Bala na Cesta

Categoria : CBB

Candidato na eleição da CBB dispara contra FIBA e rechaça força-tarefa: ‘Iremos declinar’
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Fábio Balassiano

guy2100Candidato da oposição pela Chapa Transparência na eleição de uma endividada e suspensa Confederação Brasileira no pleito que acontece em 10 de março, Guy Peixoto esteve na semana passada na Suíça na reunião convocada pela Federação Internacional para discutir os rumos da CBB. E não gostou do que viu e ouviu. “Fiquei bastante chateado. Estava no Brasil, peguei um voo para uma reunião de uma tarde e não tive oportunidade alguma de falar sobre meu plano para reestruturar a entidade. Uma decepção imensa”, afirmou o empresário, que promete um modelo profissional ao extremo caso seja eleito.

Peixoto, de pulso firme, afirma que não assinará nenhuma carta de intenções, como queria a FIBA, autorizando a criação da força-tarefa e que reforçará a sua posição nesta terça-feira, quando seu grupo de trabalho irá se encontrar com Comitê Olímpico Brasileiro e Ministério do Esporte no Rio de Janeiro. “Não concordamos com isso de forma alguma. Iremos declinar. Se a FIBA quiser ajudar a nossa gestão, estamos de braços abertos, mas o restante não podemos concordar”. Confira a entrevista com Guy, que disputará a presidência da CBB contra Amarildo Rosa, da Federação Paranense, em pouco mais de 60 dias.

guy21BALA NA CESTA: Entre o que você esperava e o que aconteceu na reunião da FIBA, qual o tamanho real da sua frustração?
GUY PEIXOTO: Vamos lá. Eu esperava que na reunião me dessem oportunidade para mostrarmos propostas de solução para o basquete brasileiro, mas não foi isso que aconteceu. Os dirigentes da FIBA se resumiram a falar com o Carlos Nunes, cobrando dele ações que sabemos que ele não tomou. Eles acharam que o Nunes, depois da suspensão de novembro do ano passado, faria um plano de ação para reverter a situação, mas o presidente da CBB dizia o tempo inteiro que estava esperando as soluções da Federação Internacional. É tudo tão difícil quando o assunto é a CBB que a gente não tem conhecimento exato se a dívida é de 10, 15, 20, 30 ou 50 milhões. Ninguém sabe exatamente o tamanho do rombo, mas queria deixar claro que nós temos uma proposta para revertermos o panorama. Principalmente de dinheiro. Levamos tudo pra lá, em inglês e espanhol, mas não conseguimos apresentá-lo. Foi frustrante. Fiquei bastante chateado. Estava no Brasil, peguei um voo, levei dois companheiros de equipe para uma reunião de uma tarde e não tive oportunidade de falar sobre meu plano para reestruturar a entidade. Uma decepção imensa.

guy41BNC: Você chegou a conversar com o presidente da FIBA, Horacio Muratore?
GUY: Vou ser transparente com você, Fábio. O senhor Muratore foi muito cordial, muito solícito, bem gentil mesmo, e disse que compromissos foram assumidos e não cumpridos. Disse a ele que nunca tive nada a ver com essa gestão. Ao meu ver o erro é que eles (FIBA) colocaram em um grupo só a administração atual e os querem fazer a mudança, o nosso caso. Colocou todos no mesmo lado da moeda. Chegaram a falar coisas até pesadas. Deixei claro ao senhor Muratore que são linhas diferentes. Temos propostas, ideias e apoio da comunidade do basquete.

BNC: De longe eu tinha feito uma análise que a FIBA tentou, sem sucesso, implantar a força-tarefa no Brasil, mas não deu muito certo. É por aí mesmo?
GUY: Olha, o que eu entendi ali é que o senhor Jose Luiz Saez, o enviado pela FIBA para verificar a situação da CBB recentemente, queria fazer a força-tarefa via Comitê Olímpico Brasileiro e Ministério do Esporte, tal qual aconteceu no Japão e no México. Para eles da FIBA, na minha concepção, a solução seria esta. Tanto que depois eles apresentaram um documento para garantir a força-tarefa já agora. Em minha opinião, um pouco fora de propósito.

guy1001BNC: Você assinou este documento?
GUY: Bala, a eleição já está marcada. Somos independentes, é algo novo no meio do basquete, mas é a nossa postura. Não vamos seguir o comboio. Mandaram documento para todos assinarem clamando por uma força-tarefa antes da eleição. Não concordamos com isso, não dava pra assinar o documento. Nesta terça-feira há uma reunião no Comitê Olímpico, nossa equipe estará presente e iremos declinar disso novamente. Força-tarefa depois da eleição a gente também não concorda. Se a FIBA quiser fazer uma parceria para nos ajudar, estamos à disposição. Mas, caso vençamos a eleição, a gestão será de todo grupo formado pela chapa Transparência. Coloco uma mesa na CBB para que eles acompanhem a nossa administração sem problema algum. Se eles quiserem acompanhar, que fiquem à vontade, mas a responsabilidade será de quem for eleito. Tão simples quanto isso. Que fique claro: COB, Ministério, Liga Nacional e todos os demais são nossos parceiros. Mas a CBB precisa sair sozinha de onde se encontra.

guy31BNC: De verdade, me responda: o que leva um empresário com carreira bem sucedida a querer assumir uma CBB que tem quase R$ 20 milhões de dívida e uma situação de credibilidade abaixo do aceitável?
GUY: Você tem razão. Eu pensei muito antes de aceitar o desafio de me candidatar a presidência da CBB. Volto a falar. Não é o Guy Peixoto que vai resolver a situação da CBB. O que acontece é que nós formamos um grupo. É uma equipe. Assim se vence no basquete na quadra. Assim se vence fora dela. Nós montamos um grupo, uma equipe que vai trabalhar pelo basquete brasileiro. Eu apenas vou capitanear essa turma. É óbvio que a palavra final será minha, como funciona nas minhas empresas. Outro dia aliás eu fiz um comparativo. Hoje tenho 17, 18 unidades. É igual a Federação, não é? No final das contas a decisão é minha. Tudo o que tenho na vida veio do basquete. Aprendi muito, muito mesmo. Hierarquia, trabalho em equipe, liderança, raciocínio rápido. Hoje eu posso fazer o inverso. Transformar o basquete com o que aprendi no mundo empresarial. E de forma profissional, Bala. Tem que ser profissional. Não só dinheiro, mas qualidade, transparência, gestão.

guy10Quero deixar uma coisa bem clara pra você: não vou receber um centavo da CBB se vier a ser eleito. Não quero um café da CBB. Nada. Compromisso assumido meu: a CBB não paga uma passagem do senhor Guy Peixoto, hotel, absolutamente nada. Nem da FIBA eu não quis nada. Não quero. Não preciso disso e quero ajudar o basquete. Vai ser uma grandíssima mudança de gestão. Transparência total, Bala. Todo dinheiro que entrar vai ser publicado. Precisa estar aberto e com muito esforço individual e coletivo. As pessoas que estão se propondo a me ajudar sabem que é um momento de sacrifício. Precisamos voltar a fazer basquete de qualidade no país. Trem da alegria, essas coisas, acabou. Pode me cobrar. Será uma gestão de meritocracia total sempre. Onde houver gente querendo fazer basquete nós vamos estar juntos.


Na reunião da FIBA, o óbvio ululante – Brasil segue suspenso e esperando solução
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Fábio Balassiano

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Quando você olha esta foto pode imaginar que a turma toda que esteve na reunião organizada pela Federação Internacional para (aparentemente) salvar o basquete brasileiro saiu com alguma solução prática do encontro desta sexta-feira em Lausanne, Suíça. Não é bem assim, não. Aqui está a solução da FIBA (em inglês o texto completo): manter a suspensão até no mínimo maio deste ano (reportagem completa do UOL aqui). Na prática mesmo a seleção feminina Sub-19 acaba sendo afetada, não jogando o Mundial da categoria que será disputado na Itália. Os grupos foram sorteados na última semana e, com a CBB suspensa, a equipe não poderá atuar.

fiba1Mas, hein, como é que é? A FIBA suspende o basquete brasileiro em 14 de novembro de 2016, os clubes acabam pagando o pato ao não jogarem a Liga das América devido única e exclusivamente a falta de competência da CBB, e três meses depois e sem NENHUMA mudança na Confederação a Federação Internacional simplesmente prorroga a suspensão? Faz uma reunião de duas, três horinhas, tira uma foto com quase 20 pessoas e fica tudo por isso mesmo? É assim que se faz mesmo? A eleição está mantida, o que do ponto de vista moral e legal (de legalidade), me parece muito bom, mas será que não valia a pena uma punição mais severa, uma reestruturação real e profunda no basquete brasileiro, uma proposta de fazer diferente a gestão do esporte profissional por aqui?

Ou será que o encontro de ontem na Suíça é simplesmente a resultante de uma tentativa frustrada dela (FIBA) em fazer a tal força-tarefa? Força-tarefa que ela, FIBA, reitera como sendo importante para o basquete brasileiro a partir de maio (pós-suspensão) e já com uma nova gestão.

Sigo achando que minha tese dita aqui anteriormente faz sentido: a tentativa inicial da Federação Internacional não deu certo devido a não concordância de Ministério do Esporte e Comitê Olímpico Brasileiro, e nesta sexta-feira a entidade máxima do basquete no planeta simplesmente lavou as suas mãos, colocando todos os elementos na mesa meio que como testemunhas. Pelo que apurei, haverá na próxima semana no Rio de Janeiro encontro envolvendo Ministério, COB e os dois candidatos da próxima eleição para alinhavar a tal força-tarefa que tanto deseja a FIBA. O esforço em conjunto teria a duração de 18 anos.

gregoNão dá pra dizer que estou decepcionado com o que ocorreu nesta sexta-feira em Lausanne porque eu realmente não esperava nada de um encontro que contém na mesma sala Grego e Carlos Nunes, mas confesso que uma ponta de esperança bateu em mim de que veria algo de mais profundo, algo mais sério, algo menos político e mais prático. Nada disso ocorreu.

Confuso, né? Sim, bastante confuso. A única certeza que tenho é que  no jogo de xadrez disputado pela FIBA, CBB e demais segmentos do esporte mundial, o único que sai perdendo é mesmo o basquete brasileiro, cada vez mais perto do fundo do poço. Perto do fundo do poço e esperando o próximo passo que será jogado na mesa do tabuleiro. Teremos mais novidades em breve? Ou não?

No final das contas, no final do jogo mesmo, dá pra cravar: o basquete é tão mais lindo quando apenas disputado na quadra, não é?


A uma semana do final da suspensão, já dá pra dizer: nada mudou no basquete brasileiro
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Fábio Balassiano

fiba1(E lá vamos nós de novo pra esse assunto)

No dia 14 de novembro de 2016 a Federação Internacional de Basketball (FIBA) suspendeu o basquete brasileiro devido aos desmandos da Confederação Brasileira e avisou: no dia 28 de janeiro de 2017 irá reavaliar a situação em sua reunião do Comitê Central (mais aqui , aqui e aqui).

A verdade, porém, é clara e uma só: passaram mais de 60 dias, a FIBA até agora costura uma força-tarefa com Ministério do Esporte e Comitê Olímpico que não sai do papel, mas de fato, de fato cristalino mesmo NADA mudou no basquete brasileiro.

cbb1Como disse aqui no final do ano passado, a CBB se faz de morta, ainda tenta manter a pose, mas na verdade não fez NENHUM sinal de mudança. As eleições seguirão o mesmo modelo arcaico de sempre, com os presidentes de Federação decidindo, só eles, os rumos do basquete daqui, o estatuto não foi modificado, plano de reestruturação da dívida não apareceu e Carlos Nunes, o presidente, de verdade, verdade mesmo só está esperando o seu mandato acabar para passar a batata quente (quentíssima) para o próximo. Os dois candidatos ao cargo (Guy Peixoto e Amarildo Rosa), por sua vez, fazem suas campanhas, divulgam seus ideais nas redes sociais, mas nem eles sabem se haverá pleito.

nunes1Há um outro ponto nisso tudo também. Se da CBB não se esperava nada mesmo, do restante da “comunidade do basquete”, sim. Os clubes até que estão criticando a suspensão publicamente, mas muito mais por causa da ausência deles (Flamengo, Mogi e Bauru) da Liga das Américas do que por uma mudança estrutural do basquete brasileiro em si (e isso era algo que a FIBA realmente esperava daqui – mudança). A Liga Nacional de Basquete (LNB) entrou em embate recente com a Confederação, mas por causa do STJD e não exatamente pela forma como a entidade máxima gerencia a modalidade por aqui. Federações, Atletas (que compactuam com a CBB há séculos, inclusive aprovando contas), técnicos e dirigentes fizeram no máximo uma carta, uma marola, mas nada além disso. Carlos Nunes agradece.

cbb1Beira o bizarro, mas não surpreende porque a passividade é uma das marcas do basquete desde sempre (e talvez para sempre). Choca, porém, ver que a suspensão que deveria ter dado início a uma grande mudança no basquete não tenha gerado nada, nada, nada por aqui. Nem através de Jose Luiz Saez, que seria o interventor da FIBA e que andou se reunindo com meio mundo de pessoas influentes da modalidade por aqui, as coisas caminharam. A dúvida, agora, é o que acontecerá com a CBB a partir de 28 de janeiro. Se a Federação Internacional retirar a suspensão, estará totalmente desmoralizada, tendo em vista o fato de que não houve nada de diferente desde 14/11. Se mantiver a suspensão, fará isso até quando? Aparentemente, respostas apenas em 28 de janeiro de 2017.

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Site da CBB ‘renasce’, e entidade dispara de novo contra Liga Nacional
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Fábio Balassiano

nunes1O site da CBB voltou ao ar ontem. De acordo com o UOL, a entidade máxima fez um acordo com a empresa Localweb para que tudo voltasse a funcionar com normalidade. Normalidade que para a Confederação parece ser atacar a Liga Nacional de Basquete.

Em mais um capítulo da bizarra briga pública contra a LNB, a CBB divulgou ontem um Ato da Presidência que pode ser lido aqui em sua totalidade. Coloco abaixo (os negritos e sublinhados são meus) os dois trechos mais impactantes (e duros) do texto assinado pelo presidente Carlos Nunes:

cbb2“A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BASKETBALL, em resposta ao posicionamento da Liga Nacional de Basquete, informa que encaminhou para o STJD do Basquetebol a questão apontada através de sua Nota Oficial de 9 de janeiro de 2017. Como de hábito, a CBB agirá de acordo com as leis, estatutos e regimentos que disciplinam e regulam as atividades das entidades envolvidas. O motivador dessa atitude é implementar ações que objetivam reverter a punição imposta pela FIBA ao basquetebol brasileiro. O primeiro ponto relacionado em sua carta de comunicação da punição, a FIBA trata do controle sobre a modalidade, citando, especificamente, as atividades da LNB e LBF em desacordo com os artigos 7.1, 7.4 e 9.1 de seu Estatuto Geral.

cbb1Neste sentido, a CBB entende que a LNB extrapolou seus limites, como filiada indireta (portanto possui vínculo e reconhecimento da CBB), ao criar um tribunal com atribuições que conflitam com o estabelecido pelo Estatuto e Regimento Interno da CBB e com as responsabilidades exigidas pela FIBA para com seus entes filiados, ao determinar o controle dos processos disciplinares pela CBB em comunicado oficial à entidade.

nunes2Não há que se confundir independência para organização de uma competição com desprezo à estrutura na qual a LNB está inserida. A LNB não é uma Liga Independente para ter seus próprios órgãos judicantes, como faculta a Lei.

Cabe também ressaltar que essa não é a primeira, segunda ou terceira vez que a CBB busca o entendimento com a LNB, nesse e em outros temas. Por muitos anos aliás a LNB manteve uma Comissão Disciplinar nomeada pelo STJD do Basquete. A CBB entende que essa duplicidade de “STJDs” na mesma modalidade é uma violação dos estatutos da FIBA, e das normas internas da CBB, as quais a LNB encontra-se submetida enquanto reconhecida pela CBB, reiteramos.

nunes3Infelizmente, a falta do convencimento e reconhecimento pacífico, associada ao presente momento, impeliu a CBB para esse caminho“.

Olha, em português claríssimo, vem mais coisa aí. Não me parece que essa Nota Oficial seguida de um Ato da Presidência de Carlos Nunes sejam situações isoladas. Sinceramente só não consigo desvendar o que seria, mas não gosto absolutamente do cenário que se desenha, não. Vale dizer que daqui a dois dias completarão 3 meses da suspensão da FIBA ao basquete brasileiro. E que no dia 28 de janeiro de 2017 termina a suspensão da Federação Internacional, que votará se mantém a mesma (suspensão) ou se muda o status da Confederação, que não mudou absolutamente nos últimos 90 dias.

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Em mais um momento bizarro, CBB consegue comprar briga com a Liga Nacional
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Fábio Balassiano

cbb2No final do ano passado a digníssima CBB, a entidade que tem R$ 17 milhões em dívidas acumuladas até o final de 2015 (estou curioso para o balanço de 2016…) e que está suspensa pela FIBA porque não consegue fazer nada de realmente bom pelo basquete nacional (palavras da Federação Internacional), colocou em seu site uma Nota Oficial criticando o comportamento da Liga Nacional de Basquete, organização que gerencia o NBB, em relação a utilização do STJD. Colocaria o link pra vocês lerem, mas ontem o site oficial da Confederação saiu do ar por… falta de pagamento, conforme o UOL divulgou em primeira mão (sem comentários!).

cbb10Não vou entrar na questão de quem está certo ou não, mas obviamente roupa suja se lava em casa – ou internamente. Ao menos era assim – e pelo lado do pessoal da Liga Nacional de Basquete (LNB), o lado que poderia expor todas as mazelas da relação. Muito precavida e sempre muito construtiva (ao invés de destrutiva como poderia ser), o que posso dizer a todos que leem este espaço com afinco é que NUNCA este blogueiro ou qualquer outro membro da imprensa ouviu por parte dos diretores da LNB uma crítica aberta a gestão da CBB. E nunca é nunca mesmo. Atritos eu sei que houve, e muito, mas NUNCA de forma aberta e divulgada para a imprensa.

lnb1O importante, para a boa turma da Liga, era, é e sempre será proteger a modalidade. Tanto é assim que recentemente vocês sabem o que aconteceu, né? A LNB pagou as passagens para Copa Américas Sub-18 no medo absoluto de a CBB não ter verba e não levar os meninos para a competição. Medo que acabou se concretizando no final do ano com as Sub-15, que não foram aos Sul-Americanos devido à falta de planejamento e competência da Confederação.

Só que desta vez tudo foi diferente. O tiro não partiu da Liga para a CBB, mas sim da CBB para a Liga, algo que de cara estranhei, não entendi as razões e me pareceu um passo mal dado por parte da Confederação. A Liga ouviu quieta, passou o final de ano estudando o caso e ontem enviou um “mata-leão” em formato de Nota Oficial que está disponível em seu site. Só de ler dá um nó na garganta e se a turma da Avenida Rio Branco tivesse um mínimo de vergonha, ou senso do ridículo, pediria arrego.

lnbEm português claríssimo a LNB coloca em cheque a competência da Confederação, questiona os motivos pelos quais a CBB expôs de forma equivocada a Liga Nacional de Basquete e deixa claro para todos que o que os clubes do NBB (Bauru, Mogi e Flamengo) estão sofrendo por não poderem jogar a Liga das Américas devido a suspensão por única e exclusiva falta de competência, gestão e transparência dela, CBB.

lnb2Apenas como registro final breve desta situação pra lá de surrealista, vale dizer que algumas coisinhas que deveriam ser feitas pela Confederação, como campeonatos de base (a LDB Sub-22 está aí e não me deixa mentir) e Ligas de Acesso (a próxima Liga Ouro, a segunda divisão do NBB, poderá ter até 9 clubes, ótimo número), são feitas pela Liga Nacional simplesmente porque a CBB não consegue fazer nada de bom nos últimos 20 anos. Liga Nacional que tem tentado, mesmo com seus erros, voltar a colocar a modalidade como a segunda em preferência do povo brasileiro. Ressalto que eles erram, e muito, mas nunca por negligência ou alienação. O mesmo não posso dizer da CBB.

cbb1Fica a pergunta importante e central desta equação toda: se não cuida dos campeonatos nacionais, se não recicla e forma novos técnicos e árbitros, se nem as seleções a entidade tem conseguido administrar, o que andam fazendo nos últimos anos o pessoal da entidade máxima pelo basquete brasileiro?

Podem escrever aí o que estou reforçando: há duas décadas a CBB não faz NADA de razoável pelo basquete brasileiro. É um diagnóstico duro, mas verdadeiro e de quem fala/escreve isso há quase dez anos. A única coisa que valeu a pena foi a contratação do técnico Rubén Magnano. Mas como o sistema cebebiano é tão fora dos eixos até Magano, por uma mistura de sua arrogância a gestores terríveis acima dele, deu errado.

nunes1Então ficamos assim para começar um 2017. Se não bastassem todos os problemas que já possui, a Confederação arrumou mais um. E com a Liga Nacional de Basquete. E porque quis. E porque aparentemente não tem mais nada com o que se preocupar.

O caso da CBB e seus dirigentes merece ser estudado. Não por gestores que conseguiriam recolocar a entidade nos trilhos porque isso eu acho realmente difícil em um curto espaço de tempo e com o modelo de Confederação que existe o Brasil, mas sim por um psiquiatra ou por um Umberto Eco que consiga desvendar o que o ócio é capaz de provocar negativamente na cabeça das pessoas. O que Carlos Nunes e seus comandados de tenebrosas capacidades administrativa e analítica têm feito (ou não feito) pelo basquete brasileiro é inaceitável, inconcebível, inadmissível. E agora insano.

nunes1Precisa de muita competência (ou falta dela) para comprar briga com a única galera (Liga Nacional) que tem tentado reverter o cheiro de putrefação que a CBB tem deixado pelo caminho nas últimas duas décadas. Nunes conseguiu. Agora que aguente as reações.

Se alguém ainda tinha dúvida de onde está o problema maior do esporte da bola laranja no país, creio que depois dos acontecimentos dos últimos meses ela (a dúvida) não existe mais.

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Guy Peixoto lança candidatura e CBB tem dois presidenciáveis (se houver eleição)
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Fábio Balassiano

Guy_PeixotoMudança de rumo na eleição da Confederação Brasileira, prevista para o primeiro semestre de 2017. Antonio Carlos Barbosa, ex-técnico da seleção feminina na Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016, retirou a sua candidatura no final do ano passado. Em seu lugar aparece Guy Peixoto (foto), empresário de sucesso (preside o Grupo Horizonte, do setor de logística), que disputará o pleito contra Amarildo Rosa, presidente da Federação do Paraná. São os dois únicos presidenciáveis para assumir uma endividada (financeira, moral e eticamente) CBB em breve.

Logo_TransparenciaEm comunicado divulgado à imprensa, Guy Peixoto, que denominou a chapa como Transparência e que terá como vice-presidente Manoel Castro, ex-presidente da Federação do Maranhão, disse o seguinte: “A ideia é implantar na CBB uma gestão moderna, que foi elaborada com a participação de nomes importantes da comunidade do basquete, visando reverter o quadro vivido pela entidade nos dias atuais. É uma construção que envolve sonhos, ideais e sentimento pátrio. Juntos podemos fazer deste movimento um novo tempo e organizar a CBB acima de tudo com Transparência. Com a união de grandes nomes do basquete, acreditamos que é possível fazer bonito. O esporte é assim e nós estamos juntos Pelo Basquete Brasileiro”.

cbb2Sinceramente não conheço (nunca falei) a Guy Peixoto, embora conheça a sua trajetória de sucesso no mundo empresarial e também seu irmão, Marcelo Pará. Sem fazer qualquer juízo de valor, vale dizer que trata-se de um nome que não vem das Federações para comandar a entidade máxima. Grego foi da Carioca e Carlos Nunes, da Gaúcha, antes de implodirem o basquete brasileiro quando assumiram a CBB. O que ele seria/será como presidente da entidade máxima? Sinceramente acho prematuro traçar qualquer linha de análise, embora reconheça seu passado como atleta.

fiba1Primeiro porque eleições de Confederação são indecifráveis, surpreendentes e quase sempre viciadas por um sistema de inacreditáveis 27 pessoas que escolhem o futuro do esporte do país. Beira o bizarro, o século XV (antes de Cristo), mas é assim mesmo que funciona em um esporte brasileiro retrógrado até dizer chega. Se isso não bastasse, todos sabemos que a digníssima CBB está suspensa pela FIBA de todas as competições internacionais e que uma intervenção está sendo estudada (organizada, planejada, alinhavada) por Ministério do Esporte, Federação Internacional e Comitê Olímpico Brasileiro.

Em linhas gerais, portanto: se a força-tarefa destes três poderes (FIBA, COB e Ministério) de fato for montada, não haverá o pleito previsto para março de 2017. Até onde este blogueiro sabe, ela (intervenção) está em curso e espera apenas a confirmação de todos os envolvidos para ser divulgada. De todo modo e enquanto nada de efetivo acontece Amarildo Rosa e Guy Peixoto, os dois candidatos que se lançaram de forma oficial e que acenam com uma tão esperada mudança, se mexem em suas trincheiras.


Um mês após suspensão da FIBA, CBB finge que nada aconteceu mas acumula problemas
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Fábio Balassiano

fiba1No dia 14 de novembro o mundo caiu para quem acompanha a modalidade por aqui. A Federação Internacional suspendeu o basquete brasileiro até 28 de janeiro de 2017 devido a falta de “controle total” da Confederação Brasileira, como a FIBA descreveu a situação da CBB (aqui).

O tempo passou, a CBB adiou a sua coletiva de imprensa (até hoje não feita), muitos rumores sobre os próximos passos surgiram e a Confederação tem tentado fingir que absolutamente nada aconteceu. É um método comum para a entidade máxima, aliás. Acha que está tudo bem, passa uma imagem de que nada disso é culpa dela e vida que segue. Meio bizarro, mas é assim que funciona a cabeça retrógrada de quem comanda o basquete brasileiro na Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro. É a turma que finge que a suspensão não é com ela, e na prática, vejam só o absurdo dos absurdos, não é mesmo porque na prática quem está sofrendo na pele com a sua falta de competência são os três clubes do NBB que não jogarão a Liga das Américas por causa dela (Flamengo, Mogi e Bauru).

cbb1Aqui, aliás, cabe um parêntese. O fantástico mundo de Carlos Nunes e de seus colegas na Confederação é tão irreal, tão surreal, tão fantasioso, que ontem à noite a entidade máxima desejou um ótimo… 2014 para quem (ainda) ama basquete neste país. Beira o bizarro que em um mesmo dia a Confederação tenha pago um mico deste nível no seu site oficial (imagem ao lado) e outro no Facebook, quando afirmou que o Phoenix Suns, de Leandrinho, teria vencido um jogo contra o Minnesota – jogo que, na verdade, perdeu. Fica a pergunta: o que a turma da CBB faz de BOM neste planeta? Se alguém souber, vale avisar.

cbb10Seria o bastante, mas não é. Em movimento insano, mas que pode ser interpretado como recado claro de incômodo ao excelente trabalho feito pela Liga Nacional nos últimos oito anos, a CBB abriu fogo ontem contra a LNB em relação ao STJD da organizadora do NBB (aqui). Liga que lançou a Liga Ouro de 2017 (Segunda Divisão), que pode ter 9 times.

Acham que é só? Em matéria publicada no UOL nesta terça-feira (aqui), o Comitê Olímpico Brasileiro, que tem tido conversas com a FIBA para decidir se intervirá ou não na Confederação como estava praticamente certo até o final do mês passado, informou que a entidade máxima do basquete brasileiro “precisará resolver sua suspensão junto à Federação Internacional para ficar com a verba federal repassada pelo COB” de R$ 3,6 milhões em 2017. Para quem devia, até o final de 2015, mais de R$ 17 milhões, digamos que não é o melhor dos recados, né?

nunes3A verdade é que mais de 30 dias se passaram desde a suspensão da FIBA à CBB e só quem perdeu até o momento foi o NBB – e seus clubes afiliados. A CBB acumula problemas, divulga um mico atrás do outro em suas redes sociais, mas Carlos Nunes segue no seu lugarzinho, calado e sem ser incomodado.

Clubes, federações, ligas, atletas, técnicos e até mesmo a imprensa estão anestesiados esperando uma solução por parte dos órgãos responsáveis (COB, FIBA, Ministério do Esporte e quem mais está arquitetando algo desde 14/11). A dúvida é: será que vem mesmo? E se vier, o que vem? Com quem vem?

nunes8Enquanto isso, Nunes e seus comandados passarão Natal e Reveillon tranquilos, bem tranquilos à frente de uma CBB falida. Tranquilos, bem tranquilos e achando que de fato nada fizeram de errado, pois até o momento as consequências não chegaram até seus portões.

O mais bizarro de tudo é que de tanto fingirem que a suspensão não foi por causa deles, como de fato foi (e foi MUITO!), os rapazes da Confederação devem acreditar que está, de fato, tudo bem, que a gestão de Nunes e seus comandados por oito longos anos foi sensacional para o esporte da bola laranja. Que situação triste a do basquete brasileiro. Situação que está, no final das contas, entre a tristeza e a comédia. É rir pra não chorar. Ou chorar pra não rir.

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Candidato da oposição rechaça intervenção da FIBA na CBB: ‘Não concordo. É ilegal e golpe’
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Fábio Balassiano

amarildo2Está longe de ser de concordância absoluta entre todos os personagens do basquete o processo de intervenção pelo qual a Confederação Brasileira de Basketball (CBB) poderá vir a sofrer da Federação Internacional nos próximos dias (como antecipou o Lance!).

A ideia da FIBA é, em comum acordo com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), intervir no esporte do país, mas há uma voz contra isso. Amarildo Rosa, Presidente da Federação do Paraná e candidato da oposição para o pleito que será (seria?) realizado em abril de 2017:

amarildo3“Foi positiva essa chamada que levou a CBB. Isso é um fato e mostra que está tudo errado com a gestão Carlos Nunes. A FIBA desmascarou aquilo que ele (Nunes) sempre dizia estar correto perante às Federações, que eram os pagamentos ao órgão máximo do basquete. Nós, como presidentes de Federação, também ficamos vendidos nessa. A Federação Internacional mostrou a todos quão nociva a administração desta CBB tem sido para o esporte brasileiro. Eles mostraram a caixa-preta da Confederação Brasileira. Por outro lado, sou contra o que está acontecendo. Reitero que entendo a urgência, concordo com tudo o que a FIBA colocou, mas o que eles estão propondo é ilegal e um claro golpe no estatuto de uma entidade que elege seu presidente a cada quatro anos. Carlos Nunes tem problemas de gestão, fez dois mandatos muito ruins, mas é preciso respeitar o processo legal e normal que reza o estatuto. Queremos mudança, queremos novas atitudes, queremos o basquete forte e por isso temos um plano para tirar a modalidade do lugar em que se encontra. Respeitamos a FIBA pela instituição que é, mas peço que eles colaborem conosco nessa virada do esporte no país. Uma intervenção pode representar algo muito ruim para nós”, disse ontem à noite Amarildo Rosa ao blog.

mapa1Na verdade, não é só a voz de Amarildo que está sendo ouvida como contrária a intervenção da FIBA. São 16 vozes. Em documento obtido pelo blog na tarde de ontem é possível ver que no dia 17 de novembro, três dias após a suspensão da FIBA à CBB, 15 Federações Estaduais (Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins) e a Associação de Atletas se colocam à disposição da FIBA para tentar mudar o panorama do basquete do país:

amarildo2“Diante da inconformidade em relação ao rumo que a modalidade tem tomado nos últimos anos, iniciamos em 2016 a formação de um grupo de presidentes de Federações e realizamos reuniões em todas as regiões (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) para discutir e conhecer os desafios, necessidades e expectativas regionais e nacionais com o objetivo de fundamentar o planejamento e a organização das ações que o grupo pretende concretizar a partir de 2017, cujo fruto foi a redação de um Plano de Reestruturação para o Basquete Brasileiro (2017-2021). Por esta razão nos apresentamos à FIBA como um grupo que tem trabalhado para melhorar o futuro da modalidade no país através de planejamento, estreitando relacionamentos na esfera governamental e em busca de possíveis patrocinadores para poder executar este plano na próxima gestão”, diz a carta, que logo em seguida completa: “Contamos com o entendimento da FIBA para que este grupo de Federações possa dar continuidade a concretização deste Plano de Reestruturação. Convidamos, portanto, um membro do Comitê Executivo da FIBA para estar presente no dia 29 de novembro na sede da CBB no Rio de Janeiro, em que este grupo estará reunido para oficializar o registro da chapa “Bola na Cesta, Brasil!”. Nesta oportunidade nos colocamos a disposição do Comitê Executivo para o que for necessário”, diz trecho da carta.

amarildo1Amarildo reconhece falhas no próprio processo de aprovação de contas da CBB (ele mesmo não reprovou as endividadas finanças de Nunes de 2015), na própria reeleição de Carlos Nunes em 2013, mas faz uma ressalva.

“Você conhece meu histórico e sabe que já reprovei contas do presidente Carlos Nunes também. Em 2016 de fato não aprovei porque era ano olímpico e todos estávamos preocupados em não atrapalhar e em não sermos apontados como culpados pelos eventuais resultados ruins que poderiam acontecer. Confiamos na palavra do Carlos Nunes e todos nos demos mal. Este foi o erro. Confiar. Mas aprendemos e queremos mudar. Temos um plano de trabalho, que se chama “Bola na Cesta, Brasil”, e estou certo de que com competência administrativa, menos política, mais verdade, retomaremos o caminho do crescimento”, finaliza.

Como se vê, há muita coisa para acontecer neste processo pós-suspensão da CBB. Estamos falando ao mesmo tempo em intervenção, eleição de 2017 e entrada e saída de novos personagens deste jogo de xadrez que se transformou a política do basquete brasileiro.


No primeiro dia da suspensão, o que podemos esperar do basquete brasileiro?
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Fábio Balassiano

nunes1Começa hoje oficialmente a suspensão do basquete brasileiro para a Confederação Brasileira de Basketball. De recesso na segunda-feira e com o feriado de ontem, a CBB inicial nesta quarta-feira, 16 de novembro, a etapa mais triste da história da modalidade no país – a Era Suspensa, assinada por Carlos Nunes, Vanderlei, Édio, Luiz Carlos e tantos outros que ajudaram a escrever a nada brilhante página deste capítulo triste do esporte da bola laranja.

cbb1A pergunta mais recorrente que recebi ontem foi: “Beleza, cara, mas e agora?”. A minha resposta sempre calhou de ser a mesma: “Putz, precisamos esperar”. Mas tenho algumas ideias do que poderá ocorrer. Vamos lá:

1) Esta pra mim é a possibilidade mais real dentro do modus operandi existente na CBB. É a possibilidade de Carlos Nunes simplesmente não fazer nada, necas, zero. Nunes pode apelar, choramingar, para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Ministério dos Esportes e outras instâncias para ver no que dá. Como vive em outro planeta, o presidente pode fazer um jogo de paciência e, sabendo que jamais será incomodado pela tal Comunidade do Basquete, vencê-lo no final de março de 2017, quando termina seu mandato. Não apostaria contra isso e caso o expediente seja mesmo aplicado nova suspensão a partir de 28 de janeiro seria provavelmente aplicada, afetando as seleções adultas na Copa América Pré-Mundial Feminina e no começo das eliminatórias da Copa do Mundo masculina de 2019, além, claro, das Copa Américas Sub-18 masculina e feminina.

nunes82) Outra situação possível é Carlos Nunes antecipar as eleições para janeiro de 2017. O motivo? Se Nunes fizer isso, o novo presidente assumiria logo em seguida ao pleito e tentaria argumentar com a FIBA o fim da suspensão a partir de 29 de janeiro de 2017.

Em termos estratégicos, o atual mandatário sairia de cena, deixando o seu sucessor conversar com a Federação Internacional. Se desse certo, tudo bem. Caso não, Nunes já estaria fora e longe da linha de tiro para todo mundo.

nunes43) Possibilidade remota por aqui. Nunes renuncia ao cargo nesta quarta-feira ou em algum dia próximo, abrindo espaço para novas eleições imediatas. Acho beeeeeeem difícil que isso aconteça, mas é uma possibilidade.

4) Outra ideia que me passou pela cabeça seria a de Nunes bater de frente com a FIBA, levando o problema para alguma instância jurídica. Não me parece inteligente e nem algo que o presidente da CBB deva pensar, mas em momentos de crise surgem algumas sugestões pouco recomendáveis e achei por bem incluir por aqui.

nunes35) Totalmente contra a parede, este cenário é mais crível de se visualizar. Das críticas feitas pela FIBA à CBB, a única que a Confederação tem condição de melhorar agora é em relação a seu estatuto e também em gestão. Se Nunes tiver um mínimo de noção das coisas, algo que sinceramente não sei se ele tem (a verdade é que não acho que ele tenha noção da gravidade do que ocorreu na segunda-feira), ele mexe nas regras da entidade, faz um ótimo mapeamento das contas e do cenário da entidade máxima e prepara o terreno para um novo mandatário. Se pensar no bem maior (na modalidade), é realmente algo que a Federação Internacional ficaria mais tranquila em relação ao país.

lnb16) Esta pra mim seria a melhor de todas as soluções, mas Carlos Nunes não faria isso de jeito nenhum por um motivo simples – ego. Nunes poderia propor à FIBA que o comando do basquete brasileiro passaria à Liga Nacional de Basquete, a organizadora do NBB, Liga Ouro e Liga de Desenvolvimento. A LNB tem ótimo relacionamento com a FIBA, dois dirigentes de alto nível e muito respeitados pelo órgão máximo do basquete mundial (falo do ex-presidente Kouros Monadjemi e do atual vice-presidente João Fernando Rossi), já tirou os clubes da lama nove anos atrás e poderia utilizar a experiência que teve com a criação, desenvolvimento e crescimento do NBB para reerguer a CBB. A Liga Nacional NÃO quer e não vai se meter no imbróglio apesar da suspensão de dois de seus clubes (Bauru e Flamengo) da Liga das Américas, conforme Nota Oficial divulgada ontem inclusive, no que ela está certíssima, mas creio que se ela for consultada a pelo menos ajudar na remontagem da entidade máxima do basquete brasileiro alguma coisa boa sairia.

O que será que acontece a partir de hoje? Dentre estas seis soluções, qual você acha que será a escolhida por Carlos Nunes? Ou faltou alguma? Comente aí!

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14/11/2016 – Aqui jaz, CBB; E agora, quais os próximos passos?
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Fábio Balassiano

cbb1Nesta altura dos acontecimentos você já sabe que a Federação Internacional de Basquete, a FIBA, suspendeu no mínimo até 28 de janeiro de 2017 o basquete brasileiro INTEIRO (seleções + clubes) por conta da péssima administração da Confederação Brasileira. Confederação Brasileira que, inacreditavelmente, emite uma Nota Oficial demonstrando surpresa com o ocorrido. Deve ser alguma brincadeira que não pesquei, só pode.

Explicando o que isso significa para os que não conseguiram pescar o tamanho da gravidade de coisa: nenhum clube ou seleção brasileira entra em quadra fora da fronteira. Para ficar em dois exemplos vale dizer que as eliminatórias do Mundial Masculino de 2019 e a Copa América Feminina que classifica para o Mundial Feminino de 2018 começam no próximo ano. Caso a suspensão seja prorrogada as consequências podem ser realmente surreais para a modalidade. Está claro: o dia de ontem foi o mais triste da história do basquete brasileiro. Não por uma derrota na quadra, mas sim por ter sido uma derrota final de um modelo de gestão falido, de um presidente cuja credibilidade é menor que 0 e de seus comandados tão ruins quanto ele (de assessor de imprensa que prega a censura, a chefe de departamento técnico que diz que está tudo bem quando a água já está batendo no pescoço, a diretor financeiro que afirma que dinheiro público não vale). Todos realmente iguais – ruins, coniventes, pouco críveis, usuários de métodos intimidatórios pouco recomendáveis contra quem os critica e tudo mais de péssimo que possa existir em termos de gestão e educação.

Minha participação na a Rádio Globo ontem com Oscar Schmidt e Hortência

nunes7Para quem lê este blog há algum tempo não há surpresa (apenas a Confederação ficou surpresa, né…). A CBB deve a alma (mais de R$ 17 milhões – obrigado, Professor Scarpin), deixa de ir a competições por falta de verba, não organiza campeonatos que se comprometeu a fazê-los e deixa um rastro de pagamentos não realizados por todos os cantos.

Em português claríssimo: a entidade máxima do basquete brasileiro morreu. A CBB coberta de esparadrapos passou do estágio da CTI para, infelizmente, o de fechamento das portas. A FIBA não reconhece mais a Confederação, e se tivesse um mínimo de vergonha ou senso do ridículo (algo que não o tem) Carlos Nunes, o presidente da morta CBB, pediria as contas nesta terça-feira deixando não só dívidas mas também consequências bizarras e tristes para os clubes do país.

nunes2Flamengo e Bauru estão, de cara, suspenso da Liga das Américas devido a falta de competência da Confederação Brasileira e Mogi só não entra no mesmo balaio porque já disputa a Liga Sul-Americana há mais de um mês. Para Nunes não basta ser ruim no minifúndio que ele comanda. Nunes é um ruim espaçoso, prolongando os seus tentáculos incompetentes até mesmo para uma Liga Nacional de Basquete (a organizadora do NBB) que tenta fazer um bom trabalho por aqui. Quero apenas, antes de seguir, deixar claro que sou completamente contra o que a FIBA fez ao punir as agremiações que ainda tentam fazer basquete de qualidade no país, mas infelizmente estas são as regras do jogo (as do estatuto da Federação Internacional), a hierarquia é clara (Federação Internacional, FIBA Américas e CBB, que CHANCELA a Liga Nacional) e não cabe outra coisa que não aceitar e lamentar.

nunes3Mas, bem, voltando, agora a questão é saber o que será do amanhã no basquete brasileiro. São muitas perguntas e poucas respostas, na verdade. Será formada mesmo uma Comissão por parte da FIBA para organizar a casa? O espanhol Jose Luiz Saez voltará ao país para isso? As eleições da CBB serão antecipadas? Carlos Nunes será deposto do cargo ou pedirá demissão do mesmo? Alguém da tal comunidade do basquete vai se insurgir contra um cada vez mais fragilizado Nunes para tentar reformatar a Confederação? Os atletas falarão algo de realmente útil ou continuarão com muito, muito, muito medo de fazer qualquer coisa? A Liga Nacional, afetada por conta da incompetência alheia, vai realmente emudecer?

nunes2Choco-me com essa anestesia do basquete brasileiro, mas não me surpreendo mais porque sei que o meio é absurdamente contemplativo. De dirigentes, passando por jogadores, imprensa e até mesmo torcedores, quase ninguém cobra como deveria. De todo modo, o que vemos é reflexo do que somos. Quem tem Carlos Nunes como presidente há oito longos anos não pode querer nada de diferente daquilo que estamos vendo. O basquete, pra quem não conhece, é um meio absurdamente sujo (MUITO sujo), retrógrado, medroso, melindrado e que pensa muito mal (e em doses homeopáticas). Os poucos que tentaram mudar a ordem das coisas foram extirpados e / ou sugados para o lado ruim da força. De todo modo, ninguém aqui é maluco de dizer que o que aconteceu nesta segunda-feira foi “normal”. Não, não foi. O dia 14 de novembro de 2016 foi bem triste para a modalidade. O dia em que o órgão máximo do esporte mundial (a FIBA) disse pro planeta inteiro ouvir: “Meus caros colegas da CBB, vocês estão fazendo uma besteira atrás da outra e a gente não aguenta mais. Grande abraço e passem bem”.

cbb1Ontem foi a morte portanto. Muita gente com quem conversei me disse de forma convicta (ou otimista) que hoje, 15 de novembro, a proclamação da república do país por coincidência, é o dia do renascimento do basquete brasileiro. Que será o primeiro dia de um novo ciclo.

Adoraria acreditar nisso, mas a verdade é que não consigo. Ainda não consigo ver uma luz no fim do túnel justamente por não saber quem irá comandar a Confederação a partir de amanhã ou pós-eleição de 2017. Mais do que um presidente, o basquete brasileiro precisava mesmo é de uma revolução mental, estrutural e de ideias. Continuar pensando que dá pra gerenciar a segunda modalidade mais popular do planeta como se fazia há 40, 50 anos é um erro que não dá mais pra cometer. Não dá, mas é exatamente isso que faz a CBB “gerencia” o esporte há duas décadas.

Pobre basquete brasileiro. Morto ontem. Sem rumo hoje. Indecifrável no futuro.