Bala na Cesta

Categoria : Análises

Novamente comandando jovens, Gustavo de Conti mantém excelente trabalho no Paulistano
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Fábio Balassiano

Na sexta-feira estive em São Januário para comentar pela Rádio Globo a partida entre Vasco e Paulistano. No final das contas vitória do time de São Paulo por 82-67 sem grandes sustos. Os vascaínos estavam afobados, marcando mal o perímetro (13 bolas convertidas pelo rival, a maioria delas sem marcação) e sem inspiração no ataque.

Do outro lado pude ver mais uma vez um time jovem com potencial físico incrível para os padrões nacionais, organizado, sabendo exatamente o que fazia com a bola nas mãos e variando a defesa a cada segundo. Mérito total de Gustavo de Conti, excepcional treinador de 37 anos que mais uma vez volta a trabalhar com um grupo de atletas ainda em formação.

Na sexta-feira quem brilhou foi Lucas Dias, que anotou 19 pontos (cinco bolas de três convertidas), mas foram muito bem também os dois armadores (o titular, Georginho, saiu-se com 9 pontos e 6 assistências, e o reserva, Arthur Pecos, teve 5 pontos, 7 assistências, 6 rebotes e um controle de jogo absurdamente bom), os alas (Eddy, com 8 pontos, Jhonathan, com 15, e Mogi, com 7, se destacaram) e também os pivôs (Renato conseguiu cinco rebotes ofensivos). Foi uma atuação completa de um time que, como todo elenco jovem, ainda é muito instável (por isso a campanha de 14-12), mas talentoso ao extremo. No campeonato, 10 jogadores atuam por 15+ minutos e 8 deles possuem 8+ pontos de média, algo que mostra bem o espírito altruísta da equipe.

Noves fora manter de novo o time com campanha positiva na história do NBB, algo que acontece desde a temporada 2011/2012, Gustavo tem conseguido algo raríssimo no país: fazer suas equipes jogar de maneira completamente diferente de um ano para o outro. Quem acompanha basquete nacional há algum tempo lembra de ter visto o Paulistano com Dawkins e Holloway, os dois armadores norte-americanos, fazendo chover no perímetro. Agora, menos de um ano depois que a dupla foi dissolvida, o espaço é ocupado por Georginho, um dos mais comentados atletas dessa geração (estará em entrevista neste espaço ainda esta semana), Mogi e Arthur Pecos. Jovens e com estilos completamente distintos – mais velozes, mais físicos, mais atléticos, melhores defensores, mas com menos arremesso. Na ala saiu o jogo cerebral de Henrique Pilar para a chegada de Lucas Dias. Também jovem, com muito a aprender. No pivô o time perdeu com os pontos de Caio Torres, mas ganhou em mobilidade com o argentino Hure.

A metamorfose do Paulistano é imensa desde que foi vice-campeão do NBB em 2014 (perdeu a final em jogo único para o Flamengo). O time não foi bem no ano seguinte, em 2015/2016 fez estupenda campanha na fase regular (20-8) mas caiu nas quartas-de-final para o experiente Brasília. Era hora da diretoria mudar a rota, voltando ao que fazia com maestria – trabalhar com jovens talentos em buscam espaço.

Com o estudioso e corajoso Gustavo de Conti o Paulistano tem conseguido encarar todos de igual para igual no NBB ao mesmo tempo em que desenvolve jovens talentos e se classifica para mais um playoff. Dá gosto de ver um grupo tão novo jogando tão bem, tão determinado, tão destemido, tão livre assim.


Os motivos que explicam a queda do Cavs, que está perto de perder a liderança do Leste
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Fábio Balassiano

No sábado o Cleveland Cavs jogou em casa logo depois de LeBron James, o astro da equipe, pedir um pouco mais de firmeza aos seus companheiros. Segundo LeBron, o time precisava reagir e demonstrar um pouco mais de força, sobretudo defensiva. O jogo contra o Washington veio e os piores temores do camisa 23 se concretizaram: a marcação foi tenebrosa, cedeu 127 pontos e o Cleveland, jogando muito mal, perdeu em casa novamente (127-115).

Na entrevista coletiva, Ty Lue, o técnico, fez questão de colocar panos quentes e evitar um começo de crise, mas a verdade é que a situação do Cleveland inspira cuidados, sim. O time tem 47-25, enfrenta o San Antonio Spurs hoje fora de casa (21h, com Sportv) e está pertinho de perder a liderança da conferência Leste para o Boston Celtics, que ontem bateu o Miami Heat e chegou a 48-26. Como tem 2-1 no confronto direto contra os verdes, o Cavs tem um jogo de vantagem em relação ao time de Isaiah Thomas, o craque baixinho dos celtas. Mas, afinal, o que tem explica a queda de produção da franquia de Ohio?

Em primeiro lugar é fundamental falar da defesa. Tudo bem que as marcações da NBA atual são, de modo geral, frágeis, quase que inofensivas, mas nenhum time que quer ser campeão pode ceder tantos pontos assim como o Cleveland vem cedendo. Se em 2015/2016, quando conquistou o título, os Cavs permitiam apenas 98,3 pontos e 44,8% de conversão nos arremessos dos rivais, em 2016/2017 os números saltaram para 106,9 e 46,8%. Muita coisa.

Sendo justo, é importante citar os desfalques do técnico Ty Lue. Neste mês o Cleveland tem 6 vitórias em 14 jogos. Seus rivais diretos pela primeira posição no Leste, ao contrário, estão muito bem. O Boston tem 8-4. Washington Wizards, 7-3. Toronto, 6-5. Depois do All-Star Game (19 de fevereiro), a queda do Cavs, que teve desfalques de LeBron James, Kyrie Irving e Kevin Love retornando de cirurgia no joelho, é ainda mais acentuada. São apenas 8 vitórias em 17 jogos, a décima-sexta melhor campanha de toda liga no período. Neste mesmo espaço de tempo o San Antonio Spurs teve 13-3, Wizards, 11-7, o Raptors, 11-5 e o Celtics, 10-6. Perto dos playoffs, quando as franquias buscam ganhar confiança, o Cavs está justamente na direção oposta.

Por fim, vale falar sobre a dependência da equipe para com o trio formado por LeBron James, Kyrie Irving e Kevin Love, certamente uma das melhores combinações da NBA atual. É óbvio que as bolas, e as ações ofensivas, vão mesmo passar pelos três melhores jogadores do Cleveland, mas nesta temporada a dependência do trio se acentuou. Em 2015/2016 eles respondiam por 60,9 ou 57% dos pontos totais do Cavs. Neste campeonato, até o momento, 71,1 e 65% do total. E neste ano o elenco é bem melhor, recheado de armas novas como Deron Williams, Kyle Korver e Derrick Williams.

O sinal amarelo está ligado em Ohio, mas o mais incrível disso tudo, e compreendendo a irritação de LeBron James com a performance de seus companheiros nos últimos jogos, é que mesmo assim o Cleveland ainda é o grande favorito ao título do Leste.

Time por time, os Cavs ainda são muito superiores em relação a Boston, Washington e Toronto, os únicos que ao meu ver têm condições de minimamente fazer confrontos de sete jogos de playoff duros contra os atuais campeões da NBA.


Guy Peixoto cumpre primeira promessa como presidente e começa a ‘enxugar’ contas da CBB
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Fábio Balassiano

Nós, brasileiros, estamos acostumados a esperar de políticos eleitos coisas diferentes do que eles prometeram nas campanhas. A julgar pelo começo de Guy Peixoto, presidente recém-empossado na Confederação Brasileira de Basketball no começo do mês, a história pode ser diferente.

Enxugar as contas da endividada CBB era uma das bandeiras mais fortes de sua campanha. E na sexta-feira Guy divulgou suas quatro medidas iniciais: a) devolução de duas salas subutilizadas da sede da entidade; b) devolução do apartamento funcional utilizado pelo presidente anterior; c) cancelamento dos celulares corporativos; d) Eliminação dos gastos do dia a dia do presidente incluindo viagens, alimentação e outros gastos de representação, custos alocados diretamente à Confederação nos últimos anos. Obrigação total, algo bem básico, mas promessa inicial cumprida.

As informações estão no site da entidade, em uma rara e até certo ponto não usual prática de transparente para uma CBB que era, até pouco tempo atrás, de uma obscuridade incrível.

“Com estas quatro medidas teremos uma economia anual de cerca de R$ 2 milhões, o que nos quatro anos de nossa gestão trarão uma economia de R$ 8 milhões. E, dentro do compromisso assumido de trabalhar sempre de forma transparente, anunciando todas as nossas medidas e ações, estamos notificando a comunidade do basquetebol sobre essas importantes e necessárias iniciativas, que são apenas as primeiras de uma série a serem implementadas, buscando trazer de volta o equilíbrio econômico/financeiro da entidade”, disse Peixoto ao site.

Nesta semana Guy também se encontrou com Arnon de Mello, responsável pelo escritório da NBA no Brasil (falta a conversa com a Liga Nacional), e visitou o Museu da CBF, na sede da entidade do futebol (uma de suas ideias é criar algo parecido para o basquete). A julgar pelo começo, a CBB passará por um “banho de loja”, embora seja óbvio que algumas coisas, como a situação do basquete feminino e a retirada da suspensão (quando será a reunião com a Federação Internacional afinal?), sejam muito elementares de serem resolvidas, antes mesmo do museu.

É necessário cautela, obviamente e porque se trata de um começo de gestão de uma Confederação que está muito atrasada em todas as frentes. Por isso aguardamos ansiosos e esperançosos por mais bons próximos passos de uma entidade que precisa sem dúvida alguma ser forte para que a modalidade seja plenamente e completamente desenvolvida por aqui. Liga Nacional, NBA e CBB são complementares, e não excludentes. Quando as três estiverem caminhando juntas, e bem, o basquete brasileiro terá novamente protagonismo nacional e internacional.


Preocupado com times que poupam atletas, chefe da NBA pede ajuda a donos das equipes
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Fábio Balassiano

Nas duas últimas segundas-feiras Adam Silver chegou ao seu escritório em Nova Iorque com um problemão a resolver. O comissário-geral da NBA precisaria ligar para o diretor geral da ABC para contornar uma situação inusitada.

EVENTO BALA NA CESTA EM SP – 27/03

Duas temporadas atrás a emissora norte-americana fechou com a liga norte-americana a transmissão de jogos aos sábados à noite. Era o acordo dos sonhos para a NBA, que conseguiria TV aberta, horário nobre, audiência absurda. Mas está dando errado, muito errado. Nas duas últimas partidas que a ABC exibiu simplesmente o melhor produto não chegou ao cliente final (o telespectador) porque os técnicos decidiram poupar seus melhores atletas. E aí o comissário-geral decidiu agir.

Silver enviou na segunda-feira um memorando bem forte aos donos das 30 franquias da NBA explicando como este tipo de atitude pode impactar na reputação do esporte, em uma queda brusca de audiências e sobretudo na receita com venda de ingressos (o site oficial da liga inclusive publicou parte do conteúdo, em uma prova de transparência incrível). Nenhum torcedor, agora, sabe exatamente que tipo de jogo verá quando comprar o seu ingresso com antecedência.

“Decisões deste tipo podem afetar fãs e parceiros de negócios, nossa reputação e prejudicam a percepção sobre o nosso esporte. Com tanta coisa em jogo, é simplesmente inaceitável que vocês, donos das franquias, não se envolvam ou participem desta tomada de decisão em suas organizações”, escreveu Silver, antecipando que este tema de times que poupam atletas será muito discutido na próxima reunião dos donos no dia 6 de abril em Nova Iorque.

Comentei aqui que há 15 dias no San Antonio Spurs x Golden State Warriors os dois times foram a quadra sem Kawhi Leonard, LaMarcus Aldridge, Steph Curry, Klay Thompson e Draymond Green (estes três últimos poupados). Neste último sábado, o Cleveland foi a Los Angeles e enfrentou o Clippers sem LeBron James, Kevin Love e Kyrie Irving. O resultado prático? Jogos sem graça, fãs frustrados, mídias sociais criticando pesadamente os treinadores e a credibilidade da liga em dúvida. Mais que isso: as audiências, que eram esperadas para chegar a casa dos 4 milhões de telespectadores, alcançou 2 milhões no jogo do San Antonio e 1,5 milhões na partida em Los Angeles. É mais ou menos como você comprar um ingresso para ver o Rolling Stones cantar e chegando lá notar que substituíram o Mick Jagger e o Keith Richards. Silver fez questão de lembrar disso no memorando para os donos dos times.

“Por favor, lembre-se de que, de acordo com as atuais regras da liga, as equipes são obrigadas a dar aviso ao escritório da liga, ao seu adversário e a mídia imediatamente sobre um jogador não participar de um jogo devido ao repouso. O não cumprimento destas regras resultará em penalidades significativas. Reforço que recentemente fechamos um acordo com as televisões, principais difusoras do nosso esporte”, escreveu Silver, deixando claro o impacto que pode haver com ABC e TNT, que pagaram quase US$ 24 bilhões para ter o produto NBA em suas grades de programação até a metade da próxima década.

Do meu canto, vale dizer que é muito óbvio o que Adam Silver está tentando fazer – pressionar os donos para que os técnicos coloquem em quadra sempre os melhores atletas, não impactando assim na relação da liga com os patrocinadores e sobretudo na imagem da NBA para com os fãs. Ele está olhando pelo lado do negócios, no que ele está certíssimo. O fato é que hoje em dia ninguém sabe que produto irá encontrar na quadra quando vai ao ginásio ou vê uma partida pela televisão. Do outro lado, porém, estão os treinadores, que têm todo direito de descansar seus atletas. O compromisso dos comandantes está, no final das contas, em ganhar jogos e preparar seus times da maneira que eles acharem melhor.

Vamos ver como esta equação envolvendo donos de franquias, liga, técnicos, atletas e patrocinadores se resolve. O produto NBA é fantástico e com uma credibilidade absurdamente alta, mas está em um momento de instabilidade. Jogar pro alto a audiência que a televisão proporciona não me parece um bom caminho.


Impecável, Jogo das Estrelas ratifica NBB e cria novo padrão de eventos esportivos no país
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Fábio Balassiano

Antes do Jogo das Estrelas do NBB eu disse aqui que esperava que o evento posicionasse a Liga Nacional de Basquete no topo do país. Eu errei. O que vimos no Ibirapuera neste domingo foi além disso. Muito além.

EVENTO BALA NA CESTA EM SP– 27/03

Em espetáculo impecável do começo ao fim, o Jogo das Estrelas comprovou que a turma da Liga Nacional é diferente, em termos de gestão, administração e apreço a novidades, do que vemos nos demais esportes do país. Continuará errando no dia a dia, mas seu saldo é absurdamente positivo e toda a evolução que vimos nos nove anos desde a sua criação acabaram fazendo com que o Jogo das Estrelas de 2017 criasse um novo padrão de qualidade para eventos no Brasil. Foi tudo tão lindo, correto, bem cuidado, caprichoso que só nos restou aplaudir. E nem abordo a parte técnica da coisa, não, hein. Venceram Tyrone (Mogi, Desafio de Habilidades), Jefferson (Bauru, Torneio de 3 Pontos), Bennett (Pinheiros, Enterradas) e NBB Mundo (Shamell o MVP). Falo pela parte do entretenimento. Aqui meus destaques:

1) União de todas as gerações -> Problema crônico do basquete nos últimos anos, pela primeira vez eu vi todas as gerações do esporte em um mesmo espaço. Bicampeões do mundo (Wlamir, Succar, Moises e Amaury), jogadores do Sírio e Monte Líbano (Israel, Maury, Marcel, Cadum etc.), dirigentes, técnicos, ídolos acima de qualquer suspeita (Oscar Schmidt, Magic Paula e Hortência) e tudo mais estavam no local. E felizes. Todos, sem a menor exceção, foram homenageados. Saíram do Ibirapuera certamente muito felizes com a reverência da Liga Nacional e do público.

2) Show do Jota Quest -> Fico com as palavras de Rogério Flausino em entrevista exclusiva a mim no final do incrível espetáculo de sua banda: “Eu sabia que ia ser legal, mas foi muito mais legal do que eu imaginava. Nunca vi uma interação entre música e esporte tão engendrada quanto eu vi hoje. Muito legal, muito legal”. Creio que não precise falar mais nada. Os mineiros colocaram a plateia para pular, cantaram seus hits e empolgaram demais o Ibirapuera. Primeira vez que houve um show do intervalo no Jogo das Estrelas, e a Liga Nacional acertou em cheio na atração.

3) Procura por ingressos e celebridades -> Todo evento bom é concorrido. Logo que cheguei ao ginásio (08h15) vi muita gente procurando ingresso. Quando entrei, uma série de famosos que fazem a imagem do basquete sair de sua própria bolha. Adriane Galisteu (foto), Pedro Scooby (surfe), Emicida (cantor), Lucarelli (vôlei), Thiago Braz (salto com vara) etc. Todos impressionados com a qualidade do espetáculo e animadíssimos com a festa. Todos com milhões de seguidores em suas redes sociais. Pensem na progressão geométrica de posts deles em Twitters, Facebooks e Instagrams. Quanto mais isso acontecer, mais a modalidade passará a ideia de ser cool, descolada.

4) Ginásio lotado -> Foram mais de 10 mil pessoas no Ibirapuera. Em um domingo de manhã. Em um jogo de festa. Sem nenhum time de massa na cidade. Prova que o trabalho da Liga Nacional é excepcional e surtiu efeito. Destes 10 mil, 40% eram de crianças que muito provavelmente tiveram seu primeiro contato em um ginásio na tarde de ontem. Assim se formam novos fãs, torcedores, atletas e consumidores. O clima no Ibirapuera estava indescritível. São Paulo tem uma história na modalidade e creio que o Jogo das Estrelas deste domingo a reacende. Muita gente comentou comigo que houve fila imensa na entrada, mas eram 10h15, quando efetivamente começaram as atrações do Desafio de Habilidades, e o local já estava bem cheio.

5) Torneio de Enterradas -> Vencido pelo norte-americano Bennett, do Pinheiros, foi bem disputado e com um confronto animadíssimo no final entre o ganhador e Gui Deodato, o Batman, de Bauru. É o “prato” mais aguardo do cardápio do Jogo das Estrelas e foi muito de ótima qualidade.


A vida além de Durant – como explicar a queda vertiginosa do Golden State na NBA?
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Fábio Balassiano

No dia 28 de fevereiro Kevin Durant foi para o vestiário com dores no joelho. O resultado todo mundo já sabe: o astro do Golden State Warriors ficará um mês fora das quadras. Sem ele, autor de 25 pontos por jogo, o time de Oakland teria que voltar a jogar basicamente com o mesmo núcleo que foi campeão da NBA em 2015 e vice em 2016.

Sem problemas, então, para os comandados de Steve Kerr, certo? Nada disso. Desde que o camisa 35 saiu o Warriors, que hoje enfrenta o Sixers em casa, tem 4 derrotas em seis jogos (três seguidas), apenas a décima-oitava melhor campanha do mês de março e o San Antonio Spurs empatado com ele na liderança do Oeste (ambos têm 14 derrotas). Fica a pergunta: é possível explicar queda tão vertiginosa assim? Vamos tentar.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

O primeiro e principal motivo atende pelo óbvio: Steph Curry e Klay Thompson estão arremessando incrivelmente mal desde que Kevin Durant se machucou. Com Durant em quadra, Curry e Thompson tinham, respectivamente, aproveitamentos 39% e 40% nas bolas de três pontos. Em março, 28,6% para cada um deles. Sobre Steph, duas vezes seguidas o MVP da temporada regular, um dado ainda mais estarrecedor: ele ERROU 58 de suas 76 últimas tentativas de três pontos (23% de acerto apenas). Para piorar as coisas, o volume de arremessos tentados aumentou sem o camisa 35 em quadra. Steph, que chutava 18 vezes por jogo, passou para 23. Klay saltou de 17 para 20. Com percentual de conversão tão baixo, já que estão muito mais vigiados, vocês conseguem imaginar o estrago que isso causa para a equipe, que não só não pontua mas também permite rebotes longos para seus adversários e a chance de pontuar em contra-ataque.

 

Outro ponto fundamental é que o atual elenco de apoio do Warriors é MUITO pior que o da temporada passada. Não dá pra dizer que foi um erro, mas sim uma escolha feita pela franquia quando trouxe Kevin Durant e, para acomodar o salário de mais de US$ 26 milhões em 2016/2017 do craque, teve que abrir mão de peças importantes. Os danos colaterais eram esperados mesmo. A oportunidade de adicionar um quarto All-Star fez com que o elenco ficasse menos profundo, com menos opções. Quando Durant sai machucado este problema aparece. Em 2015/2016 Harrison Barnes, Marreese Speights, Festus Ezeli, Leandrinho, Brandon Rush, Shaun Livingston, Ian Clark e Andrew Bogut traziam 56 pontos por noite para a equipe. Destes, apenas Livingston e Clark ficaram, e agora a rotação conta com nomes como Zaza Pachulia, JaVale McGee, Patrick McCaw, Kevon Looney, David West e Matt Barnes, que adicionam apenas 34 pontos por noite. O número é 40% menor que o de 2015/2016.

Há um terceiro fator que atende pela defesa no garrafão. Os números defensivos do Golden State são muito parecidos com os da temporada passada (104,1 pontos e 43,5% nos arremessos em 2015/2016 contra 105,3 e 43,8% em 2016/2017), mas há uma diferença enorme quando você tem Andrew Bogut e Festus Ezeli protegendo o seu aro em relação a JaVale McGee e Zaza Pachulia. Principalmente em relação a inteligência para coberturas e proteção de aro que o australiano Bogut trazia para o time (e isso nem sempre aparece em estatística). Some-se a isso a fase apenas verborrágica de Draymond Green, que tem se metido em polêmica quase a todo minuto, e o resultado não é muito bom. Green, All-Star e líder emocional da equipe, reduziu todas as suas médias de 2016 para 2017 e tem chutado terríveis 31% nas bolas de três pontos, seu pior índice desde o ano de calouro.

O último problema pode ser o vestiário. Na madrugada de sexta-feira, após o time perder de forma apática para o Minnesota Timberwolves fora de casa, Andre Iguodala foi avisado apenas pela imprensa que os principais jogadores do time, inclusive ele, seriam poupados pelo técnico Steve Kerr da aguardada partida contra o San Antonio Spurs no sábado. A reação do MVP das finais de 2015 foi uma mistura de surpresa e ironia: “Sério? Sério isso? OK, eu faço tudo o que meu mestre (o técnico Kerr) mandar”. O treinador ainda tentou colocar panos quentes, dizendo após a derrota no Texas que Iguodala é assim mesmo, brincalhão, mas não ficou muito legal, não. O desequilíbrio emocional pode ser visto também em Curry. Irritadiço, ele tem comportamento bem diferente dos últimos três anos, quando só sorria na quadra. Hoje em dia em qualquer lance lá está ele reclamando, balançando a cabeça ou reprovando algo. Para quem viveu acertando mais de 45% de seus arremessos longos deve ser difícil conviver com percentual tão menor assim de conversão.

É óbvio que o Golden State Warriors segue como um dos favoritos a ganhar o Oeste e chegar na final da NBA. Ganhar o título da liga continua sendo uma possibilidade pra lá de grande. A franquia tem um timaço de bola e provavelmente terá Kevin Durant ainda nas últimas semanas da temporada regular, mas o momento é de sinal amarelo em Oakland.

Desde que Steve Kerr chegou o time nunca havia perdido três vezes consecutivas em temporada regular. Agora é a hora de Steph Curry, Andre Iguodala, Klay Thompson e Draymond Green mostrarem que há, sim, performance de alto nível no Golden State Warriors sem Durant. Como sempre foi até seis meses.


Analisando a eleição de Guy Peixoto e mais uma aprovação de contas da CBB
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Fábio Balassiano

Guy Peixoto é o novo presidente da Confederação Brasileira. Eleito com 17 votos (seu oponente Amarildo Rosa teve 9, houve uma abstenção e o Tocantins não pode votar), Guy assume uma CBB dívida de mais de R$ 17 milhões e suspensa pela Federação Internacional.

Seu primeiro (e corretíssimo) ato foi pegar um avião rumo a Suíça para, nesta semana, tentar mostrar aos dirigentes do alto escalão do basquete mundial que uma estratégia emergencial, chamada por ele e seu time de “Plano de 100 dias”, estará em curso a partir de agora. O objetivo: retirar a suspensão que impede clubes e seleções brasileiros de jogar competições internacionais.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Está claro que os desafios de Guy Peixoto serão imensos. Estarei como sempre vigilante a esta nova gestão da Confederação Brasileira, mas obviamente sabendo que a nova gestão precisará de tempo para analisar o cenário de terra arrasada da entidade (mesmo tempo que dei a Carlos Nunes em 2009 e que concederia em qualquer novo mandatário da CBB). Alguns fatos, ainda sobre a eleição, merecem ser levados em consideração e analisados por aqui. Vamos lá:

1) Além da votação no presidente em si, os 27 votantes liberados para o pleito (todas as Federações menos Tocantins e Associação de Atletas) tinham uma coisinha importante a fazer na sexta-feira no Comitê Olímpico Brasileiro: aprovar ou reprovar as contas de 2016 do (agora) ex-presidente Carlos Nunes. Os resultados (eleição e contas) encontram-se ao lado e estão claríssimos. Quinze presidentes de Federação aprovaram os resultados financeiros da CBB em 2016, 11 reprovaram e outra se absteve.

2) As aberturas encontram-se na figura ao lado (clique para ampliá-la). Apurei e coloco no blog como os presidentes de Federação e a Associação de Atletas votaram tanto para o presidente quanto para a aprovação ou reprovação das finanças da CBB em 2016. Em uma olhadinha rápida, todos os que elegeram Guy Peixoto chancelaram o balanço de Nunes em 2016 com exceção de MG, que se absteve. Os que reprovaram votaram em Amarildo. Não é coincidência. Vale dizer também que Rio Grande do Norte, que não votou para presidente, reprovou as contas. Pela primeira vez os Atletas votaram contra (analisarei adiante).

3) Presidentes de Federação normalmente são políticos, e até para analisar balanços financeiros votam… politicamente (e não financeiramente, como deveria ser). Para se ter uma ideia da coerência, ou falta dela, em relação a estes rapazes, em 2016 apenas três reprovaram o Balanço recheado de dívidas da CBB (Maranhão, Goiás e Pará). Estes agora aprovaram – e a situação piorou terrivelmente, sabemos. Os que antes chancelaram o trabalho de Carlos Nunes agora… reprovaram. O que mudou? Estes descobriram agora, só agora, que a situação da entidade é falimentar? Os que antes reprovavam passaram a aprovar por qual motivo?

4) Para responder a pergunta acima eu fui conversar com 4 presidentes de Federação. Dois que aprovaram e dois que reprovaram. Todos foram na mesma linha: o grupo de choque de Guy Peixoto aprovou as contas para ter acesso livre a todas as informações da CBB de Carlos Nunes.

Não é a maneira que eu lidaria com isso, mas foi uma estratégia em conjunto de quem sabe que terá muita coisa para tirar dos porões da Confederação. Os que reprovaram o fizeram porque já sabiam que perderiam a eleição e seria uma forma de retaliar o agora ex-presidente da entidade.

5) Sobre a votação para presidente em si, chamam a atenção os votos de Rio de Janeiro e São Paulo. As duas maiores Federações do país votaram em Amarildo Rosa. Têm representatividade, sem dúvida alguma, mas juro que gostaria de entender as razões do voto. Nada contra Amarildo, pelo contrário, mas houve algum motivo especial para que especificamente SP e RJ optassem pelo lado que acabou saindo derrotado? Ademais, como Guy Peixoto lidará com seu, digamos, grupo de eleitores e não eleitores? Seus votos vieram, em sua grande maioria, de Norte e Nordeste, antigos centros eleitorais que elegeram Grego no final do século passado.

6) Não poderia deixar de elogiar a postura da nova gestão da Associação de Atletas. Não pelo voto em Guy Peixoto em si, porque aí é uma questão de análise dos candidatos e eu não posso dizer quem está certo ou errado, mas sim pela coerente reprovação das contas. As contas da CBB são tenebrosas, e não faz o menor sentido aprová-las (nenhum motivo!). Vale dizer que o mandatário anterior, Guilherme Giovannoni, jogador de Brasília, aprovou TODAS as contas de Carlos Nunes desde que passou a votar. Em seu primeiro ato como novo mandatário da Associação, Guilherme Teichmann, bom ala-pivô do Pinheiros, optou por reprovar algo que está muito ruim. Mesmos nomes, posturas completamente diferentes, né? Ainda bem!


Warriors? Cavs? Saiba como ‘velocista’ coloca o Wizards como o melhor da NBA em 2017
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Fábio Balassiano

A temporada da NBA está polarizada em Golden State Warriors e Cleveland Cavs, times que fizeram as duas últimas finais e que surgem como grandíssimos favoritos para repetir a dose na decisão deste ano. O que pouca gente nota é que em 2017 a melhor campanha da liga não é nem do time de Steph Curry e nem do de LeBron James. O Washington Wizards, do velocista John Wall, armador considerado um dos jogadores de basquete mais rápidos do mundo, possui 25 vitórias em 33 jogos e lidera não só em número de triunfos, mas também em aproveitamento (76%). Desde janeiro o Cavs é apenas o nono (18-14) e o Warriors, o terceiro (23-9). O San Antonio Spurs é o segundo melhor com 24-8.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

No total o Washington, que hoje enfrenta fora de casa o Minnesota, tem 41 vitórias em 65 jogos e em grande fase ganhou 7 dos últimos 10 duelos, 11 dos 14 mais recentes e está em segundo lugar na conferência Leste, atrás apenas do Cleveland, que tem 43-21. Para quem começou a temporada perdendo os três primeiros duelos, ainda com o gosto de não ter se classificado ao playoff em 2015/2016 em um campeonato pra lá de frustrante e com um técnico que em 2015 havia sido demitido de Oklahoma (Scott Brooks) no comando, dá pra dizer que atingir este patamar é, sim, uma agradável surpresa. E o sucesso da franquia da capital norte-americana passa totalmente por Wall, que consegue cruzar a quadra inteira em menos de cinco segundos.

Um dos mais prestigiados armadores da atualidade, o camisa 2 tem as médias de 23,1 pontos, 45% nos arremessos e 10,8 assistências (todas as melhores de uma carreira de sete anos na NBA). Se seu arremesso de três pontos continua errático (31,7% em 2016/2017, índice idêntico ao de sua trajetória profissional), Wall melhorou em liderança, em capacidade de envolver seus companheiros. A segunda melhor média de assistências fala um pouco sobre isso, mas não tudo. A forma como ele passou também a defender estimula seus companheiros a pressionar a bola e a levar o Washington adiante. Mas não foi assim fácil que a transformação chegou.

Após a primeira partida da temporada (derrota fora de casa contra o Atlanta Hawks por 114-99), Brooks não poupou a sua maior estrela e disse que nunca havia visto uma marcação tão ruim quanto a que tinha visto de John Wall. A velocidade que Wall usava para correr para o ataque com a bola era inversamente proporcional a que ele voltava para marcar na defesa. Crítico, o camisa 2 não bateu boca com seu novo treinador, mas sim procurou-o para analisar os problemas. Brooks o recebeu com um vídeo de 10 minutos contendo suas maiores deficiências defensivas. Não era uma questão grave, mas basicamente de retorno rápido à marcação e impedir que seu rival cortasse facilmente rumo a cesta. O jogador decidiu implementar o que o novo chefe indicou. Deu certo. A transição ataque-defesa melhorou muito, Wall se tornou um atleta mais completo, o Wizards passou a não levar mais tantos pontos em contra-ataque e os resultados apareceram.

Se foi duro com Wall no começo, Brooks, adepto ao jogo fluído e leve da NBA atual, também soube elogiar o seu comandado quando ele foi escolhido para o All-Star Game de Nova Orleans: “Ele não é só um jogador muito rápido. Acho incrível quando ele vai de um extremo ao outro da quadra em menos de cinco segundos, mas John tem sido fundamental também no vestiário, estimulando e elevando o nível de seus companheiros. Treinei jogadores excepcionais em Oklahoma, joguei com outros tantos em Houston, e o que ele tem feito por aqui é realmente acima da média. Excepcional mesmo”, afirmou o treinador que comandou Russell Westbrook, um dos melhores armadores da liga, no Thunder, e que, quando atleta, foi campeão com o Houston Rockets de Hakeem Olajuwon.

É óbvio que John Wall é o nome que mais chama atenção neste Washington, mas o que deixa uma pulga em todas as orelhas é tentar entender como um time que não se classificou ao playoff em 2016 se candidata, em 2017 e basicamente com o mesmo núcleo, a ir longe no mata-mata da conferência Leste. É uma questão que ainda não encontra uma resposta nos números, mas sim nos fatos. Se a base tática e técnica é praticamente a mesma de quando o técnico Randy Wittman estava por lá, se ataque e defesa estão hoje entre os dez primeiros da liga, mas não entre os cinco (ou seja, são bons mas não excelentes), aparentemente a química do vestiário mudou com a chegada do técnico Scott Brooks, considerado um “player’s coach“, o que, em uma tradução livre, seria como um treinador que fala a língua dos atletas. Um punhado de jovens talentosos (o mais velho do elenco tem 33 anos) que jogava de forma praticamente individualizada até a temporada passada se tornou um time coeso e talentoso. Uma grande história, não há dúvida.

É óbvio que as recentes aquisições de Bojan Bogdanovic (o ala croata trazido do Nets adiciona 16 pontos de média) e do armador Brandon Jennings aumentam a profundidade do banco de reservas e que o crescimento de Bradley Beal (23,2 pontos), Otto Porter Jr. (14,2) e Markieff Morris (14,3) contam muito, mas o sucesso do Washington, que também tem o polonês Marcin Gortat (11,5 pontos) como peça importante da rotação curta de Brooks, passa mesmo pelo crescimento em ataque e defesa de Wall, um dos melhores jogadores da NBA na atualidade.

O Wizards, eliminado em 2016 ainda na fase regular, se permite sonhar com voos maiores graças a John Wall.


Suspensa, CBB realiza eleição a portas fechadas na sede do Comitê Olímpico Brasileiro
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Fábio Balassiano

Chega ao fim hoje a Era Carlos Nunes. Presidente da Confederação Brasileira por longos 8 anos, Nunes é o responsável maior por colocar na lama o nome da modalidade no país. Assolada por uma dívida de R$ 17 milhões ao final de 2015, com credibilidade negativa e culminando com a suspensão da Federação Internacional (FIBA) no mínimo até o final de maio deste ano, o mandatário põe um ponto final na pior gestão que a CBB já viu (e olha que ele teve a concorrência de Gerasime Bozikis, seu antecessor).

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Como fecho de “ouro”, Nunes realiza o pleito desta sexta-feira que tem como candidatos Guy Peixoto (o favorito) e Amarildo Rosa, ambos entrevistados neste espaço esta semana, mais uma vez a portas fechadas. Ou seja: ninguém, com exceção dos eleitores (presidentes de Federação e Associação de Atletas) e candidatos, terá acesso a mais esperada eleição da CBB dos últimos anos. A FIBA pedia transparência, seriedade e credibilidade. A Confederação, em seu último ato de uma gestão tenebrosa, reage assim. Incrível!

Nem um pouco adepta a liberdade de imprensa e da difusão da informação, a Confederação sequer faz questão de esconder o seu lado censor, colocando no site a seguinte atrocidade: “Os profissionais credenciados da imprensa somente terão acesso ao recinto da Assembleia para o momento de apuração de votos no processo eletivo, conforme consta do Edital de convocação”. Se não podemos (jornalistas) acompanhar o processo eleitoral de forma completa, vale a pena fazer o que lá então? Nada, né? Vale dizer que antes de eleger o novo mandatário os presidentes de Federação e a Associação de Atletas vão aprovar ou reprovar as contas de Carlos Nunes referente ao ano de 2016 (minha curiosidade é imensa em relação às justificativas dos votantes neste quesito e sobretudo com os números que do Balanço Financeiro sairão).

O mais bizarro de tudo é que o pleito acontece na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que indiretamente acaba concordando com um sistema de eleição deprimente, retrógrado, arcaico e que lembra os piores tempos da ditadura. Triste, pra dizer o mínimo. Mas fica a pergunta: se o Comitê chancela isso abrindo as suas dependências para uma eleição a portas fechadas, sem que a imprensa possa exercer livremente o trabalho de informar o que se passa, o que esperar do COB?

Vamos acompanhar os movimentos que esta sexta-feira nos reserva. Ficarei bastante surpreso se Guy Peixoto não for eleito. Em todas as conversas que tive o empresário, que tem o apoio de muitos ex-jogadores, aparece como grande favorito a presidir a CBB nos próximos quatro anos. Torçamos para que ele ou Amarildo Rosa não tragam somente cores novas em termos de gestão, mas sobretudo ares de transparência, credibilidade e abertura ao público. Já seria um excelente começo em uma entidade que se acostumou a tentar censurar o trabalho de quem deve sempre fiscalizar o poder – ainda mais uma entidade pessimamente gerenciada como esta que Carlos Nunes e seus colegas administraram por oito anos.

Fechar uma eleição é o cúmulo do absurdo. Mas segue acontecendo no basquete. Desta vez nas barbas do Comitê Olímpico Brasileiro. Nada mais triste.


Começa o mês da eleição presidencial da Confederação – o que esperar do pleito?
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Fábio Balassiano

Chegou o mês de março. Antes das águas fecharem o verão há uma eleição da suspensa Confederação Brasileira por vir. Ela acontecerá no dia 10 de março, no Rio de Janeiro, e terá dois candidatos – Amarildo Rosa, presidente da Federação do Paraná, e o empresário Guy Peixoto. Os dois, aliás, receberam perguntas do blogueiro e, caso respondam, estarão aqui na próxima semana com seus argumentos.

Sobre o pleito, alguns pontos importantes merecem ser levantados. No modelo arcaico em que vivemos, 27 presidentes de Federação (Estados + Distrito Federal) e Associação de jogadores têm direito a voto e decidirão os destinos do basquete do país nos próximos 4 anos (o novo presidente precisa, portanto, de 15 para ser eleito). Só isso e mais nada.

Vale dizer que, pouco antes da votação começar, são estes mesmos rapazes que aprovam ou não as contas de 2016 do ainda presidente Carlos Nunes (Pará, Maranhão e Goiás surgem como boas exceções, batendo de frente contra o sistema e reprovando os buracos cebebianos com frequência). Não custa lembrar que nos últimos anos essa galerinha gente boa tem aprovado tudo o que Nunes fez. E tudo o que Nunes fez, no caso, é colocar a dívida da entidade em R$ 17 milhões, gerar uma suspensão internacional e fazer o basquete brasileiro ser motivo de chacota (mais informações aqui e aqui). Aqui vale detalhar um pouco os atletas, no nome do senhor Guilherme Giovannoni, que até o final de 2016 presidia uma Associação de Atletas que deveria brigar por condições melhores para os jogadores – e não para chancelar coisas tenebrosas como ele fez. Desde que passou a ter direito a voto nas Assembleias, Giovannoni e seus representantes (Douglas Viegas, seu vice) aprovaram TODAS (vou repetir: TODAS) as contas de Carlos Nunes. Vai entender…

Mas, bem, voltando. Como toda confusão no basquete brasileiro é bobagem e sempre cabe mais loucura, um dia antes da eleição e da aprovação das contas haverá uma assembleia em que será votada a efetivação da força-tarefa proposta pela Federação Internacional no final do mês de janeiro. Guy Peixoto é contra. Amarildo Rosa (foto), por sua vez, aceita a força-tarefa. Não consigo entender bem o motivo dessa votação prévia, mas é assim que será e ainda preciso entender para que ela serve. No momento é suspense total.

Vale lembrar que a CBB está suspensa no mínimo até o final de maio de 2017, com a FIBA tendo que rever a situação da entidade máxima do basquete brasileiro após isso. As duas seleções Sub-19 (masculina e feminina) atualmente estão fora de seus Mundiais. Caso o novo presidente consiga reverter a situação / suspensão, as duas equipes poderão atuar, mas é algo improvável. O olhar, porém, deve estar até mais à frente. Caso a FIBA mantenha o pulso firme, o basquete brasileiro pode até mesmo ser desfiliado, ficando fora das Eliminatórias para os próximos Mundiais (Feminino em 2018 e Masculino em 2019) e os clubes nacionais mais uma vez fora de competições continentais.

Pelas conversas que tenho tido, Guy Peixoto surge como favorito a vencer a eleição do dia 10 de março. Seu plano de gestão de fato parece ser muito bom pelo que puder ler (está disponível aqui, algo raro em termos de transparência e credibilidade – e que fique claro que aqui não há NENHUM apoio a candidato algum, mas apenas análise de cenário), mas a gente sabe que em eleição de Confederação votam 27 presidentes de Federação e estes caras não ligam exatamente para o bem do basquete. São muito mais afeitos a vaidades e tapinhas nas costas do que qualquer outra coisa.

O dia 10 de março marcará a saída de Carlos Nunes da Confederação. Sai de cena o pior presidente da história da CBB (conseguiu superar Grego neste sentido, o que é um feito e tanto) e entrará alguém para literalmente limpar as atrocidades que Nunes cometeu durante 8 anos. Guy ou Amarildo assumirá uma entidade endividada, sem credibilidade, suspensa e com patrocinadores escassos. O cenário é de terra arrasada, não há a menor dúvida.