 anos, em 1977, JoLinda já tinha dois filhos. Cinco anos mais tarde viria o (agora) mais famoso dos rebentos. Wade Jr. nasceu em um bairro pobre, e segundo ele mesmo conta em seu livro “A Father First” não foram poucas as vezes que ele viu corpos baleados jogados em um lixão a poucos metros de sua casa. Se isso não fosse o bastante, com 4 meses de vida seus pais se separaram. A relação com seu pai passaria a existir, na verdade, quase uma década depois. Divorciada, JoLinda se mudou para a casa da mãe, mas as dificuldades financeiras logo apareceram. Afundada em dívidas, a mãe da família tornou-se viciada em drogas que variaram de cocaína, heroína a álcool.

wade3Posso dizer que algumas vezes em minha vida eu vi as agulhas em volta da minha casa. Elas eram utilizadas pela minha mãe para consumir drogas. Eu em muitas ocasiões vi minha mãe fazer uso delas antes de as agulhas ficarem soltas pela casa. Eu vi um monte de coisas que minha mãe nem sabia que tinha visto quando criança“, contou Wade em seu livro. Aos 6 anos, a criança viu a polícia invadir a sua casa em busca de sua mãe, que cometera inúmeros delitos. Aos 9, sua irmã mais velha, Tragil, mentiu pra ele: disse que iriam ao cinema ver o novo filme da Disney, mas na verdade os dois foram mesmo para a nova casa do pai. Dwyane Wade Sr, sargento do exército, havia se casado pela segunda vez e passado a morar em Robbins, um vilarejo de 5 mil habitantes nas cercanias de Chicago. Naquela altura, o jovem Wade se cercaria de mais cuidados, conseguiria ir a escola de forma mais tranquila e passaria a jogar os dois dois esportes favoritos dele – basquete e futebol americano. O contato com a mãe, porém, diminuiria. JoLinda tentava se recuperar em clínicas de reabilitação e trabalhos voluntários, mas em 1994 foi presa por tráfico de drogas (crack e cocaína). Cumpriu as penas, mas descumpriu algumas regras e só saiu em definitivo em 2003, quando o filho acabara de entrar na NBA. A relação de mãe e filho ficou abalada e hoje é apenas cordial, amistosa. O mesmo não se pode dizer da com o pai. Wade Jr. e Wade Sr. se dão muito bem frequentemente o patriarca é citado pelo jogador do Bulls em entrevistas.

wade200Destaque no segundo grau do Harold L. Richards, em Illinois, Dwyane Wade, já com quase 1,90m de altura aos 16 anos, recebeu um convite do técnico Tom Crean para jogar na Universidade de Marquette. Era a sonhada bolsa de estudos que poderia mudar a sua vida. Naquela época, Wade diz que nem pensava em ser jogador profissional de basquete, mas sim em ter um diploma universitário que possibilitaria uma vida diferente a sua família. Logo em seu primeiro ano na faculdade, uma notícia não muito boa: o ala-armador não poderia entrar em quadra porque suas notas eram muito ruins. Acostumado a situações complicadas, Wade não se abalou, entrou em um sistema de monitorias e na temporada 2001/2002 poderia estrear. Suas médias de 17,8 pontos como calouro logo chamariam a atenção dos times da NBA. No ano seguinte, em 2002/2003, os 21,5 pontos e a ida ao Final Four universitário encantariam a ninguém menos que Pat Riley, um dos manda-chuva do Miami Heat.

wade100Técnico do Lakers de Magic Johnson nos anos 80, Pat Riley fez de tudo para selecionar Wade no Draft de 2003. Ficou feliz quando, com a quinta escolha, pode levar o camisa 3 para a Flórida, onde o atleta ficaria muito ligado à comunidade, sendo um dos jogadores mais carismáticos da equipe e sempre pronto para os conhecidos trabalhos sociais da NBA.

A partir daí, os resultados de Dwyane Wade falam por si. Já são 13 temporadas na NBA, e em todas elas o jogador de 1,93m que em 2016/2017 estreia vestindo a camisa do Chicago Bulls de sua cidade-natal teve no mínimo 16 pontos de média. Além dos títulos, ele tem a distinção de ser o maior ídolo da história da franquia Heat, de onde saiu justamente porque Riley não quis pagar US$ 20 milhões por ano. Os Bulls quiseram, o camisa 3 não se sentiu valorizado e decidiu mudar de ares. Em seu retorno, as homenagens foram muito emocionantes (veja vídeo abaixo).

wade3000Muito ligado a família, Wade é pai de três filhos (Zaire, Zion e Xavier), é casado com a atriz Gabrielle Union e muito conhecido por suas ações de filantropia. Tem uma fundação, a “The Wade’s World Foundation”, participa anualmente das ações ZO’s Foundation, de seu ex-companheiro Alonzo Mourning, reconstruiu bibliotecas públicas e doou mais de US$ 1 milhão para reconstruir o ginásio da Universidade de Marquette.

Campeão na quadra, Wade sempre gosta de dizer que é um sobrevivente devido às dificuldades vividas em sua infância.


Chicago cai de rendimento, e todos os olhos se voltam para o técnico Fred Hoiberg
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Fábio Balassiano

bulls4O começo de temporada foi bom para o Chicago. Três vitórias seguidas, o trio Rajon Rondo, Dwyane Wade e Jimmy Butler funcionando, Taj Gibson e Robin Lopez segurando a onda no garrafão e nem mesmo os problemas nos chutes de três pareciam incomodar já que Nikola Mirotic vinha matando bolas. Esta foi a parte boa. Mas não durou muito.

O Bulls chegou a ter 10-6 quando venceu o Sixers no dia 25 de novembro fora de casa, mas de lá pra cá a maionese de Illinois desandou. Rajon Rondo foi suspenso por indisciplina, Mirotic pegou dois jogos de banco de reservas porque teoricamente esqueceu de um treino, o que motivou uma fala bem ácida do técnico Fred Hoiberg sobre o ala-pivô (“Quando ele pensa nós temos sérios problemas. Prefiro Mirotic apenas arremessando”), atletas inseguros (em um momento joga Bobby Portis, em outros Cristiano Felício, por exemplo) e Wade só conseguiu passar da marca dos 20 pontos em três vezes neste período. O resultado? Sete derrotas nos últimos 10 jogos, agora a campanha de 13-13, oitava posição no Leste e todos os olhos voltados para Hoiberg. Hoje o time enfrenta o Detroit em casa com a corda bem no pescoço.

fred1Desde sempre fui muito crítico não só sobre a chegada de Hoiberg, mas sobretudo sobre a saída de Tom Thibodeau de Chicago. Usaram argumentos falhos, irritaram Thibs, fritaram o cara de todos os jeitos e trouxeram alguém que não tinha a mínima experiência de treinar uma franquia com as aspirações do Bulls. Falei em 2015 que a equipe arriscava perder os melhores anos de Jimmy Butler por conta da ausência de um treinador confiável, experiente e que fosse respeitado pelos atletas. Butler mesmo, na temporada passada, chegou a dizer que Hoiberg deixava tudo solto para os atletas, não cobrando-os quando devido e fazendo com que os jogadores ficassem tranquilos demais durante o campeonato. O Chicago ficou de fora do playoff, vocês lembram, né?

fred3A diretoria do Bulls deu um voto de confiança pro cara, manteve ele lá e mudou boa parte do elenco – e de sua configuração. Com Rajon Rondo, Dwyane Wade e Jimmy Butler todos esperavam que as bolas de três não caíssem. Os 30% de aproveitamento de fora do Chicago em 2016/2017 (foi de 37% em 2015/2016) não surpreendem. Era assim que tinha que ser mesmo devido aos atletas que lá estão. O que choca é que Fred Hoiberg não conseguiu fazer nada de diferente para que os adversários, de maneira óbvia e bem clara, passassem a dar dois, três passos para trás quando o trio está em quadra. Uma boa analogia ao time de Illinois é o Toronto Raptors, que não tem chutadores de elite no seu perímetro (apenas Kyle Lowry), mas que mesmo assim encontra soluções para pontuar incrivelmente nesta temporada. São 112,1 pontos por jogo (3º melhor ataque da NBA) tentando apenas 24 de três pontos por noite. O time compensa com muitos lances-livres (21 por jogo saem assim), conversão altíssima de arremessos (48%), um jogo de passes muito bem feito (a cada dois arremessos convertidos, um sai através de assistência) e excepcional índice de pontos por chute (1,32, o segundo melhor da liga). Uma alternativa para o Bulls seria jogar mais vezes com Doug McDermott e Nikola Mirotic, dois dos melhores arremessadores de perímetro do time, mas Hoiberg parece não estar muito alinhado com as novas tendências da NBA e prefere quase sempre manter pivôs altos, pesados e que jogam quase sempre perto da cesta.

wadeO que resulta disso? Um time previsível, com ataque estático e facilmente marcado. Os 101,1 são praticamente o mesmo de 2015/2016 (101,6) e apenas o vigésimo-terceiro mais positivo de toda a liga. Nos arremessos de quadra, outro problema com os 45% de conversão, quinta pior marca do certame. O problema para o Bulls não está nem nos pontos em si, mas na forma que eles vêm. Como não mata bola de fora nem por decreto, as defesas rivais evitam passes. O jogo de um-contra-um de Wade e Butler tem sido acionado, e as assistências murcharam. O Chicago tem 20 por jogo, sexto pior índice da NBA.

fred2Acho sinceramente que não dá pra culpar Hoiberg por tudo de ruim que acontece em Chicago, não. Seria bem injusto e reducionista de minha parte. Para ficar em um exemplo, a formatação do time não foi das melhores, privilegiando um jogo pesado, de arremessos longos de dois pontos e quase não tendo bons chutadores longos no quinteto inicial. Este é um ponto. O outro é que pra mim está muito claro que dá pra tirar coisas melhores de um elenco que possui um futuro Hall da Fama que ainda tem bons dois/três anos em alto nível, um armador que foi campeão da NBA jogando da mesma maneira que atua agora (passando, passando, passando) e um craque de bola no auge físico como é o caso de Jimmy Butler. A questão toda é que o treinador não tem conseguido não só extrair o melhor de seus atletas mas sobretudo arejar as ideias ofensivas, algo que tanto se esperava dele e que tanto se criticava em Thibodeau (embora eu discordasse quase sempre…).

fred3Encontrar um esquema que não exponha as dificuldades de suas principais estrelas e que faça aflorar as qualidades de jogadores que podem render bem mais, como são os casos de Nikola Mirotic e Doug McDermott, é algo que o treinador Fred Hoiberg e os Bulls precisam achar o quanto antes.

Se ficarem jogando da mesma maneira que temos visto neste mês de dezembro dificilmente o Chicago terá uma vida tranquila no ano que começará em menos de quinze dias.

Concorda comigo? Comente você também!


Uma pequena história sobre o genial Michael Jordan – leia e veja o vídeo!
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Fábio Balassiano

jordan1História sobre Michael Jordan que me foi enviada pelo leitor Átila Viana na noite de domingo. O vídeo está abaixo, mas foi assim o relato de Byron Scott, ex-jogador do Lakers nas décadas de 80 e 90:

“Na temporada 1992-1993 os Bulls vieram a Los Angeles nos enfrentar e Michael Jordan ficou sabendo que eu não iria jogar porque estava com tornozelo torcido, infelizmente. Eu gostava de marcar o Mike porque quando jogava contra ele nunca o deixava bravo. Se ele convertia um arremesso eu falava ‘bom arremesso, Mike!’ e por aí vai. Contra o Jordan você não pode falar nenhuma besteira se não ele faz 60 pontos na sua cabeça. Então você tenta contê-lo sendo bonzinho. Nada de falar besteira pra ele.

peeler1Neste jogo os Bulls estavam chegando na nossa arena e nós tínhamos acabado de sair do treino de arremessos. Michael me abordou:

– E aí, Scott, o que houve? Fiquei sabendo que você não vai jogar hoje.
– Não vou, Mike, torci o tornozelo.
– Quem vai me marcar então?
– Anthony Peeler,
– Hummmm. Entendi. Cinquenta

Michael Jordan estava rindo e me dizendo que contra Peeler marcaria pelo menos 50 pontos naquele dia”.

Michael Jordan terminou o jogo com 54 pontos , mas os Bulls perderam na prorrogação. Este era Michael Jordan.


O emocionante retorno de Dwyane Wade a Miami – confira como foi!
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Fábio Balassiano

wade2Depois de 13 anos ontem à noite foi a vez da torcida do Miami ver Dwyane Wade, o maior ídolo da torcida e um dos melhores (se é que não é o maior) jogadores da história da franquia, jogando CONTRA o Heat na Flórida.

O agora ala do Chicago Bulls voltou ao ginásio que ele chamou de seu por mais de uma década nesta quinta-feira e não fez feio. Despejou 13 pontos, dois deles em lances-livres críticos nos momentos finais, e levou o seu time a uma importante vitória por 98-95. Em NENHUM momento Wade foi vaiado (pelo contrário, foi aplaudido quase sempre!) e ainda viu um belíssimo vídeo preparado pelo Miami.

wade3No final do jogo, Wade procurou e achou a família do dono da franquia Heat (Micky Arison) para um abraço afetuoso e mandou um beijo para os fãs, que foram ao delírio. Na entrevista coletiva, ainda na American Airlines na Arena, ele disse: “O momento em que eu aceno para os torcedores e eles me enviam boas vibrações foi o mais emocionante da noite. Esperava ter arremessado melhor (5/17 nos chutes), já que conheço muito bem essa quadra”.

Veja tudo abaixo!


Os 30 da NBA: Renovado, Bulls conta com Wade para voar alto na temporada
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Fábio Balassiano

bulls4Quando o Chicago trocou Derrick Rose e perdeu Pau Gasol e Joakim Noah logo nas primeiras horas do mercado de agentes-livres de 2016 muita gente pensou que o Bulls entraria em reconstrução e em uma fase difícil. O raciocínio durou poucas horas, porque a franquia foi muito rápida no mercado e conseguiu em uma única dose o ótimo Rajon Rondo para a armação e o excepcional Dwyane Wade para a ala.

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bulls5Digo isso em primeiro lugar porque não é a qualquer hora que você consegue contratar um atleta do calibre de Dwyane Wade. Tricampeão pelo Miami, ele ficou chateado (pra dizer uma palavra educada) com a primeira oferta do Heat e decidiu testar o mercado. Ouviu propostas de cinco times e fechou com o de sua cidade-natal. Vai ser feliz e rejuvenescido em casa. Para sorte do Bulls, chega por lá um líder carismático, um atleta talentoso e um cara que em sua primeira coletiva teve a humildade de reconhecer que, para ir longe, o time precisa ser de Jimmy Butler. Em português claríssimo: Wade vale cada centavo dos US$ 23 milhões que o Chicago pagará por ele, cracaço de bola que é.

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bulls7Falei de Dwyane Wade, mas vale abordar a questão de Jimmy Butler (ambos estudaram na mesma faculdade, Marquette, aliás). A franquia Bulls foi, desde sempre, cética em colocá-lo como a cara do time. Insistiu até onde deu com Derrick Rose, mas o limite (da paciência) da diretoria chegou e Rose foi trocado. Mesmo com a chegada de D-Wade todos ali sabem que agora é com Butler mesmo. O camisa 21 que chegou à NBA tendo a defesa como a sua principal característica, mas evoluiu muito nos últimos anos, terminou 2015/2016 com 20,9 pontos de média e provou estar pronto para liderar a equipe. Jogando ao lado de Wade o ala crescerá ainda mais. Não ficará tão pressionado para pontuar no perímetro, receberá dicas importantes do experiente jogador e poderá desempenhar ainda melhor as suas funções.

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bulls6Para Rajon Rondo a situação é exatamente como a foto do lado ilustra: é hora de colocar a bola na frente da boca, falar menos e jogar mais. Na temporada passada ele foi muito bem em Sacramento (11,9 pontos e 11,7 assistências), mas caiu quando a franquia ruiu (como sempre acontece por lá aliás). Depois que saiu do Boston ele passou por Dallas, onde teve problemas imensos com o técnico Rick Carlisle, e pelo Kings. Dá pra dizer facilmente que jogar em Chicago é uma oportunidade de ouro por ser um mercado grande, uma franquia de respeito e um time que disputará coisas grandes (playoff e muito mais). Manter a cabeça no lugar é fundamental e o camisa 9 sabe disso. Creio que ser armador em um time com Dwyane Wade e Jimmy Butler também seja muito bom para Rondo. Suas deficiências nos arremessos estarão mais encobertas e principalmente Butler marcam tão bem quanto ele. Gosto muito das possibilidades que os três juntos podem gerar à franquia.

fred3Antes de falar do garrafão é impossível não citar a figura de Fred Hoiberg. Técnico contratado para o lugar do excepcional Tom Thibodeau, Hoiberg teve um péssimo primeiro ano na NBA, não se entendeu com os veteranos (Gasol, Noah e também Rose), foi criticado publicamente por seus atletas (Jimmy Butler, por exemplo, disse que o treinador não cobrava os jogadores como deveria) e conseguiu a proeza de deixar o Bulls fora do playoff pela primeira vez em uma década. Se no ano 1 foi assim, como será com atletas ainda mais cascudos e nem sempre fáceis de lidar como Rondo e Wade? Rondo, reforçando isso, teve problemas com Rick Carlisle, que está na NBA como técnico há quase duas décadas. O ex-armador do Boston terá calma com o inexperiente Hoiberg? Como o jovem comandante adaptará suas ideias às expectativas de atletas que querem vencer rápido? Confesso que estou ansioso para ver a performance dele.

bulls9Se no perímetro as notícias são excelente, e olhem que nem citei a chegada do novato Denzel Valentine para a ala e do jovem Jerian Grant para ser reserva na armação, além da expectativa de consolidação de Tony Snell e Doug McDermott, o garrafão inspira mais cuidados.

Taj Gibson, Bobby Portis e Nikola Mirotic disputarão os minutos na ala-pivô. Gibson terminou a temporada passada jogando bem e parece ter a confiança de Hoiberg. Portis mostrou-se capaz na temporada de estreia e foi incrível na Liga de Verão. Mirotic é um desastre na defesa, mas um dínamo no ataque com seus arremessos e pode ser uma arma interessante para abrir/espaçar a quadra ainda mais jogando com Wade e Butler. São boas opções, mas nenhuma de primeira linha.

felicio1No pivô o Chicago conta com Cristiano Felício e com o bom-porém-inconstante Robin Lopez, que chegou à franquia na troca de Derrick Rose (na foto ele está com a camisa 8). Lopez deve ser o titular, mas para Felício há um dado curioso: aos 28 anos, o gigante da Universidade de Stanford nunca passou dos 31 minutos/jogo. Ou seja: provavelmente o brasileiro deverá ter mais e mais minutos para seguir evoluindo. De todo modo, vale dizer que nenhum dos dois cria seus próprios arremessos e não são conhecidos por serem forças ofensivas perto da cesta. Aparentemente conseguir pontos na área pintada será um problema para o Bulls.

bulls13No final das contas dá pro Bulls ficar animado com o que está por vir. Rajon Rondo, Dwyane Wade e Jimmy Butler são motivos suficientes para o Chicago fazer uma ótima fase regular e se credenciar a voar no mata-mata.

O entrosamento virá com o tempo, mas o mais importante, que é ter peças talentosas, a franquia tem. O que era um possível fiasco se tornou esperança de ir longe no campeonato.

Campanha em 2015/2016: 42-40
Projeção para 2016/2017: Se classifica pro Playoff (entre 47 e 51 vitórias).
Olho em: Jimmy Butler


O novo Bulls – repaginado e na contramão da NBA dos três pontos
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Fábio Balassiano

bulls1Na semana passada quando perdeu o pivô Joakim Noah no mercado de agentes-livres, viu o ala Pau Gasol avisar que não ficaria na franquia e trocou o armador Derrick Rose por Jose Calderon e Jerian Grant, muita gente pensou que o Chicago entraria fortemente em reconstrução na NBA. Na realidade, entrou. Só que a montagem de um novo, e forte elenco, saiu mais rápido do que muita gente imaginava (inclusive eu mesmo).

wade1No Draft veio o promissor Denzel Valentine, ala que foi muito bem por Michigan State. Na mesma noite, apesar dos rumores, o excepcional Jimmy Butler não foi trocado. Uma semana se passou e Rajon Rondo foi o primeiro a ser contratado (US$ 28 milhões por dois anos, segundo o segundo não garantido). Na noite de quarta-feira a franquia fechou com Dwyane Wade (US$ 47 milhões também por dois anos – o segundo é opcional por parte do atleta). Para a chegada de D-Wade, o Bulls enviou José Calderón ao Lakers (preocupa um pouco a situação de Marcelinho Huertas) e Mike Dunleavy ao Cavs.

wade2Antes de entrarmos no novo Chicago vale falar sobre Dwyane Wade, um dos melhores jogadores deste século e que sai de Miami depois de 13 anos. Em sua carta de despedida (aqui) Wade não fala em tristeza, mas a imprensa norte-americana conta que o eterno camisa 3 da Flórida ficou decepcionado com a primeira proposta de Pat Riley, o manda-chuva do Heat, para ele (em torno de US$ 10 milhões). Se não tinha a intenção de sair, a partir dos valores iniciais de Riley o ala-armador quis ouvir o que o mercado lhe diria. Foi chamado para conversar com Knicks, Bucks, Bulls e (aparentemente) Cavs, fazendo com que o Heat subisse a sua proposta para US$ 20 mi anuais por dois anos. Não convenceu muito, e Dwyane Wade decidiu encerrar a sua história de três títulos, jornadas geniais e mais de uma década acertando com a equipe da cidade onde nasceu (ele é de Chicago mesmo).

big3Sendo bem sincero, não acreditava que veria o Flash com outra camisa, mas compreendo perfeitamente o lado dele. Não foi (inicialmente) valorizado, se sentiu cortejado aos 34 anos por um punhado de times e foi ser feliz. Nada a contestar neste caso. Ao Miami, apenas lamentação. Do timaço que chegou a quatro finais seguidas com o seu famoso Big 3 restou apenas Chris Bosh, cuja condição de saúde ninguém sabe o que esperar daqui para frente. LeBron voltou pra Cleveland, Wade está em Chicago e o Heat, agora, terá que reconstruir as suas bases a partir de Goran Dragic e Hassan Whiteside. Pat Riley deve estar coçando a cabeça sem parar, não há dúvida. A gente sabe que, com ele, Riley, não tem essa de perder pensando em Draft do ano seguinte, mas sabe lá o que se passa na mente do cara em um momento tenso como este.

fred2Mas, bem, voltando ao Chicago. Uma coisa que chamou muito a atenção no primeiro ano do técnico Fred Hoiberg na temporada passada foi fazer exatamente o contrário do que a NBA “manda” hoje em dia – chutar muito pouco (veja abaixo o quadro comparativo). Foram apenas 21,4 tentativas por jogo (24ª menor marca da fase regular), apesar do bom percentual de conversão (37%) e das boas opções que o time possui (Nikola Mirotic e Doug McDermott principalmente). Esta era, aliás, uma das grandes criticas que se fazia ao trabalho de Tom Thibodeau, que no final das contas viu seu time de 2014/2015 arremessar mais de longe (22,4) do que Hoiberg em seu primeiro ano.

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bulls2Por isso me chamou a atenção as contratações de Dwyane Wade e Rajon Rondo ao mesmo tempo. Se eram as opções que estavam disponíveis no mercado para manter a franquia em alto nível de competitividade, ao mesmo tempo colocam o Chicago mais na contracorrente da NBA do que nunca. E explico de novo recorrendo aos números.

Somando os dados de Rondo, Wade e Butler na temporada 2015/2016 da NBA foram apenas 6,1 tentativas/jogo (dos jogadores de perímetro, ressalte-se). Se a quantidade é muito diferente daquilo que a liga vê hoje dos atletas que jogam longe da cesta, a qualidade tampouco é boa (28% de acerto médio entre os três). Em uma comparação boba, Klay Thompson, James Harden, JR Smith, Steph Curry e Damian Lillard, sozinhos, chutaram mais de três pontos do que a soma dos rapazes que agora darão as cartas no Bulls. Não é a toa que já surgem, como demonstra a figura ao lado, uma série de brincadeiras sobre como as defesas adversárias irão marcar o Bulls a partir do próximo campeonato (fechando o garrafão e dando espaço para os chutadores atirarem do perímetro).

Bulls3

wade1Não será, obviamente, “só” por causa dos tiros de três pontos que o Chicago Bulls será forte na próxima temporada. Ao que tudo indica, a franquia, que certamente terá condições de brigar lá em cima em 2016/2017 (ficar fora do playoff novamente seria catastrófico), está muito bem servida longe da cesta com boas opções, experiência e ótima leitura de jogo, sobretudo com Rajon Rondo (tomara que ele não arrume problemas em Illinois…), mas não tão pesada assim com os nomes que lá estão no garrafão (Robin Lopez, Taj Gibson, Bobby Portis, Nikola Mirotic e o brasileiro Cristiano Felício, que foi entrevistado aqui ontem).

De todo modo, em uma NBA que chuta cada vez mais de longe estou curioso para saber como o técnico Fred Hoiberg irá armar seu time. Tentará mudar um pouco os estilos principalmente de Wade e Butler, pedindo a eles que arrisquem mais de longe, ou permanecerá tudo como está, com ambos e também Rondo indo bem em infiltrações e chutes de média distância?

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Há um ano na NBA, Cristiano Felício projeta próximos passos no Bulls
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Fábio Balassiano

felicio1O dia 7 de julho é especial para Cristiano Felício. Além de ser seu aniversário (24 anos hoje), há exatamente um ano ele assinava o seu primeiro contrato na NBA com o Chicago Bulls (3 anos não garantidos). Já seria uma história e tanto a do menino de Pouso Alegre que, mesmo reserva do Flamengo e não escolhido no Draft, chegaria a uma das mais tradicionais franquias do mundo antes mesmo de fazer um único jogo na Liga de Verão de 2015.

Mas Cristiano queria mais. Queria que sua história não fosse breve na NBA. No banco no começo do campeonato, o brasileiro absorveu conhecimento e colocou em prática tudo o que viu e ouviu no último mês da temporada 2015/2016. Se para o Bulls foi frustrante ao não chegar aos playoffs pela primeira vez em oito anos, para Felício foi a hora de mostrar serviço. Deu certo. Os 7,9 pontos, 5,9 rebotes e os 59% de aproveitamento nos arremessos em 19,4 minutos (foram dois jogos seguidos com 16 pontos aliás) deram confiança a equipe para mantê-lo.

felicio3Em reconstrução após trocar Derrick Rose e perder Joakim Noah (Knicks) e Pau Gasol (Spurs), o Chicago Bulls, que contratou Rajon Rondo nesta semana e ontem fechou com Dwyane Wade, quer saber até onde Cristiano Felício pode chegar. Único pivô da franquia ao lado do recém-chegado Robin Lopez, o brasileiro estreia neste sábado pelo time contra o Boston Celtics pela Liga de Verão de Las Vegas (NBA League Pass e Watch ESPN exibem as partidas). De forma exclusiva, o blog conversou com ele sobre seus próximos passos na NBA. Foi a primeira entrevista dele após o pedido de dispensa da Olimpíada, assunto evitado pelo atleta (o blogueiro respeita completamente a decisão).

felicioBALA NA CESTA: No sábado você começa a jogar pelo Chicago a Liga de Verão. Como estão sendo seus dias de preparação com a franquia? Qual a sua rotina e o que eles têm mais te passado visando a próxima temporada?
CRISTIANO FELÍCIO: Os meus dias aqui em Chicago estão sendo muito bons. Estou treinando bastante tanto a parte física quanto a de quadra mesmo. Eles estão focando bastante no meu jogo de pick-and-roll. Os técnicos aqui dizem que eu vou muito bem neste tipo de jogada e o time quer explorar isso. Além disso, tenho treinado bastante os arremessos de média distância, algo que pode ajudar muito ao time. Como era com o Pau Gasol, por exemplo, no passado. Tenho tentado evoluir nas bolas de três também. No começo da temporada não deve ser o que mais vou fazer na quadra, mas quero estar preparado e evoluindo em todas as partes do meu jogo.

BNC: Você chegou ao Bulls em 2014/2015 sem ter passado pelo Draft, ganhou contrato pouco antes da Liga de Verão, mas não sabia se iria ficar por muito tempo. Os meses passaram e você terminou o campeonato como uma grata surpresa. Como é voltar para a sua segunda Liga de Verão com uma perspectiva bem diferente. Há muito mais expectativa em cima do que você pode render, não?
felicio5FELÍCIO: Pra mim com certeza vai ser uma experiência muito diferente e certamente muito melhor. Ano passado eu vim pra cá e não tinha ideia do que iria acontecer. Aos poucos tudo foi acontecendo a meu favor. Assinei um contrato com o Chicago, e mesmo não sendo garantido, como todos vocês sabem, eu vim aqui, trabalhei no meu jogo, mostrei tudo o que poderia fazer, ficando até o final da temporada no elenco. Trabalhei muito, muito mesmo. Ficava horas e horas no ginásio aprimorando parte técnica, física, vendo vídeos. Acho que isso chamou a atenção deles. Queria estar pronto para quando a oportunidade chegasse. Acabou acontecendo. Para a Liga de Verão de 2016 e para a próxima temporada a expectativa cresce mesmo. É natural. Eles estão esperando que eu faça bons jogos, que tenha bons números para que eu possa chegar bem à temporada 2016/2017 seja vindo do banco ou como titular, colaborando até mais do que aconteceu em 2015/2016.

felicio10BNC: Você foi bastante elogiado campeonato passado pela sua defesa, pelo seu arremesso de média distância e sobretudo pela forma como atacou a cesta depois dos pick-and-rolls. Quais pontos têm sido mais trabalhados por você e pela comissão técnica do Chicago Bulls para que seu repertório fique ainda mais completo em quadra?
FELÍCIO: É verdade sobre a minha defesa. Eu vi alguns técnicos mesmo falando sobre minha marcação logo que cheguei. Eu vinha de jogo internacional (FIBA) e é muito diferente daqui da NBA. Era o meu forte e foi apenas uma questão de adaptação entre o que eu já tinha, o que poderia aprender e o que eles, do time, precisavam. Acabou encaixando tudo. Sobre o pick-and-roll, no Brasil eu já fazia muito isso desde o Minas e é uma jogada que gosto. Com os armadores que a gente tinha aqui ano passado facilitava bastante também. Meu arremesso é que não era assim tão forte e foi melhorando aos poucos. Creio que sejam estes três quesitos (mais defesa, pick-and-roll e arremesso de média distância) os que mais tenho trabalhado desde que voltei pra cá para treinar.

fred1BNC: O técnico do Chicago era, assim como você, também um novato na NBA e sempre te elogiou bastante. O Fred Hoiberg falou muito bem de você, inclusive pelo fato de você conseguir se comunicar bem com os outros atletas mesmo sendo um estrangeiro. Como é a sua relação com ele, o que de mais importante ele te passou e o quanto saber falar em inglês te facilitou na adaptação? Ter uma namorada norte-americana ajudou muito também, certo?
FELÍCIO: Fred é um excelente técnico, e desde que cheguei meu relacionamento com ele sempre foi excepcional. Ele sempre está me ajudando não só com parte técnica e tática, mas com alguns toques de quem já, como ele, jogou na liga por algum tempo. Ele sabe bem como as coisas funcionam. Já vir sabendo a língua também me ajudou bastante, não tenho dúvida disso. São muitas coisas novas que aparecem, muitas palavras novas, e já saber um pouco te ajuda a não sair do zero. Fica mais fácil não só dentro de quadra, mas sobretudo na convivência diária com os outros atletas. Isso me ajudou bastante na parte de comunicação no meu ano de novato.

BNC: Você não pode falar muito, mas com as saídas do Derrick Rose, Joakim Noah e Pau Gasol o Bulls entrará em reconstrução. Chegou o Robin Lopez no pivô, mas há expectativa de que o seu tempo de quadra seja muito mais parecido com aquele do final de 2015/2016 do que o do começo da temporada passada, não? A diretoria do Bulls projeta algo com você em termos de minutos, desenvolvimento e o que eles esperam de você para o próximo ano?
felicio3FELÍCIO: Com a saída dos jogadores pode ser que eu venha a ganhar mais tempo de quadra. Com certeza é uma grande possibilidade. Saíram, como você disse aí, muitos jogadores da minha posição, mas eu não sei ainda como vai ficar o time. Depende disso também. De todo modo, quando a temporada começar a gente vai ver isso com mais calma. Eu vou continuar treinando tanto quanto eu cheguei aqui, que é trabalhar forte, pesado e aproveitar a minha oportunidade. Se as coisas forem dando certo pro meu lado, quem sabe eu possa ser titular da equipe, com bons minutos e fazendo grandes jogos. Isso ajudaria muito no meu futuro na liga. Vou lutar para isso.

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