Bala na Cesta

Categoria : Despedida Kobe Bryant

Especial Kobe Bryant: Concorra a uma camisa do ídolo do Lakers
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Fábio Balassiano

kobe1A carreira de Kobe Bryant terminou, você sabe bem. Terminou com 60 singelos pontos, né? Agora imagina que sensacional você caminhando nas ruas da sua cidade com uma camisa do ala do Lakers.

É o que pode acontecer se você participar da Promoção. Para isso, é muito simples. Acompanhe o que precisa ser feito:

1) Curtir a página do blog no Facebook (lá estarão as mesmas instruções). É o Facebook.com/balanacesta .

kobe2) Curtir e compartilhar o Post da promoção no Facebook

3) Marcar NO MÍNIMO cinco amigos no Post da promoção no Facebook

4) Enviar e-Mail com o assunto “PROMOÇÃO KOBE NO BALA NA CESTA” para fbalassiano@uol.com.br com dados completos (Nome, endereço, CEP, Estado, Cidade, telefone de contato etc.)

5) Torcer bastante.

Promoção válida até 23h59 do dia 23/04/2016. Uma camisa está em jogo. Gostaram? Boa sorte a todos!


O show da despedida: Kobe faz 60 pontos na vitória do Lakers
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Fábio Balassiano

kobe3Se já seria uma noite pra não esquecer, Kobe Bryant fez questão de deixar um recado final para o planeta inteiro no derradeiro jogo de sua brilhante carreira.

Diante de todas as câmeras, do mundo inteiro que acompanhava a sua despedida, o camisa 24 deixou a emoção de lado e simplesmente despejou 60 pontos (22/50 nos chutes) na vitória do Los Angeles Lakers contra o Utah Jazz por 101-96 (35-21 no último período em uma incrível virada).

kobe2Emocionado com as homenagens que recebeu antes da partida (com discurso de Magic Johnson e um belíssimo anel da franquia de presente inclusive)  e conversando com Shaquille O’Neal durante toda peleja (seu ex-melhor amigo, desafeto e agora novo maior parceiro), Kobe começou pegando fogo, anotando 20 pontos no primeiro período. Deu uma acalmada nos segundo e terceiro períodos, mas fez o que ele sempre fez de melhor no último quarto – ligou a máquina e salvou a sua equipe. Fez surreais 23 pontos nos 12 minutos finais, auxiliou o Lakers a tirar 15 pontos de diferença e ainda teve forças, sabe-se lá de onde, para matar a bola que guiou a equipe a vitória na noite de quarta-feira.

kobe5Foi seu jogo de maior pontuação desde 2009, mas não só isso. Com os 60 pontos, Kobe se tornou o atleta mais velho (37 anos) a atingir tal marca, cravou a quinta maior performance de sua brilhante carreira (atrás dos 81 contra o Toronto, os 65 contra o Portland, os 62 contra o Dallas e os 61 contra o Knicks) e terminou a sua vida profissional com seis jogos de 60+ pontos, segundo maior no quesito (atrás obviamente de Wilt Chamberlain). Se queria deixar a melhor das impressões finais, o gênio da camisa 24 conseguiu.

kobe1No meio da quadra, ao final e com microfone em punho, Kobe agradeceu aos torcedores pelos 20 anos com a franquia da qual era torcedor na infância, afirmou que, ao contrário de toda a sua carreira, as pessoas insistiram para que ele chutasse todas as bolas (e não que as passasse), encerrou seu discurso um singelo “Mamba Out” (Mamba, seu apelido, fora) e foi ovacionado.

No vestiário os Lakers colocaram champanhe para celebrar a sua vida esportiva. Veja abaixo os lances da partida.


Especial Kobe Bryant: Obrigado, muito obrigado
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Fábio Balassiano

kobe10Falta pouco, Kobe. Às 23h30 (ESPN exibe) veremos seu último ato.

Só posso dizer obrigado.

Obrigado por me fazer acompanhar a sua trajetória maravilhosa desde 1996.

Obrigado pelas bolas surreais nos finais de jogos.

Obrigado por me deixar emotivo com a despedida de alguém que só troquei quatro palavras (no Rio de Janeiro em 2013).

Obrigado por não ter ido aos All-Star Games que eu cobri (2014 e 2015). Eu não saberia o que lhe perguntar. Talvez tremesse a voz e me sentiria um bobo.

kobe1Obrigado por desafiar os limites do seu corpo dia após dia.

Obrigado por provar que a repetição diária rende frutos para quem treina com tanto afinco como você.

Obrigado por errar tanto em sua vida (nos arremessos, nas declarações, nas ações). Você mostrou que é humano como nós.

Obrigado por não ter a menor dúvida de que copiar o melhor dos melhores seria a maneira mais inteligente de você se colocar entre… os melhores.

kobe2Obrigado por saber cair. Por saber cair e levantar.

Obrigado pelas brigas com Phil Jackson. Eu também me irritei muito por ele sempre estar certo. Muito obrigado por compreender que ele sempre quis o seu melhor.

Obrigado pelos 81 pontos no Toronto.

Obrigado por ter batido aquele lance-livre com o tendão de aquiles arrebentado.

Obrigado por fazer 62 pontos no Dallas em três períodos.

kobe20Obrigado por não concordar com o senso-comum, com o medíocre (de mediano).

Obrigado por fazer pelo menos 40 pontos contra os 29 times da NBA contra os quais você jogou (incrível, hein!).

Obrigado por fazer as pazes com Shaquille O’Neal. Uma dupla que deu tantas alegrias a uma torcida não poderia ficar afastada por bobeira.

kobe8Obrigado por buscar a excelência em tudo desde sempre e para sempre.

Obrigado por falar sempre com os dentes trincados quando o assunto era basquete.

Obrigado por não ter paciência com os jogadores menos dotados em termos técnicos que treinavam 10% do que você, um gênio das quadras, treinava.

Obrigado por não aceitar nada menor que a excelência em todos os seus atos.

kobe10Obrigado por tratar a maior paixão da minha vida, o basquete, com o tesão que ele (o basquete) merece.

Obrigado por, mesmo sendo um profissional na acepção da palavra, ter jogado por sua seleção com o amadorismo (da palavra “de quem ama”) e com a paixão que todos nós, torcedores, jogaríamos.

kobe1Obrigado por treinado para superar o melhor de todos os tempos. Parabéns por ser um dos 10 melhores de todos os tempos.

Obrigado por ter ensinado. Obrigado por ter aprendido. Obrigado por ter vencido. Obrigado por ter perdido.

Foram 20 anos realmente incríveis. Sentiremos sua falta. Se quiser voltar, volte sem medo. Se não quiser, tenha uma boa nova vida. Obrigado, Kobe.


Especial Kobe Bryant: Histórias inspiradoras sobre a força mental do craque
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Fábio Balassiano

kobe1O vídeo abaixo mostra Kobe Bryant treinando sozinho DEPOIS de um jogo contra o Miami, na Flórida, em 2011. Ele tinha chutado 8/21, o Lakers acabara de perder do Heat do Big 3 (LeBron, Wade e Bosh), Kobe estava irritado consigo mesmo e decidiu retornar à quadra pra treinar depois da coletiva de imprensa.

Alguns detalhes: 1) Depois de um jogo jogo (reforçando); 2) O cidadão já tinha 5 anéis de campeão; 3) O Lakers liderava o Oeste na época; 4) O avião sairia em três horas. Alguns atletas preferiram sair pra jantar. Kobe preferiu treinar; 5) Ele voltou SOZINHO à quadra; 6) O rapaz já tinha 32 anos.

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kobe2Lembro que antes da temporada de 2009 fomos treinar juntos em Los Angeles. Cheguei cedo ao ginásio e ele já estava lá. Não estava entendendo muito bem o que ele fazia ali repetindo o mesmo arremesso inúmeras vezes, mas preferi não incomodar. Fui me alongando, arremessando de leve e esperava ouvir meu nome rapidamente. Passaram dez, vinte, trinta, cinquenta minutos. Nada. Uma hora, duas horas, Duas horas e meia. Decidi ir lá. E perguntei: ‘Cara, o que você está fazendo treinando o MESMO arremesso há quase três horas? Eu só te vejo deste mesmo ponto da quadra e sua bola não para de cair. O que está acontecendo?’. E aí ele me respondeu: ‘Este arremesso, deste ponto da quadra, está me incomodando muito há dois meses. Sinto que a bola está girando mal até o aro. Então estou tentando solucionar isso. Você me dá mais meia horinha para eu resolver essa questão?’. Naquele momento eu fiquei sentado tentando entender“, Jamal Crawford, atualmente ala do Los Angeles Clippers.

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kobe10“Eu me chamo Rob, sou preparador físico profissional há 16 anos e já tive a oportunidade de trabalhar com um vasto número de atletas, do ensino médio ao nível profissional. Fui convidado para Las Vegas em 2012 para ajudar o Team USA com a preparação física antes da partida para Londres, onde, como sabemos agora, eles conquistariam o ouro olímpico. Já havia tido a oportunidade de trabalhar com Carmelo Anthony e Dwyane Wade no passado, mas esse seria meu primeiro contato com o Kobe. Nos encontramos pela primeira vez três dias antes da primeira sessão de treinos, no começo de julho. Foi uma conversa rápida sobre condicionamento físico, como ele gostaria de estar no final do verão e também um pouco sobre a qualidade da Seleção. Ele então pegou meu número e eu disse que ele poderia me procurar sempre que quisesse um treino extra, a qualquer hora.

kobe50Na noite anterior à primeira sessão de treinamento eu lembro que havia acabado de assistir ‘Casablanca’ pela primeira vez e era por volta das 3:30 da manhã. Deito na cama, pego no sono aos poucos e ouço meu celular tocar. Era o Kobe. Atendi nervoso:

“Rob, não estou atrapalhando nada, certo?”
“Não, Kobe. Tudo certo?”
“Eu estava me perguntando se você poderia me ajudar com um treino físico agora.”
Olhei no relógio. 4:15 da manhã. “Sem dúvidas, chegarei ao complexo em alguns minutos”.

kobe20Levei uns vinte minutos até me aprontar e sair do hotel. Quando cheguei e entrei na quadra de treinos principal avistei o Kobe. Sozinho. Estava encharcado de suor, parecia ter acabado de sair de uma aula de natação. Não eram nem cinco da manhã. Fizemos um treino físico por uma hora e quinze minutos. Então entramos na sala de musculação, onde ele realizou treinos de força por 45 minutos. Depois disso nos separamos e ele voltou para a quadra para treinar arremessos. Voltei para o hotel e apaguei. Wow.

Eu era aguardado no ginásio novamente às onze da manhã. Acordei me sentindo sonolento, um pouco tonto e com todos os outros sintomas que resultam da falta de sono. Obrigado, Kobe. Comi um pão e saí para o complexo. Todos os jogadores da Seleção estavam lá, animados para a primeira sessão de treinamentos. LeBron conversava com o Carmelo se me lembro bem e o Coach Krzyzewski explicava alguma coisa para o Kevin Durant. Do lado direito da quadra estava o Kobe sozinho treinando arremessos. Passei, o cumprimentei e disse:

kb24“Bom trabalho essa manhã”
“Como?”
“Quero dizer, no treino físico. Bom trabalho.”
“Ah, sim, obrigado, Rob. Eu realmente agradeço.”
“Então, quando foi que você terminou?”
“Terminei o quê?”
“Os arremessos. Que horas você saiu da quadra?”
“Eu não saí da quadra desde aquela hora. Queria fazer 800, então só agora, então estou desde aquele momento (4h da manhã) treinando”.

Começou às 4h da manhã, eram 11h da manhã, ele não havia descansado. Meu queixo caiu”.

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kb5A primeira experiência de Kobe Bryant com a seleção norte-americana foi no Pré-Olímpico de 2007 em Las Vegas. Os EUA eram amplamente favoritos a conquistar uma das duas vagas para a Olimpíada da China do ano seguinte, mas o ala do Los Angeles Lakers não queria dar a menor sopa para o azar.

No dia 26 de agosto os EUA enfrentariam o Brasil. Do outro lado da quadra estaria Leandrinho, que tinha alucinado o Lakers, de Kobe, nos playoffs dos dois últimos anos (2006 e 2007). Embora não fosse uma figurinha nova para ele, o camisa 10 da seleção norte-americana não queria ser surpreendido. No final do treino conversou com Roy Williams, técnico de North Carolina e assistente de Coach K, e pediu:

barbosa1– Coach, amanhã o Barbosa (Leandrinho) não pode tocar na bola. É o melhor jogador do time deles e precisamos anulá-lo. O que você preparou para mim neste sentido?

– Como assim, Kobe? Você sabe como marcá-lo. Jogou contra ele não tem dois meses, não?

– Não. Preciso que você me entregue um compilado dos arremessos dele neste Pré-Olímpico e as diferenças de jogo para jogo. Amanhã não posso deixá-lo respirar.

kb1E assim foi feito. Roy Williams entregou uma apostila para Kobe Bryant em seu quarto na noite de 25 de agosto e um DVD com os melhores momentos editados de Leandrinho naquela competição.

No dia seguinte, uma das fotos mais incríveis da seleção norte-americana naquela competição (esta daqui do lado) mostra bem o que Kobe, na época um jogador com três títulos da NBA e o líder do time, queria: atazanar a vida de Leandrinho. O ala brasileiro errou seis de seus sete arremessos, desperdiçou quatro bolas e não teve forças para segurar o camisa 10 americano na defesa (Kobe teve 20 pontos). No final do jogo (113-76), Roy Williams ainda escutou: “Se não fosse o DVD e a apostila não teríamos vencido”.

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“Sempre fiz questão de ser o primeiro a chegar ao trabalho. Mas Kobe sempre dava um jeito de me superar. Eu morava a dez minutos do ginásio. Ele, a 45.

Um dia, na pré-temporada de 1999, ele quebrou o punho direito. A quadra, imaginei, ficaria só para mim. Mas, para minha vergonha, na manhã seguinte lá estava ele no ginásio – um braço engessado, o outro com a bola. Enquanto o time se ajustava para a estréia, percebi que Kobe seguia uma rotina peculiar.

Ele driblava, fintava, passava e chutava com a canhota. Parecia obcecado em reaprender tudo o que fazia com a mão direita.

Certa manhã, ele me chamou para um duelo de arremessos. Fiquei insultado. Ele acreditava que podia derrotar a mim, um especialista em tiros de longa distância, e sem uma mão. A mão boa! Como assim? Topei. Seria um prazer fazê-lo engolir a mania de grandeza.

Por pouco escapei do maior vexame de minha carreira. Foi só por uma cesta que o venci. Uma só.

Mas o melhor veio não contra mim em um treino, mas quando sarou e voltou a jogar. Logo em seu primeiro lance Kobe driblou e chutou com a mão esquerda. O arremesso nem aro deu. Mas isso não importava pra ele.

O banco olhou meio assustado, achou que ele estava maluco. No ataque seguinte, um drible de canhota, um passe, outro drible e um arremesso certeiro. De canhota. Diante de milhares de pessoas e das câmeras de TV, ele quis provar que também podia brilhar com a canhota”.

John Celestand, companheiro de Kobe Bryant no Lakers em 1999.


Especial Kobe Bryant: Os ouros olímpicos com a seleção dos Estados Unidos
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Fábio Balassiano

kobe50Kobe Bryant jamais havia defendido uma seleção norte-americana. Ele me disse que poderia contar com ele a partir de 2006. Depois daquele ano, Kobe me ligou duas ou três vezes para dizer para não esquecer dele, pois tinha o sonho de jogar uma Olimpíada pelo seu país. E estamos falando de um dos melhores jogadores de todos os tempos“. A declaração é de Jerry Colangelo, o gerente-geral de seleções da USA Basketball. Ele me contou isso em Nova Orleans dois anos atrás sobre como foi a sua primeira conversa com Kobe para que o astro do Lakers defendesse a seleção americana.

kobe10Jerry, na verdade, não precisava apenas de um grande jogador. Jerry precisava, na verdade, de grandes símbolos, de grandes inspirações. A seleção norte-americana de 2004 era recheada de craques, mas faltou comprometimento, entendimento de que a imagem da seleção impactava diretamente no que a NBA seria como produto. Ex-dono do Phoenix, ele entenderia bem os dois lados da moeda. E tratou de trazer o cara mais comprometido de todos para seu lado. Com Kobe Bryant, Colangelo sabia que de falta de foco e de treinamento a seleção americana não sofreria.

kb300Kobe, que poderia enfim ser treinado por Coach K (o treinador de Duke rejeitou uma oferta do Lakers de anos atrás), jogou três competições pelos EUA: o Pré-Olímpico de 2007 em Las Vegas e as Olimpíadas de 2008 e 2012.

Ao todo, 26 jogos e 26 vitórias, com 14,1 pontos de média, duas medalhas de ouro olímpicas e partidas memoráveis como a da final olímpica de Pequim-2008, 12 dos 20 pontos nos cinco minutos finais contra seu amigo Pau Gasol, da Espanha.

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Especial Kobe Bryant: A volta por cima com os 2 últimos títulos no Lakers
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Fábio Balassiano

kb1Kobe Bryant, que ontem fez 13 pontos na derrota do Lakers para o Thunder (112-79) e agora está a 48 minutos de se aposentar (a ESPN exibe a despedida do astro na quarta-feira às 23h30 contra o Utah Jazz), comeu o pão que o diabo amassou depois de 2004. Após a perda do título para o Detroit Pistons com um time que contava com ele, Shaquille O’Neal, Karl Malone e Gary Payton, o ala pediu para ser trocado, a franquia não aceitou, viu Shaq sair e ganhar um título em Miami e teve o “prazer” de jogar com atletas como Smush Parker, Chris Mihm e Jumaine Jones. A vida não seria fácil. Apesar de performances individuais absurdas (média de 35 pontos em 2005/2006), avançar fundo no playoff era quase impossível sem um elenco bom ao seu lado.

bussEm uma tentativa desesperada, conversou com Jerry Buss, dono do Lakers já falecido, pedindo para que a troca proposta pelo Detroit Pistons (Rip Hamilton + Rasheed Wallace + Tayshuan Prince por ele) fosse aceita. Kobe tinha vontade de jogar para Larry Brown, comandante do Pistons, e lá, segundo ele, poderia ganhar mais um anel de campeão. Jerry Buss convidou Kobe para sua mansão, abriu uma garrafa de Whisky e disse: “Kobe, nenhum dono troca a sua melhor pedra preciosa. Você é meu diamante e não vou trocá-lo nunca. Precisamos mesmo é cercá-lo do melhor material possível”.

gasol1E assim foi feito. Pau Gasol chegou, Derek Fisher retornou, Lamar Odom encontrou seu espaço e o calouro Andrew Bynum melhorava a cada dia. A melhor campanha em 2008, quando Kobe foi o MVP da temporada regular, foi reduzida a tristeza quando Bynum se lesionou com gravidade, deixando os Lakers sem pivô. A derrota para o Boston Celtics novamente colocaria o ala, que havia trocado a camisa 8 pela 24 um ano antes, na berlinda.

2009Nada, porém, como um dia após o outro. A franquia conseguiu recuperar o bom ala Trevor Ariza, viu Andrew Bynum e Pau Gasol formarem uma das duplas mais ferozes do garrafão e encheu o banco de reservas com bons jogadores (Shanno Brown e Jordan Farmar, principalmente), deixando o elenco ainda mais completo (65 vitórias). Com vitórias sobre Jazz, Rockets e Nuggets os Lakers voltariam a final. Do outro lado da quadra estaria o Orlando Magic, de Dwight Howard (eterno desafeto de Kobe). Inapeláveis 4-1 e o quarto anel nos dedos de Kobe Bryant, finalmente eleito o MVP de uma final da NBA (naquela altura estava 4-4 no duelo particular Kobe x Shaq – e isso era algo relevante para o camisa 24, obviamente).

2010No ano seguinte, a vingança. Thunder, Jazz e Suns caíram no Oeste, e o rival na decisão seria o Boston Celtics novamente. Dois anos depois os maiores rivais da história da NBA se encontrariam. O Lakers saiu atrás, voltou para Los Angeles com 2-3 e precisaria vencer as duas partidas em casa para se sagrar campeão. Assim foi feito. O agônico jogo 7 teve uma partida horrível de Kobe (6/24), mas Ron Artest (20 pontos) e Pau Gasol (19) estavam lá para garantir o bicampeonato com os 83-79 daquela noite memorável de segunda-feira, 17 de junho de 2010.

Na comemoração, em 2010, Kobe gritava com Derek Fisher, que conquistou com ele os cinco títulos da franquia: “Dinastia, Derek, Dinastia”. Mal sabia ele que ali seria o último momento de glória do Lakers com ele.


Especial Kobe Bryant: O mal explicado caso de assédio sexual no Colorado
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Fábio Balassiano

kobe3A temporada 2002-2003 não terminaria bem para o Lakers. Após ganhar o tricampeonato, a tensão envolvendo Shaquille O’Neal e Kobe Bryant a níveis absurdos, e o foco não estaria mais no basquete, mas sim em como fazer para dois dos melhores jogadores do planeta se entenderem. O San Antonio Spurs não tinha nada a ver com aquilo e fechou a série semifinal com inapeláveis 110-82 em Los Angeles. Seria o fim de uma dinastia que durou três temporadas.

A INFÂNCIA NA ITÁLIA E O COMEÇO DA CARREIRA NOS EUA

O DRAFT E O COMEÇO DA CARREIRA NO LAKERS

kobe1O que estava ruim ficou ainda pior em julho de 2003. Pai de primeira viagem (Natalia havia nascido em janeiro), Kobe faria uma besteira sem tamanho dias antes de operar o joelho no Colorado. Com sua esposa em casa cuidando do bebê recém-nascido, o camisa 8 lançou asas em cima da funcionária do hotel em que estava hospedado. Katelyn Faber foi o nome da vítima.

OSCAR SCHMIDT, ÍDOLO DO KOBE

PODCAST ESPECIAL SOBRE KOBE BRYANT

A operação estava marcada para o dia 2 de julho. A colaboradora do hotel entrou com processo contra Kobe Bryant um dia antes. A alegação: assédio sexual e sexo não consentido (ou, de forma mais clara, estupro). O mundo cairia na cabeça de Kobe (com toda razão).

kobe2Sabe-se lá como e/ou o motivo, a funcionária do hotel não quis fazer os testes pedidos pela polícia, optando por retirar a queixe-crime contra Kobe no quesito assédio sexual, mantendo contra ele outro processo (só que apenas um de forma civil em que pedia ao astro do Los Angeles Lakers um pedido público de desculpas).

OS PRIMEIROS TÍTULOS NO LAKERS

kobe8Meses depois Kobe Bryant sentou-se para uma coletiva de imprensa em uma mesa com Vanessa, sua esposa, ao lado e pediu públicas desculpas a funcionária do hotel. Admitiu a traição, chorou, mostrou-se arrependido, mas não concordou com a tese (da moça) do estupro. Como prova de amor a sua esposa, com quem está casado até hoje, comprou um anel de brilhante de quase US$ 3 milhões que ficou conhecida como “Kobe Special”.


Especial Kobe Bryant: Jefferson Sobral lembra momentos com astro no Lakers
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Fábio Balassiano

jeff3Marcelinho Huertas não é o primeiro jogador brasileiro a dividir uma quadra de basquete com Kobe Bryant na NBA. Então tricampeão da NBA, o astro do Los Angeles Lakers chegou a pré-temporada do time em 2002/2003 mais confiante do que nunca para tentar um incrível tetracampeonato. Nos treinos ele encontrou com Jefferson Sobral, ala que se destacada no Brasil e que tentava um contrato com alguma franquia da melhor liga de basquete do mundo.

A INFÂNCIA NA ITÁLIA E O COMEÇO DA CARREIRA NOS EUA

PODCAST BNC ESPECIAL SOBRE KOBE BRYANT

jeff6“Mais de dez anos atrás era inimaginável pensar que a NBA no Brasil e para os brasileiros se tornaria o que se tornou hoje. São muitos de nós por lá, já são dois campeões e tem muito mais gente entrando. Quando eu fui era praticamente um milagre conseguir. Tinha o Nenê, o Anderson Varejão estava chegando, mas era praticamente impossível. Lembro que cheguei pra pré-temporada e os Lakers tinham acabado de ser um tricampeões. Foi muito impactante entrar no Centro de Treinamento e dar de cara com Phil Jackson, o técnico, e atletas como Shaquille O’Neal, Kobe Bryant e Derek Fisher. Muita gente falava sobre o clima ruim entre Shaq e Kobe, mas não vi muita coisa. Cada um ocupava o seu espaço. O Shaq era uma criança gigante. O Kobe, mais reservado, na dele, só se preocupava em treinar. O cara era uma máquina”, relembra o ala, que atualmente é técnico da Liga Amadora do ABC, a LABA, e cujo time, o Ballers, foi campeão na temporada passada implantando o mesmo sistema do Lakers na época, o Sistema de Triângulos.

OSCAR SCHMIDT, O ÍDOLO DO MENINO KOBE

jeff7A vida, porém, não seria muito fácil para Jefferson. Ele batalhava pelo único contrato que a franquia poderia dar a um atleta de fora do Draft e se esforçava, nos treinamentos, para evoluir. Chegar cedo ao ginásio era obrigação. E sinônimo de que encontraria Kobe Bryant por lá.

“Neste ponto, de treinamento, ele é realmente tudo o que falam dele mesmo. O cara sempre foi um verdadeiro rato de treinamento. Eu sempre tentava chegar antes pra treinar, e ele SEMPRE estava lá. Estava sempre à frente de todos, preparado para as situações. Não era pego de surpresa por isso”, analisa Jefferson, que se recorda exatamente do primeiro treino coletivo da equipe: “O Devean George, um ala muito alto e bem forte, marcou o Kobe no primeiro exercício. A bola quicou, e o George grudou no Kobe. Estava marcando muito bem, não dava espaço. Aí na primeira oportunidade que surgiu o Kobe gingou para um lado, para o outro, não viu muita brecha para arremessar de longe e parecia que iria passar a bola. Que nada. Kobe lançou a bola com força na tabela e cravou a bola pegando rebote. Foi meu cartão de visitas. Estava no lado oposto do Devean George e não sabia se ria, aplaudia, se coçava o olho”.

O DRAFT E O COMEÇO DA CARREIRA NO LAKERS

jeff1Jefferson, que também é Pastor da Igreja Batista Ministério Colheita em São Caetano, passaria por outra emoção em sua rápida passagem pelo Lakers. No primeiro amistoso da pré-temporada teve a missão de substituir a Kobe Bryant durante o jogo.

“Quando o Phil Jackson me chamou pra entrar no lugar dele foi uma sensação estranha. Pensei comigo: ‘Como vou anunciar pra mesa que vou entrar no lugar do Kobe? E como vou falar pra ele que vou entrar no lugar dele?’. Lembro disso até hoje. Jamais imaginei chegar perto dele. Era um sonho grande e eu pude realizar”, diverte-se Jefferson, que recentemente passou por um drama pessoal quando seu filho Nicolas, de 16 anos, faleceu vítima de um ataque cardíaco repentino.

OS TRÊS PRIMEIROS TÍTULOS COM O LAKERS

lakers5Cortado pouco antes da temporada começar, Jefferson relembra que nunca teve oportunidade de conversar longamente com Kobe Bryant. Na saída do Centro de Treinamento, porém, ele não perderia a chance derradeira.

“Sempre via o Kobe batendo bola, e fiz um pedido daquela vez: ‘Quero jogar um-contra-um contra você. Vamos?’. Ele coçou a cabeça, me disse umas palavras legais sobre a minha saída da franquia, me incentivou a continuar treinando forte e falou: ‘Vamos nessa’. O Kobe, naquele momento, acabou realizando um sonho de criança para um adulto. Só posso agradecer por aquilo que aconteceu. Fiz umas duas cestas, fiquei feliz, aí o cara fez umas 10 direto em cima de mim (risos). Agora que vai se aposentar bem que pode vir jogar no Ibirapuera com a gente, né?”.


Especial Kobe Bryant: Após frustrações, os três primeiros títulos da NBA
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Fábio Balassiano

Phil JacksonA temporada 1998/1999 terminou de maneira frustrante para o Lakers. O time vinha bem, mas preferiu fazer uma troca para reforçar a ala no meio do campeonato. Glen Rice chegou para o lugar de Eddie Jones, que se foi para Charlotte depois de perder a titularidade na posição dois pra Kobe Bryant. Naquela altura dos acontecimentos, Kobe já assumira o comando técnico da franquia no perímetro e beirava os 20 pontos de média (19,9 para ser mais exato).

A INFÂNCIA NA ITÁLIA E O COMEÇO DA CARREIRA NOS EUA

kobe2Faltava, porém, alguém para lapidar o diamante (ainda) bruto. Depois de um ano sabático após a conquista do segundo tricampeonato com o Chicago Bulls o técnico Phil Jackson chegou e logo as coisas mudaram. Implementando o famoso Sistema de Triângulos, Big Phil levou a franquia a 67 vitórias na temporada regular (uma das melhores campanhas da história) com um jogo fluído no garrafão com Shaquille O’Neal (que seria o MVP inclusive), vistoso fora dele com Kobe e tendo uma defesa bem boa. Assim os Lakers entraram no mata-mata como favoritos e prontos para vencer um campeonato desde 1988.

PODCAST BNC ESPECIAL SOBRE KOBE BRYANT

riceO medo, no playoff, era saber como aquela equipe ainda em formação (técnica, tática, psicológica) iria reagir. Os três anos anteriores foram frustrantes pois, apesar das boas campanhas, o time de Del Harris (e Kurt Rambis em 1999) perdeu de maneira inapelável para Utah Jazz (duas vezes) e San Antonio Spurs.

OSCAR SCHMIDT, O ÍDOLO DO KOBE

No ano 2000, as coisas seriam diferentes por causa de Glen Rice (foto à direita), Ron Harper (armador campeão pelo Bulls) e A.C. Green, que trariam a experiência necessária a Shaq e Kobe na pós-temporada.

pip1Foi assim que os Lakers “aprenderam” a sofrer contra o Sacramento na primeira rodada (venceram por 3-2 com um solene 113-86 no jogo 5). A sombra de uma eliminação precoce foi pra longe, e na rodada seguinte bater o Phoenix Suns por 4-1 nem foi tão difícil assim.

O DRAFT E O COMEÇO DA CARREIRA NO LAKERS

Na decisão do Oeste estava o Portland Trail Blazers, que tinha um ex-comandado de Phil Jackson na franquia rival. Era Scottie Pippen, que tinha ao seu lado um timaço de bola (Rasheel Wallace, Damon Stoudamire, Steve Smith, Arvydas Sabonis e Detlef Schrempf). O confronto foi emblemático (e também muito polêmico devido a supostos erros exagerados da arbitragem). O Lakers abriu 3-1, permitiu a reação do Blazers, mas teve maturidade para fazer 89-84 com 31-13 no último período para vencer o jogo 7 (Brian Shaw, com 11 pontos, e Robert Horry, com 12, foram fundamentais) e evitar que as bruxas voltassem. Seria a primeira final em uma década.

kobe20Na decisão o encontro era com outro grande rival. Larry Bird era o técnico do Indiana Pacers, que chegava a primeira final da história da franquia com o comando, na quadra, do genial Reggie Miller (na época grande desafeto de Kobe Bryant inclusive). O Lakers abriu 2-0, parecia ter o controle total da série, mas viu o adversário ganhar o jogo 3 e levar o quarto para a prorrogação. Ali brilhou Kobe Bryant.

Com Shaq fora com seis faltas, o camisa 8 superou uma lesão no tornozelo (ele foi atingido de forma proposital pelo pouco correto Jalen Rose) para anotar 28 pontos no jogo mais importante da final.

O jogo seis, em Los Angeles, foi o da consagração. Triunfo de 116-111 com 41 pontos de Shaq e a volta dos tempos de glória para o Lakers.

kobe50O ano seguinte parecia a continuação da temporada anterior, com as entradas de Rick Fox e Horace Grant nos lugares de Glen Rice e A.C. Green, respectivamente. Com a diferença que Kobe assumiria de vez o comando na pontuação da equipe (a média dele e de Shaq foi exatamente a mesma – 28 pontos). O problema é que as vitórias diminuíram (de 67 para 56), e muita gente duvidava que o ritmo poderia melhorar no mata-mata. Mas melhorou – e muito. Com varridas em Blazers, Kings e Spurs, os Lakers chegaram à decisão contra o Sixers, onde perderam apenas um jogo, fecharam a final em 4-1, garantiram o bicampeonato e cravaram a melhor campanha da história dos playoffs (15-1).

kobe3Em 2001-2002 Derek Fisher tornou-se titular na armação, as vitórias continuaram (58 na temporada regular), mas a animosidade entre Shaq e Kobe se acentuava. Para o camisa 8, era inaceitável que o pivô chegasse em forma tão ruim a pré-temporada e que levasse o campeonato de forma, segundo Kobe, pouco comprometida. Phil Jackson cortou um dobrado para manter a concentração do time lá no alto, mas conseguiu. Uma varrida no Portland, um 4-1 no Spurs e de novo estaria o Kings pela frente. Um chute milagroso de Robert Horry no jogo 4 evitou uma catástrofe em Los Angeles, e um agônico jogo 7 em Sacramento colocou os Lakers de novo na final.

O New Jersey Nets, de Jason Kidd, esteve longe de ser um rival confiável e levou uma sonora varrida de 4-0. Seria o tricampeonato dos angelinos.

A tensão estava mais do que nunca no ar. Com Shaq sendo MVP das finais pela terceira vez seguida, era praticamente impossível fazer com que a dupla se entendesse.


Especial Kobe Bryant: A troca no Draft e o começo no Lakers
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Fábio Balassiano

kobe1No final da temporada 1995/1996 Kobe Bryant já sabia que não voltaria ao Lower Merion High School. Com o fim do segundo grau, caberia a ele decidir qual o seu próximo destino. Centenas de faculdades o queriam por perto, mas Kobe tomou a decisão rapidamente: saltaria o circuito universitário da NCAA como fizera um ano antes Kevin Garnett, ala do Minnesota, e tentaria ir direto para a NBA. Passaria pelo crivo do Draft aos 17 anos, mas ele estava disposto a mostrar nos treinos para as franquias que estava preparado para a melhor liga do planeta.

A INFÂNCIA NA ITÁLIA E O COMEÇO DA CARREIRA NOS EUA

kobe3Antes de entrar no Draft em si, vale contar uma história que mostra bem como funciona a cabeça de Kobe Bryant. Voltando de Nova Iorque para a Pensilvânia de trem, Kobe avistou uma menina sentada com a sua mãe alguns bancos à frente. O ala de Lower Merion achava que, sim, deveria ir para a NBA direto, sem a necessidade de passar um ou dois anos na NCAA. Seu amigo, o contrário. A maneira de decidirem a parada foi sentando ao lado da menina, que tinha mais ou menos a idade deles (16, 17 anos), explicando a situação e pedindo uma opinião para alguém totalmente de fora. A jovem ouviu atentamente e disse que, embora não soubesse nada de basquete, acreditava que o atleta deveria seguir os seus sentimentos, não ligando para o que os outros pensariam. Kobe cutucou o seu amigo e disse: ‘Vou para a NBA’.

PODCAST BNC ESPECIAL SOBRE KOBE BRYANT

kobe5E assim foi feito. Seu agente Arn Tellem comunicou à NBA que Kobe seria inscrito no Draft e passou a levar seu cliente para os treinamentos com as franquias. A história de tudo isso poderia ser diferente se algum dos 12 times à frente do Charlotte Hornets tivesse escolhido Kobe Bryant, mas não aconteceu. Pouca gente sabe, mas o eterno camisa 8/24 do Lakers treinou com os Celtics antes daquele Draft de 26 de junho de 1996 (Allen Iverson foi o primeiro a ser draftado), mas os verdes preferiram gastar a sexta escolha com ninguém menos que Antoine Walker.

OSCAR SCHMIDT, O ÍDOLO DO MENINO KOBE

kobe20Recebendo pouco interesse do Top-10, o Los Angeles Lakers enxergou em Kobe um produto para o futuro depois de vê-lo treinar com fúria contra Michael Cooper e Larry Drew (ex-jogadores angelinos). Já com um bom time (Shaquille O’Neal, Cedric Ceballos, Eddie Jones e Nick Van Exel jogavam para o técnico Del Harris), Jerry West, ídolo da franquia nas décadas de 60 e 70 e gerente-geral da equipe na década de 90, conversou com o Charlotte e arquitetou a troca com o Charlotte um dia antes do Draft. Já sabendo que Kobe NÃO jogaria no Hornets, West jogou com isso e ofereceu Vlade Divac, pivô de boa técnica e já consolidado na liga, por um menino de 18 anos que até então era uma aposta.

kobe10E assim foi feito. O Charlotte selecionou Kobe, que se tornou o jogador mais jovem a ser escolhido (à época) em um Draft da NBA, e cinco minutos depois o trocou para o Los Angeles Lakers. O interessante disso tudo é que por ter menos de 18 anos Bryant não pôde assinar o seu primeiro contrato. A legislação dos Estados Unidos não permitia, e Joe teve que assinar o contrato inicial de quase US$ 4 milhões. No momento de sacramentar a mudança da vida de seu filho, o papai Bryant virou-se para Kobe e disse: “Filho, joguei na quase 10 anos na NBA e nunca vi tanto dinheiro. Boa sorte”.

Assim começou a carreira de Kobe Bryant no Lakers. Reservado, não fazia amizades facilmente e iniciou a temporada 1996/1997 no banco de reservas de Eddie Jones, gatilho confiável de Del Harris. Teve média de 7,6 pontos em 15,5 minutos de média, mas já dava alguns sinais de que poderia brilhar mais adiante.

No playoff, teve a chance de brilhar contra o Utah na semifinal de conferência. Abusado, chamou a responsabilidade, mas não se deu muito bem contra os veteranos do Jazz, não. Terminou o jogo 5, o da eliminação angelina, com 4/14, algumas bolas que sequer pegaram no ar, e sendo muito vaiado pela torcida de Salt Lake City. Na entrevista pós-jogo, Kobe, porém, não se fez de rogado: “Errei hoje, errarei amanhã, mas acertarei muitas até o final da minha carreira. Pode escrever”.

O desenvolvimento seguiu na temporada seguinte, com Kobe atingindo as médias de 15,4 pontos em 26 minutos (inclusive um incrível de 33 contra o Chicago Bulls de Michael Jordan). Ali acendia uma luz na cabeça da diretoria do Lakers, que pensaria em trocar Eddie Jones, titular da posição, para abrir espaço para o camisa 8, que no ano seguinte já teria a primeira temporada de mais de 20 pontos de média (22,5) de sua carreira. Uma das duplas mais famosas da história do basquete (Kobe-Shaq) começaria a ser formada. A eliminação para o Utah Jazz no playoff cravaria a saída de Del Harris. Phil Jackson chegaria para colocar títulos na carreira do duo, assunto do texto de amanhã.