PUBLICIDADE
Topo

Bala na Cesta

Quem participa da Euroliga?, por Rodrigo Salomão

Fábio Balassiano

06/03/2019 04h55

* Por Rodrigo Salomão

Semana de Carnaval em pleno vapor pelo Brasil, mas cá estamos em terras israelenses e a vida não parou. Muito menos, o basquete. Na última quinta-feira, estivemos acompanhando de perto a vitória do Maccabi Tel Aviv sobre o Darussafaka por 77-58 na Menora Mivtachim Arena para um público de quase 10.500 presentes. Resultado fundamental na 24ª rodada para os israelenses seguirem na briga por uma vaga nos playoffs, mas não vamos nos limitar a falar apenas da partida em si, cujo resultado foi bem previsível. Há outro assunto bem peculiar ligado ao duelo.

O adversário da equipe de Israel está na última posição da tabela e traz à tona um tema que diferencia um pouco a estruturação da Euroliga para a da NBA. Afinal, quem é que participa do torneio? Quais são os critérios básicos? Pois é, estamos aqui para tentar sanar essas dúvidas. Enquanto nos Estados Unidos (e no Canadá) as franquias via de regra são as mesmas ano após ano, na Europa o sistema não é tão simples assim. Vários times entram e saem. E é aí que entra o Darussafaka.

A vaga da equipe turca nesta temporada no primeiro escalão do basquete europeu se deu por conta do título da EuroCup, o segundo torneio mais importante nesta hierarquia do Velho Continente. Liderada pelo técnico David Blatt (hoje no Olympiakos) e pelo armador Scottie Wilbekin (agora no Maccabi), o time de Istambul garantiu sua vaga na Euroliga seguinte. Mas, ao que tudo indica, parece difícil sua permanência. São 21 derrotas em 24 jogos e uma situação delicada dentro dos requisitos para ter seu lugar ao sol.

Embora a Euroliga tenha anunciado uma expansão de 16 para 18 clubes a partir de 2019/2020, ainda assim nem todos os participantes da atual edição estão garantidos. As participações se dão da seguinte maneira:

a) 13 clubes licenciados a longo prazo, a chamada "Licença A", que atualmente contempla Maccabi Tel Aviv, Real Madrid, Barcelona, Fenerbahce, Olympiakos, Panathinaikos, Zalgiris Kaunas, CSKA, Anadolu Efes, Baskonia, Olimpia Milano e, os mais recentes, Bayern de Munique e ASVEL Villeurbanne.

b) 5 clubes associados com uma licença anual, sendo 4 vagas distribuídas tecnicamente para as ligas do Adriático, da Alemanha, da Rússia e da Espanha e 1 vaga para o campeão da EuroCup (que atualmente pertence ao Darussafaka, como falamos).

A diferença para os anos anteriores à decisão por expandir a liga era justamente na quantidade de licenciados a longo prazo. Eram 11, agora são 13. As classificações técnicas permanecem e é justamente por isso que, por exemplo, o tradicional Estrela Vermelha, da Sérvia, participou da temporada 2017/2018 e ficou de fora em 2018/2019. Do Adriático, veio o Buducnost, de Montenegro.

Em meio a esta rotatividade de equipes e de conexão entre as ligas locais com as continentais, surge também a dúvida que há pouco tempo tomou conta do público brasileiro. Afinal de contas, os gregos do AEK, que encararam San Lorenzo e Flamengo no Rio, vieram como campeões de quê? Bem, apesar de o nome da competição em questão ser Basketball Champions League, o campeonato organizado pela FIBA é hoje, por assim dizer, apenas o terceiro escalão da Europa.

Situação bem diferente de quando o mesmo Flamengo encarou o então detentor do troféu da Euroliga, o Maccabi Tel Aviv naquele Intercontinental de 2014. Caso o regulamento fosse o mesmo daquela ocasião, quem viria era o Real Madrid, o atual vencedor do torneio. Algo que sequer foi cogitado desta vez. Só mais um dos muitos sinais de embate entre as entidades. E essa história está longe de acabar.

Curtinhas da Euroliga:

1) Tivemos El Clásico no futebol esta semana, mas na Euroliga também. E o resultado não foi muito diferente dos gramados. O surpreendente Barcelona deu grande passo rumo aos playoffs ao vencer o Real Madrid por 77 a 70, em casa, e chegou à 5ª posição na tabela. Destaque para o pivô croata Ante Tomic, cestinha com 22 pontos e 13 rebotes na conta, eleito o MVP da rodada. Tudo isso na mesma noite em que a camisa 11 da lenda Juan Carlos Navarro foi aposentada. Festa de gala inesquecível no Palau Blaugrana.

2) O letão Dairis Bertans acertou de comum acordo sua rescisão de contrato com o Olimpia Milano. O motivo? Aos 29 anos, o atleta desembarcará na NBA pela primeira vez na carreira, para defender o New Orleans Pelicans. Seu aproveitamento de chutes de 3 na liga europeia era de ótimos 53,6%, o melhor da atual edição. Seu irmão, Davis, joga no San Antonio Spurs.

3) Por falar no time milanês, duas grandes vitórias nas últimas rodadas (contra Maccabi e Khimki) colocaram-no em ótima situação na luta pelos playoffs. Nem mesmo o aguardado retorno do armador Alexey Shved, depois de três meses fora por lesão, foi suficiente pros russos brecarem o ímpeto do Olimpia;

4) Até o momento, garantidos na próxima fase estão apenas Fenerbahce, Real Madrid e CSKA. Do quarto lugar em diante, a briga segue acesa (mais aqui). Do 4º (Anadolu Efes) até o 11º lugar (Panathinaikos, de Rick Pitino) ainda há chances de manter o sonho vivo;

Sobre o blog

Por aqui você verá a análise crítica sobre tudo o que acontece no basquete mundial (NBB, NBA, seleções, Euroliga e feminino), entrevistas, vídeos, bate-papo e muito mais.