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Bala na Cesta

Bala na Cesta

Mesmo com LeBron, Lakers começa mal a temporada - é para se preocupar ou está cedo?

Fábio Balassiano

31/10/2018 05h00

Hannah Foslien / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

O Los Angeles Lakers que entra em quadra hoje à noite em Dallas para enfrentar o Mavs (23h30) traz uma mistura de preocupação e um pouco de calma. Com 7 partidas disputadas, os angelinos venceram apenas duas e estão longe de mostrar o que se espera de um time que tem LeBron James. A pergunta que fica é: é motivo para ligar o alarme ou ainda está cedo?

Pensando racionalmente, a resposta é a "ainda está cedo", mas o que o Lakers tem demonstrado em quadra desde o começo da temporada agrada bem pouco. E aí não entra a ansiedade do torcedor que espera que, com LeBron no elenco, tudo melhore do dia pra noite, mas sim sinais de melhorias em princípios básicos como defesa, proteção ao aro e tudo mais.

Se o ataque do Lakers produz 122 pontos por jogo com quase 50% de conversão nos arremessos, tendo sete jogadores com 11 ou mais pontos de média por partida, do outro lado é onde realmente o bicho pega e faz com que as vitórias não venham. É óbvio que as ausências de Brandon Ingram (quatro jogos suspenso) e Rajon Rondo (três) pesam, mas de verdade não justifica tanto porque os erros beiram o bizarro – sobretudo na concepção do elenco.

A respeito do setor ofensivo, e sem querer colocar ainda mais água no chope californiano, todo ataque com LeBron James tem enorme chance de ir bem. O camisa 23 é altruísta, chama a marcação rival para dobras e rotações frequentes e sempre procura seus companheiros livres. Via de regra os times pelos quais jogou sempre tiveram ataques bem fluídos – e muito por causa dele. Em um Lakers procurando se encontrar, tê-lo como catalisador de quase tudo o que acontece em direção a cesta não deixa de ser um alento. A questão está no outro lado mesmo.

Na segunda-feira contra o Minnesota foram 124 pontos sofridos, um verdadeiro absurdo. Na temporada, em quatro dos sete jogos o rival anotou 124 ou mais pontos, uma tragédia de proporções jamais imaginadas em Los Angeles.

CHRISTIAN PETERSEN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

Por mais que atualmente estejamos vendo uma NBA que nenhum time marque dignamente e uma liga que praticamente deixa os pivôs sem função, é uma aberração o que o técnico Luke Walton tem feito com as rotações de seu time. Único "cincão" de ofício, JaVale McGee, que está longe de ser um virtuoso, não tem um substituto. Na posição 4 (de ala-pivô), não é que não exista reserva, mas sim titular. Walton tem improvisado Ingram como ala-pivô aberto, mas não funciona. Seu arremesso de três é errático (30% de conversão), sua agilidade não é lá essas coisas e sua marcação a homens grandes (e aí não é culpa sua) deixa a desejar.

Em vários momentos das partidas LeBron James é obrigado a marcar alas-pivôs (como foi no sábado contra o San Antonio Spurs de LaMarcus Aldridge), Kyle Kuzma, ala, perto da cesta (Karl Anthony-Towns se refestelou nesta segunda-feira contra ele) e por aí vai. O resultado é que a defesa sofre em média 122 pontos por jogo, permite que os rivais convertam quase 48% dos arremessos e no perímetro vê os adversários acertando 38% de seus tiros. Em todos os índices os Lakers estão entre os 10 piores times da temporada.

Está muito claro: o ataque vai bem, mas a defesa é uma peneira de dar nos nervos de quem torce pela equipe. Isso que nem mencionei as rotações de Walton, ex-assistente do Warriors que tenta fazer no Lakers o que fazia no Golden State, um erro colossal ao meu ver já que não me parece uma opção razoável, por exemplo, colocar juntos Rajon Rondo e Lonzo Ball, armadores que precisam da bola nas mãos e cujos arremessos de fora são horrendos.

CHRISTIAN PETERSEN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

É óbvio que o Lakers via melhorar, já que é um elenco praticamente todo novo e algumas peças são jovens e estão crescendo (Kyle Kuzma, Lonzo Ball, Brandon Ingram, Josh Hart etc.), mas eu se fosse Magic Johnson, o manda-chuva da franquia, e o técnico Luke Walton já deixaria o botão do alerta bem ligado.

Você não vai se classificar para o playoff do Oeste no primeiro mês de temporada. Mas pode, sim, perder a vaga pro mata-mata com derrotas sucessivas e inesperadas no começo do campeonato. Os reveses vieram diante de Portland, Houston, Spurs (duas vezes) e Minnesota, times que tal qual o Lakers tentarão jogar a pós-temporada.

Chegar em dezembro muito afastado dos 50% de vitórias pode ser um problema ainda mais difícil de administrar em 2019. LeBron James não fica de fora de um playoff da NBA desde 2006. Não jogá-lo com o Lakers, que está fora desde 2013, seria uma catástrofe.

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