Bala na Cesta

Categoria : Fala Leitor

Fala, Leitor: O ressurgimento do Utah Jazz – time é realidade ou empolgação?
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Fábio Balassiano

* Por Alexandre Setani

Uma das “novidades” desta temporada entre os times que devem garantir uma vaga nos playoffs da conferência Oeste é o Utah Jazz. “Novidade” porque a franquia de Salt Lake City não disputou a pós-temporada nos últimos 4 anos (última participação foi na temporada 2011-12). Para os fãs da franquia, esse “jejum” não é normal, já que os Jazz possuem um histórico de 20 participações consecutivas (terceira maior sequência da história), em grande parte pelo trio Stockton, Malone e Jerry Sloan (técnico Hall da Fama) durante as décadas de 80 e 90.

É por isso que os torcedores (como eu) sentiram aquela alegria ao verem que o Jazz estava cotado por diversos analistas como figura certa para a pós-temporada da conferência Oeste, que é considerada por muitos a mais forte da NBA.

A pausa do All-Star Game que ocorre neste final de semana (17, 18 e 19 de fevereiro) é quando os times se aproximam dos 60 jogos e atingem a reta final para definição das posições para os playoffs. Quando olhamos a classificação vemos que o Utah Jazz encontra-se na 5ª posição com 34 vitórias e 22 derrotas (60,7% de aproveitamento) e deve brigar junto com Clippers, Grizzlies e Thunders pela 4ª posição (e mando de quadra). Ou seja, a pós-temporada é uma realidade para o Jazz.

Mas com oscilações do time (em especial nos últimos jogos com 3 derrotas seguidas), fica a dúvida: o Jazz definitivamente possui condições de se manter como uma das forças do lado Oeste ou se essa temporada é apenas pura empolgação? Assim, listo 3 principais motivos para acreditar no ressurgimento da franquia e 3 motivos para ficar preocupado com o futuro do time.

Eu Acredito #1: Elenco principal jovem

A direção do Jazz apostou em um trio jovem como base para o futuro da franquia e começa a colher os frutos dessa aposta agora. Liderados por Gordon Hayward (26 anos), que disputará seu primeiro All-Star Game, o trio é completado pelos Big Man Derrick Favors (25 anos) e Rudy Gobert (24 anos), o último cotado para melhor defensor da liga. Esse trio ainda tem pelo menos 2 anos para atingir seu potencial máximo e provar que a aposta da direção foi certa. Outras promessas do time são Rodney Hood (24 anos), Alec Burks (25 anos) e o armador Dante Exum (21 anos).

Preocupação #1: Lesões

Todo o time pode sofrer com a lesão de um ou outro jogador, mas essa temporada o Jazz é o sexto time que mais teve jogadores ausentes por lesão com um total de 7 jogadores lesionados que acumulados perderam 110 partidas (média de 14 partidas por jogador). Para um time considerado jovem, lesões são um pesadelo, pois travam o desenvolvimento do jogador e do time, deixando aquele medo se a recuperação será completa ou vai impactar muito a performance como vimos no caso de Derrick Rose. Esta temporada só entre os titulares George Hill (25 jogos lesionado), Rodney Hood (15) e Derrick Favors (14) perderam somados 54 jogos. Resta torcer para a recuperação dos atletas e confiar na equipe técnica para distribuir bem os minutos e fortalecer o físico do time como um todo.

Eu Acredito #2: Técnico Quin Snyder

Quin Snyder chegou com uma certa desconfiança no Jazz na temporada 2014-15, mas mostrou que seus anos como assistente do messias Mike Krzyzewski (lendário técnico de Duke e da seleção americana) foram ótimos para ele conseguir trabalhar com o desenvolvimento de jovens talentos. Os Jazz melhoraram nas últimas duas temporadas além de se manterem entre as melhores defesas da liga, mesmo com um elenco jovem. Em entrevistas, fica claro como ele se preocupa com a personalidade de cada jogador, assumindo para si grande carga da responsabilidade pelas derrotas, o que alivia o clima do elenco. Por diversas vezes ele defendeu arremessos errados ou ruins de jogadores em momentos cruciais da partida, evitando expor os jogadores jovens, especialmente Gordon Hayward e Rodney Hood. Em 2016 a direção do Jazz estendeu o contrato do técnico, demonstrando confiança no trabalho realizado.

Preocupação #2: Capacidade de lidar com a pressão e expectativa

Todo o potencial do time gera uma enorme expectativa dos fãs para que o Jazz retorne para as finais da NBA. E o primeiro passo disso é chegar aos playoffs. Por ser jovem e pelo jejum de pós-temporada, poucos jogadores do elenco possuem essa experiência da fase mata-mata. Esse foi um dos motivos para que a direção trouxesse 3 veteranos com vivência de playoffs para o time: George Hill (vindo dos Pacers), Joe Johnson (dos Nets) e Boris Diaw (dos Spurs). Mas essa dificuldade de lidar com a pressão e expectativa pode ser vista em alguns jogos chaves durante a temporada regular. Nos últimos anos o Jazz era um dos times que mais perdia partidas apertadas, em geral com desempenho ruim nos minutos finais das partidas. Exemplos recentes: contra times que disputam diretamente a 4ª posição do Oeste, os Jazz venceram 2 jogos e perderam 6 (25% de aproveitamento).

Eu Acredito #3: Time com identidade e personalidade

Se você assistir uma partida do Utah Jazz você vai notar que é o JAZZ jogando. Na contramão da maioria dos times da liga, o time de Salt Lake City, junto com os Grizzlies, mantém um estilo de basquete mais “tradicional”. Defesa forte, explorar ao máximo a força do pivô Rudy Gobert e do ala Derrick Favors no garrafão, trabalhar o cronômetro (cuidar da bola). Diferente da correria que se vê em times como Golden State Warriors, Houston Rockets e Cleveland Cavaliers, que possuem um fortíssimo jogo de transição, o Utah Jazz é um dos times que possui o menor índice de posse de bola (PACE) de toda liga, ou seja, o ritmo da partida é mais lento. Essa identidade é importante, pois gera consistência e facilita para que novas peças se encaixem em um sistema de jogo já definido. Pode ser um modelo arriscado, mas comparada com outras franquias que não sabem se correm ou andam com a bola (pensou nos Knicks?) é uma grande vantagem para o médio prazo apostar em um sistema já aceito pelo elenco de jogadores.

Preocupação #3: O armador ideal

A maior fragilidade do time nos últimos anos sem dúvida é a posição de armador. Em 2014-15 a aposta foi no novato Dante Exum e no jovem Trey Burke. Em 2015-2016 com Exum machucado a aposta foi no brasileiro Raul Neto e depois em Shelvin Mack. Agora o peso está quase todo no veterano George Hill, que definitivamente está um nível acima dos demais. O problema é que Hill completa 31 anos esse ano e as lesões acumuladas geram dúvidas da longevidade do armador para o futuro da franquia. E esse é um problema que a direção e comissão técnica terão que resolver. Apostam em Hill para mais uma ou duas temporadas? Contratam um outro armador de alto nível (que costuma ser caro) e possivelmente tendo que abrir de alguma peça do elenco, além de uma escolha em futuro Draft? A resposta não é simples, mas acredito que é possível insistirem em pelo menos mais um ano com Hill (segundo ano opcional). Mas nesse caso também não sabemos se George Hill aceitaria essa condição e poderia testar o mercado.

E você, fã dos Jazz? Acha que o time tem futuro promissor ou está com aquele frio na barriga para os próximos anos?


Fala, Leitor: O impacto do Oscar Schmidt na NBA de hoje
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Fábio Balassiano

* Por Vinicius Bezerra da Silva

Como sabemos, um dos maiores jogadores da história do basquete mundial e talvez o maior jogador que passou pela seleção brasileira está sendo homenageado pela NBA essa semana. Oscar Schmidt recebeu ontem uma camisa com seu nome da equipe do Brooklyn Nets (antigo New Jersey Nets), que o selecionou no Draft em 1984 e no dia 17 jogará o Jogo das Celebridades do All-Star Game.

Resolvi, então, ao invés de fazer uma estatística do impacto dele naquela época (o que seria mais comum) tentar imaginar Oscar jogando no basquete de hoje. Ele seria aquele ala mortal, com seus chutes de três, mas acredito também que ele seria até mais jogador que foi, pois no basquete americano está a nata de treinadores, assistentes e até o seu jogo poderia evoluir mais.

Quando vejo comentários de pessoas que dizem que ele “não marcava ninguém”, e por isso não daria certo na liga, basta mostrar o que faz o James Harden no Houston. O Barba tem liberdade em marcar menos para ter mais energia para pontuar. Acredito que Oscar seria um jogador que fácil, fácil teria uma média 25-30 pontos por jogo, 5-6 rebotes e seria um All-Star da NBA.

Acompanhando a liga de hoje com tantos alas-pivôs (Anderson, Illyasova, Davis por exemplo) que arremessam de três com facilidade dá pra dizer que seria muito legal ver o nosso Mão Santa jogando principalmente pelo fato de nós brasileiros não termos um All-Star (Nenê foi o que mais chegou próximo).

Vendo o basquete atual, vejo que o Dirk Nowitzki é o jogador que mais se assemelha ao nosso brazuca na forma de atuar, com sua facilidade em pontuar, seus tiros de três precisos e até a sua evolução ao jogo na área pintada (que poderia ser trabalhada em nosso Mão Santa).

Por fim, digo que um cara que foi ídolo do Kobe Bryant não poderia ter sido pouca coisa. Se não conseguimos acompanhá-lo na NBA na década de 80, segue sendo gratificante ver as homenagens dos norte-americanos e o quanto ele é admirado.

Valeu mão santa #14 e ansioso pelo dia 17.


‘The process’: Sobre o New York Knicks e Kristaps Porzingis, por Helder Souza
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Fábio Balassiano

*Por Helder Souza

porza2Falar de Kristaps Porzingis hoje é falar de uma unanimidade na NBA. O talentoso ala-pivô letão que joga pelo New York Knicks é alto, forte, habilidoso, sagaz e competente. Mesmo com pouca idade e experiência já é considerado um dos melhores jogadores de garrafão da atualidade e um dos melhores prospectos de futuro na liga.

Mas nem sempre foi assim. A curta história deste jogador na maior liga de basquete do mundo conta com episódios singulares – pra dizer o mínimo. O principal deles (e provavelmente o mais marcante) foi a recepção que ele teve em seu atual clube. As vaias recebidas por ele ao ser anunciado no draft em 2015 (4ª escolha geral) poderiam significar o prenuncio de uma curta estadia nem Nova York e na própria NBA.

porza4Mas não foi isso que aconteceu. Pelo contrário, o garoto provou em quadra que tinha bola para jogar em alto nível e, mais do que isso, para tornar-se talvez ainda mais do que se esperava dele originalmente: um franchise player.

Na temporada de estreia deixou seu cartão de visitas com 14 pontos, 7 rebotes e 2 tocos de média (em 72 jogos) em um Knicks totalmente limitado tecnicamente e de atuações irregulares, com todo o talento do time distribuído entre Porzee e um aparentemente sempre desmotivado Carmelo Antony. Pouco importa a temporada conturbada do time, as 50 derrotas, a troca de treinador no meio da temporada ou a colocação final de 13º lugar no Leste (entre 15 times). Para o novato sensação o apupo transformou-se em aplauso e reconhecimento pela população nova-iorquina.

porza1Na atual temporada, cercado de jogadores cascudos e experientes que buscam nova ascendência na carreira, o segundanista segue em plena evolução. Agora com Anthony, Rose, Noah, Courtney Lee e Brandon Jennings, ele vem mantendo as médias de rebotes e tocos e subiu a média de pontos para quase 19 por partida. Mas, muito além do que simplesmente melhorar suas estatísticas, é cada vez mais visível em quadra o impacto que ele causa no time e forma como, aos poucos, a franquia parece caminhar para ter em Porzingis o seu principal nome.

O competente Phil Jackson, que foi no mínimo ousado na escolha de selecionar Porzingis, sabe que trata-se de um precioso prodígio e vem utilizando esta temporada para colocar de vez o time nas mãos talentosas dos ala-pivô. Não se enganem, o famoso termo ‘The process’ não é exclusividade na Philadelphia com Joel Embiid. Em Nova York, Jackson usa sua inteligência e seu senso estrategista para fazer de Porzingis ‘o cara’.

porza5Explico. Trazer para o Knicks um ex MVP e um ex melhor jogador de defesa da liga, alem de dois jogadores de reputação consolidada (Lee e Jennings), faz com que o jovem prospecto tenha maior vivencia de vestiário e aprenda em quadra com jogadores renomados e vencedores. O ato de jogar, ouvir, falar e cobrar os companheiros quando necessário.

Além disso, dá a ele ‘costas quentes’. Ou seja, a tranquilidade de tentar jogadas e arremessos sem ser muito visado ou cobrado por isso. Reparem que na mídia as noticias sobre o New York Knicks circulam sobre o desempenho do Carmelo, Rose ou Noah. Fala-se pouco sobre Porzingis e críticas sobre o seu desempenho são quase que inexistentes.

Exemplo máximo disso foi a derrota para os 76ers no inicio de janeiro. Vencendo por um ponto a poucos segundos do fim, o garoto letão tentou um arremesso de 3 da zona morta que virou um air ball, dando assim a possibilidade dos Sixers terem um último ataque. Na transição eles atravessaram a quadra e acertaram o arremesso final no estouro do cronômetro. Fim de jogo com Porzingis arremessando 3-10, com 7 pontos e 2 rebotes – muito abaixo das suas médias. Porém nada se viu na imprensa sobre o jogo ruim do ala-pivô. Ele tem liberdade em quadra e joga sem responsabilidade – no sentido positivo da coisa.

porza5As recentes notícias, que constam do oferecimento de Carmelo Antony para outras equipes, numa explícita vontade de trocar o ala, vem para confirmar que o futuro da franquia pertence a Porzingis. Ao que tudo indica o tempo de Carmelo como franchise player em Nova York está muito próximo do fim. O processo de transição vem sendo feito passo a passo.

Que Kristaps Porzingis é um grande jogador todos nós já sabemos e vemos dia após dia o que ele tem condições de fazer em quadra. Em pouco tempo ele será o rosto da franquia nova-iorquina. Parafraseando o próprio Porzingis, em artigo publicado no Players Tribune no inicio da temporada: “Mantenha-se simples, como você sempre é. Eu só estou jogando basquete. Eu sou jovem. Eu estou a divertir-me. Afinal, quem teria pensado que um garoto da Letônia estaria fazendo barulho em Nova York?”.


Fala, Leitor: A receita de um time de sucesso na NBA
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Fábio Balassiano

* Por Gustavo Souza

russ7O jeito tradicional de montar times campeões na NBA, aquele que se baseia em ter uma estrela e cercá-la de bons jogadores parece que não é mais a forma de formar um time competitivo. As equipes que têm apenas uma estrela muitas vezes transformam esses jogadores em estrelas solitárias, muitas vezes tendo médias astronômicas pois precisam carregar o time nas costas para se manterem na briga por algo. Quando essas estrelas ficam fora por qualquer motivo o time fica visivelmente mais fraco times. Isso acontece com o Oklahoma City Thunder, Portland Trail Blazers e New Orlenas Pelicans.

lebron2Para ter uma noção do quanto a formação de super times influencia, nos últimos cinco anos apenas um time que foi campeão não era um super time (San Antonio Spurs, que ganhou do super time do Miami). Os outros quatro títulos foram para o Miami dos super amigos LeBron, Wade e Bosh duas vezes (seguidas), o Golden State na primeira final contra os Cavaliers depois de quarenta anos sem conquistar o título e o time de LeBron na reedição da última final. Reparem que tirando o Spurs são todos times com dois All-Stars. Times com estrelas solitárias ficaram pelo caminho, e um bom exemplo é o Pelicans que foi aos playoffs com Anthony Davis jogando sozinho praticamente e foi varrido pelos Warriors naquele ano. Outro ótimo exemplo disso é a primeira final entre Cleveland e Golden State. Em 2015 Lebron tentou levar o time nas costas pois seu time estava desfalcado de Kevin Love e Kyrie irving. O astro jogou quase sozinho enquanto o outro time tinha Curry e Thompson. Warriors venceu.

durant3Para formar um super time não basta só fazer um bom draft e contratar bons free agents mas também ter paciência com os jogadores. Ou seja não seguir o exemplo do Thunder, que se desfez de James Harden e posteriormente de Serge Ibaka. Kevin Durant vendo que estava cercado de jovens jogadores e que o time não iria muito para frente em relação aquela temporada foi reforçar um time que já era espetacular (Golden State 73-9 na temporada regular), fazendo o time se tornar uma máquina de jogar basquete.

rose2Nem todo super time é sinônimo de sucesso. Alguns merecem algumas aspas, como o “super time do Knicks” como foi chamado por Derrick Rose. Não basta apensa juntar estrelas mas sim saber como fazer elas funcionam juntas, o que não aconteceu de forma alguma em New York. Algo que é fundamental em qualquer time cheio de estrelas é o ambiente da equipe não só no vestiário mas principalmente fora dele. Quando cada jogador sabe o seu lugar e não existe uma batalha de egos (sempre lembramos de Kobe e Shaq), sem a discussão de quem é o dono do time, ou qualquer outra distração como números, salários ou quem tem o maior contrato de marketing, todos jogam pelo mesmo objetivo. Essa briga de egos, como já vimos várias vezes acabou com grandes times como o super time do Lakers que tinha Kobe, Howard, Nash e Gasol, destruído pela batalha dentro do vestiário entre Kobe e Howard. Foi infelizmente um time que prometeu muito e entregou pouco.

A maneira de montar times na NBA mudou muito nos últimos anos. Não dá pra entregar o time não mão de só um grande jogador e cercá-lo de jogadores produtivos. O próprio passado recente nos diz isso. Ter uma segunda estrela se tornou parte importante para o time ter sucesso.


Nikola Jokic e o Poder dos Fundamentos, por Gabriel Andrade
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Fábio Balassiano

* Por Gabriel Andrade

teodocic3A pedido do Fábio Balassiano, venho voltar a blogar rapidamente em espaço alheio sobre um nome que é certamente um dos principais da história da atual temporada. Para quem me acompanhava no TimeOut Brasil, deve saber que tenho um carinho especial por jogadores dos balcãs. O sufixo “ic” tem mais do que um fonema incomum para a língua portuguesa. Ele carrega uma história. Fora do badalado mundo gigantesco do basquete estadunidense e todo sistema que o cerca, são poucos os países que possuem volume de população, cultura e um sistema integrado e forte o suficiente para bater de frente como uma potência do nível da americana. Ainda que o basquete seja razoavelmente popular na China, Filipinas, Brasil e alguns outros países de população considerável, este esporte é realmente algo levado mais a sério em países menores, de economias não tão fortes e com menos diversidade física para compor uma modalidade que exige altura. Neste sentido, a região adriática faz um belo trabalho histórico, sempre como grande centro de talentos basqueteiros fora do continente americano ao lado de alguns países que formavam a antiga União Soviética, com destaque para Lituânia, Letônia, Geórgia e Rússia.

teodocic5Como é típico dos países ex-iugoslavos, grandes jogadores europeus carregam o poderoso “ic” no final de seus sobrenomes. Grandes exemplos históricos são Drazen Petrovic, Peja Stojakovic, Kresimir Cosic, Drazen Delipagic, Mirza Delibasic e assim por diante. Como forte destes jogadores, a parte técnica e de inteligência tática sempre foram o chamariz. Longe do nível atlético dos grandes craques da NBA, é na mecânica, posicionamento, leitura de jogo e desenvolvimento técnico que tornaram essa gama de talentos craques geracionais e importantes para a história do basquete atual. E mesmo que o basquete caminhe ainda mais para corpos velozes, atléticos e de muito alcance vertical, ainda existem talentos terrestres, calmos e que não saltam nem para pular amarelinha, mas que ainda conseguem ser relevantes. Se Milos Teodosic era o grande expoente deste estilo balcânico nos últimos anos, ele acabaram ganhando um nome forte, só que dessa vez já desembarcado em solo americano. Nikola Jokic, o tema deste texto, é um talento especial, que na espreita foi o terceiro melhor calouro na temporada 2016-2017 e já desponta como um dos principais pivôs da liga em seu segundo ano de NBA.

jokic3Lento, pouco atlético e com arremesso suspeito, Jokic não era considerado um grande prospecto. Nos clássicos torneios de base da FIBA, quando a Sérvia foi vice-campeã mundial da categoria Sub-19 em 2013, o pivô conseguiu tímidas médias de 7.5 pontos, 5.0 rebotes e 1.5 assistências, chutando meros 41.2% nos lances livres. Era reserva da dupla Nikola Jankovic (ala-pivô com jogo totalmente baseado no poste baixo, atualmente no Union Olimpia, da Eslovênia) e Nikola Milutinov (draftado na primeira rodada do draft de 2015 pelo San Antonio Spurs). O destaque do torneio pela sua seleção havia sido o armador Vasilije Micic, atualmente no basquetebol turco e escolhido pelo Philadelphia 76ers no Draft de 2014 na segunda rodada. Jokic foi se consolidando aos poucos no cenário dos prospectos pela sua capacidade de passe, QI de Basquete, altura e envergadura. Era comparado a Nikola Vucevic em alguns sites especializados em jovens talentos, como o NBADraft.net, mas menos atléticos que o gigante montenegrino do Orlando Magic. Sem muita badalação, foi escolhido na posição 41 no Draft de 2014 pelo Denver Nuggets. O clube do Colorado não o levou de cara, deixando que jogasse mais um ano pelo Mega Vizura (atual Mega Leks) para ganhar minutos e ajudar em seu desenvolvimento, já que a equipe já contaria com outro pivô novato, o bósnio Jusuf Nurkic, além de mais uma bagatela de grandalhões que estavam no elenco.

jokic2Aí que cabe ressaltar, o Mega Leks é um clube que pertence ao super-agente Misko Raztanovic, talvez o nome que mais agencie jogadores por toda a Europa, um caça prospectos. Esta equipe serve intencionalmente para que jovens talentos joguem, façam números, aumentem suas cotações e, claro, se desenvolvam em um ambiente que possam errar sem que o resultado seja importante. Além de Jokic, o clube revelou para o último draft o ala francês Timothe Luwawu e o sérvio Rade Zagorac. Nesta temporada, o alemão Kostja Mushidi, o francês Alpha Kaba e o esloveno Vlatko Cancar devem ser prontamente escolhidos caso desejem se lançar já por agora. Na temporada em que o pivô do Nuggets atuou como stash (quando joga no exterior tendo sido draftado pela NBA), foi muito produtivo, conquistando 15.4 pontos, 9.3 rebotes, 3.5 assistências, 1.5 roubos de bola e 0.9 toco de médias por jogo na Liga Adriática, competição que reúne os principais clubes da região dos Bálcãs. O desempenho lhe deu o título de MVP aos 19 anos de idade e certamente chamou a atenção dos executivos de Denver, que correram para trazê-lo para a NBA.

jokic4Dentro do elenco do Nuggets encontrou a concorrência de JJ Hickson, Jusuf Nurkic, Keneth Faried, Joffrey Lauvergne e Darrell Arthur. O elenco da franquia era bastante inchado no garrafão e com espaço reduzido para um novato. O sérvio só foi começar a ganhar mais de 20 minutos por jogo quando Nurkic e Hickson se lesionaram, obrigando a equipe a usar o elo mais jovem de sua rotação. Para a surpresa de quem não acompanhou a carreira do garoto, entrou sempre muito bem, com destaque para seus passes, precisos e achando espaços dignos de armador. Mas a versatilidade não parava por aí. Depois do Mundial de 2013, o pivô trabalhou muito bem em seu arremesso até virar uma arma confiável, letal da meia distância e razoável na linha de três pontos. O jogo de costas para a cesta é elogiável, com ótimo trabalho de pés e “gravidade” exercida por sua visão de quadra. A finesse de seus ganchos e bandejas são de encher os olhos de Hakeem Olajuwon. A bola sai com rotação fácil e consegue se sobrepor a sua inabilidade de jogar por cima do aro, como Whitesides e DeAndres da vida. Sua produção foi chamando a atenção e como o Nuggets não tinha muitas pretensões mesmo, testou e deixou brincar o novo prospecto da equipe. No mês de abril, saiu com médias de 11.6 pontos, 10.8 rebotes e 4.0 assistências, o bastante para consolidá-lo como principal calouro de uma temporada ótima para jovens talentos, atrás apenas de Kristaps Porzingis e Karl-Anthony Town, mas acima de Devin Booker e Myles Turner. O seu impacto para a equipe foi escandaloso. Com ele em quadra, a equipe melhorava seu saldo de cestas por 100 posses de bola em 11.7 pontos. Todos os jogadores da Nuggets melhoravam seu saldo com Jokic em quadra, que foi o único da equipe com saldo positivo e ficou entre os 10 melhores em TODA A NBA no impacto dentro/fora de quadra. Nem o badalado Emanuel Mudiay parecia mais o futuro da franquia.

jokic20Durante suas férias Nikola Jokic continuou sua saga como MVP do Pré-Olímpico que assegurou a vaga da Sérvia para as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016 e foi parte importante da seleção vice-campeã olímpica que caiu apenas para os Estados Unidos na final em solo carioca. Mesmo sendo reserva do lenhador Miroslav Raduljica, Nikola saiu com bons 9.1 pontos, 6.0 rebotes e 2.4 assistências por jogo, fazendo seu melhor jogo contra o Team USA pela fase de grupos (25 pontos, 6 rebotes e 11-15 nos arremessos).

jokic100Para a temporada 2016-2017, o Nuggets queria botar em ação a dupla apelidada de Jurkic (Jokic + Nurkic) em quadra. Os dois adriáticos eram considerados os principais talentos de garrafão da equipe e resolveram testar a formação para comprovar se os resultados valiam a pena. A pré-temporada deu bons sinais, sobretudo em relação a Nurkic. A equipe parecia uma máquina de rebotes e ambos jogaram razoavelmente bem. Porém veio a temporada regular e os resultados foram desanimando. Na NBA de trocas de marcação e agilidade, jogar com dois grandalhões lentos assim acabou deixando o ataque estático, previsíveis e a defesa vulnerável aos ataques espaçados e velozes da atual liga. Jokic virou um Strecht Four puro (ala-pivô que joga aberto), alienado a bolas de três que não são sua especialidade, e Nurkic começou a monopolizar o ataque em sua tentativa de usar a força para cavar faltas. O começou do sérvio foi tão desestimulante que logo foi perdendo espaço e afundando no banco. No mês de novembro fez medianos 8.6 pontos, 6.0 rebotes e 2.4 assistências por jogo, jogando a maior parte do tempo como reserva, com o experimento Jurkic já terminado. A dupla não poderia atuar junta e os técnicos acabaram escolhendo a proteção de aro do bósnio.

jokic5Contudo, o Nuggets começou a coletar resultados estranhos. O banco ocupado com Wilson Chandler, Jamal Murray, Jameer Nelson e Nikola Jokic foi coletando resultados bem melhores que os titulares. O combo Keneth Faried, Jusuf Nurkic e Emanuel Mudiay foi um desastre de espaçamento de quadra e a defesa continuava ruim. Estava claro que não daria para a formação inicial continuar em quadra. Com o retorno de Gary Harris e cada vez melhores atuações de Jokic sobre Nurkic, a equipe mudou seu quinteto, usando como base Mudiay, Harris, Gallinari e Jokic, alternando com Will Barton, Chandler, Faried e Arthur na vaga remanescente. Mudiay, que vinha sendo uma máquina de desperdícios de bola, passou a atuar menos tempo armando o jogo. Melhor passador da equipe, foi Jokic quem assumiu a armação da equipe da cabeça do garrafão, às vezes até puxando a bola da defesa ao ataque. A ordem agora é assim que Jokic receber a bola após um pick-and-pop ou post up, que o time se mexa e corte bastante sem a bola. O resultado foi bom logo de cara. Jokic efetivado como titular subiu bastante a eficiência ofensiva da equipe. O pivô tem a impressionante eficiência ofensiva de 128 pontos por 100 posses de bola. No mês de dezembro, o pivô conquistou médias de 17.0 pontos, 8.8 rebotes e 4.9 assistências, que saltaram para 23.4 pontos, 10.7 rebotes e 4.3 assistências em janeiro, virando cada vez mais o foco central do time incluindo como principal pontuador. E mesmo sendo cada vez mais agressivo, subiu sua eficiência mês a mês. Confira o gráfico de arremessos dele em relação à média da liga.

JokicAlém do ótimo desempenho individual, o Nuggets só vem crescendo junto, tanto que está com a atual oitava colocação da Conferência Oeste, aproveitando as seguidas bobeiras do Portland Trail Blazers. Fora que seu estilo de jogo único rende vários dos vídeos que mais rodam pela internet basqueteira atual, tornando-o um dos atletas mais divertidos de se assistir da liga. Sua eficiência e raro estilo de jogo rendem números únicos, como o único pivô da história a combinar taxa de assistências e de rebotes acima dos 23%. Também é o pivô mais eficiente no post up dentre os que possuem 10% do seu jogo baseado nesta jogada e atuaram por pelo menos 20 jogos, conquistando 1.07 pontos por posse de bola neste tipo de lance (no geral, considerando todas as posições, atrás apenas Aaron Afflalo e Rudy Gay).

jokiccCom seu estilo de jogo sem pulo, mas muito refinado e consciente das ações que toma, Jokic achou seu espaço na NBA e só tem a crescer mais e mais com o tempo. Até onde ele pode levar o Nuggets? Seria o nome ideal para comandar essa franquia? São coisas que só o tempo dirá.

Mas o caminho, com certeza, será cheio de passes sem olhar, carisma e um basquetebol ofensivo e eficiente. Agradecemos ao basquete adriático por nos dar a oportunidade de ver um talento deste nível, porque o basquetebol ainda é um esporte de fundamentos.


Fala, Leitor: A evolução dos alas-pivôs, por Heber Costa
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Fábio Balassiano

* Por Heber Costa

barkleyNão faz muito tempo que o jogador da posição 4 (chamado PF, power forward, o ala de força ou ala-pivô) era geralmente um reboteiro de primeira, de muita força na hora de finalizar no aro e um chute confiável de média distância. Tanto é verdade que uma lista dos melhores PFs quase sempre inclui Tim Duncan, Charles Barkley (foto), Karl Malone, Kevin Garnett, Kevin McHale entre os 10 primeiros. Mas nessa lista também entraria Dirk Nowitzki, o cara que consolidou o papel do PF fora do garrafão e expandiu para além da linha dos 3 pontos. Antes dele, era algo raro. Mesmo bons chutadores, como Detlef Schrempf, arriscavam menos de uma vez por jogo. Eram outros tempos.

green20Hoje, porém, entre os PFs mais valiosos de hoje são nomes como Ryan Anderson, Draymond Green (foto), Kevin Love, Channing Frye e Kristaps Porzingis. Jogadores bem diferentes, mas uma coisa que todos têm em comum: chutam uma barbaridade de 3 pontos. Essa função de jogar aberto e matar bolas de três que ganhou o apelido de strech-4 (4 aberto). É uma tendência hoje crescente na NBA: todo mundo quer um desses caras para usar como PF aberto.

porza2Mas o que levou a essa nova função do PF? O jogo mudou, e as funções também. A meu ver, três fatores parecem ter contribuído bastante para isso: primeiro, o surgimento de táticas que prezam pelo espaçamento da quadra; segundo, o declínio do chute de média distância; terceiro, a tendência atual da NBA para as bolas de 3 pontos. As três coisas estão interligadas e por si só dariam textos grandes, mas podemos falar um pouco de cada.

Ao menos dois times podem ter influenciado a liga em termos de espaçamento e gerado a nova versão dos PFs: o Phoenix Suns de Mike D’Antoni (2004 a 2008), que usava uma tática de ritmo alucinante — apelidada de pace-and-space (velocidade e espaçamento), de longe a maior influência no jogo da NBA hoje em dia. Muito se fala da velocidade, mas poucos falam do espaçamento desse time — e da artilharia de 3 pontos. Por quatro temporadas, os Suns lideraram a NBA em 3 pontos, chegando a ter 40% de aproveitamento. O esquema deixava espaço para o PF matar bolas de longe. O outro time, menos badalado, é o Orlando Magic de 2007-2009: seus dois alas-pivôs principais, Rashard Lewis e Hedo Turkoglu (que jogava muito na posição 3, mas tinha a altura de Lewis), não tinham muita força nem pegavam rebotes, mas chutavam uma grandeza de 3 pontos. Treinado por Stan Van Gundy (hoje no Detroit), foi talvez um dos primeiros times a usar ostensivamente a tática de um pivô no centro (Dwight Howard) e quatro jogadores abertos para destroçar os oponentes com tiros de longe.

derozanO segundo ponto é um fato: o chute médio está em declínio — provavelmente consequência dos outros dois fatores. Apesar de ainda haver uns poucos especialistas de média distância, como DeMar DeRozan e LaMarcus Aldridge, a opinião dominante hoje é que esse arremesso é ineficiente. A lógica é simples: chutar de média distância é arriscado (marcadores chegam a tempo, exige habilidade, etc.) e a recompensa são só 2 pontos. Assim, é melhor uma jogada na cesta (bandeja/enterrada), que tem mais chance de sucesso. Jogadores bons da linha de lance livre usam penetração para tentar a cesta ou falta, assim garantem dois pontos fáceis e às vezes um pontinho a mais com um arremesso de bonificação. A outra alternativa é arriscar mais para ganhar mais: chutando da linha de 3 pontos, basta um aproveitamento razoável (35-40%) para compensar a margem de erro. Alguns defendem que a má fama é exagerada, mas o fato é que a moda de evitar o chute de média distância pegou. Em 2006, o arremesso médio (de 3 metros da cesta até a linha dos 3 pontos) representava 17% do total de chutes na liga. Em 2016-17, são pouco mais de 12%. Alguns times, como o Houston, só chutam 5% dos arremessos de média distância. Em outras palavras, hoje a maioria das chances é dentro do garrafão ou fora do arco. Isso forçou os PFs a se adaptarem.

imagem1Mais recentemente, os times se deram conta da vantagem do chute de 3 pontos: além de oferecer melhor custo-benefício, abre a marcação para facilitar infiltrações. Resultado: nunca se chutou tantas bolas de longe como hoje. Quando o Basketball Reference (veja o gráfico) começou a registrar a posição de cada arremesso, em 2000-01 em média só 17% de todos os arremessos vinham da zona dos 3 pontos. Em 2006-07, dez anos atrás, já eram 21% dos arremessos. Hoje, representam mais de 31% do total de chutes. Certamente é um dos fatores que forçou a evolução do PF. Além de decidir partidas, o fascínio que causa um belo chute de três numa hora decisiva conquistou definitivamente o público.

dirk1Depois de Nowitzki, esporadicamente surgiram PFs com bom chute de longe, como Matt Bonner, Steve Novak, Charlie Villanueva, Andrea Bargnani, Troy Murphy. Mas é certo que nunca houve tantos PFs desse tipo quanto há hoje: Marvin Williams, Nicola Mirotic, Paul Millsap, Mirza Teletovic, Ersan Ilyasova… praticamente um em cada time. Sem falar que PFs tradicionais, como Chris Bosh, Luis Scola, Thaddeus Young ou Serge Ibaka, passaram a chutar mais de 3 nos anos recentes. A tendência é tão forte que até os pivozões veteranos começaram a arriscar de longe, como é o caso de Marc Gasol, Brook Lopez, Marreese Speights e Al Horford. Alguns dos mais novos, como Anthony Davis, DeMarcus Cousins, Kevin Olynyk, Joel Embiid e Karl Anthony-Towns já chegam com um chute razoável no arsenal.

Essa nova função do PF, especialmente numa tática de pace-and-space, combina muito bem com o chamado small ball (uso de uma formação com jogadores mais ágeis e baixos), em que o PF muitas vezes vai para a posição 5 fazer o papel de pivô. Mas isso já é tópico para outro texto.

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Fala, Leitor: Sobre a história, mudanças e o futuro da posição 1, por Daniel Toledo
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Fábio Balassiano

* Por Daniel Toledo

jordan1Interessei-me muito pelo tema da posição 1 e, incentivado pelo Fábio e pegando carona no ótimo texto escrito pelo Helder Souza, vou deixar algumas reflexões sobre o assunto.

Acompanho basquete desde o final dos anos 80, época em que os jogos da NBA foram transmitidos pela Band. Sendo assim, acompanhei alguma coisa dos Lakers, Celtics e Pistons dos anos 80, depois muito mais claramente o domínio das 2 formações dos Bulls dos anos 90, com menções honrosas a timaços daquela década como Blazers, Suns, Rockets, Magic, Jazz e Knicks, e por último Spurs anos 90-00, Lakers com Shaq/Kobe e Kobe/Gasol, Heat, Celtics, Warriors e Cavs no século presente. Obviamente não acompanhei times históricos mais antigos, mas sou um cara que gosta de correr atrás e procurar aprender sobre.

magic1A meu ver o primeiro cara a transformar completamente a posição 1, a de armador, foi Magic Johnson, do Los Angeles Lakers. E que transformação, amigos! Um jogador de mais de 2 metros de altura com uma mobilidade tremenda, passes magistrais, rei do fast-break (contra-ataque), e sobretudo completo (acho o melhor neste quesito, seguido de Lebron James), capaz de jogar nas 5 posições se necessário. O que ele fez no último jogo das finais de 1980 sendo um calouro, após a contusão de Kareem-Abdul Jabbar, jogando de pivô, levando os Lakers ao título e sendo o MVP das finais foi surreal! Foram 42 pontos, 15 rebotes e 7 assistências.

stockton1Antes de Magic tínhamos armadores mais baixos, que davam muitas assistências e só jogavam naquela posição. O maior exemplo foi Bob Cousy, que regeu o multicampeão Celtics dos anos 50/60 e a exceção foi Oscar Robetson, o rei do Trible-Double à época.

Falando da era pós-Magic, voltamos aos armadores típicos, o qual considero John Stockton o maior expoente. Stockton era um maestro em quadra, QI de basquete absurdo, média de assistências incrível, ditava o ritmo do jogo. Era bom pontuador e arremessador dos 3 e de perímetro, todavia estes predicados não eram seu ponto forte. Tampouco era completo e atlético, pelo contrário, era baixo, magro, pouca impulsão e incapaz de jogar nas outras 4 posições. Ele propiciava N jogadas, pick and rolls maravilhosos assistindo Karl Malone, contudo poucas vezes criava seu próprio arremesso.

curry10No basquete atual, ainda temos os armadores que conhecemos chamando de organizadores, tais como Kyrie Irving, Tony Parker, Chris Paul, entre outros, mas comparados a John Stockton, eles são mais pontuadores, infiltram melhor, criam suas próprias jogadas, são mais atléticos. Temos visto, por outro lado, atletas como Russell Westbrook, completo, atlético, pontuador, que cria seus arremessos e participa de todas as jogadas do time. Ou um fenômeno nos arremessos como Steph Curry (foto), que entretanto como pensador do jogo deixa a desejar. Como Curry nenhum do passado me vem à mente, posto que caras como ele sempre jogaram nas posições de ala, as de 2 ou 3 (Chris Mullin, Reggie Miller, etc..).

russ6Houve excepcionais arremessadores na posição 1, cito Mark Price, mas que não tinha nem de perto o volume de jogo de Steph. Como Westbrook pensei em Iverson, pontuadores, atléticos, mas acho Russ mais completo, dá mais passes, participa mais do jogo, ao passo que Allen era um finalizador, era muito mais um shooting e não point guard.

Saliento ainda que em muitos timaços como o Heat, Lakers, o primeiro Cavs com Lebron, etc, jogadores como Lebron James e Kobe Bryant, gênios nas posições 3 e 2 respectivamente, que levavam a bola, em detrimento dos armadores desses times. Não fora os Cavs terem agora um time forte e um excepcional armador como Irving, tenho convicção de que James é que estaria levando quase todas as bolas desde a reposição lá atrás. Armador mediano ou fraco + um craque nas posições 2 ou 3, este leva a bola.

harden300Por fim, qual será o futuro dessa posição? All-around players como Russell Westbrook e James Harden irão influenciar a próxima geração a jogar dessa forma? O armador menos pontuador, de muitas assistsência, mais especialista, que não cria sua própria jogada e sem potencial físico tenderá a sumir ou poderá voltar com força? Teremos novos Currys, que são muito mais finalizadores, ou ainda poderemos ver surgir jogadores 1 com características ainda não vistas na NBA, como fora Magic Johnson nos anos 80?

Creio ser muito difícil a resposta. Prefiro, neste momento, deixar o tempo responder qual será o futuro dessa posição complexa e tão importante para o jogo de basquete.

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Fala, Leitor: Sobre Westbrook e os pressupostos de uma posição, por Helder Souza
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Fábio Balassiano

*Por Helder Souza

russ1Acompanho a NBA há pouco tempo. São alguns anos, mas sei que são poucos para que eu possa dar alguma opinião mais profunda sobre o esporte. Entretanto, não posso deixar de conjecturar alguns pensamentos sobre o jogo, e, especificamente nesse caso, creio que vale a pena repassar a você que possui um conhecimento muito mais amplo e mais considerável que o meu.

O principal assunto da ultima off-season foi a saída do Kevin Durant de Oklahoma para Golden State. Muito se falou sobre todas as vertentes dessa decisão tomada pelo KD: se era justo (ou não), se ele fez certo (ou não), se foi uma boa decisão para a carreira dele (ou não), como ele se adaptaria ao time dos Warriors, o quão forte e imbatível esse time ficaria, qual seria o legado que ele deixaria na nova franquia, etc.

russ8Do outro lado da história também falou-se muita coisa: qual o legado que ele deixou no Thunder, qual seria a reação da torcida com ele, o quão medíocre – no sentido literal da palavra – ficaria o OKC sem ele (e sem Ibaka) etc. Mas, nesse sentido da discussão sobre o novo OKC, o que mais ouvi foi que, sem Durant no time, Westbrook jogaria como nunca (e perderia como sempre).

Enfim, até esse momento da temporada regular é exatamente isso que está acontecendo. Fisicamente um monstro e tecnicamente com recursos que lhe permitem pontuar em qualquer espaço da quadra, ele vem fazendo mais de vinte pontos por jogo, com triplo-duplo em quase todas as partidas (com média de triplo-duplo na temporada).

russ9A franquia é dele agora. Só dele. O time joga em função dele. As jogadas começam e terminam nas mãos dele. Eu não tenho esse numero em mãos (se falar besteira, perdão), mas acredito que, no mínimo, entre pontos e assistências, 60% dos pontos do Thunder têm envolvimento dele.

Porém, vejo muito claramente (e acredito que vocês também veem) que as chances dos Trovões ganharem um anel de campeão nessa temporada foram embora junto com Durant e Ibaka. O time é mediano, comum e completamente dependente do fator Russel – o que torna a equipe inteiramente previsível. Deus o livre e guarde, mas se ele for acometido por alguma lesão que o afaste de alguma parte mais longa da temporada, esse time do Thunder não chegará nem aos Playoffs.

russ5Mas enfim, a verdade é que estou me desviando do assunto. Escrevi uma lauda inteira, mas até agora não cheguei ao ponto que quero chegar.

A questão é: em minha opinião, estamos vendo Westbrook fazer história na liga. Acredito que ele está deixando um legado incrível na NBA. Ele está mudando o jogo. Está mudando a forma de se jogar na posição 1.

Acho que ninguém se deu conta disso ainda. Nós, seres humanos, temos o defeito de só apreciar e valorizar as coisas quando elas se acabam. Eu consigo imaginar, no futuro, quando esse cidadão se aposentar, todos os cronistas, especialistas e amantes desse jogo exaltando como ele teve impacto na liga e como influenciou a nova (futura) geração de armadores do College e das Universidades.

russ11Explico. Se vocês olharem para trás, vão se recordar que em algum ponto da história houve uma mudança nas competências que um armador precisa ter. Antigamente, bom armador era aquele que enxergava o jogo e passava bem a bola, gerando incontáveis assistências. Hoje em dia, bons armadores são os pontuam muito e, ocasionalmente, passam a bola.

Apresentando de outra forma, antigamente um bom armador era o cara que, independentemente de quantos pontos fazia por jogo, gerava 10, 15 assistências (Magic Johnson, John Stockton, Jason Kidd, Stivie Nash, Rajon Rondo etc.). Atualmente, um bom armador é o jogador que faz, na média, 20, 25 pontos e cria 5, 8 assistências (Kyrie Irving, Damian Lillard, John Wall, Steph Curry, Derrick Rose, Kemba Walker, Isaiah Thomas etc.).

russ4Creio que Isiah Thomas, na década de 1990, foi o precursor dessa mudança de estilo. De certo modo à frente do seu tempo, quando todo mundo pensava em passar a bola ele pensava em infiltrações e em criar seu próprio arremesso. Alen Iverson algum tempo depois e Chris Paul vieram pra consolidar esse estilo jogo e influenciar a geração de jogadores que citei no parágrafo anterior, que já chegaram à NBA jogando assim.

Acredito que uma nova mudança está acontecendo agora, e ela tem em Westbrook o seu precursor. Seu estilo de jogo, a forma como ele domina e comanda o time e sua capacidade causar impacto em todas as estatísticas do jogo são únicas e creio que se tornará tendência na liga – vide os Bucks, com o monstro grego de nome grande, braços maiores ainda e talento infinito, além do James Harden, que virou armador essa temporada e briga jogo a jogo com RW0 pelo título de MVP da temporada regular.

russ6Ainda é cedo pra dizer como terminará a carreira desse monstro do basquete. Talvez ele ainda ganhe (ou não) um título, talvez volte a ter em Oklahoma ao seu lado outras grandes estrelas, talvez ele também saia do Thunder em busca de novos ares, novos desafios. É impossível saber o que acontecerá.

Mas tenho certeza que, de uma forma ou de outra, ele será lembrado por essa temporada: porque mudou o jogo, mudou o desígnio de uma posição.


Fala, Leitor: O incrível Houston Rockets, por Lucas Duarte
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Fábio Balassiano

* Por Lucas Duarte

mike1Antes de começar a temporada da NBA havia uma mistura de temor/ironias acerca do que Mike D’Antoni poderia fazer com Houston Rockets, um time talentoso que tem um craque de bola (James Harden) que, no entanto, havia se classificado apenas em oitavo em sua conferência na última temporada. Tudo isso vinha pelo fato do técnico apresentar um estilo de jogo muito ofensivo, com ataques rápidos, MUITOS arremessos e fugindo do normal da NBA. Foi assim com o Warriors nas últimas duas temporadas. As mais recentes campanhas de D’Antoni (não passa da primeira rodada dos playoffs desde a temporada 2006/2007) aliada a defesa muito fraca de Houston parecia resultar em uma temporada complicada.

Entretanto, o que se observa é totalmente o contrário. O time texano vem jogando um basquete envolvente, com muitos arremessos do perímetro e grande aceleração do jogo principalmente a partir da metade da quadra. Para quem achava que o ataque poderia ‘’queimar’’ arremessos rapidamente proporcionando muitos contra-ataques aos rivais, uma grande diferença: Mike D’Antoni apresenta uma ‘’bagunça ofensiva organizada’’, onde o time adversário não sabe quem arremessará, quando isso ocorrerá e de que maneira (infiltrações /ponte aérea ou chute de longe).

harden300Quando tem de se defender, o time ainda sofre, mas demonstrou evolução em relação a temporada passada. Muito disso se deve ao armador Patrick Beverley, talvez o melhor marcador de perímetro da NBA. Ainda falta bastante coisa acontecer, mas fica a impressão desse time ser mais forte coletivamente e individualmente em relação aquele que foi finalista de conferência dois anos atrás.

Se esse estilo de jogo tem como principal responsável o treinador, dentro de quadra James Harden é o pilar do time. O ‘’barba do capeta’’ está impagável nessa temporada, tendo por exemplo a segunda melhor média de pontos da carreira e a melhor de rebotes e assistências. E é justamente nos passes que o armador se destaca, não apenas pelo número em si (saltou de 7,5 em 2015/2016 para 12 na atual temporada), mas também para o que ele representa para o time. Inúmeras vezes assistimos Harden partir para cima da marcação e logo em seguida passar para Ryan Anderson ou Eric Gordon (falo deles depois) arremessarem de longe ou Capela, Nenê, Harrell finalizarem de perto da cesta. A enorme atenção que o jogador atrai dos defesas adversárias devido a seu grande potencial ofensivo aliada a competência de seus companheiros confere a Houston um punhado de pontos, tendo o segundo melhor ataque da NBA.

harden3Se Mike D’Antoni e James Harden têm grande importância, os gerentes da franquia também possuem grande responsabilidade nesse sucesso. A saída de Dwight Howard representou a perda de um grande jogador (apesar de não ser tão dominante como antes, está entre os melhores da liga na sua posição), mas culminou também com uma melhora geral no clima do time e no jogo de Harden, que por vezes se via ‘’comprometido’’ a passar uma dúzia de bolas para o pivô em detrimento de melhor escolha.

Porém, o ponto fundamental que sustenta o estilo de jogo do time e o sucesso na temporada são as aquisições de Eric Gordon e Ryan Anderson – ambos vindos dos Pelicans. Os dois são exatamente o que Mike D’Antoni procurava: jovens que aguentam o ritmo alucinante do time, excelentes chutadores do perímetro e coadjuvantes que que entendem sua função e importância no time. Para se ter uma ideia do sucesso de ambos, eles estão no top 10 em arremessos de 3 convertidos (números absolutos) e Gordon é no quesito o líder NA FRENTE DE STEPH CURRY.

Harden1No começo da temporada tivemos algumas surpresas, como os Lakers com campanha positiva e os Clippers no mesmo nível de Spurs, Cleveland e Warriors. Porém, ao que tudo indica nessa fase do campeonato, o Houston é que já é uma realidade, um time que irá aos playoffs e pode incomodar demais San Antonio e Golden State (já venceu a ambos na temporada).

E o time que antes era uma incerteza agora se torna uma surpresa positiva da temporada.


Fala, Leitor: O dia em que encontrei Diana Taurasi e sua medalha de ouro
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Fábio Balassiano

* Por Francielle Fernanda Almeida

diana1Conhecer a Diana Taurasi foi um sonho realizado em minha vida. Sempre via Diana jogar pela TV e pensava em como seria maravilhoso vê-la, mesmo que de longe, pessoalmente. Foi principalmente por causa da mulher que me inspirou a jogar e a amar basquete que fui na semifinal olímpica feminina entre EUA x França na quinta-feira na Arena Carioca I. Vendo que ela era muito atenciosa com os fãs depois do jogo eu tentei tirar uma foto com ela. Não consegui, pois estava muito cheio e Taurasi já tinha que ir para o vestiário. Mas não saí de mãos abanando. Literalmente.

fernanda3Diana jogou sua toalha para a torcida e, adivinhem, eu a peguei. Já estava tudo maravilhoso. Tinha a toalha da minha ídolo, fiquei muito feliz e voltei pra casa nas nuvens. Só que sabe como é, fã que é fã nunca está satisfeito. Na final, entre EUA e Espanha, eu queria muito a sonhada foto com ela. A atleta que sempre me inspirou a persistir nesse esporte tão maravilhoso que é o basquetebol estava tão pertinho de mim que não poderia deixar isso passar. Foi aí que resolvi fazer um cartaz exatamente com o que sentia e com o que queria. A mensagem era: “Taurasi, eu jogo basquete por sua causa. Por favor, tire uma foto comigo“.

fernanda2Como era uma final olímpica e tinha todo aquele protocolo de premiação depois que o jogo acaba eu não estava muito confiante que conseguiria isso. Se eu conseguisse que ela lesse o cartaz e agradecesse mesmo que de longe, já ficaria satisfeita. Era nisso que estava me apegando depois que os EUA conquistaram o ouro olímpico. E aconteceu! Quando Diana Taurasi estava no pódio para receber a premiação, chamei a atenção dela balançando muito o cartaz (risos). Ela leu e agradeceu batendo a mão no peito. Nesse momento já estava emocionada.

diana2Mas sabe como é, fã que é fã nunca está satisfeito e eu ainda continuaria ali no meu lugar para tentar a sonhada foto. Sou brasileira e não desisto (risos). Foi aí que um coordenador da delegação norte-americana viu o cartaz e se comoveu. Pediu que os fotógrafos oficiais tirassem fotos do meu cartaz e solicitou que alguém chamasse a Taurasi. Já estava desesperada, pois ela já estava indo pra zona de entrevistas e normalmente depois disso os atletas vão direto para o vestiário. O coordenador veio do meu lado e disse: “Fique tranquila, ela está vindo”. Tranquila? Eu? Aham…

fernanda1E aí, sim, aconteceu. Aconteceu. Eu vi Diana Taurasi vindo em minha direção sorrindo. Meu coração quase saiu pela boca. Não estava acreditando. Era ela vindo lentamente para me encontrar. Quando ela parou na minha frente leu novamente o cartaz, agradeceu e me deu um abraço. Depois fomos tirar a foto e para minha surpresa novamente ela me disse uma das coisas que jamais esquecerei em toda a minha vida: “Agora segura a medalha você”. Nessa hora não sabia o que pensar. Comecei a tremer toda, mas era um pedido dela e eu não poderia negar. Foi lindo, um dia que nunca irei esquecer. E um detalhe: que medalha pesada. Literalmente e emocionalmente.

fernanda4Mesmo tendo a oportunidade raríssima de tudo isso e ter ficado muito feliz, fico triste ao mesmo tempo. Triste porque não temos “Taurasis” em um país que já foi campeão Mundial na modalidade. Depois da geração da Hortência e da Paula, o basquete feminino no Brasil esta cada vez mais deixado de lado. Temos uma Liga ainda de caráter amador, que em sua ultima edição teve a participação de apenas 6 equipes.

Nas categorias de base então nem se fala. Trabalho como técnica em uma associação (JF Celtics) em Juiz de Fora com a equipe feminina que em sua primeira participação no Campeonato Mineiro já foi campeã Regional. Não temos apoio governamental, nem empresarial.

fernanda5Também sofremos com a pequena procura das meninas pela modalidade. Isso, na minha opinião, é reflexo do grande descaso com o basquete feminino. Depois do ouro no Mundial da Australia em 1994 e a prata nas Olimpíadas de Atlanta em 1996 tínhamos “a faca e o queijo na mão”. Era hora de divulgar e investir na modalidade. Mas não aconteceu.

Espero sinceramente que depois da atuação na seleção feminina nas Olimpíadas seja feita algo por esse esporte tão maravilhoso. E minha maior esperança é que consigamos ter ídolos para que nossas meninas que estão começando na modalidade possam se inspirar. Exatamente como eu me inspirei por Diana Taurasi.

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