Bala na Cesta

Categoria : Análises

Quinta-feira, 26 de janeiro, o caótico dia pra quem gosta de basquete no Brasil
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Fábio Balassiano

lnb1Se liga só em como foi a quinta-feira, 26 de janeiro de 2017, pra quem gosta de basquete no Brasil. Sente o drama e acompanha tudo comigo.

A menos de 72h do maior jogo do NBB na temporada, o Vasco x Flamengo que já foi adiado anteriormente, a Liga Nacional de Basquete, organizadora do campeonato, comunicou via Nota Oficial que a partida será realizada… com portões fechados. Não com as duas torcidas, nem com torcida única, mas sim sem um mísero torcedor no ginásio (a Rio Arena, a antiga HSBC Arena). Reforçando: era o evento considerado o MÁXIMO da fase regular da competição para a turma da LNB e que será (perdão pelo termo) decepcionante devido a uma lamentável atitude da Polícia do Rio de Janeiro, que não garante segurança alguma e que avisa aos clubes e a Liga horas antes da partida acontecer (notadamente na terça-feira passada). Mundo bizarro, não? O UOL explica mais profundamente a situação. Só uma perguntinha importante: como pode o GEPE e a Polícia Militar não garantirem a segurança de um evento com 4, 5 mil pessoas, número de entradas que o Vasco venderia? Estranho isso, não acham?

cbb1Acham que acabou? Não, não, não. Em matéria publicada em primeiríssima mão o UOL informou que a FIBA convocou todas as partes envolvidas no basquete brasileiro (LNB, CBB, os dois candidatos a presidência da Confederação etc.) para discutir a situação e esclarecer o que acontecerá com a modalidade por aqui após a suspensão que termina em 28 de janeiro (o famoso amanhã). O encontro será na Suíça em 3 de fevereiro na sede da entidade máxima do basquete no planeta.

cbb1Sinceramente não consigo entender o que está acontecendo nesta relação pouco ortodoxa de FIBA e CBB, mas aparentemente alguma coisa deu errado na tentativa de intervenção da Federação Internacional e que envolveria Ministério do Esporte e Comitê Olímpico Brasileiro.

Aqui não é informação, mas sim uma análise de cenário de quem, como eu, ouviu muita gente nas últimas 24 horas para entender melhor o tema. E me explico. Caso a FIBA tivesse uma solução para o caso envolvendo a CBB, onde realmente está o problema, sabemos bem, ela já teria informado às partes sobre os próximos passos e tudo mais. Como (aparentemente) não tem, e muito provavelmente Ministério e COB saíram do barco, coube a ela em um último recurso chamar os envolvidos no esporte da bola laranja no país para tentar encontrar uma solução no meio do caminho. Creio, inclusive, que a FIBA não tenha muita noção do que deva ser feito, chamando os envolvidos para informar do ocorrido e meio que, em português claro, lavar as suas mãos. Trevas total. O que está por vir? Não tenho ideia, mas tenho medo absurdo do pior – como sempre acontece quando o assunto envolve a Confederação.

tristezaEspero, do fundo da minha alma, que aquele famoso trecho introdutório e/ou conclusivo de alguns textos meus, quando coloco o já conhecido “mais um dia triste para o basquete brasileiro” não seja mais escrito por aqui, mas com tanta notícia ruim fica difícil acreditar no contrário. É uma pena, é uma tristeza absoluta dizer isso, mas é a mais pura realidade. Alguns trabalham, e bem, como é o caso da Liga Nacional, mas há tanta força jogando contra que ser otimista e pensar que as coisas irão melhorar por aqui é um verdadeiro devaneio.


É oficial: a NBA estará na TV Globo – apenas motivos para comemorar?
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Fábio Balassiano

globo1A notícia divulgada pela coluna Radar, da Revista Veja, no primeiro dia de 2017, se confirmou de forma oficial neste sábado, 7 de janeiro. A NBA será exibida na tela da TV Globo a partir desta temporada. De acordo com o comunicado oficial disponível no site do Sportv, que também é o site oficial da NBA no Brasil (insano, mas é isso, como informei no final de 2015), neste primeiro momento a emissora exibirá os melhores momentos apenas das finais a partir do jogo 4 (possibilidade de ter, portanto, quatro partidas na tela).

arnon1Sei que muita gente torce o nariz quando o assunto é Rede Globo, mas sinceramente acho uma doideira qualquer tipo de crítica em relação ao tema do post. E o assunto de NBA na Rede Globo era algo que já estava na mesa há tempos, conforme entrevista publicada por este espaço com Arnon de Mello, chefe do escritório da liga no país, logo no começo de 2016 (relembre aqui).

nba1A Globo, assim como outra empresa qualquer, visa o lucro, pensa no negócio dela (que é gerar audiência) e está colocando um novo produto em sua grade de programação. Assim como foi com a NBA na Rede Bandeirantes na década de 80. Assim como foi com o UFC na própria Globo recentemente. Nenhum destes produtos entrou “ao vivo” direto e fazendo um estrondo de audiência. Provavelmente a direção do canal verá a performance (leia-se audiência), medirá a repercussão e pensará no que fazer para os próximos anos. Se quiser chamar a final de 2017 do melhor basquete do mundo de “Projeto Piloto”, algo muito normal no mundo corporativo, para a Rede Globo é bem por aí.

globoLi todas as possíveis críticas (narração, nome dos ginásios, não ser ao vivo, apenas melhores momentos etc.), mas creio que neste momento, nós, os basqueteiros mais aficcionados e que acompanhamos a NBA com mais assiduidade, devemos ampliar o olhar e pensarmos em quantas pessoas serão impactadas com esta novidade. Pessoas, neste Brasil de mais de 200 milhões de pessoas e de inúmeras realidades, que não têm acesso a TV a cabo, a internet, a blogs, a quase nada que não seja uma rádio e/ou uma televisão que pegam apenas os canais abertos. Querer que um produto de nicho continue sendo apenas um produto de nicho é, no final das contas, egoísta pra caramba e lembra muito aquele fã que acompanha uma banda desde o começo e que fica chateado quando ela (a banda) faz sucesso, passando a ter mais pessoas para “dividir” o amor / conhecimento. Em esporte, quanto mais gente acompanhando melhor – em todos os aspectos, mas sobretudo pelo lado financeiro da coisa. Para quem já foi impactado, e gosta de basquete, nada muda. Nós, os “heavy-users“, continuaremos a consumir este esporte maravilhoso em internet, tv a cabo, revistas, blogs etc. . É assim que funciona, não?

lebron2Vocês já pararam pra imaginar a quantidade de gente que passará a ter contato com LeBron James, Steph Curry, Kevin Durant, Kawhi Leonard, Kyrie Irving, entre outros, que NUNCA sequer soube da existência da NBA? Quantos novos fãs / consumidores / amantes do jogo estarão sendo formados pelo simples fato de uma liga profissional de basquete ter um espaço importante na maior emissora de televisão da América Latina? Conseguem mensurar quão “expansível” torna-se o produto no país com ele chegando a, sei lá eu, mais de 100 milhões de habitantes? É um impacto absurdo, gente! E isso é bom pra todo mundo, né? Anunciantes, jornalistas, clubes, Liga Nacional e seu NBB etc. .

kawhi2Vale dizer uma coisa importante. É muito óbvio que os tempos mudaram e que o acesso a informação é bem diferente daquele da década de 80. Lá, os melhores momentos eram a única forma que o fã de basquete tinha de acompanhar e até mesmo saber dos resultados dos jogos. Hoje, sabemos, não é bem assim. Com a internet o resultado é “em tempo real”, pra usar uma expressão da moda, e pode ser que o impacto seja menor que aquele de 30, 20 anos atrás. Isso é um fato cristalino e negar isso não me parece inteligente.

sternDe todo modo, eu encerro este texto relembrando uma frase de David Stern, ex-comissário da NBA na década de 80 e responsável maior pela expansão da liga pra fora da fronteira: “Highlights are marketing” (“Melhores momentos são marketing“). E vocês entendem o significado disso, né? Difusão, informação, tornar conhecido um produto até então desconhecido, alcance maior de marcas (times) e atletas (também marcas) e tudo mais. Se não é o ideal, porque somos muito ansiosos e queremos tudo pra ontem, tipo com jogos todos os dias da semana no lugar da novela e só se for ao vivo e com direito a mesa redonda no dia seguinte às 9h da manhã pra discutir a rodada, creio ser um movimento pra lá de interessante e mais uma etapa da expansão da NBA no Brasil.

nba2Vale relembrar a linha do tempo histórica da liga no país: escritório montado, três jogos de pré-temporada por aqui, dois clubes indo jogar na pré-temporada nos Estados Unidos, aumento no número de transmissões, crescimento no número de vendas do League Pass, inúmeros eventos do NBA 3X, primeira loja física lançada (no Barra Shopping, Rio de Janeiro), o maior canal de esportes da tv fechada do país comprando os direitos da liga (Sportv), NBA House durante as Olimpíadas com sucesso total, álbum de figurinhas nas bancas e agora a informação de que as finais estarão disponíveis também em TV aberta.

Juro que, crítico que sou, gostaria de achar problemas com a chegada da NBA à TV Globo. Pode ser uma visão até certo ponto romântica e/ou ingênua, mas não encontrei ainda. Pra mim, só há coisas boas com o acesso do melhor basquete do mundo a um número ainda maior de pessoas por aqui.


Guy Peixoto lança candidatura e CBB tem dois presidenciáveis (se houver eleição)
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Fábio Balassiano

Guy_PeixotoMudança de rumo na eleição da Confederação Brasileira, prevista para o primeiro semestre de 2017. Antonio Carlos Barbosa, ex-técnico da seleção feminina na Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016, retirou a sua candidatura no final do ano passado. Em seu lugar aparece Guy Peixoto (foto), empresário de sucesso (preside o Grupo Horizonte, do setor de logística), que disputará o pleito contra Amarildo Rosa, presidente da Federação do Paraná. São os dois únicos presidenciáveis para assumir uma endividada (financeira, moral e eticamente) CBB em breve.

Logo_TransparenciaEm comunicado divulgado à imprensa, Guy Peixoto, que denominou a chapa como Transparência e que terá como vice-presidente Manoel Castro, ex-presidente da Federação do Maranhão, disse o seguinte: “A ideia é implantar na CBB uma gestão moderna, que foi elaborada com a participação de nomes importantes da comunidade do basquete, visando reverter o quadro vivido pela entidade nos dias atuais. É uma construção que envolve sonhos, ideais e sentimento pátrio. Juntos podemos fazer deste movimento um novo tempo e organizar a CBB acima de tudo com Transparência. Com a união de grandes nomes do basquete, acreditamos que é possível fazer bonito. O esporte é assim e nós estamos juntos Pelo Basquete Brasileiro”.

cbb2Sinceramente não conheço (nunca falei) a Guy Peixoto, embora conheça a sua trajetória de sucesso no mundo empresarial e também seu irmão, Marcelo Pará. Sem fazer qualquer juízo de valor, vale dizer que trata-se de um nome que não vem das Federações para comandar a entidade máxima. Grego foi da Carioca e Carlos Nunes, da Gaúcha, antes de implodirem o basquete brasileiro quando assumiram a CBB. O que ele seria/será como presidente da entidade máxima? Sinceramente acho prematuro traçar qualquer linha de análise, embora reconheça seu passado como atleta.

fiba1Primeiro porque eleições de Confederação são indecifráveis, surpreendentes e quase sempre viciadas por um sistema de inacreditáveis 27 pessoas que escolhem o futuro do esporte do país. Beira o bizarro, o século XV (antes de Cristo), mas é assim mesmo que funciona em um esporte brasileiro retrógrado até dizer chega. Se isso não bastasse, todos sabemos que a digníssima CBB está suspensa pela FIBA de todas as competições internacionais e que uma intervenção está sendo estudada (organizada, planejada, alinhavada) por Ministério do Esporte, Federação Internacional e Comitê Olímpico Brasileiro.

Em linhas gerais, portanto: se a força-tarefa destes três poderes (FIBA, COB e Ministério) de fato for montada, não haverá o pleito previsto para março de 2017. Até onde este blogueiro sabe, ela (intervenção) está em curso e espera apenas a confirmação de todos os envolvidos para ser divulgada. De todo modo e enquanto nada de efetivo acontece Amarildo Rosa e Guy Peixoto, os dois candidatos que se lançaram de forma oficial e que acenam com uma tão esperada mudança, se mexem em suas trincheiras.


Desempenho incrível de Antetokounmpo faz Bucks sonhar com ótimo futuro
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Fábio Balassiano

giannis4Antes da temporada escrevi aqui que o Milwaukee Bucks daria a chave da franquia ao grego Giannis Antetokounmpo, que renovara por 4 anos e US$ 100 milhões. Não só pela bolada para um atleta de 22 anos, mas principalmente porque o técnico Jason Kidd, um dos melhores armadores de todos os tempos, decidiu colocar o Greek Freak para ARMAR o jogo desde o princípio da temporada 2016/2017.

O experimento do final do campeonato anterior tinha dado resultado. Com vontade assustadora de aprender e dono de potencial físico invejável que permite a ele marcar de armadores a pivôs, Giannis beirou o triplo-duplo pós-All Star e Kidd optou por isso para iniciar o certame. O resultado? Antetokounmpo explodiu, o Bucks melhorou, tem 13-12, briga por vaga em playoff e mostra que pode ter ótimo futuro nas mãos do grego de 2,11m (sim, 2,11m e joga de armador…).

giannis6Giannis tem 22,6 pontos (quase 50% a mais que em 2015/2016 e cinco atuações com 30+ pontos até aqui), 9,1 rebotes, 6 assistências, 2 tocos e 2,1 roubos de bola por partida. Não são “apenas” soltos números vazios, mas principalmente o conjunto da obra que encanta. Fantástico e cada vez mais seguro do que faz, Antetokounmpo está entre os 20 primeiros em TODOS os quesitos citados acima, tem dois triplos-duplos até agora (o único que não se chama Russell Westbrook, James Harden e LeBron James a fazer mais que um no campeonato) e possui o índice de 14,4 com a soma dos pontos de quando ele está em quadra (+5,9) e fora da quadra (-8,5), prova da dependência do time para com ele. Vou só reforçar: o rapaz que possui 52% nos arremessos de quadra em 2016/2017 tem apenas 22 anos, melhorou TODOS os seus números em relação ao campeonato passado e está apenas em sua quarta temporada na NBA.

giannis5É óbvio que Giannis não está lá sozinho. É quase isso. Além dele, o único que tem média de pontos acima de 10 é Jabari Parker, outro jogador jovem (21 anos) e que tem um futuro fantástico. Assim como o Chicago, citado aqui ontem, o Bucks chuta pouco de três (24,6 por jogo), não espaça bem a quadra, tem dois titulares bem mais ou menos (Matthew Dellavedova e Tony Snell) e seu ataque dá belas empacadas de vez em quando devido a isso. Se não fossem as peças acessórias (Jason Terry, Mirza Teletovic, Malcolm Brogdon e até o instável Michael Beasley) isso seria bem pior, já que as duas principais estrelas da franquia arremessam não muito bem de longe (Giannis tem 27% de aproveitamento; Parker, 36%).

giannis1Não dá pra saber bem o que será do Bucks de agora até o final da temporada. A tabela reserva, até o final do mês, o Cavs duas vezes (uma hoje, a outra amanhã), Wizards duas vezes, Pistons, Bulls e o Minnesota.

O time ainda é irregular, perde jogos fáceis e ganha outros improváveis, mas se há uma certeza na terra do queijo é que Giannis Antetokounmpo vai confirmando realmente a expectativa que todos tinham nele antes da temporada começar. Que ele seria um All-Star e que 2016/2017 seria o campeonato da explosão dele na NBA. O presente dele é maravilhoso. O futuro pode ser ainda mais incrível.


Chicago cai de rendimento, e todos os olhos se voltam para o técnico Fred Hoiberg
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Fábio Balassiano

bulls4O começo de temporada foi bom para o Chicago. Três vitórias seguidas, o trio Rajon Rondo, Dwyane Wade e Jimmy Butler funcionando, Taj Gibson e Robin Lopez segurando a onda no garrafão e nem mesmo os problemas nos chutes de três pareciam incomodar já que Nikola Mirotic vinha matando bolas. Esta foi a parte boa. Mas não durou muito.

O Bulls chegou a ter 10-6 quando venceu o Sixers no dia 25 de novembro fora de casa, mas de lá pra cá a maionese de Illinois desandou. Rajon Rondo foi suspenso por indisciplina, Mirotic pegou dois jogos de banco de reservas porque teoricamente esqueceu de um treino, o que motivou uma fala bem ácida do técnico Fred Hoiberg sobre o ala-pivô (“Quando ele pensa nós temos sérios problemas. Prefiro Mirotic apenas arremessando”), atletas inseguros (em um momento joga Bobby Portis, em outros Cristiano Felício, por exemplo) e Wade só conseguiu passar da marca dos 20 pontos em três vezes neste período. O resultado? Sete derrotas nos últimos 10 jogos, agora a campanha de 13-13, oitava posição no Leste e todos os olhos voltados para Hoiberg. Hoje o time enfrenta o Detroit em casa com a corda bem no pescoço.

fred1Desde sempre fui muito crítico não só sobre a chegada de Hoiberg, mas sobretudo sobre a saída de Tom Thibodeau de Chicago. Usaram argumentos falhos, irritaram Thibs, fritaram o cara de todos os jeitos e trouxeram alguém que não tinha a mínima experiência de treinar uma franquia com as aspirações do Bulls. Falei em 2015 que a equipe arriscava perder os melhores anos de Jimmy Butler por conta da ausência de um treinador confiável, experiente e que fosse respeitado pelos atletas. Butler mesmo, na temporada passada, chegou a dizer que Hoiberg deixava tudo solto para os atletas, não cobrando-os quando devido e fazendo com que os jogadores ficassem tranquilos demais durante o campeonato. O Chicago ficou de fora do playoff, vocês lembram, né?

fred3A diretoria do Bulls deu um voto de confiança pro cara, manteve ele lá e mudou boa parte do elenco – e de sua configuração. Com Rajon Rondo, Dwyane Wade e Jimmy Butler todos esperavam que as bolas de três não caíssem. Os 30% de aproveitamento de fora do Chicago em 2016/2017 (foi de 37% em 2015/2016) não surpreendem. Era assim que tinha que ser mesmo devido aos atletas que lá estão. O que choca é que Fred Hoiberg não conseguiu fazer nada de diferente para que os adversários, de maneira óbvia e bem clara, passassem a dar dois, três passos para trás quando o trio está em quadra. Uma boa analogia ao time de Illinois é o Toronto Raptors, que não tem chutadores de elite no seu perímetro (apenas Kyle Lowry), mas que mesmo assim encontra soluções para pontuar incrivelmente nesta temporada. São 112,1 pontos por jogo (3º melhor ataque da NBA) tentando apenas 24 de três pontos por noite. O time compensa com muitos lances-livres (21 por jogo saem assim), conversão altíssima de arremessos (48%), um jogo de passes muito bem feito (a cada dois arremessos convertidos, um sai através de assistência) e excepcional índice de pontos por chute (1,32, o segundo melhor da liga). Uma alternativa para o Bulls seria jogar mais vezes com Doug McDermott e Nikola Mirotic, dois dos melhores arremessadores de perímetro do time, mas Hoiberg parece não estar muito alinhado com as novas tendências da NBA e prefere quase sempre manter pivôs altos, pesados e que jogam quase sempre perto da cesta.

wadeO que resulta disso? Um time previsível, com ataque estático e facilmente marcado. Os 101,1 são praticamente o mesmo de 2015/2016 (101,6) e apenas o vigésimo-terceiro mais positivo de toda a liga. Nos arremessos de quadra, outro problema com os 45% de conversão, quinta pior marca do certame. O problema para o Bulls não está nem nos pontos em si, mas na forma que eles vêm. Como não mata bola de fora nem por decreto, as defesas rivais evitam passes. O jogo de um-contra-um de Wade e Butler tem sido acionado, e as assistências murcharam. O Chicago tem 20 por jogo, sexto pior índice da NBA.

fred2Acho sinceramente que não dá pra culpar Hoiberg por tudo de ruim que acontece em Chicago, não. Seria bem injusto e reducionista de minha parte. Para ficar em um exemplo, a formatação do time não foi das melhores, privilegiando um jogo pesado, de arremessos longos de dois pontos e quase não tendo bons chutadores longos no quinteto inicial. Este é um ponto. O outro é que pra mim está muito claro que dá pra tirar coisas melhores de um elenco que possui um futuro Hall da Fama que ainda tem bons dois/três anos em alto nível, um armador que foi campeão da NBA jogando da mesma maneira que atua agora (passando, passando, passando) e um craque de bola no auge físico como é o caso de Jimmy Butler. A questão toda é que o treinador não tem conseguido não só extrair o melhor de seus atletas mas sobretudo arejar as ideias ofensivas, algo que tanto se esperava dele e que tanto se criticava em Thibodeau (embora eu discordasse quase sempre…).

fred3Encontrar um esquema que não exponha as dificuldades de suas principais estrelas e que faça aflorar as qualidades de jogadores que podem render bem mais, como são os casos de Nikola Mirotic e Doug McDermott, é algo que o treinador Fred Hoiberg e os Bulls precisam achar o quanto antes.

Se ficarem jogando da mesma maneira que temos visto neste mês de dezembro dificilmente o Chicago terá uma vida tranquila no ano que começará em menos de quinze dias.

Concorda comigo? Comente você também!


Aos 17 anos, esloveno Luka Doncic brilha e ganha espaço no Real Madrid
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Fábio Balassiano

doncic1“Luka Doncic é um jovem de muitíssimo futuro, que tem um potencial imenso e que vai crescer muito nos próximos anos jogando no Real Madrid. Tentamos falar com ele o máximo de coisas que já passamos, ele nos escuta e isso certamente ajuda muito. Mas tentamos não colocar muita pressão nele pois sabemos que isso não ajuda em nada. É um garoto excelente e bem acima da média para a sua idade. Só o tempo dirá até que nível conseguirá chegar. Sem pressão alguma“.

doncic2A frase acima é de Felipe Reyes, um dos melhores e mais experientes atletas do Real Madrid, e foi dita a mim quando os merengues estiveram em São Paulo para a disputa do Mundial contra Bauru ano passado.

Reyes se referia ao garoto esloveno então com 16 anos, 2,01m e que chamou a atenção de todos que estiveram no Ibirapuera. O nome dele é Luka Doncic, e se a temporada passada foi de conhecimento do basquete europeu no nível profissional, em 2016/2017 parece que Doncic já se sente um veterano. Veterano armador de 17 anos, se é que isso é possível.

doncic3Aproveitando-se da saída de Sergio Rodriguez (foi para o Sixers, na NBA) e de todo espaço que ganha do corajoso técnico Pablo Laso, que lança um menino de 17 anos às feras sem o menor medo (diferentemente do que acontece por aqui, quando os garotos mais jovens penam para jogar três/cinco minutos…), Doncic vai encantando a todos na Liga ACB e na Euroliga com um jogo que mistura ótima visão de jogo, boa mecânica para os arremessos e muita explosão em direção a cesta. No campeonato espanhol tem as médias de 9 pontos e 4 assistências em 22 minutos. No torneio continental, 6,9 pontos e 2,5 assistências em 16 minutos de média. De quebra, na pré-temporada do Real ele ainda teve a chance de enfrentar o Oklahoma City Thunder, de Russell Westbrook, um dos melhores e mais respeitados armadores do mundo na atualidade.

doncic4Se as médias são muito boas para quem é tão jovem, o que dizer das últimas performances do garoto? Sem Sergio Llull, titular da armação que está lesionado, o esloveno explodiu. Na Euroliga e diante do tradicional Zalgiris Kaunas, time de Augusto Lima, Luka Doncic teve incríveis 17 pontos, 4 assistências, 4 rebotes e 2 roubos em 25 minutos de uma atuação de deixar a todos de queixo caído. Neste domingo pela Liga ACB Doncic foi titular contra o Bilbao fora de casa e teve 12 pontos, 4 assistências, 2 rebotes e 2 roubos em 21 minutos. No Espanhol já são três partidas seguidas com 10+ pontos, feito conseguido também em quatro dos últimos cinco jogos (contra o Gran Canaria ele fez nove pontos…).

doncic1Olhado com carinho e atenção por todos os olheiros do planeta, Doncic já aparece no Top-5 das principais listas do Draft de 2018, quando ele terá 19 anos (ainda uma criança!). No DraftExpress, o mais respeitado destes sites, ele é simplesmente o terceiro (Georginho está no número 47). Por enquanto, vale a pena monitorar o crescimento de um garoto que tem uma técnica absurdamente refinada e uma coragem para bater de frente com veteranos do velho mundo.

Vai longe o menino Luka Doncic, aparentemente.


Falha na gestão e pouca visão de negócios – o adiamento de Vasco x Flamengo pelo NBB
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Fábio Balassiano

basquete10E lá vamos nós de novo para um tema chatíssimo. Não é quadra, não é cesta, não é vitória no último segundo. É fora de quadra, é falha na gestão, é amadorismo, é ausência de visão de negócios no esporte. É o adiamento do Vasco x Flamengo, marcado previamente para este domingo (18/12) e válido pelo turno do NBB.

Antes da análise, vale explicar o que aconteceu (com histórico completo). Desde que o Vasco subiu à divisão de elite do basquete (NBB) há uma preocupação imensa, e justificável, em relação aos duelos contra o Flamengo em uma das maiores rivalidades do país. E aí o que aconteceu? Deu ruim. A saber:

basquete200a) No primeiro jogo oficial entre eles, válido pelo turno do Carioca, com mando do Flamengo no Tijuca e torcida única, confusão (mais aqui).
b) No returno, mando do Vasco e também torcida única no mesmo local, tudo certinho.
c) Fla foi suspenso por dois jogos. Primeiro jogo da decisão na Gávea: sem torcida, mas com confusão entre atletas e técnicos no final.
d) Segunda partida seria no Tijuca. Foi em São Januário sem torcida (não havia segurança, de acordo com a polícia).
basquete2e) O rubro-negro conseguiu efeito suspensivo, sua torcida pôde comparecer ao Tijuca, mas o Vasco informou que não se sentia seguro para jogar o terceiro duelo. O que rolou? O famoso W.O., e o Flamengo foi campeão. Escrevi no Facebook sobre isso na semana passada e levei algumas cacetadas inclusive.
f) No sexto duelo entre as equipes em menos de três meses, confronto adiado. A Liga Nacional emitiu inclusive Nota Oficial forte a respeito do tema.

Ou seja: no saldo até o momento tivemos dois duelos com torcida única, dois sem torcida, um W.O. e um adiamento. Ao invés de rendas grandes para os clubes, festa do esporte, ídolos sendo formados, crianças felizes, torcedores apaixonados de volta ao ginásio, o que vemos? TUDO ao contrário. Que maravilha, não? Não.

Agora vamos lá a alguns pontos interessantes:

lnb11) Há quanto tempo Liga Nacional, Vasco e Flamengo sabiam deste jogo? No mínimo três meses, certo? Será que não havia como se planejar melhor, não? Será que os envolvidos não percebem os prejuízos diretos e indiretos que causam com isso? Noves fora a não realização do jogo, será que não enxergam que alucinações como esta evitam a venda de carnês para toda a temporada, impedem que torcedores (e também a imprensa) se programem com antecedência para acompanhar as partidas e afastam cada vez mais os amantes do esporte? A falta de visão de negócios me espanta de uma maneira que vocês não têm ideia. Quantos milhões poderiam ter sido arrecadados neste duelo com renda, venda de produtos, patrocínios pontuais (os dois times estão sem patrocinadores máster na camisa…) e muito mais? Ah, e vem cá: o jogo é adiado e fica por isso mesmo? Ninguém é punido, fica tudo na tranquilidade? Admiro demais o trabalho da Liga Nacional, mas ela tem, sim, muita culpa neste cartório. O tom minimalista e reducionista que ela adota quando este tipo de mico acontece deveria dar lugar a posturas mais arrojadas para evitar que problemas assim se repitam.

basqueteacbf11.1) Ademais: até quando clubes rivais vão se tratar como inimigos, como crianças de cinco anos que não podem dividir o mesmo teto? Vão ficar até quando dizendo “a culpa é dele, eu não fiz nada”? Qual é a dificuldade destes cidadãos em se sentar para dialogar, trocar ideia e organizar as duas partidas da fase regular do NBB que já estão na mesa? Pelo visto há muita (dificuldade), né. Para quem trabalha no mundo corporativo, juro que gostaria de ver como estes caras lidariam com o fato de TER QUE resolver as questões em um prazo pequeno e nem sempre com as melhores peças do tabuleiro. No basquete é o contrário: destroem o tabuleiro e jogam as peças pela janela com o objetivo único do “quanto pior, melhor”. No mercado empresarial, onde a alta performance vale mais do que qualquer coisa, garanto a vocês que no mínimo 90% dos dirigentes brasileiros seriam DEFENESTRADOS de grandes empresas bem rapidinho. Como um chefe costumava dizer: pra gerar dinheiro, ou você rende rápido ou você roda rápido (rodar no sentido de ser mandado embora). A falta de pressão (por métodos mais modernos) acomoda essa galera, que pensa poder fazer esporte como se fazia na década de 60, 70 – só no gogó e batendo na mesa.

basquete12) Ponto fundamental nessa história: não é que o Rio de Janeiro não tenha ginásio de alto nível para um jogo complexo como este. Sim, o RJ tem. São 3 (os do Parque Olímpico, o Maracanazinho e a HSBC Arena). Ao contrário do que alguns alegam, não há total indisponibilidade, não. A HSBC Arena custa R$ 150 mil (aqui). É caro? Sim, é caro. Mas ou investe-se no esporte e se pensa nele como negócio ou sempre se olhará valores como custo, despesa, e não como potencial de receita. Esta diferença de pensamento também define quem é amador e de quem enxerga o esporte profissionalmente. Os dirigentes brasileiros ainda estão na primeira parte. Os dirigentes brasileiros, via de regra, ainda estão na pré-história da administração esportiva em TODOS os aspectos (marketing, finanças, nível intelectual, parte técnica etc.).

basqueteab2.1) Sobre o ponto acima, sei que hoje prefeitura, governo estadual e federal estão preocupados com coisas maiores, mas não é possível que uma cidade olímpica não consiga disponibilizar as estruturas para a população. Vão ficar fechados até quando Maracanazinho, Parque Olímpico e HSBC Arena? Será que o Ministério do Esporte não poderia dar uma ajudinha nessa questão?

2.2) E a parte de segurança, o que dizer? Quem se responsabiliza em liberar o jogo? O GEPE, a PM, a Força Nacional? Ou ninguém? Se ninguém, quer dizer então que não conseguimos realizar um evento com 15, 20 mil pessoas de torcidas diferentes? Há um outro lado nisso tudo também que precisa ser dito: será que cidadãos não conseguem conviver em paz, como se fossem da mesma espécie? Pelo visto a resposta é não, o que dificulta tudo. Torcidas organizadas (TODAS!) são o calcanhar de aquiles do esporte brasileiro há séculos. Ou acabam com elas, ou elas acabam com o esporte. Simples assim.

basquete3) A Liga Nacional de Basquete colocou este Vasco x Flamengo em 18/12 de forma estratégica em seu calendário. Seria o primeiro domingo sem futebol após o final do Brasileirão. O clássico movimentaria as torcidas, a imprensa e as televisões. O duelo seria transmitido para todo Brasil por Band e Sportv. E agora? A partida foi adiada. O potencial de “arrastão” de trazer novos torcedores se perdeu. E os dois canais não exibirão basquete no próximo domingo. Sabe o tal planejamento? Foi jogado no ralo.

basquete1004) Pensando nos próximos passos, como ficaremos? A LNB promete divulgar dias, locais e horários dos dois duelos válidos pela fase de classificação entre Vasco e Flamengo, algo que duvido, mas fico pensando: a) onde serão as partidas?; b) Com torcida única?; c) Que torcedores malucos se arriscarão a sair de casa neste clima de absoluta guerra entre os dois clubes?; e d) Será que a saída é jogar fora do Estado do Rio de Janeiro?

Até quando, gente? Como sempre eu termino com aquela frase já conhecida: o fundo do poço do basquete é sempre mais fundo do que a gente imagina, né? Domingo, 18 de dezembro, era para ser um dia feliz. Será, na verdade, outro dia triste. Triste porque não teremos um clássico deste tamanho em TV aberta e fechada para todo Brasil pelo simples fato de que os dois clubes e também a Liga Nacional de Basquete não conseguem dialogar e chegar a uma solução razoável.

É bizarro isso tudo ou não é? Comente!


O sublime começo de temporada de Russell Westbrook, o rei do triplo-duplo na NBA
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Fábio Balassiano

russ3Seis triplos-duplos seguidos (o último veio ontem na vitória contra o Atlanta Hawks fora de casa por 102-99 com 32 pontos, 12 assistências e 13 rebotes). Na temporada já são 11 em 22 duelos (a soma de TODOS os demais atletas é de 12). Com exceção de Oscar Robertson, o jogador mais rápido a chegar a dez triplos-duplos em uma temporada (fez em 21 partidas; Big O em 12). Média de triplo-duplo. Superou LeBron James na lista dos atletas com o maior número de triplos-duplos (48), já está em sexto e tem tudo para passar Larry Bird, o quinto com 59, ainda em 2016/2017. Dezenove deles foram conseguidos em três períodos ou menos, uma insanidade. Oklahoma City Thunder na zona do playoff no Oeste (e em quinto lugar com 14-8 e seis vitórias seguidas). Se quisesse poderia continuar a enumerar a série de feitos do, até agora, melhor jogador da temporada da NBA. Vocês sabem de quem eu estou falando, certo?

russ4Logo que Kevin Durant assinou com o Golden State Warriors eu cravei aqui e também no Podcast BNC que Russell Westbrook teria, ou tangenciaria, uma média de triplos-duplos na temporada 2016/2017 da NBA, feito alcançado apenas uma vez na história da liga. Foi com Oscar Robertson, um dos gênios supremos do basquete, em 1961/1962. O que eu sinceramente não imaginava é que Russ teria tantos triplos-duplos “gordos” com mais de 25, 30 pontos (dez de seus onze TD’s foram assim), e que o Oklahoma fosse se adaptar tão bem a sua nova (e difícil) realidade. Ninguém perde um dos dez (cinco?) melhores atletas de basquete desse planeta e passa a ter uma nova vida normal, né?

russ1000É muito claro o que acontece em Oklahoma. A bola é de Russell Westbrook e ele toma as redes ofensivas – se isso já acontecia com Kevin Durant, dava pra crer que isso ocorreria agora sem KD por lá. Dois anos atrás, quando Durant teve uma série de lesões, foi uma espécie de preâmbulo do que aconteceria em 2016/2017. Ninguém que acompanha a NBA com afinco e há algum tempo pode dizer que está surpreso. Os números dele e o quinto lugar do Oeste estão aí pra provar que o resultado é extremamente positivo. São 31 pontos (atrás apenas de Anthony Davis), 11,3 assistências (o segundo, logo atrás de James Harden) e 10,9 rebotes (o único entre os quinze primeiros que não é ala ou pivô). Minimamente o rapaz produz 53 dos 107 pontos do Oklahoma por noite (a metade portanto). Isso sem falar nos passes indiretos e no que seus rebotes produzem. É um verdadeiro absurdo o que ele vem fazendo. Westbrook domina as ações de ataque, força lances-livres (10,4 por jogo) e tenta envolver seus companheiros na medida do possível. Quando não dá, ele decide sozinho e acaba se dando bem.

russ100Isso tudo explica, claro, o número excessivo de desperdícios de bola (5,7) que ele registra por noite (o maior índice da NBA atual). Não considero, sinceramente, isso um problema. Para quem fica muito tempo com a pelota na mão, a chance de desperdiçá-la é maior mesmo. Não admirá-lo por isso é um erro e uma perseguição que beira a loucura. Na temporada 1988/1989 o armador que seria eleito MVP teve 4,1 erros por noite. Em 2016/2017, Russ tem 5,7. O nome do MVP em 1989? Magic Johnson. Errar não é o problema. Não tentar, como ensinou Michael Jordan, sim. O equilíbrio é sempre o melhor dos remédios, mas quem tem o camisa 0 no elenco deve saber conviver com suas vantagens competitivas (seu físico descomunal ENGOLE o dos armadores rivais), com sua intensidade (o time fica incendiado com seu espírito) e também com seus problemas.

russ5Também dava pra supor que seu volume de arremessos subiria. Mas não é nada de tão assustador assim. Em 2014/2015 foram 22 chutes por noites. Em 2015/2016, 18,1. Em 2016/2017, são 24,2. É claro que seu percentual de conversão diminuiria (caiu de 45 para 42%), porque as defesas dobram, triplicam e se amontoam em cima do cara para evitar uma catástrofe maior do que a já aplicada pelo armador (sim, armador…) do OKC, mas a queda do percentual de arremessos corretos do camisa 0 acaba sendo também um dos motivos pelos quais seus companheiros têm brilhado. E explico.

west2Com exceção de Russ, no elenco do Thunder não há nenhum craque, mas todos estão se saindo muito bem e se aproveitando do fato de que a marcação fica concentrada em Westbrook em 99% dos casos. Se isso não é melhorar os companheiros, algo que muita gente usa como argumento para criticar o rapaz, eu não sei mais o que é. Victor Oladipo foi contratado em uma troca pra lá de polêmica envolvendo Serge Ibaka, o ala vai se acomodando e registrando 17,1 pontos por jogo. Andre Roberson é o melhor marcador do time desde a temporada retrasada, e agora tem se arriscado mais no ataque (6,4 arremessos por noite contra 3,9 em 2015/2016). O calouro Domantas Sabonis em vários momentos lembra a habilidade do pai (Arvydas) nos passes e tem se esforçado loucamente para marcar bem no garrafão, algo difícil para quem chega e tem que trombar contra Blake Griffin, Draymond Green e afins. Steven Adams está cada vez mais seguro como pivô titular do time e já tem 10,7 pontos e 7,8 rebotes de média. No banco, Enes Kanter está se saindo bem com 13 pontos e Anthony Morrow, Jerami Grant, Alex Abrines e Joffrey Lauverne completam bem a rotação.

russ6Vale destacar o técnico Billy Donovan, que em seu segundo ano na NBA deu carta branca para Russell Westbrook (quem não daria?). Ao mesmo tempo Donovan encorajou seus atletas a subir o nível para manter o Thunder na zona de playoff mesmo sem Kevin Durant. No ano passado o Thunder tinha três no elenco com dígitos-duplos em pontos. Nesta temporada, quatro. Em 2015/2016, 5 jogadores arremessavam 6+ bolas por partida. Em 2016/2017, 7 chutam ao menos 7 vezes. Isso não é coincidência.

Está muito claro que o Thunder vai tão longe quanto o físico e a habilidade de Russell Westbrook aguentarem. Muita gente tem falado que nos playoffs ambos (time e Russ) chegarão mortos de cansados, mas a verdade é que para uma franquia que perdeu Kevin Durant abruptamente chegar à pós-temporada já é um baita mérito.

russ2Por incrível que pareça, registrar a média de triplo-duplo, ou ficar muito perto dela, é exatamente o que o OKC precisa para jogar o mata-mata da NBA. Quer ver exatamente isso aí na prática? Simples: quando Russ chegou a dígitos duplos nos três fundamentos o Thunder venceu 9 vezes e perdeu apenas duas. Com a benção de Michael Jordan, que recentemente foi a Oklahoma para a cerimônia que colocou o armador de 28 anos no Hall da Fama local e encheu o rapaz de elogios pela sua coragem e audácia, o camisa 0 vestiu o uniforme de líder genial e promete não tirar mais.

Toda franquia da NBA queria ter um craque assim para chamar de seu. Sorte do Thunder.


Em alta voltagem, Rockets inicia bem Era Mike D’Antoni e credencia James Harden como MVP
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Fábio Balassiano

rockets1Antes da temporada 2016/2017 Mike D’Antoni, o novo técnico do Houston Rockets, deu entrevista falando sobre o plano de jogo para seu time na NBA: “A bola será de James Harden. Ele será o nosso armador e vai conduzir as nossas ações ofensivas”.

Muita gente torceu o nariz por conta do passado ultra-hiper-mega ofensivo de D’Antoni em Lakers, Suns e Knicks e imaginou que o Barba fosse arremessar como nunca, segurar a pelota em seus braços durante 24 segundos, armar milhares de um-contra-um para si mesmo e tornar o sistema de ataque texano bastante previsível. Passado um mês de certame a gente está vendo justamente o oposto.

harden3O Houston tem 13-7, se estabelece na quarta posição do Oeste atrás dos de fato três melhores da conferência (Warriors, Spurs e Clippers) mas vem de uma sequência de 7 vitórias nos últimos 9 jogos que animam bastante. Neste período os Rockets bateram os bons Portland duas vezes, Utah e Detroit. Na quinta-feira, a cereja do bolo com o triunfo diante do Golden State fora de casa na segunda prorrogação (132-127). Imaginei que o time estaria cansado e que perderia nas montanhas do Colorado ontem à noite contra o Denver, mas encontrando forças sabe-se lá de onde os vermelhos bateram o Nuggets por 128-110.

mike1E como o Houston tem conseguido as suas vitórias? Sim, é isso mesmo que você está pensando. Jogando da maneira que Mike D’Antoni gosta de jogar. Correndo, arremessando muito, espaçando a quadra lindamente (em algumas vezes com cinco atletas abertos fora do garrafão), chutando de três pontos como nunca e marcando muito pouco (os rivais convertem mais de 46% dos arremessos).

Em uma NBA que defende cada vez menos, corre cada vez mais, chuta de fora à exaustão, D’Antoni de fato parece o técnico perfeito para uma temporada de 82 jogos em que os times parecem pugilistas que ficam se estudando nos primeiros rounds – pouco contato, pouco confronto, pouca defesa e muitos arremessos de longe. Não é uma crítica, pelo contrário. É um elogio à diretoria do Rockets que entendeu o momento de transformação da liga e decidiu dar as chaves da franquia para um treinador que SEMPRE potencializa atuações e números de seus times com um sistema ofensivo fluído, rápido e que os jogadores adoram. Adoram porque jogam muito tempo (11 deles possuem 10+ minutos por noite), têm liberdade para criar o que quiserem e porque sabem que terão boas doses de arremessos por noite.

rockets100O Houston tem o segundo ataque mais positivo da NBA com 111,4 pontos por noite e se coloca entre os quatro primeiros em outras estatísticas ofensivas: arremessos convertidos (40,3), percentual de arremessos convertidos (46,6%), pontos por arremesso tentado (1,29) e percentual de bolas de três convertidas (37,8%). Como também tenta muitos arremessos por jogo (86 por partida), sobra pra todo mundo: cinco atletas arremessam mais de seis vezes por noite (James Haren, Eric Gordon, Ryan Anderson, Trevor Ariza, Patrick Beverley e Clint Capela). Não é coincidência que cinco deles (com exceção de Capela) sejam jogadores de perímetro e com % de conversão de bolas de dois e três pontos variando de 34 a 42%. Quatro destes têm mais de 10 pontos por jogo (apenas Beverley, que retornou recentemente de contusão não está nessa lista), com Gordon (16,5 pontos saindo do banco de reservas) sendo uma ótima surpresa.

rockets3A mais “assustadora” estatística de todas, porém, é essa daqui: o Rockets tenta 37 arremessos de três pontos por partida, obviamente o maior índice dessa temporada. Veja no quadro ao lado o que isso representa. Ou seja: como acerta 14 vezes de longe por partida, o Houston “assina” quase a metade de seus pontos (42) em bolas longas, praticamente o mesmo número dos arremessos de dois pontos (52 em 50 tentativas) e também disparada a maior relação (bolas longas x pontos totais) entre os 30 times do campeonato. Como tem James Harden, um dos caras que mais batem lances-livres no planeta (10,4 por noite, o terceiro da NBA no quesito), outros 16,8 pontos saem da marca fatal por partida.

harden10É claro que esses números todos não se refletiriam em uma campanha tão boa assim se não fosse James Harden. O camisa 13 está jogando uma barbaridade e ao contrário que se imaginava não está forçando muita coisa apesar dos seus 5,5 desperdícios de média. São 28,3 pontos em 19 arremessos por jogo, números idênticos aos da temporada passada (29 pontos em 19,7 chutes tentados). Se na pontuação sua atuação é muito parecida, sua participação nos outros aspectos do jogo cresceu assustadoramente. Os 7,6 rebotes e as 11,8 assistências por jogo são os melhores números de sua carreira e representam 30% a mais do que ele obteve em 2016/2017. É óbvio que Russell Westbrook é o nome que mais chama a atenção na corrida pelo MVP da temporada devido aos seus 765 triplos-duplos no campeonato até aqui, mas descartar Harden como o melhor do campeonato não é algo recomendável a se fazer pelo que esse cara está jogando.

harden300A partir de segunda-feira o Houston terá uma sequência de seis dos próximos sete jogos em casa. Celtics, Lakers, Mavs, Nets, Kings e Pelicans no Texas, e apenas o Thunder em Oklahoma. Jogando do jeito que está, dá pra acreditar que os Rockets continuem entre os melhores do Oeste.

E que James Harden coloque outras atuações geniais no bolso para continuar se credenciando ao título de MVP da temporada 2016/2017 da NBA.


Aviso aos navegantes: o Warriors já lidera a NBA e vê time voar muito alto
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Fábio Balassiano

durant1No dia 25 de outubro o mundo parou para ver Kevin Durant estrear com a camisa do Golden State Warriors. Seria o começo de uma era de vitórias, shows, sucesso, mídia e tudo mais. O San Antonio Spurs não quis saber de nada disso e deixou um recado importante: vitória por 129-100 e um banho de água fria na franquia.

A imprensa oportunista dos EUA caiu em cima, chegou a, vejam só vocês, cogitar que a vinda de Durantula para o mundo do Warriors tinha sido um engano (com um mísero jogo, hein…) e o primeiro ponto e interrogação poderia ser colocado na cabeça de Steve Kerr, o técnico.

warriors1Um mês se passou, e o Warriors mudou. Pra melhor. Muito melhor. Já são 15 vitórias (11 seguidas), apenas mais uma derrota (a surpreendente para o Lakers em 4/11 por 20 de diferença), a melhor campanha da NBA, a liderança do Oeste e um aviso singelo: o time está jogando um basquete de altíssimo nível! Em alto nível, sem grandes diferenças de pontos, arremessos e percentuais envolvendo as suas principais estrelas (tabela ao lado) e produzindo jogadas deste nível.

durant2São 118,4 pontos/jogo, de longe a melhor média da NBA e acima dos 114,9 de 15/16, e 43% dos arremessos rivais convertidos, o quinto melhor índice e 1% melhor que no campeonato passado. Ou seja: se o ataque é furioso, a defesa está cada vez mais encaixada (e com Durantula se esforçando muito neste sentido, algo que sempre esteve longe de ser sua virtude).

Individualmente na pontuação quem brilha é o trio de ouro formado por Kevin Durant (27,2), Steph Curry (26,7) e Klay Thompson (20,7), o único do mesmo time a estar entre os 25 primeiros em pontuação junto com o do Cavs (Kevin Love, LeBron James e Kyrie Irving). No jogo coletivo, vale ressaltar o seguinte: são 31,5 assistências por jogo, 7 a mais que o Houston, e 58% dos arremessos convertidos através de passes dos companheiros.

warriors3Ganhar ou não o título depende de muitos fatores, inclusive sobre quão descansado chegará o Cleveland, que ganhará o Leste com pouquíssimo esforço pelo visto, mas que a turma de Oakland está jogando o fino da bola, isso está. Ano passado o Warriors iniciou o certame com 24 vitórias. Neste ano já são 15-2 e a possibilidade REAL de chegar pelo terceiro ano consecutivo a mais de 65 vitórias. Isso tudo sem “estourar” as principais estrelas (Green, que se machucou na sexta-feira sem gravidade, Curry, Durant e Klay Thompson jogam menos de 35 minutos por noite).

curry10Hoje o duelo será contra o Atlanta Hawks na Oracle Arena. Depois disso, outros três jogos em casa (Rockets, Suns e Pacers) para sedimentar o incrível começo de temporada.

Pra gente, do Brasil, a única tristeza mesmo é o fuso horário que faz as partidas começarem depois de 1h da manhã. Mas se ninguém tinha dúvida que o Golden State seria bom, acho que nem “quão” bom este time poderá vir a ser precisamos ficar nos perguntando.